Publicado por: Amauri Nolasco Sanches Junior e Marley Cristina Felix Rodrigues | 17/03/2014

O COB e a ética roussouniana

Essa foto mostra o desrespeito das pessoas com deficiência e o estrago que pode causar mostrando a Lais Souza com vários artistas com cara de "idiotas" no fundo

Essa foto mostra o desrespeito das pessoas com deficiência e o estrago que pode causar mostrando a Lais Souza com vários artistas com cara de “idiotas” no fundo

Jean Jaques Rousseau foi um pensador que viveu no século dezoito e fundou uma nova maneira de educação, onde seu livro Emilio é seu total representante. Eu invoco Rousseau por causa da reportagem inúmeras que venho lendo nesses últimos tempos na imprensa brasileira, uma delas e a mais ridícula é o COB (Comitê Olimpico Brasileiro) idealizou uma campanha para sensibilizar as pessoas ao tratamento de Lais de Souza. Explorando, lógico, a imagem do “coitadismo” que a sociedade ainda nos exerga e que ainda, temos uma educação hipócrita que devemos ajudar e que ela não tem culpa de tal fato. Vamos a duas reflexões; primeiro a Lais estava em treinamento de um evento de responsabilidade do COB, então, o COB tem que arcar com o tratamento que é claro dentro das leis trabalhistas. Segundo; muito provavelmente, a família da atleta não mora “embaixo de uma ponte”, certamente teriam condições de arcar pelo menos uma AACD, então, há nisso um discurso hipócrita que o segmento das pessoas com deficiência, deveria sim, pelo menos, mandar um e-mail para o COB exigindo explicações.

Sinceramente, não vejo campanhas com tanto empenho a não ser de cunho eleitoral e claro, de cunho artístico promocional, para entidades que recebem milhões de seus associados e por ai vai. Não temos uma cultura que nos empenhamos com estudos e adquirir conhecimento, para não entrar nessas falácias e aprenderem a não cair nessas “enrascadas”. Já no site do COB (aqui), se vê a sede do órgão que não é barata para manter e ai que entra a ética de Rousseau e sua demagogia, já que falou tanto de educação, mas deixou muitos filhos por ai em instituições. Para ele o ser humano é bom, mas a sociedade que o corrompe e que lhe ensina que a propriedade privada (terras ou outro bem), lhe pertença. Ora, índios fazem guerra e também, sejam das Américas ou da Africa, matam, comem seu inimigo, também praticam casamento com meninas novas, também tem “coroinhas” para os sacerdote. Então a reflexão é muito menos simplista do que parece, porque a visão rousseauniana é que o homem é bom em em sua essência (no meio da natureza) e a sociedade que o corrompe. Mas se a sociedade o corrompe, o que pesquisas de antropólogos e vestígios inúmeros diz das guerras primitivas? Então o ser humano não é bom e sim, enxerga somente o bem que os seus próprios interesses podem alcançar. Vamos ter que buscar o filósofo Sócrates para entendemos, se você não acha que isso nada tem a ver com inclusão de deficientes, então, você não acredita na verdadeira inclusão.

Sócrates dizia que o bem é alcançado pela prática e ele visa não prejudicar o outro, não adianta, por exemplo, ajudar a Lais enquanto milhares de pessoas com deficiência não tem cadeiras de rodas ou aparelhos diversos, não tem tratamentos adequados, não tem nem condições de ter uma casa descente (o governo diria do financiamento, mas esse financiamento do banco do brasil só vale quem tem 5 salários mínimos, mas se você tem 5 salários mínimos, compra fácil uma casa). Aliás, Sócrates diria que todos estão ali na imagem para suas próprias imagens serem promovidas e não ajudam nada, como na campanha do Teleton que não passa de indivíduos que promovem campanhas por causas próprias e outras pessoas precisando. Na verdade, de repente, a maneira de se fazer essas campanhas são errôneas e não podem ficam a merce de interesses, pois afinal, quantas pessoas com deficiência são agraciadas com esse mesmo intuito? Dai entramos em Hobbes, que o homem é o lobo do próprio homem, porque o ser humano é egoísta e busca satisfazer seus próprios prazeres por causa de seus próprios interesses. Talvez ai sim, para satisfazer seus próprios interesses, concordam em enganar e quando se engana e almeja sua própria vontade, se deve ter a guerra para colocar cada coisa em seu lugar. Os governantes absolutistas sabiam disso, a Alexandre Magno ao terceiro Reich, eram apenas controle de um Estado falido que deveria se erguer e deveria se contrapor em massacles desnecessários e mortes por um discurso que só era a natureza humana. A guerra de todos contra todos começa quando seus interesses são contrariados, o prazer lhe é negado e o argoz só é um “fantoche” de seus próprios interesses. O lobo nesse caso, só quer se alimentar, mas quando outros lobos lhe robam as “ovelhas” eles começam atacar outros lobos.

Então fica fácil contra balancear o pensamento de Hobbes e o de Rousseau, pelo menos, em setores do segmento das pessoas com deficiência. Todas as pessoas são educadas conforme sua cultura, não importa que tenham ou não deficiência, mas recebem valores que estão enraizados dentro da moral de um povo. Se recebe que homem e o “garanhão” e deve “pegar” todas as mulheres, vai ser sem vergonha com ou sem deficiência, se tem que se aproveitar do outros, vai ser explorador com ou sem deficiência. O maior problema são os valores que as famílias passam e que reflete de um modo geral a cidadania e essa cidadania que faz uma nação, se houvesse campanhas no mesmo patamar que vimos da Lais de Souza, não teria tantas pessoas com deficiência precisando de tratamento e aparelhos diversos. Qual o verdadeiro intuito da campanha? Mostrar que somos dependentes de uma sociedade mentirosa que até alguns do próprio segmento se vendem, que muitos de nós, só pensa em seu próprio intuito de alcançar o poder e quando alcançam, nada fazem. Na verdade não temos uma democracia verdadeira, não temos a liberdade verdadeira, não temos ao menos, o direito de pensar o que queremos. E tem pessoa com deficiência preocupado com futebol, tem muito de nós preocupado com baladas, tem muitos de nós preocupados em suas patéticas vidas e seus pequenos movimentos encantados, que ainda brincam de “chefinho mandou”.

Me dá “asco” ver campanhas que mais promovem do que reduzem o sofrimento, fazem da imagem das pessoas com deficiência como sofredores, fazer do mundo uma tragédia. Não vejo no olhar de “pena” nem a Lais de Souza, nem o Gerson Brenner, nem ninguém que se tornou pessoa com deficiência, são seres humanos aprendendo a administrar a nova condição e não sofredores. Lógico que ninguém quer ter limitações, mas todas as limitações não são obstáculos e sim, cordas de um grande estilingue que nos fazem ir cada vez mais longe. Eu gostaria de ser solidário, mas não dá para ser solidário por uma pessoa que pode, se existe milhões outras que não podem. Por exemplo, minha noiva é cadeirante, está sem cadeira de rodas, está sem nenhuma condição de fazer nada porque sua casa não tem nenhuma adaptação por ser de aluguel, não tem direito de fazer nenhum curso porque o ATENDE fica na perseguição (por causa que lutamos contra o aniquilamento dos “Eventuais” que acabou caindo nos taxis graças a conivência da Secretária dos Direitos das pessoas com deficiência e mobilidade reduzida), sem o direito de ter seus sonhos realizados por conta de sua pobreza. Não é uma questão de poder ou não, as necessidades são relevantes, a necessidade de se ter uma cadeira de rodas é muito importante, porque são nossas pernas. Então, por que só a Lais tem esse direitos se milhões se privam dessa necessidade? Duvido que algum dia, esses mesmos artistas, nos limite a dar o ar da graça.

Enquanto isso, fiquem com suas vidas medíocres, afinal, o lobo estará a sua espera.

Amauri Nolasco Sanches Junior – filosofo da inclusão, técnico de informática, publicitário e pessoa com deficiência física, cadeirante

 

Publicado por: Amauri Nolasco Sanches Junior e Marley Cristina Felix Rodrigues | 17/03/2014

Lei de Cotas e a Deficiência

Foto tirada do micro do Dudé.

Foto tirada do micro do Dudé.

Deixo aqui o escrito do meu amigo Dudé Vocalista:

Galera, tirei essa foto direto da tela do meu computador justamente pra que ninguém possa dizer que houve algum tipo de adulteração.
Ressaltei em vermelho, o que achei merecedor de reflexão.
Esse é um anúncio encontrado na Catho sobre uma empresa, de nome confidencial, que abriu vaga de emprego pra pessoas com deficiência.
Destaquei as ”características mínimas do candidato”, ou seja: os requisitos mínimos pra uma pessoa com deficiência concorrer à vaga.
Ali diz o seguinte: ”O portador de deficiência deve ter nível satisfatório de visão, audição e dicção que lhe permita sua comunicação”.
OPAAAAHHH! COMO ASSIM?????
Quem é que define isso? Quais são os critérios usados? O que entende-se por ”nível satisfatório?
Mas aí, vem a outra parte do anúncio que explica muita coisa:
”Empresa possui acesso para PPD: NÃO”.
Então, o ”nível de comunicação satisfatório” seria a pessoa com deficiência que pode se virar com escadas, banheiros sem adaptação, falta de elevadores, falta de computadores equipados para uso de deficientes auditivos e visuais.
O mais vergonhoso disso tudo é que por lei. essa empresa deveria sofrer vistoria e ser autuadapor admitir publicamente que quer contratar pessoas com deficiência sem oferecer a devida acessibilidade pra tal! Mas em compensação, ela tem seu anúncio amplamente divulgado pelo maior site de busca de empregos desse país. E como se não bastasse, ainda o faz segregando e admitindo abertamente que, apesar da sua necessidade de contratar pessoas com deficiência, eles se mostram omissos e muito à vontade em admitir abertamente sua total falta de vontade de criar a acessibilidade necessária pra receber o profissional PCD.
Em resumo: é mais uma empresa buscando burlar a Lei 8213/91 com a cumplicidade da Catho.

O que o meu colega e companheiro de inclusão disse, infelizmente não é novidade para mim e sim, muito comum. As empresas não querem adaptar de nenhuma maneira, ficam burlando a Lei 8123/91 que determina que com 100 a 200 funcionários, a LEI determina que tem que contratar 2%, de 201 a 500 funcionários, a LEI determina que se deve contratar 3%, de 501 a 1000 4% e de 1000 em diante, é 5% de funcionários. Essa não é uma MEDIDA é uma LEI e leis até onde eu sei, tem que ser cumpridas e se não são cumpridas, se deve ter uma punição. Só nos nossos casos é que a pena é branda, em outros casos, existe até prisão e o não pagamento de fiança. Mas devemos assumir que essa Lei de Cotas tem algumas brechas como não especificar as porcetagens de cada deficiência, e ainda mais, como nesse caso explicitamente, a empresa não tem acessibilidade e assim, comentendo dois delitos.

Aristóteles – que viveu no terceiro século antes de Cristo – dizia que ter ética é ter a prática da ética, porque a ética não pode existir na teoria. Mas para os gregos, a ética (ethos) era o que cada indivíduo fazia para melhorar a polis e a sociedade onde vive. Não interessa para o grego, por exemplo, que um indivíduo não podia matar, mas o que levou esse indivíduo a matar e a intenção era o indivíduo que é condenado pelo seu ato, o bem e o mal, o indivíduo fazia ou não fazia. Portanto, Aristóteles só colocou cada coisa em seu devido lugar com ética e ciência – embora há uma certa ética dentro da ciência – que levou o filosofo, a estudar melhor esses itens. Nesse caso, devemos olhar para a ética aristotélica, e enxergamos algo muito mais profundo que as pessoas pensam nos estar ocultando: não é uma lei séria ou o judiciário estão de má-fé ao segmento. Na imagem está clara a intenção da empresa que não vai ser adaptada e o site de emprego está sendo conivente com a empresa, assim, a intenção é pegar o deficiente menos deficiente.

Só que a lei é uma lei e deve ser cumprida doa a quem doer, o que ocorre é que fizeram ela com brechas e que nessas brechas há meios de se burlar. Não é só isso, temos que colocar o CID no curriculo (é uma coisa particular e se mede a deficiência da pessoa), tem que mandar o laudo médico para provar que a pessoa com deficiência tem realmente deficiência. Ora, já viram algum negro mandar exame de DNA para provar que é negro para alguma universidade? Já viram algum exame desses para provar qualquer coisa sequer? Tudo é uma questão de “responsabilidade social” que os gregos antigos acreditavam, mais Aristóteles, porque temos uma responsabilidade social sem perder a sua indentidade individual. Coecidencia ou não, estava lendo um artigo da revista INCLUIR onde o autor diz que muitas vezes, o ambiente de tranalho é o “gatilho” para indenizações GORDAS por causa de assédios, mal preparos, e muitas outras coisas.

Então, podemos concluir que seja um problema cultural, um problema que as próprias pessoas com deficiência tem conivencia, afinal, o que seria do poder se não tivesse cumplices entre seus oprimidos que sempre esperam algo em troca? Seja vans para pesseios, sejam favores politicos, sejam demandas de outras coisas que se pode mudar, mas não muda por causa desses interesseiros que não querem mudar, querem que sejam sanados só e somente seus problemas.

A dois anos fui discriminado pela SESCON (Sindicato das Empresas de Serviços Contabeis e Empresas de Assessoramento, Pericias, Informações e Pesquisas do Estado de São Paulo), me garantiu que o curriculo era bom, me fez ir lá na entrevista com a minha mãe doente e fui, mas no final, mesmo tendo do meu curriculo, mesmo eu dizendo que sabia Excel, eles diziam que eu não tinha experiencia. Relatei ao Minitério Publico Federal no governo Lula e os mesmo concluiram que a empresa estava em perfeita regularidade com a Lei, sendo que só eu fui na entrevista. Como legal na lei se não tinha o numero suficiente de deficientes na emprega para a entrevista? Fora que mandei um curriculo para a rede de lojas Magazine Luiza, me ligaram para ir trabalhar em Sumaré, só que há uma loja aqui perto, mas eles disseram que só tinha vaga em Sumaré que é do outro lado da cidade. A concientização é muito mais do que mera utopia social, onde não temos nem cultura, quanto mais uma cultura ética onde desprezamos o que é o dever fazer…lei? Só nós seguimos. 

Amauri Nolasco Sanches Junior – publicitário, técnico de informática, filosofo da inclusão

Publicado por: Amauri Nolasco Sanches Junior e Marley Cristina Felix Rodrigues | 07/03/2014

“Fala pra mim APAE”

Busto de Epicteto

 

 

Ler mais…

Publicado por: Amauri Nolasco Sanches Junior e Marley Cristina Felix Rodrigues | 28/02/2014

Ideologia da deficiência

O Cartaz mostrando a foto de uma cena do filme e com letras brancas escrito “Die Welle” (A Onda em alemão)

Será que estamos rumando para coordenações autocráticas dentro do segmento e não nos demos conta disso? Quando vi o filme “A Onda” – filme alemão de 2008 que é baseado no livro homônimo do escritor norte americano Todd Strasser, fala de um professor que daria aula de anarquismo, mas seu colega não quer trocar e ele acaba dando aula de autocracia e faz um experimento, porque os alunos (terceira geração após o advento do nazismo) duvidam que a Alemanha moderna, possa haver uma ditadura. Com um experimento comportamental, prova que sim, mas tudo foge do controle e ao acabar com tudo, um aluno atira num colega e se mata, o professor é preso provando assim como é possível – enxerguei que muitos coordenadores e lideranças, levam a exclusão em querer somente o poder e não a verdadeira essência da coisa. Em alguns movimentos e em alguns “guetos” de deficientes, está virando moda chamar de “cultura”, sendo que cultura são um conjunto de atitudes e costumes que não seriam o caso. Mas, será que estamos fazendo uma ideologia dentro da deficiência?

As ideologias são um conjunto de ideias sobre um assunto que um ou vários membros podem seguir. Por exemplo, o comunismo é uma conjunto de ideias baseadas nos trabalhos do filósofo Karl Marx que visam a igualdade e um nivelamento salarial que colocaria a sociedade em igualdade, existe o nazismo criada por Adolf Hitler que visa a igualdade e superioridade da raça ariana (vem dos Arias que viveram entre a Europa central até o que hoje era a Persia) que deveria procurar a pureza e o ser humano fraco e defeituoso, assim como homossexual, negro, mestiço, judeu, cigano, eslavo e etc, teriam que ser eliminados. Outras ideologias politicas poderiam ser citadas, como as liberais que acreditam no livre comércio, como os neoliberais que acreditam num livre comercio e na livre concorrência, como a anarquia que acredita que o ser humano seja bom, mas a sociedade e o meio capitalista selvagem, o faz maldoso. Assim também há ideologias religiosas como certos rituais, certas maneiras de seguir que muitas vezes, ou na maioria das vezes, são transformadas em cultura e podem sim se tornar costume. Mas com a deficiência a coisa é diferente, pois a deficiência é uma dificuldade e não um costume, ou virar um conceito, porque daí vira uma ditadura da deficxiência.

Muitas pessoas fazem alguns deficientes que tem a oportunidade de estar na mídia, um padrão de superação que muitas vezes, acaba sendo pergoso. Como no filme, o deficiente que tem sérios problemas com sua auto-estima ou com sua afirmação como pessoa, enxerga aquela pessoa como uma especie de líder e o poder é tentador. Quem não quer ser um lider e ter todas as “regalias” e o respeito de lider? Quem disser que não, não está sendo honesto consigo mesmo, ou ainda não se afirmou e superou alguns conceitos humanos. Segundo o filósofo Hegel, o objetivo do oprimido sempre é oprimir porque há um conceito a se apegar, seja pela supremacia da esquerda, seja pela supremacia da direita, seja pela supremacia de uma religião, seja por algo no qual sempre vamos nos deparar com “verdades absolutas”. Ora, quando construímos uma verdade única e absoluta em todo o universo, essa verdade se torna opressora e nunca uma verdade que libertará. Por exemplo, quando um evangélico (protestante) quer que você aceite Jesus, ele diz que o seu “Jesus” é o verdadeiro que só vai olhar para aqiele que aprendeu e sabe. Mas existe muitos conceitos dentro da visão de Jesus que as pessoas constroem em cima da mesma essência que são os evangelhos canonicos e os apócrifos, que são as ideias morais e misticas que ele ensinou (se é ou não reais, é outra discussão). De repente estamos num processo perigoso de ideologização da deficiência e a supremacia da ideia da “superação”, assim sendo, só vamos ser pessoas deficiente naquele grupo ou naquele ambiente, se realmente seguirmos esse pensamento.

Esse processo começou quando houve um “boom” naquela novela do personagem da Luciana (esqueci o nome da novela) virou um incone da luta da inclusão, onde não retratou a tetraplegia direito, não tratou a mulher com defriciência com respeito (mendigando amor e afeto), não retratou nem os problemas que a maioria dos cadeirantes passam. Por que ser um incone? Porque passou em um canal poderoso de TV e teve muito marketing, como o blog da personagem como se ela existisse de verdade. Mas podemos recuar um pouco mais e verificar que esse processo foi construído diante da necessidade, talvez pela falta de inicitiva, ou pela falta de se firmar como ser humano, se forjou termos e resoluções que colaboram com esse processo. No grupo de surdos que iam num encontro no shopping se forjou o termo “eficiente”, onde se camuflou uma imagem que é uma realidade, há uma surdez que caracteriza uma deficiência. Daí a moda foi forjar termos para deixar pomposo o deficiente deixando assim, talvez, mais confortavel. Apareceram termos como “pessoas com deficiência”, “pessoas com necessidades especiais”, “pessoas portadoras de deficiência”, que desvirtuaram a realidade e o mundo onde vivemos, onde o deficiente não pode ser um simples deficiente, tem que ser do segmento das “pessoas + com + deficiência” perdendo sua identidade. Depois se forjaram imagens de pessoas atléticas deficientes, pessoas famosas tetraplégicas saindo na revista seminuas, pessoas que sem querer, ajudaram a criar mitos dentro do mundo “marginalizado” das pessoas deficientes. As coisas foram tão fortes que esse blog “Ser um Deficiente” pelo nome foi criticado, o movimento “Irmandade das Pessoas Deficientes” foi quase obrigado a mudar o nome de “deficientes” para “pessoas com deficiência” porque na Convenção dos Direitos das Pessoas com Deficiência da ONU está que o termo “certo” é pessoa com deficiência pelo histórico mundial de ridicularização do termo “deficiente” e sua estereótipos derivados. Mas nunca vimos pessoas deficientes com paralisia cerebral, com espinha pifida, com amputação – tirando a nadadora paraolímpica que virou musa – em fotos e imagens. Salientando a culpa não é das pessoas que apareceram, mas como no filme a culpa não é do professor e ele foi preso, ajudaram a dar uma idelogia massifica onde não deveria ter.

As entidades “filantrópicas” não são diferentes dos governos autocráticos, algumas usam uniformes, usam musicas com apelativos sentimentais e sempre dão uma solução, aliás, sempre a soluções são eles. Num modo geral, eles se sentem as vezes, donos das resoluções que abrangem a inclusão e representantes da causa como se fossem os maiores entendedores do assunto. Clinicamente deixam a desejar com sua psicologia de “botequim” e dizer a uma criança que ela não vai andar numa forma totalmente delicada, ou ter regras baseadas em mães que no seu surto psicótico, dizem chamar a policia se algo acontecer com sua filha. Campanhas milionárias levam milhões para os cofres da mais conhecida, com hinos apelativos, testemunhas de crianças e tudo mais que não é muito diferente desses governos. Aliás, algumas diretorias dessas entidades, reforçam a ideia que sem eles não seriamos livres, sem eles não existiriam aparelhos, sem eles não existiriam inclusão. Mas será que eles estão mesmo preocupados com a inclusão?

Como disse há uma movimento perigoso de queremos shows exclusivos, nós queremos partidos exclusivos, queremos uma bandeira exclusiva, só falta ter alguém a seguir. Mas há movimentos que são quase uma religião, são vorazes e não sabem trabalhar com outros movimentos, outros que podem contribuir com o trabalho de inclusão. Mas ainda colocamos acima do trabalho, a amizade, só que atrás de certas amizades estão os aspectos de um partido e seu interesses, esses interesses independem das amizades.

A “ascensão do mal” está só começando.

Amauri Nolasco Sanches Junior → Filósofo da inclusão, publicitário e técinco de infomática

Publicado por: Amauri Nolasco Sanches Junior e Marley Cristina Felix Rodrigues | 25/02/2014

Felicidade e deficiencia

Foto de um cachorrinho descendo com suas rodinhas a montanha como um rally

Todo mundo fala tanto do amor, sexo e acessibilidade que raramente falamos de felicidade, porque nossa felicidade é regida pela realização dos nossos próprios desejos. Não adianta negar e nem explorar a humildade cristã, quando temos um desejo realizado, somos felizes naquele momento, quando não, a infelicidade é inevitável. Para sermos felizes somos levados a termos desejos e realizar esses desejos, pois se não realizar seus desejos não seremos felizes, segundo a maioria. O interessante que várias doutrinas – como a cristã que diz que o desejo demasiado é pecado e o budismo que vê o desejo como o “mal” humano e a causa da sua infelicidade – levam o ser humano a eliminação dos desejos que ele não poderá realizar, um Stephen Hawking tem uma cadeira de rodas toda equipada com computadores e sensores, um brasileiro da periferia de São Paulo tem uma cadeira de rodas “male male” adaptada feita com o dinheiro da Previdência Social (SUS). Por que? Segundo essas doutrinas o Hawking teve a “sorte” ou a “graça” de poder realizar esse desejo, mas o brasileiro não pode realizar porque não teve a mesma “sorte” e nem a mesma “graça”. O problema é o “desejo” que não se realizará e você ficara frustrado diante da cadeira de rodas e Stephen Hawking porque você não alcançara a meta, nem de ser um cientista famoso, nem de ter esse tipo de equipamento.

Para temos certos desejos temos que capta-los com nossos olhos e queremos para nós, como a cadeira de rodas de Hawking, como uma muleta ultima geração, uma cadeira motorizada nova, tudo é uma questão de ótica. Ou seja, captamos o objeto com nossos olhos e sempre vamos deseja-lo; mas espera ai, e um cego, como ele deseja algo? Será que o som também estimula o desejo? Os sentidos estimulam qualquer desejo que queiramos ter, até mesmo no tato e na pele, teremos vontades garantidas (como no caso a sexualidade ou quando a criança deseja sentir a mãe). Como realizar nossas vontades que vem do desejo, sem ao menos, ter liberdade? Segundo meu entendimento, não temos nenhuma liberdade e liberdade nem é um substantivo e sim, um adjetivo porque não passa de uma qualidade e não em uma condição – como acontece com o termo qualificação que não passa de de uma qualidade e não uma condição, é um termo muito errado no meio empresarial para descrever o deficiente da suposta falta de estudo de certas profissões, porque qualificar é dar uma qualidade e não uma condição. O que importa não é ser livre e sim buscar a qualidade de ser livre para a condição de buscar a liberdade em ação, o que importa não é ter liberdade e sim buscar a realização dos desejos. Mas quais os desejos reais e os ilusórios? Posso estar satisfeito com minha cadeira de rodas simples, comendo rosquinhas de chocolate e bebendo um suco, ouvindo musica e vendo meu Facebook que é uma coisa que me dá prazer. Outra hora, o meu prazer se torna ir passear com minha noiva em algum lugar, mas para isso terei que ter uma cadeira de rodas de qualidade e um transporte até o local escolhido. Tenho que fazer a ficha para chamar o serviço de transporte ou ir até o ponto de ônibus para ir até o local, para ser livre e ir onde quisermos, dependemos da ação. Não podemos ser livres se não irmos ao encontro dela, a liberdade, assim, depende da ação.

De repente dentro de nossas escolhas, somos obrigados a essas escolhas e não outras, porque no meio do caminho pode ter uma mudança de ideia. Somos sempre condenados a sermos livres, mas diferente de Sartre, penso que nós somos condenados a nossa liberdade pela ilusão que somos libertos e a ilusão de que somos seres que podemos fazer o que quisermos. Isso depende de vários fatores que fogem do nosso controle, pois para sair, nós cadeirantes, temos que ter calçadas acessíveis, boa educação no transito, transporte adaptado entre outras coisas, que o poder publico teria que providenciar. Então, mesmo que a Constituição nos mostre que somos IGUAIS perante a lei e que temos o DIREITO de ir e vir, não é assim que funciona, nem todos são iguais perante a lei e não temos o menor direito de ir onde quisermos. Pronto, chegamos onde queríamos chegar, pois para nós termos o DIREITO (aquilo que é justo e certo) temos que ter várias ações dentro de um contexto enorme onde nenhum regime resolve, então podemos concluir que a democracia em si mesma é uma farsa. Mas todos dizem que é um regime libertário que o cidadão pode fazer o que bem pretende? Nós sabemos que a democracia é, como diria o poeta Cazuza, “uma mentira que a minha vaidade quer…”, somos tão vaidosos que não assumimos que nos enganaram e que estamos vagando em uma ilusão. Na verdade, a democracia em si seria, no significado etimológico, um governo do povo e como um governo do povo, deveria fazer o que o povo necessita e escolhemos, pelo menos em tese, nossos governantes. Os impostos são nada mais do que um tributo e um pagamento pelo adiministração, então pelo menos em tese, os políticos não são nossos chefes e sim, nossos empregados. A grande massa, pela falta de educação, pensa que eles estão fazendo caridade, mas são recursos que arrecadam e devolvem em beneficio para o povo e leis que garantam o bem-estar social. Se alguém roubar, matar, estuprar, ou outro crime, se deve punir a rigor do ato que aquilo foi feito (que é uma longa discussão), assim, garantindo a harmonia dentro da sociedade. Então, rampas, calçadas acessiveis e toda gama de adaptações são provenientes da administração dos três poderes, porque o dever em seguir a lei e a harmonia, a maioria dos cidadãos com deficiência, segue.

Descobrirmos que de repente não somos libertos porque temos uma escolha e que não temos um “governo que garanta” nosso DIREITO e sim, vivemos em uma plutocracia que o governo é regido pelas famílias mais, economicamente, favorecidas. Estamos sem saída? Em tese sim, mas vamos analisar mais um “pouquinho” para encontrarmos um meio para encontrar a felicidade. De repente deveríamos mudar o regime e nos dedicar em lutar para a esquerda, mas os países que adotaram uma politica socialista sempre trancou as pessoas com deficiência em clinicas e não teriamos nenhuma liberdade. Outros regimes também não trataram muito bem as pessoas deficientes e seriamos, “acorrentados” pelas politicas que fazem parte desses regimes. Só nos resta o regime democrático com seu cinismo governamental e o sua ilusão que nos faz repensar, de repente, em saber escolher os que nos governa para não cairmos dentro da plutocracia. Mas o que fazer se em dado momento, nós com ou sem deficiência, podemos ser manipulados? A milhões de anos somos manipulados pela a cultura que nós mesmos inventamos, e também, os mais “sábios” sempre souberam como fazer isso por reter percepção daquilo que a grande maioria não percebia. De repente o ser humano se viu dominado por ele mesmo, pois como disse o filosofo Rousseau, o primeiro homem que cercou uma propriedade e disse ser aquilo seu, era um impostor. Na verdade aquele ser humano era o primeiro que percebeu que aquilo era perfeitamente necessário por falta de alimentos, por falta de proteção, e captou uma coisa, se outros trabalhassem para ele, seria muito melhor do que trabalhar ele mesmo. E ele, como forma de convencimento, usou o medo e a crença para convencer os outros que ele era o seu protetor e deveria mostrar como poderiam sair dali. Daí, como milênios afora, precisamos de lideres para nos mostrar a saída dessa prisão que é o mundo onde vivemos.

Mas onde será que está a felicidade? Pois a milênios pretéritos, nós deficientes nem sobreviveríamos e eramos largados nas selvas para sermos comidos pelos animais, ou éramos mortos ao nascer. Os espartanos, descendentes diretos de uma etnia ariana dórios, levaram a cabo essa eliminação até a conquista de Roma. Na verdade, nós sobrevivemos a morte muito recentemente com o avanço tecnológico, pois em outros tempos, nós morreríamos ou seriamos mortos. Não temos muita liberdade, nem fisicamente, nem psicologicamente, graça a cultura e seus valores que prendem o ser humano incerto do seu futuro; a econômica leva-o a gastar para satisfazer seus desejos que são estimulados pelas propagandas e pelas campanhas áudio-visuais, leva-o a TER muito mais do que SER, porque ter a felicidade é muito mais lucrativo, do que ser feliz. Nós pessoas deficientes, compramos a ideia da felicidade pela superação da sua deficiência, porque somos levados ao medo de não sermos aceitos e sempre acabamos tendo desejos que não são e não terão nada a ver com a nossa felicidade. Desejos esses que vem de ideias românticas que nossa cultura tem de monte, como sempre “estampar” que para ser feliz devemos fazer o que é necessário, mas o que é necessário, as vezes não é a vontade naquele momento. Muitos também confundem felicidade com momentos felizes, que muitas vezes acontece que nos faz pensar que somos felizes e me faz duvidar das fotos felizes do Facebook.

Talvez essa duvida é a certeza que ninguém, ninguém mesmo, pode ter uma real felicidade, mas momentos alegres. Se não existe uma plena felicidade e sim, momentos alegres, por que queremos tanto encontra-la? Tudo que procuramos é porque não temos e se não temos é porque nos falta, mas nos falta porque temos carência da sensação da ausência da dor e que causará o prazer. Então, a sensação de felicidade é, mais ou menos, a ausência da dor e da capacidade de sentimos prazer, hora em fazer o bem, hora fazendo aquilo que nos interessa. Aliás, o filósofo Sócrates (o de Atenas não o futebolista que virou “deus” da sabedoria), disse que todo mundo faz o bem visando um interesse por trás daquele bem e que temos que visar o bem sem ver ou sem enxergar nada com isso, a felicidade é a harmonia de espirito. Mas como ter harmonia de espirito se o mundo não lhe dá o direito de fazer o que se quer nem ir onde se quer? Lembramos que para irmos onde queremos temos que ter calçadas acessíveis, transporte adaptado, boa cadeira de rodas ou outros meios de locomoção, consciência onde se vai, local adequado, uma sociedade com informação e tal. Mesmo aqueles que pensam ser livres são presos nas ideias de “superação”, de mostrar que são felizes e fazem questão de submeter aos conceitos humanos, mostrar que são auto resolvidos, mostrar que lutam pela causa e morrem por movimentos com histórias infinitas, mostrar que ser feliz não é SER e sim TER. De repente ficamos presos em estudos científicos patifes, em religiões mentirosas, de conceitos que pouco ajudam, times de futebol que pouco ou nada ajudarão sua vida, ídolos que não vão fazer a diferença, porque buscamos a felicidade fora de nós e não dentro de nós. Não vai adiantar tirar fotos sorrindo com a legenda “quer ser meu amigo” e não ser amigo de você mesmo, primeiro temos que aceitar o fato de sermos assim e ser nosso próprio amigo.

Conhecer nossa própria natureza é o intuito de qualquer sabedoria, porque temos tês sabedorias a cientifica, a espiritual e a filosofia que marca o ser humano na tripice da procura de seu próprio EU. Como digo, se queremos ser felizes o processo começa conosco, saindo do senso comum, saindo que as pessoas “acham”, sendo amigo de nós mesmos. A liberdade começa quando começamos entender nossa própria natureza, afinal, quando entendermos que “deus” é um conjunto de consequências que geram uma meta ultuma, como a realidade, como o único momento que nos encontramos e nos unimos ao universo. A felicidade é um momento, é a meta única e verdadeira do ser humano de ser único, de ser ele mesmo, reflitam se felicidade é SER ou a felicidade é TER.

Amauri Nolasco Sanches Junior → filosofo da inclusão, formado em publicidade e técnico de informatica e palestrante. 

 

Publicado por: Amauri Nolasco Sanches Junior e Marley Cristina Felix Rodrigues | 19/02/2014

Exoesqueleto- eugenia robótica?

Uma foto mostrando um cadeirante levantando com o exoesqueleto apoiado em duas muletas canadenses. Ainda o aparelho não garante 100% de equilíbrio.

O que faz as pessoas acharem – porque não tem certeza – que poderiam resolver o problema das pessoas com deficiência com um exoesqueleto? O que faz as pessoas pensarem que poderíamos usar essas estruturas robóticas para nos locomovermos em um ponto ao outro? Para iniciar essa discussão tive que reler o livro Cibernética e Sociedade de Nobert Weiner que tem muito a ver com a discussão, embora, esse livro tenha sido escrito a uns 60 anos. Também tem um pouco a ver com ergonomia que estuda o comportamento do homem (ser humano) e a maquina em condições do trabalho e o aumento da produtividade, também tem a ver com a interação do homem ao seu ambiente onde podemos relacionar nosso bem-estar.

Cibernética vem do termo grego kybermétike que quer dizer “pilotar”, na verdade esse termo os gregos usavam como techné kybermetiké para se referir a técnica de pilotar. Weiner cunhou esse termo para desenvolver um estudo para criar uma linguagem entre o ser humano e a máquina, até mesmo ser humano com ser humano e maquina com maquina. No tempo que Weiner escreveu o livro, a informática ainda estava engatinhando e a maioria dos computadores eram usados em empresas e eram usadas taping que eram fitas perfuradas. Era a Geração I (1), sendo que, estamos na Geração IV (4) e rumando a Geração V (5) que a computação quântica. Por que estou dizendo isso do exoesqueleto? A anos vem desenvolvendo essa tecnologia em Israel e não é novidade, só que está em desenvolvimento e não se pode dizer que já está pronto, isso é questão de muitos estudos exaustivos e claro, tanto a cibernética, quanto a ergonomia. Cibernética por causa da linguagem usada entre a maquina (exoesqueleto) e o ser humano (deficiente), e o bem – estar que ele pode exercer do aumento de produtividade entre o deficiente e a maquina em questão. Nada tem de errado querer ajudar e o progresso tenha soluções mais viáveis, mas temos que enxergar vários fatores para festejarmos esses aparelhos e devem ser respondidas várias questões. Como iremos andar com esse aparelho ao tomar um onibus? Como iremos andar nessas calçadas? Como iremos usar esse exoesqueleto ao dirigir? Como irá ser a alimentação mecanica dos motores? Como vai ser o treinamento? São perguntas interessantes que antes de tudo, devem ser feitas.

A discussão tem que ser levada até no âmbito da física – pois muitas coisas ali são de ordem da entropia e do fator do seu resultado efetivo e não o esperado, já que essas maquinas serão manejada pelo ser humano – porque no intuito de um “tutor” ligado ao cérebro por fios que captam as ondas cerebrais, serão manejadas e efetuadas conforma o impulso. Tem também o fato de Entrada (input) e Saída (output), porque ao captar as ondas do cérebro o aparelho recebera essa “ordem” e entrará no sistema, esse mesmo sistema responderá com a resposta do que o cérebro mandou e mexer uma das articulação que resultará em um movimento e sairá essa ordem. Mas se ele capta ondas cerebrais, o que faria com pessoas com paralisia cerebral que tem espasmos severos? Será que esses espamos não resultará em ferimentos ou descompensações no equipamento?

Em todo o universo a energia se conserva, a entropia é a energia que não se torna nada, porque é uma energia que se conserva em si mesmo. Um exemplo é o gelo num copo que se derrete por causa do calor, o calor em volta do gelo é a energia que não vira movimento e só se torna a energia parada e transforma o sólido em liquido. O calor que nos faz suar é uma entropia. Outro exemplo é quando movimentamos a cadeira de rodas, se não movimentamos a cadeira de rodas estamos em repouso, ou seja, a cadeira de rodas não obtêm energia o bastante para se locomover porque não rodo ela no aro e não movimento ela para frente. O exoesqueleto, pelo que li sobre o assunto, usará apenas as ondas cerebrais e não o impulso corporal – pelo menos os israelenses são assim, em pesquisas ainda, vale salientar – sendo assim, ter que condicionar o cérebro para movimentar o aparelho que pode levar muito tempo. Nesse caso, não podemos fazer que o aparelho tenha o movimento que nós queiramos, porque depende do funcionamento efetivo e não o movimento esperado.

Mas no caso, e nos outros casos de aparerelhos atomáticos ou não, a informação e organização tem que ser mantida como meta de funcionamento primordial. Se isso não acontecer, o aparelho entra em entropia que nada mais é nesse caso, uma desorganização dessa informação. Voltamos ao exemplo do gelo no copo, ele derrete porque a energia estaguinada desorganiza as moleculas do gelo que fazem nessas moleculas se morfosearem em liquido para se auto-organizarem e voltarem ao estado agua. Da harmonia ao caos, porque o gelo a moléculas estão em harmonia, em liquido, elas se desorganizaram e o gelo se desfez. No caso, se não houver organização na mensagem que as ondas cerebrais vão mandar no equipamento, não terá um bom funcionamento por causa do logaritmo negativo dessa mensagem. Quando o fio do teclado ou sua entrada não está muito bem colocada, o teclado não envia a mensagem ao computador e ele não escreve porque o programa não recebe o comando, então, há uma desorganização da mensagem e o teclado entra em entropia. No caso do exoesqueleto, se não houver organização na mensagem recebida, pode causar uma series de complicações e até o ferimento do usuário do equipamento, pois ele pode fazer movimentos absolutamente, bruscos.

Mas há em outros aspectos que devem ser explorados como a estética, porque nossa sociedade enxerga na perfeição a felicidade. Se você andar, se você ser bonito (nos padrões aceitos), se você manter palavras, se você ler, se você fizer o que a sociedade diz para fazer, ai sim, você pode ser feliz. A felicidade não é um produto de supermercado que você adquire e pronto, ela estará lá, é muito mais complexo do míseros aparelhos e coisas que podemos ter, é a alma humana e sua própria natureza. Eu gosto de rock e não ligo muito para outro tipo de musica, mesmo que as pessoas queiram dar palpite, eu continuo a gostar porque é um ritmo que me agrada. O mesmo digo com minha deficiência, quem é extremamente a favor desse tipo de aparelho, não aceita a condição e quer achar meios, num tanto analgesicos, para os “outros” aceitarem a deficiência. Um caso ressente foi do cadeirante dar mil reais a um pastor curar sua deficiência por não aceitar ela, procurou meios analgésicos para os “outros” lhe aceitarem. Na maioria das vezes, as pessoas não aceitam sua condição porque os outros querem impor condições e aparencias que muitas vezes, não são nossas e tem também o mito da superação. Porque um “bom” deficiente tem que superar para virar “herói” e não somos heróis e nem santos.

Nos tratam como cobaias – pesquisas são feitas dentro desta mesma entidade e ninguém diz nada – e ainda as pessoas com deficiência aplaudem ao invés de terem cautela. Esperança de ficar “boa” para quê? Somos tão pequenos diante de um universo infinito, mas muito arrogante de não aceitar o que temos, o que precisamos nesse momento onde vivemos grandes distúrbios sociais. Não é um exoesqueleto ou um outro aparelho que vão fazer nós mais humanos, apenas nós mesmos em nossa grande força em sempre seguir a diante. Não tem nada errado acreditar na nova tecnologia, mas levar a sério um aparelho que vai apenas promover uma Copa de mentira e de mentirosos, só vai trazer ilusões para quem já é iludido, apenas será umas das mil mentiras que viram verdades. Bem vindo a Matrix!

Amauri Nolasco Sanches Junior → Publicitário, técnico de informática e filosofo da inclusão

Publicado por: Amauri Nolasco Sanches Junior e Marley Cristina Felix Rodrigues | 17/02/2014

De amore

2014-01-26 16.36.28o amor supera

O filosofo luso-judeu Espinoza dizia que o amor era a felicidade que poderíamos enxergar no outro quando nos encontramos em estado da natureza e essa natureza é apenas a Vontade de agir que nos fazem ir ao encontro da outra pessoa. Já que o amor é além do desejo – tem também o desejo, mas não completamos pelos nosso desejos – temos que olhar o outro como olhássemos a nossa própria felicidade. Enquanto o amor platônico era só a satisfação do desejo – porque a beleza era muito mais importante do que o sentimento em si e a vontade de ter essa beleza era muito mais importante – para Espinoza o amor é a Vontade de ir com a Vontade de ir do outro e ali encontrar potencialidade para eclodir uma união. Então, a felicidade contempla muito mais a vontade do que o desejo em si como potencia do principio. Qual é o principio? O sentimento que nos fazem ir ao encontro do outro, a vontade de se deslocar até o outro, é a potencialidade dessa vontade é o puro amor.

A alguns anos me perguntaram se já havia amado e o que era o amor, não me lembro se dei algumas resposta ou se eu respondi alguma coisa, mas se hoje me perguntassem se eu saberia o que era amar, eu daria a mesma resposta que Espinoza. Porque há hoje um desabrochar do deficiente nesse aspecto que a alguns anos atras, não havia, porque o desejo era mais importante. Alguns podem até dizer que é um herança do pensamento cristão e até pensava que assim fosse, mas o cristão se preocupa com a causa do amor e o que fabricou o amor ou a beleza, a beleza e o amor em sim não tem a menor importância. A preocupação com a satisfação do desejo é um pensamento platônico e herdamos esse pensamento, mas nem tanto nos dias de hoje e podemos ver muito isso os casais com deficiência não mais se escondendo e tirando foto evidenciando esse amor. O amor é a maneira civilizada aceitavel da insanidade, porque uma pessoa desconhecida passa a ser conhecida.

No amor é assim, somos uma parte dos insanos que a sociedade aceita, o sublime de todos os sentimentos e só porque temos alguma deficiência, sentimos esse imenso sentimento. A deficiência em si mesmo nos dá algo misterioso, como se fossemos uma parte da humanidade que se limita em passar esse mistério, porque o mundo do “deus” cristão é perfeito e de repente, essa perfeição não está mais presente naquele ser. Nos dá um ar de incerteza, mas alguns de nós não respondemos, não informamos o que somos e porque viemos, o preconceito é apenas a incerteza do ser humano do diferente, do mistério do universo que ainda não desvendamos. Todos andam em nosso mundo e de repente, vimos que alguns não tem o membros, alguns não andam e alguns não ouvem ou enxergam. O mundo não dará nenhuma certeza e precisamos ter uma resposta, estamos com medo daquele ser humano que não nos parece familiar, não é um de nós filhos da perfeição idealista e devemos excluir essas pessoas do nosso convivio porque oras já se viu essas pessoas atrapalharem nosso passeio no shopping, no nosso passeio de onibus, tenho que passar com meu carro e essa van vem atrapalhar. Essa é a visão humana da nossa condição, nós não temos direito de dar ao ser humano a incerteza da vida e das condições e também demos ao ser humano a incerteza do amor, demos ao ser humanos que o amor não é só corporal e não é mais do que a essência da vida. Talvez o ser humano com toda essa tecnologia não tenha evoluido e sim, regredido no mais sublime dos sentimentos.

O filosofo Bauman diz que tudo ficou liquido e é verdade, as pessoas ficarem descartaveis como se não valesse mais nada. Mas pessoas são regidas de sentimento e não podem ser descartadas porque são pessoas, sentem, fazem, rirem, choram e tem dentro de si vontades. Talvez a melhor resposta que Camões daria ao texto que o menino diz que o poéta português precisava “transar”, mas o poeta responderia que pela incultura dele o poéta andava sempre com as prostitutas e não precisava de nada disso. Mas Camões diz que o amor é o fogo que arde sem se vê, fogo que destrói para se construir, fogo que é o poder da energia pura que brota dentro da essência humana, porque quando amamos ardemos nos nossos anseios e saudades da pessoa amada. É ferida que dói e não se sente, porque a dor da saudade se desfaz com a presença do ser amado. E nada desfaz essa dor a não ser a pessoa amada, o amor é a vontade de ir. O amor é a vontade da potencia em sua potencialização máxima, é o sublime amor fati que tanto procuramos e tanto nos fazem superar e nos sentir seres humanos.

Talvez é esse o intuito dos deficientes de quererem amar, de sentir seres humanos, mas para nos sentir seres humanos temos que nos amar. Amar antes de tudo nossa condição, para depois nos amar como nunca outra pessoa, não importa o gênero, importa o amor que sentimos. Não é a toa que as religiões falam do amor dos deuses e de Deus que construí tudo, não é a toa que com amor superamos as dificuldades e não é a toa que o mundo tem as grandes revoluções culturais graças ao amor a algo, amor até mesmo pela humanidade. Talvez não é a toa que Camões comparou o amor ao fogo de tanta energia ele nos dá, nos faz ir até longe, nos faz até guerrear para a liberdade. Descordo que o amor aprisiona, é egoísta, é passional e se for um sentimento de alguém, não é amor, amor é antônimo de tudo isso e não interessa o que digam. Talvez é o que Paulo de Tarso disse em ser o mais sublime sentimento, mesmo se falássemos as língua dos anjos, sem amor nada seriamos. O amor é um elemento que destrói para construir.

Tudo isso eu sinto aos meus cinco anos e 7 meses, porque quando estou mal lá vem a Marley me pegar no colinho e me fazer um carinho e o contrario acontece. Um entende o outro, um sabe o que o outro quer, um sabe que o outro sente, o que o outro quer e nesse tempo, nossas cadeiras de rodas namoram, é um amor entre rodas. Rodas que nunca vao atrapalhar nossos sentimentos e desejos, só vão salientar o que desejamos um ao outro.

Amauri Nolasco Sanches Junior – filosofo, poeta, formado em Publicidade e Técnico de Informática 

Publicado por: Amauri Nolasco Sanches Junior e Marley Cristina Felix Rodrigues | 13/02/2014

Mea Culpa

Deusa Palas Athenas com vestes brancas um elmo grego e uma lança

Quando escrevo textos a minha intenção não é em nenhum momento criar desavenças dentro do segmento e o meu intuito, é sim, fazer os deficientes refletirem sobre quem defender e quem deve ser mostrado as prioridades dos deficientes. Mas as pessoas ainda acham que eu tenho que “achar” coelhos felpudos branquinhos no meio que não tem nenhum coelho. Quando montei o blog Ser um Deficiente minha intenção era e é defender direitos e não priorizar fulano e priorizar ciclano, porque há em muitas instituições deficientes largados pelas famílias, há deficientes que a mãe ainda tem que carregar, ou é carregado em carrinhos de pedreiros, porque não tem uma cadeira de rodas descente, sem demagogia e sem nenhuma bajulação sequer. Fiz vários textos a favor na deputada Mara Gabrilli que me renderam criticas diversas dos esquerdistas até virou um mantra de um amigo, que disse que era um paradoxo ter um deficiente na direita.

Por eu ser anarco-deficiente (eu que inventei), nunca liguei muito qual era o lado que eu teria que tomar, porque sempre achei uma tremenda babaquice. Sempre defendi o que é certo, se é lei tem que cumprir, se é direito temos que esbravejar para que ele seja cumprido e se é dever tem que ser feito. Mas não posso fechar meus olhos o que as pessoas dentro do segmento defendem, só porque é deficiente deveria ser defendido, só porque é pobre deve ser defendido, não é e no meu blog não será defendido não. Falando nisso, falamos de ética e quando falamos de ética falamos de direitos que os outros também tem, se uns tem o direito de andar de avião, os outros tem todo direito de andar de ônibus que não é regalia nenhuma. Mas concordo que eu exagero as vezes e não me faço entender graças aos meus exageros, então vou explicar como podemos, como seres humanos que somos com deficiência, sermos cidadãos e lutar por um Brasil muito melhor.

O filósofo Aristóteles que viveu mais ou menos, no segundo século antes de Cristo na Grécia, dizia que somos animais políticos por causa de nossa linguagem e também, pelas nossas ações somos levados a coisas boas (respeito ao outro) e as coisas ruins (desrespeito aos outros). A ética aparece nesse nível, são regras básicas que temos que ter por causa da convivência e nada tem a ver de opinião burguesa ou opinião “companheiro”(uma tradução muito chifrin do “kamarada” soviético), tem a ver com respeito mutuo que um tem que ter com o outro. Quando os romanos criaram o termo educare, eles colocaram nesse termo uma definição em mostrar a realidade ao aluno, ou, mostrar os verdadeiros princípios e valores que um jovem deveria ter dentro da sociedade do império. Mas prefiro a definição grega que era paideia onde havia uma coisa além politica e além da realidade para passar ao jovem. Na verdade, o grego passava ao seu jovem a alma de ser um homem grego e ir muito além a uma realidade que é muito mais espiritual do que material, pois o jovem tem que se sentir grego, tem que sentir atrelado ao mundo e saber que o outro é um semelhante como nós, como qualquer cidadão grego. Arrisco dizer que era uma visão muito essencial da deusa da sabedoria e da guerra Palas Athenas, onde havia em seu simbolo a coruja mecânica que Hefesto (o deus coxo) fabricou de presente a ela. Da sabedoria (sophia), porque ela nasceu da cabeça de Zeus e era a deusa ponderada que só declarava guerra graças quando era realmente preciso. Palas Athenas era o simbolo da guerra intima humana em guerrear consigo mesmo para conseguir a sabedoria tão buscada pelo ser humano. Além da realidade existe a realidade, porque o que pensamos ser real é mera ilusão. Há uma realidade além da realidade que estamos acostumados e só acharemos quando chegarmos muito além dela, porque há pessoas que estão muito acima disso tudo, há pessoas que são acostumadas a ver o que os “outros” dizem e o que os “outros” ditam. Era o que o grego abominava, tanto é, que a filosofia (amizade a sabedoria) floresceu lá, pelo senso critico, pelo senso pensante, pelo pensar pelas próprias ideias.

Nosso pensar não é mais do que perceber o mundo a nossa volta, o mundo a nossa volta é parte de uma realidade muito maior e muito mais além. A intolerância vai muito além do que um mero ato de não educação ou o mero ato de não respeitar o outro, mas uma visão unilateral que temos do direito e não olhamos para os deveres porque perdemos a essência da paideia que não ensinava a ética de hoje (que é herdeira da virtu latina/romana), mas o ethos que era o EU no OUTRO, eu respeitar o direito do outro de fazer o que deve ser feito, ter o que conquistar e ser o que se é, sem criar ilusões inúteis. Aquelas vaias na verdade, não foram para humilhar as deputadas, mas um direito do outro de manifestação do atraso do voou, o direito do cidadão de chegar no horário no seu compromisso. O “menino” só foi amarrado por causa de sua escolha de ir no caminho do crime e não estudar, não conquistar e sim, prejudicar o outro. Isso se chama democracia e isso se chama harmonia, porque não podemos viver numa sociedade no qual o preconceito e a “intolerância” foi quase nos dois lados. O que falta aqui é essa compreensão, o que falta aqui é a tolerância de opiniões adversas e que não cai no “coitadismo” dominante, porque é deficiente não pode ser vaiado, porque é pobre não pode ser preso e porque é gay não se pode olhar feio, é uma visão muito da unilateral e é isso que temos que analisar, criamos uma cultura da ditadura do politicamente correto. Como eu disse no outro texto que ninguém entendeu, eu já fui vaiado, já tiraram uma da minha cara e já fizeram tudo que estão desses textos por ai…morri por acaso? Costumo dizer que tive meu agoge (educação espartana) para ficar com “dózinha” do outro só porque o outro quer ser mais, ninguém é mais do que ninguém e tem as mesmas coisas que todo mundo tem. Quem defende os deficientes nas clinicas largados pelos pais? Alguém vai visitar esse tipo de pessoa do que ficar discutindo o pobre menino que foi amarrado no poste? Alguém bateu de frente a INFRAERO por causa do MAMUTE que não tem nos aeroportos? Alguém bateu de frente com a SPTrans por causa do transporte acessível e na EMTU por causa do metrô? Alguém escreveu sobre o estado das ETECs e das escolas e bateu de frente com a Secretária da Educação? Porque viver na teoria é muito fácil e como dizia Aristóteles, a filosofia só é valida enquanto ela se torna algo muito mais prático e assim Kant concorda, porque quem quer faz e se quer um mundo melhor comece contigo, visite uma clinica, adote um menor abandonado, comece ser gentil com as pessoas e não critique com argumentos de intelectuais imbecis.

Há ainda hoje uma dominação popular de não aceitar que o outro quer aposentadoria, o outro precisa de emprego, o outro precisa de cadeira ou de aparelho, o outro precisa de respeito. Mas respeito começa contigo, no seu intimo, no seu movimento, no seu conceito, no seu pensar, porque tudo que recebemos nada mais é tudo que damos e não é ficar “solidarizado” que isso vai mudar, mas tendo ética. Viva a paideia verdadeira.

Amauri Nolasco Sanches Junior

Publicado por: Amauri Nolasco Sanches Junior e Marley Cristina Felix Rodrigues | 13/02/2014

As rodas santas andam de avião

 

Esse manute deveria está nos aeroportos

 

Vou postar um paragrafo do texto de meu colega Jairo Marques e depois volto para comentar ele:

Na semana passada, duas deputadas federais que são cadeirantes, Mara Gabrilli (PSDB-SP) e Rosinha da Adefal (PTdoB-AL), receberam uma vaia retumbante ao conseguirem, após uma hora de atraso, embarcar em um avião em Brasília.

Os passageiros estavam possessos com aquela demora que ocasionaria transtornos diversos em suas vidas. Tudo por causa de duas políticas que, provavelmente, estavam tendo algum tipo de regalia como poderiam pensar alguns, os que puxaram a reprovação coletiva.

Não era nada disso. As duas, como qualquer pessoa com deficiência deste país, passaram maus bocados para que a empresa aérea e a Infraero conseguissem o equipamento que garante o embarque —com alguma dignidade, e não como um saco de batatas— para quem usa cadeira de rodas ou tem movimentos restritos.”

Não nego que nesse país as pessoas com deficiência sejam tratadas assim, pois houve uma vez que fui descer no onibus e também os passageiros reclamaram e os carros que vinham atrás buzinaram, mas estamos falando de duas deputadas federais que tinham por obrigação fiscalizar esse tipo de serviço. Todos na pagina do Jairo ficaram indignados por eu não ficar indignado e não se solidarizar com as nobres deputadas, não me solidarizo e explico o porque. Uma ficou seu mandato inteirinho preocupada com uma aposentadoria especial – que diminui o tempo de trabalho de uma pessoa com deficiência – sendo que não temos uma regularização na Lei de Cotas que faz as pessoas com deficiência comecem a trabalhar muito tarde (talvez nem vejam essa aposentadoria). A outra não toma as providencias necessárias nem nas politicas de São Paulo e não está aberta para dialogo, postei varias vezes no Facebook dela que o serviço especial ATENDE não atendia nem eu e nem minha noiva e a resposta dada era que havia regras. No mais, a cidadã só posta fotos pedindo acessibilidade na Av. Paulista como se só lá trafega-se pessoas com deficiência, foto na praia, foto de todo tipo e fazendo campanha descaradamente, da AACD que é uma instituição privada que não atende como deve as pessoas com deficiência. Muitas pessoas vem reclamando que a instituição não atende e tenho um exemplo, onde minha noiva está sentindo forte dores nas pernas e nas costas, porque a medica não atendeu ela direito.

Pois bem, há uma cultura muito enraizada do “coitadismo” que ainda assombra até nosso segmento, porque reclamamos tanto de nossos políticos, que ainda temos “pena” deles quando são vaiados. Como disse, isso era uma obrigação do executivo fazer para exatamente, não passarem vergonha de ter vaias inúmeras. Em 2008 eu fui para Brasília e não se teve dificuldade nenhuma de me colocar no avião, ainda mais, que embarquei no corredor e a cadeira de rodas foi colocada dentro do avião e eu sentei no banco, simples assim. Fica evidente que quando há muitas regras e muitos aparelhos essas coisas se tornam muito bagunçadas, muito burocrático e não resolve o problema e não deveria por hora, ser a prioridade do segmento das pessoas com deficiência.

Vamos refletir um pouco sobre as prioridades que nos regem. Primeiro a acessibilidade de transporte e locomoção, porque sem a locomoção não podemos estudar (educação) e nem trabalhar, onde começa olhando as calçadas que rodeiam nosso Brasil a fora. Na verdade, existe muitas comunidades pobres que as ruas não são asfaltadas e não se tem o básico, nem uma cadeira de rodas ou outro aparelho, alguns de nós temos e isso é prioritário; porque temos que ter acompanhamento médico e de saúde para aguentar ter uma vida mais ou menos, digna. Depois temos que ver o transporte adaptado que dês de 2008 está prometido que ônibus seriam 100% acessíveis e não teríamos problemas com o serviço especial ATENDE aqui de São Paulo – que a ideia é muito boa copiada em outros países e em outras cidades, mas sucateada pelo atual prefeito – porque sem esses tipos de transporte não podemos se locomover e não podemos ter uma vida social. Para não dizerem que sou parcial, há no meio escolar o serviço do Estado chamado Ligado que não é muito competente, pois via e regra, atende só que não é atendido pelo serviço especial ATENDE que é um absurdo, parecendo acordo de “compadre” e não podemos optar. Na área da saúde não temos medicos adequados a demanda de pessoas com deficiência, então, ficamos a mercê de entidades que lucram com operações, experiencias e estão errando as operações que fazem, não tem estrutura, não tem funcionários treinados adequadamente e não tem educação. Aliás, essa mesma entidade tem uma baita campanha e não faz jus a essa campanha, usando nela o transporte publico (ATENDE) e fechando os movimentos a participarem. Bom, se poderia apliar esses serviços no meio publico para não precisar dessas entidades, pois as UBS´s não sabem nem pedir no SUS cadeiras de rodas e aparelhos, o Centro de Reabilitação Lucy Montoro só atende quem não é atendido pela outra entidade, gerando um defist muito grande na hora do atendimento, gerando milhares de pessoas na fila e uma fila interminável. As escolas precisam de material, mesas adequadas para cadeirantes, interpretes de libras, descrição e texto em braille e treinamento para os professores, fora que tem que colocar elevadores adequados para escolas com mais andares e transporte acessível e adequado aos alunos com deficiência (geral, até mesmo os autistas). Depois precisa do cumprimento e adequação da Lei de Cotas, esses 5% deveria ser especificado porcentagens para cada deficiência e não apresentar laudo médico, nenhum negro apresenta o exame de DNA para provar que é descendente de negro para cotas em universidades. Treinamento do RH para entrevistas e adequação, acessibilidade em uma empresa mesmo que ela não tenha funcionários com deficiência, pois pela lei, TODO prédio publico ou privado, deve ser acessível e estabilidade no emprego, porque daí, o “molecão” contrata o deficiente por um mês e depois manda ele embora porque “aporrinhou” as paciência do cara e o cara não conseguiu fazer o serviço. Com trabalho estabilizado e uma boa educação para conseguir esse trabalho, daí podemos planejar a acessibilidade em aeroportos e praias, porque o deficiente tem uma educação e tem dinheiro para viajar e ter dinheiro para ir a praia. Os advogados, empresários e executivos com deficiência, são minoria e não devem ter problemas para viajar.

As pessoas não cansaram ainda de serem alienadas e começarem a pensar, porque o discurso é bonito, mas não faz jus as prioridades que tanto queremos. Para que temos praias acessíveis se ninguém pode ir? Para que temos aeroportos acessíveis se não podemos trabalhar para ter dinheiro e viajar? Por que temos que ter aposentadoria se nem trabalhar podemos? São essas perguntas que devem ser feitas antes de mandarem solidariedade a duas executivas que deveriam fiscalizar e não dar prioridades a coisas que não precisamos.

Amauri Nolasco Sanches Junior – um publicitário, um técnico de informática e um filosofo, não sou cabo eleitoral de ninguém.

Publicado por: Amauri Nolasco Sanches Junior e Marley Cristina Felix Rodrigues | 05/02/2014

União e segregação das pessoas com deficiencia

Um desenho com um politico segurando uma mascara de anjo mostrando sua verdadeira face de demônio

Muito bom o texto do blog “Assim como você” do jornalista cadeirante Jairo Marques com participação do meu brother Dudé Vocalista cuja o nome é “Rolezinho do Malacabado” que fala da segregação que alguns querem. Ter BBB de deficientes? Ter jornais de deficientes? Ter “porra” de fabricas só para deficientes? Shows só para deficientes? Isso me lembra a luta insessante de deficientes que querem o fechamento das classes especiais e o governo, por motivos que já disse aqui no blog milhares de vezes, insiste em manter essas classes por motivo de “democracia” da família querer ou não separar o seu filho da sociedade e isso é fato. Diz as mães dos “especiais” – adjetivo que acho nojento e que não ajuda nada as pessoas deficientes a superarem – que o mundo é violento e que os professores não estão preparados para “cuidar” de seus filhos, mas não vão cuidar dos seus filhos mesmos, vão ensinar como o mundo e a cultura processa e se comporta, valores você aprende em casa. O deficiente fica com essas “baboseiras” na cabeça e fica destilando esses valores inculturais e tem mais, numa classe especial não está isento de funcionários baterem na criança, de um estuprador estuprar sua filha ou filho, que as pessoas podem trancar, privar seu filho de algo. Então é uma mera “fantasia” pensarem que as pessoas deficientes estão seguras, porque presenciei muito motoristas drogados, motoristas mal educados e motoristas e funcionários estupido quando fazia tratamento na AACD. Médicos que viram para seus pacientes e dizem que nunca irão andar, mesmo que isso seja verdade, quem é esse médico – mero funcionário de ums instituição medíocre que só que tem o Teleton, graças a Hebe Camargo e não da competência dos diretores, pensa ser alguma instituição a mando de Deus – para tirar da criança um mero pensamento que pode fazer ela superar? Nada! Mas deixamos os deuses do olimpo por hora e descemos a Terra para falar em união.

O Manifesto Comunista de Karl Marx, que li em um folego só, acaba com um grito de ordem interessante que diz: “Proletariado, uni-vos!” e era um chamativo para a união. Não tivemos nenhum governo marxista, mesmo que você tente talvez colocar stalinismo ou o castrismo (o maoismo não é mesmo marxismo, é um confucionismo radical), não se teve o ideal marxista de união do proletariado e sim, um capitalismo burocrata interno como diz Ken Knapp no seu livro “A Alegria da Revolução”. Concordo com Knapp que não haverá um governo justo, isso tem até como base, sem a união efetiva não só do segmento, mas de toda a sociedade. Se fizemos um exame de DNA teremos o mesmo de toda a humanidade, não teremos um DNA da deficiência. Sem a deficiência alguns só restam desmembrar a ideia do que fazemos de nossas vidas, porque não nos restam muita coisas. Mas voltamos ao exemplos dos conselhos que Knapp dá em seu livro que pode muito bem, caber o que vamos entrar no assunto.

Knapp disse no livro que os “conselhos” do tempo stalinista eram caricaturas do modelo marxista, os “soviétes” nada mais era do que um modelo representativo não muito diferente do modelo czarista. Então não é muito libertário ter representantes e não é democrático, eleger representantes para fins de nos representar e lutar por nós em direitos e buscar efetivar esses direitos, mas atrás disso tudo, tem a burocracia estatal, os transmites legais (dizem ser), existe por trás também vontade e vantagens inúmeras que podemos ter ou não. Ora, não muito longe, podemos olhar para os conselhos que dizem representar as pessoas deficientes e dizer que nos representa. Do município de São Paulo, é um conselho de pessoas e não de instituições, então vai pessoas que discutem – discutem o sexo dos anjos e só dão palestras essa é a verdade – que chegam do senso comum (será?) e se vota naquela medida e os representantes levarão ao governo municipal. Primeiro temos que analisar o nome que é Conselho municipal das pessoas com deficiência e mobilidade reduzida, ou seja, passaram um vernis em uma coisa que não tem muito a dizer porque dentro (…) das pessoas com deficiência (…) já está a (…) mobilidade reduzida (…). Ou essa (…) mobilidade reduzida (…) quer dizer para idosos, gestantes, obesos e etc? Não sei e muitas pessoas não pararam para analisar, porque a analise de um nome é chato, é muito stressante, muito banal, o importante ir lá passear e conversar, rever os amigos, esses conselheiros são muito chatos e não deixam as “crianças” ficar na “azaração”. Mas voltamos a nossa analise, o processo que cabe cada conselheiro representante de cada deficiência é defender o que é lei e o que foi discutido em assembléia, que muitas vezes, esbarra nos interesses ou burocracias do governo municipal e suas secretarias. Isso seria o modelo ideal de democracia? Isso seria o modelo ideal que de repente, Karl Marx colocou em suas obras e o mundo cultua regimes que nada tinham a ver com seus escritos? Temos a democracia que votamos diretamente no candidato, mas mesmo assim, escolhemos alguém porque não nos sentimos capazes de nos representar e nos impor como cidadãos. O mesmo acontece nesse conselho em questão, fica uma “coisa” injusta pensando ser uma coisa justa, uma igualdade que não existe porque quem não concorda é isolado, é retirado da assembleia porque na visão do poder, tem que ter uma concordância com a Secretaria das pessoas com deficiência e mobilidade reduzida.

Enquanto a estancias Estaduais e federais, são conselhos que as entidades são nossos representantes. Por exemplo, O Conselho Estadual dos Direitos das Pessoas com Deficiência daqui de São Paulo, que não sei onde está esses “direitos”, mas tudo bem, é um conselho onde quem nos representa são entidades e essas entidades escolhem os conselheiros. De uma forma que não é democrática, porque quem escolhe do município de SP é a entidade Conselho Municipal das Pessoas com Deficiência e Mobilidade Reduzida, representantes da APAE (Amigos, Pais e Mestres dos Excepcionais) e não poderia faltar a AACD (Associação a Assistência a Criança “Deficiente”). Mas quem elegeu eles como nossos representantes? Quem elegeu eles como representantes legais dentro do segmento? Eu não vi – pelo menos não onde frequento – nenhum deficiente se sentir representado por esse tipo de entidade e não vi ainda ninguém dessas entidades ao invés de buscar nos representar, dar melhores tratamentos aos pacientes que não importa a classe social, também paga de alguma forma. Agora, para fechar a comédia da “causa”, existe o CONADE (Conselho Nacional dos Deficientes) que não sabemos quem está lá, não sabemos quem elege e nem sabemos o que eles fazem, apenas falam em representação que ao meu parecer não acontece. É uma incógnita esse tipo de conselho – que pensando bem e com muita analise – não faz jus ao Estado democrático, muito embora, que o Estado democrático ele é injusto porque votado pela maioria, essa maioria pode ser manipulada, ou não há uma maioria, mas números apenas. Os conselhos e secretarias não são democráticas, não são representativas e não são eleitas pelo segmento liberando una representação antilibertária.

Se essas secretarias e conselhos são antilibertários ao ponto de incluir e dar as pessoas deficientes uma melhor forma de viver nessa sociedade, porque temos que seguir esse tipo de instituição que é regido pela ideologia do partido que está no poder naquele momento? Porque sempre vamos pensar que no futuro isso vai mudar e a luta sempre ficará para depois, a união sempre vai ficar para depois, as minhas mudanças e a minha independência sempre ficarão para depois, porque temos aversão o agora que nos mostra a verdade, temos medo de nos olhar no silêncio. Então, em nome desse medo, inventamos um suposto conselho que supostamente defenderá nossos direitos e que supostamente nos libertará da opressão, tanto psicológica, quanto física da exclusão. Exclusão essa que muitas vezes é nossa mesmo e isso vimos no texto do Dudé, que tenho que ter shows para deficientes, casas noturnas para deficientes, escolas para deficientes, temos que ficar com a turminha “malacabada” porque assim alguns de nós querem. Não precisamos ir longe, só olharmos a comunidade surda que se dividiram em dois porque os que se comunicam com LIBRAS, condenam de traidor quem faz Implante Coclear (IC) e com isso, o segmento segue com a eterna divisão, uma divisão muito mais ideológica, do que consensual. Qual a solução? Qual é a representação necessaria? Ora, os movimentos que movimentam as pessoas ao rumo libertário – alguns movimentos tem o conceitos e ideais que são partidário e que são de cunho religioso e só vamos sair dessa “amarra” quando sairmos desses ideais que nada liberta – mostram que podem e devem tomar as decisões sempre com o intuito da inclusão.

Mesmo que os movimentos tenham hierarquia – como ainda não somos maduros o bastante para temos noção que caminho seguir – é o caminho lógico de um momento libertário e esse momento não é de cima para baixo, é de baixo para cima. As revoluções são o momento de quebrarmos tabus que não se sustentam, quebrar conselhos que não nos representa, é quebrar o circulo vicioso.

Amauri Nolasco Sanches Junior → publicitário, técnico de informática, filosofo, deficiente físico e coordenador da Irmandade das Pessoas Deficientes

Comprem:

LD2edi

Older Posts »

Categorias

Seguir

Get every new post delivered to your Inbox.

Junte-se a 682 outros seguidores