Publicado por: Amauri Nolasco Sanches Junior e Marley Cristina Felix Rodrigues | 04/02/2016

Inclusão e independência

 

A questão da liberdade das pessoas com deficiência é uma questão que venho notado já faz um tempo dentro do segmento, pois por mais que as pessoas com deficiência tenham uma vida independente de qualquer coisa, sempre existem pessoas que são presas a família. A questão pode até ser uma questão moral, ou uma questão de gratidão eterna, mas em alguns aspectos, essa questão beira a uma dependência afetiva. Como lhe dar com a questão de sempre achar que o pai e a mãe devem cuidar do deficiente a vida inteira? E pasmem, são pessoas maiores de idade, são pessoas que tem uma independência financeira, uma independência até mesmo, de sair na rua, mas tem uma forte dependência emocional. Daí que começa meu questionamento:  será que que as próprias pessoas com deficiência têm mesmo que depender tanto das pessoas mesmo tendo um trabalho e pagando suas contas?

Mas as pessoas podem me questionar: “Ah Amauri, mas você mora com seu pai e ele paga as necessidades suas”. Daí eu respondo com que ele me disse: ele paga minhas contas porque ainda existe discriminação dentro da área de trabalho, porque o mesmo estudo que ele deu aos meus irmãos, ele pagou todos os materiais que usei para fazer os meu (menos de publicidade que foi eu que paguei tudo). Portanto, ele realmente gostaria de me ver bem-sucedido tanto na área de publicidade, quanto na área de técnico de informática e os dois são técnicos como dizem pegar. Porém não basta fazer milhares de palestras, fazerem milhares de leis, milhares de resoluções e as próprias pessoas com deficiência terem uma dependência emocional com o pai e a mãe, uma gratidão que não poderia ser uma dívida, mas que se revertesse em independência completa. Mas poucos se interessam ao que é de sua própria natureza, sua capacidade pensante e não só, o sentir.

Quando eu escrevi o livro O Caminho, eu queria colocar isso dentro do livro sem agredir a escolha de cada pessoa e daí nasceu o personagem Vanessa Albuquerque. O personagem Vanessa é uma moça que já tem uma independência mesmo sendo seu pai um rígido comerciante do interior, mas que ela conquistou com perseverança e força de vontade. Mesmo sem saber, Vanessa era sustentada pelo seu pai, mas mesmo assim, não se curvava a suas vontades e nem a sua religião. O personagem Vanessa tem muito do que acho que as mulheres com deficiência deveriam ser, pois mesmo com uma deficiência do pé e da mão, ela se sentia uma mulher como qualquer mulher no mundo. Um personagem feminista? Não acho que a Vanessa é um personagem feminista, acho que ela pensa que somos seres humanos, seja mulheres, sejam homens, sejam homossexuais, sejam negros ou brancos, vermelhos ou amarelos. Há até um simbolismo dentro até da aparecia da Vanessa e até os cabelos vermelhos que só quem ler o livro, vai saber e vai saber muito do que penso no assunto.

Então, como contornar isso sem ao menos ofender quem você ama? Pois amar não é o mesmo de ser uma pessoa dependente daquela pessoa, como no caso da Vanessa, que por mais que ame seus pais, sempre gostou de morar sozinha e fazer tudo sozinha sem medo de ser feliz. A liberdade não é só lutar por nossos direitos, liberdade é ser um humano que entende esses direitos e entende a liberdade do outro. O que pensar dos pais que tentam prender os filhos fazendo chantagem emocionais? Por que temos que eternamente ter uma dívida a família que por obrigação, cuidar de você e te acolhe? Isso se chama responsabilidade e não caridade, a caridade é uma coisa muito mais social do que familiar, porque a família tem outro laço do que caritativo. Ora, não que ela não é importante para o ser humano num modo social, mas não é o único meio de se garantir uma evolução como ser humano, porém, devemos respeitar a família como uma acolhedora que aceita cuidar e queiram ou não, se aceita cuidar de você como é e não como poderia de ser. Devemos sempre salientar que a ideia de família, só é desenvolvida do século vinte em diante, antes disso, se tinha família como uma status social. Ou seja, a família é sim uma cultura social pós-moderna. Aliás, como mostrou o filme curta “CORDAS”, pessoas com deficiência elas eram deixadas num orfanato e não eram criadas junto a família. Isso reforça e muito a ideia da família como uma status social.

Como contornar isso? Como mostrar que podemos sim sermos seres humanos?

Amauri Nolasco Sanches Jr, 39, escritor

cover_front_big

Publicado por: Amauri Nolasco Sanches Junior e Marley Cristina Felix Rodrigues | 12/01/2016

O mundo é dos bravos

Estranhamente essa semana ouve nos grupos sobre inclusão de pessoas com deficiência o assunto sobre o Roberto Carlos, que além de ter um talento excepcional é amputado. Isso mesmo. O “rei” simplesmente, perdeu uma das pernas num acidente de trem aos 6 anos na cidade onde nasceu no Espirito Santo. O que mais assustou não foi a atitude do cantor diante do fato de mostrar a sua deficiência, foi ler as próprias pessoas com deficiência acharem que ele está certo em esconder a deficiência. Como assim esconder a deficiência? Será que ele está certo esconder sua condição só para ganhar fama e se ganhou, não poderia usar sua deficiência para ajudar outras pessoas na mesma condição? Não estou negando o direito do Roberto Carlos de esconder o que ele não quer mostrar, mas estou questionando que muitas pessoas com deficiência estão realmente, em pleno 2016, em querer esconder aquilo que realmente é uma condição que realmente, não vai mudar tão fácil assim. Até vi “paladinos da inclusão” incentivarem as pessoas a fazerem isso mostrando um mundo encantado da ciência dizendo que estão descobrindo maneiras de reverter as deficiências, que realmente, serão para poucos que tem recursos financeiros para tal. Quem tem dinheiro para colocar fios de ouro na medula espinhal? Quem tem condições de ter uma prótese de titânio? Quem tem condições de ter uma cadeira de rodas de fibra de carbono? Ter condições é muito bom, mas num país igual o nosso, essas condições são para poucos.

O problema que sempre vão olhar o Roberto Carlos e outros que superaram a deficiência como “exemplos de superação” e não são nada, tiveram seus defeitos, tiveram suas desavenças e suas “sacanagens”. A deficiência não é parâmetro para medir caráter de ninguém e não é por causa da deficiência, por causa de qualquer limitação, somos “santos” e nem “demônios” também, somos simplesmente, humanos. Podemos fazer “sacanagens”, podemos ser “sem-vergonhas”, podemos ser mal educados, podemos ser mal caráter, podemos ter qualquer defeito ou qualidade como qualquer pessoa. Temos uma educação limitada demais para saber separar uma coisa com a outra, respeitar o cara pelo talento e pela música nada tem a ver com a deficiência que ele tem. É apenas um “rotulo” que deram as pessoas com deficiência que classificam o lugar que essas pessoas – no qual eu me incluo – devem ficar, como se fossemos um caso à parte da humanidade. Mas não somos. As doenças e deficiências, muitas vezes, são erros humanos e a falta de preparo em alguns setores e até mesmo, no caso do “rei”, a tecnologia e a ignorância do funcionamento dessa tecnologia, leva a também sequelas e a deficiência. Quantas pessoas foram atropelados e perderam seus membros? Quantas pessoas perderam os movimentos em acidentes de carro? Quantas pessoas tiveram sequelas de Talidomida (remédio para enjoou) fabricados pelo homem? Os vírus que saem das florestas graças a ação humana? Quantos partos sem um pediatra nascem pessoas com paralisia cerebral? Somos bem produto do meio onde vivemos, pois são esses erros humanos que fazem surgir as mais variadas deficiências.

Porem nada é tão ruim que não possamos ir muito além do que podemos ir, pois o ser humano tem a capacidade de sempre superar alguma limitação. A vida não é tão dura assim que não possamos enfrentar as duras provas, as duras incapacidades de enxergar sempre o lado bom das coisas. Para mim não há motivo nenhum do Roberto Carlos ficar com a “gemedeira” dele de achar que a vida foi triste, porque ficou vivo e só perdeu uma perna, não morreu e nem teve sequelas mais graves que poderiam ser muitos piores. Teve uma mãe que amou ele mesmo sem a perna, teve uma esposa que amou ele sem a perna, teve toda a sua fama e grana mesmo sem a perna, então, a perna não te fez falta pelo simples fato de ser cantor. Talvez o único exemplo que ele possa nos dá é que o dinheiro não traz nada, não deu a ele uma máquina do tempo para evitar o acidente, não evitou nem a morte da esposa de câncer. As pessoas podem ganhar dinheiro e terem uma vida confortável, é um direito de todos, mas achar que isso vai suprir todos os nossos sofrimentos, é uma grande mentira. Quem acha que o dinheiro traz felicidade poderia rever conceitos, poderia rever que o egoísmo – todo egoísta é um cara fechado em si mesmo e não consegue enxergar o que temos de melhor no mundo – não te faz reservado e nem te preserva, apenas te faz ter uma visão limitada da situação e o mal agradecimento daquele que te deu a vida. Essa é a visão que tenho do “rei”, uma pessoa limitada e teve uma visão do senso comum da deficiência, um egoísmo não de mostrar ou mostrar a deficiência, mas remoer aquilo que não teve jeito de consertar. Talvez, ele não teve coragem de encarar o mundo como é e criou um personagem, um Roberto que não existe e só alimentou o mercado fonográfico brasileiro. Quantos deficientes também não encaram a verdade? Quantas mulheres com deficiência têm que tirar uma foto sorrindo, tem que se maquiar ou tirar foto pelada para se sentirem “vistas “e homens tirar fotos sem camisa? porque criamos um personagem daquilo que não existe.

Talvez esse é o motivo das pessoas apoiarem tanto a decisão do “rei”, pois tantas pessoas não tem coragem de encarar o mundo como ele é e nas condições que ele apresenta, não como mais um mundo encantado onde todos têm direitos e não existem deveres. O mundo pertence aos bravos que sabem lutar e não dos fracassados e fracos que só são um bando de ressentidos porque seu orgulho te faz querer aquilo que não te pertence ou não serve para você, assim como, a deficiência não matou ninguém. Não culpo a mídia, não culpo a cultura, pois nós construímos o mundo onde vivemos e é isso que nos fazem seres diferentes.

Amauri Nolasco Sanches Junior, 39, publicitário, escritor e filosofo.

Publicado por: Amauri Nolasco Sanches Junior e Marley Cristina Felix Rodrigues | 08/01/2016

Ser crítico num país não critico

Na minha vida aprendi a não acreditar em qualquer ladainha que me contam ou a ter minha própria opinião, como manda o figurino democrático. Mas me parece que nosso povo além de não saber da política, não ter uma leitura boa – porque as péssimas escolas não ensinam a lerem de forma correta – ainda acreditam e apoiam ideias e modo errado de enxergar as coisas e isso é complicado. Nosso país vive na ignorância completa quando o pessoal acha que democracia é xingar o outro, que as pessoas, as vezes, escreve de forma irônica e não seria, que liberdade é libertinagem e por ai vai. Para começar, a liberdade sexual dos anos sessenta que era um outro contexto, uma outra coisa, virou libertinagem no carnaval como se o Brasil, um país super rico de beleza e de riqueza mesmo, só fosse um país para isso. Se a Suíça é o “paraíso fiscal” o Brasil acabou virando o “paraíso do sexo”, o “paraíso dos pelados” e nada mais do que isso. Podemos até dizer que acontece muito isso, mas em cidades do interior e com adolescentes e então podemos concluir que nosso povo são eternos adolescentes.

Primeiro, temos que explicar o que é crítica, pois  não temos escolas adequadas que nos ensine o que é crítica. Minhas críticas não são críticas do senso comum (ou julgar sem nenhum critério), mas uma crítica filosófica que analisa a questão muito profundamente. Se eu crítico a praia acessível, não é um julgamento apenas, mas uma análise daquilo que é prioritário para a inclusão das pessoas deficientes, não estou apenas julgando. Quando digo que os esportes paraolímpicos não deveriam ser levados como prioridade, não estou indo contra as paraolimpíadas ou o esporte, estou analisando as questões num modo profundo como prioridade. Outro exemplo é que, se não temos nem transporte urbano adequado, porque eu irei lutar por um aeroporto adequado para viajar, pois a luta tem que ter prioridades e não colocar os carros na frente dos bois. Na verdade ser crítico nesse país, você sofre o risco eminente de ser “escrachado” como o chato da turma, ou ser o cara que não gosta de nada e crítica por criticar, pois como diria os jovens de hoje, isso é recalque. Não acho que seja recalque – para quem não leu psicanalise, recalque é algo que você vê no outro o que te espelha, então, quando você xinga uma pessoa você se espelha nela – mesmo o porquê, tenho muitos atletas paraolímpicos no meu Facebook, não gosto de viajar de avião (tenho um medo ferrado de altura), não tenho talento esportivo, mas tenho uma visão bem mais ampla como a maioria não tem.

Ótimo que algumas pessoas tenham aparelhos e condições para fazer um esporte (principalmente cadeiras de rodas boa, pois a maioria é cara e não tem boa qualidade), que tenham condições de viajar de avião ou ir numa praia – nesse calor é muito quente – mas não é a realidade do país onde vivemos que a maioria não tem uma reabilitação de qualidade, não tem tratamento médico de qualidade como qualquer pessoa, não tem escola adequada para estudar e receber uma boa educação, não tem condições de sair de casa por causa das calçadas inadequadas e que não é só prejudicial para o deficiente, mas para qualquer cidadão que pode ter mobilidade reduzida. O que vejo é que criaram um “mundinho” (que me acusam de ficar trancado nele) que só porque meia dúzia de gato pingado conseguiu fazer alguma coisa, todos fizeram como se fossemos um país de primeiro mundo, não somos um país de primeiro mundo, por causa exatamente desse mundinho de faz-de-conta do nosso povo. Já disse e repito, feliz é aquele que acha que a corrupção está nas mãos de um partido só, que o descaso de um país tão lindo e rico, está numa só pessoa. Não é só o PT (partido dos trabalhadores) que corrompe e espalha o descaso a inclusão, o PSDB (partido social democrático brasileiro), vem fazendo um “maquiamento” da inclusão, pois as ETECs não são preparadas para as pessoas com deficiência, a página da Secretaria dos (Direitos?) do Estado das Pessoas com Deficiência bloqueia quem faz críticas a ela, não houve esclarecimento o porquê da venda de milhares de cadeiras adaptadas de praia a um ferro velho,  não houve nem resposta da secretaria numa carta que o movimento Irmandade da Pessoa com Deficiência mandou a ela em 2010. Com tudo isso as pessoas estão preocupadas com as Paraolimpíadas e me acusam de estar num “mundinho”, que só luto no Facebook e não vejo o mundo real, reles engano. O meu mundo é a realidade de um país que existem pessoas que não tem nem o que comer, que andam de carrinho de pedreiro porque não podem comprar uma cadeira de rodas, que perdem a visão ou perdem a pouca mobilidade que tem para se locomover, porque a entidade que elas se trataram houve descaso.

Me acusam de “chato pra car*”, mas o “chato” aqui levou meia hora para remarcar uma consulta medica daqui três meses porque a prefeitura tirou o direito de visita residencial. Quantos idosos e pessoas com deficiência vão ser prejudicado por causa do descaso do prefeito de São Paulo? E é São Paulo, uma cidade grande com milhares de habitantes que as vezes, tem alguma informação e algum outro recurso, mas existem cidades no interior ou cidades do nordeste e norte do nosso país, que não tem nada e as pessoas são tão ignorantes, que até acorrentam as pessoas deficientes com vergonha das suas deficiências. Sempre aprendi na luta e na FCD (Fraternidade Cristã de Deficientes), onde tenho um carinho especial, que se uma pessoa dá o passo mais lento do que as outras, nós vamos lá e andamos mais devagar. De repente estamos andando muito depressa e nesses passos apressados estamos esquecendo daqueles que não podem andar aos nossos passos, ou até mesmos, alguns sobem em cima daqueles que não podem andar nos mesmos passos para vencer e ganhar dinheiro. Liberdade tem seus limites e o ganhar dinheiro deveria ser consequência do trabalho que se faz e que se fez, não uma regra de achar que se tem que ganhar dinheiro, e sim, fazer um ótimo trabalho. É muito “bonitinho” ter consultorias com nomes pomposos como “Talento Incluir” ou “Isocial” e não ter a capacidade de olhar um todo sem ferir o objetivo, por exemplo, muitos RHs (recursos humanos), cometem o erro de olhar as pessoas com deficiência como todas as pessoas e que tem que ser como as outras pessoas e que, queiramos ou não, temos nossos limites e se não temos nenhuma chance, então, não teremos nenhuma experiência. Ao meu ver essas consultorias são fachadas para esconder a única realidade que existe, não há ignorância, porque há muita informação na internet e o empresário que não quer se informar está fora da realidade do mundo, não há cumprimento da lei de cotas que deveria ser mais severa e ponto, o resto é conversa para boi dormir. Se cria um “mundinho de faz de conta” e me acusam que esse “mundinho” é meu e não deles, onde as pessoas estão preocupadas em ir para a Paraolimpíada, enquanto existem pessoas que não tem um prato de comida na mesa, que não podem nem comer um chocolate, porque tem que ajudar nas despesas de casa.

É muito fácil chegar onde chegou com ajuda – me desculpe, mas com toda a certeza alguém ajudou arranjar emprego e não me venham de talento que sou cético a esse tipo de empregador “bonzinho” – mas a realidade é muito mais feia do que o mundo encantado onde se construiu um alicerce para as pessoas inventarem mais mentiras, afinal como dizia aquele ministro nazista, uma mentira contada mil vezes se torna verdade. Qual é a verdade das pessoas com deficiência? Qual a realidade de pessoas que não tem o direito de nem mostrar seu talento? Cadê a mídia especializada como a Incluir, a Sentidos ou a Reação que não mostra a realidade e nem tem colunistas com deficiência e se tem, são voluntários? Pagar um salário para o empregado com deficiência na tabela que está sua profissão, porque estar qualificado é outra coisa, é muito difícil porque as pessoas acham que a deficiência é um limite ao talento. Não se valorizam pessoas porque aumentaram a multa das vagas de idosos e deficientes, nem quem divulga essa informação, mas se valoriza aquelas pessoas que olham para as pessoas de igual para igual e entendem o que ela sofre. Enquanto temos talentos ótimos que a anos escrevem textos excelentes, se divulga blogs que não tem nada a ver com a temática da inclusão dentro de uma revista sobre a inclusão. Como faz então? Qual é esse critério de escolher pessoas que escrevem textos que não tem muito a ver com a temática? Porque tem a ver com o “mundinho encantado” que se criou dentro da área de inclusão, porque começaram a olhar dentro da rede social ao invés de olhar para o mundo real. Eu, realmente, duvido que fotos de sorrisos mostram pessoas felizes e contentes e sim, mostram pessoas que querem vender um personagem de um mundo que nunca vai existir.

A existência desse mundo é muito importante para os “paladinos da inclusão”, porque eles têm um talento incrível de distorcer a realidade ao seu favor, pois não existe talento sem estudo. Não existe emprego sem se esforçar e mostrar aquilo que é capaz, a escrita é para poucos e esses poucos não são valorizados por falar sem fazer “média”. O Ser um Deficiente não faz média e nunca esteve nessas revistas, porque mostra a realidade do cadeirante com o calo na mão, com o diploma e não é contratado, mostra o descaso dentro da saúde, dentro da educação e dentro do emprego. Mostra que sem transporte e uma boa cadeira de rodas ou outro aparelho, nunca vamos a consulta medica, nunca vamos aos estudos, ao trabalho e que sem isso, não vamos nem nos aeroportos. Eu sou crítico e todo crítico não acredita em crenças, não acredita em fé cega de uma inclusão de fachada, não acredita que todos podem ter o que poucos tem. Ótimo que alguns venceram, mas outros ainda exigem o direito de sorri, de se expressar e de viver, que é o maior bem que Deus permitiu que tivéssemos e o homem, demasiado humano, nos restringe. Como diz o Cazuza, o tempo não para e não vou parar, podem ter certeza disso.

Amauri Nolasco Sanches Junior, 39, escritor, publicitário, técnico de informático e escreveu o livro Liberdade e Deficiência e O Caminho.

Publicado por: Amauri Nolasco Sanches Junior e Marley Cristina Felix Rodrigues | 19/12/2015

Inclusão de pelados – sexualidade de modo errado

Vicki e Thomas, um casal com paralisia cerebral. o projeto dinamarquês LigeLyst promove a educação sexual de jovens com paralisia cerebral, amputados, cadeirantes e outras condições.

 

Gosto de nudez na arte e não acho que isso ofende a espiritualidade, mas a nudez em fotos deveria ser muito bem pensadas antes mesmo de serem expostas. Mulheres com deficiência são mulheres acima de tudo e devem ser respeitadas como tal, devem ser amadas e devem ser mostradas como seres humanos que são, claro, com todos os significados que todas as mulheres merecem. O que acho meio perigoso é achar que a mulher com deficiência deve ser exposta como “objeto” e não como seres humanos, pois a nudez no caso de uma mulher que contem deficiência – mesmo que queiramos incluir essas mulheres no cenário mundial – acabam vendendo a imagem de mulheres vulgares a procura apenas de prazer, a intenção é positiva, mas nem todo homem assimila uma intenção diante de um corpo nu ou um decote. Não são ingredientes para um assedio sexual ou um estupro? Alguns dizem que não, que mulheres com deficiência devem se expor como qualquer mulher, outros dizem que sim, as deficientes podem se defender e não é bem assim que a coisa anda. Existem deficiências que não podem se defender, existem deficiências que não se pode nem expressar o que esta sentindo. Quantas mulheres com deficiência mental são estupradas todos os dias? Quantas mulheres com deficiência são assediadas todos os dias? Enquanto as pessoas não colocarem o afeto no debate sobre sexualidade, o debate sempre vai cair na vulgaridade e nunca vai evoluir como um debate maduro e sempre, acharão, que somos um bando de adolescentes eternos.

Hegel – filósofo alemão do século dezenove – pensava que a arte era muito mais que do a imitação da natureza, porque vem do espirito humano. Não estamos falando de arte como tal, porque o nu artístico é um nu estético enquanto corpo que vive e existe. Para definir um nu tem que se definir a objetividade do ato do nu, pois o nu enquanto mostrar o corpo enquanto esteticamente viável ou não – dai entramos no belo enquanto o que está inserido na cultura vigente – tem varias situações. Nesse caso o nu como sexualidade é uma estética que mostra o lado corporal da existência – que nesse caso podemos colocar como uma identidade do sujeito – enquanto o sujeito como o ente que existe e percebe a sua existência, porem, esse é o aspecto comum da arte do nu que podemos colocar como um lado positivo. Mas existe o lado animalesco – quando o homem que coloca toda a sua bestialidade e só vê o lado sexual – porque ele não vai desenvolver e enxergar o outro como uma existência, mas o outro como um objeto do prazer mais bestial que se pode conter dentro da nossa especie, a sexualidade como um modo não do espirito do belo, e sim, a sexualidade como reprodução e prazer. Hegel defini a estética como um produto do espirito e é dai que se transforma em um fenômeno completamente do espirito e não apenas corporal, quando esse espirito recebe o tratamento para definir o ponto crucial entre a beleza enquanto o despertar de uma afetividade. A afetividade vai se caracterizar com a empatia ou simpatia do outro que atinge esse afeto, talvez, isso defini nós como animais humanos com um espirito muito mais definido e muito mais social do que se parece ser. Mas entre o espirito sublime e a bestialidade existe a educação que nos definirá como seres que respeitamos o outro como ser humano, ou apenas, vimos o outro como um objeto de mero prazer estético.

Se essas fotos quebram o estereotipo do corpo perfeito, ao mesmo tempo, dará enfase a outros problemas como a violência da mulher como um problema grave graças a educação e a ignorância popular. O que é melhor, assediar mulheres que podem se defender ou aqueles que não podem se defender e ainda dependem do agressor, muitas vezes? Essas fotos vão ou não atiçar os “devotos” com má intenção de ter sexo fácil? A arte como representação – como acontece na pintura ou em outras manifestações de imagem e som – é construída com a representação espiritual dentro do estereótipo do mundo onde enxerga o esplendor e em alguns casos, criam outros mundos dentro dessa representação. Se a foto ou a pintura só há um indivíduo, então a representação da solidão egoística aflora dentro da arte, pois o espirito está apegado ao nada e o sentimento se apaga na liquides do que é humano. Não adianta quebrar tabus colocando o ser humano não como um animal que sente, um animal que vê o outro como um ser que além de uma sexualidade há um afeto, foi o afeto que muito provavelmente, tirou o homem das cavernas. Porque graças a afetividade houve a construção familiar e havendo a construção familiar – não é uma analise religiosa – houve grande parte da construção social e tecnológica, pois não mais haveria necessidade de procurar uma fêmea. O argumento que o núcleo familiar é uma imposição social é debatido com base da moral cristã construída por uma moral judaica e que não cabe mais no debate, porque se colocarmos num âmbito cientifico, as orcas são animais monogâmicos e não existem imposição social, mas uma escolha, já que se descobriu que os cetáceo tem consciência do mundo onde vivem. A exposição do nu não pode ferir o direito do outro de não querer ser comparado a essa exposição, não ser um ser que só tem uma sexualidade, mas o que é verdadeiramente no espirito humano.

Por outro lado, esteticamente, não vejo mulheres com deficiência com estereótipo fora dos padrões que são estabelecidos, só pessoas com deficiência com aparências relativamente, esteticamente aceitáveis. De todas as fotos que podemos olhar – dentro da exposição – todas que vamos ver são mulheres com deficiência esteticamente sem condições de mostrar o que realmente consiste a deficiência, sempre mostra a afetividade entre uma mulher com deficiência e um homem sem deficiência ou vice e versa, não há deficientes como um casal. Vi uma exposição lindíssima que mostra a afetividade na nudez entre casais com deficiência (paralisia cerebral) – diferente daqui que coloca o casal como sempre um ser sem deficiência – ou o politico norueguês que pousou nu não tendo o estereótipo aceito socialmente. O debate sexualidade, pelo menos numa analise mais apurada, deve passar pela afetividade se não, não terá nunca um apoio necessário para quebrarmos verdadeiramente os tabus.

Amauri Nolasco Sanches Junior, 39, escritor e filósofos.

Exposição da Kika de Castro (aqui)

Publicado por: Amauri Nolasco Sanches Junior e Marley Cristina Felix Rodrigues | 03/12/2015

O que temos que comemorar?

Já coloquei a pergunta no titulo como forma reflexiva e não como uma forma negativa ou de agressão: o que nós podemos comemorar dentro do nosso cenário, o dia internacional do deficiente? O dia 3 de dezembro é o dia do deficiente dês de 1998 quando a Organização das Nações Unidas (ONU) promulgou neste dia o dia do deficiente para se lembrar da importância do fato de termos politicas inclusivas para os deficientes terem uma vida mais ou menos, em sociedade. Existem nações mais acessíveis, outras menos acessíveis, mas existem politicas e pasmem, o Brasil é o único país em todo mundo que ratificou como lei a Convenção dos Direitos das Pessoas com Deficiência da ONU e recentemente, votaram a favor pelo Estatuto das Pessoas com Deficiência que a partir de janeiro de 2016, virará lei vigorando. Mas como somos um país que a educação não é uma prioridade – pois faltou dinheiro, o primeiro ministério a ser cortado é da educação – como a saúde e os tratamentos de reabilitação são precários, nosso direito de ir e vir são negados por falta de transporte adaptado em grande escala, nosso direito em ter preferencia em ter casas ou nosso direito de ter aparelhos pelo SUS é negado, então, temos grande dificuldade que as pessoas respeitem o pouco que conseguimos e nem o porque de comemorar tal dia.

Leis politicas são realizadas por sistemas éticos, ou seja, a sociedade não pode ter ética na politica se não tem ética dentro da sociedade. Lembro que um cara num video – que era uma experiência social – se fingiu de cego e pegou uma Telesena falsa e mostrava as pessoas para saber se ele tinha ganhado, só que estava marcado 60 mil reais que, supostamente, tinha ganhado. Só duas mulheres foram honestas e o resto, bem, o resto fugiu com a Telesena premiada. Como se vê, o ditado que cada povo tem o governo que merece, não é tão mentira assim. A honestidade de comportamento ou a honestidade intelectual, não pode ser adquirida somente nas escolas, porque a escola dará a instrução social e as ciências humanas, a honestidade tem que ser aprendida dentro de casa com a família. Umas das coisas que não concordo dentro das filosofias anarquistas – sendo eu um anarco-libertário – é acusar a família da opressão social que ela está inserida e não existem maneiras de liberdade, sem se libertar do amor familiar que seria algo imposto pela moral religiosa ou a moral social. Talvez, vejamos a liberdade restrita dentro da sociedade, algo restrito porque a tradição vem de cima para baixo e isso, quem ler historia evidentemente, fica muito claro. Se hoje temos uma politica de inclusão precária e de pouco exito dentro de um prisma, mais ou menos, fraco e inócuo, temos que agradecer ao Estado. A família tradicional ou não, só é um reflexo da religião que o Estado oficializa – não venha com essa historia patife que o Estado é laico, pois nem os países socialistas o são – a cultura é precária porque o próprio Estado oficializa, o mundo perde muito no avanço moral, quando o Estado determina até em que escola o seu filho vai estudar e aplaudimos como se fosse uma grande coisa. A família não é opressora, mas a cultura é opressora ao ponto de determinar como você se comporta, que musica você deve ouvir para ser um cara legal, como se deve vestir para ter o estereotipo do cara daquela tribo (se fossemos homens da caverna ainda), até mesmo, a cultura te diz os livros que você deve ler. Somos oprimidos pela mesma cultura que nós inventamos.

Se somos oprimidos por um padrão de beleza estabelecido dentro da sociedade, apoiamos esse mesmo padrão quando tiramos fotos com as mesmas posições dessa padrão. Sorrisos de pasta de dente, roupas que só serão usadas no dia da foto, os ídolos são pessoas que nem tocam o assunto da deficiência e num ato de extrema hipocrisia, apoiam o Teleton. Quem constrói essa cultura anti-inclusão? Eu que tenho como ídolo o Bruce Dickinson (vocalista do Iron Maiden) que montou uma escola de aviação própria para alunos com paraplegia, ou o cara ou a mina que tem como ídolo esses caras que não fazem nada para resolver a inclusão no mundo? Eu que voto em candidatos novos com deficiência ou vocês que votam sempre nos mesmos por causa do nome, por causa das ideologias politicas, ou porque é bonitinho? Claro que a liberdade – que dizem ser opressora – te fazem ter o poder de escolher até o papel que nos limpamos e pode, por ventura, nos colocar em situações que nós mesmos vamos ser prejudicados. Como, por exemplo, inventar multas morais como se isso fosse resolver algo dentro do respeito das vagas, ou campanhas duvidosas, que mais estressaram do que resolveram algo do tipo. As regras da ética são claras dentro do cenário da ótica da inclusão, ou você faz, ou você não faz, tentar não existe como o mestre Yoda disse a Luke Skywaker no filme Guerras nas Estrelas.

O que o mestre Yoda quer dizer? Não existe o tentar quando se quer fazer aquilo que se tem vontade e essa vontade, que Nietzsche vai dizer que é a Vontade da Potencia, tem que vir com a potencialidade do ato que faz algo virtual ser algo real. O encontro de duas pessoas, por exemplo, foi realizado graças a potencialização de um ato de encontro entre duas pessoas que estão lá nesse instante, naquele lugar, com infinitos propósitos. Mas se uniram num ato de querer e se interessar em falar um com o outro dentro de uma consciência, que de repente, tenha despertado uma potencialização de se conhecerem e ficarem um com o outro graças a essa vontade. Não temos a vontade que o segmento seja incluso dentro do cenário social? Não queremos que a virtualização dessa ideia seja realizada de fato? Se queremos que a ideia da inclusão seja um ato e não só a virtualização do ato, devemos começar por nós mesmo essa iniciativa procurando nos instruir e instruir o segmento em mostrar um caminho, não adianta querer casar se nem casa tem, não adianta querer ser um ser social se nem sentir dentro da sociedade se sente, não adianta querer que as pessoas nos aceite, se nem ao menos, nos aceitamos. A inclusão começa com o ato de aceitação da potencialização de que somos (do verbo ser) deficientes e nada vai mudar renegando isso. Então, por que não fazer a diferença tendo um ato de mudar seu jeito de ser? Repensar o por que apoiamos uma cultura que nos rejeita e não, de maneira nenhuma, mudamos nossa conduta o que gostamos e o ouvimos, assistimos ou apoiamos?

Inclusão é um ato e não um termo, só.

Amauri Nolasco Sanches Junior, 39, escritor/filosofo.

51bm8HoZ-6L._SX321_BO1,204,203,200_

O Caminho e-book (aqui)
O Caminho livro físico (aqui) 

 

Publicado por: Amauri Nolasco Sanches Junior e Marley Cristina Felix Rodrigues | 01/12/2015

Direitos ou privilégios

Ler mais…

Publicado por: Amauri Nolasco Sanches Junior e Marley Cristina Felix Rodrigues | 24/11/2015

Nos porões do segmento

 

Quem nunca chegou a ficar um dia inteiro no chat de pessoas com deficiência num grande portal (não vou fazer propaganda)? Quem nunca teve a ideia de dar uma paquerada virtual para ver que rola? Eu sei de casais que sim, deram certo e até casaram dentro do mundo virtual e também, sei de casos de pessoas que tiveram suas vidas completamente arruinadas ou pessoas que simplesmente, sumiram e nunca mais apareceram. Como somos pessoas sub protegidas não só pela família, por motivos óbvios, somos protegidos também por entidades e por outros fatores, nossa maturidade vem muito tardiamente e ainda temos uma ideia romântica dos relacionamentos, até ver, que o importante é ser feliz. Muitos de nós, por culpas diversas colocadas dentro de nossas cabeças pela religião vigente, que nos coloca como “obra do diabo” ou coisa parecida.

Uma grande ilusão invade dentro desse segmento e isso é muito perigo, porque se cria um mundo que não se pode negar o que acontece mundo afora. Nada contra o mundo virtual, pois conheci amigos, conquistei certo destaque dentro da luta no mundo virtual, mas um grande vicio dentro desse mundo virtual igualzinho o filme Matrix. Mas existe ainda o porão que ninguém tem coragem de ir, onde tem os “devotos”, onde tem deficientes sem nenhuma razão de ser, existem até pessoas deficientes que fazem questão de destruir as conquistas dos outros. O que ganham com isso não sei, mas tudo isso vem de pensamentos que dominam essas pessoas e elas começam com animalidades sem fim porque o mundo (dentro de sua cabeça), não te respeitou e nunca vai respeitar. É errado ou certo esse tipo de pensamento? Não gosto muito de dizer que comportamentos e sentimentos são certos ou errados, mesmo o porque, até mesmo as pessoas deficientes tem todo o direito de escolher o seu caminho. O problema é quando essas escolhas prejudicam outras pessoas, num modo psicológico e até, num modo social. Porque envolve muita coisa e envolve muito sentimento, que a maioria das pessoas deficientes, são imaturas demais. Um “devoto”, por exemplo, pode usar o sentimento que as pessoas deficientes tem por ele para dominá-lo e colocar ela, em suas mãos ou pode descartar essa pessoa fazendo ter sofrimentos depressivos. Ou até mesmo as pessoas deficientes usarem outras para terem o que querem, depois largar ela a própria sorte. Quantos cadeirantes homens, que vi e presenciei os fatos, engravidaram outras pessoa deficiente e não quis assumir? Inúmeros deficientes fazem isso e é quase um tabu falar disso em blogs do tema.

As mulheres deficientes são assediadas muito mais do que mulheres sem deficiência, por serem imaturas ou ser mais fácil enganar e até, tocar por terem dificuldades de se defender. Alguém já tocou no assunto em algum blog de inclusão? Eu sempre gosto de tocar porque são coisa que me incomodam – pelo que vi e vivi e parece que ninguém viveu – porque o segmento se conforma com tão pouco e tão acomodados são. Mas por que acontece o assedio com pessoas que nem ao menos, a mulher deficiente deu trela? Será que foi a outra mulher que deu e o cara, generalizou a coisa? Estamos num país machista, estamos em uma realidade que um tem dó do outro, e muitas vezes, nem denuncia quem o fez ou quem abusou literalmente, as mulheres deficientes e por isso eu mexo nesse tema dentro do meu livro O Caminho. O assédio deixa marcas psicológicas profundas dentro do amago da mulher e é muito pior com a mulher com deficiência, porque são coisas que nunca se esquecem.

São coisas que acontecem no mundo de hoje que as pessoas ficaram sem sentimentos, ficaram sem moral, ficaram sem ética e não mais tem sentimentos verdadeiros e duradouros. Como disse Baumam, todos nossos valores ficaram líquidos porque não conseguimos superar esses valores e para superá-los, temos que nos encontrar, acontece que a maioria não se encontrou. A liberdade não é só beijar quem queira, é ir em qualquer lugar, liberdade é ter coragem de se descobrir enquanto ser humano. O problema não é a internet, o problema é que não descobrimos o porquê de se usar a internet, não se descobriu quem é o indivíduo que está atrás do computador usando, e a grosso modo, criamos sempre um personagem para nos espelhar. O “devoto” é um personagem, a mulher fatal é um personagem e o homem que cria um universo de “galo num galinheiro” que faz o assédio, é um personagem. Aliás, o homem que assedia sempre é um homem mal resolvido tanto na parte sexual, quanto na parte de se ver não mais em seus anos de ouro e por outro lado, existem mulheres deficientes que sim, dão bola para esse tipo de “macho alfa” e depois cai no ostracismo de dizer que todo homem é igual. Esse tipo de mulher é a mulher personagem, é a mulher que se veste de uma mulher que não existe, mulheres assim sempre nunca encontraram maneiras de se fazer valer na vida com trabalho ou realizar no amor. São as Alice`s num país das maravilhas que não existe. A pergunta é: quem é você? Quais suas perspectivas? Porque o mundo não vai parar para reencontrarmos nosso “eu” verdadeiro, nossa natureza mais intima.

Quando vamos crescer quanto pessoas e quando vamos parar de achar que o mundo é cor-de-rosa? Claro que o mundo não é só podridão, que não existem só pessoas maliciosas como uma depp web, mas existem períodos que temos que cair na real e não se fechar em crenças que mais nos humilham do que nos salvam, pensamentos ideológicos que mais nos escondem do que nos libertam, uma TV que não tem nada de útil, sentimentos e coisas que só te fazem sofrer. Por que tudo isso? Porque não se assumi a deficiência, se tem medo daquilo que não devemos ter medo, não devemos seguir coisas que não vão acrescentar nada, mas quando assumimos verdadeiramente como somos – não tirar foto pelado para todo mundo ver que somos resolvidos – mas ter a certeza que mesmo sendo deficientes, podemos sim ser feliz. Os porões do segmento das pessoas deficientes, só existe, porque não somos capazes de assumir verdadeiramente quem somos, verdadeiramente o que e quem gostamos, ter na essência a certeza que não somos um produto de um demônio, mas o amor infinito do Criador.

Amauri Nolasco Sanches Junior. 39, escritor/filosofo, escreveu Liberdade e Deficiência e O Caminho pela Amazon.

O Caminho e-book (aqui)
O Caminho livro físico (aqui) 

Publicado por: Amauri Nolasco Sanches Junior e Marley Cristina Felix Rodrigues | 20/11/2015

Devotismo e assédio

Há uma grande confusão entre o devotismo e o assédio com pessoas deficientes que devemos desmistificar para não deixar duvidas e para muitas mulheres com deficiência, não caírem no conto do devotee que quer amor e carinho, porque nem sempre eles querem amor e carinho. Mas por outro lado – adoro meu papel de advogado do capeta – existem muitas pessoas deficientes que adoram tomar uns tapas na hora H (conheci um monte que até defendia o devotismo como o único meio que as pessoas deficientes poderiam transar), e até acham que merecem por causa da culpa de ter ficado deficiente ou de ter nascido deficiente ao longo da vida. O devotismo em si mesmo – como todo devotismo – vão usar o medo e a insegurança das pessoas para tentar assegurar o que mais eles querem, que as pessoas tenham eles como os únicos que podem sanar o que mais precisam. E as pessoas deficientes, tem uma grande dificuldade de trabalhar essa sua carência dentro do cenário da realidade e acabam aceitando esse tipo de humilhação, ou uma transa e nada mais. Ou seja, a grosso modo, o devotee ele usa a carência dessas pessoas para conseguir essas transas e nada mais, a pessoa fica apaixonada, fica dando o que não tem e o cara ou a mulher, fazem dele de “gato e sapato”. Agora, não me envolvo (mesmo o porque sou noivo) e nem me envolvi com nenhuma devotee por motivos óbvios, pelo que me contaram, e também, pouco me importa o que as pessoas acham de eu ser ou não homem.

Devotee na verdade é um termo francês que quer dizer “devoto”, ou seja, existem “devotos” de pessoas deficientes e ainda mais, pelas pessoas amputadas. O cotoco dessas pessoas é, como todo fetiche que é uma fascinação por certas partes do corpo como partes mágicas ou eróticas, um objeto de desejo sexual ou desejo de só devotar aquilo. Os “devotos” são em sua maioria, pessoas muito bem e existem aqueles que são até casados, tem filhos, e na sua maioria também, tem que ficar no anonimato para não arruinar sua vida normal de “cidadão modelo” que a nossa sociedade exigi. Então, existe os devotos bons que só querem ficar presentes com as pessoas deficientes e de repente, ter até relacionamentos com as pessoas deficientes (cada qual com sua linha de desejo) e os malvados (não concordo com o bonzinho e malzinho, mas é só para simplificar), são os que pensar ser devotos e sim, são sádicos ao ponto de humilhar as mulheres com deficiência ao ponto de se rastejarem. Para mim pelo menos, não estamos lhe dando com devotos e sim, pessoas que usam o termo devoto ou devotee para suas maldades sádicas em humilhar pessoas que pensam ser menos do que você como um objeto. Mas isso é alimentado por quem mesmo? Será que essa carência desmedida faz com que atraia esse tipo de pessoa? Sim, porque nem todo mundo é totalmente vitima e digo isso não só as mulheres com deficiência – como estamos num país putamente, machista – mas aos homens com deficiência que tem toda hora de provar que é homem e que tem virilidade, virilidade tem que mostrar dentro da capacidade de assumir responsabilidades que a maioria, não tem.

A pauta da discussão sempre cai no requisito “vitima” como se fossemos pessoas que não podemos nos defender desses “monstros” que querem abusar dos “coitados” que só querem carinho, ou que usam isso só para se aproveitarem das pessoas deficientes. Ao longo das minhas aventuras dentro do segmento das pessoas deficientes, não existem vitimas nem nessa historia toda e nem em outras, que afinal, somos humanos como qualquer outro humano. Essa imagem de vitima, à meu ver, é um subproduto da cultura onde estamos inseridos e podemos até dizer, que é uma tática quase pior do que do devoto de convencimento das pessoas. Não é que sou deficiente que vou deixar de dizer a verdade, existem sim pessoas que usam suas deficiências para conseguirem o que querem e até enganar aqueles que querem algo mesmo. Claro que existem muitas pessoas sádicas, como existem pedófilos sádicos, existem estupradores sádicos ou outras modalidades, que saem daquilo que o termo designa e começam a bagunçar o coreto. Mas não podemos esquecer que as próprias pessoas deficientes alimentam isso com seu machismo, com sua carência, com seu vitimismo arreigado de coitadismo ao ponto da filosofia teletoniana que sozinhos não vivem. Existem pessoas deficientes sozinhas que vivem muito bem obrigado.

Não somos crianças para não sabemos que as pessoas podem sim, fazerem conosco e até aproveitarem da ingenuidade de alguns (por ignorância). Então, vamos ler mais, vamos se inteirar mais para não cairmos nos malvados (pessoas maliciosas) e separar quem realmente tem milicia e quem realmente, gosta de nós.

Amauri Nolasco Sanches Junior, 39, escritor/filosofo e escreveu Liberdade e Deficiência e recentemente, O Caminho pela Amazon

Liberdade e Deficiência (aqui)

O Caminho e-book (aqui)

O Caminho livro físico (aqui) 

Publicado por: Amauri Nolasco Sanches Junior e Marley Cristina Felix Rodrigues | 19/11/2015

E o meu primeiro livro sai

51bm8HoZ-6L._SX321_BO1,204,203,200_

Sim. Meu primeiro livro sai pela Amazon e é uma grande oportunidade para mim escrever, porque um livro é como dar a luz ao um filho, porque ele acaba sendo um filho mesmo. O “O Caminho” é um conjunto de relatos e coisas vividas que ao longo da vivência dentro do segmento das pessoas deficientes, eu ouvi e até vi muito deles e isso é interessante, pois é uma historia que todo mundo viveu e ninguém mais gostaria de ver. Na verdade, “O Caminho”, é num modo pratico, uma serie de denuncias dentro do nosso mundo (das pessoas deficientes), que não quis fazer um de crônicas, e sim, um romance muito bem construído.

A historia se passa em uma das inúmeras cidades por ai, para dar um ar de uma historia universal (não tem lugar), mas que dá para perceber que há leis que só existe em nosso país. Não existe tempo, porque queria dar um ar de atemporalidade, ou seja, que todo tempo acontece discriminações e não se cumprem leis e estatutos diversos. E coloquei dois personagens com deficiência para poderem mostrar o que as pessoas deficientes passam em seu dia a dia – mesmo que eles sejam de deficiência leve – mas mesmo assim é um livro que envolve todo mundo pela historia e pela identificação da trama como algo que acontece com todo mundo e todo o tempo.

Vladimir é um publicitário que tem uma deficiência numa perna e essa deficiência é causada pela explosão do carro do seu pai. Veja que Vladimir é publicitário de uma agência de publicidade menor por causa da discriminação das grandes empresas e tem o seu chefe como amigo (talvez Oscar tenha um sentimento paterno com Vladimir) e que, conhece Vanessa por acaso e porque ela mora ao lado da janela de onde ele trabalha (a sala) e se apaixona por ela. Vanessa é uma garota ruiva e que é programadora, mas por causa da deficiência (na mão e no pé), vai fazer sites para um cara que na verdade, é amigo do pai dela, pois ela não aceitaria ser sustentada pelo pai. A trama vai se desenvolvendo na medida que os personagens vão filosofando sobre diversos assuntos e, principalmente, dentro do que passamos no nosso dia a dia em diversas cidades no Brasil afora. É o meu primeiro livro de muitos, mas é o preferido por ser o meu pais velho filho.

Quem quiser comprar os links

O livro físico O Caminho (aqui)

O e-book O Caminho (aqui) 

Publicado por: Amauri Nolasco Sanches Junior e Marley Cristina Felix Rodrigues | 31/10/2015

Cuidar da sua deficiência, namoramos também

Uma colega que também é deficiente, fez um desabafo que a muito tempo denuncio dentro do segmento das pessoas com deficiência, a velha pergunta reaparece: “ você namoraria uma pessoa com deficiência?” e o que mais assusta, é que essa mesma pergunta parte de um grupo que se diz defensor da inclusão. Ora, como pessoas com deficiência vai fazer uma pergunta dessas para outros deficientes? Numa forma geral, existe o pensamento que os deficientes deveriam namorar e casar com pessoas não deficientes, como uma especie de babá ou enfermeiro ou enfermeira de graça. Ou tem outra explicação desse fenômeno? Não tenho nenhum romantismo, quando na maioria das vezes, me perguntam sobre os outros deficientes.
O que podemos descobrir com a pergunta: “você namoraria uma pessoa deficiente?”? Podemos analisar num contexto muito mais profundo o que a maioria sempre analisa, pois nada tem a ver com a mídia e a grande vilã dessa historia nunca foi ela (a mídia). É a maneira que olhamos nosso próprio corpo como um limiar de nossa própria utopia que fazemos dele como algo além do que ele é, pois sempre utopizamos (não sei se isso é valido) o que não existe e o que idealizamos. Por isso, em muitos textos meus, vou chamar a nossa cultura em uma cultura platônica (herança mais do que direta do cristianismo católico), onde o corpo é uma limitação daquilo que é realmente, é uma mera copia da nossa alma. Utopia é tudo aquilo que não existe concretamente e não passa de idealização. Mas mesmo assim, é uma imagem virtualizada daquilo que imaginamos o que é realmente e passa a existir. Ora, ao mesmo tempo que idealizamos nosso corpo – com o que achamos que é – nós consagramos como um altar e isso não é errado, não nos limitamos a não gostar dele, mas nos tratamos como mera coisa e não é assim.
Essa pergunta tem a ver com o que o próprio deficiente vê seu próprio eu interior, seu corpo que aparece num espelho e diz para ele que por mais que tente, ainda está fadado a ser uma pessoa deficiente. O espelho é uma virtualização daquilo que, podemos chamar, de nossa “casa”. Lá diante do espelho vimos uma prisão, lá vamos ver nossas cadeiras de rodas, lá podemos ver nosso pé torto, nosso aparelho ortopédico ou IC (Implante Coclear), nossa limitação cai por si como um grande peso. Isso não tem nada a ver de repente com cantores sertanejos ou cadeirantes exemplos de superação, tem a ver do “conhecer a si mesmo” délfico, aceitar como somos e como devemos encarar isso como natural. Há uma grande distancia – quase um abismo enorme – entre aceitar e se conformar, porque aceitar é não se dobrar para certas dificuldades que a vida nos trás, se conformar é ser passivo naquilo que não pode. Isso tem a ver num texto interessante do filósofo contemporâneo Michel Foucault (1923-1984), “O Corpo Utópico” e outras leituras interessantes do filósofo.
Utopizamos o corpo porque achamos que somos aprisionados por ele. Não vimos o corpo como algo que nos pertence, vimos o corpo como algo sujo (feito de barro), vimos como algo que não deixa sermos livres, não somos libertos com o corpo por aprisionar nossa alma. Mas a pergunta tem a ver com o “de-eficiente”, o de nega nossa humanidade como se a diferença entre o de-eficiente e o eficiência. O de é um sufixo de negação, se nega a eficiência do corpo para carregar e não eficiência desse mesmo corpo, mas enquanto negamos essa eficiência particular (todos nós temos), negamos a base de todo sistema de conduta que nos arrasta a negação de nós mesmos. O pré-conceito é o começo dessa negação – muita gente me odiará mortalmente – e parte sempre daquele que o pré-conceito recai e isso fica evidente quando surge uma pergunta dessas, como se fossemos estimular a virtualização de uma coisa que fica evidente. Idealizar (virtualizar ou criar uma potencialidade de se tornar real), não é uma das melhores maneiras de se encarar a realidade, nosso corpo nos pertence e querendo ou não, nossos aparelhos pertence a eles, são suas extensões.
Quando perguntamos: “você namoraria uma pessoa com deficiência?” negamos a imagem de uma pessoa que tem um deficit de eficiência (aquilo que lhe falta), para olhar não sua humanização, mas a sua imagem social do discurso vigente. Não quero negar a minha humanidade (que vem de humus que quer dizer terra, ou seja, somos da terra), mas quero negar a condição que a minha humanidade se processa, no meio da verdadeira natureza do meu corpo, tenho a de-eficiência, não sou e nem nego a minha capacidade e namoraria sim, como namoro, mas muito não por negar essa natureza. Qual a diferença de uma pessoa de-eficiente e uma eficiente? Muitos de-eficientes não aceitam, querem pessoas que cabem na sua utopia, cabem em uma idealização platônica e muitas vezes, caem no mesmo principio que caem os “fantoches” sociais, que não somos capazes de suprir a necessidades do outro porque acabamos tirando do sagrado a religião e pusermos no lugar o sexo, não mais nos interessa o que a pessoa é (alma), mas ela tem que suprir todos os meus prazeres (que são sagrados no nosso mundo). Os homem não chamam as mulheres mais de “gatas” ou “princesas”, mas a maioria chamam de “gostosa” ou de “cachorra”. As mulheres não se apaixonam pelo que o cara é e sim, o que o cara pode lhe dar ou fazer para ela e isso é uma grande trave no nosso segmento, pois nem todos nós podemos ser tudo isso ou dar além que podemos. O capitalismo (que tem seu lado bom, acreditem), sacramentou o prazer como grande perspectiva para gerar a liberdade e ser um grande negocio, não estão preocupados se o mundo vai excluir o cara com de– eficiência ou a mulher, mas transformar o mundo em um grande negocio. Dane-se se você tem sentimentos! Dane-se se você quer trabalhar ou namorar, você é um ser humano que não tem eficiência e deve sonhar em ter. O triste de tudo isso é um ser humano discursar o mesmo discurso que o poder e a industria quer (quando digo o poder, digo todo poder ideológico).
A pergunta: “você namoraria com uma pessoa com deficiência?” gera um conflito de uma imagem virtual e uma imagem real, se olha no espelho e se confronta com o terror de ser preso do discurso do poder vigente e o pior, não vê meios de anular o discurso e nem a utopização do seu próprio corpo. Mas o “namorar” – isso acontece com a aceitação do devootismo no segmento – não é ter amor e carinho, na maioria das vezes, mas ter o prazer do próprio corpo que não se tem. Talvez, dai por diante, vimos muitas pessoas com deficiência achando que não se tem a de-eficiência e começam a achar que são eficientes e querem ser chamados assim. Esse “namorar” não é demonstrar carinho, beijar, abraçar, ter um afeto, mas preencher uma coisa que não tem, o prazer e a felicidade que eles não tem, que todo mundo, diz que eles precisam. Colocamos uma coisa automática dentro daquilo que não deveria ser – como se o ser humano tivesse rumando para a robotização do seu conceito – pois deveria ser algo sentimental, algo intimo e muito mais leve do que esse fardo que carregamos todo o tempo. Amor, afeto, são sentimentos únicos e tem a ver muito além do corpo, muito além das pessoas terem, transcende muito além de um simples aperto ou um toque intimo (não sejamos moralistas), mas tem a ver conosco com uma certa espiritualidade.
Podemos até perguntar: nosso corpo é nossa prisão? Nossos sonhos são as lembranças dessa prisão? Não sejamos tão dramáticos em achar que uma cadeira de rodas, por exemplo, é uma prisão e uma masmorra eterna dentro de um estereotipo social dominante. Tem algumas dificuldades, mas não TODAS as dificuldades, temos que transcender nossa cadeira de rodas.
Amauri Nolasco Sanches Junior, 39, publicitário, TI e filósofo.

Older Posts »

Categorias

Seguir

Get every new post delivered to your Inbox.

Junte-se a 1.667 outros seguidores