Publicado por: Amauri Nolasco Sanches Junior e Marley Cristina Felix Rodrigues | 29/06/2015

Teologia do Facebook – preconceito de quem sofre preconceito.

“Não se pode matar a ideia a tiros de canhão, nem tão pouco acorrentá-la” (Louise Michel)

Ninguém entendeu o que houve quando a suprema corte dos EUA liberou que casais homossexuais se unissem civilmente – aqui no Brasil dês de 2013 esta em voga esse direito – e sabemos que é uma nação que as outras começam a seguirem o exemplo. Muitos questionam o papel da mídia dentro desse processo que sempre vira uma imposição – como se as pessoas não tivessem vontade própria – e as vezes, de tanta insistência, isso realmente acontece. O que me assusta é que essas pessoas sofreram discriminação por não ter transporte – porque somos discriminados por preconceito do próprio Estado contra as pessoas deficientes – procurou a mídia para ajudar a conseguir e, conseguiu. Outros fazem analises filosóficas e poesia e quando colorimos nossas fotos, estamos ajudando as pessoas a serem homossexuais, como se uma foto para comemorar um ato da maior democracia do mundo, fosse colaborar com a homossexualidade. Não vai. Ninguém vai deixar de ser homossexual, ninguém do mesmo sexo vai deixar de se unir e ser feliz porque você está indignado com a sua moral, vamos analisar os fatos.

1º – Se casais do mesmo sexo não se unirem, não vai resolver a fome do mundo. A fome do mundo é uma questão social e de distribuição de renda de nações que vivem em guerra como as nações da Africa e nações do oriente médio. Portanto mesmo que um casal gay não possa casar, haverá fome de crianças na Africa e em muitas nações do mundo inteiro.

2º – Se casais do mesmo sexo não se unirem, o abandono de animais não vai acabar. O abandono de animais é uma questão de educação – onde os pais dão aos filhos os valores que levarão para toda a vida – e não vai acabar com “fotinhas” do Facebook ou xingar muito no twitter. Ações como da Luiza Mel é muito melhor do que campanhas ridículas e hipócritas do Facebook.

3º – Se casais do mesmo sexo não se unirem, não vai resolver a corrupção do mundo e nem vai parar a operação Lava Jato. O juiz Sergio Moro, no qual tem meu total respeito e admiração assim como também o juiz e ex-ministro do Supremo quando investigou Joaquim Barbosa, não vai parar a investigação porque resolvemos apoiar uma conquista de uma minoria como também somos (por sermos deficientes).

4º – Não vamos conquistar menos inclusão para pessoas com deficiência só porque apoiamos uma iniciativa nos EUA que não vai mudar em nada minha vida, a sua vida e a acessibilidade vai continuar uma nojeira e vai continuar a mesma porcaria. Realmente, os políticos e o funcionalismo publico brasileiro não vai ter mais eficiência se casais do mesmo sexo não se unirem e não vamos ter nossos direitos respeitados. Aliás, quem já não foi discriminado por estar namorando numa via publica por ser deficiente?

5º – Chegamos na pele torradinha do frango da macarronada do domingo. Não somos ateus ou teístas (que acreditam nas forças divinas ou não) por apoiar ou não o casamento de pessoas do mesmo sexo. Mas as pessoas devem achar que sim porque toda vez que você apoia essa causa as pessoas logo perguntam “ você acredita em Deus?”, porque assim está ou não na bíblia que Deus fez o homem e a mulher e não podemos quebrar essa lei. Mas existem mecanismos que existem na física e na biologia que não estão na bíblia e nem por isso não são mecanismo de ordem não divina – não estou desmerecendo a bíblia – mas que a bíblia é um livro moral e não cientifico.

6º – Nem sempre quando acreditamos nesses princípios – liberdade de amar quem quisermos e como quisermos – somos pessoas de esquerda e acreditamos num socialismo/comunista. Igualdade de liberdade não é igualar as pessoas num mesmo principio – sendo que cada pessoa tem o direito de ser o que quiser – mas ter dentro das regras jurídicas e leis cívicas, que podem beneficiar e educar uma sociedade inteira. Isso o comunismo não garante ou o socialismo, o que garante isso é a liberdade de escolha que não tem a ver com a maquina do sistema, mas nossas próprias escolhas. Ninguém é tão vitima que apoie seu próprio carrasco.

Para ser contra ou a favor, no mínimo, temos que estudar e o estudo fortalece a conjuntura do argumento que não pode estar a merce do senso comum e sim, do bom senso e viva o amor livre.

Amauri Nolasco Sanches Júnior, 39, publicitário, técnico de informática e filósofo.

Publicado por: Amauri Nolasco Sanches Junior e Marley Cristina Felix Rodrigues | 22/06/2015

Ser amado ou não, cada um recebe o que dá.

A televisão Me deixou burro Muito burro demais Oh! Oh! Oh! Agora todas coisas Que eu penso Me parecem iguais Oh! Oh! Oh!

Quando falamos de uma deficiência, falamos de limitações que fazem no qual nos chamarem de deficiente. A deficiência é um caso de estereótipos que nos dão para diferenciar de outras pessoas – como a Simone de Beavoir disse que as mulheres não nascem mulheres por causa do estereótipo que colocaram dentro do termo “mulher” talvez parafraseando Lacan que disse que a mulher não existe, digo que as pessoas com limitações não nascem deficientes, mas se tornam deficientes pelo estereótipo que colocaram dentro do termo deficiente – e nada tem a ver em pessoas serem especiais ou que as pessoas colocam dentro da ideia da deficiência, que somos eterno sofredores e se nos esforçamos além do normal, somos pessoas que nos colocam no rol dos “exemplos de superação” que é mais ou menos, exemplos que temos de pessoas especiais (se uma deficiência pudessem ser sinônimo de ser especial). Não quero ser um “exemplo de superação” e não vou precisar ser “especial” para encontrar e mostrar em um programa de TV para mostrar que sou feliz ou não. Aliás, dês de muito pequeno, tenho medo de pessoas muito “boazinhas” e desconfio das pessoas que postam coisas boas toda hora, pois o mundo melhor me arrepia.

Não que não acredite que um dia o ser humano poderá evoluir dentro da moral o bastante para compreender o outro como deve compreender, isso minha convicções espirituais me fazem acreditar nessa ideia, mas de repente nesse estagio da humanidade que tudo tem que ser na base da troca e na corrupção, tenho minhas duvidas. Eu sou meio um anarquista do mesmo patamar de Proudhon, não acredito em utopias impossíveis bem do tipo “adultecente” que acha que deve deixar o mundo melhor para seu próprio filho e começa reciclar até papel higiênico usado. Sou realista o bastante para ver que nesse momento a humanidade passa em uma fase de puro radicalismo de todos os meios – isso é devido as mudanças porque o ser humano não gosta de mudanças – e no nosso meio, devido a algumas crenças e algumas situações, não está muito diferente. Estamos passando por um período de que as pessoas acham valido tudo para divulgar a deficiência e toda a sua teoricamente claro, realidade. Existe mesmo realidade num programa de TV? Existe mesmo realidades únicas que podem ser mostradas em um quadro de programa de TV? Não preciso mostrar em um programa de TV que sou amado e posso sim casar e ter uma família, pois sei muito bem da minha capacidade e sei também que sou capaz de trabalhar para cuidar dessa família, sem inflar meu ego em programas inúteis e sem fotos no Facebook.

A coisa está tão grave que existe uma ala do segmento das pessoas deficientes que estão preocupados com coisas secundarias como o Estatuto da Pessoa com Deficiência que não defende – porque quem defende deve punir e não tem nenhuma punição no Estatuto – e fica evidente que é uma obra completamente, politica. Ninguém está preocupado com todos nós, quem mais do que ninguém quer que nos “fodemos” com um “f” maiúsculo do que os políticos que nada fazem, nada vê, nada discute. Quer me convencer que um politico com nome, que está pouco preocupado com a classe favorecida – que no nosso caso, quem anda – vai se preocupar com um monte de “estropiado” que só serve para encher o saco e exigir coisas? Quer me convencer que um estatuto que não prende quem não obedece a lei de cotas, não guincha o carro de quem para na vaga dos deficientes, que não temos nenhum respaldo jurídico, é um estatuto serio? A seriedade não está entre chamar “Estatuto da pessoa com deficiência” ou “Lei da Inclusão” – que não passam de nomes pomposos – mas um estatuto que pune e com rigor alguém que desobedeça qualquer coisa que esteja assegurado ali e não interessa a vontade, o que é ético que importa. Esse estatuto não garante saúde, porque os postos de saúde não tem médicos especializados, não tem educação, porque as escolas não estão preparadas nem para as crianças que não tem mobilidade reduzida imagine as crianças que tem, não garante trabalho, porque os empresários e o governo não obedecem a lei 8213/91 (lei de cotas) que garante o nosso direito de trabalho, se contrata, fica enchendo o saco para o cara desistir. Mas o mais importante é o transporte, pois sem ele não tem ida no medico, não tem ida na escola, não tem ida no trabalho, não tem ida nem mesmo para passear. Talvez antes disso deveria haver um plano de mobilidade e acessibilidade nas calçadas e entradas de estabelecimentos comerciais que, no desenrolar, o estatuto não garante e se garante, não há punição para as prefeituras ou governos estaduais. Ainda você bate palmas para um estatuto desses? Eu colocaria fogo, queimaria sem pena. Ainda não garante uma melhor qualidade dos aparelhos que recebemos e compramos – porque a qualidade está muito inferior a que tínhamos antigamente – porque podemos até mesmo nos ferir gravemente. Eu se isso acontecer, lógico que processarei a empresa e o governo.

Diante de tudo isso ainda podemos encontrar o amor, mas o amor de verdade vai além do que mera aparecias e não é um programa de TV que vai dizer isso. Quem aceita de verdade sua deficiência – aceitar não se conformar – vai sempre olhar além do outro dentro do real sentimento. Se amamos um ser humano cadeirante e essa pessoa nos olha como um ser humano mesmo nós sermos cadeirante, então, aceitando o outro como ele é. Sou muito cético quando as pessoas cadeirantes arrumam pessoas que não tem mobilidade reduzida, pois por mais que essas pessoas amem o cadeirante e desprezam sua condição, isso mostra que tem algo de errado no próprio cadeirante. Isso são fatos que vivi e percebi ao longe de 39 anos de deficiência, onde tem um período na nossa vida que não aceitamos e queremos sempre algo que nos falta, algo que não temos. Pode acontecer? Claro. Minhas convicções espirituais dizem que cada um tem sua missão espiritual de aprendizado e evolução, pode acontecer que a pessoa tem a aprender com um relacionamento assim, até o deficiente. Mas não podemos deixar que isso se torne uma regra que todos devem seguir, pois sentimentos são coisas subjetivas. Onde estão a individualidade das pessoas? Vamos aceitar que qualquer programa mostre pessoas deficientes sofredoras e quando essas pessoas encontram e conquistem, sejam exemplos sei lá do que ou especiais? Queremos ser deuses como os devotees nos olhem? Pelo menos eu não.

Até quando iremos aceitar essas infantilidades das pessoas deficientes?

Amauri Nolasco Sanches Júnior, 39, publicitário, técnico de informática e filósofo

Publicado por: Amauri Nolasco Sanches Junior e Marley Cristina Felix Rodrigues | 12/06/2015

Amor, amizade, o direito de amar

O filósofo Nietzsche disse um dia que tudo que fazemos por amor está acima do bem e do mal, pois tudo que se faz por um amor quando é sincero e verdadeiro, não tem nada entre ser benéfico ou maléfico e sim, é o que deve ser. Dai pensamos que tudo que o amor carrega pode ser compreendido, entendido, feito e refeito, sem que o mundo tenha acesso com o que duas almas se confraternizam. Amor de verdade, amor sincero e compreensivo é o amor raro, porque as pessoas estão muito mais preocupadas em ter do que ser e o ser humano hoje muito mais deseja do que gosta. Pois o desejo é enfiado em cada consciência como uma verdade universal, porque só deseja aquilo que não temos, se temos, não desejamos.

Tem algo errado no desejo? Não propriamente, mas há sutilezas que se pode dizer de total importância. Como, por exemplo, o desejo não é o prazer de estar com uma pessoa, pois o desejo não é um sentimento, mas é um estado. Desejamos uma Ferrari ultimo tipo, mas não temos sentimentos pela Ferrari (existem sim caras que amam suas coisas, mas para mim, é uma patologia). Desejamos ter um carro, mas não amamos um carro na mesma proporção que você ama uma pessoa é descabido. Esse desejo como forma de Eros vem de Platão, porque para o filósofo grego, nós quando amamos temos que desejar aquela pessoa e o desejo por aquela pessoa passa a ter corpos perfeitos. Um exemplo clássico é a obra de Alexandre Dumas, o Corcunda de Notre Dame, onde a cigana Esmeralda não pode amar o corcunda que o salva e morre, ou, o curta Cordas que o menino morre para a Maria virar professora. Tudo gira a volta do platonismo dos corpos perfeitos, dos desejos e não aquilo que lhe trás felicidade e te compraz. Eu não amo minha cadeira de rodas, por exemplo, mas eu gosto dela como um instrumento que me faz locomover e essa é a diferença em ser e ter.

Quando você coloca o “te” é um objeto que lhe pertence e não pessoas que lhe escolhem para estar ao lado, como eu dizer que “amo você” porque ali tem um viés de gostar e gostar tem a ver com gosto e gosto tem a ver com gostoso. O gostoso sempre é melhor do que o desejável, aquela grama que no vizinho é mais verde, mas o gostoso é o que conquistamos e isso talvez, é o melhor no amor, porque o amor aquilo que se sente quando gostamos de estar ao lado daquela pessoa especial. O amor nasce muito mais do que o desejo, pois o desejo é o complemento do amor que é a alegria do outro enquanto ser que nos encanta e nos completa. Dai entra Aristóteles, pois o amor aristotélico – o philia – tem a ver com a alegria do amor que não é só desejar e sim, ter a alegria de estar com o outro sempre como uma completude daquilo que lhe apraz. Completar não é concordar contudo – por isso existe o dialogo – mas é sempre olhar o outro como ele é, como é sua total natureza. Então, quando um ou os dois contem uma deficiência o que vale é a alegria de estar com a pessoa e não se ele é perfeito ou não, se ele anda ou não, se ele tem manias ou não. O “philia” tem grande significado, porque tanto é o amor, quanto é amizade, e assim, o amor é uma grande amizade de intima relação entre dois seres humanos.

O amor poderia ser chamado de prisão? Não. O amor não pode aprisionar, porque a ideia de ser ou não uma prisão depende do estado de espirito de quem sente ou até mesmo, o caráter que tem a ver com os valores aprendidos. Mas nós pessoas deficientes temos que conquistar o direito de amar, de termos um ao outro juntos, construir sempre uma vida. Não é que por termos a mobilidade reduzida que não podemos amar, não podemos gostar de estar com quem nós compraz, que nos completa e quem nos dará sempre a alegria necessária para que a felicidade entre em nós e transborda para a alegria e serenidade, pois a serenidade sempre é o poder de viver cada vez mais leve. Tem a ver com o espirito, com a criação que teve o amor de produzir a matéria de todas as leis do cosmo – incluindo a matéria orgânica no qual evoluirmos – onde a junção não tem a ver com o desejo, porque a vontade de se produzir essa realidade foi muito mais forte, mas tem a ver com o amor em querer essa junção. Como nós mesmos dissermos, quando duas pessoas se amam se constrói uma realidade, mas essa realidade tem que viver em harmonia nas duas realidades que ela foi construída. Também não é a toa que no “Pai Nosso em Aramaico” (língua semita dita pelos mais humildes no tempo que Jesus [Yeshua] esteve na Terra), no começo se diz “Pai e mãe do cosmo”, porque duas realidades (consciências) construíram uma realidade (consciência) só, porque o universo enquanto consciência única, foi construída a partir do amor e da união do Pai (racionalidade/logos) e a mãe (amor/compreensão). Por isso temos dois estados, a matéria (res extensa) e o espirito (res cogitan), porque esse dois estados devem se harmonizar para temos a verdadeira harmonia com todo o cosmo. Até mesmo a evolução, biológica e espiritual, tem a ver com o amor, pois o amor nunca faz destruir e sim, faz construir.

É fácil entender isso quando se ama, quando gostamos de estar com certas pessoas – afinal não existe só uma maneira de amar – porque isso se chama construir e se constrói realidades sempre multiplicando essas mesmas realidades. As consciências já se amavam e nunca deixam de se amar conforme o encontro natural – quando se apaixonamos naturalmente, não procurando alguém – um encontro que tem a ver com o entendimento corporal, o entendimento da fala, o entendimento de um olhar. Um “oi” pode despertar um sentimento, apenas um sorriso pode eternizar uma historia, um poder que não é o acaso, mas uma historia que pode existir em outros tempos, outras épocas ou até, pode estar além do tempo. O amor é o ponto inicial, aquele mesmo que detonou o big bang, aquele ponto que dois olhares se cruzaram e se fizeram um só. O amor é compreender que quem não consegue ter completamente a outra pessoa não é liberto, quem não consegue compreender o outro não consegue amar, quem não consegue ser o outro, não haverá de ser um humano e sempre negara a verdadeira humanidade.

Amauri Nolasco Sanches Júnior – Publicitário, técnico de informática e estudante de filosofia.

Publicado por: Amauri Nolasco Sanches Junior e Marley Cristina Felix Rodrigues | 11/06/2015

O Estado quer ser a “vovozinha”, mas é o lobo mau.

O Lobo Mau perguntando para a chapeuzinho onde ela irá

Umas das coisas que temos que admitir é que a propaganda estatal é foda, não precisa ser nenhum publicitário de carreira (que eu chamo de mafia), para saber que aquela propaganda foi feita para convencer você que ele está preocupado com seu bem estar. Outra estrategia é financiar festas populares como a Parada do Orgulho Gay que o prefeito destinou um milhão de reais, a Marcha de Jesus mais alguns milhões e por ai vai. Nada tenho contra manifestações populares e festas, mas toda festa tem que ter dinheiro para acontecer, porque se não tiver dinheiro, dai não se deveria ter festa nenhuma. Ter festa com o dinheiro de impostos que deveriam estar dentro da saúde publica, dentro da educação publica, dentro da infraestrutura das cidades que estão um “lixo”, mas estão em blogs de artistas, em shows de artistas e nessas festas populares ou festas de um segmento especifico. Nada tenho contra os gays, religiosos e afins, mas o que o dinheiro publico tem a ver com isso?

Eu nunca vi em evento de pessoas deficientes receberem 1 milhão de reais ou que o transporte publico acessível – nem o particular que está uma negação no caso dos táxis acessíveis que nem vão a casa do usuário – tenha um investimento desses e que tenhamos o mesmo respeito que qualquer desses outros segmentos. O ATENDE está uma negação, os hospitais estão uma negação, os postos de saúde não existe profissionais descentes e outras coisas mais que vão além disso. Além das paginas de Facebook do governo do Estado de São Paulo, proibirem manifestações contrarias ao seu governo, coisa que não poderia acontecer, afinal, tudo isso é pago com impostos e merecemos respeito. Nós, deficientes, não podemos dizer que somos um segmento organizado, pois existem muitas alas de pessoas deficientes mimadas, pessoas deficientes militantes de algum partido, existem pessoas deficientes que não querem nada com nada e só se divertem. Esses que não querem nada com nada, atrapalham toda uma discussão em comunidades e existem os piores de todos, os “exemplos de superação” que se designam os “paladinos” das pessoas deficientes atingirem uma especie de paraíso. Os “exemplos de superação” querem levar o ser deficiente a ter o mesmo “nirvana” (a bem aventurança), para desfrutarmos uma deficiência com mais sossego e com a calma e serenidade que sempre fez dos “exemplos de superação” ninjas com rodas. Só que paz e sossego com 7 mil reais na conta por palestra, é fácil demais, pois só fazer um drama e pronto.

Eu coloco na maioria das discussões o problema da liberdade, porque sem a liberdade não há o esclarecimento e o esclarecimento é a fórmula para acabar com duas coisas, o ódio (isso gera o medo) e a ignorância (que gera os conflitos e não deixa fluir a discussão). Igualdade não é relevante num mundo onde há liberdade, porque com o esclarecimento poderemos escolher melhor e escolher aquilo que nos é dado do direito de ter, pois começamos a entender o direito do outro em querer ou não comungar com nossas ideias e ter direito que aquilo é dele. Um ladrão não respeita o outro enquanto ser autônomo que tem por direito aquilo, por ter conquistado, por ter trabalhado por um salario, ter comprado com aquele salario sendo explicito, que aquilo que o ladrão privou o outro (seja o objeto ou seja a vida), não pertence a ele e deve sofrer punição, isso se chama ética. O mesmo podemos dizer para todos os seres humanos (sem exceção), que não entender que aquilo não lhe pertence, que a dignidade e a decência é muito melhor do que a pratica de ferir e pegar o que não lhe pertence, que não fara diferença ter ou não ter, isso se dá também dentro dos financiamentos com o dinheiro publico, com a corrupção e com o descaso com as pessoas deficientes.

Como na historia do “Chapeuzinho Vermelho” o Estado se disfarça da vovozinha para enganar a “menina” que leva os doces para a vovozinha. A vovozinha é as leis, os direitos, o que nos pertence graças a justiça que aquilo se faz pertencer (pelos impostos pagos?), mas o Lobo Mau (o Estado) come a vovozinha (o direito natural) e começa a querer comer a Chapeuzinho que por direito, quer ver a vovozinha e está sendo privada de ver a vovozinha. O Lobo Mau é um ser antiético ao ponto de fazer mau a vovozinha e fazer mau a uma menina indefesa como a Chapeuzinho, sendo que, quer comer a menina indefesa. Antes disso pergunta o que ela vai fazer, pergunta aonde ela vai, arquiteta a maldade e sabe muito bem o que vai fazer. Na historia temos o lenhador, um homem que derruba arvores para viver, um homem que salvou a menina e sua vovozinha, mas o lobo mau do Estado o lenhador não ouviu o socorro, o socorro daqueles que o Estado engole em seu direito natural de ser livre, pois que liberdade que uns tem direito e outros não tem esse mesmo direito. Que liberdade é essa que o Estado lhe bloqueia em uma pagina de Facebook por dar sua opinião? Que liberdade é essa que um cidadão com deficiência, não pode ter um transporte decente e não se transportado como uma carga qualquer? Onde está a liberdade quando não podemos exigir do governo, faça o que é pago para fazer? O Estado, como o Lobo Mau, engana a ingenuidade da menina chapeuzinho para ter o que quer, mostrar seu poder, mostrar que sua vida lhe pertence e quer “devorar” a menina para mostrar isso. Claro, que a historia original é uma historia que mostra os abusos infantis que sempre tiveram ao longo da historia – não, não é algo exclusivo de agora, acontece a muitos séculos ou milênios – mas como o estupro, o “devorar” e comer aquilo que se quer tomar posse, o Estado quer tomar posse do cidadão como um estupro que o cidadão introduz o que é dele (a força) para mostrar a dominação do outro estuprado. O Estado introduz regras e leis para mostrar que o cidadãos lhe pertencem, mas o Estado pertence ao cidadãos que são a maioria.

O Estado ao invés de cumprir o que é lei e o que é seu papel cumprir – como dar escolas adaptadas e acessíveis, profissionais decentes e profissionais de saúde, transporte acessível com treinamento decente dos seus condutores e no mínimo, cumprir a Lei de Cotas e a lei que autoriza o SUS a comprar órteses e próteses – fica com discussões inúteis de termos (na maioria eles mesmos inventam) e outras que nada contribuem para a inclusão das pessoas deficientes. Com o Estatuto (que patifemente, chamaram de Lei da Inclusão), essa enganação que o Estado está preocupado com o cidadão deficiente – como não há criminalização da Lei de Cotas das empresas que é caracterizado como violência discriminativa, a não criminalização da parada das vagas das pessoas deficientes e a criminalização de médicos que não querem atender as pessoas deficientes nos jogando em redes de reabilitação que só querem nosso dinheiro – e não estão preocupados, porque esse estatuto não é uma lei determinada e punitiva, não há como punir que discrimina deficientes em não confiar na sua capacidade. Não se preocupam porque não há democracia – que deveria ser um regime menos pior mas não tem o viés perfeito igual pregam por ai – há um coronelismo disfarçado de liberdade, mas se você não fizer ou dizer o que eles querem, eles vão te bloquear, te colocar uma mordaça, te dizer que o que pensamos é errado e que só é uma teoria da conspiração. Então, há milhares de teorias da conspiração para o Estado esconder tantas farsas e tantos mistérios do seu designo nefastos? É errado ter uma visão critica daquilo que deveria ser certo e justo e não é? Pois é, não é justo. Mas acontece e é com o nosso dinheiro que isso acontece, com nosso dinheiro que isso se faz e com o nosso dinheiro que o Estado se sustenta. Você está satisfeito com isso? Eu não.

Amauri Nolasco Sanches Júnior – publicitário, técnico de informática e estudante de filosofia

Um Som que tem a ver

Publicado por: Amauri Nolasco Sanches Junior e Marley Cristina Felix Rodrigues | 06/06/2015

A menina do quarto.

“A fim de alcançar a perfeição espiritual, é preciso que antes de mais nada cuide da pureza de sua alma, Isso pode ser conseguido quando o coração busca a verdade, e luta por sua integridade, e depende do verdadeiro conhecimento” Confucio (Kung-fu-Tsé) e o fundo da figura é branco

Todas as vezes que vou fazer fisioterapia, vejo uma menina com uma deficiência severa dentro de um quarto da instituição. Na ultima sexta, pela distancia e pela maneira que eu fiquei esperando, olhando no seu rosto eu fico imaginando o que ela pensa ou que ela sente sem poder se expressar. Talvez sua deficiência severa tem muito mais além do que mero aprisionamento corporal que somos submetidos, tem a ver com coisas muito além do que pensamos entender e explicar. Existem perguntas muito profundas que sempre fiz, porque existem muitas coisas além do céu e a terra que vai além da nossa vã filosofia, como diria Shakespeare. Mas nós teimamos a responder essas mesmas perguntas. Eu só gosto de imaginar qual o motivo levou para uma pessoa nascer assim, num país de terceiro mundo e cheios de falhas que não deixam nem viver com dignidade. Lógico, que avançamos muito em desenvolvimentos tecnológicos para temos uma vida mais ou menos, confortável, mas não podemos ignorar os sentimentos de cada pessoa com deficiência.

Eu gosto muito de tecnologias e quanto mais nova melhor, mas não podemos esquecer das pessoas, do nosso lado voltados para o espiritual e pelo ser humano. Por que sera que uma pessoa nasce com esse tipo de deficiência? O que ela deve sentir durante sua vida? São questões que muitos colocam como questões que não fazem parte da ciência e por isso, devem ficar a cargo da fé das pessoas. Mas como disse um versículo bíblico, a fé remove montanhas e se ela remove montanhas, são questões importantes que as vezes, ou muitas vezes, podemos pensar. Porque dês de muitos seculos o ser humano colocou tais questões dentro da sua origem e talvez, não colocou esses questões num patamar muito mais desenvolvido para casos muito particulares como este. Por que muitos estão inertes espiritualmente? Por que muitos estão presos em algumas deficiências? Essas questões que as vezes, nos torna e nos tornaram, alvo de muitas teorias e mistérios que nos fizeram sermos mortos e até sermos feitos sacerdotes para as divindades.

Não podemos negar que temos um ar de mistério que já até estudaram nossa condição num campo mais metafisico, isso se deveu ao mistério de nascemos assim e não como qualquer pessoa. Talvez erramos nesse estudo quando colocamos neles crenças pessoas e não caminhos lógicos nessas ideias metafisicas que estão muito além do que possamos seguir em qualquer religião, pois a religião (por vem do latim “religare” que quer dizer religação) religa o ser humano até o que é a divindade, até a energia vital para o surgimento do universo que sem ela, não estaríamos aqui. Mas não é qualquer energia que passa por certa agitação molecular, mas uma energia que tem consciência e está ciente de todo o universo que criou a partir dessa sua consciência que é onisciente. Mas alguns vão perguntar: ora, mas se tudo que essa energia consciente faz é perfeito, então por que existem algumas pessoas que nascem assim, essa consciência não tem bondade? Em primeiro não podemos colocar a “bondade” na medida humana, pois nem sempre e muito raramente os seres humanos são “bons” por natureza. Porque as vezes o que esse ser passa pode ser algo bom para ele, pois nem sempre essa deficiência tem a ver com o sofrimento e sim, um progresso espiritual. Ai que está o problema, nem todas as pessoas enxergam dessa maneira porque exigem provas e exigem coisas muito mais materiais do que ver o obvio, o lógico. Por que seria que um espirito ficasse uma vida inteira aprisionado em um corpo sem expressão, sem poder entender ou sem poder andar? Por que temos quer ter provas muito mais profundas sobre tal pensamento?

Ora, um aprisionamento espiritual não seria também o termo certo – porque fica um ar de prisão e inercia espiritual – mas podemos chamar de progresso conceitual. Um progresso que tem a ver com os sentimentos, com o orgulho e tirar do espirito as outras maneiras de se comunicar para não despertar a ira ou algumas reminiscencias fortes que ficaram, mesmo se estas estarão em um subconsciente guardadas. São só observações e não crenças como muitas pessoas me dizem, porque as pessoas dizem que sou espirita por ter tais conclusões, mas não sou e mesmo o porque, o espiritismo brasileiro tem tudo, menos o estudo espirita genuíno. Essas visões são observações para fazer testes de tudo que li a respeito e não soou ao contrario, e sim, só confirmou. A evolução biológica tem a ver com a evolução espiritual, pois afinal, sem a evolução espiritual – como tudo no universo – não pode ser unilateral e sim, em áreas que ela pode acontecer. Sera que as extinções em massa não seriam provas desse progresso do universo? Sera que as guerras não são meios de repensarmos nossas atitudes diante a sociedade materialista que até contaminam as religiões com esse materialismo? Sera que o importante é o bem material e não o caráter de cada um? Esse que é o problema dessa sociedade hoje, as pessoas não sabem mais ver as coisas como progressos espirituais e não só progressos materiais, pois a verdadeira espiritualidade não visa só o corpo e sim, o todo.

Caráter tem a ver com ética e vai muito além da moral, porque a ética tem a ver com o coletivo. Não dá para tratar um progresso universal – que o universo progride com sua expansão e desenvolvimento com as informações que recebe – como mero acaso e formulas matemáticas sem se aprofundar mesmo nessas formulas e qual consciência formulou essa fórmula. Pois sem duvida que tudo contem uma fórmula matemática e todas as teorias físicas tem um “porque”, tem um viés progressista que a cada fórmula matemática, um numero ou uma operação é acrescentada. Isso que se chama de informação, assim o universo progride e evolui dentro de um cosmo onde pode ter fronteiras ou não pode ter. São regras básicas de um universo complexo que constrói o tempo e os movimentos graças a explosão que iniciou tudo e tudo se movimenta. Então, voltando ao caráter, tudo tem a ver com o caráter e que se liga a ética. A ética vai muito além do que o que nós devemos se portar ou não a sociedade, mas o que devemos colocar como base como agir com o outro sem feri sua dignidade e seu direito de ter uma vida. Talvez esses espíritos, ou até nós, não entendemos por vaidade e orgulho corrompendo os outros para fazerem o que bem quisermos ou nossas vontades. Como não ficar com a “consciência pesada” por ter feito guerras e muitas pessoas morreram por causa da nossa vaidade? Como não ficar pensativo, quando por orgulho maltratamos alguém por pura vaidade de sempre querer estar certo? Talvez, o espirito dessa menina e de muitos outros – eu me incluo nessa – tenha tanta culpa que para sair dessa culpa tenha que nascer assim, depender das pessoas, aprender a pedir e não exigir com guerras e destruições.

Talvez muitos de nós que estamos nesses corpos contem sabedorias e até quisermos dar a humanidade o direito de ter o conhecimento e com esse o esclarecimento, mas que não soubemos dosar nossa liberdade e nossos sentimentos e levamos a muito sofrimento. Não aguentamos ver que pessoas de alto estima tenha sofrido e até se mataram, muitos desses espíritos, podem escolher esse tipo de corpo para ficarem inertes ou escolhem para conseguirem desenvolver a capacidade do sentimento e conseguirem sentir através dos acontecimentos. Mas cada caso é um caso, há milhares de situações que podem por ventura, terem culminados em alguma deficiência ou Jesus não teria dito ao paralitico tivesse pecado se ele não fez nada naquela vida. Que pecado tem uma pessoa que nasce assim? Que pecado tem uma criança que naquele momento não fez nada? Usamos nosso lado lógico e refletimos a base certa para uma que pode ser pensada e posta em analise profunda, pois há crenças que muitas vezes porque as pessoas não questionam, colocam pensamentos e objetivos, que não visava o intuito original. Como aconteceu em muitas religiões que não respondem certos enigmas e só dão formulas prontas que nada ajudam ao progresso humano.

Mas o progresso humano é o progresso espiritual e ético – a moral depende muito da ética porque é desenvolvida a partir da sociedade que é desenvolvida essa mesma ética – porque o ser humano é a “imagem e semelhança” do que se chama Deus. Eu não ponho essa consciência nesse termo, porque esse termo já levou sofrimento, mortes e destruições pela ganancia humana e por outro lado, não sabemos o nome dessa consciência. Tanto é assim que ele diz a Moisés “sou o que sou” por causa da sua onisciência (na verdade sempre fiquei imaginando se não seria o espirito de algum anjo ou de Jesus mesmo guiando o povo hebreu), de sempre saber o que vai acontecer, segundo algumas teologias, mas no meu pensamento não há lei que possa saber que escolhas fizemos e sim, as possibilidades que podemos escolher. O livre arbítrio é uma delas. A consciência que construiu o universo não iria construir leis para quebrar essas leis por vaidade? Ele não precisa mostrar a sua “gloria”, porque ela já está contida na sua obra e caminha segundo a suas próprias leis e seu intuito, progressista e justa que faz do universo algo como uma grande escola e nada pode ser tão bonito quanto a isso. Nós não somos sofredores ou pecadores, somos pessoas no progresso espiritual no mesmo molde de que tudo que se encontra dentro do universo. Não somos isentos de não perfeição de corpo e nem de caráter, pois tem muito deficiente mal caráter e se aproveita da deficiência para ganhar dinheiro ou coisas – alguns até cargos políticos – como tem deficientes que não tem consciência do que está acontecendo ao seu redor.

Então, a menina do quarto vai continuar sua vida e talvez nem perceber que ao seu redor o mundo continua e a vida evolui.

Amauri Nolasco Sanches Júnior – publicitário, técnico de informática e estudante de filosofia

Publicado por: Amauri Nolasco Sanches Junior e Marley Cristina Felix Rodrigues | 02/06/2015

Alice’s e seu país das maravilhas.

Alice no país das maravilhas

Quem nunca leu a obra de Lewis Corroll, “Alice no país das maravilhas”? Confesso que o livro não li, mas tive uma noção do que está escrito graças ao desenho dos estúdios Wall Disney. O que ocorre é que muitas pessoas acham que estão em algum pais das maravilhas e que a esquerda brasileira – com suas particularidades – se exautam como se o único governo dito de esquerda da sua historia, pelo menos o governo federal porque de outras instancias teve, resolveram questões dos chamados “marginalizados” e que está tudo bem. Não, não está tudo bem e quando o assunto é inclusão de pessoas com deficiência, ainda fica um pouco pior por causa da regressão que se teve na matéria da inclusão de pessoas deficientes e os chavões e termos que algumas instancias ainda debatem com nenhuma autoridade ou senso moral para isso. As secretarias que deveriam cuidar dos nossos direitos, não respeitam esses mesmos direitos.

Algumas coisas andam estranhas e alguns debates andam na contramão das reais necessidades que as pessoas deficientes tem a partir da coerência de alguns órgãos que deveriam lutar pelo nossos direitos, ficam com debates desnecessários e que pouco ajudam para o empobrecimento de um debate de temas realmente necessários. Podemos começar sobre o termo usado que vi em um post “facebookiano” que a Secretaria dos (Direitos?) das Pessoas com Deficiência do Estado de São Paulo que falava, que o termo certo é pessoas com deficiência e não pessoas com necessidades especiais ou pessoas portadoras com deficiência que eu particularmente, vejo como um ponto desnecessário no debate que não tem mais que debater coisas assim. Aliás, essa historia de portador de deficiência, quem começou foi o próprio Estado na sua incompetência estatal que sempre rodeia nessas burocráticas maneiras de nos chamar que realmente nada interessa. Eu sou chamado de deficiente e na minha vida inteira fui chamado assim e não tive maiores consequências psicológicas sobre isso, de repente até me trouxe mais compreensão no que se refere a deficiência. Não são termos o importante, são as atitudes que importa que trazem realmente, o respeito e dignidade das pessoas deficientes. O que adianta essas Secretarias postarem esse tipo de coisa e ao mesmo tempo, ficaram bloqueando pessoas com deficiência que só dão seu parecer nos assuntos postados? Quer tamanho retrocesso quando o Ministério Publico do Estado de São Paulo e a própria Secretaria do (Direitos?) das Pessoas com Deficiência do Estado de São Paulo, efetuarem um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) que dará um prazo de mais de 15 anos as adaptações e adequações de escolas? Quer violência maior que as pessoas com deficiência ficarem doentes e os postos de saúde não estarem preparados para cuidar dessas pessoas e o transporte publico além de não funcionar direito, ainda quebram nossos aparelhos, dão desculpas esfarrapadas, vão encaminhando inverdade e ainda, não sabem dirigir? Sofremos varias violências de abuso, varias violências de mal tratos, sofremos violências de mega campanhas que as tais instituições dizem que atendem e não atendem – além de fretarem todo o transporte publico para um evento particular – e as secretarias nada resolvem porque não tem poder nenhum de resolver, não tem poder nenhum de tomar decisões sobre a defesa e a não defesa das pessoas deficientes. São secretarias “bijuterias” que se parecem com joias de valor, mas não tem valor nenhum.

Esse tipo de debate é um debate pobre que vai ficando cada vez mais pobre na medida que reduz isso a só colocar termos “politicamente corretos” e os demais problemas ficam “debaixo do tapete”. De repente é isso mesmo, o mundo “encantado” que querem nos vender – aliás, eles sempre impõem certos tipos de debate que chego a dizer que eles literalmente, nos “estupram” com seus conceitos e termos apropriados – não existe ou se existe, não é o mundo verdadeira que as pessoas deficientes vivem a cada dia. Outro termo bastante usado que me causa arrepios e me assusta bastante é o termo “especial”, pois me causa sempre a impressão que somos além do que somos e que não temos defeitos, não somos seres humanos e sim, somos algo além do que somos, quase deuses. Eu fico assustado com esse tipo de debate e fico lembrando do SOMA do Admirável Mundo Novo huxleyniano ou o Grande Irmão do 1984 de Orwell, que padronizavam os seres humanos para associá-los e adestrá-los por causa das guerras e outras coisas, que eram identificadas como a grande causa dos males humanos. Os males humanos vão além do que termos falados, o preconceito vai muito além do que as pessoas falarem, tem a ver com atitudes e não termos. Não adianta usar o termo “especial” e na hora de dar ao filho ou ver alguém na rua com alguma deficiência, ser indiferente ou achar que aquilo que seu filho precisa seja “frescura”, ou não adianta as secretarias dizerem pessoas com deficiência e depois, ficam bloqueando as pessoas que não tem a mesma opinião de acordos bilaterais, sistemas que não abrangem uma inclusão necessária (como transporte que não gera conforto e só usa de violência para causar danos as pessoas deficiente e ainda uma saúde péssima que não abrange o que as pessoas deficientes precisam), não colocam temas necessários em conferencias e não retomam discussões que não tiveram resoluções verdadeiras e objetivas. O “politicamente correto” empobrece o debate porque acaba padronizando o ser humano na sua pura essência de ser humano, de errar, de ser ele mesmo sem ficar com essa conversa de gente mimada e que não sabe ouvir criticas. O mesmo podemos dizer com o termo “azul” para o autista que são ainda muito menos aceitos, do que a maioria dos deficientes e me dá uma impressão de que estão falando de Smurfs e não são Smurfs – mesmo que os smurfs sejam “bonitinhos” – são também humanos, são parte do plano de inclusão de deficientes na vida do dia a dia e ponto. Quando começa esse tipo de termo e esse tipo de debate eu tenho a impressão que mais uma vez, vão nos colocar no roll dos infantilizados e não vamos ser tratados com dignidade.

Quer um exemplo que isso ainda acontece dentro do Brasil que ainda somos tratados com um certo de endeusamento (sem ser dos devottes)? O compartilhamento do curta “Cordas”. Não vi nesse video nada que possamos achar que vai ajudar na inclusão, pois só há discriminação nesse video. Primeiro há uma discriminação dos próprios pais que internam o menino porque não querem ter trabalho, a instituição discrimina o menino jogando ele no canto porque acham que não aprende nada, a menina brinca com o menino na sua inocência de achar que um dia ele pode melhorar. Mas no final o menino morre e vira um “exemplo de superação” que faz com que a menina se torna professora. Por que o menino não pode viver? Porque não. Porque é imoral ter filhos com deficiência e não é só o senso comum acha isso, os catedráticos também acham isso, o próprio Richard Dawkins disse que seria imoral ter um filho com síndrome de down. Por que as próprias pessoas deficientes aceitam esse tipo de discurso e esse tipo de filme que deveria ser denunciado e rejeitado no nosso meio? Porque os deficientes aceitam o discurso do poder, eles se acham um bando de “nada”, aceitam o que as pessoas lhe impõem e ao mesmo tempo, lhe rejeita como se não somos nada. Acho que até a musica antiga “A menina da cadeira de rodas” deveria ser denunciada e multada.

Enquanto tiver esse tipo de discussão ainda – porque a uns dez anos teve esse tipo de discussão – não vamos avançar e nem eu vou em nenhuma conferencia. Porque não adianta nada, existir inúmeros debates e no entanto, não existir avanço e sempre repetir debates. Isso cansa e não tenho “síndrome de Alice”.

Amauri Nolasco Sanches Júnior – publicitário, técnico de informática e estudante de filosofia.

Publicado por: Amauri Nolasco Sanches Junior e Marley Cristina Felix Rodrigues | 26/05/2015

Meu imperativo categórico.

Existe… só um imperativo categórico, que é este: Aja apenas segundo a máxima que você gostaria de ver transformada em lei universal.”
Immanuel Kant, A Metafísica da Moral (1797).

Immanuel Kant (1724-1804), escreveu que todo ser humano deve ter um imperativo categórico como norma social dentro de qualquer determinação dentro da sociedade. Então disse em um dos seus escritos: “Faça para o outros o que gostaria que fizessem a você”, ou seja, não vamos fazer ao outro o que não queremos que façam conosco e isso é uma regra básica, muito básica, dentro da moral humana. Temos que entender que imperativo é porque um dever moral e categórico, porque atinge a todos sem exceção. Por exemplo, não devo roubar nada que é do outro, porque não gostaria que roubassem o que é meu, seria um dever de todo ser humano respeitar o bem do outro adquirido pelo esforço do seu trabalho, não importando o que o outro fez, mas seu dever moral pede que sigamos dentro dessa linha. Um corrupto não segue esse imperativo categórico, porque ele tira de um bem de todos aquilo que a maioria precisa, como por exemplo, num hospital publico ou outro serviço social.

No afeto humano, além de termos a capacidade de ter ligações afetivas dentro do nosso convívio, porque somos seres sociais, temos construções éticas e morais, para administrar essa convivência. Um filho que mata os pais, por exemplo, pode ter perdido alguma base dentro da moral dos valores recebidos ou, uma deficiência cognitiva que não deixa enxergar esses valores. Mas mesmo assim, o ato em si mesmo, é uma quebra dentro do convívio afetivo e o convívio social, que o cidadão ético (vulgo “direito”), agi conforme o dever lhe chama. E Kant ao dizer que aquilo “se torna universal”, ele se refere aos exemplos que temos que dar com nossa conduta, pois não adianta dizer alguma coisa e depois, fazer outra. Como por exemplo, ser revoltado por causa das enchentes e jogar papel no meio da rua que causa as mesmas enchentes. A coerência entre o discurso e a pratica, deve acontecer na medida da educação (educare) e disciplina (scholé) que recebemos ao longo da nossa existência. Então, podemos ver que durante todo o processo de aprendizado e convivência, há um momento entre a razão e o que queremos e nem sempre o que queremos, pode ser o verdadeiro, porque podemos estar envolvidos em ilusões imensas.

Para Kant, a liberdade tinha a ver com nossas escolhas e o que escolhemos como nosso ponto moral. Dai chegamos ao que se refere a traição e a não traição, pois podemos amar sem se sentir presos e ao mesmo tempo, não trair um acordo que fizemos no começo do relacionamento. Quando há um acordo entre as partes de serem abertos – existem esse tipo de relacionamento – há um concedimento que as partes tenham relacionamentos extraconjugais, mas quando não há esse acordo, há uma quebra de confiança que uma das partes, causou. Dai temos que enveredar, para entender meu raciocínio, a ideia de amor de Espinosa que eu simpatizo e concordo junto com o meu imperativo categórico.

Para mim e para Espinosa, o amor não é procurar no outro o que te falta igual Platão disse na antiguidade – lembramos que a antiguidade a moral era outra e os pontos éticos se baseavam em outro sentido que cabem em outro texto – mas ver o outro como uma felicidade que não te completa, porque o amor que sente e toda a sua felicidade, já são completos por natureza. Então não tem o que te falta, não tem o que completar, porque esse amor em si já é completo. Então, por que temos que ter a pessoa ao nosso lado? Para dividir nossa felicidade e dividir tudo que se refere a vontade de agir, a vontade que nos fazem ir aonde queremos ir e aonde queremos chegar. É um meio de se alcançar algo supremo que as vezes, estamos atrás e não encontramos. Em muitas filosofias orientais – que ocidentais chamam de religião, mas há diferenças sutis que cabem em outro texto – só alcançamos o nosso lado espiritual, com nosso encontro entre o eu e o divino, atrás da energia sexual do encontro entre dois seres que se amam e se compactuam dentro do que chamam de egrégora (campo de energia criado dentro do aspecto de dois ou mais pensamentos que se combinam). Mas há outro aspecto do amor que ninguém percebe, o amor não sofre quando as coisas estão bem, porque o amor tem aspectos calmos e não tempestivos, isso é paixão. Paixão vem da mesma família gramatical que paciente, ou seja, paixão é sofrimento, amor não, se sofre, é porque não é amor.

Pronto. Depois de todas essas explicações finalmente vou explicar o meu imperativo categórico. Como Kant, penso que devemos sempre olhar o nosso dever sempre dentro da moral dos valores realmente, humanos e não nossos instintos reptilianos. Não podemos confundir vontade com o desejo, pois a vontade é aquilo que nossa consciência realmente sente para fazer a nós ir até onde o que queremos estar ou quem gostamos esteja. O desejo é só nosso instinto querendo aquilo para saciar nosso desejo e nada mais. Os animais tem instintos, como somos racionais, somos levados ao desejo. A vontade nos faz estar com aqueles que amamos e o amor não é só um desejo, precisa estar com vontade de alguém ao seu lado e isso em todas as esferas. Muitas pessoas insistem em querer me convencer, que todo amor há um desejo, mas o desejo só vem quando as consequências do amor acontece. O amor acontece puro, sem intenções, leve e sem amarras cognitivas. O desejo sexual só vem em consequência do amor, se não for assim, vira instinto apenas e um desejo que logo saciado, vira apenas lembrança. Mas quando vem dentro do amor, podemos dizer que tem outro viés e ainda não entendermos, assim, temos os códigos morais dentro do desejo. Quando entendermos isso, podemos olhar as outras pessoas, mas a nossa vontade de estar é aquela pessoa que escolhemos.

Como escolhemos as pessoas? Escolhemos quando algo nos encanta ou, algo serve como referencia daquilo que nos faz atrair. A vontade é a arte de atrair o outro, é misterioso, mas não é uma coisa banal. Então, se nós temos isso, se nós se sentimos atraídos pelo outro, assim, para nós somos lavados a se completar com o outro ao passar da convivência. A fidelidade não é uma prisão e sim, uma base ética de não querer fazer aquilo que não queremos que os outros façam conosco. Pois se trairmos, damos o aval que podemos ser traído, se podemos sair para beber com os amigos, a nossa companheira pode também. Tudo tem a ver com o caráter de cada pessoa, tudo tem a ver com valores e os meus valores é de que temos que fazer o que queremos e não o que querem nos impor, porque ser “machinho” é algo imposto, algo para aparecer como o poderoso e para mim não é. A fidelidade dentro de um relacionamento é um meio de respeitar a si mesmo e o outro, porque não podemos nos deixar ser manipulados por ilusões e outra, amigos passam, bebidas saem pela urina, mas nem sempre uma dor de uma traição passa tão fácil. Pense nisso.

Amauri Nolasco Sanches Júnior – publicitário, técnico de informática e estudante de filosofia. Em breve palestras sobre ética da inclusão.

Publicado por: Amauri Nolasco Sanches Junior e Marley Cristina Felix Rodrigues | 14/05/2015

Como escapar do humanismo neurótico.

       neurose humanista

Há um ar de “ultra-humanismo” que chega as raias da neurose. São pessoas nostálgicas que não vê que o “show terminou” e os carrinhos de rolemã, os piões de madeira, os carrinhos de caixa de fósforos e tudo mais, não servem. Foi bom? Foi, mas agora terminou. O ser humano, pelo menos daqui, tem a frase quase como um mantra “no meu tempo”, como se o tempo fosse alguma propriedade do ser humano. E não, não tínhamos diálogos melhores antes do celular ou smarthphone, isso é desculpa de pessoas que querem uma humanidade mais atrasada. Quem em sua sã consciência vai preferir muito mais um “Aquaplay” ou um Atari, do que um jogo de um X-Box ou outro console? Quem não vai admitir que o celular e a facilidade de obter um telefone e uma linha, facilitou a comunicação entre as pessoas? Lembrando que isso é uma ferramenta, não pode ser culpada pela ação humana.

As pessoas não olham que graças essas tecnologias pessoas cegas podem ler um livro digitalizado, ou pessoas surdas podem ver TV com legendas, isso se chama progresso. Cadeira de rodas estão melhores – se a qualidade aqui no Brasil é baixa, temos o dever de reclamar – porque estão sendo feitas de alumínio ou fibra de carbono que as tonam muito mais leves e que podem arrumar as posturas. Claro que não é todos que podem adquirir – porque nos países subdesenvolvidos não há um investimento serio em adaptações nas escolas e não há acessibilidade nas estruturas urbanas, que não deixam a maioria dos deficientes estudarem ou terem um trabalho que as empresas não nos contratam – mas esse desenvolvimento foi muito importante para o desenvolvimento de outros fatores que ajudaram muitas pessoas, nem sempre o desenvolvimento cientifico ou o capitalismo econômico, contem exploração e manipulação. Acontece que temos que olhar com mais ceticismo a ideologias que querem o atraso, afinal, um povo ignorante é um povo melhor manipulável.

Talvez as pessoas aqui no Brasil sejam nostálgicas porque não querem dar o braço a torcer que os tempos mudaram, porque em nossa essência cultural, somos apegados aquilo que nos é confortável. O ser humano só muda quando algo o incomoda e isso tem que ser muito forte em nossas vidas, como um meio que nos impeça de chegar a um fim e esse fim pode ser importante ou não. Na maioria das vezes, esse fim é uma ilusão. Nos iludimos que antigamente era melhor, pois tínhamos que ligar em orelhões, hoje se liga com seu próprio celular, liga da própria linha da sua casa, se tem muito mais informações e as pessoas não são menos humanas por causa disso, isso tem outro fator, mas não o fato tecnológico. Você pode até dizer: “Ah Amauri! Mas você diz isso porque é formado em informática!”. Dai eu respondo com muita tranquilidade: mesmo eu sendo formado técnico de informática, não é uma coisa que tenho um amor imenso, mas reconheço os avanços que esse tipo de tecnologia trouxe para a humanidade.

Talvez o problema é que o povo aqui em sua maioria não está acostumado com a democracia ou não sabem ser libertos de modas ou clichês que leram em algum manual de boas maneiras de algumas revista “positiva”. Mas a vida é feita de escolhas e essas escolhas nem sempre são agradáveis, nem por isso, somos condenados ao inferno eterno. Quer um exemplo? Observamos um texto critico e um texto informativo de muitas palavras “bonitinhas”. É o mesmo assunto, são os mesmos argumentos, mas a imagem que fazem do escritor é uma imagem estereotipada pela razão que o ser humano padroniza para ter certeza, para ter uma referencia da realidade onde vive, mas na maioria das vezes, não é uma realidade e sim, uma fantasia. Nem mesmo a liberdade que tanto prezamos, não existe de fato, pelo mesmo motivo que a maioria não tolera aquilo que é diferente a nossas opiniões. Critica nem sempre é sinônimo de pessoas chatas, pessoas que não sabem dar o devido valor a vida, critica é raciocinalizar aquilo que nos jogam como sendo informação. Por isso resolvi escrever esse texto quando li “como se livra do smarthphone” porque o problema não é os smarthphones e sim, as pessoas e essa “ladainha” já existia com a televisão. E dai se quero ficar o dia inteiro no meu smarthphone lendo algum livro ou falando no whattsapp? E daí se quero ficar esperando algum transporte vendo o meu Facebook no meu smarthphone? Garanto que não vou encontrar ninguém que saiba o que se passa no processo de corrupção Lava Jato numa analise cultural, ou quem leu Aristóteles em sua analise sobre a ética e o que é “penso, logo existo” cartesiano. Nosso povo mal lê Machado de Assis no ensino médio, quem dirá Discurso do Método de Renê Descartes.

Por falar em coisa antiga, por que os nostálgicos não abrem o bau empoeirado de seus cérebros cheio de teias de aranha, e diz que ninguém aprende francês nas escolas ou as missas não são mais em latim? Por que as aulas de filosofia, ao invés de ser aquela cartilha ridícula que não ensina nada, não são sobre os livros dos grandes filósofos, lidos e comentados? Porque sempre lembramos aquilo que nos interessa, aquilo que Freud disse estar em nosso inconsciente, a saudade de uma infância que ficou retida nas lembranças e só. O mundo evolui, ou nós aprendemos isso, ou o Brasil vai ficar para trás sempre.

Amauri Nolasco Sanches Júnior – publicitário e estudante de filosofia

Publicado por: Amauri Nolasco Sanches Junior e Marley Cristina Felix Rodrigues | 10/05/2015

Maternidade “diferente”

minha mãe com as netas Agatha e Kaatharina. A foto preferida dela.

minha mãe com as netas Agatha e Kaatharina. A foto preferida dela.

Eu sou filho de uma filha de um casal italiano. Mas não são qualquer italianos, são da Calábria. Sim. Eu tenho sangue calabres nas minhas veias e sabe quando deve ou não se esquentar. Talvez esse meu jeito de falar tudo na “lata”, sem a menor “frescura”, sem a menor pretensão de agradar a ninguém, seja do lado dela. E não é a toa que ela se chama Itália e tem o sobrenome do meu avô Mollo. Numa rápida pesquisa genealógica, os Mollo’s tem seu nome escrito em lapides dês dos tempos do império romano e portanto, nossa família, descende dos romanos. Mas minha mãe nunca se orgulhou ou fez questão disso, disse que se isso for mesmo, tinha vergonha de descender de um povo que matava para dominar. Mas além disso, meu avô foi soldado de Mussolini e lutou a segunda grande guerra, mas foi aprisionado dos norte-americanos se me lembro, em alguma região da Africa. Mas são historias que podem ser contadas depois.

Minha mãe casou com meu pai em outubro de 1975 e em em março de 1976 nasci, não como outras crianças, mas eu nasci com alguns quilinhos a mais. Acredito que por isso demorei para nascer – porque antigamente era um pouco pior que agora – então, tive algumas sequelas por falta de oxigênio. Não era tão grave, dizia ela, mas com 1 ano e meio, me deu uma pneumonia que agravou minha paralisia cerebral e começou toda a serie de tratamentos e rituais, para ver se eu andasse e melhorasse. Todos país nunca esperam que seus filhos se encontrem com alguma deficiência, mas alguns superam e criam seus filhos com amor e dedicação que pode ser chamada de amor. Assim podemos chamar o que minha mãe fez, pois ela me carregou todo o tempo, mesmo gravida do meu irmão. Nunca fez diferença entre eu e meus irmãos, a educação sempre foi e até o fim ela me tratou de igual para igual sem fazer diferença. Quando entrei na AACD, houve episódios que ela me defendeu – como no caso do dentista que queria me amarrar só porque eu chorava muto – brigou, comprou a briga para mim ter o melhor tratamento, mas era pior que o poder publico, a entidade não trata e nunca tratou quem era “pobre” com decência. Mas, era pago por meu pai, então, a coisa era para acontecer.

Claro que não era um tratamento de primeira, mas naquele tempo era o que tínhamos, pois estávamos num Brasil em transição de militarismo e democracia e nossos direitos, nunca foram respeitados. Minha mãe aceitou que estudasse nas escolas especiais, então, um menino que não largava dela para nada, ela simplesmente, deixou que ele seguisse sem que ela se preocupasse muito. O motorista da kombi  chato – não eram como as vans de hoje ou os ônibus de hoje – só tinham os bancos e cintos comuns. Mesmo com acidentes, nenhum deficiente morreu no transito pelo que eu soube, íamos nos bancos. Mas antes mesmo disso, houve operações que dizia corrigir tendões e músculos, não tive diferença, minha única diferença e poder sentar. Minha mãe cuidou, trocou muita fralda, trocou muita “meleca” minha de dores de barriga repentina, ou nas operações que não podia ir ao banheiro. Me levou pra dormir na cama, quando dormia no sofá, aguentou tudo que poderia aguentar.

Se indignou quando alguém fazia algo pra mim, mas nunca tomou as dores, porque achava que eu tinha que me defender. Sempre disse para mim se virar, eu sempre fui preguiçoso e sempre nunca me troquei sozinho, sempre quis que ela me colocasse as roupas. Apesar disso, minha primeira viagem foi aos 16 anos, terminei o ensino fundamental em um supletivo e fiz o ensino médio, até me formar em publicitário por conta própria, porque a UNIP não quis me dar bolsa de estudo. Acho eu, que sua magoa sempre foi pelas empresas nunca terem me dado uma chance, e por eu ser tão inteligente, escrever tantos textos bons, ninguém querer publicá-los. Ela lia o meu blog e dizia que eu era muito inteligente, charo, com um ar de orgulho, mas ao mesmo tempo, de tristeza de não ter visto seu filho mais velho um escritor ou um publicitário. Viu seu filho ser discriminado, não escolhido, num mundo que faz diferença a “nossa aparência”.

Dês que descobriu que tinha um tumor e fez sua primeira operação – foram três – ela já me preparava para fazer as coisas sozinho e assim foi. Tinha dia que ela nem sabia que eu tinha tomado banho e me ensinou finalmente, a ser de certa forma, um rapaz independente e que não precisava das pessoas. Então, ela foi piorando e nos últimos meses ela só chorava e quando fui ver ela no hospital, foi como se ela se despedisse de mim. Uma semana depois, ela se foi e isso faz 2 anos já. Ela nem viu minha formatura de técnico de informática que tanto fez para me matricular. Dizem que um dia antes, a dona Ilda que cuida da limpeza foi visitar ela, perguntou se eu estava comendo bem e a dona Ilda, disse que sim. Minha mãe fechou os olhos e sorriu, sorriu com a certeza que eu iria vencer esse mundo, vencer os desafios e vencer a sua ida ao mundo espiritual. Um dia depois ela se foi. Não, não é uma tristeza para mim, um alivio talvez por ela não sofrer tanto mais, mas dentro de mim ainda resta o que ela ensinou ou fez e tenho a plena convicção, que amor de mãe é muito mais do que um amor puro e simples. Transcende qualquer amor, qualquer viagem, qualquer ideia, é um amor “diferente”.

Por isso lhe digo “muito obrigado” por me ensinar a ter paciência, a ter tolerância, a ter respeito e acima de tudo, a ser fiel a quem está ao meu lado. Tenho certeza que você está me vendo, me inspirando, ou apenas, sorrindo com aquele sorriso dizendo “vai ju”. Obrigado Mãe!

Amauri Nolasco Sanches Junior – um filho com deficiência

Publicado por: Amauri Nolasco Sanches Junior e Marley Cristina Felix Rodrigues | 07/05/2015

A Filosofia a Brasileira e seu fanatismo.

Descrição: a direita está uma pintura do filósofo Immanuel Kant e na esquerda um fundo preto com a frase “Estamos aqui oprimidos por problemas que não podem ser ignorados e que não podem ser solucionados”

Uns dos filósofos que meu gosto, porque eu me identifico com ele e já me disseram que alguns textos meus tem algo ligado a sua filosofia moral, é Immanuel Kant que viveu no século 17 e foi um marco para o iluminismo. Todo mundo sabe que ele colocou a moral cívica (a moral social como costume) em um lado e a religião do outro e disse que um é um aprendizado dentro do que devemos ser (um dever diante a nós e a sociedade) e o outro, é uma questão em ter fé ou não, em ter que provar algo que não se pode provar. Então, quando um filósofo começa a filosofar com a religião ao ponto de xingar sacerdotes que defendem seu ponto de vista cidadão e não seu ponto de vista teológico, pode crer que ele não é filósofo e sim um belo de um trambiqueiro. Qual a sustentabilidade filosófica em dizer que um partido que deu aos bancos milhões, quebrou quase todas as estatais e ainda, esteve em muitos escândalos corruptos e com vínculos com empreiteiras e outras empresas, é comunista? Isso não “cheira” propaganda para vender livros ou é uma analise desonesta intelectualmente?

Quem já leu minha posição politica sabe que sou a favor de uma diminuição do Estado para não sobrecarregar o mesmo com tantos gastos e o andamento melhor da economia, sem tanta burocracia. O cidadão deveria ganhar melhor e as empresas deveriam ter mais autonomia para saber o que deve ou não fazer, como uma escolha a ser feita. O que acontece é que o Brasil – com seus “cabides” de emprego e seus correligionários partidários que chamamos de “apadrinhamento” – temos um conservadorismo tacanho que só atende interesses escusos e não interesses sociais que não são do intermédio estatal. Ainda existem pessoas esquizofrênicas, outras canalhas e outras confusas, que ajudam a deturbar a informação verdadeira e ajudar, querendo ou não, os interesses de quem é desonesto e de quem não está preocupado com o povo e sua politica. Isso se chama desonestidade intelectual, ou seja, aquela pessoa que tenta de tudo que é maneira, ter razão sobre o que prega.

Dai voltamos a Kant quanto a sermos uma cultura religiosa por um lado e conservadora do outro, porque não queremos perder o conforto que nos encontramos por um bem maior. O conservador é uma pessoa menor, um tipico burgues do século 17, que era metido a ter cultura, mas não tinha instrução para ter a tal cultura. O conservadorismo brasileiro ainda está na guerra fria, ainda está em questões dos anos 70 do século vinte e não em coisas que realmente deveriam ser analisadas. Ora, se vivemos numa democracia, o que o vizinho ser um homossexual, por exemplo, vai mexer com a sua vida? Se você não gosta do beijo gay numa novela, tem o controle remoto que muda de canal, tem muitas outras atracões e tem muitas outras novelas que atende o seu gosto, ou faça igual eu, desliga a televisão e vai ler livro, a internet esta cheio de bons livros. O problema não é exemplo que se tem na juventude, porque a juventude é o que ela é com os valores que ela recebeu do próprio berço, mas o nosso povo por ter um ensino fraco e informações poucas, é muito facilmente manipulado. Em sua resposta a pergunta “O que é o Esclarecimento?”, Kant nos fala que o povo na verdade, não se esclarece por não querer perder aquilo que sempre sera confortável para ele e o que seus interesses integram sua moral. Ou seja, para Kant, não há inocente nenhum da minoridade, porque o esclarecimento é a saída dessa minoridade que o próprio ser se encontra por ele ser responsável. Para Kant, a minoridade é a vontade sendo manipulada por um conforto existencial segundo seus interesses. Qual maior interessado da ideia de um suposto comunismo e um inimigo imaginário que pode nos engolir? O Estado. A manipulação de informações, contra ou a favor, é do Estado que manipula duas forças contrarias que não conseguem se unir por um proposito maior do que o bem estar do ser humano.

Então, essa ideia que a ONU (Organização das Nações Unidas) serem da ideia de Kant, lamento, não pode ser. Porque a ideia de união das nações e as ideias de união dos povos, passam primeiramente no esclarecimento daquela cultura e a informação verdadeira dentro da ótica do conhecimento em si mesmo, da razão enquanto imperativo moral de cada ser humano, não poucos privilegiados como acontece. E voltando a nossa cultura, não temos um imperativo categórico no sentido moral, porque nossa moral é manipulada pelo o que nos é “vantagem” ter e não ser, por nossa cultura ser construída assim. Se somos de uma determinada religião, há um interesse de propagar essa religião por ser o mais prendado ou o mais devoto, porque a bondade depende de muitos interesses além daqueles que realmente é necessário para ser bom. Bom não é o antônimo de mal, bom é ser o que você tenha satisfação em fazer sem achar que aquilo vai inflar seu ego, porque dai, não é ser bom e sim, é agir segundo um interesse. Isso não é ser bom é ser acomodado aquilo que pensamos ser confortável para si mesmo, confortável dentro da sua ética e da sua moral, aliás, você está sendo antiético. Sendo assim, você é um “canalha” e sendo um “canalha”, você manipula quanto quiser a informação. Não é isso que vemos dentro da ótica de alguns que se intitulam “filósofos”? Já quando se analisa o problema pelo viés daquilo que acreditamos ser uma verdade – seja ideológico ou religioso – já não é mais uma “amizade” ao saber, já é uma doutrinação, porque a amizade ao saber é muito mais analisar os dois viés da informação e não um só viés como muitos insistem em fazer.

Um filósofo não é um intelectual, pois o intelectual é que detêm o conhecimento e o filósofo que analisa o mundo lá de cima. Kant era um religioso devotado e ia todos os domingos a igreja (protestante), lia sempre a bíblia, acreditava que existia um Deus maior que construiu todo o universo, mas ele escreveu uma das maiores Criticas a metafisica de todos os tempos. Por que? Segundo o próprio Kant, se ele provasse a existência de Deus empiricamente, então, ele iria ir contra o que ele acreditava que era a fé cristã e seria uma falta a igreja. Por isso que existe Kant filósofo e Kant religioso. As bases de um saber é saber que sempre construirmos conhecimentos somados de outros conhecimentos, que a sabedoria é o esclarecimento daquilo que não se sabia, mas ponderadamente, se passa como real informação do que realmente é. O filósofo verdadeiro não separa o problema em dois ele analisa sobre a exige acima do senso comum, ele tem que ser coerente com aquilo que ele é capacitado em fazer, achar meios para se chegar a sabedoria. Como no exemplo de Kant, ele fez uma separação do que é filosofia e o que religião, sem deixar ambas as partes e sem acreditar no que acredita, sem achar inimigos imaginários.

O que falta dentro do nosso pensamento como cultura, é fazer essa separação entre o que é mora (valores) e o que é real dentro da conduta a ser seguida. Não me interessa se um cheirou cocaína quando era novo, fumou maconha quando era jovem, que fez isso ou aquilo e sim sua administração de agora e tudo que está fazendo agora. Então, não me interessa o que ele fez ou o que ele vai fazer depois, assim, o importante é analisar por fora.

Amauri Nolasco Sanches Júnior – publicitário e estudante de filosofia

Older Posts »

Categorias

Seguir

Get every new post delivered to your Inbox.

Junte-se a 699 outros seguidores