Publicado por: Amauri Nolasco Sanches Junior e Marley Cristina Felix Rodrigues | 24/02/2015

Marginalizados iludidos – eu sou cadeirante.

Um monge toca para uma criança com deficiência.

Um monge toca para uma criança com deficiência.

Nunca me vi além da minha deficiência, sempre tive conflitos, mas nunca me vi além daquilo que sou. Essa é a entrave de muito cadeirante, muito muletante, muito surdo ou cego, sempre se acham fora de suas deficiências, mas somos a deficiência em si mesmo. Outro problema é que as pessoas acham que tem que provar algo para os outros, tem que homenagear os outro para “parecerem” bons, porque assim que é a nossa sociedade e é assim que se deve ser. Por isso que aparece correntes que nada ajudam a pessoa, mas um gesto sim, um gesto é muito melhor do que mil palavras. Palavras são signos para expressar sentimentos e pensamentos, que podem existir ou não podem existir, mas que não é o que somos. Podemos até usar jogos de linguagem para satisfazer nosso próprio ego, mas nunca serão o que você é de verdade.

O encontro consigo mesmo é um exercício que deve fazer para entender quem você realmente é. Por exemplo, quando eu me encontrei como cadeirante e comecei a enxergar a cadeira de rodas como parte do meu corpo – ou extensão – comecei a resolver vários conflitos dentro de mim. Porque nesse momento eu sou um cadeirante, nasci são, mas por falta de oxigenação cerebral, eu tenho paralisia cerebral. Sou a paralisia cerebral, eu sou cadeirante, eu sou o momento agora e nesse instante sou escritor e não é o fato de eu ser cadeirante ou eu ser a paralisia cerebral – não quer dizer que meu cérebro esteja paralisado – que não posso ser um escritor ou escrever este texto. Porque a sociedade sempre construiu uma imagem – ou estereótipo – que as pessoas com deficiência devem superar sempre no âmbito físico e nunca intelectual. Não vimos a mídia falar de repórteres com deficiência, escritores com deficiência, atrizes com deficiência e sim sempre, esportista com deficiência. Eu não sou esportista, muitos ao meu redor não são esportistas, então, não podemos aparecer na mídia, não somos rendável dentro das premissas de uma boa venda de jornal ou revista. Afinal, quem é esse “deficiente” que quer sair do lugar que fazemos para ele ficar? O esporte rende jornal, o esporte rende a ideia de “exemplos de superação”, o esporte as pessoas querem mentir para si mesmos que são aquilo que não são, aquilo que não aceitam e ficam inventando ilusões e essas ilusões se tornam verdade. O fato que o para-esportista é uma pessoa com deficiência, uma pessoa não é um “deus” apesar de carregar o fogo da deusa grega Niké (vitoria), que é o mesmo fogo de Prometheus.

Uma pessoa marginalizada é uma pessoa que esta a margem de algo, se estamos a margem de algo é porque nos colocamos como tal. Não existe condição que as pessoas estão que a própria não se colocou, porque sempre vai pensar que as outras pessoas devem a aceitar, mas você mesmo deve se aceitar porque nesse momento você é isso, você esta numa cadeira de rodas (ou outro aparelho, como sou cadeirante eu uso cadeira de rodas), mas nós sempre aceitamos o que a mente trás como verdade, essa verdade é “se eu fosse”. Esse “se eu fosse” é uma grande entrave para aceitação de uma deficiência e com isso superar suas limitações como se fossem algo natural. Agora nós somos um cadeirante, agora estamos numa cadeira de rodas, agora somos nós e nossas cadeiras de rodas e isso não vai mudar nesses momento. Nada que estudou, nada que aprendeu, nada que faz no seu cotidiano vai mudar isso, pois podemos ser esportistas, jornalistas, publicitários, poetas, escritores e etc, não vai mudar a nossa condição de cadeirante. Não existe “se eu fosse” porque não somos, não estamos em uma outra dimensão que podemos não ser um cadeirante, estamos nessa, estamos nessa vida, estamos nesse momento. Muitos não se aceitam porque ficam nesse “se eu fosse” e esquecem o “eu sou assim”, porque sempre estamos presos no tempo, porque sempre estamos presos o que eramos e o que podemos ser. Outra coisa que vejo é em relação ao casal – pode ser que estou errado, afinal não sou senhor da verdade e nem existe verdades absolutas – muitas pessoas arrumam pessoas que não tem deficiência para satisfazer o seu próprio ego, porque ainda estão no “se eu fosse” e não estão no “eu sou assim”. Esse tipo de relacionamento é – como diria Renato Russo – “mentir para si mesmo é sempre a pior mentira”, ou seja, vamos sempre nos marginalizar sempre aceitando a ideia social, sempre não aceitando nossa condição.

Dai mora a ilusão. A ilusão é definida como confusão da nossa percepção, ou mais ainda, iludir é enganar-se e burlar ao outro e a si mesmo. Burlar aquilo que é por natureza e não podemos ver graças a confusão da nossa percepção a imagens que aprendemos por si mesmo. Aquela pessoa que se ilude é aquela pessoa que escapa daquilo que é realidade – seja social ou intima – pois se pusermos na nossa mente que tudo é tragedia, o mundo passa a ser tragedia, se pusermos na mente que o mundo não existe e sim nossas próprias escolhas, o mundo perde o sentido que todos impõem a nós ou nos deixamos impor. No caso da deficiência é se iludir com falsas promessas de cura, tanto no âmbito religioso, quanto no âmbito cientifico, porque nos iludimos ainda com a perfeição. A perfeição que nós sempre buscamos não passa de uma lógica somente humana, não existe perfeição na natureza, nada é igual a outra coisa. Aliás, no latim se derivou o termo iludir veio do sufixo “in” e ludo que é brincar, ficaria “eu brinco” e assim, brincamos com nosso desejo de ser algo, uma esperança enganosa para construir uma realidade que não existe. Iludir a si mesmo é causar uma impressão enganosa, é ter uma esperança de algo desejável. Por isso que várias filosofias – principalmente as orientais principalmente o budismo – vai dizer que todo desejo é uma satisfação do seu ego (eu), mas esse ego, não é nossa verdadeira identidade e sim, a falsa que o meio social nos ilude. Voltamos ao iludir, porque a ilusão sempre é algo que fazemos para burlar a realidade, o que somos, o que poderíamos ser, mas não somos. O falso eu (ego ilusório) sempre é algo que a mente transforma em realidade, sempre se transforma em algo concreto e não é, é uma ilusão. Então pouco me importa tratamentos que ainda não existem, dinheiro que ainda não existe, cadeiras de rodas que eu poderia ter, mas eu não tenho nesse exato momento, porque o agora que você vive e não o depois, ou o que você foi. Focar não é trazer a realidade, focar é direcionar sua atenção a um objetivo que é a consciência de um ato que ainda é um virtualização daquilo que não é em ato. O preconceito começa consigo mesmo que quer ser o que a sociedade deseja que somos, mas não somos o que o outro deseja, mas o que desejamos para si mesmo. Aceitar não é a conformação da situação e sim, a transcendência de algo mal resolvido dentro de nós mesmos, dai, podemos superar mais tranquilamente sem mesmo, agredir ou precisar de alguém para aceitar aquilo que você próprio aceita.

As pessoas com deficiência devem ter dentro de si mesmo que são pessoas que tem certas limitações, mas que são pessoas e não vai mudar nada se iludir daquilo que não são, daquilo que não vão ter e a sua força sera infinita. Por que? Porque acionamos nossa verdadeira identidade, nosso verdadeiro eu, e não precisamos nos agarrar em ídolos que querem ser bajulados para satisfazer suas próprias frustrações. Como o negro é negro, como o gay é gay, como tudo que cada um nasce caracterizando uma individualidade, ou seja, a verdadeira identidade é a aceitação do que somos realmente. Não nascemos marginalizados, nos tornamos marginalizados porque são imagens sociais de uma realidade que não existe, talvez, nunca irá realizar essa realidade, mas nunca deixaremos de ser o que somos. Mesmo se irmos nos lugares que nos prometam cura, mesmo se acreditarmos em ideologias e até mesmo na ciência, mas não deixaremos de ter uma deficiência. Não deixamos de ser o que somos, não deixamos o que vivemos agora, a deficiência.

Amauri Nolasco Sanches Júnior

Publicitário, técnico de informática e estudante de filosofia ←

Publicado por: Amauri Nolasco Sanches Junior e Marley Cristina Felix Rodrigues | 20/02/2015

A Teoria de Tudo – uma historia com deficiência.

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Platão – provavelmente esse é um apelido e seu nome era Arístocles de Atenas – dizia que o amor se consistia entre corpos que para ele era o “eros”, ou seja, o amor é algo que lhe falta, algo que deve ser nutrido. Eros para o grego e para Platão, é o amor nutrido pela beleza do corpo, a beleza que dar uma impressão de harmonia entre os seres e entre a sociedade. Um amor platônico, é um amor que nunca poderá ser alcançado, porque a beleza harmoniosa não esta no ser humano e sim, no ser idealizado nas mais profundas “catacumbas” do nosso inconsciente que aprendeu isso. Então o filósofo usa a fabula que os homens eram andróginos (não tinham gênero) com duas cabeças, quatro braços e quatro pernas, mas quis subir no monte Olimpo para ver os deuses e Zeus – o rei e o deus do trovão – não gostou nada disso e castigou o ser humano separando eles e eles ficam vagando pela terra a procura da sua metade. Esse mito fala que o ser humano não mais é completo, não mais é forte e sim um ser melancólico a procura do ser que nos completara. Isso dará ao ser humano ocidental – não é a toa que o filósofo alemão Nietzsche que viveu no século dezenove, vai culpar a decadência do ser humano ocidental graças a filosofia platônica – que não somos completos, não temos nada inteiros e temos que sempre procurar no outro algo que nos falta, algo que não existe no nosso próprio conceito. Nem mesmo, possamos ser felizes, não podemos amar sem ver o outro como alguém que nos traga algo, nutre em nós aquilo que não nutrimos em via de regra.

Em temporadas de carnaval vimos isso, a erotização do ser humano se deve em esconder sua cara em uma fantasia e ser o que você não é para buscar aquilo que te falta, que não buscamos em nossa própria identidade por faltar algo na sua realidade que não enxerga. Não é a toa que todo louco é caracterizado como Napoleão Bonaparte – um imperador francês com sangue italiano – porque ele quis ser o que não era, um general que foi coroado imperador a moda romana e pensou ser o que não era e acabou isolado. A ideia do “louco” é a ideia platônica da busca harmônica de todo o universo através da racionalidade e na beleza física, como vimos que gênios são aqueles que tem argumentos lógicos e podem dar ao ser humano o caminho para essa racionalidade, ou, aqueles modelos “bombados” que ficam fazendo academia como aqueles Fitness. Nesse contexto, temos nossas convicções que não somos pessoas completas porque sofremos uma especie de castigo, hora por ter excedido (a lenda do andrógino), hora por ter desobedecido Deus e ter comido o fruto do conhecimento (Gêneses) e ter pretendido ser o que não somos, degenerando a completude do nosso espirito enquanto seres evolucionários. Nesse contexto as vidas tomam rumo graças as nossas crenças e as nossas morais que são modos de perpetuar um costume ou, continuar esse costume. E assim, com toda essa amostra da onde vem a cultura que não somos seres completos e que precisamos de “muletas” culturais, sociais e até não ousamos sair dessa cultura para não ser aceito, podemos analisar o filme homônimo do livro de Jane Hawking “A Teoria de Tudo” que tem como contexto a vida do físico Stephen Hawking que tem ELA (esclerose lateral amiotrófica), no qual se vê no próprio filme, o medico deu dois anos a ele, isso foi aos 21 anos, hoje ele tem 73 anos e a cadeira do físico e teólogo, Issac Newton.

Talvez o debate ficasse mais interessante se analisarmos o filme a partir da nossa cultura platônica cristã da perfeição e da harmonia dos corpos e não tem nada a ver, de repente, com o corpo e sim a ideia que fazemos do corpo e do sentimento que chamamos amor e nem sempre é o amor. Iludimos muito sobre o amor e confundimos muito o amor com a paixão, porque nossa cultura não diferenciou por causa da não aceitação que somos seres gregários e fazedores de cultura. Então, para aqueles que desprezam esse tipo de analise social e preza muito mais a liberdade do que o sentimento, o amor fica como uma prisão nos moldes platônicos que sempre buscamos o belo para satisfazer o nosso prazer e não suprir aquilo que faz bem com o outro que me acompanha. Sempre vimos no amor um lado hedonista que não é no amor em sim, de nós mesmos. Mas isso é algo que só existe no nosso inconsciente que são as coisas que não temos consciência e ficam vagando na nossa mente, porque são imagens de associação daquilo que acreditamos e não aquilo que é, porque estamos preocupados com o tempo do amanhã ou no tempo de ontem. No filme ao escolher ficar com Hawking o pai dele disse que seria algo duro, algo que não era uma simples brincadeira e sim, algo que precisaria dedicação e amor por causa da sua limitação. Algo limitado é algo restrito em um momento ou algo restrito a um conceito que na maioria das vezes, restringe até o movimento e a postura. Liberdade. A ilusória noção que temos da liberdade.

Liberdade é sentir nossa consciência moldar nossa vontade segundo um objeto ou um objetivo (vontade em si mesma), que faz com que desejamos algo ou sentimos algo por alguém ou algum objeto. Mas também, liberdade tem a ver com algo subjetivo quase metafisico, porque há uma diferença em ter liberdade e se sentir liberto. Se sentir liberto tem mais a ver com a liberdade do que ter o direito a liberdade, porque a liberdade não é um objeto ou um objetivo (mesmo que somos levados a acreditar que temos a vontade de sermos libertos), mas um estado muito mais dentro da alma do que só do nosso corpo. Então, não adianta ter a sua opinião (livre expressão), se somos prisioneiros de conceitos dentro de um determinado período histórico que aquilo era preciso, ou opiniões que não são nossas e sim, de outrem, não somos levados a sentir a liberdade. No filme já detectamos o amor e a liberdade, porque o amor verdadeiro não aprisiona e sim, liberta. Se você se propôs a algo, a proposta e resistir a esse algo ou nem começa com o objetivo, isso não é um julgamento, é um fato concreto por causa da noção equivocada que temos da liberdade. Nesse contexto podemos analisar que a Jane se iludiu com que chamamos de liberdade, porque ela cuidava de Hawking não com o sentimento do amor, mas com o sentimento que era uma obrigação, não sentiu que poderia estar ajudando ele. Ele não a colocou como uma “enfermeira”, mas ela se colocou como tal, ela se iludiu e foi tragada pela ilusão. Isso é muito comum na Europa, o racionalismo coloca como uma meta ou uma lógica, como se uma pessoa estudada não pudesse sentir. Ela não sentiu a liberdade de fato, ela se libertou das amarras de uma vida “dura”, mas não se libertou do conceito social, onde o belo e o perfeito ainda predomina.

O mais engraçado – se lemos biografia do Hawking ou no próprio filme – o próprio Hawking nunca se limitou por causa da sua deficiência como se fosse algo extraordinário e sim, algo que ele teria que conviver e ainda faz questão de entrar nas polemicas discussões sobre a física. Então, não aprendeu com ele, ainda decidiu ficar com a ilusão de se sentir uma “enfermeira”. Decidiu se render as faces de uma cultura que faz do belo uma escravidão, leva o outro para dentro da casa (o intimo de um casal) e começa a se sentir completa porque por mais não queremos, não queremos o outro imperfeito, porque o imperfeito é impuro, é o caos. Embora os historiadores ainda insistem em afirmar o lado guerreiro espartano ou a cidadania ateniense, mas os “defeituosos” eram eliminados por causa da crença da impureza, do ser desarmonioso, do caos entre seus átomos e a maldição dele por causa desse corpo “defeituoso”. Mesmo se os espartanos ficassem com o bebe deficiente na cidade, havia uma crença da má sorte, da maldição dos deuses e do processo de acreditar na vitoria e a crença do corpo perfeito. Platão não fugiu de sua própria cultura e ainda, os ocidentais tem isso dentro de si. O nazismo só é um reflexo sobre isso. No filme nós podemos ver que ela não deixou Hawking não porque ela o amava – isso ele percebe há algum tempo – mas por “pena” ou compaixão. A deficiência ainda se define como um castigo ou um fardo que temos que carregar, um sofrimento eterno, um ser que não tem no seu corpo a harmonia da criação. No conceito ocidental – não achei no conceito oriental sobre – a deficiência é um erro da natureza que um dia o ser humano conseguira curar, como o câncer ou outras doenças do gênero, como a modificação genética e a modificação robótica cibernética. Somos um vírus que não poderíamos estar num corpo (sociedade) saudável, porque somos algo que levamos a doença, na Europa, por exemplo, é legal o aborto de mães que terão crianças com síndrome de down. Que biólogos famosos como o Sr Richard Dawkins, diz que uma mãe que tem um filho com síndrome de down é uma pessoa imoral. Aliás, a moral entra na nossa discussão porque é vista no filme, moral é o modo do costume, então, é imoral ter um marido com deficiência, porque não passa segurança, não passa a capacidade de interagir, mas calma aos apressados, estou dizendo a maioria dos casos onde a deficiência é algo grave.

Se fomos pensar na vida de Stephen Hawking após a deficiência se instalar, ele transcendeu a deficiência como algo que vai além do corpo, ele se apegou muito mais a vida e a humanidade. As suas afirmações sobre a extinções da raca humana ou o desenfreado processo robótico que acabara com a raça humana, são de total amor pela humanidade e não ao desprezo dela. Mas claro, suas amarguras estão dentro do seu espirito e não deixou de procurar a resposta sobre o universo e o porque da humanidade e o proposito de tudo. Porque não se abateu e não se abate, já entrou em orbita, vai fazer filme, então, o que dizer dele se ele não quer ser um “exemplo” de nada? Aliás, há também um mistério dentro da deficiência, algo que mete medo, algo que nos espelha ao acaso e que não faz parte do bojo da perfeição social. O filme fala da essência cultural humana onde o perfeito (ilusão) é muito mais valorizado do que o imperfeito (realidade) que acaba ficando nas amarras de um mundo ilusório igual o filme Matrix. Lá dentro é o lado perfeito, o lado que não se deve ter nenhuma anomalia para não atrapalhar o andamento do sistema, mas muitas vezes, o sistema mesmo cria anomalias e insere como algo preciso. A liberdade que pensamos ter não é bem a liberdade verdadeira porque estar interligada aos conceitos humanos, conceitos esses instalados para o processo do sistema, a própria liberdade – que não passa de uma ilusão – não passa de uma artimanha do sistema para renovar esses conceitos para o andamento do sistema. No conceito computacional, essa liberdade especifica é um tipo de looping (a reiniciamento do sistema perpetuamente) porque é algo racional, você não deve ter a liberdade e sim, se sentir com a liberdade. Hawking e outros deficientes, incluindo eu próprio, somos anomalias do sistema que o próprio sistema cria, o próprio sistema tenta eliminar, mas é algo inevitável. O sistema ilusório (o maya hindu) criado pelo próprio homem escraviza ele próprio, porque não enxerga além daquilo que vê, nós por sermos uma anomalia, vimos porque somos aparte desse sistema. Alguns sabem disse e se iludem aos conceitos sociais.

Isso depende muito do discurso do poder, algo que elimina as possibilidades de algo muito além de um simples viver, mas cria regras para esse viver. O filme fala muito mais de ética do que de moral, porque talvez não é um modo de costume que se muda de ideia sobre o amor por uma pessoa, mas tem a ver de repente, do caráter desse pessoa se aquilo era amor mesmo ou apenas uma paixão passageira. Colocar a pessoa na periferia dos sentimentos, não é algo ético, porque a ética tem a ver com os valores que nutrimos dentro de nós – que hoje em dia nada tem a ver com os valores familiares muitas vezes – e esse valor é aquilo que o outro lhe parece para você, algo que se fica uma amizade é apenas um premio de consolação. Mas devemos sempre olhar além do tempo e dos conceitos humanos, meramente, humanos e se enveredar dentro das amarras da vida plena. Stephen é esse exemplo, encarou a morte de frente e hoje celebra a vida, sempre.

Lais ser lésbica, tudo bem, mas cadê meus 4 mil na minha conta?

Publicado por: Amauri Nolasco Sanches Junior e Marley Cristina Felix Rodrigues | 15/12/2014

ARTISTAS COM DEFICIÊNCIA E A DEMOCRACIA.

Imagem: Viktoria Modesta sentada num cubo branco num local todo branco e mostrando sua prótese que faz imagem steampunk que mistura componentes do século XIX

Por Amauri Nolasco Sanches Junior

Pronto. Finalmente temos uma cantora que colocou a deficiência em voga e não como um “modo de superação”. Viktoria Modesta é uma cantora e modelo britânica, em 2007 por problemas da perna que ela caia muito, teve que amputá-la e dês de então, está mesmo assim no meio e ao que parece, agora investiu a carreira de cantora. Não gosto muito do tipo de musica que a Viktoria canta, pois sou adepto ao rock e ao metal, mas algo que eu vi que me fez refletir que de repente falta dentro da visão da deficiência, a discriminação. Em um blog, que peguei a sua biografia, o escritor postou o que ela disse ao amputar a perna e achei fantástico essa coisa dela mesma dizer que estava tirando algo errado dela e que agora se sentia completa, não lamentou a vida por ter perdido a perna, mas foi em frente e disse que era completa. Aonde uma pessoa amputada se sentiria completa na posição dela? Aonde os meios de comunicação poderiam mostrar que uma pessoa amputada faz um video mostrando a sua prótese, assim, explicitamente?

Há uma extensa discussão como poderíamos divulgar a deficiência e como poderíamos colocar essa deficiência como uma coisa normal, não tão dramática e não tão substanciada no “vitimismo” que muitas pessoas com deficiência promovem dentro das próprias palestras e do modo de contar sobre a sua deficiência. Alguns anos atrás, uma cantora chamada Katia foi lançada e ela era cega, não emplacou por razões que desconheço, mas ficava vendo o modo que as pessoas tratavam ela só porque ela era cega. O maior problema das pessoas com deficiência e renegar a sua deficiência por causa de uma sociedade que nos rejeita, que nos humilha, que nos transforma em meros seres humanos sofredores e que de alguma maneira, que não podem se prover sozinhos. Mas o que ninguém sabe, ou a grande maioria é que o cantor Roberto Carlos tem uma prótese e perdeu a perna quando era criança. Em minha opinião pessoal, mesmo com os inúmeros preconceito na época, a sua atitude foi de extrema canalhice de não assumir sua deficiência e de extrema canalhice em não mostrar sua prótese. Mas temos que reconhecer que mesmo com isso ele foi atrás do que quis e conquistou, de uma forma que não concordo, seu espaço como cantor. Aqui no Brasil, queiram vocês ou não, somos acometidos de um vitimismo muito grande que eu chamo de Filosofia Teletoniana. Joga você no vitimismo, faz de você o mais baixo dos seres humanos para depender de secretarias, entidades e outras coisas do tipo e enriquecem com isso, porque vai muito dinheiro e por esse dinheiro, se aliena a sociedade sobre isso. Fora que empresas preferem pagar multas do que contratar pessoas com alguma deficiência e consultorias que exigem critérios estranhos, igual aconteceu comigo em outubro envolvendo a AME e o SESC (aqui). Isso é a industria da caridade, onde aproveitam das pessoas que querem ajudar e não encontram meios de ajudar e essas entidades forçam uma imagem degradante da deficiência e uma imagem degradante dos meios que essas pessoas podem ajudar. Por outro lado, não adianta os meios de comunicação ajudar e ao mesmo tempo, não obedecer a Lei de Cotas de pessoas com deficiência nas empresas.

A Filosofia Teletoniana tem origem na antiguidade onde não existiam nenhum meio de tratamento, não existiam nenhum modo cientifico que comprovasse que nós, meros seres humanos com suas limitações, não eramos castigo dos deuses. Aliás, somos produto do meio onde vivemos e quanto mais progresso, mas meios químicos e processos difíceis podemos encontrar e nascer com alguma deficiência, ainda mais a pobreza que agrava ainda mais. Μas é lógico que isso não é dito porque eles revertem para a sociedade o que certamente, uma parte dessa culpa, pelo menos da miséria, do descaso e da realidade onde vivemos, são dos mesmos que jogam a culpa na sociedade. Montam uma rede de pensamentos para amenizar os partos sem pediatra ou obstetra, no caso da paralisia cerebral, para amenizar os acidentes automobilísticos ou violências diversas, de remédios que podem deformar o feto em gestação, que não há meios de se tratar algumas deficiências para enriquecer e armar um esquema de doação, ajudar quem não precisa. Dai ficam dizendo que somos dependentes de tal entidade e que não precisamos de mais nada, apenas de amor e carinho como se não comecemos ou quiséssemos ter uma vida como todo ser humano. A culpa das nossas deficiências é do ESTADO que não dá assistência adequada, não dá uma maior atenção as mulheres no pré-natal, não fazem prevenção de remédios que sabem ser proibidos e não há outras pesquisas e resoluções que poderiam acabar ou diminuir as deficiências, dai coloca entidades para dizer que ele tem uma solução, mas não tem e o sujeito ficará com ela a vida inteira. Ainda pior, com o descaso desse mesmo ESTADO que dá a sua deficiência e não quer assumir, com as filosofias teletonianas de caridade que nada tem a ver com a nossa inclusão dentro da sociedade, e ainda, ficar ouvindo e lendo que não somos qualificados por empregos que somos, assim, inventam inverdades para encobrir a verdade. Então o problema é muito mais profundo do que meios acessíveis e secretarias que só são meios para despistar um fim. Um Estado que é ineficaz até no meio de dar ao ser humano o bem estar que ele precisa para tratar e viver com sua deficiência, um Estado ineficaz que só joga heróis da superação para dar esperança de um dia que não vai chegar e só lhe mostra um caminho. Os meios de comunicação só valorizam o esporte, nada mais, pois não existe deficiente que escreve, não existe o deficiente que canta, não há o deficiente que é qualificado no meio publicitário, deficiente artista plástico, tem que ser esportista.

Vejo no clipe da Viktoria uma nova visão que ela mostra, como uma deficiente que consegue inverter o que a sociedade tem como visão e como a sociedade vê quem quer mudar essa visão transformando em um vilão, um ser desprezível que quer mostrar que é um ser humano. De repente até ser corruptor de crianças, como mostra a cena da menina, ou uma dominadora que domina os meios para mostrar que a sociedade está errada em desprezar esse tipo de ser. Viktoria pouco importa com a visão da boa mocinha, pacata, que tem como prioridade apenas chorar pelo seu futuro desprezível sem uma perna, ela tem a postura austera, que despreza aquelas palavras de ordem. A policia representa o Estado e como autoridade dita regras, mas a atitude dela é de desprezo, de reinado, de segurança de si mesmo e de todos que a seguem. Muito diferente daqui que os personagens que aparecem de cadeira de rodas como exemplos de superação, que são bons mocinhos e que nutrem aquele sorriso de quem superou ou a mocinha de cadeira de rodas que tem a necessidade de se autoafirmar com atitudes que mostram a sua fraqueza no seu ego, Viktoria tem um estilo de mulher, um estilo de quebra do bonzinho com deficiência, do estilo de não tão santo e nem tão pouco demônio, mas com os seus desejos. A mulher que mesmo com deficiência é desejada, mesmo com deficiência é má, mesmo com deficiência quer dominar, mesmo com deficiência que desprezar uma sociedade que o a despreza e no entanto, ela tem que conviver. Diferente do fraco curta metragem Cordas, Viktoria mostra que não precisamos morrer para mostrar alguma coisa, que podemos estar vivos e mostrar o quanto essa sociedade nos restringe ao nada.

Até quando nós vamos aguentar tudo isso por migalhas? Será mesmo que somos libertos? A democracia não é tão democrática como muitos pensam, mas um meio para a dominação alienando o ser humano fazendo acreditar que é liberto, mas não somos, porque somos dominados por ideias e condicionamentos, que não são tão fáceis de se enxergar. Mas é um ponto para se começar, só querer.

esse é o clipe:

http://www.youtube.com/watch?v=jA8inmHhx8c

Publicado por: Amauri Nolasco Sanches Junior e Marley Cristina Felix Rodrigues | 08/12/2014

O extremo da deficiência.

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Os extremos, o bem e o mal numa visão extrema de duas faces de uma mesma pessoa.

Nesses últimos tempos ando lendo coisas que as vezes nos fazem refletir sobre vários aspectos dentro da vida social e psicológica das pessoas com deficiência. Ou as pessoas não tem um alicerce dentro do seu amago que possa assegurar o momento que estão vivendo dentro das suas devidas deficiências – claro que cada deficiência é uma deficiência apesar da generalização – ou ser para baixo ou ser para cima. Nesses anos que militei no segmento de PCDs – dei um tempo – pude observar que tem muito “picareta” se promovendo dentro da deficiência, assim como tem muitas instituições que ficam se promovendo na deficiência para arrecadar fundo ou, para dizer a as pessoas que sem eles nós não viveríamos e isso é uma inverdade. Mesmo o porque, essas instituições nos “expulsam” do tratamento ao completarmos 14 anos ou mais, então, vivemos sem elas muito bem e obrigado.

As pessoas, não só com deficiência, andam indo muito ao extremo como se quisessem se libertar de algo que está só em suas mentes e isso não é bom. Estamos vivendo uma era dos extremos e os extremos não são bons para nenhuma pessoa sensata, porque sempre atinge o que não se deve atingir e não chega a um objetivo claro. Eu sempre vi que as pessoas adoram mentir para si mesmo como se tivessem medo de sentir algum medo, porque enfiaram na cabeça do sujeito que sentir medo é uma coisa de covarde, uma coisa de cretino que não sabe nem o que está dizendo. Sentir medo é algo natural de preservar a vida, na verdade, como disse o tio Freud, o medo é a vontade de fugir da morte que todos os seres tem. Não adianta muito, mas é um mecanismo que a evolução terráquea nos deu, pois o planeta nos moldou assim. Agora, mentir para si mesmo é sempre achar mascaras para usar quando queremos nos confortar em uma situação, como seguir alguma religião que vai te curar, seguir um avanço tecnológico que vende a ideia que vai fazer nós andarmos ou até, placebos científicos dizendo que são curáveis. No caso dos avanços tecnológicos, isso é evidente que lá fora está muito mais avançado do que aqui no Brasil, o exoesqueleto daqui custou caro e nem andar andou. Por que? Porque o pesquisador que está trabalhando no projeto é um neurocientista e só estudou a parte neurológica da pesquisa, esqueceu da parte cibernética que estuda a parte do controle do ser humano a maquina e o ergonomia, que seria uma disciplina que estuda a interação do ser humano com outros elementos que aliás, nem fabricantes de cadeiras de rodas fazem isso. E na parte da biologia há pesquisas de célula-tronco que não estão concluídas e nem sabemos que serão, porque antes dessas pesquisas, se deveria pesquisar a nanotecnologia. E na parte da religião, fica evidente – isso não é todas as religiões como não são todos os sacerdotes – usam o inconformismo da deficiência para trazer alivio aqueles que não se aceitam dando ao deficiente, uma esperança. Não sou ateu e muito menos contra qualquer tipo de religião – que é necessário e é uma etapa para o crescimento pessoal – mas devemos seguir também para aprendemos a nos gostar do jeito que somos, não gostar do jeito que as pessoas querem que sejamos.

Esse “gostar” que as pessoas querem e não o que realmente queremos ser, muitas vezes atrapalha o crescimento pessoal das pessoas e em especial, as pessoas com deficiência. Porque ela varia do extremo oposto, ou elas são submetidas ao que a sociedade coloca – meios culturais e morais – ou querem quebrar tabus que nada vão ajudar o meio acessível. Não querer processar uma empresa de aviação por não ter o “carrinho elevador” (não sei escrever o nome) é um direito de cada um, mas não processar e querer obrigar as pessoas a “acharem” que não podemos ter privilégios, ai é um caso para discuti. Lá fora o meio acessível não é encarado como um privilegio e sim, um direito do cidadão que somos e temos esse direito que lógico, também temos nossos deveres a cumprir. E é esse dever que se deve processar a empresa ou até mesmo o governo, senão isso vai se repetir, isso não vai melhorar e tudo que nós lutamos vai para o ralo. É muito fácil pensar só no seu umbigo e achar que está tudo bem, o momento certo é agora, ou cobramos certo o que é de lei ou nos calamos, ficar no meio fio não dá. Outra coisa é querer quebrar tabus querendo holofotes para si como ser modelo ou ser algo do tipo, necessariamente, tivesse que sair pelado numa revista ou fazer topless numa praia, pois existe milhares de exemplos que não precisaram desse tipo de iniciativa para arranjarem trabalho. O que deve realmente quebra o tabu ou os tabus, é uma iniciativa muito mais direcionada e falar o que se pensa sem medo se isso vai ou não agradar as pessoas. Ou, não é mostrar ou querer ensinar os outros deficientes a serem deficientes – como acontece em alguns casos – mas ter a humildade de aprender com quem já nasceu com alguma deficiência. E vamos ser sinceros, com um país machista onde o meio e eventos inclusivos de PCDs que existe inúmeros “machos alfas entre rodas”, esse tipo de iniciativa poderá acarretar uma generalização e uma falta de senso perante a maioria. Quebrar tabus assim só acarreta outro tipo de tabu, aqueles que não fazem se cria um conceito de “escravas”, de “conformistas” e por ai vai. Mesmo o porque a criminalidade está a solta e esse tipo de coisa fomenta a violência da mulher com deficiência. Mas isso nada tem a ver com autoestima.

Ter autoestima não é ter a melhor cadeira de rodas ou ter fotos em revistas e grupos – que acho também uma maneira excludente que a própria pessoa com deficiência faz como miss cadeirante, miss surda entre outas coisas – mas aceitar a deficiência em sua mais real essência e fazer dela a sua própria realidade. Para que realizar um concurso ou um grupo desse se ele se torna gueto? Não precisamos de guetos, não precisamos nos rastejar para conseguir um emprego, ou nos rastejar para ganhar um “oi” sequer por causa de uma misera necessidade de ser reparado.. Mas sim se reparar.

Publicado por: Amauri Nolasco Sanches Junior e Marley Cristina Felix Rodrigues | 17/11/2014

Qual o papel da mídia para a inclusão?

Descrição: uma televisão beijando a mão de uma figura da elite governante (sem IDEOLOGIA)

Descrição: uma televisão beijando a mão de uma figura da elite governante (sem IDEOLOGIA)

Por Amauri Nolasco Sanches Junior.

Duas coisas me fizeram escrever esse artigo sobre o segmento das pessoas com deficiência, um é que o Ministério Publico deu mais 15 anos para o governo adaptar as escolas para as pessoas com deficiência, que lógico, tem um “dedinho” das entidades “filantrópicas”. E outra, uma reportagem da revista Incluir que uma moça surda – não vou falar o nome para não constrangê-la – disse que há muita atenção aos cadeirantes e aos cegos. Não vou comentar porque esse tipo de pessoa que faz um comentário desses, ou é mal informado porque há inúmeros casos de desrespeito e há sim um trabalho muito divulgador sobre as pessoas surdas, ou são pessoas que não pensam que ser uma pessoa com deficiência não se deve olhar as características dessa deficiência. Por outro lado, ela é empregada por justamente ter uma surdes e não ter uma locomoção restrita como o cadeirante tem ou que ainda a cegueira carrega de preconceito. Que mesmo uma publicação em uma revista voltada ao segmento – pelo que percebi e percebo em outras publicações – há uma especie de trava ou fronteira que não se deve passar e há muita, muita mesmo, restrição sobre isso.

Qual o papel da mídia sobre vários aspectos de uma inclusão efetiva e real, sem teorias, no meio das pessoas com deficiência? Não vejo o porque ser uma luta separada, afinal, somos uma parcela da sociedade e mesmo que essa sociedade nos rejeite por causa da nossa aparência, somos seres humanos. Ou não somos e não estou sabendo? De certo que algumas pessoas ainda pensem que somos “exemplos de superação” porque há em nossa sociedade o pensamento ainda que as pessoas com deficiência são passivas e dependentes e acabamos “alimentando” essa ideia mesmo sem querer. A passividade á a parte que toda a pessoa com deficiência deve ser agradecida ou deve ser “boazinha” sem ao menos ter uma opinião própria, a passividade se mostra aquelas pessoas que não fazem nada, postam suas fotos em seu Facebook sem muito acrescentar, sem lutar por nada, sem fazer nada por suas próprias ideias e ainda reclama que os movimentos não lutam pela sua luta pessoal. Qual empresa vai contratar uma pessoa dessas? Sera que uma pessoa passiva e dependente é digna de ser um bom profissional? Não creio que um empresario queira uma pessoa dessas e nem que não lute por aquilo que queira e fique só em suas casas, na internet, ou enfiado dentro de uma igreja e não fazendo nada por você. Também prejudicam aqueles que querem e precisam lhe dar com o publico, porque assim alimentando essas coisas, as pessoas vão cada vez mais ter essa visão.

É perigoso demais tratar questões tão importantes com generalizações que podem por ventura, acabar com muito mais preconceito. Como o que a mocinha surda disse, não procede e esse tipo de informação não vai acabar com o preconceito, porque já é uma afirmação preconceituosa achar que todo cadeirante tem atenção necessária e o cego tem toda essa atenção também. E a imprensa deveria zelar – e não colocar como destaque – para se ter uma informação muito mais centrada em dar conhecimento e não fazer essa distinção perigosa. Essa distinção mais separa do que une, porque nem as deficiências e pessoas são iguais, isso depende muito da visão de cada um. Em nenhum momento estou vendo matérias serias que deveriam defender nossos direitos como esse retrocesso que tivermos dentro do Ministério Publico que deu mais 15 anos para adaptar as escolas publicas, em nenhum momento matérias que tratassem a mal adaptações em transporte publico. Por que só temos que superar dentro de uma determinada maneira? Por que não podemos também ser artistas como escritores, pintores, escultores ou algo do gênero?

Eu sou uma prova viva disso, eu sou publicitário formado e pessoa com deficiência por nascença, nenhuma agencia de publicidade me deu uma chance. Dai eles fazem duas coisas: uma é ir até lá na subsecretaria do Ministério do Trabalho dizer que não existe pessoas qualificadas, se o governo quiser que a lei seja comprida, terá que qualificar essas pessoas (no caso, nós). Há nisso uma visão que as pessoas com deficiência são dependentes e não podem ir a escolas por depender de outrem (alguns casos pode ser, mas nada que uma adaptação não faça), assim, essa visão se reflete no modo de tratar quando há uma contratação. Segundo, faz junto com emissoras campanhas para arrecadar dinheiro para entidades que não fazem nada pela inclusão, no entanto ou por uma consciência pesada ou por abater no imposto da empresa, dão dinheiro para promover a mesma inclusão que não ajudam a fazer. A mídia – e as agencias de publicidade são um tipo de mídia – se mostram muito pouco quando é ela que tem que cumprir essa lei, porque existe o mesmo discurso, existe o mesmo pensamento e existe a mesma linha cultural, só muda a maneira de mostrar isso. Então, qual é o papel dessa mídia dentro da inclusão? Sera que a mídia é o reflexo social que nos enxerga assim?

A mídia tem que agradar muitas pessoas e essas pessoas dão a essas mídia o que precisa para sobreviver e não é culpar as pessoas que isso vai mudar, é saber o que é certo e o que é errado para si mesmo. Mesmo sabendo que tudo isso não nos aceita, ainda sim, se submetemos a essa cultura e as mesmas falas e as mesmas atitudes. Então, como mudar isso? Como queremos que o mundo nos enxergue diferente se enxergamos igual o mundo? São pontos que devemos muito repensar.

Publicado por: Amauri Nolasco Sanches Junior e Marley Cristina Felix Rodrigues | 22/10/2014

Democracia – o que é isto?

O filosofo Immanuel Kant com a frase que está no texto

O filosofo Immanuel Kant com a frase: “Voce é livre no momento em que não busca fora de si mesmo alguém para resolver os seus problemas”

Por Amauri Nolasco Sanches Junior.

Recebi esse e-mail da gerente de eventos do serviço especial ATENDE que é vans porta a porta que temos aqui no município de São Paulo e depois volto para comentar:

atende

Bom dia! Conseguimos fechar a quantidade de vans destinadas ao atendimento dos eventos descritos abaixo e temos a informar que não será possível recebermos mais solicitações oriundas das instituições nos dias 08 e 09/11/14 por falta de disponibilidade. Contamos com o entendimento e cooperação de todos, Sds, Fabiana

As vezes me dá um tedio muito grande ter que voltar ao assunto tantas vezes e nada entrar nas “cabecinhas” das pessoas com deficiência que ainda, pasmem, acha certo esse tipo de atitude. Mas como sou um cara teimoso e acho que me tornarei um “Buda” de cadeira de rodas por tamanha paciência e convicção que isso mude, vou mais uma vez entoar meu mantra que “o transporte é para todos”. Sim! É uma lei federal assinada pela até então, “presidenta” Dilma Roussseff, assinou em 2012 uma lei que regulamenta e faz menção que o Estado teria extrema obrigação de adaptar e dar a todas as pessoas com deficiência transporte para exercer a primeira emenda da constituição, o direito de ir e vir e a vida. Ironicamente, o prefeito de São Paulo Fernando Haddad (que é do mesmo partido da presidenta), não consegue garantir esse tipo de transporte e nenhum tipo, porque os ônibus adaptados estão um “lixo” ambulante. Para mim não interessa gestões passadas, me interessa o que acontece hoje, então, hoje acontece o que o partido dos trabalhadores sempre criticou, não tem transporte para exercemos nem trabalho, nem educação e nem saúde.

Não sou filiado e não sigo partido nenhum porque sei muito bem que muito poucos defendem a bandeira da inclusão, tanto o governo municipal, quanto o governo estadual, muito pouco se fez de efetivo para amenizar essa falta que temos. Æ falta de vontade politica enquanto as pessoas com deficiência já começa com a lei de cotas de emprego das pessoas com deficiência, uma lei branda, fraca e cheia de brechas como um queijo suíço. Ou a lei é objetiva, ou ela não se faz necessária, porque toda lei deve ser objetiva e não subjetiva que cada juiz se ache do direito de dar ou não a sentenças ao seu bel prazer. A lei deveria, ou deve, ser para todo mundo e não para alguns e só vejo que só são para uns e não para todos. É o caso das eleições, do TELETON e a F1, só há transporte de vans para esses eventos e não é só isso, não há uma alma vive em todo o universo conhecido que faça cumprir a lei de transporte e a lei de cotas porque as secretarias são ineficientes.

Exato! Chegamos a “singularidade solida” do buraco negro da inclusão das pessoas com deficiência – que para mim é uma farsa – as secretarias não tem poder nenhum e nunca terão porque não somos votos validos para os políticos. Duvida disso, caro leitor? Então me mostre um partido que até hoje efetivou de verdade, sem discursos demagogos e acionou o CONADE, para cumprir a lei de cotas e fez uma lei de verdade, não esse serviço mal feito, mal elaborado, uma porcaria que dá até nojo. Mostre um partido que teve “peito” de colaborar de verdade a uma educação inclusiva, com treinamento de verdade de professores e escolas totalmente acessíveis sem sorteio qual é a escola da vez. Mostre também qual partido fez a reabilitação a sua bandeira e não nos jogar no “colo” de instituições que fazem isso, ao invés de promoverem a inclusão, o evento deles pode ter transporte, os outros movimentos não podem. Isso é inclusão ou exclusão? É nesses partidos que as pessoas com deficiência querem votar? Para mim deveriam votar nulo, votar em ninguém.

Mas a “cabecinha” é experta e só apoia ações dos “famosos”, só apoia ação daqueles que querem pegar avião, quem quer pegar van, tem nenhum apoio.

Publicado por: Amauri Nolasco Sanches Junior e Marley Cristina Felix Rodrigues | 20/10/2014

Curta “Cordas” e a inclusão.

Maria escrevendo “Cuerdas” num quadro negro e sorrindo. O Cartaz do filme.

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Publicado por: Amauri Nolasco Sanches Junior e Marley Cristina Felix Rodrigues | 11/10/2014

Paradoxo do Nada – as cadeiras de rodas e o “eu”.

Descrição: na direita uma imagem preta e na esquerda uma imagem branca, a branca está escrito “nada” e a preta está escrito “tudo”.

Por Amauri Nolasco Sanches Junior.

Quem já não ficou diante do “nada” e se sentiu com um tedio mortal? Isso me faz lembrar quando eu era mais novo – até os 18 anos – morria de medo de ficar sozinho e não me via sozinho dentro do mundo. Depois que comecei a me dedicar a leitura de filósofos quase solitários, conhecer pessoas que viveram sempre solitárias, aprendi a resolver meu medo quase freudiano. Freud – o homem de barba que sempre aparece com um charuto na mão ou fumando um cachimbo, teve um grande papel além de desenvolver a psicanalise, desenvolver um trabalho sobre paralisia cerebral quando era medico – dizia que todos nós temos medo da morte (tanatus) e fugimos dela sempre que confrontamos com ela. Esse mesmo desejo de fugir é o que nos fazem viver e nos fazem ter o instinto de sobrevivência – mesmo que este extinto esteja aparentemente passivo – ele está lá e vai, de uma maneira ou de outra, acionar sua defesa ou com violência ou com atitudes de ataque. Talvez quando você compete por algo é, no seu entender, uma maneira de sobreviver que muito a publicidade aciona esse lado do ser humano primordial. Ao mesmo tempo que você enxerga isso como uma das mais reais situações do mundo, porque um dia vai te ocorrer mesmo que não queira, nós nunca paramos para pensar que inútil para nós lutar contra isso e é um fato irreversível de toda a natureza universal. Essa impotência diante desse fato – porque o medo só é a causa da falta de entendimento disso – faz o ser humano não falar ou não estudar essas coisas e até não parar para se conhecer, criar uma consciência do “nada” para tirar sentimentos que não tem a ver conosco. De repente, era isso que eu via com a solidão, eu tinha medo de ficar comigo e de sentir mais de perto que o mundo – como eu imaginava – não era como eu desejava que fosse.

Me deparei com minha solidão quando meus irmãos casaram e depois minha mãe foi diagnosticada com câncer e me deparei com a morte. A solidão foi anos a fio sem ninguém antes de conhecer a Marley (minha noiva e melhor amiga), além como disse, dos meus irmão casarem e terem suas próprias famílias. No caso da solidão foi muito mais fácil e muito mais resolvido do que a morte, pois a solidão eu tinha a Marley que me dá muita força (as vezes eu acho que eu encho muito o saco dela por causa dessa minha solidão igual a musica Ainda é Cedo do Legião Urbana). Mas no caso da morte foi mais difícil, pois o “nada” da solidão se resolve até com um Facebook, um video engraçado, uma musica no ultimo volume. O “nada” da morte você se depara com aquilo que desconhece, aquilo que é inevitável e não vai consegui evitar, entes queridos começam a ir embora a partir do momento que você envelhece. Mas esses dois “nadas” são inevitáveis, pois te dará algo profundo do que pensar e viver de maneira diferente e entender que o mundo é o que é e nenhum ser humano pode mudar isso. Quando a minha mãe se foi, descobri que ela me treinou e que não estava sozinho – mesmo enchendo o saco da Marley – tinha a mim mesmo e toda a minha natureza e meus valores para construir o que queria construir. Do “nada” que me encontrava, diante de tudo que a perca me fez ver, fiz o que eu acredito ser o “eu” verdadeiro da minha existência e essa existência é a prova que existo. Pronto! Eu comecei ver que pensava e se eu pensava, logo, eu existia e poderia ter minhas próprias vontades. Mas não me sentia satisfeito e nem estou, porque está longe de resolver alguns processos.

Longe de ser uma biografia – acredito que nunca conseguirei escrever uma, um dia, quem sabe consiga – isso só foi para mostrar que não há meios de se fugir de algo real, ou, que existe muitas situações que são inevitáveis e vão te fazer pensar um dia. O caso de nossa deficiência é uma que não pode ser ignorada, porque como a morte, nascemos com ela e vamos ter que encarar na melhor maneira possível. A deficiência é inerente a realidade porque ela se torna em si nós como pessoas com deficiência, a deficiência se torna até, nossa natureza. Ao mesmo tempo temos a certeza que o “nada” não existe – porque a sociedade ainda insiste em dizer que o importante é viver para consumir e se perpetuar – nós nos deparamos com ele quando paramos e colocamos prioridades dentro da vida que não são prioridades. Quer um exemplo? Podemos pegar nomes de grupo que expressam nosso inconsciente que não aceita nossa deficiência, como “Cadeirantes também amam”, “pcd e simpatizantes” e etc…e enxergar que não estamos agregando, estamos desagregando. No falecido Orkut era assim, no Facebook continua assim, porque nos deparamos com a não aceitação do que a vida nos trás e ela vai nos trazer até nós aceitamos. E quando olharmos nossas limitações e os aparelhos que usamos, nos deparamos com a realidade e a realidade pode ou não ser limitante, pode ou não ser aceita, pode ser amarga ou doce, mas é inevitável e não vai ter células-tronco, não vai ter exoesqueleto, não vai ter nada – aliás, tema do texto – que vai fazer você sair disso. Se for pelas células-tronco você sempre vai lembrar que foi por causa delas que você andou, se for pelo exoesqueleto, sempre vai lembrar que você está andando por causa de um aparelho e por ai vai. A deficiência vai te perseguir e cabe a cada um aceitar ou não, fazer da vida importante ou não, mas não adiante fugir ou chorar, o importante é de alguma maneira, ter atitude. O “nada” existencial um dia chega para todos, você se depara que a vida de baladas, a vida de esportes, a vida de tudo que você faz e se importa, você faz porque foi condicionado a fazer. A maioria ouve aquele determinado ritmo musical porque todo mundo ouve, a maioria segue aquela religião, porque a família segue e a maioria da comunidade também, a maioria já vive no “nada” a muito tempo porque não passa de massa de manobra e é o que vi e vejo no segmento das pessoas com deficiência. Alguém viu já um cantor famoso com deficiência? Alguém já viu um padre ou um pastor com deficiência? Você já viu algum partido ter boa vontade e ter uma politica verdadeira para as pessoas com deficiência? Por que continuamos a não ser pauta em nenhuma dessas coisas? Porque nos tratam como “coitadinhos” ou “coisinhas fofinhas” que só servem para votar, orar e ouvi o que o pessoal canta, só isso.

Você ai defendendo tudo isso e simplesmente, não ligam para sua deficiência, eles só querem lhe vender algum sonho. Eles querem te vender uma musica que não vai consegui te colocar na vida, eles vão te fazer acreditar na cura no culto ou na missa, eles vão fazer você acreditar que eles irão fazer pelas pessoas com deficiência, mas que não vai acontecer. Não adianta ficarem chorando por uma coisa que só você vai ter que fazer, existe uma diferença em fazer e acreditar, porque temos a consciência daquilo que vimos e ouvimos no mundo. Então, quando vimos que nenhuma dessas coisas não vão ajudar você e que vai ser inevitável viver, aí começamos a enxergar o “nada” e a máxima socrática (Sócrates filósofo grego e não o jogador), que sei que “nada” sei, o saber que o “nada” existe e que sempre estamos a aprender alguma coisa. Primeiramente você passa a perceber a si mesmo e perceber que não é uma “coisa”, com seus sentimentos, com suas vontades e passa a enxergar ao seu redor algo alienante, algo que não vai fazer melhor ou pior, e sim, vai te fazer acreditar que isso vai melhorar você. Ai, você vota em deputados que não fazem nada por você, vão fazer para atletas de jogos para classe media alta, vai fazer para o que é melhor para o dono da empresa de ônibus, vai fazer para aqueles que lhe interessar. Ai mais uma vez você vai no Facebook e posta um monte de “nhenhe” e “mimimi” dizendo lutar por uma causa justa, então, por que votou no distinto? Enche um monte de grupelho o Fecebook, mas por que esta lá no Fecebook no distinto repassando o que ele posta? Entende caro leitor, que você mesmo dá o machado para o carrasco cortar sua própria cabeça?

Nossas cadeiras de rodas são reais, nossas deficiências são reais e longe de sermos “coisas” somos seres humanos. Nós não temos a menor obrigação de aceitar a sociedade que não nos aceita e nem levá-la a serio, pois no momento que ela tirou a obrigação de se sentir isenta de nós, não podemos também colocar em nossos ombros a obrigação de se sentir parte dela. Existe pessoas conscientes? Sim, existe. Existe pessoas que respeitam? Sim, existe. Mas a grande maioria o faz – num modo bem profundo – para vestir um personagem e nem sempre esse personagem “cola”. Enquanto não aceitarmos o fato que somos pessoas com deficiência e vamos viver com essa deficiência o resto da vida, vai ser difícil entender que o mundo não te quer, não te aceita, não acha você importante e não vai deixar você viver ou trabalhar. Enquanto não entendemos que a moral só segrega o ser humano e não vai fazer você melhor, que os “sonhos de amor” não vai fazer você amar, que os políticos não vão fazer por você e nem as baladas vão fazer você enxergar o verdadeiro você. Nesse dia! Nesse exato dia! Você vai perceber que você pode, que você encontrou você e que vai trazer a tona o que é de mais importante, seus sentimentos e suas vontades. Que você realmente existe e quer viver por si mesmo, sem amarras existenciais, sem amarras religiosas falsas, sem nada que nos aliene de um mundo palpável. Encontraremos dentro de nós a verdadeira alma, o verdadeiro intuito de se brigar o que é justo e o que é importante, do que é necessário não só para nós, mas ao nosso semelhante.

Vamos enxergar que a solidão não existe, pois temos a nós encontrados junto ao eu verdadeiro. Vamos enxergar que a morte é inevitável e que não é o fim numa verdadeira espiritualidade – não ficaremos suspensos no limbo esperando o Apocalipse – mas a espiritualidade intima do verdadeiro ser na sua mais intima essência. Tudo se renova, pois como disse o cientista Lavoisier, nada na natureza se perde ou cria,mas tudo se transforma. Transformamos a dor em força para lutar, transformamos a saudade em esperança, transformamos nossas cadeiras de rodas em nossas pernas. E uma das mil frases que gosto do filósofo Nietzsche cabe a esse texto e fará refletir:

“Quem quer que haja construído um novo céu, só no seu próprio inferno encontrou energia para fazê-lo!”

Publicado por: Amauri Nolasco Sanches Junior e Marley Cristina Felix Rodrigues | 17/09/2014

Educação inclusiva – uma nova perspectiva.

 Por que Heloísa narra a infância de uma menina que tem paralisia cerebral. Na obra, a autora Cristiana Soares aborda as dificuldades que uma criança com deficiência enfrenta – em casa e na escola. (tirado do site: http://www.asdef.com.br/)

Por que Heloísa narra a infância de uma menina que tem paralisia cerebral. Na obra, a autora Cristiana Soares aborda as dificuldades que uma criança com deficiência enfrenta – em casa e na escola. (tirado do site: http://www.asdef.com.br/)

Por Amauri Nolasco Sanches Junior

Nesses dias eu vi uma reportagem sobre um menino com autismo ser expulso, ou tem um processo de expulsão, porque o professor foi atacado pelo menino num surto de raiva. Uma colega disse que era uma “judiação” essa politica de inclusão e acaba sempre as crianças sendo as maiores sofredoras desse processo, porque nem sempre as escolas estão preparadas para isso. Disse que elas (as escolas) sim são preparadas – porque estudei recentemente em uma Etec e no Pronatec – para receber os alunos sim, os professores quando querem eles abrem o espaço para lerem e aprendem junto com as crianças e adultos com deficiência e que nesse caso do menino autista, os punidos deveriam ser os professores que não querem aprender nada. No documentário “Todos com Todos” nós vimos escolas inclusivas com a boa vontade de professores que ensinam sim pessoas com síndrome de down, paralisia cerebral e muitas outras deficiências com muita boa vontade e o intuito de aprender junto. Até a irmã da minha noiva, que é pedagoga, fez cursos e sempre está perguntando para a minha noiva, algo. É uma questão de querer aprender algo de verdade e não fica reclamando como a maioria faz sempre.

Acontece que em pleno seculo XXI, se trata a deficiência como uma doença e não é privilegio só no Brasil, há também e ainda esse conceito na Europa e seu sintoma é a declaração a pouco tempo do cientista e biólogo Richard Dawkins que chamou de imoral uma mulher que tem um filho com síndrome de down. Ora, se combateu uma guerra que matou milhões, para destruir um governo que queria a raça perfeita, o ser humano perfeito matando os imperfeitos, para acabarem pensando iguais a eles? Se um europeu vim com a “conversa” contra os nazistas, pode ter certeza, o chamarei de hipócrita porque a partir do momento que você apoia um aborto nos casos de síndrome de down, é pensar igual os nazistas pensavam, as pessoas com deficiência são “sofredoras”. Por que somos sofredores? Somos sofredores porque ao invés de fazerem politicas verdadeiras inclusivas, ficam fazendo igual faziam os gregos, romanos, cristãos e outros, simplesmente vamos eliminar. Só que é mais grave e assustador, se tem tecnologia e tratamento, se que ir pelo modo “preguiçoso” e deixar as pessoas com deficiência, fora do meio social. É uma forma de colocar para “debaixo do tapete”, um problema que pode ser solucionado – porque somos todos cidadão e seres humanos – com acessibilidade das vias de temos uma vida, mais ou menos, normal.

Para começar temos que entender que a escola instrui e não educa – num modo mais profundo – porque a educação são valores morais, ou seja, a educação é uma coisa familiar, de berço. A escola nos dá a instrução para sermos cidadãos, ou seja, nos dá a ética que é algo mais amplo. Então podemos dizer que temos a educação moral (familiar) é a educação ética (escolar), assim, podemos também dizer que uma inclusão dos chamados “marginalizados” – aqueles que estão a margem social – são é um sistema ético porque abrange a sociedade. Não interessa muito se a família aceita ou não que o filho esteja convivendo com uma pessoa com deficiência, porque a sociedade onde ela vive sempre haverá pessoas com alguma deficiência e isso é fato, se não aceitar isso, eu sugiro morar na lua. O papel da escola é instruir o aluno a vida social, a vida entre os seres humanos dentro de uma cidade e o porque não se deve fazer e o que se deve fazer. Por exemplo, não se deve chamar uma pessoa que tem nariz grande de “nariguda”, porque se deve ensinar a criança a respeitar a aparência das pessoas. Mas não adianta a escola ensinar para a criança isso e na sua casa o seu pai ensina com o exemplo de chamar o amigo de “Zé Narigudo” no serviço – aliás isso caracteriza uma imaturidade – então, podemos dizer que a criança tem a educação ética, mas não tem a educação moral. Ora, hoje se joga totalmente a responsabilidade da educação – seja moral ou ética – em cima da escola e não é bem assim, porque com a demanda de muitos casais trabalharem, a criança fica sem um e sem o outro por se deixar educar por meios da mídia. E a mídia – com seu espetáculo hedonista (o prazer é o bem maior) – cria seres humanos que querem a perfeição, querem ser notados, querem ser inteligentes, mas sem o esforço de ler ou estudar qualquer coisa. A não aceitação das pessoas com deficiência é um pouco essa visão dentro da mídia, onde o sucesso e os valores não são mais para a perfeição corporal e a aceitação do bem material como um bem supremo, não existindo nem mesmo, sentimentos nobres como o amor.

Defendo a punição dos professores por não aceitarem isso, porque não são pessoas ignorantes e sabem que esses valores estão errados, que no caso do menino autista fica claro a “estupides” que o professor disse para o menino parar. O tom, muitas vezes, modifica a maneira de ver como algo pode ser dito ou escrito e faz a diferença e pode ser uma maneira de modificar algumas coisas. Como sempre falo, a inclusão é muito mais do que um termo, mas uma ação de fato que deve ser respeitada e deve ser posta em pratica. Se falamos de inclusão como ação efetiva, falamos em potencia e ato, e a inclusão escolar está sendo demasiadamente discutida e essa discussão só trara dentro da sociedade a potencialização e já passou na hora de virar ato. Mas as Secretarias ainda não entenderam isso – são só teóricos – que para colocar em ação tem que leis rígidas e apurações verdadeiras. A discriminação não é só a torcedora chamar o tal goleiro de “macaco”, discriminação também é o professor não aceitar dar aula para uma criança com deficiência e deveria ser punido com o rigor da lei. Se fosse a criança ser rejeitada por ser negra, será que esses professores não seriam punidos?

Essa é apenas uma reflexão.

Publicado por: Amauri Nolasco Sanches Junior e Marley Cristina Felix Rodrigues | 27/08/2014

Você gostaria de nascer assim? – Critica a moral subjetiva.

 

 

 

 

 

Descrição: um fundo escuro e um feto na mesma posição quando está em um útero


Quando discutimos algo que foge da nossa compreensão – pode ser moral em conjunto a nossa subjetividade – ficamos a apelar pelo lado emocional da questão e fazer perguntas básicas ou nas melhores das hipóteses, adjetivar ou o assunto, ou o oponente da discussão. Na discussão moral do aborto de pessoas com síndrome de down, nos trouxe a tona nosso lado símio e não o humano “homo sapiens” de decisão e optamos em deixar viver um ser perfeito em todos os aspectos, do que aquele diferente que será sempre um sofredor. Se pararmos de ser acomodados e refletimos um pouco – as pessoas ainda insistem em querer ficar na sua mediocridade mental e dividir tudo em dois – todos os momentos, fatos, períodos, são construídos por sofrimentos ou alegrias. As pessoas podem andar, podem ter tudo e não estão satisfeitas consigo mesmas, uma prova disso é vários artistas terem cometido suicídio ou serem acometidos por uma depressão, pois o sentimento humano é construído graças a aquilo que se acredita ser a realidade (subjetividade), então, quando nos deparamos que aquilo nos foi ensinado para nos manipular, ficamos frustrados. Dai resta-nos ou aceitar e viver a vida da melhor maneira possível ou ficar nessa inconformação sempre alimentando a tristeza e beirando a depressão – lógico que a depressão também pode ser clinica graças a não produção de uma enzima no cérebro – e caindo em um desespero avassalador ao ponto de terminar com tudo isso de uma vez.

Para responder a pergunta “ você gostaria de nascer assim? “, temos que refletir muito além do que isso, porque tem haver com a lei moral que nos prende em subjetivar o sofrimento como verdadeiro ou não. Ora, a verdade é a a realidade que acreditamos existir, para nós é a única realidade possível, mas a uma “verdade” que ainda não enxergamos que está em todas as filosofias, religiões e pensamentos, a “verdade” de conhecer a si mesmo e saber das suas limitações. Quando jesus disse: “conheceis a verdade, ela vos libertarás” foi mais ou menos, a verdade única que nós somos a única coisa que não podemos duvidar e se nos esforçarmos um pouco, cairmos na armadilha que é conhecer a nós mesmos. Então, juntamos três pensamentos de três filósofos diferentes: Sócrates (conheça te a ti mesmo), Descartes (eu penso, logo eu existo) e Nietzsche (não há fatos eternos e nem verdades absolutas). Por que? Porque a critica – no sentido filosófico e vamos analisar num sentido moral – deve ser feita não em apenas julgar em si, mas ela deve ser feita para analisarmos as ordens morais, ou seja, condutas. Quando conhecemos a nós mesmos (Sócrates) nós chegamos ao nossos limites e chegamos a conclusão de nossa existência pela nossa analise (Descartes), assim acabamos analisando que a realidade não é imutável e que as verdades não são absolutas (Nietzsche). Nós impactamos com verdades que mudam conforme o momento – o momentum – e pode mudar ou não, porque todas as verdades não são absolutas porque as realidades fluem. Nietzsche ao construir seu pensamento, que não há fatos eternos e nem verdades absolutas, o fez dentro da filosofia de Heráclito – o pré-socrático – que afirmou “tudo flui!”. Então, se o tempo e fatos fluem conforme nossas ações e conceitos, não existem verdades (realidades) únicas e essas podem mudar. As ordens morais (costumes, modo de agir) são construídos pela cultura (educação [ensinamento de valores]) que praticamente, tem dois pilares sólidos: o pensamento religioso que o Estado (polis) sustenta e incentiva, o pensamento politico ideológico que sustenta conceitos da vida e como acreditar em quê conduta será melhor a administração do país. E outras tradições de seculos que tiveram como base mor, as condutas religiosas.

Tão logo devemos dizer e analisar o que é uma vida e como essa moral é construída. A construção de uma vida é a partir da junção de dois polos genéticos, a celular masculina (espermatozoide) e a célula feminina (ovulo), assim, se tem o zigoto que é um conjunto de células independente. A vida existe porque já é uma célula independente e sendo uma célula independente – como foi a primeira célula – ela já existe como uma singularidade e como uma singularidade é uma vida. Num modo moral religioso há um terceiro elemento que é o espirito, que passa a habitar o corpo como alma, cientificamente dentro da psicologia, se diz que só há uma vida por causa do desenvolvimento cerebral e nesse desenvolvimento, se cria a consciência e nessa consciência há uma vida. Dentro da filosofia, a alma é o conjunto de sensações cognitivas que temos diante da realidade que vivemos, e essa realidade, são sensações sobre os símbolos que fazemos daquilo que aprendemos.

Se somos seres que viemos de uma fecundação de duas células independente que geraram uma única que resultou em um único ser, então somos um amontoado de células que tem consciência. Essa consciência faz uma leitura dos vários símbolos que povoam nossa realidade – segundo a filosofia aristotélica, somos animais racionais porque podemos falar e nesse falar, podemos expressar o que pensamos e assim, existimos e coabitamos com os demais – e essa realidade é algo que construímos com os conceitos e nomes. Ora, se somos animais que construímos nossa realidade conforme os valores que recebemos, e então desses valores escolhemos, poderemos responder de outro modo que não, eu escolheria não usar cadeira de rodas? Mas se eu escolhesse não ser uma pessoa com deficiência física, e pudesse andar e fazer tudo que uma pessoa faz, mudaria o fato de nascer vários outros pelo mundo afora? A questão poderia ser analisada assim: eu poderia não ter nascido com deficiência física, mas poderia ter nascido com genes que entortam a unha do dedo do pé e encrava, porque as pessoas, os animais e todos os objetos possíveis, somos singulares. Mesmo se a física quântica estiver certa que exista copias nossas em muitas dimensões, ainda sim a singularidade existe. E diante das nossas escolhas, cada uma delas tem as consequências que lhe cabem. Mas cada um tem a sua moral, cada um sabe as condutas tomar e as consequências que isso implica dentro da ética, que é algo muito mais amplo. Então ao responde a pergunta inicial, devemos consultar a nós mesmos.

Para começar o nível de inteligencia não é argumento para se ter o nível de felicidade, como disse acima, existe inúmeros exemplos de pessoas sem nenhuma deficiência que cometeram suicídio. O argumento que andar um uma cadeira de rodas trás o sofrimento, também não é argumento, uma por não ser detectado no pré- natal e outra que muitos que tem essa condição são felizes. Por que? O grau de felicidade é gerado pelo critério da satisfação, se comemos vamos diminuir a fome, se bebemos vamos diminuir a cede, porque isso é um critério que estabelecermos para uma vida saudável. Isso é platônico, tudo tem que ter uma medida de referencia para ser o que vamos chamar de felicidade e ele não está errado, pois sempre temos um ideal dentro de nossa ideia. Se responder agora, tenho essa vida como referencia, como o Dawkins tem a vida dele como referencia de querer ser sem limitações e pode ser que há deficientes que queriam não ser, mas porque tem como referencia daquilo que lhe ensinaram. Mas sempre vamos ter referencia de algo para colocar como a consciência simbólica para servir de contraponto de algo para algo. Portanto, vivendo em uma cadeira de rodas, sim eu nasceria novamente deficiente.

Amauri Nolasco Sanches Júnior – cadeirante com paralisia cerebral, formado em técnico de informática e publicidade. Coordenador da Irmandade da Pessoa com Deficiência.

 

Dialética da inclusão – O Fantástico Mundo de Mara

Fonte: http://pt.shvoong.com/humanities/philosophy/2430334-dial%C3%A9tica-da-inclus%C3%A3o-fant%C3%A1stico-mundo/#ixzz3BcE4zFO2

 

Dialética da inclusão 2 – A lei de Cotas “idealista”

Fonte: http://pt.shvoong.com/humanities/philosophy/2430499-dial%C3%A9tica-da-inclus%C3%A3o-lei-cotas/#ixzz3BcFJjN2r

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