Publicado por: Amauri Nolasco Sanches Junior e Marley Cristina Felix Rodrigues | 15/08/2015

Juntos somos fortes – será?

Tenho um certo ceticismo ainda com esse tipo de frase. Primeiro, que esse tipo de frase faz a inclusão algo tomado como se fosse uma luta junta e ninguém pode questionar. Segundo, que estar junto não é necessariamente, não ter seu ponto de vista que não limita a luta, mas agrega muito ela. Já ouvi e li muitas pessoas dizendo que não concorda com o que digo ou escrevo, só por causa do meu olhar critico dentro da inclusão que sabemos não ser fácil. Mas como ser critico em uma sociedade que infelizmente, tem um modo passivo de pensar? Críticos passam a ser demônios – não é a toa, que criaram um conceito que o diabo era um grande critico de Deus – porque eles querem pensar por si mesmos, querem desmantelar por si mesmos esquemas que não passam de vícios, querem dinamitar o pensamento do senso comum que nada ajuda, mas não querem destruir esperanças. As coisas não são tão radicais assim.

Umas das coisas que o critico tem e é muito valiosa é a sua própria opinião. Essa opinião não tem a ver com opiniões alheias, tem a ver com opiniões com convicção e a certeza que essa opinião é sua. Quando dou minha opinião sobre a escola inclusiva, não me interessa se a esquerda fez e a direita não, para mim é indiferente os pontos de vista das pessoas que querem fazer uma banalização com aquilo que não deveria ser banalizado. Se a esquerda discutiu mais, isso não quer dizer que fez, muito menos, eles são melhores que a direita. Como disse em vários textos, na inclusão das pessoas deficientes não existem ideologização e não deveria ter, não deveríamos escolher um lado, afinal, nenhum lado se importa com esse assunto. Mas a convicção de um assunto, ter ele em sua cerne, a importância dele, fará a diferença na hora de discuti e na hora de dar a sua opinião. Mas o que é critica da inclusão? Um olhar mais a fundo da coisa e não um olhar simplista de pessoas que querem construir um nome, pessoas que querem dar uma visão muito rasa em coisas que não são tão fáceis de serem discutidas.

Primeiro. Temos que saber todo o histórico psicossocial das pessoas deficientes para saber começar a uma analise, sem isso nós não podemos nem começar a discuti. Porque fica igual aquele cara que viu uma frase de determinado filósofo e se acha estudioso do filósofo. A inclusão deve ter um estudo de prevenção – pois muitas deficiências são erros médicos e erros óbvios que podem prevenir deficiências graves – porque por mais que se avance na tecnologia, as pessoas ainda nascem deficientes por causa de coisas banais e irresponsabilidade social (a própria família por não ter estudo). Depois, pensar em centro de reabilitação que possam ser eficientes e não movidos por marketing barato, pois para mim não adianta ter os melhores médicos, os melhores equipamentos, os melhores funcionários – a maioria não tem, isso são fatos meramente ilustrativos – e ter filas enormes para aquele deficiente ser atendido. Aliás, há uma preferencia estranha – não muito porque sabemos os motivos – de tratar muito mais uma pessoa que ficou deficiente e tem uma grana do que quem nasce com a deficiência, e quem nega isso, não esta sendo honesto intelectualmente. Pois bem, quem nasce com deficiência precisa de reabilitação e escola, porque se queremos incluir as pessoas deficientes na sociedade, a melhor coisa é fazer uma escola que abrigue todas as crianças e incluindo as com deficiência. Claro, que se deve trabalhar a família desses deficientes para não ficarem inseguros – jornais que deveriam informar, mas colocam medo do que informam, porque se quero a “verdade” eu saiu para o meio da rua – dando segurança e materiais que precisam para um desempenho bom. Felizmente, muitas das escolas que estudei tinham acesso, mas muitas não tinham preparo dos professores e nem dos funcionários para abrigarem pessoas como nós no ensino. Antes mesmo da reabilitação e educação escolar, existe o transporte dessas crianças que não pode ser qualquer porcaria que se ponha uma rampa ou ponha um acento inclusivo – que aliás nunca são respeitados – tem que ser um transporte exemplar e especifico para deficientes. A gerencia deve entender desse assunto, inclusive, seus engenheiros que adaptam esse transporte e quem testa, deve usar esse tipo de transporte.

Depois temos que pensar que nós deficientes temos a capacidade de trabalhar e produzir aquilo que escolhemos para trabalhar e isso não é criando uma “leizinha mequetrefe” que vai fazer, isso deve ser inserido em uma obrigação social. Embora goste da filosofia econômica libertária e a filosofia social onde as pessoas devam pensar por si mesmas, a empresa tem um papel social e nada tem a ver com o comunismo ou outra filosofia socialista. Sem que as pessoas trabalhem e as pessoas produzam, não há economia que se sustente por si mesmas e se não for assim, a comunidade não prospera, não há mais dinheiro porque não há estudo e não há aprimoramento da mão de obra. O Brasil vive a falta dessa educação, a falta de trabalho que fali o Estado e não gira a economia. Já Aristóteles a uns dois mil e quinhentos anos atrás, dizia que era mais barato dar um emprego as pessoas deficientes do que sustentá-las, pois sempre quis entender o porque se nós estudamos tanto os empresários ainda acham que não podemos trabalhar e ajudar a economia. Também a melhora do transporte gera mais oportunidade para o trabalho.

Segundo, não somos assexuados e não somos providos de se apaixonarmos. Talvez um dos mais odiosos tabus que temos que quebrar é que somos seres humanos como qualquer um e podemos sim ter uma vida sexual, mas como todo exagero faz mal, não estou me referindo a “putaria”. Existe uma grande diferença em querer ter um ato sexual com quem está apaixonado e “putaria”, pois quem tem afeto sempre é humano, “putaria” você transforma um ato importante em um ato banal. Depois, não é saindo pelado em foto que isso vai mudar, porque nossa sociedade ainda está presa em uma religiosidade muito grande que tem o sexo como errado, mas se fosse errado, as pessoas não faziam e não tinham tantos filhos assim. O que se deve combater é o exagero – em tudo na nossa vida o exagero nos coloca em encrenca – que sempre faz mal ao nosso corpo e a nossa alma, pois contamina o mais puro intimo. Essa visão religiosa sempre nos colocou como “crianças eternas” que não somos felizes, mas a felicidade é algo relativo, mas ao mesmo tempo, a felicidade tem a ver com o afeto e a sexualidade.

Ora, o que vejo é muito as pessoas pousarem de “lingerie”, pousarem sem camisa para mostrar que as pessoas deficientes tem um viés social. Quem tem um pouquinho de “QI”, não precisa ter muito, sabe que nossa sociedade tem a mania de generalizar tudo e todo mundo. Qualquer mulher bonita, por exemplo, vira uma “panicat” e qualquer homem vira “pegador”. Então, se uma mulher quer sair de lingerie numa foto, estou pouco me linchando, acontece que aquela mulher que sai de lingerie pagando de fatal, coloca outras mulheres num patamar que não querem estar. Ou, aquele cara que nem conseguir andar consegue, nem sai sozinho sai, nem mesmo limpar a sua bunda consegue, ainda quer pagar uma de “pegador” fatal pousando sem camisa, que acaba colocando em um patamar outros homens que não querem estar ali. Eu, por exemplo, acho execrável um homem se rebaixar a um animal e pagar para ter um momento sexual, rebaixar a um misero primata para só mostrar para os outros que é o “macho” da especie. Tenho náuseas irritantes quando vem um cara cobrando acessibilidade em casa de prostituição, porque o “machinho” quer copular um pouco, para mim, o problema é dele e ele deve se virar. Enfim, estava falando sobre a engenharia social que diz que menos informação demos, menos as pessoas vão invadir a sua vida e isso tem muito a ver com a sexualidade de cada um.

Já soube de muitos assédios sexuais que aconteceram porque a mulher foi simpática ou brincou, talvez dando parecer que estava “afim”. Mas as vezes, sim, tem a ver com a educação que temos por aqui que as mães educam seus filhos como se fossem “reizinhos” e não impõem respeito. Sinceramente, é muito chato as pessoas ficarem achando que uma REATECH, por exemplo, é um grande cubículo de acasalamento e não existe outra coisa na vida além de ficar enchendo o saco dos outros, afinal, acredito que ninguém mais é adolescente. Ou será que estou errado? Será que os homens brasileiros são acometidos da síndrome da adolescência tardia? A verdade é que só mostraremos que somos sexualmente ativos, quando pusermos na cabeça que não somos obrigados a sermos iguais as outras pessoas e sim, podemos mostrar um “pingo” de civilização.

Terceiro, quando montamos um movimento ou somos eleitos coordenadores de ONGs e de movimentos, temos pelo menos, saber de leis que nos beneficie. Essa historia de que as pessoas deficientes “leigas” tem o direito a concorrer e não precisam estudar é um incentivo a “burrice” generalizada, não vão poder ajudar o movimento e nem a ONG e vai ficar como um “boneco” para as pessoas mal intencionadas poderem lhe dominar. Depois não adianta achar que você ou seu movimento é único no mundo, isso é querer ser o “paladino” da inclusão e não precisamos de paladinos, precisamos de união e a certeza daquilo que queremos. Isso mesmo, ter convicção e foco daquilo que se acredita ser certo e não ficar achando que vai salvar todo mundo sozinho. Por isso a expressão, fé, foco e força não é de todo errada – lógico que não estou contextuando num patamar religioso – porque coloca a pessoas naquilo que almeja alcançar.

Foco não necessita ficar repetindo toda hora o que se quer ou o que é como um papagaio alucinado, temos exemplos inúmeros de pessoas que foram lá e fizeram. Fazer não é ficar dando lição de moral a ninguém, fazer é respeitar o passo do outro e isso também não quer dizer incentivar “burrices” inúmeras. Estudar é uma das coisas mais dignas que o ser humano pode fazer consigo mesmo, porque quanto mais se lê ou estuda determinada área, se pensa com convicção e se pode questionar aquilo sem ficar achando “gurus” que te levam ao caminho, pois o caminho você mesmo pode achar. Também não acredito que pessoas surdas, por exemplo, não possam melhorar a escrita – me parece que alguns surdo que não tem IC, não tem senso critico de achar que as pessoas vão entender o que eles escrevem nas redes sociais, não entendo bulufas e não sou “tia da instituição” para passar a mão na cabeça – não acredito que pessoas cadeirantes não possam ser algo além de esportista ou não possam melhorar a vida, não acredito que as pessoas cegas ao invés de usar a língua para responder estupidamente, leve algo de bom as pessoas. Mas o pilar disso é a convicção, sem isso, não há luta nenhuma e a inclusão vai continuar esse lixo que sempre foi aqui no Brasil.

Quarto, quando melhorarmos o transporte, quando melhorarmos a saúde e reabilitação, quando melhorarmos a educação, quando melhorarmos o emprego e o trabalho que os deficientes poderão ganhar dinheiro e ter uma vida digna, poderemos pensar em adaptar uma praia, adaptar um aeroporto (mesmo que alguns deficientes usem para trabalho, ainda são muito poucos que usam), adaptar toda a gama de coisas secundarias. A lógica é bem simples, se você adapta uma praia, por exemplo, as pessoas sempre vão achar que os deficientes são seres inúteis e não podem trabalhar. O cara não está na praia? Para que ele quer trabalhar se está com a vida “mansa”? Mas sempre quando alguém diz isso, a nossa cultura vai ficando rasa e insignificante, porque não temos uma vida “ganha” ou “mansa” nem por esse insignificante ser que não sabe da nossa vida. Aliás, milhares de pessoas deficientes estão com uma vida deplorável que nem sabem o que é uma praia, não sabem nem o que é avião, não sabem nem o que é vida. Então, não me venham “estuprar” minha inteligencia achando que vou acreditar que existe inclusão, se existe, muito poucos usufruem dessa inclusão. Muito poucos sabem o que é ter uma deficiência sem dores, sem se sentirem rejeitados e por sermos um povo religioso e ignorante, alguns não podem sair porque o transporte administrado por pessoas doentes da sua gama de sede de poder, insistem em regras imbecis. No nordeste, um lugar pobre e miserável que nem mesmo a esquerda deu jeito, as pessoas deficientes são trancadas dentro de suas casas como um castigo divino de uma religiosidade muito perigosa.

Ora, para que adaptar coisas também tão longe se podemos adaptar coisas tão perto? Se ao menos nem conseguimos adaptar totalmente um parque, muitas vezes patrimonio da cidade, para que se querer adaptar uma praia ou outro local? O que falta aqui, urgentemente, é um estudo logístico de estudo de prioridades e não de populismo, porque é degradante não ter nem centros verdadeiros de reabilitação e adaptarem praias e trilhas. Tudo bem, temos livre escolha e tem pessoas que trabalham ou tem condições de usufruírem, mas existe e tem que existir prioridade senão a luta fica vazia. Se eu não posso ir em um lugar – como acontece no museu da inclusão que só abre de semana – então não me sinto frustrado, só fico insatisfeito por causa de não visitar um museu que conta nossa historia. É o que precisamos, um estudo profundo sobre nossa historia para entender o rumo que ela tomou, ou não rumo que alguns idiotas tomaram por nós. Porem uma praia pode ser usado para sermos idiotas uteis, pessoas que reclamam e recebem um doce por causa do seu choro, pior de tudo, são crianças hienas (comem carniça e dão risada). São pessoas presas em ideologias que não fazem uma reflexão de verdade, não fazem um estudo aprofundado e fica postando imagens “do bem”, imagens positivas (ou que acham positivas) e nem ao menos, entendem as frases que postam. Que para mim, nada fazem e nada são a não ser, ficam atrapalhando a verdadeira luta da inclusão que eu e todos, construímos ao longo dos anos. Um pensamento de Sartre que gosto muito é que somos metade vitima, metade cúmplice, como são todos. Não adianta ser patife e pular fora, se a luta está desse jeito a culpa também é sua, também é minha e também é de todos nós.

E quinto, os conselhos e as secretarias não vão nos ajudar, são representações fantasmas de uma parcela que acredita ter voz e vez. Pensa comigo – não estou sendo pessimista, porque não sou contra seu surgimento, mas o rumo que tomou tais instituições – por que o Estado que está pouco ligando para você, planeja e implanta secretarias que defendam os nossos direitos exatamente cobrando o próprio Estado? Por que os conselhos abrem uma pauta e não conseguem fechar? A democracia brasileira se equivocou em colocar dentro das suas entranhas, conselhos que nada representam e lá dentro pessoas do mesmo pensamento ideológico dominante e pior, o conselho estadual de São Paulo, por exemplo, é um conselho de entidades e não de pessoas como o CONADE que também é. Claro, que um conselho nacional não pode ter uma representação popular por motivos óbvios, mas não dá para delirar que pode representar todos porque nem todos elegeram tal conselho. As secretarias não tem nenhuma representação nossa – a única secretaria com deficiência foi a Mara Gabrilli que mais as instituições mandavam nela do que o contrario que até hoje perdura (vide o Teleton e a instituição no caso que evidente que ela representa) – não sabe das nossas necessidades, não tem representação alguma, não tem um poder politico, não é nada. Posso dizer que as secretarias que deveriam assegurar nossos direitos não passam de gastos extras publico, não agilizam os transportes, não agilizam os centros de reabilitações, não agilizam a compra de órtese e prótese, não tem condições nenhuma de nos representar.

Cabe uma pergunta pertinente para a reflexão: por que temos que acatar conselhos e secretarias que não fazem nada? Por que tenho que ficar bajulado coisas que realmente não nos representam? Se fizeram alguma coisa, o fizeram depois de muita pressão e algumas delas, nos bloqueiam no Facebook por ter opiniões contrarias. Foda-se realmente se você discute com ideologia e como se o mundo fosse cor de rosa, mas não acho necessário secretarias e conselhos que não tem autonomia politica dentro da meta estabelecida. Se o conselho é de pessoas deficientes, necessariamente, tem que representar as pessoas deficientes e não instituições como vimos muitas vezes em São Paulo. Então, qual utilidade?

Portanto, minhas criticas não são criticas vazias de uma pessoa “burra” que só quer fazer birra ou lutar para obter algo para si, mas uma pessoa que está efetivamente dentro dos movimentos e dentro das instituições que mais nos prejudicam do que ajudam dês de 1992 e tem muita carga de conhecimento para ser um mero idiota. Isso mesmo, a maioria só é mais alguns idiotas uteis que nada são para o Estado do que mera massa de manobra, mero nada.

Amauri Nolasco Sanches Júnior, 39, publicitário, técnico de informática e filósofo. Idealizador da palestra: “Inclusão e Ética”, leve para sua empresa. Contato: amauri.njunior@gmail.com ou o whatt: 11984124939.

Publicado por: Amauri Nolasco Sanches Junior e Marley Cristina Felix Rodrigues | 12/08/2015

Parapan supera Pan em medalha – onde somos inúteis?

Pois é. O mesmo cara que está lá nos jogos Parapan-americanos são os mesmos deficientes que tem uma imensa dificuldade de transporte, de acessibilidade, de emprego (talvez até foi um motivo de entrar no esporte), de até manter as suas famílias – sim, alguns tem suas próprias famílias – não tem nem apoio para ir aos jogos, mas ganham as medalhas. Por que? Por que um Neymar é ferido numa pancada e os deficientes estão lá lutando? Porque para as pessoas deficientes não basta o dinheiro, não basta ser reconhecido na imprensa hipócrita, tem que honrar sua missão de defender o Brasil sem “maracutaia”. Como disse o capitão Nascimento: “missão dada, missão cumprida, parceiro”.

Mas a sociedade vê eles como “exemplos de superação” e que devem ser parabenizados e devem ser reconhecidos, ao mesmo tempo, a mesma sociedade pára em vagas destinadas a nós, não nos dá oportunidade de trabalho, não nos respeita na rua ou nos shoppings, não arruma as calçadas para nós temos um acesso melhor. Não digo em doar dinheiro para instituições – que na maioria das vezes não são tão eficientes – mas no mínimo respeitar as pessoas que tem alguma deficiência e não alimentar uma cultura de hipocrisia que só alimenta o descaso. Ora, sabemos que por trás de muitas dessas hipocrisias está o Estado que deveria defender o direito a liberdade, o direito de ir e vir, o direito que temos uma vida plena e o direito a saúde, o direito a educação, o direito a uma profissão e a trabalho. É frustrante você passar horas numa sala de aula, comprar livros, fazer aqueles trabalhos chatos que mais te enchem o saco do que te ensinam, e ninguém te dá uma chance de mostrar o que você aprendeu. Isso não falo só de mim, com uma enorme dificuldade de transporte e de acessibilidade urbana – desculpe o prefeito, mas São Paulo não é nenhum exemplo de acessibilidade e muito menos de transporte acessível, onde os ônibus adaptados são velhos, as vans especiais do ATENDE são velhas, danificadas, e para conseguir ir em algum emprego temos que já programar dês da entrevista, porque leva dois meses – não trabalham e dependem do pouco que recebem de beneficio do governo, onde prefere fazer isso, do que dar infraestrutura para o cidadão com deficiência. Ainda a “filhadaputagem” não é pouca, o Estado não obriga nem as empresas a respeitarem a lei (por motivos óbvios) e nem o próprio Estado dá essa porcentagem dentro das suas empresas. Ou seja, com ou sem concurso, as vagas deveriam ser fixas e não sorteiros de “prêmios” como se o Estado fizesse as coisas como um favor, favor damos a eles em voto que muitas vezes, colocamos eles e eles só corrompem a maquina publica.

O problema é moral e não ético, porque vai a cerne da nossa cultura que se corrompe todo os dias, porque somos um povo crédulo, gostamos de colocar desculpas metafisicas aonde o problema não é e nunca vai ser resolvido no paraíso, mas sim, na Terra. Uma parcela dessa culpa é sim das pessoas deficientes que não se cansam de ficar paradas, de ficar se achando o máximo no Facebook, mas fora dele se sentem um lixo. Alguém luta dentro de movimentos? Alguém luta dentro de ONGs? Ou vão ficar eternos adolescentes xingando muito no twitter? Namorar é bom, casar é bom, mas se não houver ação e não houver uma grande mobilização (sem ideologias que nada acrescentam dentro da inclusão), não haverá nem o direito de você amigo, dar o beijinho na boca. Não haverá o direito de trabalhar, o direito de ter uma reabilitação e o direito de viver, porque vão achar no direito de nos abortar por nós sermos deficientes. Essa é a sociedade que nos acha no esporte “exemplo de superação”, ou em outras áreas como a TV, mas que no dia a dia nos acham um empecilho para seu laser, um empecilho para ir ao trabalho, um empecilho para ir em um porto de saúde. Existem, pasmem, postos de saúde que não tem médicos especializados e nem tão pouco, acessibilidade dentro dos seus estabelecimentos.

Esse fenômeno se dá pela cultura, porque não exste outra explicação plausível além desse ponto. Porque existem deficientes que sim venderam a luta por causa de status, por causa de um emprego bom, para ter clientes para suas palestras, até mesmo, pessoas que se prendem em favores ou são tão passivas – com a alma de rebanho – que acham que o serviço publico ou particular, estão lhe fazendo um favor. Quem paga mesmo a conta de tudo isso? Quem paga para fazerem promessas cheias de marketing e não cumprem? Pagamos tantas coisas com impostos e até quando o próprio Estado nos fornece aparelhos (no meu caso, cadeira de rodas), o Estado compra, mas ao mesmo tempo recebe com os impostos da empresa responsável. Tudo vai parar dentro do Estado, porque a regra é sempre deixar quem está a margem da sociedade ali mesmo, porque sem essa parcela social, não tem quem coloque políticos no poder e nem trabalhar nas fabricas ou firmas de materiais brutos. Nós ainda somos vistos como a parcela social que não conseguimos trabalhar, que não conseguimos sair, que somos sofredores eternos, mas servimos para votar e consumir. Diz para para todos que você não vai votar? Diz que os empresários terão que dar alimentos e roupas para nós todo mês? Dar emprego e uma vida digna para nós ninguém quer, mas nos cobrar nosso deveres ai somos cobrados energicamente.

Acredito que somos cobrados até muito mais do que outras pessoas. Acredito que as cobranças devem ser feitas, afinal não somos a bolacha mais gostosa do pacote, quando fazemos nossa parte dentro do sistema social. Dentro disso não adianta cobrar ética se você não tem nenhuma, não adianta cobrar honestidade se não tem nenhuma, não adianta cobrar capacidade se desdem a capacidade do outro porque olha um corpo com deficiência. Não olha que dentro de procurar um emprego não está um ser humano que quer esmolas, mas um ser humano que com muito esforço estudou e venceu todas as mazelas sociais e estatais para segurar aquele simples papel. Aguentou professor chato, aguentou noites sem dormir, para você que prega o livre mercado – lógico que no pensamento do empresario brasileiro, o livre mercado é só o dele – não enxergar esse simples ato de tirar um diploma. Fazer concurso publico não é um divertimento, não somos tão ingênuos de estudar dia ou noite, para a única determinação de se trabalhar lá é um simples laudo medico. Isso mesmo. Se você passar só irá trabalhar na repartição publica se tiver um laudo medico, se o medico liberar e se a vaga não for preenchida por um associado de um partido. Ou somos tão ingenuo que não sabemos disso? Ou não sabemos que não dão cobertura dentro do Parapan Toronto porque não damos nem dinheiro e nem audiência? Aliás, a mesma imprensa e a mesma publicidade que não respeita a lei de quotas das empresas.

Então, não vejo exemplos maiores de superação e sim, pessoas que tem as mesmas dificuldades, as mesmas angustias, os mesmas desrespeito de uma sociedade idiota e hipócrita que ainda não enxergou e nem entendeu nada. A mesma imprensa que divulga o Teleton, a mesma sociedade que doa e faz campanha, para se sentirem com a consciência limpa, mas que não é sincera.

Amauri Nolasco Sanches Júnior, 39, publicitário, técnico de informática e filósofo. Idealizador da palestra: “Inclusão e Ética”, leve para sua empresa. Contato: amauri.njunior@gmail.com ou o whatt: 11984124939.

Publicado por: Amauri Nolasco Sanches Junior e Marley Cristina Felix Rodrigues | 31/07/2015

“Nada sobre nós, sem nós”

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Estamos numa democracia e como tal, todos podem defender suas posições e fazer dessas posições articulações politicas. Essas posições podem haver divergências, mas não pode haver desunião, não pode haver bases não solidas que no primeiro abalo tendem a cair. Como não estou vendo os movimentos lutarem (a luta ficou um monte de retrocesso que ficou um antro de negócios), não estou vendo as bases que compôs essa frase do nome apoiar a luta efetiva dentro do segmento PCDs por causa da ideologia que não fazem parte da luta, resolvi apoiar o PAIS (Partido da Acessibilidade Inclusão Social) porque acredito que pode sim haver um partido com nossa causa e para nós e com a nossa proposta. Cansei em achar que devemos apoiar pessoas que nada fazem dentro da inclusão social não só das pessoas deficientes, mas as pessoas que exigem mobilidade reduzida, pessoas idosas, as mulheres e as mulheres com deficiência, negros, necessitados entre outras coisas. Temos uma base solida porque nosso ideal é o ideal de todo cidadão que quer melhorar o lugar onde vive, o lugar aonde escolheu para viver, onde seu vinculo é muito mais do que sanguíneo é cultural, é sentimental, é do coração. Tenho dupla cidadania (italiano), mas eu fico aqui e luto pelo país onde vivo.

Divergências politicas sempre iremos ter porque não podemos concordar 100% do que se propõe e de quem está apoiando, mas existem algumas lutas que devemos que lutar sem colocar radicalismo, sem colocar amarras conceituais ou divergências nas entidades ou instituições que apoiem esse tipo de partido politico. Dentro do apoio politico, o apoio sem interesse, o apoio que você sabe que você é honesto e sabe o quanto quer designar e ajudar uma causa e a minha causa é as pessoas deficientes e não interessa se as outras pessoas fazem, se as outras pessoas são verdadeiras, e sim, nós estamos sendo. Então, quando nós amarguramos tanto tempo sem uma resposta politica, veio essa resposta de lugares que não esperamos, veio o PAIS para talvez, temos uma luta efetiva e uma só.

Vamos votar nesse enquete e ajudar o PAIS a se solifica como a verdadeira luta. Obrigado.

ENQUETE (aqui)

Para conhecer mais o Partido (aqui)

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Publicado por: Amauri Nolasco Sanches Junior e Marley Cristina Felix Rodrigues | 29/07/2015

Ética, inclusão e muito tapa!

Não é de hoje que nós do segmento das pessoas deficientes, saímos literalmente no tapa por causa de opiniões contrarias. Isso é um reflexo da ingenuidade de muitas pessoas que confundem amizade com aptidões politicas entre quem participa do Conselho Municipal das Pessoas com Deficiência e Mobilidade Reduzida e quem o a criticam, como senão pudéssemos apontar o que está de errado. A critica nem sempre é a desconstrução daquilo que se propõem aquilo, mas de uma analise muito profunda daquilo que se deve ser a proposta. Por exemplo, o CMPD tem como proposta defender o processo de defesa das pessoas deficientes e defender os direitos das pessoas deficientes, quando não faz o que é proposto, temos sim que construir uma critica a partir do processo de erro naquilo que a proposta não consegue atingir. O que acontece é que as pessoas estão menos critica e menos com vontade de construir algo solido dentro do que chamamos inclusão. Então, vou pontuar algumas coisas que as pessoas não entenderam como eu sou.

Primeiro. Não concordo com esse conversa furada de “exemplo de superação” como se quisessem nos convencer que nosso remédio inclusivo é no esporte. Gosto de alguns esportes, mas meu maior hobby é a escrita e minha profissão é a publicidade e propaganda (muito mais do que técnico de informática), porque é aquilo que eu gosto de trabalhar e dane-se se os maiores publicitários e donos de agencia, não aceitam as pessoas com deficiência. Mas há um discurso dentro do Estado que se nós quiséssemos ser aceitos devemos, obrigatoriamente, ir no caminho do esporte. O problema é a ideologia de alguns canais de TV que ainda trata as pessoas deficientes como pessoas que não sabem pensar e não sabem agir, como se o programa fosse feito para as pessoas deficientes, mas quem tem voz e vez, sempre é os pais das pessoas deficientes.

Segundo. Minha critica não é um julgamento vazio. Minha critica é uma critica filosófica que vai muito além do que mero julgamento, porque julgar é fácil, mas uma analise muito mais profunda é muito difícil. Minha critica é baseada na critica kantiana da analise transcendente – aquilo que transcende os motivos da ação correspondente – que vai muito mais além do que fazer ou deixar de fazer, vai na intenção do fato. Como, por exemplo, se o CMPD é uma entidade que defende as pessoas deficientes e não o faz, devemos fazer uma analise muito mais profunda historicamente – e quando digo historicamente, digo toda a sua trajetória dentro da cidade de São Paulo – e os motivos que levaram a não fazer, não estou analisando minhas amizades, não estou analisando as pessoas, mas estou analisando os atos das instituições.

Terceiro. Quando eu fico dando meus exemplos, não estou sendo egoísta ou querendo que meus problemas sejam resolvidos, mas nas minha situações possam servir de guia para outras pessoas. Eu dou exemplos que nunca fui contratado por ser publicitário ou escrevo artigos no blog – revistas de inclusão e editoras não respeitam a lei de cotas – muitos outros também se identificam com meu caso. Mas as pessoas insistem que fico entre 4 paredes e não vou a luta, pois a minha luta não é uma luta no campo, minha luta é a luta da mente que pode realmente mudar o conceitos e paradigmas dos deficientes.

Quarto. Pode se espernear, pode cortar seus pulsos, pode se jogar da laje do seu puxadinho. Mas não ligo para seu comentário tosco, não ligo para sua critica vazia que me faz desacreditar na educação do Brasil, não ligo se você tem uma vontade quase orgástica em meter porrada em mim. Vou continuar destruindo suas crenças, vou continuar destruindo suas ideologias, vou pisar com muita vontade da ideia que sou um pecador, um suicida, uma maldição da sociedade e estou pouco se linchando onde você se ajoelha ou onde você baixa o santo, suas crenças não fazem de você superior a mim nem a sua ideologia. Para mim nada que possa você dizer vai mudar o que penso e ainda estarei sendo irônico, estarei sendo chato e estarei sendo sarcástico até você ter um treco e cair no chão tremendo e espumando pela boca. Não sou bonzinho e nem quero ser.

É isso!

Amauri Nolasco Sanches Júnior, 39, publicitário e técnico de informática. Escritor e filósofo.

Publicado por: Amauri Nolasco Sanches Junior e Marley Cristina Felix Rodrigues | 19/07/2015

Anarco-cadeirante – uma outra historia do segmento.

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“Por vezes as pessoas não querem saber a verdade porque não desejam que suas ilusões sejam destruídas”.

(Nietzsche)

Umas das coisas que eu concordo com o filósofo grego Sócrates, que viveu a uns dois mil e quatrocentos anos atrás, é que as pessoas não são boas porque são em sua essência,  demonstram uma virtude elevada, mas que são boas porque querem algo em troca. Claro que existem as pessoas que são sinceras e fazem as coisas com o intuito do bem maior, mas a grande maioria não fazem pelo bem maior e sempre visa alguma coisa em troca. O que acontece dentro do segmento das pessoas deficientes é a mesma coisa, fotos “bonitinhas”, trajes típicos do lugar aonde mora, mas no fundo só é um bando de “bunda mole” querendo ser uma coisa que não são e ainda pior, apoiam órgãos que também não fazem nada para efetivar uma real inclusão social.

Qual o papel dos conselhos que deveriam cuidar e zelar pelos direitos das pessoas deficientes? Qual o papel dos movimentos dentro da luta efetiva dentro de um segmento de plástico? Digo segmento das pessoas deficientes é de “plástico” porque não emite verdade e não condiz com a realidade aonde vivemos, só uma realidade aparente e falsa, como se quiséssemos não olhar o que esta evidente e isso é muito claro. Por que está claro? As pessoas emitem opiniões completamente como elas ouvem e não param para pensar, para fazerem uma simples reflexão. Por que devo ouvir musicas que todo mundo gosta, se esse “todo mundo” não aceita a nossa condição? Por que tenho que assistir aquilo que todo mundo assiste, só por que quero uma “migalha” de aceitação que nunca terão? Aliás, o que temos para comemorar numa lei que não emprega e a 24 anos, tentam “estuprar” nossas inteligencia, querendo convencer que emprega? Qual é o intuito da Secretaria do Estado dos (Direitos?) das pessoas com deficiência de São Paulo? Acredito que se temos um cérebro – muitos adormece ele por causa de “analgésicos” culturais e dependência de drogas ideológicas – para usar e questionar as coisas que já são poucas e não são eficazes, porque não somos nós mesmos que planejamos, não são nós mesmos que dirigimos, não são nós mesmos que idealizamos. Sentiu o problema que emperra a inclusão?

Talvez não percebemos que ao fundarmos milhares de movimentos para defesa dessa inclusão, que não foi ruim, nós mesmos construímos nossa própria rede que nos aprisionou em uma ideologia engessada em milhares de núcleos e nenhuma centralidade. Porque tudo que o Estado (o poder estatal do governo) paga e financia, não é para garantir nenhum direito e sim, confundir as mentes ignorantes e dispersar a luta inclusiva. Ou você pensam que os conselhos e secretarias são para realmente, defender uma centralidade dentro da luta da inclusão social? Se fosse assim, as bases desses conselhos e essas secretarias, eram fortes e teriam muito mais autonomia politica que não temos. Ainda temos uma neutralidade porque as pessoas deficientes ainda acreditam que não podem fazer esse tipo de politica, mas como seres humanos que somos, somos por natureza, um animal politico. Mas também somos animais que percebemos além da realidade que vivemos – foi isso que resolvemos questões e resolvemos algumas dificuldades com instrumentos tecnológicos – e vamos a cerne do problema para, de repente, entender o que acontece e chegamos a conclusão que temos uma inclusão de plástico, sintético, artificial que precisamos nos firmar com fotos e palavras de ordem. Mas pessoas que são escravas de uma cultura ignorante, musicalmente pobre, que não abre um livro nem para tirar o pó, vai falar palavras de ordem da onde? Tirar de onde não tem?

Dês de 1992 estou dentro dos movimentos em prol das pessoas deficientes – sim, dês dos meus 16 anos – dentro desses movimentos aprendi que não sabemos articular, não sabemos ter malicia politica, não sabemos onde começar. Então, num movimento que se diz fraterno, tive a maior das visões sobre os movimentos e ONGs que acreditaram e ainda acreditam nesses conselhos, são apenas massa de manobra. É isso mesmo amiguinho, você é apenas uma massa de manobra do Estado que coloca na tua cabeça que precisa de você para resoluções que vai tomar, mas muito antes, eles já pensaram nas resoluções. O Estado amiguinhos, disse para nós que há uma lei dentro da juridição que “obriga” as empresas a contratarem deficientes, mas ao mesmo tempo, deu ao empresario uma brecha na lei não especificando qual deficiência deveria contratar e advinha qual que ele vai contratar. Você acha que as empresas vão gastar rios de dinheiro adaptando banheiros, adequando salas em estudos ergométricos, abrindo espaços em salas e corredores só para contratar cadeirantes? Imagine o gasto exorbitante e muito mais caro do que a própria multa, mas o Estado nos faz crer que temos uma proteção diante da garantia de uma empregabilidade que não temos. Não temos uma reabilitação de verdade publica, porque sempre vamos ter nos conselhos e nos congressos nacionais da vida, pessoas defendendo as entidades e instituições que ainda carregam uma imagem arcaica que não faz jus a real visão da inclusão de pessoas deficientes mundial. E outra coisa, se existem conselhos, por que o próprio Estado escolhe as gerencias de serviços essenciais a nós, se em teoria, os conselhos deveriam escolher? Se existe conselhos por que serviços essenciais para nós, não são regularizados por nós mesmos?

Quem é próximo a mim sabe da minha tendencia anarquista que me torna, não uma pessoa de querer o caos como pensam que a anarquia seja, me faz sempre raciocinar aquilo que se deve haver. O poder do Estado enquanto manipulador por 5 mil anos aproximadamente – alguns dizem 10 mil – tornaram o ser humano escravo de suas resoluções mais factuais (aquilo que ocorre) sempre a favor do que eles determinam. Ou pensam que eles iriam instituir conselhos e secretarias pela bondade de seus corações? O homem por natureza sempre vai atrás do poder, a sua vaidade sempre encontra na gloria de seu próprio nome, motivos de sobre para alienar e dominar os mais fracos para melhor atender ao seus asseios dentro do seu sustento. Quem acredita que o Estado iria dar ao trabalho de fazer um Conselho que aceitaria tudo que esse conselho determinar? Isso se dá porque as pessoas daqui, principalmente aqueles que acreditam em uma esquerda de ação e não de teoria, não estudam as leis, não estudam as varias filosofias politicas e sociais e ainda mais as pessoas deficientes que nada querem. Isso mesmo, nada querem. Querem que os outros lutem por si mesmo, lutem pelo dever que devem ter, lutem pela incapacidade mental que muitos tem de não se unirem por causa de ideologias e religiões que nada ajudam a inclusão social. Então, como ajudar aqueles que se acomodaram suas bundas na poltrona e ficam chorando?

Amauri Nolasco Sanches Júnior, 39, publicitário, técnico de informática e filósofo.

Publicado por: Amauri Nolasco Sanches Junior e Marley Cristina Felix Rodrigues | 14/07/2015

Cadeirantes sendo xingados, nova moda do povo “Joselito” sem noção.


Quem assistiu a MTV lá em 2005 por ai, deve ter assistido o programa Hermes e Renato – aliás, a pouco tempo o ator que interpretava Hermes e Renato se suicidou – que existia um personagem que se chamava Joselito. Era um tipico cara que não tinha nenhuma noção das brincadeiras, era um sujeito tipico classe media alta que não tem noção que o mundo não é dele. Muito provavelmente, é o tipico do sujeito que nunca levou um “não” da mãe e sempre brincava com os “amiguinhos” com luva e mascara para não ser contaminado pelas doenças e lógico, o mertiolate parou de arder graças a essas mães que ficavam com dó do choro do machucado. Eu passo álcool com barbatimão, porque não sinto meu machucado arder e se não arde, para mim que fui criando dentro do tempo que o mertiolate ardia, não sara e se não sara não posso fazer o que gosto.

Acontece que no ultimo dia 11 de julho, eu e minha noiva mais umas das nossas sobrinhas, resolvemos ir comemorar no Shopping como todo casal que se presa, porque ainda penso que somos humanos e temos o total direito de fazer isso. Ora, umas das coisas que minha mãe me ensinou – fui educado por uma mãe que eu não pedia benção, não chamava de senhora, mas que até a morte dela nós respeitamos muito ela – que não devemos fazer com os outros o que não gostaríamos que fizessem conosco e isso no meu modo de pensar, é quase ou é mesmo, um imperativo categórico que eu levo da educação que tive. Mas parece que existem mães que só porque o filho nasceu homem, podem xingar, podem desprezar, podem agredir, podem até estuprar e se aproveitar das meninas por ai, afinal, quem mandou ficar no caminho do “príncipe da mamãe”. Mas agora os “príncipes da mamãe”, que tem tudo a ver com o Joselito, ficam xingando as pessoas deficientes cadeirantes com um sonoro “ai credo”. Esse “ai credo” veio de um cara com as pernas abertas – deveria estar com assaduras – como se fosse o cara mais perfeito do mundo, mas não era, era um cara que andava de pernas abertas. Imagina um cara feio com a perna aberta? Pernas abertas demostram calos nos testículos, ou irritação do mesmo por não enxugar direito, ou até mesmo, os caras de perna aberta, devem ter defecado e não podem fechar as pernas para não grudar nos testículos. Mas a questão é, não era um cara perfeito, era um cara que andava de pernas abertas e isso não é normal e muito pouco, bonito. Mas o que fazer se estamos numa sociedade que tem como o homem “vaqueiro” como simbolo do “sexy man” brasileiro? Sem moral nenhuma essa gente, as vezes tenho vergonha alheias em algumas atitudes desse povo.

Antigamente, a muitos seculos atrás, eramos mortos pelos gregos ou abandonado pelos romanos, porque eramos um “estorvo” para a sociedade (ainda somos, mas existem formas veladas de demonstrar isso), e não poderíamos viver em seu núcleo. Eramos maldição dos deuses e não poderíamos dar nada em troca ao Estado, não poderíamos dar nada a ninguém, porque as famílias que tivessem esse tipo de criança, era mal vista porque esse sempre foi o discurso do poder, a normalidade deveria ser preservada. Na Asia, no lado Oriental, não era diferente e era muito pior, porque existiam povos que enterravam vivos os seus deficientes – até hoje fazem isso mesmo com a inútil da ONU – porque sempre eramos vistos como uma maldição dos deuses e esses deuses eram emplacáveis com quem desobedeciam seus desígnios (até mesmo desaparecer com os deficientes). Mas tínhamos também um mistério que ninguém achava ou acha explicação, porque não temos voz (mesmo que insistam que temos), não temos espaço dentro da sociedade, não temos uma real importância dentro de tudo que relativamente, fossemos seres da mesma especie. Mas tínhamos o silencio e esse silencio era mortal – como se fossemos um mistério e esse mistério sempre assustou a humanidade porque alguns de nós, ficava em silencio por desprezo mesmo ou porque não interessava para ninguém – porque todo mistério assusta aqueles que não tem um esclarecimento sobre o fato, não tem um esclarecimento sobre como o mundo e toda a natureza das coisas, funcionam. O universo se criou a partir de uma força e essa força nunca modificou ou desapareceu. Somos parte dela e tudo que somos formados emanou dela, então, a perfeição que temos como regra, nem sempre é regra para essa força. Por que deuses deveriam se importar com reles humanos que evoluíram a partir de um ancestral comum do primata? Por que seres em processo de evolução – mesmo que tenhamos atingido o ápice da evolução biológica estamos num processo de evolução moral e social – já estão em perfeição se existe tantas coisas para melhorarmos moralmente? Moralmente que digo, não é o que a “turminha” diz moralismo, porque o moralismo é sim hipócrita, moralmente, é o que se faz dentro de uma sociedade sem respeitar o outro. Aliás, um exemplo dessa evolução moral é assumir de uma vez por todas que quase todas as pessoas com paralisia cerebral – há um erro em pensar que paralisia cerebral seja sinônimo de cérebro paralisado, pois não existe cérebro paralisado e sim lesões na parte da racionalidade do indivíduo. Mas nem sempre isso acontece e as pessoas se expressam muito bem, como eu, minha noiva e muitos amigos que podem não falar perfeitamente, mas pensam como todo mundo – são acometidos disso por erro medico e porque não tem pediatras especializados dentro da sala de parto e dentro do pré-natal. Então, veio o cristianismo – mesmo lendo que Jesus curou os paralisados e os cegos – achou em uma parte de Aristóteles e Platão, meios para dizer que as pessoas deficientes não eram perfeitas porque não tinham almas, porque se não se tem a essência divina da perfeição, a única explicação teológica para isso era que somos animais, não temos o “sopro divino”.

Talvez, o que motiva as pessoas a nos xingarem é o mesmo motivo que eramos jogados em abismos pelos espartanos ou eramos largados a própria sorte pelos romanos e pelo mesmo motivo, que o cristianismo vai nos classificar, como animais sem o “sopro divino”. De repente saímos de casa e um novo mundo se descobre, um mundo que quando estávamos em instituições trancafiados eramos seres que precisavam de misericórdia divina, mas quando saímos, somos “monstros” que não são humanos. Da onde acham, que saem lendas de monstros na antiguidade ou em cidades do interior do mundo inteiro? Aqui mesmo temos a lenda do Saci Pererê (um garoto negro que aparece em uma perna só e assobio estridente como se quisesse se vingar) o Curupira (um garoto com os pés ao contrario), que mostra como somos seres ainda mistificados pelo senso comum, como um mistério a ser desvendado. Antigamente pessoas cegas eram sacerdotes dos oráculos – porque se achavam que a visão ocultava a verdadeira realidade – em alguns casos, pessoas deficientes físicas, eram druidas (sacerdotes celtas) por ter um mistério, por serem caladas e por causa da sua aparência, amedrontava os aldeões impondo respeito. O medo foi sempre uma artimanha favorita do Estado para controlar o que ele criou como senso de normalidade – aquilo que acham que podem controlar – que se criou para estabelecer o que era bom e o que é agradável de se ver. Repararam como as ordens religiosas fazem?

As pessoas criaram um senso ideológico onde a luta das pessoas deficientes são privilégios, são coisas de pessoas de esquerda e que se ganhamos certos direitos, ganhamos privilégios e estamos “esquerdando”. Eu não errei no termo, na verdade o termo usado hoje é que você está “esquerdando” como se não fossemos cidadão e não fossemos algo muito além de esquerda ou direita, de religioso ou ateu, de conservador ou subversivo. A diversidade que construímos ao longo de muitos seculos, estamos perdendo por ideologias idiotas, “palhaços” que fazem você aplaudir, mas não tem graça nenhuma. Eu asseguro meu direito de ir e vir, eu asseguro meu direito de ser preferencial na fila, eu asseguro meu direito a transporte e eu asseguro o meu direito de defesa, pois eu não estou “esquerdando” porque peço educação para esse povo ignorante, mas assegurando algo que está na Constituição. O resto é resto, pois o verdadeiro ser humano pensa e respeita.

Amauri Nolasco Sanches Júnior, 39, publicitário, técnico de informática e filósofo

Para Matar a Saudade

Publicado por: Amauri Nolasco Sanches Junior e Marley Cristina Felix Rodrigues | 09/07/2015

Lei de Inclusão – Bem vindo ao mundo de Matrix.

Quem não assistiu o filme Matrix? Um mundo virtual que faz o ser humano sonhar para as maquinas, em capsulas, usarem a energia do ser humano para alimentar essas mesmas maquinas. Esse enorme aparelho se chama Matrix que quer dizer matriz, onde tudo começa e onde tudo acaba, então, nada melhor do que fazer essa analogia com o Estado. O que é o Estado? O Estado é todo um aparelhamento para regular cada setor da sociedade conforme os interesses econômicos, sociais, políticos e religiosos – muitas das religiões materialistas são do comando do Estado – são meios para se fazer regular aquilo que vários sistemas da economia e de giro capital, desejam. Não é muito difícil perceber que sempre sai uma matéria que isso faz mais ou aquilo faz bem, que aquele carro é top e o outro não presta nem para ser puxado por burros. É o Estado dizendo para o cidadão aonde se deve ir, o que se deve comprar e até o que se deve usar no seu dia a dia, para regular o meio econômico e a mídia também faz parte disso.

Umas das teses que defendo (existem milhares), que o meio econômico não concorda com a Lei de Cotas para deficientes nas empresas e essa imagem de “exemplo de superação” só é uma artimanha politica, para espalhar essa imagem que o deficiente não pode trabalhar. Muito raramente, as pessoas deficientes tem uma carreira e podem seguir aquilo que estudaram, porque ainda existem a imagem do deficiente como um “exemplo” daquilo que o fulano não é e não é bem assim. Também não é a toa que filmes como “Cordas” faz tanto sucesso na nossa cultura latina, somos dramáticos em demasia, somos uma cultura que trata algo cotidiano e único, como algo “espetacular” e fora do normal e dá até a sensação de não pertencer a humanidade, temos. Estamos num meio onde o Estado cria um mundo para tirar de nós o seu sustento, existem instituições muito mais poderosas que ditam as regras e essas regras devem ser obedecidas. As empresas não querem obedecer a lei de cotas, como não querem fazer um centro de reabilitação publico, como não querem ter uma educação inclusiva, porque existem grandes entidades que não deixam isso acontecer. Mas não é só isso, como não há um plano de tirar os impostos dos aparelhos (como cadeira de rodas, próteses, etc), por causa da necessidade da pessoas, se você não comprar uma cadeira de rodas, por exemplo, vai andar sempre no chão. Só para explicar que nada tem da alienação marxista, pois Marx foi simplista demais para achar que essa alienação era feita pelos próprios industriais, existem instituições muito além e que existem muito antes até, do capitalismo burgues.

Então, sempre vão “reprogramar o sistema” para você se sentir seguro, para sempre você se sentir amparado pelo governo que desce uma luz divina e eles são iluminados. Até gostaria que isso acontecesse, mas a verdade é que essa “aparente” iluminação nada mais é do que um cinismo politico para você ficar nessa ilusão e não perceber que todo o Estado está te enganando. Por exemplo, crimes entre menores infratores vão continuar acontecendo sem ou com esses menores na prisão ou em algum abrigo, como deficientes não vão ser contratados por causa de uma multa ilusória que não é nada para grandes empresas ou bancos. As leis só são ilusões para nos sentimos amparados, como disse, dentro do que o povo gosta de ouvi ou de enxergar. São determinações que não fazem muito sentido se você analisa de uma forma lógica – como se as pessoas deficientes não tivessem que primeiro estudar e ter saúde – como se antes de trabalhar não podemos estudar e antes de estudar a ter uma reabilitação digna. Aliás, na verdade, muito antes disso tudo ainda tem as vias acessíveis, que sem elas não poderemos chegar a nenhum destino, tem o transporte acessível e que ainda está muito em falta. Para quem, por exemplo, vamos ligar se o táxis acessível não vier nos pegar? Quem nós vamos chamar na hora (no momento do ocorrido), quando um ônibus não funcionar o elevador, ou que a van do ATENDE tiver vazando óleo, ou até mesmo, o banco não quiser abrir a porta acessível e a empresa não contratar por que o cara é cadeirante? Ora, isso é um exercício lógico e é o único caminho para se chegar até a Lei de Inclusão, ou se um táxis – que aconteceu milhares de vezes não só comigo, mas com milhares de pessoas – não vier pegar ou a van do ATENDE tiver vazando óleo poderemos ligar para a deputada Mara Gabrilli ou o senador Romário Farias? Além de ter crianças deficientes sendo discriminadas dentro das escolas, não temos centros de reabilitação e não temos postos de saúde que nos trate com médicos e nem fisioterapeutas especializados.

Temos que sempre, antes de chorar ou antes de comemorar, enxergar sempre o que vem atrás de uma lei ou um decreto, porque poderemos sempre sermos idiotas uteis e sempre o Estado vai nos dar a “pilula vermelha” para ficarmos na ilusão. Mas o por que disso se a sociedade sempre nos colocou de lado e sempre nos prometeram nos incluir dentro dessa mesma sociedade? Por que agora decretaram um estatuto com um nome “pomposo”, para fazer o que em 30 anos de democracia não se conseguiu? Isso, como aprendi nesses anos dentro da militância dentro do segmento, está muito além de ideologias, de ser esquerda ou direita, ou de achar que partido tal defende muito mais os deficientes do que outros. Nenhum governo que se presa defenderá direitos do cidadãos muito mais do que direitos das instituições financeiras e comerciais, isso é fato, o que podemos fazer e tentar no máximo boicotar e não aceitar essa imposição de escutar o que eles querem, usar o que eles querem, assistir o que eles querem e fazer todo esse jogo que a industria cultural sempre fez, explorar o lado emocional da sociedade. Sempre o povo quer um “herói”, porque nunca sabem tomar suas próprias decisões, nunca sabem tomar suas próprias iniciativas. Então, o que fazer se o próprio deficiente se aliena?

Não adianta nos colocarmos como exemplo de alguma coisa que não somos e ainda ter cadeirante que acredita que é, temos que ter obrigatoriamente, uma visão critica daquilo que nos impõem senão somos mais uma vez enganados. Pior de tudo, somos “estuprados” dentro da nossa inteligencia – alguns que pensam ser jogadores de alguma coisa ou sei lá o que, pode ser que não pareçam com seu conceito de “macho alfa”, mas eu sei que dentro daquele cranio existe um cérebro adormecido – e as pessoas ainda tem o conceito que tudo é um beneficio civil, mas não é mesmo. O Estado sempre vai te iludi porque suas escolas sempre vão te ensinar a não ler, a não entender o que está lendo e vai te convencer que aquilo ainda que alguém descobriu sobre seus planos, é mentira. As religiões materialistas vão dizer que o “pai da mentira” é Satanás, mas se repararmos bem, tudo que o diabo é e faz é o que o Estado acha errado. Aliás, quem assistiu o filme Matrix, vai identificar fácil que existem agentes Smiths para regular o funcionamento do programa e não deixar que ordem seja alterada.

O que nosso povo ainda não entendeu é que leis não se fazem com moralidade, leis devem ser construídas com a ética. A ética vem do grego “ethos” que era a regra mais essencial do cidadãos (politikon) seguir dentro das resoluções dos problemas da polis, não a toa, Aristóteles que viveu a dois mil e quinhentos anos, disse “zoon politikon”, que seria, todo ser humano livre era um animal politico, um animal que por natureza eramos cidadãos e deveríamos exercer nosso direito de opinar e até dar resoluções para a polis. Nós, pessoas deficientes que por seculos somos escondidos ou mortos, hoje podemos exercer essa cidadania graças a varias descobertas cientificas e graças a alguns tratamentos que temos – ainda que poucos – mas que dá alguma expectativa mais longínqua. Por que não devemos também ter ética e por que não devemos ter deveres também além dos direitos? Por que não assumimos o dever em também mostrar o que está errado além de bater palmas para uma lei que não muda nada? Desculpe os otimistas, mas uma lei que não criminaliza não é uma lei, uma lei que faz com que uma multa ilusória seja aplicada ao invés de punições mais severas, não é uma lei. Assim, como disse, não se faz leis com códigos morais e sim códigos éticos e dentro dessa ética – ricos, pobres, empregados ou empregadores – são cidadãos que devem obedecer as regras senão nunca haverá uma harmonia democrática. Se isso é certo ou errado, nesse exato momento, não tem outro jeito de dar aos deficientes oportunidade de trabalhar.

Mas o esporte é muito mais importante do que o trabalho dos deficientes, a praia acessível é muito mais importante do que uma escola acessível, colocar embarques de avião é muito mais importante do que transporte urbano. A maioria não é esportista, a maioria não pode ir para praia e a maioria não tem como nem ir a esquina, muito menos, ter grana para andar de avião. Sem saúde e uma reabilitação de verdade, não conseguimos estudar e nem trabalhar e sem trabalho, não vamos a praia ou andamos de avião, simples assim. Ou não é assim? Ou estou errado em querer as coisas ordenadas e logicamente, no seu lugar? Não sei, posso estar errado, mas é assim que se procede.

Bem vindo ao mundo de Matrix!

Amauri Nolasco Sanches Júnior 39, publicitário, técnico de informática e filósofo.

Publicado por: Amauri Nolasco Sanches Junior e Marley Cristina Felix Rodrigues | 05/07/2015

Resistência Def – prefeito que não gosta de deficiente.

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Resistência Def só com o Hulk cadeirante

Vimos nesses últimos tempos varias manifestações sobre direitos e nenhuma sobre nossos direitos. Talvez se pense que com a Lei da Inclusão (nome patético) se resolva alguma coisa, mas não vai resolver coisa nenhuma e você não vai ficar feliz quando essa lei começar a vigorar. Mas pouco me importa essa lei e pouco me importa o que os políticos tentam fazer por nós – sempre sai “merda” – e não se consegue coisas simples e que vai ser de grande valia. Mas quem do governo esta afim de fazer algumas facilidades para os deficientes? Quem do governo quer achar meios necessários que nos coloquem no patamar dos cidadãos de um Estado? Lógico, que o Estado faz esse discurso de que todos tem liberdade e igualdade, porque não quer que percebemos que não existe liberdade e igualdade e ingenuamente, discursamos sobre liberdade e igualdade. Pelo menos, como pessoas individuais e autônomas, não temos nenhuma liberdade e igualdade e só temos o discurso. Sim. Toda nossa vida é construída conforme o discurso que o Estado constrói dependendo da onde quer chegar e isso é evidente nessas eras longínquas dentro da historia humana.

As pessoas deficientes não são diferentes de todo mundo, pois gostam da mesma cultura que aliena – dentro de uma ótica social, as pessoas deficientes são envolvidas dentro dessa cultura por serem transformadas em eternas crianças e que terão que se envolver dentro de uma atividade que não desperte vontades – então, por sermos vistos por uma visão que não podemos raciocinar, não se escolhe musica e nem qualquer coisa cultural que queiramos. Mas temos vontades e além dessa vontade, temos sentimentos, temos percepção, temos inteligencia, temos a possibilidade de aprender. Não somos de outra especie “homo”, somos da especie “homo sapiens” e merecemos ser olhados como tal, senão vamos achar, que não estão muito longe do que foram os nazistas que matavam os deficientes por um motivo cínico, que era a imagem que somos “sofredores eternos”. Claro que é um argumento safado e como disse, cínico, que a seculos tem levado a nós como pessoas que não podem viver dentro da sociedade e está longe de ter uma solução. Porque dentro do discurso do Estado (o poder vigente) sempre haverá um discurso de quem acha que não produzimos, porque temos uma limitação e não podemos dar capital. Não pensem que os governos socialistas são diferentes, somos jogados em instituições iguais a do Teleton.

Aqui em São Paulo como em muitas capitais desse Brasil afora há uma prefeitura que não respeita os direitos das pessoas deficientes, pois se gasta milhões em “viradas culturais”, “paradas gays”, “ciclovias” e etc e não se investe nem na ampliação e nem na manutenção do transporte acessível e nem em outras melhorias – como postos de saúde que funcionam muito precariamente e não atendem as pessoas deficientes – que dês de 2012, o prefeito Fernando Haddad (PT-SP), vem prometendo e não se cumprem. Não queremos poder andar e circular dentro das ciclofaixas, queremos calçadas acessíveis que tenham no mínimo de estrutura para circular cadeiras de rodas, pessoas cegas não caiam, que pessoas surdas tenham sinalização para não se ferirem ou morrerem, que a cidade seja para todos e não para alguns poucos que só usam aquilo que lhe interessa. Uma prefeitura não pode fica a merce de certos interesses e esses interesses sejam prioridade de instituições que nada tenham a ver com o povo – quanto mais instituições que nada agregam a população – e isso que intriga a maioria, porque um partido que se diz ser do trabalhador, ser escravo de instituições que não são do trabalhador e que explora esse mesmo trabalhador. Então o que fazer quando nosso dinheiro é gasto para outros fins a não ser aquele fim destinado? Cobrar que esse dinheiro seja destinado ao fim que ele teve votação e ao fim que ele tem que ser – sendo que existem leis que devem ser respeitadas e não podem ser dadas a rivélia – senão eu poderia fazer um oficio e querer uma verba para uma festa junina na rua da minha casa. Pode? Pode. Mas para que vou tirar um dinheiro que pode ser destinado para outra coisa mais prioritária? Com isso, o senhor prefeito sucateou serviços que são essenciais dentro da cidade de São Paulo e no mais, nomeou gerentes que não tem experiência e não podem ou não poderiam, exercer o cargo que eles exercem.

Nesse rolo todo em financiar gerencias estupidas, financiar festas que nada beneficiam a cidade, financiar reuniões que nada vão ajudar, estamos abandonados e não temos um monte de coisas não respeitadas dentro da cidade. Nós, pessoas deficientes, não temos acessos a uma calçada decente, não temos acesso a uma reabilitação de verdade e saúde que os médicos dos postos de saúde, não estão preparados para lhe dar com a deficiência – e não é só em São Paulo e sim no Brasil todo, muitos amigos morreram pelo descaso desses postos de saúde e essa gestão piorou por causa dos gerentes estúpidos – e muito menos temos transporte que foi sucateado nessa gestão Haddad. A anos estamos cobrando ônibus adequado para se adaptar, a anos estamos cobrando o aumento da frota do ATENDE que não se amplia e só inventam lorota para boi dormir para dificultar o andamento do serviço, entre outras coisas. Mas esse gestão bateu todos os recordes possíveis de inadequação do ocorrido onde a maioria dos ônibus adaptados são muitos velhos e que não tem segurança para rodar, lotações que não tem elevadores, e carros do ATENDE que estão até caindo as portas no meio da rua e só o secretario dos transporte, o senhor Jamil Tatoo, que não enxerga isso. Fora que táxis adaptados vão aonde querem, pegam quando e quem querem e a secretaria dos transporte não resolve nada, pelo menos nessa gestão. Então, numa forma lógica, como dar credito em uma gestão que não exige serviços adequados em nome de coisas que não beneficiam o povo em geral? Como dar credito em uma gestão que defendem tantos interesses, mas os nossos não defendem e ainda nos expõem a riscos magnânimos em nome de cargos de gerentes estúpidos? O problema é que gerentes dessa “estirpe” colocam pessoas deficientes sob risco de vida e por ser funcionário publico, acabam saindo impunes e nada podemos fazer, porque não podem ser mandados embora – pessoalmente sou a favor da terceirização – com sua estabilidade e assim, corremos risco de vida. Parece que o senhor Haddad negligenciou a historia do ATENDE e tirou toda a magnitude que esse transporte se impunha como um exemplo a ser seguido, transformando em um monte de “carroça” desmontando, sem segurança nenhuma e com condutores (motoristas) que muito dirigem, mas não tem o treinamento devido.

O serviço ATENDE começa em 1996 com a gestão do senhor Paulo Maluf (PP-SP) – claro que botou esse projeto para conseguir verba do estrangeiro, mas a ideia era da Luíza Erundina que não conseguiu decoro o suficiente – e em seu começo era um transporte complementar para as pessoas que não conseguiam realmente a pegar transporte publico. É um serviço especial com motoristas treinados e com vans devidamente aptas a rodagem. Com o passar do tempo e com discussões inúteis do Conselho Municipal das Pessoas com Deficiência, se criou com conceito que teria que ter uma abertura para abrigar muito mais pessoas. Até ai, tudo bem, mas a principio esse transporte era destinado a quem tivesse mobilidade reduzida ao ponto de não poder pegar um ônibus ou andar na calçadas, como é meu caso. Mas existiam aqueles que não usavam cadeira de rodas, usavam muletas, usavam próteses, andavam que exigiam também o transporte e também mães que não queriam pegar ônibus – na época era muito pouco que tinha plataforma (vulgo elevador) – e que tinham que levar seus filhos em tratamentos de reabilitação. Essa abertura veio na gestão Marta Suplicy (na época PT hoje PSB), que abriu para todos usarem e as filas terminarem, mas as filas são enormes até hoje. Na época a gerencia ficava a cargo do senhor José Carlos Biagioni, que levava a gerencia de forma a garantir igualdade e que nada acontece-se dentro das vans. Nessa época, nós sempre eramos atendidos e nossas reclamações eram respeitadas porque as coisas eram para andar direito, pois eramos e somos, pessoas limitadas para sairmos sozinho dentro de uma via publica e já sofríamos com o descaso e discriminação. Não tinha razão de acontecer isso dentro de uma van do ATENDE – acontecer acontecia, mas logo era devidamente solucionado – porque era um serviço que deveria ter respeito e dignidade dentro da legalidade e dentro do respeito. Tinha excessos dentro de entidades – que não eram pouco entre mães e motoristas – mas eram coibidos se alguém tivesse coragem de denunciar e mostrar que as coisas não deveriam ser assim. Em 2000 as vans, algumas pelo menos, foram destinadas nos finais de semana a levarem movimentos a reuniões, passeios e outras coisas mais e aproximadamente, em 2009 com a gerente de eventos Fabiana Cristina Isaho.

Como disse, o senhor Haddad não levou em conta a historia do serviço especial ATENDE e colocou um gerente – por motivos ocultos, mas sabemos que acontece – colocou um superintendente, que impõem as regras e a Secretaria das Pessoas com Deficiência e mobilidade reduzida e o Conselho Municipal das Pessoas com Deficiência tem que acatar. Teria que ser ao contrario, mas ao que parece, a politica é um submundo muito estranho e as vezes e muitas vezes, inverte-se as hierarquias e muitas das pessoas que não dizem “amém”, são perseguidas e acuadas sendo até mesmo, não atendidas em suas reclamações. Mas o que fazer se o Governo Militar deu ao funcionalismo publico estabilidade e eles podem mandar e desmandar e nada acontece com eles? Eis o paradoxo que nos deram por herança uma politica arcaica e só atende interesses muito além do que imaginamos e nesse meio, nós pessoas deficientes, temos que aguentar pessoas nos perseguindo e achando que o transporte ATENDE é deles e eles dão para os “amiguinhos” que dizem “amem” e assim funciona. E com essa mudança, podemos ter perdido milhares de ganhos que conquistamos durante muito tempo e que, dês do tempo que o senhor prefeito era o ministro da educação onde não quis manter as classes especiais fechadas, nós poderemos perder o serviço. Então em 2013 o senhor superintendente queria acabar com o eventual – serviço dentro do ATENDE que leva o usuário uma vez por mês em consultas medicas – porque se avaliava que não tinha van, sendo que a prefeitura a anos vem prometendo o ampliamento do serviço sem exito e que dificulta o serviço. Claro que fui contra, como fui contra varias outras coisas, mas dês dai muitas coisas mudaram e eu não consigo andar no serviço sem que motoristas comecem a frear de repente, vans em mal estado e em 2013 quando eu e minha noiva estávamos fazendo Pronatec – que paramos por causa dessas coisas todas – havia até troca de turno no meio do caminho, até como disse, vans que vazavam diesel.

Entendem o que estou dizendo em dizer “amém”? Como podemos votar em uma pessoa que coloca gerentes em um serviço de pessoas deficientes, que ficam perseguindo ideologicamente colocando essas pessoas em perigo? Como colocar em um governo que segue a cartilha das nomeações arbitrarias? Minha noiva, por exemplo, está doente e tem fortes dores na coluna porque esses motoristas ficam correndo, passando em buracos e freando de repente. Além que a anos nós venhamos relatando que como são vans furgão – as vans furgão são mais baratas – eles não trocam as molas para carros de passageiros. Fora que outras coisas, como assedio moral e outros assédios, existem varias sequelas psicológicas que o ATENDE vem causando a quase 3 anos sem parar. O ultimo caso foi dia 5 de abril onde o motorista passava no buraco rápido, corria muito, não parava de falar e ainda ria da minha cara. Além de chamar minha noiva e a sua irmã de “coelhas”, ainda quebrou a minha cadeira e dês de então, estou com a cadeira de rodas quebrada e andando com medo de cair. A minha noiva ficou com pneumonia, com dores das costas por causa da sua escoliose que agravou, a pressão oscila por causa do nervoso que passa toda vez que embarca em uma van e ainda, andam batendo nos veículos da porta da minha noiva. Como podemos usar um serviço desse porte? Como podemos usar um serviço que a Prefeitura não tem controle nenhum? Desse jeito o prefeito não poderá ser reeleito, porque as coisas vão ficar piores, ônibus poderão nos atingir e se um motorista do ATENDE não vai buscar e poderá alegar que o usuário não estava lá e ninguém vai fazer nada. Aliás, essa gestão os táxis fazem isso e não se fazem nada e nem a secretaria que deveria nos defender, não nos defende e ainda, joga para um conselho que não serve para nada.

Se isso for inclusão os senhores deveriam repensar as coisas, porque ou se muda a gerencia, ou mudamos o prefeito.

Amauri Nolasco Sanches Júnior, 39, publicitário, técnico de informática e filósofo.

Publicado por: Amauri Nolasco Sanches Junior e Marley Cristina Felix Rodrigues | 29/06/2015

Teologia do Facebook – preconceito de quem sofre preconceito.

“Não se pode matar a ideia a tiros de canhão, nem tão pouco acorrentá-la” (Louise Michel)

Ninguém entendeu o que houve quando a suprema corte dos EUA liberou que casais homossexuais se unissem civilmente – aqui no Brasil dês de 2013 esta em voga esse direito – e sabemos que é uma nação que as outras começam a seguirem o exemplo. Muitos questionam o papel da mídia dentro desse processo que sempre vira uma imposição – como se as pessoas não tivessem vontade própria – e as vezes, de tanta insistência, isso realmente acontece. O que me assusta é que essas pessoas sofreram discriminação por não ter transporte – porque somos discriminados por preconceito do próprio Estado contra as pessoas deficientes – procurou a mídia para ajudar a conseguir e, conseguiu. Outros fazem analises filosóficas e poesia e quando colorimos nossas fotos, estamos ajudando as pessoas a serem homossexuais, como se uma foto para comemorar um ato da maior democracia do mundo, fosse colaborar com a homossexualidade. Não vai. Ninguém vai deixar de ser homossexual, ninguém do mesmo sexo vai deixar de se unir e ser feliz porque você está indignado com a sua moral, vamos analisar os fatos.

1º – Se casais do mesmo sexo não se unirem, não vai resolver a fome do mundo. A fome do mundo é uma questão social e de distribuição de renda de nações que vivem em guerra como as nações da Africa e nações do oriente médio. Portanto mesmo que um casal gay não possa casar, haverá fome de crianças na Africa e em muitas nações do mundo inteiro.

2º – Se casais do mesmo sexo não se unirem, o abandono de animais não vai acabar. O abandono de animais é uma questão de educação – onde os pais dão aos filhos os valores que levarão para toda a vida – e não vai acabar com “fotinhas” do Facebook ou xingar muito no twitter. Ações como da Luiza Mel é muito melhor do que campanhas ridículas e hipócritas do Facebook.

3º – Se casais do mesmo sexo não se unirem, não vai resolver a corrupção do mundo e nem vai parar a operação Lava Jato. O juiz Sergio Moro, no qual tem meu total respeito e admiração assim como também o juiz e ex-ministro do Supremo quando investigou Joaquim Barbosa, não vai parar a investigação porque resolvemos apoiar uma conquista de uma minoria como também somos (por sermos deficientes).

4º – Não vamos conquistar menos inclusão para pessoas com deficiência só porque apoiamos uma iniciativa nos EUA que não vai mudar em nada minha vida, a sua vida e a acessibilidade vai continuar uma nojeira e vai continuar a mesma porcaria. Realmente, os políticos e o funcionalismo publico brasileiro não vai ter mais eficiência se casais do mesmo sexo não se unirem e não vamos ter nossos direitos respeitados. Aliás, quem já não foi discriminado por estar namorando numa via publica por ser deficiente?

5º – Chegamos na pele torradinha do frango da macarronada do domingo. Não somos ateus ou teístas (que acreditam nas forças divinas ou não) por apoiar ou não o casamento de pessoas do mesmo sexo. Mas as pessoas devem achar que sim porque toda vez que você apoia essa causa as pessoas logo perguntam “ você acredita em Deus?”, porque assim está ou não na bíblia que Deus fez o homem e a mulher e não podemos quebrar essa lei. Mas existem mecanismos que existem na física e na biologia que não estão na bíblia e nem por isso não são mecanismo de ordem não divina – não estou desmerecendo a bíblia – mas que a bíblia é um livro moral e não cientifico.

6º – Nem sempre quando acreditamos nesses princípios – liberdade de amar quem quisermos e como quisermos – somos pessoas de esquerda e acreditamos num socialismo/comunista. Igualdade de liberdade não é igualar as pessoas num mesmo principio – sendo que cada pessoa tem o direito de ser o que quiser – mas ter dentro das regras jurídicas e leis cívicas, que podem beneficiar e educar uma sociedade inteira. Isso o comunismo não garante ou o socialismo, o que garante isso é a liberdade de escolha que não tem a ver com a maquina do sistema, mas nossas próprias escolhas. Ninguém é tão vitima que apoie seu próprio carrasco.

Para ser contra ou a favor, no mínimo, temos que estudar e o estudo fortalece a conjuntura do argumento que não pode estar a merce do senso comum e sim, do bom senso e viva o amor livre.

Amauri Nolasco Sanches Júnior, 39, publicitário, técnico de informática e filósofo.

Publicado por: Amauri Nolasco Sanches Junior e Marley Cristina Felix Rodrigues | 22/06/2015

Ser amado ou não, cada um recebe o que dá.

A televisão Me deixou burro Muito burro demais Oh! Oh! Oh! Agora todas coisas Que eu penso Me parecem iguais Oh! Oh! Oh!

Quando falamos de uma deficiência, falamos de limitações que fazem no qual nos chamarem de deficiente. A deficiência é um caso de estereótipos que nos dão para diferenciar de outras pessoas – como a Simone de Beavoir disse que as mulheres não nascem mulheres por causa do estereótipo que colocaram dentro do termo “mulher” talvez parafraseando Lacan que disse que a mulher não existe, digo que as pessoas com limitações não nascem deficientes, mas se tornam deficientes pelo estereótipo que colocaram dentro do termo deficiente – e nada tem a ver em pessoas serem especiais ou que as pessoas colocam dentro da ideia da deficiência, que somos eterno sofredores e se nos esforçamos além do normal, somos pessoas que nos colocam no rol dos “exemplos de superação” que é mais ou menos, exemplos que temos de pessoas especiais (se uma deficiência pudessem ser sinônimo de ser especial). Não quero ser um “exemplo de superação” e não vou precisar ser “especial” para encontrar e mostrar em um programa de TV para mostrar que sou feliz ou não. Aliás, dês de muito pequeno, tenho medo de pessoas muito “boazinhas” e desconfio das pessoas que postam coisas boas toda hora, pois o mundo melhor me arrepia.

Não que não acredite que um dia o ser humano poderá evoluir dentro da moral o bastante para compreender o outro como deve compreender, isso minha convicções espirituais me fazem acreditar nessa ideia, mas de repente nesse estagio da humanidade que tudo tem que ser na base da troca e na corrupção, tenho minhas duvidas. Eu sou meio um anarquista do mesmo patamar de Proudhon, não acredito em utopias impossíveis bem do tipo “adultecente” que acha que deve deixar o mundo melhor para seu próprio filho e começa reciclar até papel higiênico usado. Sou realista o bastante para ver que nesse momento a humanidade passa em uma fase de puro radicalismo de todos os meios – isso é devido as mudanças porque o ser humano não gosta de mudanças – e no nosso meio, devido a algumas crenças e algumas situações, não está muito diferente. Estamos passando por um período de que as pessoas acham valido tudo para divulgar a deficiência e toda a sua teoricamente claro, realidade. Existe mesmo realidade num programa de TV? Existe mesmo realidades únicas que podem ser mostradas em um quadro de programa de TV? Não preciso mostrar em um programa de TV que sou amado e posso sim casar e ter uma família, pois sei muito bem da minha capacidade e sei também que sou capaz de trabalhar para cuidar dessa família, sem inflar meu ego em programas inúteis e sem fotos no Facebook.

A coisa está tão grave que existe uma ala do segmento das pessoas deficientes que estão preocupados com coisas secundarias como o Estatuto da Pessoa com Deficiência que não defende – porque quem defende deve punir e não tem nenhuma punição no Estatuto – e fica evidente que é uma obra completamente, politica. Ninguém está preocupado com todos nós, quem mais do que ninguém quer que nos “fodemos” com um “f” maiúsculo do que os políticos que nada fazem, nada vê, nada discute. Quer me convencer que um politico com nome, que está pouco preocupado com a classe favorecida – que no nosso caso, quem anda – vai se preocupar com um monte de “estropiado” que só serve para encher o saco e exigir coisas? Quer me convencer que um estatuto que não prende quem não obedece a lei de cotas, não guincha o carro de quem para na vaga dos deficientes, que não temos nenhum respaldo jurídico, é um estatuto serio? A seriedade não está entre chamar “Estatuto da pessoa com deficiência” ou “Lei da Inclusão” – que não passam de nomes pomposos – mas um estatuto que pune e com rigor alguém que desobedeça qualquer coisa que esteja assegurado ali e não interessa a vontade, o que é ético que importa. Esse estatuto não garante saúde, porque os postos de saúde não tem médicos especializados, não tem educação, porque as escolas não estão preparadas nem para as crianças que não tem mobilidade reduzida imagine as crianças que tem, não garante trabalho, porque os empresários e o governo não obedecem a lei 8213/91 (lei de cotas) que garante o nosso direito de trabalho, se contrata, fica enchendo o saco para o cara desistir. Mas o mais importante é o transporte, pois sem ele não tem ida no medico, não tem ida na escola, não tem ida no trabalho, não tem ida nem mesmo para passear. Talvez antes disso deveria haver um plano de mobilidade e acessibilidade nas calçadas e entradas de estabelecimentos comerciais que, no desenrolar, o estatuto não garante e se garante, não há punição para as prefeituras ou governos estaduais. Ainda você bate palmas para um estatuto desses? Eu colocaria fogo, queimaria sem pena. Ainda não garante uma melhor qualidade dos aparelhos que recebemos e compramos – porque a qualidade está muito inferior a que tínhamos antigamente – porque podemos até mesmo nos ferir gravemente. Eu se isso acontecer, lógico que processarei a empresa e o governo.

Diante de tudo isso ainda podemos encontrar o amor, mas o amor de verdade vai além do que mera aparecias e não é um programa de TV que vai dizer isso. Quem aceita de verdade sua deficiência – aceitar não se conformar – vai sempre olhar além do outro dentro do real sentimento. Se amamos um ser humano cadeirante e essa pessoa nos olha como um ser humano mesmo nós sermos cadeirante, então, aceitando o outro como ele é. Sou muito cético quando as pessoas cadeirantes arrumam pessoas que não tem mobilidade reduzida, pois por mais que essas pessoas amem o cadeirante e desprezam sua condição, isso mostra que tem algo de errado no próprio cadeirante. Isso são fatos que vivi e percebi ao longe de 39 anos de deficiência, onde tem um período na nossa vida que não aceitamos e queremos sempre algo que nos falta, algo que não temos. Pode acontecer? Claro. Minhas convicções espirituais dizem que cada um tem sua missão espiritual de aprendizado e evolução, pode acontecer que a pessoa tem a aprender com um relacionamento assim, até o deficiente. Mas não podemos deixar que isso se torne uma regra que todos devem seguir, pois sentimentos são coisas subjetivas. Onde estão a individualidade das pessoas? Vamos aceitar que qualquer programa mostre pessoas deficientes sofredoras e quando essas pessoas encontram e conquistem, sejam exemplos sei lá do que ou especiais? Queremos ser deuses como os devotees nos olhem? Pelo menos eu não.

Até quando iremos aceitar essas infantilidades das pessoas deficientes?

Amauri Nolasco Sanches Júnior, 39, publicitário, técnico de informática e filósofo

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