Publicado por: Amauri Nolasco Sanches Junior e Marley Cristina Felix Rodrigues | 26/05/2015

Meu imperativo categórico.

Existe… só um imperativo categórico, que é este: Aja apenas segundo a máxima que você gostaria de ver transformada em lei universal.”
Immanuel Kant, A Metafísica da Moral (1797).

Immanuel Kant (1724-1804), escreveu que todo ser humano deve ter um imperativo categórico como norma social dentro de qualquer determinação dentro da sociedade. Então disse em um dos seus escritos: “Faça para o outros o que gostaria que fizessem a você”, ou seja, não vamos fazer ao outro o que não queremos que façam conosco e isso é uma regra básica, muito básica, dentro da moral humana. Temos que entender que imperativo é porque um dever moral e categórico, porque atinge a todos sem exceção. Por exemplo, não devo roubar nada que é do outro, porque não gostaria que roubassem o que é meu, seria um dever de todo ser humano respeitar o bem do outro adquirido pelo esforço do seu trabalho, não importando o que o outro fez, mas seu dever moral pede que sigamos dentro dessa linha. Um corrupto não segue esse imperativo categórico, porque ele tira de um bem de todos aquilo que a maioria precisa, como por exemplo, num hospital publico ou outro serviço social.

No afeto humano, além de termos a capacidade de ter ligações afetivas dentro do nosso convívio, porque somos seres sociais, temos construções éticas e morais, para administrar essa convivência. Um filho que mata os pais, por exemplo, pode ter perdido alguma base dentro da moral dos valores recebidos ou, uma deficiência cognitiva que não deixa enxergar esses valores. Mas mesmo assim, o ato em si mesmo, é uma quebra dentro do convívio afetivo e o convívio social, que o cidadão ético (vulgo “direito”), agi conforme o dever lhe chama. E Kant ao dizer que aquilo “se torna universal”, ele se refere aos exemplos que temos que dar com nossa conduta, pois não adianta dizer alguma coisa e depois, fazer outra. Como por exemplo, ser revoltado por causa das enchentes e jogar papel no meio da rua que causa as mesmas enchentes. A coerência entre o discurso e a pratica, deve acontecer na medida da educação (educare) e disciplina (scholé) que recebemos ao longo da nossa existência. Então, podemos ver que durante todo o processo de aprendizado e convivência, há um momento entre a razão e o que queremos e nem sempre o que queremos, pode ser o verdadeiro, porque podemos estar envolvidos em ilusões imensas.

Para Kant, a liberdade tinha a ver com nossas escolhas e o que escolhemos como nosso ponto moral. Dai chegamos ao que se refere a traição e a não traição, pois podemos amar sem se sentir presos e ao mesmo tempo, não trair um acordo que fizemos no começo do relacionamento. Quando há um acordo entre as partes de serem abertos – existem esse tipo de relacionamento – há um concedimento que as partes tenham relacionamentos extraconjugais, mas quando não há esse acordo, há uma quebra de confiança que uma das partes, causou. Dai temos que enveredar, para entender meu raciocínio, a ideia de amor de Espinosa que eu simpatizo e concordo junto com o meu imperativo categórico.

Para mim e para Espinosa, o amor não é procurar no outro o que te falta igual Platão disse na antiguidade – lembramos que a antiguidade a moral era outra e os pontos éticos se baseavam em outro sentido que cabem em outro texto – mas ver o outro como uma felicidade que não te completa, porque o amor que sente e toda a sua felicidade, já são completos por natureza. Então não tem o que te falta, não tem o que completar, porque esse amor em si já é completo. Então, por que temos que ter a pessoa ao nosso lado? Para dividir nossa felicidade e dividir tudo que se refere a vontade de agir, a vontade que nos fazem ir aonde queremos ir e aonde queremos chegar. É um meio de se alcançar algo supremo que as vezes, estamos atrás e não encontramos. Em muitas filosofias orientais – que ocidentais chamam de religião, mas há diferenças sutis que cabem em outro texto – só alcançamos o nosso lado espiritual, com nosso encontro entre o eu e o divino, atrás da energia sexual do encontro entre dois seres que se amam e se compactuam dentro do que chamam de egrégora (campo de energia criado dentro do aspecto de dois ou mais pensamentos que se combinam). Mas há outro aspecto do amor que ninguém percebe, o amor não sofre quando as coisas estão bem, porque o amor tem aspectos calmos e não tempestivos, isso é paixão. Paixão vem da mesma família gramatical que paciente, ou seja, paixão é sofrimento, amor não, se sofre, é porque não é amor.

Pronto. Depois de todas essas explicações finalmente vou explicar o meu imperativo categórico. Como Kant, penso que devemos sempre olhar o nosso dever sempre dentro da moral dos valores realmente, humanos e não nossos instintos reptilianos. Não podemos confundir vontade com o desejo, pois a vontade é aquilo que nossa consciência realmente sente para fazer a nós ir até onde o que queremos estar ou quem gostamos esteja. O desejo é só nosso instinto querendo aquilo para saciar nosso desejo e nada mais. Os animais tem instintos, como somos racionais, somos levados ao desejo. A vontade nos faz estar com aqueles que amamos e o amor não é só um desejo, precisa estar com vontade de alguém ao seu lado e isso em todas as esferas. Muitas pessoas insistem em querer me convencer, que todo amor há um desejo, mas o desejo só vem quando as consequências do amor acontece. O amor acontece puro, sem intenções, leve e sem amarras cognitivas. O desejo sexual só vem em consequência do amor, se não for assim, vira instinto apenas e um desejo que logo saciado, vira apenas lembrança. Mas quando vem dentro do amor, podemos dizer que tem outro viés e ainda não entendermos, assim, temos os códigos morais dentro do desejo. Quando entendermos isso, podemos olhar as outras pessoas, mas a nossa vontade de estar é aquela pessoa que escolhemos.

Como escolhemos as pessoas? Escolhemos quando algo nos encanta ou, algo serve como referencia daquilo que nos faz atrair. A vontade é a arte de atrair o outro, é misterioso, mas não é uma coisa banal. Então, se nós temos isso, se nós se sentimos atraídos pelo outro, assim, para nós somos lavados a se completar com o outro ao passar da convivência. A fidelidade não é uma prisão e sim, uma base ética de não querer fazer aquilo que não queremos que os outros façam conosco. Pois se trairmos, damos o aval que podemos ser traído, se podemos sair para beber com os amigos, a nossa companheira pode também. Tudo tem a ver com o caráter de cada pessoa, tudo tem a ver com valores e os meus valores é de que temos que fazer o que queremos e não o que querem nos impor, porque ser “machinho” é algo imposto, algo para aparecer como o poderoso e para mim não é. A fidelidade dentro de um relacionamento é um meio de respeitar a si mesmo e o outro, porque não podemos nos deixar ser manipulados por ilusões e outra, amigos passam, bebidas saem pela urina, mas nem sempre uma dor de uma traição passa tão fácil. Pense nisso.

Amauri Nolasco Sanches Júnior – publicitário, técnico de informática e estudante de filosofia. Em breve palestras sobre ética da inclusão.

Publicado por: Amauri Nolasco Sanches Junior e Marley Cristina Felix Rodrigues | 14/05/2015

Como escapar do humanismo neurótico.

       neurose humanista

Há um ar de “ultra-humanismo” que chega as raias da neurose. São pessoas nostálgicas que não vê que o “show terminou” e os carrinhos de rolemã, os piões de madeira, os carrinhos de caixa de fósforos e tudo mais, não servem. Foi bom? Foi, mas agora terminou. O ser humano, pelo menos daqui, tem a frase quase como um mantra “no meu tempo”, como se o tempo fosse alguma propriedade do ser humano. E não, não tínhamos diálogos melhores antes do celular ou smarthphone, isso é desculpa de pessoas que querem uma humanidade mais atrasada. Quem em sua sã consciência vai preferir muito mais um “Aquaplay” ou um Atari, do que um jogo de um X-Box ou outro console? Quem não vai admitir que o celular e a facilidade de obter um telefone e uma linha, facilitou a comunicação entre as pessoas? Lembrando que isso é uma ferramenta, não pode ser culpada pela ação humana.

As pessoas não olham que graças essas tecnologias pessoas cegas podem ler um livro digitalizado, ou pessoas surdas podem ver TV com legendas, isso se chama progresso. Cadeira de rodas estão melhores – se a qualidade aqui no Brasil é baixa, temos o dever de reclamar – porque estão sendo feitas de alumínio ou fibra de carbono que as tonam muito mais leves e que podem arrumar as posturas. Claro que não é todos que podem adquirir – porque nos países subdesenvolvidos não há um investimento serio em adaptações nas escolas e não há acessibilidade nas estruturas urbanas, que não deixam a maioria dos deficientes estudarem ou terem um trabalho que as empresas não nos contratam – mas esse desenvolvimento foi muito importante para o desenvolvimento de outros fatores que ajudaram muitas pessoas, nem sempre o desenvolvimento cientifico ou o capitalismo econômico, contem exploração e manipulação. Acontece que temos que olhar com mais ceticismo a ideologias que querem o atraso, afinal, um povo ignorante é um povo melhor manipulável.

Talvez as pessoas aqui no Brasil sejam nostálgicas porque não querem dar o braço a torcer que os tempos mudaram, porque em nossa essência cultural, somos apegados aquilo que nos é confortável. O ser humano só muda quando algo o incomoda e isso tem que ser muito forte em nossas vidas, como um meio que nos impeça de chegar a um fim e esse fim pode ser importante ou não. Na maioria das vezes, esse fim é uma ilusão. Nos iludimos que antigamente era melhor, pois tínhamos que ligar em orelhões, hoje se liga com seu próprio celular, liga da própria linha da sua casa, se tem muito mais informações e as pessoas não são menos humanas por causa disso, isso tem outro fator, mas não o fato tecnológico. Você pode até dizer: “Ah Amauri! Mas você diz isso porque é formado em informática!”. Dai eu respondo com muita tranquilidade: mesmo eu sendo formado técnico de informática, não é uma coisa que tenho um amor imenso, mas reconheço os avanços que esse tipo de tecnologia trouxe para a humanidade.

Talvez o problema é que o povo aqui em sua maioria não está acostumado com a democracia ou não sabem ser libertos de modas ou clichês que leram em algum manual de boas maneiras de algumas revista “positiva”. Mas a vida é feita de escolhas e essas escolhas nem sempre são agradáveis, nem por isso, somos condenados ao inferno eterno. Quer um exemplo? Observamos um texto critico e um texto informativo de muitas palavras “bonitinhas”. É o mesmo assunto, são os mesmos argumentos, mas a imagem que fazem do escritor é uma imagem estereotipada pela razão que o ser humano padroniza para ter certeza, para ter uma referencia da realidade onde vive, mas na maioria das vezes, não é uma realidade e sim, uma fantasia. Nem mesmo a liberdade que tanto prezamos, não existe de fato, pelo mesmo motivo que a maioria não tolera aquilo que é diferente a nossas opiniões. Critica nem sempre é sinônimo de pessoas chatas, pessoas que não sabem dar o devido valor a vida, critica é raciocinalizar aquilo que nos jogam como sendo informação. Por isso resolvi escrever esse texto quando li “como se livra do smarthphone” porque o problema não é os smarthphones e sim, as pessoas e essa “ladainha” já existia com a televisão. E dai se quero ficar o dia inteiro no meu smarthphone lendo algum livro ou falando no whattsapp? E daí se quero ficar esperando algum transporte vendo o meu Facebook no meu smarthphone? Garanto que não vou encontrar ninguém que saiba o que se passa no processo de corrupção Lava Jato numa analise cultural, ou quem leu Aristóteles em sua analise sobre a ética e o que é “penso, logo existo” cartesiano. Nosso povo mal lê Machado de Assis no ensino médio, quem dirá Discurso do Método de Renê Descartes.

Por falar em coisa antiga, por que os nostálgicos não abrem o bau empoeirado de seus cérebros cheio de teias de aranha, e diz que ninguém aprende francês nas escolas ou as missas não são mais em latim? Por que as aulas de filosofia, ao invés de ser aquela cartilha ridícula que não ensina nada, não são sobre os livros dos grandes filósofos, lidos e comentados? Porque sempre lembramos aquilo que nos interessa, aquilo que Freud disse estar em nosso inconsciente, a saudade de uma infância que ficou retida nas lembranças e só. O mundo evolui, ou nós aprendemos isso, ou o Brasil vai ficar para trás sempre.

Amauri Nolasco Sanches Júnior – publicitário e estudante de filosofia

Publicado por: Amauri Nolasco Sanches Junior e Marley Cristina Felix Rodrigues | 10/05/2015

Maternidade “diferente”

minha mãe com as netas Agatha e Kaatharina. A foto preferida dela.

minha mãe com as netas Agatha e Kaatharina. A foto preferida dela.

Eu sou filho de uma filha de um casal italiano. Mas não são qualquer italianos, são da Calábria. Sim. Eu tenho sangue calabres nas minhas veias e sabe quando deve ou não se esquentar. Talvez esse meu jeito de falar tudo na “lata”, sem a menor “frescura”, sem a menor pretensão de agradar a ninguém, seja do lado dela. E não é a toa que ela se chama Itália e tem o sobrenome do meu avô Mollo. Numa rápida pesquisa genealógica, os Mollo’s tem seu nome escrito em lapides dês dos tempos do império romano e portanto, nossa família, descende dos romanos. Mas minha mãe nunca se orgulhou ou fez questão disso, disse que se isso for mesmo, tinha vergonha de descender de um povo que matava para dominar. Mas além disso, meu avô foi soldado de Mussolini e lutou a segunda grande guerra, mas foi aprisionado dos norte-americanos se me lembro, em alguma região da Africa. Mas são historias que podem ser contadas depois.

Minha mãe casou com meu pai em outubro de 1975 e em em março de 1976 nasci, não como outras crianças, mas eu nasci com alguns quilinhos a mais. Acredito que por isso demorei para nascer – porque antigamente era um pouco pior que agora – então, tive algumas sequelas por falta de oxigênio. Não era tão grave, dizia ela, mas com 1 ano e meio, me deu uma pneumonia que agravou minha paralisia cerebral e começou toda a serie de tratamentos e rituais, para ver se eu andasse e melhorasse. Todos país nunca esperam que seus filhos se encontrem com alguma deficiência, mas alguns superam e criam seus filhos com amor e dedicação que pode ser chamada de amor. Assim podemos chamar o que minha mãe fez, pois ela me carregou todo o tempo, mesmo gravida do meu irmão. Nunca fez diferença entre eu e meus irmãos, a educação sempre foi e até o fim ela me tratou de igual para igual sem fazer diferença. Quando entrei na AACD, houve episódios que ela me defendeu – como no caso do dentista que queria me amarrar só porque eu chorava muto – brigou, comprou a briga para mim ter o melhor tratamento, mas era pior que o poder publico, a entidade não trata e nunca tratou quem era “pobre” com decência. Mas, era pago por meu pai, então, a coisa era para acontecer.

Claro que não era um tratamento de primeira, mas naquele tempo era o que tínhamos, pois estávamos num Brasil em transição de militarismo e democracia e nossos direitos, nunca foram respeitados. Minha mãe aceitou que estudasse nas escolas especiais, então, um menino que não largava dela para nada, ela simplesmente, deixou que ele seguisse sem que ela se preocupasse muito. O motorista da kombi  chato – não eram como as vans de hoje ou os ônibus de hoje – só tinham os bancos e cintos comuns. Mesmo com acidentes, nenhum deficiente morreu no transito pelo que eu soube, íamos nos bancos. Mas antes mesmo disso, houve operações que dizia corrigir tendões e músculos, não tive diferença, minha única diferença e poder sentar. Minha mãe cuidou, trocou muita fralda, trocou muita “meleca” minha de dores de barriga repentina, ou nas operações que não podia ir ao banheiro. Me levou pra dormir na cama, quando dormia no sofá, aguentou tudo que poderia aguentar.

Se indignou quando alguém fazia algo pra mim, mas nunca tomou as dores, porque achava que eu tinha que me defender. Sempre disse para mim se virar, eu sempre fui preguiçoso e sempre nunca me troquei sozinho, sempre quis que ela me colocasse as roupas. Apesar disso, minha primeira viagem foi aos 16 anos, terminei o ensino fundamental em um supletivo e fiz o ensino médio, até me formar em publicitário por conta própria, porque a UNIP não quis me dar bolsa de estudo. Acho eu, que sua magoa sempre foi pelas empresas nunca terem me dado uma chance, e por eu ser tão inteligente, escrever tantos textos bons, ninguém querer publicá-los. Ela lia o meu blog e dizia que eu era muito inteligente, charo, com um ar de orgulho, mas ao mesmo tempo, de tristeza de não ter visto seu filho mais velho um escritor ou um publicitário. Viu seu filho ser discriminado, não escolhido, num mundo que faz diferença a “nossa aparência”.

Dês que descobriu que tinha um tumor e fez sua primeira operação – foram três – ela já me preparava para fazer as coisas sozinho e assim foi. Tinha dia que ela nem sabia que eu tinha tomado banho e me ensinou finalmente, a ser de certa forma, um rapaz independente e que não precisava das pessoas. Então, ela foi piorando e nos últimos meses ela só chorava e quando fui ver ela no hospital, foi como se ela se despedisse de mim. Uma semana depois, ela se foi e isso faz 2 anos já. Ela nem viu minha formatura de técnico de informática que tanto fez para me matricular. Dizem que um dia antes, a dona Ilda que cuida da limpeza foi visitar ela, perguntou se eu estava comendo bem e a dona Ilda, disse que sim. Minha mãe fechou os olhos e sorriu, sorriu com a certeza que eu iria vencer esse mundo, vencer os desafios e vencer a sua ida ao mundo espiritual. Um dia depois ela se foi. Não, não é uma tristeza para mim, um alivio talvez por ela não sofrer tanto mais, mas dentro de mim ainda resta o que ela ensinou ou fez e tenho a plena convicção, que amor de mãe é muito mais do que um amor puro e simples. Transcende qualquer amor, qualquer viagem, qualquer ideia, é um amor “diferente”.

Por isso lhe digo “muito obrigado” por me ensinar a ter paciência, a ter tolerância, a ter respeito e acima de tudo, a ser fiel a quem está ao meu lado. Tenho certeza que você está me vendo, me inspirando, ou apenas, sorrindo com aquele sorriso dizendo “vai ju”. Obrigado Mãe!

Amauri Nolasco Sanches Junior – um filho com deficiência

Publicado por: Amauri Nolasco Sanches Junior e Marley Cristina Felix Rodrigues | 07/05/2015

A Filosofia a Brasileira e seu fanatismo.

Descrição: a direita está uma pintura do filósofo Immanuel Kant e na esquerda um fundo preto com a frase “Estamos aqui oprimidos por problemas que não podem ser ignorados e que não podem ser solucionados”

Uns dos filósofos que meu gosto, porque eu me identifico com ele e já me disseram que alguns textos meus tem algo ligado a sua filosofia moral, é Immanuel Kant que viveu no século 17 e foi um marco para o iluminismo. Todo mundo sabe que ele colocou a moral cívica (a moral social como costume) em um lado e a religião do outro e disse que um é um aprendizado dentro do que devemos ser (um dever diante a nós e a sociedade) e o outro, é uma questão em ter fé ou não, em ter que provar algo que não se pode provar. Então, quando um filósofo começa a filosofar com a religião ao ponto de xingar sacerdotes que defendem seu ponto de vista cidadão e não seu ponto de vista teológico, pode crer que ele não é filósofo e sim um belo de um trambiqueiro. Qual a sustentabilidade filosófica em dizer que um partido que deu aos bancos milhões, quebrou quase todas as estatais e ainda, esteve em muitos escândalos corruptos e com vínculos com empreiteiras e outras empresas, é comunista? Isso não “cheira” propaganda para vender livros ou é uma analise desonesta intelectualmente?

Quem já leu minha posição politica sabe que sou a favor de uma diminuição do Estado para não sobrecarregar o mesmo com tantos gastos e o andamento melhor da economia, sem tanta burocracia. O cidadão deveria ganhar melhor e as empresas deveriam ter mais autonomia para saber o que deve ou não fazer, como uma escolha a ser feita. O que acontece é que o Brasil – com seus “cabides” de emprego e seus correligionários partidários que chamamos de “apadrinhamento” – temos um conservadorismo tacanho que só atende interesses escusos e não interesses sociais que não são do intermédio estatal. Ainda existem pessoas esquizofrênicas, outras canalhas e outras confusas, que ajudam a deturbar a informação verdadeira e ajudar, querendo ou não, os interesses de quem é desonesto e de quem não está preocupado com o povo e sua politica. Isso se chama desonestidade intelectual, ou seja, aquela pessoa que tenta de tudo que é maneira, ter razão sobre o que prega.

Dai voltamos a Kant quanto a sermos uma cultura religiosa por um lado e conservadora do outro, porque não queremos perder o conforto que nos encontramos por um bem maior. O conservador é uma pessoa menor, um tipico burgues do século 17, que era metido a ter cultura, mas não tinha instrução para ter a tal cultura. O conservadorismo brasileiro ainda está na guerra fria, ainda está em questões dos anos 70 do século vinte e não em coisas que realmente deveriam ser analisadas. Ora, se vivemos numa democracia, o que o vizinho ser um homossexual, por exemplo, vai mexer com a sua vida? Se você não gosta do beijo gay numa novela, tem o controle remoto que muda de canal, tem muitas outras atracões e tem muitas outras novelas que atende o seu gosto, ou faça igual eu, desliga a televisão e vai ler livro, a internet esta cheio de bons livros. O problema não é exemplo que se tem na juventude, porque a juventude é o que ela é com os valores que ela recebeu do próprio berço, mas o nosso povo por ter um ensino fraco e informações poucas, é muito facilmente manipulado. Em sua resposta a pergunta “O que é o Esclarecimento?”, Kant nos fala que o povo na verdade, não se esclarece por não querer perder aquilo que sempre sera confortável para ele e o que seus interesses integram sua moral. Ou seja, para Kant, não há inocente nenhum da minoridade, porque o esclarecimento é a saída dessa minoridade que o próprio ser se encontra por ele ser responsável. Para Kant, a minoridade é a vontade sendo manipulada por um conforto existencial segundo seus interesses. Qual maior interessado da ideia de um suposto comunismo e um inimigo imaginário que pode nos engolir? O Estado. A manipulação de informações, contra ou a favor, é do Estado que manipula duas forças contrarias que não conseguem se unir por um proposito maior do que o bem estar do ser humano.

Então, essa ideia que a ONU (Organização das Nações Unidas) serem da ideia de Kant, lamento, não pode ser. Porque a ideia de união das nações e as ideias de união dos povos, passam primeiramente no esclarecimento daquela cultura e a informação verdadeira dentro da ótica do conhecimento em si mesmo, da razão enquanto imperativo moral de cada ser humano, não poucos privilegiados como acontece. E voltando a nossa cultura, não temos um imperativo categórico no sentido moral, porque nossa moral é manipulada pelo o que nos é “vantagem” ter e não ser, por nossa cultura ser construída assim. Se somos de uma determinada religião, há um interesse de propagar essa religião por ser o mais prendado ou o mais devoto, porque a bondade depende de muitos interesses além daqueles que realmente é necessário para ser bom. Bom não é o antônimo de mal, bom é ser o que você tenha satisfação em fazer sem achar que aquilo vai inflar seu ego, porque dai, não é ser bom e sim, é agir segundo um interesse. Isso não é ser bom é ser acomodado aquilo que pensamos ser confortável para si mesmo, confortável dentro da sua ética e da sua moral, aliás, você está sendo antiético. Sendo assim, você é um “canalha” e sendo um “canalha”, você manipula quanto quiser a informação. Não é isso que vemos dentro da ótica de alguns que se intitulam “filósofos”? Já quando se analisa o problema pelo viés daquilo que acreditamos ser uma verdade – seja ideológico ou religioso – já não é mais uma “amizade” ao saber, já é uma doutrinação, porque a amizade ao saber é muito mais analisar os dois viés da informação e não um só viés como muitos insistem em fazer.

Um filósofo não é um intelectual, pois o intelectual é que detêm o conhecimento e o filósofo que analisa o mundo lá de cima. Kant era um religioso devotado e ia todos os domingos a igreja (protestante), lia sempre a bíblia, acreditava que existia um Deus maior que construiu todo o universo, mas ele escreveu uma das maiores Criticas a metafisica de todos os tempos. Por que? Segundo o próprio Kant, se ele provasse a existência de Deus empiricamente, então, ele iria ir contra o que ele acreditava que era a fé cristã e seria uma falta a igreja. Por isso que existe Kant filósofo e Kant religioso. As bases de um saber é saber que sempre construirmos conhecimentos somados de outros conhecimentos, que a sabedoria é o esclarecimento daquilo que não se sabia, mas ponderadamente, se passa como real informação do que realmente é. O filósofo verdadeiro não separa o problema em dois ele analisa sobre a exige acima do senso comum, ele tem que ser coerente com aquilo que ele é capacitado em fazer, achar meios para se chegar a sabedoria. Como no exemplo de Kant, ele fez uma separação do que é filosofia e o que religião, sem deixar ambas as partes e sem acreditar no que acredita, sem achar inimigos imaginários.

O que falta dentro do nosso pensamento como cultura, é fazer essa separação entre o que é mora (valores) e o que é real dentro da conduta a ser seguida. Não me interessa se um cheirou cocaína quando era novo, fumou maconha quando era jovem, que fez isso ou aquilo e sim sua administração de agora e tudo que está fazendo agora. Então, não me interessa o que ele fez ou o que ele vai fazer depois, assim, o importante é analisar por fora.

Amauri Nolasco Sanches Júnior – publicitário e estudante de filosofia

Publicado por: Amauri Nolasco Sanches Junior e Marley Cristina Felix Rodrigues | 23/04/2015

Musica, amor, respeito – uma reflexão cadeirante

por Amauri Nolasco Sanches Junior.

Esses últimos tempos são tempos de reflexão, pois acho que um dia você tem que parar e refletir o que fez e o que você tem que fazer. Algumas pessoas refletem alguns pontos com textos, outras por frases, eu costumo refletir na vida com a musica. Não importa se é ou não em português, a musica é universal e toca o seu coração e pode atingir sua alma de uma maneira, que a reflexão pode atingir profundezas imagináveis. A musica “How soon is now?” da banda The Smith me faz refletir na sociedade em geral e a historia dessa musica é muito interessante, pois por muito tempo, por o vocalista Morrissey ser homossexual, a musica virou um hino lá fora da critica social desse segmento. Mas se pode perfeitamente, ser estendido para qualquer segmento, para qualquer pessoa que nasce numa sociedade e por ser diferente da normalidade, ele é discriminado e vira um “estorvo” social dentro dessa mesma sociedade. Porque a musica fala da sociedade que herdamos, mas nos julga como um “erro” a ser corrigido.

A musica começa “Eu sou o filho/e o herdeiro” fazendo jus que somos filho e herdeiro da sociedade em si mesma. Ele (Morrissey) já começa dizendo que nascemos dentro da cultura, não nascemos o que somos, somos filho e herdeiro da sociedade e de sua cultura. Se pensarmos num modo psicanalítico, por exemplo, que vários pensadores, filósofos e profissionais usaram ao longo desses anos, não existe pessoas com deficiência, ela se torna. Ai você pode dizer: “Ah! Mas eu estou vendo que sou uma pessoa com deficiência e preciso de cuidado”, dai te respondo que a deficiência pode existir em âmbito corporal, com suas limitações e tudo, mas não tudo que o termo em si carrega como senso comum. O que é uma pessoa com deficiência? É uma pessoa que não tem mais a mobilidade (eficiência) para fazer certos movimentos, certas tarefas que não alcançam (apesar que muitas coisas estão sendo adaptadas). Mas outros estereótipos carregam o termo “pessoa com deficiência” – mesmo que alguns digam que a novela tenham ajudado, ela alimentou alguns estereótipos e alimentou também algumas generalizações como se todas as pessoas cadeirantes fossem paraplégicas – como “aleijado” que não pode fazer nada, “assexuado” que não pode casar ou namorar, “deformado” ou “defeituoso” como se fossemos objetos que se fabricam e viemos com defeito e que não podemos trabalhar. Então, ao mesmo tempo que somos filhos e herdeiros da mesma cultura, não somos aceitos nessa cultura e a musica segue dizendo: “De uma timidez que é criminosamente vulgar/Eu sou o filho e herdeiro/De nada em particular”. Uma timidez não é aceita porque é misterioso, o ser humano em sua natureza tem medo de mistérios e então, a timidez ou o silencio, é criminosamente vulgar. Toda atitude ou opinião vulgar é ruim, é grosseira, porque não se encaixa na erudição porque pertence ao povo, a plebe. Pois se torna algo criminoso, errado, porque é vulgar. A timidez pode ser encarada como um silencio vulgar, porque é grosseiro você hoje em dia não querer ir as “baladas”, não gostar de coisas que todos gostam. E como disse, o silencio se torna algo amedrontador, algo que atormenta e assusta o outro.

Talvez, essa “timidez criminosamente vulgar” seja a não assumir nossa condição, nossa verdadeira identidade e o que somos verdadeiramente e então, não somos o que somos e sim, somos um produto do que nos fazem ser. Dai voltamos a dizer que não nascemos homens, não nascemos mulheres, não nascemos pessoas com deficiência, porque não existe pessoas com deficiência. Existe uma “limitação”, mas não existe uma “de+eficiência”. Vários teóricos e acadêmicos, não explicaram, que esse “de” é um sufixo de negação, pois na verdade, esse “de” é um “não a”, ou seja, isso remete a “não eficiência”. Assim, o poder nos remete a dizer que não temos eficiência como os outros e por isso temos “necessidades especiais”. Mas qual a diferença em ser “pessoa com necessidades especiais” ou “pessoas com deficiência”? Nenhuma. Isso são só nomenclaturas sociais que rementem a uma classificação para serem chamados, ou seja, sofremos ao nascer uma especie de “carimbo” igual o gado, para saber o que você é e o que você faz. As terminologias são de ordem moral, porque dependem muito da visão social que elas são usadas e essas ordens morais, são aproveitadas pelo poder para espalhar estereótipos errôneos propositalmente. Anos atrás se usava “defeituoso” ou “aleijado”, depois “deficiente” até chegarmos a “pessoa com deficiência”, mas acima de tudo somos já pessoas e queremos ser pessoas sem os diversos estereótipos. Mas Morrissey teve a sacada certa, pois ele colocou a timidez como uma culpa daquilo que ele não conseguia assumi o que era, ou seja, a verdadeira natureza dele é “vulgar” porque todo mundo julga (por isso criminosamente) como sendo errado. Então, o certo no mundo moderno, é ser branco, “macho” para encarar os fatos, sempre querer trabalhar porque o trabalho enobrece o homem (umas nas maiores falacias do mundo), o mundo é assim e não muda. Mudar requer um ato de mudança e nem todo mundo esta pronto a mudar o seu mundinho gostoso, confortável e que nenhum perigo vai lhe incomodar. Assim sendo, uma pessoa com deficiência exigindo seus direitos são “chatas”, um negro exigindo respeito é uma pessoa “chata”, um gay querendo ser respeitado é “chato”, porque muda a ordem das coisas que ai estão. Aliás, lá fora não existe terminologias “pomposas” como “homossexual”, ou “pessoa com deficiência”, ou “afrodescendente”, ou “melhor idade”. Todos são chamados de gays ou lésbicas, todos são chamados de deficientes, todos são chamados de negros ou velhos e seus direitos são respeitados. Porque o segmentos lá não estão preocupados em terminologias “pomposas”, e sim, em defender os direitos e a discussão da terminologia, desvia qual o foco verdadeiro. Por isso que o Morrissey diz que toda “timidez” é criminosamente vulgar, porque fica preso ao senso comum, fica uma prisão de si mesmo.

Dai ele segue dizendo:

Você cala sua boca
Como pode dizer
Que eu levo as coisas para o lado errado?
Eu sou humano e preciso ser amado
Como todo mundo precisa”.

Ele manda se calarem, porque como podem dizer que levamos as coisas do lado errado, porque na concepção moralista, sempre os que pensam e assumem o lado que a maioria quer, ou o que a maioria pensa ser o certo, sempre vai ser errado e que não podemos fazer. Mas somos humanos, seja deficiente, ou gay, ou negro, ou velho, ou mulher, não deixaremos de ser humanos e de precisar ser compreendidos e amados como todo mundo precisa. Aliás, como pode dizer que levo as coisas para o lado errado está nos evangelhos quando Jesus diz que não podemos julgar o outro sem fazer um exame de consciência, não podemos tirar a trave do outro, se não tiramos a própria trave do olho. Ninguém sabe dos nossos problemas. Ninguém sabe do sentimento do outro e suas reais necessidades e então, porque as coisas são erradas ao ponto de julgar ser erradas as atitudes das pessoas ditas “subversivas”? Os diversos rótulos são apenas para reprogramar o sistema, renovar sempre velhos paradigmas.

A questão que essa musica aponta pode ser muito interessante, quando é vista de outro ângulo como se invertêssemos ela. Pois, talvez, essa musica nos mostra dois viés que não podem ser vistos. No video clipe, mostra fabricas soltando fumaças negras e uma moça com características que estão na musica e que esta com uma boina vermelha, com um rosto depressivo em um ambiente escuro e que mostra solidão. Essa moça ainda é loira e talvez mostre características interessantes, porque pode ter a característica que a moça é britânica, tem mais ou menos, uma vida relativamente estável, mas não é feliz porque não pode assumi o que queira assumi. A moral social condena aqueles que assumem o que são e sempre fazem dessas pessoas algo que elas sirvam como exemplo que não podem ser, como não podemos ser deficientes porque devemos ser pessoas com deficiência ou pessoas com necessidades especiais. Ou as pessoas devem ser e se comportar como eles querem e desejam, porque é assim que o mundo é e não pode mudar. Porque quem quer mudar o mundo é um revoltado, um mal educado, um ser que deve ser desprezado por todos. Não é porque se é deficiente, ou gay, ou mulher, ou negro, ou nordestino, que não somos humanos e merecemos ser amados, porque o caso é que todos são uma humanidade. O que nos fazem seres humanos? Nossa capacidade de mudar e perceber o outro como um ser semelhante sem perde nossa capacidade de fazer escolhas, porque podemos escolher o que devemos ser e o que não devemos ser, nosso desejo transita entre o instinto e a razão (logos) e a noção de cidadania. Então, esse “eu sou humano e mereço ser amado” é uma união de todos os seres e dizer que somos humanos e por isso – seja de forma que for, o que pensamos ou o que somos – merecemos amor, merecemos respeito e tudo que um ser humano de verdade merece ter. E isso independe de classe social, ou qualquer um desse estereótipos que transitam na pseudointelectualidade da humanidade, porque existem pessoas que tem dinheiro e não é feliz, não pode ser o que é, porque não pode assumi sua verdadeira persona. A persona só é alcançada quando percebemos a nós mesmos, quando saímos daquilo que o discurso do poder quer que não saiamos, e assim, conhecemos a verdade e a verdade nos libertará.

Ainda ele, o Morrissey continua:

Há um clube, se você quiser ir
Você poderia encontrar alguém que te ame de verdade
Então você vai, e você fica sozinho
E você vai embora sozinho
E você vai pra casa, e você chora
E você quer morrer”

O que pode ser esse “clube” que, talvez queiramos ir? A ideia essencial de um clube é reunir pessoas para alguma atividade, ou física, ou intelectual, mas essa atividade é comum a todos que ali estão. Talvez, porque concluo pelas muitas declarações da posição do Morrissey, esses clubes sejam os muitos movimentos que povoam o mundo. Na verdade, muitos deles são movimentos que se intitulam representantes que não foram eleitos, não foram escolhidos e fazem juramento solene em defender alguma “minoria” que, supostamente, não pode se defender. Ou pode ser algum lugar que você vai, como baladas e afins, e talvez encontre alguém que lhe ame de verdade. De repente é até a sociedade, masque nós vamos e mesmo assim, nos sentimos sós e vamos embora sozinhos. Por que? Porque mesmo eu sendo deficiente, por exemplo, eu tenho meu pensamento, tenho as minhas opiniões e essa ideia de movimento, essa ideia de segmento dos deficientes, é um modo de padronização para exatamente não haver união. Não precisaríamos ter um Conselho das pessoas com deficiência, pois todos poderiam exigir seus direitos sem intermediários, porque a intermediação são formas burocráticas para dificultar ao máximo, o meio para consegui o seu direito. Por isso que lá fora a articulação aconteceu diferente, foi por meio de ONGs, porque são união de cidadãos com um objetivo. E essas mesmas ONGs são montadas por pessoas ligadas verdadeiramente a causa, porque são corporações que financiam e querem respostas objetivas, mesmo quando é o governo. Mesmo assim é uma padronização e a maioria exige por ela mesma, porque são cidadãos e votam e paga seus inúmeros impostos. Então, quem escolhe esses órgãos para nos representar? Quem são esses órgãos para escolher o que é melhor para cada um de nós sem nem ao menos nos ouvir? Esses mistérios são, de grande parte, desenvolvidos em governos democráticos porque se transveste de “cobradores” de direitos, mas ofusca a cobrança em si mesmo. Por isso vai para casa sozinho e chora, porque mesmo com pessoas da mesma situação que você, não te ama e se você pensar diferente do que eles, você ainda é odiado. Temos milhões de exemplos dentro da historia humana.

Podemos construir nossa personalidade dentro das nossas escolhas ou opiniões sem ao menos, seguir algum movimento ou algum órgão que nos diga o que fazer. Eu sou uma pessoa que me formei publicitário, que me formei técnico de informática, que estudei até a 4º serie nas classes especiais da AACD, mas terminei todos os meus estudos em supletivos que eram ensinos regulares, que não afetaram meu desempenho. Aliás, meu estudo na área publicitaria e na área técnica de informática, foram em cursos regulares e isso prova que minha deficiência não afetou em nada. Ainda gosto de rock e gosto de ler, sou aficionado pela filosofia, sou noivo e brigo pelos meus direitos sem, algumas vezes ou sempre, recorrer as pessoas ou instituições que dizem nos representar. Essa é a base da musica, o importante não é ir contra o sistema ou nos incluir, porque já estamos inclusos dentro do escopo social, mas questionar o que está errado dentro do sistema. Os maiores subversivos da historia estudaram e leram uma vastidão de livros, tem um ou vários cursos superiores, leram tudo sobre o que estavam questionando e isso fez a base da coerência do discurso. Então, quem disse que não devemos estudar? Que para ser contra o sistema temos que nos livrar do estudo? Quem diz isso é um dos maiores dos escravos e não deve ser levado em consideração, pois umas das melhores armas dentro do questionamento é o estudo daquilo que se questiona e ter base para tal. Essa musica é ótima e pode ser levada para termos uma base muito boa para uma discussão seria que muitas vezes, não se tem uma seriedade verdadeira e não temos, argumentos sólidos. Pena que o povo goste de musicas poucos reflexivas.

Publicado por: Amauri Nolasco Sanches Junior e Marley Cristina Felix Rodrigues | 21/04/2015

Explicando o TAC da exclusão – escolas ameaçadas.

Foi postado pelo amigo Valdir Timóteo Leite

Foi postado pelo amigo Valdir Timóteo Leite

Por Amauri Nolasco Sanches Junior.

Existem dois problemas para uma inclusão de pessoas com deficiência na sociedade. Primeiro é a vontade popular que não tem unanimidade e não estão muito preocupados e a segunda, a vontade estatal e capitalista que herda a visão do que é normal ou não é das inúmeras ações que vimos por ai. Só enxergarmos as ações sobre a saúde das pessoas com deficiência – que nos hospitais do Estado e hospitais do município são péssimos ainda menos nos postos de saúde – que são precárias e a ações para assegurar a lei de cotas que nos garante 5% de vagas de pessoas com deficiência nas empresas e repartições publicas não são efetivadas. O Estado (quando falo em Estado não estou falando só do Estado de São Paulo, por exemplo, mas o Estado em seus três pilares, município, o Estado e o Federal), não garante nem saúde (reabilitação está no pacote), nem transporte (direito constitucional de ir e vir), nem emprego (que eles mesmos dificultam com tantas amarras institucionais). O Estado brasileiro está falindo por decisões erradas e uma má administração que a 500 anos, sempre levou o país a uma governança que só atende ao interesses de poucos e não interesses da maioria, que mesmo na democracia, não se resolveu.

Então o que fazer para garantir o direito que nos cabe? O que vale nesse país é o dinheiro e o auto-poder, pois aqui reina os interesses e as coisas que levam “vantagem” de serem feitas. Nossa cultura é assim e muitos poucos pensam diferente e os que pensam diferente são boicotados, silenciados com chantagens, somos até esfolados em nossa dignidade e porque não, somos feridos em nossa integridade física por transportes que deveriam assegurar nosso direito de ir e vir. Mas nesse texto eu vou falar um pouco da educação inclusiva que em 2011 houve um retrocesso bastante significativo com a reabertura das classes especiais, com financiamentos desses classes especiais e ainda, o processo de adaptar as escolas regulares foi ameaçado com o TAC (Termo Ajustamento de Conduta) entre a Secretaria dos (Direitos?) das Pessoas com Deficiência do Estado de São Paulo e o Ministério Publico de São Paulo que colocou mais 15 anos para se adequar a lei de inclusão. Não é de hoje que o partido do nosso governador Geraldo Alckimim (PSDB-SP), tem muita simpatia de financiar as diversas APAEs e não financiar as escolas regulares para a inclusão das pessoas com deficiência, nem a capacitação de professores para lhe dar com algumas deficiências. Nada tenho contra a APAE, porque fazem uma excelente participação dentro da área de inclusão, mas existem pessoas que não usam esse tipo de instituição e não vai usar, porque tanto a família, quanto o própria pessoa com deficiência, tem o direito de estudar aonde quiser e o Estado deve garantir a demanda de escolas regulares dentro do território que esses cidadãos se localizam. Essa é a lei e a lei deve ser mantida e não “afloxada” com acordos bilaterais que o governo faz com intenções obscuras que só levam a exclusão e a antidemocracia. E tudo isso começa com o “afloxamento” da Convenção da ONU dos Direitos das Pessoas com Deficiência com o então ministro da educação Fernando Haddad (PT-SP) que hoje é o prefeito da cidade de São Paulo, que preferiu a reabertura das classes especiais do que adaptar e adequar as classes regulares. Como vimos, o PSDB e o PT são dois lados de uma mesma moeda quanto a inclusão de pessoas com deficiência.

Aliás, pelo que vi em vídeos e textos, a nossa inclusão social não é bem vista pela sociedade, porque a sociedade nos acha um empecilho, essa é a verdade. Políticos acham ainda que pessoas com deficiência não dão voto, a sociedade ainda acha que pessoas com deficiência não trabalham, não estudam e não ficam doente e não tem laser – porque inúmeras vezes que fomos no Shopping eu e minha noiva fomos xingados – porque ainda é um discurso dominante que nós (pessoas com deficiência), atrapalhamos, que pessoas com deficiência não tem nem o direito de andar de ônibus. Talvez, e a grande maioria assim o faz, os mesmos que assistem e se comovem com o “Criança Esperança” é de praxi esculachar crianças que precisam de algo, os mesmos que assistem e se comovem com o Teleton, são os mesmos que xingam e esculacham com pessoas com deficiência na rua, quando exigem seus direitos em hospitais, preferencia em filas, atendimento diferenciado, ao transporte (que até vi pessoas tentarem agredir o cadeirante), o acento preferencial de idosos e pessoas com deficiência, vagas de estacionamento e o pagamento de salario que chega a menos de um salario mínimo por mês. Serio. Existe pessoas com deficiência que ganha menos de um salario mínimo ou não são contratados. Essa é a realidade de algumas pessoas com deficiência.

Assim sendo, quando falamos em trabalho e uma profissão, estamos falando de educação de qualidade e não uma educação que serve para nada. Tem que ser uma educação fundamental – que dá a base necessária para a socialização, ler e escrever e ter a base necessária – o ensino médio – que prepara o aluno ao academismo – e o ensino superior. Se não temos uma educação de base que não tem adaptações e acessos a recursos necessários, como quer os empresários e a rede publica, que pessoas com deficiência estejam qualificados? Como o mesmo governo que constrói uma lei que dá cotas a pessoas com deficiência em empresas e taxando, pode ao mesmo tempo em meio da Secretaria dos (Direitos?) as Pessoas com Deficiência do Estado de São Paulo (que deveria defender nossos interesses), fazer um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) com o Ministério Publico para aumentar o prazo de mais 15 anos para adaptação e adequação de escolas? Aliás, nenhuma das condutas dessa Secretaria são voltadas aos movimentos e as verdadeiras pessoas com deficiência, porque os eventos são de semana (a maioria dos movimentos usam somente o transporte em final de semana e algumas pessoas trabalham), o único museu da inclusão veiculado a está secretaria só abre de semana impossibilitando a ida das pessoas com deficiência até o museu. Que Secretaria dos (Direitos?) das Pessoas com Deficiência do Estado de São Paulo é essa que se preocupa muito pouco em dar condições para a qualificação e ao estudo de pessoas com deficiência? Como negam nossa inclusão se deveriam cuidar de nosso direito a esta e preservar nosso direito legítimo a vida e a participação social? Isso soa e sempre soou – em tempos democráticos ou não – como algo hipócrita que somos taxados como inúteis e emprestáveis.

O que é mais irônico desse partido do nosso governador é que a deputada que mais levanta a bandeira da inclusão das pessoas com deficiência – que tenta na moita, boicotar ações concretas dentro do segmento e que nada faz por uma inclusão verdadeira nem quando se trata do partido onde eles se dizem oposição – é do mesmo partido e foi convidada a ser relatora da Lei da Inclusão (que tem nada com nada de concreto), fez uma audiência de semana e que quando é indagada em seu Facebook, bloqueia e não responde os e-mails que não lhe interessa. Exato. Estamos falando da deputada Mara Gabrilli (PSDB-SP), onde seu ato mais significativo nesses anos de politica, foi dar uma aposentadoria a ex-atleta (que pensou que era esquiadora e não é) Lais Souza que deveria ser paga pelo COB, pois assim o é nas leis trabalhistas. Não é paradoxal? Ao mesmo tempo que o partido do governador apoia e financia com milhões instituições intencionando nossa internação, tem como seu maior expoente uma deputada que faz milhões de propaganda possíveis, mas que na verdade, só é mais uma que usa do discurso velho, hipócrita e insensato para ganhar votos e conseguir se eleger. Se apoia na imagem “vitimista” das pessoas com deficiência que são exemplo de alguma coisa, para alimentar esse estereótipo “macabro” que nos persegue e se não abrirmos o olhos, vai nos perseguir eternamente.

Solução? Nesses textos quis mostrar que não existe partido nenhum que nos defenda, não existe politico nenhum que saiba o que sentimos, pois somos amordaçados com ações sutis que a maioria das pessoas não percebem, que nos prendem. Não podemos sair. Não podemos trabalhar. Não podemos nem ao menos, ficar doente senão o povo diz que é “frescura” e não nos quer atender. Cobrem. E façam sua parte.

Publicado por: Amauri Nolasco Sanches Junior e Marley Cristina Felix Rodrigues | 18/04/2015

Respeito e dignidade – estupraram mais uma.

Descrição: uma imagem de proibido e está amarrando um cadeirante caracterizando que os cadeirantes estão amarrados,

Por Amauri Nolasco Sanches Junior.

Ainda o pessoal que gosta de estar em algum lado que eu chamo de “guerra fria tardia”, ainda não entendeu que as vitimas sempre estão no lado de quem paga a conta e todos sabem que paga. Não adianta você ficar do lado do governo, porque você não vai deixar de pagar, não adianta ser contra e berrar aos quatro ventos, que você não vai tirar ninguém. Mas isso é uma regra democrática deve ser levada sim a cabo, mas o que se deve também é antes de tomar uma decisão que lado ficar, estudar e ler mais sobre o assunto e não ser um “idiota útil” de ambos os lados. Via de regra – isso está também acontecendo com a direita – o pessoal vai muito nas opiniões dos outros, vai muito nas ações dos outros, vai muito nas ideias dos outros e vai muito na grande mídia porque tem preguiça de pesquisar, tem preguiça de ler sobre aquilo e fica uma discussão pobre que não tem argumento. O “modo preguiçoso” está na nossa cultura a muito tempo e isso não é de agora, mas se agravou com a geração twitter e com a geração whattsapp, onde frases curtas e de fácil leitura, além, de musicas pobres de conteúdo. Talvez precisamos mais fortalecer nosso ensino médio a fazer mais interpretação de texto, porque muitas pessoas não sabem interpretar nada, como aconteceu com o Ed Motta e agora com o Jô Soares. Mas, não somos isentos dessa mesma ignorância, pois muito de nós, pessoas com deficiência, nem poder ir a escola e não tem uma educação de qualidade e que tenha dignidade.

No site da UOL, vi uma reportagem que na cidade de Cabo de Santo Agostinho, região metropolitana de Recife, um homem de 50 anos estuprou a enteada com paralisia cerebral severa, que não fala, não se comunica e se alimenta por sonda. Ainda tirava fotos com o celular fazendo com a vitima que não pode se defender e o mais grave, diz o próprio meliante, que foi por causa da bebida. O que mais me assusta é o jeito que essas noticias repercutem, porque não repercutem, fica no limbo porque não interessam e nunca vão interessar. Porque me assusta? Porque parece não comum, mas é realidade dentro dos movimentos de pessoas com deficiência, e sim, é mais comum do que a sociedade imagina e não é denunciado, por causa do medo. Mulheres com deficiência são assediadas, são estupradas, são bolinadas e não só as mulheres, as vezes, muitos homens o são por não poder se defender e sabemos disso dentro dos muitos movimentos de pessoas com deficiência. Temos noticia de casos de pessoas com deficiência que são acorrentadas por serem desse jeito, principalmente, em regiões que a ignorância é muito gritante e não tem informação que nós somos seres humanos como qualquer um. Isso é triste, mas uma realidade de fato, vivemos violências múltiplas e muito pior que muitos que se dizem “vitimas” da sociedade, porque é uma violência silenciosa.

O filósofo francês Foucault, dizia que nosso período que estamos vivemos é um período da “normalidade”, pois nas raízes sociais ficaram uma ideia errada do que é “normal” e o que não é “normal”. Mas o que é “normal” é uma crença do mesmo estilo de um “achismo” onde as pessoas se acham “conhecedoras” dessa “normalidade”, que muitas vezes, não é verdade e não pode ser um tabu, pois não é um tabu e não é “normal”. Pela lei e pela via da ordem em si, o Estado deveria de garantir a integridade física e mental de todos os cidadãos do país, nós pessoas com deficiência, somos cidadãos e a nossa integridade está sendo ameaçada também. Pior de tudo, muitas vezes essa violência vem das repartições jurídicas e repartições estatais que deveriam nos respeitas e não nos respeitam. Os principais fatos são no transporte e na acessibilidade que as pessoas nos agridem, nos humilham e nos chamam de mentirosos e mais, ficamos nos prejuízo e humilhados dentro da nossa integridade moral. Isso é fato. Porque não estamos exigindo nada mais do que não seja nosso direito de ir e vir, direito de não sermos agredidos, direito de não sermos violados no nosso direito de sermos seres humanos. Mas o que dizer de uma sociedade onde o senso comum tem milhares de opiniões preconceituosas e que nada sabem da realidade? O que esperar de uma sociedade que ajuda no Teleton e a mesmo tempo, xinga uma cadeirante porque a mesma exigiu seus direitos dentro de um ônibus? Vários depoimentos de video mostra que pessoas com deficiência foram agredidas verbalmente por motoristas ou pelos próprios populares que num ato de egoismo e de desrespeito, mandou a cadeirante ficar quieta ou mandou a outra cadeirante sair da frente do ônibus dizendo que tinha que trabalhar. Muito de nós não trabalham? Muitos de nós não pegamos o ônibus para ir em consultas medicas? Isso também é uma violência e não é diferente do estupro da mulher PC, somos alvejados por pessoas egoístas e canalhas que usam argumentos de “achismo” e preconceito conosco.

A sociedade que se dizem cristãs, amantes da moral (um moralismo hipócrita), que fazem as maiores atrocidades e não se iludam, as pessoas que acreditam nas ideias da esquerda (defensora das minorias), também o fazem. Então, isso é uma coisa cultural? Podemos afirmar que essas mesmas pessoas que defendem o Teleton e outras campanhas, nos xingam quando interessa? O problema é que muitos não percebem que não são diferentes do cara que foi o estuprador, só que estupraram nossa dignidade.

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Vídeo da moça humilhada no ônibus (aqui)

Vídeo da reportagem da mulher com paralisia cerebral estuprada (aqui)

Publicado por: Amauri Nolasco Sanches Junior e Marley Cristina Felix Rodrigues | 17/04/2015

O Extraordinário – discriminação do diferente

2015-04-17 12.26.40

foi presente do meu amor e uma indicação do meu colega Wagner Martins

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por Amauri Nolasco Sanches Junior.

Li um livro interessante e não muito chato, pois é de uma linguagem fácil de entender e tem muito a ver com o tema da inclusão não só de pessoas com alguma deficiência, mas pessoas que são um pouco diferentes e que tem síndromes que deformam alguma parte do seu corpo. O livro “Extraordinário” da autora R.J. Palacio – ela é ilustradora e atua no mercado editorial e tem uma ONG que faz campanhas contra bulling – conta a historia de August que tem não uma, mas duas síndromes raras que deformaram seu rosto. Eu digo que me identifiquei em alguns pontos quando estudava, quando eu saia para dar umas voltas e o quanto as pessoas vão nos discriminando ao longo da vida. Por mais que esquecemos esse lado, ainda é uma realidade. Mostra que a educação não é diferente nos Estados Unidos da América, pois lá com toda a educação mais ou menos, boa e de qualidade, ainda sim há discriminação e tendo que ter ONGs para defender esse tipo de coisa nas escolas.

O formato desse livro é muito diferente dos outros, seu formato é bem interessante porque coloca cada um ao seu redor como um depoimento. Talvez, por a autora ser de uma ONG, ela esteja familiarizada com essas situações e tem a ver um pouco conosco. Por que? Porque lida com a aceitação social daquilo que eles consideram como “diferente”, ou como está no livro, deficiente. Só que o diretor deixa bem claro que o menino não é deficiente e não teria problema em aceitar ele se fosse, mas tem uma síndrome que faz seu rosto ser deformado e isso é bem retratado no livro. O menino tem que passar pela escola comum para aprender a lhe dar com o mundo, afinal, nem sempre seus pais vão lhe defender e nem ao menos sua irmã, a Via (ela se chama Olivia, mas August chama de Via), vai poder lhe defender. E isso é um processo que todos nós passamos na vida, passamos momentos bons que as pessoas aceitam nosso jeito e nossa aparência, outros dias as pessoas acham que você atrapalha, que você fica ali porque teima em sair e teima ser uma pessoa com deficiência ou “diferente”, que quer ser um cidadão como outros qualquer. De quem é a culpa disso tudo? Nossa. Não buscamos mostrar que existimos, os pais sempre nos mostram que o mundo é cruel para nós, mas eles querem que encaramos esse mundo. Muitas pessoas não querem. Querem ainda formar guetos, porque nos guetos se sentem mais seguros. No livro isso é mostrado com os pais de August, a mãe é brasileira e é professora que largou tudo para cuidar do filho, o pai é norte-americano que quer proteger o filho desse mundo, a mãe não quer. Simbolicamente, o pai é o lado racional, a mãe é o lado emocional, o lado humanitário está no lado materno, o lado racional e pouco humanista, está no lado paterno. Mas eu digo que quando você é diferente, você passa a ter que encarar o mundo a sua volta e isso chamo de nosso “agogé”.

Quem assistiu o filme “300”, viu que o “agogé” eram formas de educação espartanas para criar homens que lutassem e fossem guerreiros. Eram soltos nas florestas ao redor e eram quase esquecidos, tendo que lutar, tendo de caçar e tendo que matar se fosse preciso. Nós também somos treinados, quando vamos a escola comum, a enfrentar o mundo e a saber que ele é sim feito de pessoas egoístas, pessoas que só se aproveitam, mas também, existem pessoas que aceitam e podem ter uma amizade sincera e não por pena ou algo do tipo. O livro mostra que não somos isentos de levar murros e de dar murros, de causar brigas e desobedecer, porque podemos ser “diferentes”, mas não somos além do que seres humanos. Μas como romper algo tão enraizado dentro da humanidade a ser até confundido como algo biológico? Ai que mora a questão, pois temos que romper a imagem que fazem de nós dentro da sociedade e não alimentar essa imagem. Claro que não vamos negar quem somos e o que usamos como aparelho, mas romper com esse paradigma (paradigma é uma imagem social de que residi nessa sociedade por muito tempo). Mas como e o que fazer disso?

Dês de quando eu tive internet nunca participei ativamente de grupos de pessoas com deficiência, sempre focando em grupos que me trouxessem conhecimento. Então ficava mais em grupos de filosofia, grupos de assuntos gerais, até mesmo, sobre rock e heavy metal. No Yahoo ainda se tinha uma discussão verdadeira sobre a deficiência e assuntos relevantes no Porta de Acesso, porque nem no nome tinha aquela coisa de diferenciar as pessoas com deficiência com as demais, era uma coisa só. Eu tive um contato efetivo quando comecei a participar da sala virtual de pessoas com deficiência da UOL e ainda, eu encontrei por acaso porque estava procurando um chat que alguém me explicasse como jogar um jogo que não estava entendendo. Foram momentos divertidos e ao mesmo tempo, tive a certeza que não se mede caráter com uma cadeira de rodas ou tudo mais. Depois veio o Orkut e também nunca gostei de participar dessas comunidades, porque não se tinha assunto, resolvi fazer a minha. Sexualidade Do Deficiente era a maior comunidade do Orkut e umas das mais conhecidas, mas por causa da imagem, ela foi denunciada porque o pessoal (se me lembro era senhoras religiosas), pensaram que era um bando de tarados pensando em atacar esses indefesos “anjinhos”. Mas eu nem ficava muito, porque não me interessava e deixei rolar e quando vi, era uma bagunça só e fiz muitos inimigos que fizeram muita sacanagem. Depois que ela foi apagada, nunca mais ergui ela nem a pedidos, porque esse tipo de assunto não é discutido como se deve. Aliás, quando se discuti sobre a deficiência em si, não podemos dizer que sai coisas boas e sim, só “panelinhas” e brincadeirinhas sem graça. Dai sempre ficava nas comunidades de filosofia e assuntos gerais. Não me vejo numa comunidade de pessoas com deficiência, não porque não me aceito como sou, pois se eu não me aceitar, não terei nenhuma identidade, mas porque não me vejo em discussões fúteis ou de cunho infantil. Ora, ainda existem pessoas que nem discuti discutem, então, por que estão em uma comunidade de “discussão” de pessoas com deficiência? Só para dar volume ao seu Facebook?

Na verdade essas comunidades viraram guetos de pessoas com deficiência porque trás a sensação – que não é verdadeira – de estar em um lugar seguro que que podemos conversar sobre o assunto da deficiência em si. Isso mostra como esteticamente somos levados a uma falsa imagem de conforto aonde não tem, a ideia em sua essência que essas comunidades são seguras e que o mundo lá fora é cruel, que as escolas e as comunidades são feitos de pessoas más e que não vão nos aceitar e somos unidos. Ai que está a essência da questão, existe o estar unido e ter união, pois estar unido são pessoas com seus objetivos e suas crenças unidas, mas com o seu próprio proposito. E existe a união que são pessoas que tem o mesmo proposito e as mesmas ideias e fazem uma união, porque defende essa ideia para se chegar a uma meta. Por exemplo, quando temos uma comunidade “Cadeirantes e andantes são amigos”, isso pode mostrar a ideia que antes não eramos amigos e que houve uma união para efeituar essa imagem. E outra, a ideia em si do “cadeirante” é uma ideia que só o cadeirante pode entrar na comunidade e ser amigo de andante. Esteticamente, o nome não fala em estado e sim, fala da ideia do que seja “cadeirante” e o que é “andante”. E fica uma coisa meia excludente como se houvesse de ter uma comunidade para o cadeirante ser amigo de andante, ou que cadeirantes também amam, ou que cadeirantes são evangélicos e por ai vai. Por que os cadeirantes não entram numa comunidade evangélica? Por que o cadeirante não entra numa comunidade de andantes e fazem amizade? Como eu disse, não tive e não tenho esse tipo de interesse porque se quero uma inclusão, eu devo me incluir e incluindo que vou passar a ideia que não é que sou cadeirante que não tenho amigos andantes como também, não é porque sou cadeirante que não amo. Esse é o foco. Se August morasse aqui e buscasse uma comunidade para participar no Facebook, garanto que ele ia querer participar de uma comunidade do Star Wars (que ele gosta muito), porque para ele não importa se existe pessoas iguais a ele, mas o importante é o que ele é e gosta.

Assim nunca vamos lutar para um mundo inclusivo que aceitam as pessoas com deficiência como somos e como podemos ser e como o Sr Buzanfa, o diretor, disse a prateia na formatura do August: “Não importam as variações dos formatos das nuvens, elas sempre vão ser cintiladas pelo o sol.”. Pensem nisso.

Publicado por: Amauri Nolasco Sanches Junior e Marley Cristina Felix Rodrigues | 14/04/2015

Prefeitura com deficiência

por Amauri Nolasco Sanches Junior.

Quando eu vejo alguém elogiar o prefeito da cidade de São Paulo, eu lembro daquela conversa que sempre olhamos o nosso lado, sempre achamos que o que acreditamos é o certo. Infelizmente o debate politico virou “palanque” de pessoas partidárias que não querem resolver os problemas da coletividade – que pelo que vi no protesto desse domingo, muitas pessoas ainda querem o terceiro turno e não a cassação dos responsáveis da corrupção – e sim, quer resolver algum problema da sua calçada, ou melhor, do seu problema. As pessoas com deficiência não estão isentos desse partidarismo – por motivos óbvios de um homem que nunca ajudou a educação inclusiva quando secretario de educação, ser eleito prefeito – que por vezes é mais latente quando se trata de uma crença enraizada da falsa promessa de melhoria. Aonde a cidade melhorou a inclusão? Aonde o transporte ficou mais acessível como nos promete o prefeito com as “mudanças”?

Para dizer que estou sendo partidário e não vejo as coisas que o governo do Estado também faz, o metro de São Paulo é muito ruim no caso de acessibilidade. Elevadores que não funcionam. Fiscais que não ajudam os cadeirantes a subirem nos trens e enfim, todo tipo de coisa acontece dentro do metro que não está isento de critica. Mas hoje, nesse momento, quero falar da degradação do ATENDE ao longo desses anos, já foi exemplo de transporte para outras cidades, já foi exemplo de transporte para outros países também. Mas confundiram direito com bagunça, porque no primeiro momento, o transporte de vans porta-a-porta era destinada a quem realmente não poderia tomar um ônibus, quem realmente não tinha mobilidade o bastante para sair a rua, quem realmente, não poderia sair. O problema, como disse acima, foi confundi direitos com o “eu quero também” e dai, o partido do atual prefeito adora um populismo, enfiou até quem não precisa desse tipo de transporte. Essa é a verdade. Quiseram trancar as pessoas com deficiência num transporte exclusivo para não ver a cara dessas pessoas, porque passageiros reclamam de ficar parados para pegar os cadeirantes e isso é verdade. Mas não é só cadeirante, pessoas autistas, pessoas com síndrome de down, pessoas com deficiência auditiva, visual que tem cão guia (que nos Estados Unidos, podem circular a vontade), entre outras modalidades, que as vezes, atrapalha quem realmente precisa do serviço. A demanda aumentou, aumenta a precisão do serviço, aumenta rapidez que esse serviço deve ter manutenção e tudo mais, fora que os motoristas devem ser treinados mais rapidamente. Ai que mora o perigo, aonde e como esses motoristas são treinados e como essas vans são montadas e postas a serviço da comunidade, pois o que nos dizem é que os motoristas passam por um treinamento da própria SPTrans e as vans são compradas “baus” (aquela fechada que é para carregar carga por ser mais barata), depois é transformada em vans que são aptas ao transporte de pessoas. Só que as molas não são trocadas para molas de transporte de pessoas e sim, continuam como molas de carregar carga. As vezes penso que carregam mesmo, mas vou chegar lá.

Lógico, que as prefeituras ao longo dos anos, como já disse, foram degradando o serviço e foram transformando o serviço num “curral eleitoral”. Não sei qual foi o intuito do atual prefeito, mas o que era ruim, ficou pior porque as novas regras e a nova gerencia deram ao serviço, uma cara de degradação e decadência. Os movimentos sociais em prol as pessoas com deficiência e as instituições, fizeram a parte do “eventos” algo peculiar, porque alguns até exigem as 160 vans só para seu próprio evento e não é só isso, o fim do ano, esse serviço passa a ser um inferno. Nosso movimento, Irmandade da Pessoa com Deficiência, usa apenas uma só van e essa uma só van é negada sempre quando acontece o Teleton do SBT e isso é a verdade absoluta. Só que não é só nessa gestão que isso acontece, aconteceu também na gestão passada e acontece sempre. Os motivos que levaram o atual prefeito a mudar a gerencia – segundo uma palestra que eu estava presente no Conselho Municipal das Pessoas com Deficiência – foi a mudança, mudar a cara da cidade para transformá-la em uma cidade mais jovial. Acontece que as coisas não são simples e o senhor prefeito deveria de saber disso, pois troca uma gerencia que realmente cuida do serviço e mais ou menos, nos proporciona uma melhor autuação dentro das demandas que devem ser atendidas, para uma gestão que pensa que as vans são deles, que o serviço só pode ser prestado para quem agradam eles e não pode ser assim. Afinal, o serviço é pago com nossos impostos, com os impostos de familiares das pessoas com deficiência, com os impostos que são gerados recursos para esse tipo de serviço. Se a demanda é grande, isso não é nossa culpa e nem nossa competência, porque isso é gerado graças a falta de estrutura arquitetônicas urbanas, falta de trabalho, falta de educação e treinamento dos motoristas de ônibus, falta de uma maior conscientização da sociedade e dos órgão que fazem esse trabalho.

Um exemplo claro disso é que estou com a cadeira de rodas quebrada – já estava quebrada e piorou com esse evento – e a minha noiva ficou de cama num evento no dia 5 de abril, Pascoa, porque o motorista passou muito rapidamente nos buracos, falava muito e reclamava além da conta. Se isso é um exemplar exemplo de treinamento, então, somos obrigados a admitir que o serviço ATENDE está se decaindo a cada momento e isso é um reflexo da banalização da inclusão de pessoas com deficiência. E não me façam rir dizendo que o motorista tem 6 anos de ATENDE e foi contratado na gestão anterior a está, pois pelo menos as reclamações que levei a cabo, todas foram resolvidas e respondidas, coisa que não acontece nessa gestão. Até mesmo tiraram o e-mail do gabinete do prefeito e jogaram as reclamações as secretarias que demoram 2 ou 3 meses para responder a essas mesmas reclamações. Como disse antes, o serviço anda decaindo a cada gestão e isso só vai parar quando acabarem com o serviço de vez e o dinheiro seja colocado em outro lugar. Mas a pergunta é: quem vai pagar meu prejuízo de acabar de quebrar a minha cadeira de rodas? Quem vai pagar os remédios da dor que a minha noiva está sentindo na cama? O trágico é que a gerencia passada teríamos uma resposta – se era mentira ou não eu não sei – mas pelo menos nos respondíamos e o prefeito fazia algo a respeito.

Aliás, não só no transporte o tema inclusão nessa gestão está sendo bastante ineficiente, na questão da saúde os postos estão muito a desejar com médicos que não sabem tratar a deficiência em si. Quando fazemos pedidos de cadeira de rodas ou outro aparelho, além da imensa burocracia que é conseguir uma cadeira de rodas, a maioria dos postos de saúde não sabem dessa lei ou fingem não saber. Pedidos de cadeira motorizada ficam mais difíceis com essa burocracia, porque a lei para o SUS liberar a compra de cadeira motorizadas já saiu, então, por que esses mesmos postos (comandados pela AMA) não sabem dessa mesma lei? Por que esses mesmos postos não tem medico para um atendimento de verdade e não um atendimento de fachada? E tudo isso acontece com a gestão de um partido que se diz protetor da minorias, que essas mudanças são mudanças para melhor, só que as promessas só ficam nas promessas e não se cumprem, porque o próprio segmento das pessoas com deficiência, banalizaram a inclusão e nem sabem o que é inclusão. Muitos acham que a solução são guetos, muitos sabem que esse partido fez pouco para as pessoas com deficiência, então, por que continuam a votar e apoiar esse tipo de partido que não fortalece o transporte acessível, não fortalece a saúde e a reabilitação, não aumenta o números de carros e médicos treinados, não abrem vagas inclusivas de emprego mais acessíveis e menos burocráticas as pessoas com deficiência? Como as pessoas com deficiência podem apoiar esses partidos, se esses mesmos partidos nem ao menos, tem uma agenda sobre a inclusão?

São coisas que eu não entendo e juro que quero entender, porque não me entra na minha cabeça esse tipo de discussão não ser uma discussão relevante, uma discussão que vai muito além do partidarismo. É lógico que o serviço ATENDE está lotado porque não temos trabalho para comprar um carro – que demora 2 anos para sair da fabrica adaptado com todas a documentações e a liberações do DETRAN – dai as pessoas precisam usar a van, porque também, ou os táxis não vão ou é muito dinheiro a pagar. O salario da pessoa com deficiência é baixo e não pode pagar nem um plano medico e nem um transporte próprio, causando uma maior demanda desses serviços e um maior erro que eles cometem. A não demissão a funcionários públicos que não cumprem o seu serviço. Não ter uma agenda para tratar assuntos sobre acessibilidade e um maior empenho de gerar renda e não dar renda como se esses polos, não precisassem gerar essa renda. Isso é básico em qualquer país que tenha uma politica séria. E o mais importante – coisa que estou fazendo a muito tempo e voto nulo – temos que ter consciência que somos eleitores e somos cidadãos como todos os demais, não somos mais (não, não somos especiais), nem menos (não, não somos pecadores ou algo do gênero). Então, podemos ter essa arma, ou se usa, ou vamos patinar até virarmos pó. Ou vou precisar desenhar?

Publicado por: Amauri Nolasco Sanches Junior e Marley Cristina Felix Rodrigues | 01/04/2015

REATECH – o sonho acabou?

somos todos “palhaços”

Por Amauri Nolasco Sanches Junior.

Eu não vou esse ano para a REATECH, porque não acho mais graça em uma fera de tecnologia que virou “point” de encontro de amigos. Pior de tudo, não tem mais tecnologia. Não sou muito habituado em seguir o que os outros seguem, fazer o que os outros fazem ou ler o que os outros leem. Seguir uma sugestão é uma coisa, fazer obrigatoriamente como se fosse um “ritual sagrado” é outra bem diferente. Mesmo o porque, as coisas perdem muito a graça, fazem eu perder o interesse e a vontade de entrar só de imaginar todo aquele povo achar que aquilo é uma praça de recreação. Não. Não é. É exposição de tecnologias acessíveis, fora isso, vira parque temático de cadeiras de rodas e outra deficiências.

O que vi entre 2013 e 2014 é uma banalização do evento em si mesmo, porque virou banal você ir a REATECH como se fosse uma balada e não é, não é uma baladinha qualquer. Na verdade a REATECH é uma feira de tecnologia para pessoas com deficiência, tendo novidades entre tecnologia que podem ajudar. Acontece que como todo ato que fica popular, ele fica banal porque a essência daquilo não existe mais, porque aqueles que realmente iam para a feira de exposições não vão mais, porque não é hoje uma feira de exposições, mas um comercio muito mais do que exposições. A comida cara, a falta de estrutura acessível, a falta de postura de certos cadeirantes com o companheiro que de repente, tem uma mobilidade lenta, a falta de banheiros e os banheiros químicos são apenas o reflexo dessa banalização. Além dos “machos alfas de rodas” que se acham celebridades, se acham pessoas acima de qualquer um e fica “azarando” todas as mulheres de lá. Só que não estamos em uma “balada”, não estamos em uma feira no meio da rua, estamos num centro de exposições Imigrantes tentando aprender e observar tecnologias que podem nos ajudar, mas há milhões de coisas que nos impedem, a falta de educação é uma delas. Então, toda aquela vontade de fazer se perdeu por causa de gente mal educada e que realmente, não sabe o seu lugar.

O segmento das pessoas com deficiência não entenderam que uma coisa é ter uma deficiência, outra coisa é achar que são eternos adolescentes sem a menor responsabilidade para consigo ou para os outros. Não que eu tenha a ver com a vida de cada um, para mim eu vou viver feliz e contente com meus pensamentos e principalmente sem saber de detalhes da vida dessa gente (me estressei demais com o meu antigo movimento onde participava), mas quando se está em sociedade e dentro de um evento importante, no mínimo se espera civilidade e educação. Nossos eternos adolescentes, ao que parece, só querem saber da “dança do acasalamento”, comer e usar o banheiro (que aliás, no Reatech é uma porquice sem tamanho). Não quer lutar, não quer entrar em nenhum movimento social ou ONG, não quer ir em reunião politica, não quer lutar pelos seus direitos e ainda, critica quando conseguimos algo serio através do nosso movimento social. Não quer nem ao menos saber de lutar pelo direito de ter preferencial em uma fila, ter um lugar acessível para se divertir e o pior, alguns reclamam da adaptação que a outra deficiência precisa, como certos cadeirantes “cabeças ocas” reclamaram do piso tátil para pessoas com deficiência visual.

Isso tem uma lógica e uma regra, ou melhor, a não colaboração a regra. O que acontece que temos uma regra ética (social que usamos quando sairmos e convivemos socialmente) e uma regra moral (que são valores recebidos dentro da família ou do convívio de alguém ou religião, ou ideologicamente), que as pessoas com deficiência não estão isentos de receberem essas duas regras. Muitos nascem com essa deficiência e outros adquiri a deficiência ao longo da vida, então, existe uma regra ética e uma regra moral para nós também. Muitos que nascem com deficiência – existem exceções, mas é uma regra nacional – são muito sub protegido pela família pelo nosso velho estereótipo que não podemos se defender. No caso de uma deficiência mais severa, sim é verdade, mas no caso de uma deficiência menos severa, já é sem-vergonhice. Por que? Porque a maioria gosta de ser protegida. Acomodação dentro do segmento das pessoas com deficiência é quase um pleonasmo, porque somos já um povo acomodado, ainda mais se somos deficientes. Mas como disse acima, temos a regra moral e como fomos criados com essa regra moral, então como eu e alguns colegas dizem, deficiência não é régua para medir caráter de ninguém. Tem deficiente que rouba. Tem deficiente que estupra (sim, existe). Tem deficiente que faz filho e num assume. Tem deficiente que aproveita da deficiência. Tem deficiente fanático religioso e ideológico. E tem deficiente “macho alfa” como todo país machista que se presa, tem ao monte. Esses machos alfas são a maioria desse eventos e acham que arrasam porque jogam basquete, ou porque são atletas, ou porque simplesmente, são paraplégicos. Aliás, na minha opinião de pessoa com deficiência dês do meu nascimento, uma pessoa que adquire uma limitação por causa de um acidente ou por causa de alguma coisa dessas, não deveria ser considerado uma pessoa com deficiência, porque a deficiência é algo como a perda de uma eficiência de movimento. Há uma certa mobilidade com as pessoas paraplégicas. Mas é uma questão para outro texto.

Voltando, essas pessoas (na maioria homens) enchem o saco porque sempre temos que ficar olhando os cruzamentos do evento para não ser atropelado, ou ouvir da nossa companheira que o cara ficou enchendo o saco dela e o que é pior, com você no lado. Aonde está o respeito nesses casos? Aonde podemos ir para ter tranquilidade? Nesse caso é uma falta de ética e quando um povo não tem ética, ele acaba não tendo moral nenhuma, porque todos os valores sociais foram jogados no lixo. Então, com raras exceções, a REATECH nada me agrada e pra mim não passa de tampa de vaso sanitário para esconder a sujeira que é a acessibilidade no Brasil, que não tem nada de bom e que funciona. O simbolo do evento é um coração com o símbolos diversos das inúmeras deficiências mostrando, talvez, que só podemos incluir com amor e o respeito. Assim? Impossível. Não acho que esse tipo de feira tecnológica vai resolver algo da inclusão, porque os problemas persistem mesmo acontecendo ela. A visão que todos tem é a mesma, o próprio deficiente se trata como lixo, a acessibilidade é a mesma em todas as cidades e ainda é pior, para temos acesso a essa tecnologia, temos que ter emprego e emprego não tem aqui, ainda mais, cadeirante. A lei de cotas é uma grande enganação, porque números são fraudados, estatísticas podem ser manipuladas, mas para aqueles que conseguiram, conseguiram por fatores muito mínimos. Concursos são impossíveis de se fazer, pois há uma exigência ridícula de laudo medico até mesmo para a empresas. Então, imagino que um evento desses seja só uma ilusão que venderam para causar impactos desnecessários. E também não acho que é um modo “cruel” do grande monstro do capitalismo para explorar os “coitadinhos” dos deficientes, pois há problemas muito além disso que vai além de uma feira de tecnologia que tem a ver com a incompetência estatal.

Enfim, não vou.

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