Publicado por: Amauri Nolasco Sanches Junior e Marley Cristina Felix Rodrigues | 3 de abril de 2016

Vamos falar do Autismo?

Muitas pessoas se incomodam com minhas críticas, meus tratados de ética, meus “textões”, mas não falam sobre o autismo que é também uma deficiência. Não quero saber de pessoas atraídas por cadeiras de rodas, não quero saber de paraolimpíadas (que para mim é a parte secundaria do segmento de PCSs), não quero saber de nada disso. É por isso que aqui no blog Ser um Deficiente tem como foco, amor, cultura e inclusão, pois inclusão não é só um termo referido da essência de incluir, mas um ato de incluir todos e não uma parte das pessoas com deficiência. Infelizmente, eu não posso desenhar aqui para os “paladinos da inclusão” que incluir é muito mais do que fazer “academia”, tirar foto pelado, fazer uma exposição erótica (que vai ter um textão também em breve).

Duas coisas que todo mundo tem que perceber e aprender, incluir é introduzir algo em algo, ou alguém na perspectiva social e é por isso, que tanto insistimos em inclusão das pessoas com deficiência. Ai que está, incluir pessoas é inserir algumas pessoas dentro de uma sociedade que exclui em direitos, em deveres e como ate, em ser humano. Por exemplo, existem os deficientes cadeirantes que estão excluídos por causa da falta de acessibilidade nas calçadas, acessibilidade nas repartições públicas ou não, acessibilidade dentro das moradias e não é um luxo, é um direito adquirido dentro da Constituição que está que qualquer cidadão tem o direito de ir e vir. Mas não existem só nós cadeirantes, existem os surdos, existem os cegos, existem os deficientes mentais, os amputados, existem as pessoas com síndrome de down e existem os autistas que é sim, uma deficiência. Porque deficiência é uma disfunção de alguma parte do corpo, por causa do sufixo DE mais eficiência que é o poder de fazer e ser eficiente em algumas tarefas ou no intuito de poder ser eficiente em se mexer em determinada situação. O sufixo DE é um sufixo de negação e se estar em um adjetivo (que dá qualidade), então não se tem a qualidade que é referido. Eficiente vem de eficaz que quer dizer segundo o Michaellis online: “que produz o efeito desejado, eficiente, que produz muito, útil”, assim sendo, quando você diz que uma pessoa é deficiente (de+eficiente), se diz que ela não é útil, não produz o efeito desejado ou não produz muito.

Ora, acontece que as instituições de reabilitação, e a AACD está sim nessa, não entenderam que a reabilitação não é um milagre para faz as pessoas com deficiência andarem, não é para as pessoas com deficiência terem uma vida comum e sim, terem uma vida para produzir o efeito desejado ou serem mais uteis, ponto. Temos uma cultura tão arreigada na “superstição” que essas instituições vendem esse tipo de “sonho” de seu filho vai ter uma vida comum, vai andar como todo mundo, vai enxergar como todo mundo, vai ouvir como todo mundo, vai poder ser como todo mundo e não vai ser, vai ser uma pessoa adaptada a sua deficiência e vai ter a vida mais confortável possível. Não que não acredite que a força de vontade não faça as pessoas terem uma melhora muito além da meta, mas temos que as vezes, muitas vezes, aliás, em enxergar a realidade dos fatos que vivemos. E neste contexto que devemos focar nossas considerações, ou para informar (porque atitude sem informação, vulgo textão, é uma atitude inútil), sobre algumas deficiências que não são comentadas ou não são informadas corretamente.

Muitas deficiências são deficiências adquiridas ao longo da vida ou por acidentes ou por doenças: como a pólio (paralisia infantil), meningite, AVC, paraplegia e tetraplegia (conforma a lesão da coluna vertebral), Alzheimer, etc. E tem as deficiências que são de nascença, ou após o parto, ou por fatores genéticos, ou até fatores de remédios pouco testados que deram efeitos colaterais, como o remédio de enjoou Talidomida. No meu caso, só para dar um exemplo, tive sequelas de uma falta de oxigenação do cérebro (que pelo que eu pesquisei, não há uma comprovação cientifica se é mesmo isso), que deram o nome de paralisia cerebral por causa da morte de células cerebrais (neurônios). Mas meu cérebro não é paralisado, e sim, só a parte que comanda os movimentos e a noção de espaço que resulta a falta de equilíbrio. Assim existem muito mais deficiência e existem muito mais a consciência – graças a Deus – que se deve pesquisar ainda mais e o autismo é uma delas.

Na verdade, não se chama uma pessoa mais de autista apenas (que veio do alemão AUTISMUS, cunhada por Bleuler em 1912 a partir do grego AUTÒ que quer dizer “referente a si mesmo” mais o sufixo ISMOS indicando ação ou estado), mas como Transtorno do Espectro Autista (TEA) que dá um ar pomposo ao transtorno que não tem número estimado, não tem origem e que tem causas hipotéticas como origem dessa deficiência.  Por que coloco como deficiência? Porque são características de perda da eficiência da comunicação e a percepção do ambiente no qual vivemos. Mas existem 3 principais características dentro do autismo (estado de si mesmo), o autismo severo (pessoas que giram em torno de si mesmo, fazem movimentos estereotipados), os autistas clássicos (falam, mas não se comunicam, por exemplo, podem falar frases fora do contexto que ouviram na TV na noite anterior. Mas se perguntar quantos anos ele tem, eles não respondem) e o já meio conhecido, Síndrome de Apender (tem esse nome porque foi diagnosticas, descoberto, pelo psiquiatra e pesquisador austríaco Hans Apenger em 1944. É o aspecto mais brando que existe, mas ainda tem seria deficiência social, não tem muitos amigos, não tem muita facilidade de comunicação). Nesse aspecto as pessoas com esse transtorno não podem receber qualquer tratamento, podem apresentar em certos comportamentos, uma ameaça e pode desencadear uma agressão que não é culpa da pessoa com autismo. Meu primeiro contato foi quando eu tinha meus doze anos no filme Rain Man que tem o aspecto clássico da síndrome.

Na minha opinião é muito simples, o autismo não faz de a pessoa não ser um ser humano e nos faz pensar quem está ou não focada dentro de uma interação social sobre qualquer assunto. Um autista não perde o foco, ele fica num assunto e resolve ou simplesmente se sente bem com aquilo, isso é realmente uma meta a seguir. Mas não acho que ter um transporte exclusivo (como aqui em São Paulo querem implantar no ATENDE que não sabe nem tratar um cadeirante como deve, imagina um autista), porque o problema é outro, o problema é criarmos condições para sim, termos um bom convívio social. Já pensou que se não houvesse condições para um Bill Gates trabalhar? Eu não estaria escrevendo esse texto na Microsoft Word. Já pensou se não houvesse meio de Einstein ter descoberto a teoria da relatividade e a geral? Issac Newton ter descoberto a teoria da gravidade? A síndrome de Apenger é um aspecto quase normal nos grandes gênios, porque mesmo com grandes dificuldades de convívio social, nada pode tirar ele do foco daquilo que ele está fazendo.

Portanto, vamos respeitar as diferenças. Dia 2 de abril, dia da consciência autista.

Amauri Nolasco Sanches Jr, 40, escritor

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O CAMINHO

Publicado por: Amauri Nolasco Sanches Junior e Marley Cristina Felix Rodrigues | 2 de abril de 2016

Cuidadora: Louisa Clark (Como eu era antes de você)

Aristóteles, o filósofo grego, dizia que o conhecimento era adquirido com a pratica e essa pratica tem que ser alcançada com a experiência, sem achar que não temos pratica não teremos a sabedoria. Se você não convive com pessoas com deficiência, vai saber o que sente ou o que precisa uma pessoa com deficiência? Claro que não, não sabemos qual o gosto de uma fruta se não saborearmos (gosto só se sente saboreando, pois, comer é engolir apenas) e nesse sentido, toda o pensamento de Aristóteles, se constrói porque para ele, não precisamos de um outro mundo, mas fazer o bem e viver equilibradamente, nesse mundo. E nesse contexto da pratica se faz a história da escritora e jornalista Jojo Moyer: Como eu era antes de você e depois a continuação: Depois de você. Pois não se constrói um mundo realista sem o realismo pratico, não se constrói carreiras, não se constrói vínculos sem entender certas coisas e no que se diz no cerne da deficiência, não se entende a deficiência se não conviver com a deficiência e esses livros fazem um papel interessante. Cada vez mais, os jovens têm a tendência de abrir sua mente (com salvas exceções que existem em qualquer segmento social que se preste), entender que o mundo não é só dele e não tem só ele no mundo, como tem pessoas negras, homossexuais, mulheres, crianças e pessoas deficientes.

Louisa Clark é mais uma moça no interior da Inglaterra (a cidade onde mora fica perto de Londres e num castelo medieval), onde tem uma vida pacata, com um emprego que não gosta, com um namorado que não gosta, com uma vida que não programou porque se acha “vitima” de uma sorte do destino. A vida te humilhou na adolescência e para a vida não humilhar ainda mais Lou, ela se esconde nessa vida niilista. Talvez, muito lá no fundo vi Nietzsche na trama, um niilismo negativo (onde a pessoa não acredita em nada, não tem nenhum motivo de acreditar na vida) e depois, quando ela descobriu um outro mundo, nasce a vontade da potência que fez ela decidir sua vida, decidir até quando ela pode ir. Mas a vida sempre lhe dará desafios, acidentes, lhe dará as rédeas erradas e as certas. Mas o que é errado e certo nessa vida? O que pode ou o que não pode ser feito ou dito? Eis a questão do problema, a origem do certo e do errado está em mossas próprias escolhas.

Já Will Traynor sempre foi um rapaz ativo, aliás, a história começa com o acidente dele exatamente porque não conseguiu parar de falar no celular para pegar um táxi. Como um Diretor Executivo (que em inglês se chama CEO), tinha que resolver milhares de coisas, mas, a vida te mostrou que ou você olha para si ou não terá “si” para olhar e foi atropelado por uma motocicleta. Só que Will achava que a culpa era da vida, não pensou, não refletiu e ainda preferiu se comportar como um menino mimado que não assume suas responsabilidades e não viu que a moto não foi a culpada, mas ele próprio. Quem estava no celular? Quem ao invés de prestar atenção na rua, estava prestando atenção no táxi? Mas podem me dizer: “Ah Amauri, você nasceu com deficiência e está acostumado”, mas tenho minhas frustrações e também meus dessabores, como não ter um tratamento de saúde decente, como ter um transporte decente, como não ter uma educação decente, ter um pensamento retrógado o bastante para os empresários ainda acharem que você é incapaz de soltar um peido sozinho. O Will tinha seu seguro, tinha aposentadoria por invalides, tinha a mãe que era advogada e ganhava bem, seu pai era o chefe que cuidava do castelo. O que mais ele queria? Isso não é um comportamento de um adolescente que se revolta daquilo que ele próprio fez? Quantos deficientes queriam estar no lugar dele? Mas não, ele quis se matar, ele quis acabar com a vida num drama meio homérico para mostrar para posterioridade, que Will Traynor era um herói que lutou até o fim, mas não é bem assim.

O cerne do problema está no seguinte: tanto Will como a Lou tinha uma vida vazia e um ajudou em vários aspectos, mas não deixaram a o orgulho de lado. Não deixaram ver que a vida é muito mais de poder fazer coisas, mas de viver coisas, porque os relacionamentos não são mais movidos por uma espiritualidade que liga um ao outro, mas sempre o material que importa, o mundo não para para nós entendermos certas coisas. Há uma espiritualidade dentro da deficiência, há uma espiritualidade dentro dos relacionamentos, há uma espiritualidade até dentro da solidão. Pois o grande problema está aí, existem casais ateus que entenderam muito mais isso do que casai religiosos, casais que vão a igreja, ou casais que aceitam tudo para um ficar com o outro (sem violência, é claro). Mas existem casais que ensinam um ao outro muito mais do que, muito pai e mãe ou até mesmo, muito professor por aí e é verdade. Porque casais de verdade tem um elo muito mais rico do que casais que só se importam com uma parte do relacionamento – como só o sexo, como só o amor, como só a aparecia – porque tudo isso é um conjunto que não temos na trama, pois os dois são um casal de fracassados tipo Bonnie e Clyde. Na essência da coisa, os ingleses são muito mais polidos (ter a educação, mas são extremamente cruéis no sentido extremo da palavra) do que os nazistas, porque ele nunca poderá expressar verdadeiramente seus sentimentos em nome de uma aparência que não é diferente de um sul americano. Salvas exceções como o físico Stephen Hawking que quando viu que o barco do teu relacionamento ia afundar, pulou fora e foi viver sua vida. Will não olhou esses exemplos, Will era só mais um deficiente morrer para ensinar alguma coisa a alguém, um herói que mostra o fascínio do ser humano pelo imperfeito, pelo sofrimento, pelo desconhecido e pelo fracasso de ser atingido por uma moto por causa da sua desgraçada escolha de atravessar a rua com um celular e ainda, achar que é a vítima do mundo. É por isso a sua escolha de morrer, porque ele sabe que o único culpado pela sua deficiência é dele. Quantos paladinos da inclusão não são um Will? Pior de tudo, quantos não usam a suas deficiências para fazer palestras e fazerem um desserviço a anos de trabalho de inclusão dentro da sociedade?

Por outro lado, não é uma trama diferente do Corcunda de Notre Dame ou até mesmo o curta metragem Cordas, onde a pessoa deficiente deve ensinar alguma coisa e sair na trama como o herói sofredor que virou mártir, um exemplo de superação. Mas ele morreu, não pode haver superação na morte, apenas é uma fuga do medo que o ser humano tem de ficar nas mesmas condições. O Corcunda não pôde ficar com a Esmeralda, o Pablo não pôde ficar com a Maria, o Will não pôde ficar com a Lou. É errado isso, é errado mostrar a realidade meio nazifascista em acreditar que as pessoas devem ser iguais, que as pessoas devem ser perfeitas, as pessoas devem ter suas vidas arreigadas de companhias e um maior número de bens possíveis.  Will era isso e quando a vida te mostrou que não importa os bens, não importa quantos casos você tenha, quanto poder se tem, você vai ser sempre um ser humano, um símio com inteligência maior com os outros símios e dominou o planeta e o resto é apenas, consequência. Mas todo homem “fodão” – aquele bem resolvido, com milhares de mulheres ao seu redor, um poder incalculável – é apenas um covarde que fica atrás de uma mesa, de um paletó, ostentando um ser que ele não é, não me surpreende nem um pouco, que Will quis muito mais a morte do que ficar com a Louisa.

Isso você não percebe porque os dois livros são relatos da Lou do quanto o Will fez diferença dentro da sua vida, são relatos de uma pessoa encantada pelo suposto exemplo de vida e de uma mulher apaixonada que teve que fazer escolhas e na verdade, não o fez. Não é uma distopia, pois a distopia é muito mais interessante e o herói ainda reage, acho eu que em última análise, é mais uma história “exemplo de superação” a ser seguida e a chorar. É um livro para entender o verdadeiro papel do cuidador e como as pessoas tetraplégicas reagem diante da situação, é uma desconstrução da real inclusão das pessoas deficientes que na visão do livro, devem morrer para completar a saga do herói e só. Na essência está dizendo não muito diferente do que os nazistas pensavam (essencialmente, Hitler), que somos pessoas sofredoras e que temos que ter uma morte digna, um descanso da dor eterna de não ser perfeito. Este aí nas manchetes: o biólogo Richard Dawkins dizer que é imoral uma mãe ter um filho com síndrome de down, a Espanha liberar o aborto para bebes com doenças genéticas, achar a cura de paraplegia ou tetraplegia, não empregar as pessoas deficientes e tudo isso, veio do pensamento nazista. No caso do Will, lembrei da música Pulso da cantora Pitty: “(…)depois do erro a redenção(…)”, ou seja, mania transformar fracassados em exemplo sei lá o quê.

Amauri Nolasco Sanches Jr, 40, escritor

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O CAMINHO 

Publicado por: Amauri Nolasco Sanches Junior e Marley Cristina Felix Rodrigues | 31 de março de 2016

O que é isto – inclusão?

E quando o caos chegar

Nenhum muro vai te guardar

De você, de você, de você

Pitty – De Você

O que estou vendo é que as pessoas estão confundindo as coisas, não estamos incluindo, estamos nos fechando em promessas vazias. Você para ser bem-sucedido sem ofender ou magoar ninguém, você pode trabalhar sem deixar sua vida, mas como a Pitty disse, quando o caos chegar, nenhum muro vai te proteger de você mesmo. Inclusão não é ganancia ou desespero, inclusão de deficiente tem um viés muito espiritual e não pode ser confundida com bens materiais e sucesso repentino. Às vezes, pessoas te elogiam para te agradar e não para te oferecer amizade, ou respeita sua condição, elas querem sempre status. Essa é a verdade, essa realidade, você está numa cadeira de rodas e as pessoas te darão o status que você se propuser ter e só.

O que me preocupa é ver pessoas com deficiência que trabalha, ganha seu dinheiro e tem até carro, ser carente o bastante para não deixar a família e ser tão dependentes, que não podem assumir namoros, entrar em concursos de beleza. Nós, dos movimentos em prol a inclusão, sempre dissermos que a primeira atitude inclusiva que uma pessoa deficiente é tomar “rédeas” da sua vida e achar um rumo, se não começa por aí, daí ou é mimado, ou acha que o mundo é um “encantado mundo de Bob”. Isso mesmo. Esse desenho tem muito a ver com o segmento dos deficientes, pois é a história de um menino que cria um mundo só dele e acha que todo aquele mundo existe, mas não passa de um mundo através de um viés de uma criança inocente. Acontece que o deficiente não é inocente, ele cria esse tipo de mundo para fugir da sua responsabilidade de criar sua própria vida. Acaba não tendo relacionamentos ótimos, acaba achando que toda a humanidade é carrasco ou coisa parecida, e ainda, cria o conceito que “devemos valorizar a família”. A valorização da família é depender moralmente do pai e da mãe? Valorizar a família é não assumir um relacionamento por causa de uma “blonquinha” ou por causa das “mamatas” como viagens, comidas exóticas, cuidados de “dondoca” e tudo mais?

A deficiência não é medida de caráter (ethos), nem medida de força de vontade, pois ou você é uma pessoa resolvida dentro da vida com seu trabalho, com seu carro, com suas ideias, ou simplesmente, é uma “nadinha” que só quer status para vender ou para mostrar aquilo que não é. A construção da nossa liberdade não é só uma construção apenas financeira, não é uma construção apenas de uma carreira e sim, uma descoberta de você para entender você mesmo e seus limites. Onde precisamos tanto de dinheiro que não vai resolver aquilo que está em nós mesmo?

Inclusão vem de incluir e só vai ser incluído quem realmente descobrir quem você é, quem é a pessoa com deficiência que está por traz das “mascaras” sociais, por traz de nossas omissões de nós mesmos. Inclusão não pode ser um ato social, apenas um ato de ir para frente daquilo que você mesmo é e pode ser muito mais. Ser um deficiente quase uma tatuagem.

Amauri Nolasco Sanches Jr, 40, escritor

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Confiram O_CAMINHO

Publicado por: Amauri Nolasco Sanches Junior e Marley Cristina Felix Rodrigues | 4 de fevereiro de 2016

Inclusão e independência

 

A questão da liberdade das pessoas com deficiência é uma questão que venho notado já faz um tempo dentro do segmento, pois por mais que as pessoas com deficiência tenham uma vida independente de qualquer coisa, sempre existem pessoas que são presas a família. A questão pode até ser uma questão moral, ou uma questão de gratidão eterna, mas em alguns aspectos, essa questão beira a uma dependência afetiva. Como lhe dar com a questão de sempre achar que o pai e a mãe devem cuidar do deficiente a vida inteira? E pasmem, são pessoas maiores de idade, são pessoas que tem uma independência financeira, uma independência até mesmo, de sair na rua, mas tem uma forte dependência emocional. Daí que começa meu questionamento:  será que que as próprias pessoas com deficiência têm mesmo que depender tanto das pessoas mesmo tendo um trabalho e pagando suas contas?

Mas as pessoas podem me questionar: “Ah Amauri, mas você mora com seu pai e ele paga as necessidades suas”. Daí eu respondo com que ele me disse: ele paga minhas contas porque ainda existe discriminação dentro da área de trabalho, porque o mesmo estudo que ele deu aos meus irmãos, ele pagou todos os materiais que usei para fazer os meu (menos de publicidade que foi eu que paguei tudo). Portanto, ele realmente gostaria de me ver bem-sucedido tanto na área de publicidade, quanto na área de técnico de informática e os dois são técnicos como dizem pegar. Porém não basta fazer milhares de palestras, fazerem milhares de leis, milhares de resoluções e as próprias pessoas com deficiência terem uma dependência emocional com o pai e a mãe, uma gratidão que não poderia ser uma dívida, mas que se revertesse em independência completa. Mas poucos se interessam ao que é de sua própria natureza, sua capacidade pensante e não só, o sentir.

Quando eu escrevi o livro O Caminho, eu queria colocar isso dentro do livro sem agredir a escolha de cada pessoa e daí nasceu o personagem Vanessa Albuquerque. O personagem Vanessa é uma moça que já tem uma independência mesmo sendo seu pai um rígido comerciante do interior, mas que ela conquistou com perseverança e força de vontade. Mesmo sem saber, Vanessa era sustentada pelo seu pai, mas mesmo assim, não se curvava a suas vontades e nem a sua religião. O personagem Vanessa tem muito do que acho que as mulheres com deficiência deveriam ser, pois mesmo com uma deficiência do pé e da mão, ela se sentia uma mulher como qualquer mulher no mundo. Um personagem feminista? Não acho que a Vanessa é um personagem feminista, acho que ela pensa que somos seres humanos, seja mulheres, sejam homens, sejam homossexuais, sejam negros ou brancos, vermelhos ou amarelos. Há até um simbolismo dentro até da aparecia da Vanessa e até os cabelos vermelhos que só quem ler o livro, vai saber e vai saber muito do que penso no assunto.

Então, como contornar isso sem ao menos ofender quem você ama? Pois amar não é o mesmo de ser uma pessoa dependente daquela pessoa, como no caso da Vanessa, que por mais que ame seus pais, sempre gostou de morar sozinha e fazer tudo sozinha sem medo de ser feliz. A liberdade não é só lutar por nossos direitos, liberdade é ser um humano que entende esses direitos e entende a liberdade do outro. O que pensar dos pais que tentam prender os filhos fazendo chantagem emocionais? Por que temos que eternamente ter uma dívida a família que por obrigação, cuidar de você e te acolhe? Isso se chama responsabilidade e não caridade, a caridade é uma coisa muito mais social do que familiar, porque a família tem outro laço do que caritativo. Ora, não que ela não é importante para o ser humano num modo social, mas não é o único meio de se garantir uma evolução como ser humano, porém, devemos respeitar a família como uma acolhedora que aceita cuidar e queiram ou não, se aceita cuidar de você como é e não como poderia de ser. Devemos sempre salientar que a ideia de família, só é desenvolvida do século vinte em diante, antes disso, se tinha família como uma status social. Ou seja, a família é sim uma cultura social pós-moderna. Aliás, como mostrou o filme curta “CORDAS”, pessoas com deficiência elas eram deixadas num orfanato e não eram criadas junto a família. Isso reforça e muito a ideia da família como uma status social.

Como contornar isso? Como mostrar que podemos sim sermos seres humanos?

Amauri Nolasco Sanches Jr, 39, escritor

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Publicado por: Amauri Nolasco Sanches Junior e Marley Cristina Felix Rodrigues | 12 de janeiro de 2016

O mundo é dos bravos

Estranhamente essa semana ouve nos grupos sobre inclusão de pessoas com deficiência o assunto sobre o Roberto Carlos, que além de ter um talento excepcional é amputado. Isso mesmo. O “rei” simplesmente, perdeu uma das pernas num acidente de trem aos 6 anos na cidade onde nasceu no Espirito Santo. O que mais assustou não foi a atitude do cantor diante do fato de mostrar a sua deficiência, foi ler as próprias pessoas com deficiência acharem que ele está certo em esconder a deficiência. Como assim esconder a deficiência? Será que ele está certo esconder sua condição só para ganhar fama e se ganhou, não poderia usar sua deficiência para ajudar outras pessoas na mesma condição? Não estou negando o direito do Roberto Carlos de esconder o que ele não quer mostrar, mas estou questionando que muitas pessoas com deficiência estão realmente, em pleno 2016, em querer esconder aquilo que realmente é uma condição que realmente, não vai mudar tão fácil assim. Até vi “paladinos da inclusão” incentivarem as pessoas a fazerem isso mostrando um mundo encantado da ciência dizendo que estão descobrindo maneiras de reverter as deficiências, que realmente, serão para poucos que tem recursos financeiros para tal. Quem tem dinheiro para colocar fios de ouro na medula espinhal? Quem tem condições de ter uma prótese de titânio? Quem tem condições de ter uma cadeira de rodas de fibra de carbono? Ter condições é muito bom, mas num país igual o nosso, essas condições são para poucos.

O problema que sempre vão olhar o Roberto Carlos e outros que superaram a deficiência como “exemplos de superação” e não são nada, tiveram seus defeitos, tiveram suas desavenças e suas “sacanagens”. A deficiência não é parâmetro para medir caráter de ninguém e não é por causa da deficiência, por causa de qualquer limitação, somos “santos” e nem “demônios” também, somos simplesmente, humanos. Podemos fazer “sacanagens”, podemos ser “sem-vergonhas”, podemos ser mal educados, podemos ser mal caráter, podemos ter qualquer defeito ou qualidade como qualquer pessoa. Temos uma educação limitada demais para saber separar uma coisa com a outra, respeitar o cara pelo talento e pela música nada tem a ver com a deficiência que ele tem. É apenas um “rotulo” que deram as pessoas com deficiência que classificam o lugar que essas pessoas – no qual eu me incluo – devem ficar, como se fossemos um caso à parte da humanidade. Mas não somos. As doenças e deficiências, muitas vezes, são erros humanos e a falta de preparo em alguns setores e até mesmo, no caso do “rei”, a tecnologia e a ignorância do funcionamento dessa tecnologia, leva a também sequelas e a deficiência. Quantas pessoas foram atropelados e perderam seus membros? Quantas pessoas perderam os movimentos em acidentes de carro? Quantas pessoas tiveram sequelas de Talidomida (remédio para enjoou) fabricados pelo homem? Os vírus que saem das florestas graças a ação humana? Quantos partos sem um pediatra nascem pessoas com paralisia cerebral? Somos bem produto do meio onde vivemos, pois são esses erros humanos que fazem surgir as mais variadas deficiências.

Porem nada é tão ruim que não possamos ir muito além do que podemos ir, pois o ser humano tem a capacidade de sempre superar alguma limitação. A vida não é tão dura assim que não possamos enfrentar as duras provas, as duras incapacidades de enxergar sempre o lado bom das coisas. Para mim não há motivo nenhum do Roberto Carlos ficar com a “gemedeira” dele de achar que a vida foi triste, porque ficou vivo e só perdeu uma perna, não morreu e nem teve sequelas mais graves que poderiam ser muitos piores. Teve uma mãe que amou ele mesmo sem a perna, teve uma esposa que amou ele sem a perna, teve toda a sua fama e grana mesmo sem a perna, então, a perna não te fez falta pelo simples fato de ser cantor. Talvez o único exemplo que ele possa nos dá é que o dinheiro não traz nada, não deu a ele uma máquina do tempo para evitar o acidente, não evitou nem a morte da esposa de câncer. As pessoas podem ganhar dinheiro e terem uma vida confortável, é um direito de todos, mas achar que isso vai suprir todos os nossos sofrimentos, é uma grande mentira. Quem acha que o dinheiro traz felicidade poderia rever conceitos, poderia rever que o egoísmo – todo egoísta é um cara fechado em si mesmo e não consegue enxergar o que temos de melhor no mundo – não te faz reservado e nem te preserva, apenas te faz ter uma visão limitada da situação e o mal agradecimento daquele que te deu a vida. Essa é a visão que tenho do “rei”, uma pessoa limitada e teve uma visão do senso comum da deficiência, um egoísmo não de mostrar ou mostrar a deficiência, mas remoer aquilo que não teve jeito de consertar. Talvez, ele não teve coragem de encarar o mundo como é e criou um personagem, um Roberto que não existe e só alimentou o mercado fonográfico brasileiro. Quantos deficientes também não encaram a verdade? Quantas mulheres com deficiência têm que tirar uma foto sorrindo, tem que se maquiar ou tirar foto pelada para se sentirem “vistas “e homens tirar fotos sem camisa? porque criamos um personagem daquilo que não existe.

Talvez esse é o motivo das pessoas apoiarem tanto a decisão do “rei”, pois tantas pessoas não tem coragem de encarar o mundo como ele é e nas condições que ele apresenta, não como mais um mundo encantado onde todos têm direitos e não existem deveres. O mundo pertence aos bravos que sabem lutar e não dos fracassados e fracos que só são um bando de ressentidos porque seu orgulho te faz querer aquilo que não te pertence ou não serve para você, assim como, a deficiência não matou ninguém. Não culpo a mídia, não culpo a cultura, pois nós construímos o mundo onde vivemos e é isso que nos fazem seres diferentes.

Amauri Nolasco Sanches Junior, 39, publicitário, escritor e filosofo.

Publicado por: Amauri Nolasco Sanches Junior e Marley Cristina Felix Rodrigues | 8 de janeiro de 2016

Ser crítico num país não critico

Na minha vida aprendi a não acreditar em qualquer ladainha que me contam ou a ter minha própria opinião, como manda o figurino democrático. Mas me parece que nosso povo além de não saber da política, não ter uma leitura boa – porque as péssimas escolas não ensinam a lerem de forma correta – ainda acreditam e apoiam ideias e modo errado de enxergar as coisas e isso é complicado. Nosso país vive na ignorância completa quando o pessoal acha que democracia é xingar o outro, que as pessoas, as vezes, escreve de forma irônica e não seria, que liberdade é libertinagem e por ai vai. Para começar, a liberdade sexual dos anos sessenta que era um outro contexto, uma outra coisa, virou libertinagem no carnaval como se o Brasil, um país super rico de beleza e de riqueza mesmo, só fosse um país para isso. Se a Suíça é o “paraíso fiscal” o Brasil acabou virando o “paraíso do sexo”, o “paraíso dos pelados” e nada mais do que isso. Podemos até dizer que acontece muito isso, mas em cidades do interior e com adolescentes e então podemos concluir que nosso povo são eternos adolescentes.

Primeiro, temos que explicar o que é crítica, pois  não temos escolas adequadas que nos ensine o que é crítica. Minhas críticas não são críticas do senso comum (ou julgar sem nenhum critério), mas uma crítica filosófica que analisa a questão muito profundamente. Se eu crítico a praia acessível, não é um julgamento apenas, mas uma análise daquilo que é prioritário para a inclusão das pessoas deficientes, não estou apenas julgando. Quando digo que os esportes paraolímpicos não deveriam ser levados como prioridade, não estou indo contra as paraolimpíadas ou o esporte, estou analisando as questões num modo profundo como prioridade. Outro exemplo é que, se não temos nem transporte urbano adequado, porque eu irei lutar por um aeroporto adequado para viajar, pois a luta tem que ter prioridades e não colocar os carros na frente dos bois. Na verdade ser crítico nesse país, você sofre o risco eminente de ser “escrachado” como o chato da turma, ou ser o cara que não gosta de nada e crítica por criticar, pois como diria os jovens de hoje, isso é recalque. Não acho que seja recalque – para quem não leu psicanalise, recalque é algo que você vê no outro o que te espelha, então, quando você xinga uma pessoa você se espelha nela – mesmo o porquê, tenho muitos atletas paraolímpicos no meu Facebook, não gosto de viajar de avião (tenho um medo ferrado de altura), não tenho talento esportivo, mas tenho uma visão bem mais ampla como a maioria não tem.

Ótimo que algumas pessoas tenham aparelhos e condições para fazer um esporte (principalmente cadeiras de rodas boa, pois a maioria é cara e não tem boa qualidade), que tenham condições de viajar de avião ou ir numa praia – nesse calor é muito quente – mas não é a realidade do país onde vivemos que a maioria não tem uma reabilitação de qualidade, não tem tratamento médico de qualidade como qualquer pessoa, não tem escola adequada para estudar e receber uma boa educação, não tem condições de sair de casa por causa das calçadas inadequadas e que não é só prejudicial para o deficiente, mas para qualquer cidadão que pode ter mobilidade reduzida. O que vejo é que criaram um “mundinho” (que me acusam de ficar trancado nele) que só porque meia dúzia de gato pingado conseguiu fazer alguma coisa, todos fizeram como se fossemos um país de primeiro mundo, não somos um país de primeiro mundo, por causa exatamente desse mundinho de faz-de-conta do nosso povo. Já disse e repito, feliz é aquele que acha que a corrupção está nas mãos de um partido só, que o descaso de um país tão lindo e rico, está numa só pessoa. Não é só o PT (partido dos trabalhadores) que corrompe e espalha o descaso a inclusão, o PSDB (partido social democrático brasileiro), vem fazendo um “maquiamento” da inclusão, pois as ETECs não são preparadas para as pessoas com deficiência, a página da Secretaria dos (Direitos?) do Estado das Pessoas com Deficiência bloqueia quem faz críticas a ela, não houve esclarecimento o porquê da venda de milhares de cadeiras adaptadas de praia a um ferro velho,  não houve nem resposta da secretaria numa carta que o movimento Irmandade da Pessoa com Deficiência mandou a ela em 2010. Com tudo isso as pessoas estão preocupadas com as Paraolimpíadas e me acusam de estar num “mundinho”, que só luto no Facebook e não vejo o mundo real, reles engano. O meu mundo é a realidade de um país que existem pessoas que não tem nem o que comer, que andam de carrinho de pedreiro porque não podem comprar uma cadeira de rodas, que perdem a visão ou perdem a pouca mobilidade que tem para se locomover, porque a entidade que elas se trataram houve descaso.

Me acusam de “chato pra car*”, mas o “chato” aqui levou meia hora para remarcar uma consulta medica daqui três meses porque a prefeitura tirou o direito de visita residencial. Quantos idosos e pessoas com deficiência vão ser prejudicado por causa do descaso do prefeito de São Paulo? E é São Paulo, uma cidade grande com milhares de habitantes que as vezes, tem alguma informação e algum outro recurso, mas existem cidades no interior ou cidades do nordeste e norte do nosso país, que não tem nada e as pessoas são tão ignorantes, que até acorrentam as pessoas deficientes com vergonha das suas deficiências. Sempre aprendi na luta e na FCD (Fraternidade Cristã de Deficientes), onde tenho um carinho especial, que se uma pessoa dá o passo mais lento do que as outras, nós vamos lá e andamos mais devagar. De repente estamos andando muito depressa e nesses passos apressados estamos esquecendo daqueles que não podem andar aos nossos passos, ou até mesmos, alguns sobem em cima daqueles que não podem andar nos mesmos passos para vencer e ganhar dinheiro. Liberdade tem seus limites e o ganhar dinheiro deveria ser consequência do trabalho que se faz e que se fez, não uma regra de achar que se tem que ganhar dinheiro, e sim, fazer um ótimo trabalho. É muito “bonitinho” ter consultorias com nomes pomposos como “Talento Incluir” ou “Isocial” e não ter a capacidade de olhar um todo sem ferir o objetivo, por exemplo, muitos RHs (recursos humanos), cometem o erro de olhar as pessoas com deficiência como todas as pessoas e que tem que ser como as outras pessoas e que, queiramos ou não, temos nossos limites e se não temos nenhuma chance, então, não teremos nenhuma experiência. Ao meu ver essas consultorias são fachadas para esconder a única realidade que existe, não há ignorância, porque há muita informação na internet e o empresário que não quer se informar está fora da realidade do mundo, não há cumprimento da lei de cotas que deveria ser mais severa e ponto, o resto é conversa para boi dormir. Se cria um “mundinho de faz de conta” e me acusam que esse “mundinho” é meu e não deles, onde as pessoas estão preocupadas em ir para a Paraolimpíada, enquanto existem pessoas que não tem um prato de comida na mesa, que não podem nem comer um chocolate, porque tem que ajudar nas despesas de casa.

É muito fácil chegar onde chegou com ajuda – me desculpe, mas com toda a certeza alguém ajudou arranjar emprego e não me venham de talento que sou cético a esse tipo de empregador “bonzinho” – mas a realidade é muito mais feia do que o mundo encantado onde se construiu um alicerce para as pessoas inventarem mais mentiras, afinal como dizia aquele ministro nazista, uma mentira contada mil vezes se torna verdade. Qual é a verdade das pessoas com deficiência? Qual a realidade de pessoas que não tem o direito de nem mostrar seu talento? Cadê a mídia especializada como a Incluir, a Sentidos ou a Reação que não mostra a realidade e nem tem colunistas com deficiência e se tem, são voluntários? Pagar um salário para o empregado com deficiência na tabela que está sua profissão, porque estar qualificado é outra coisa, é muito difícil porque as pessoas acham que a deficiência é um limite ao talento. Não se valorizam pessoas porque aumentaram a multa das vagas de idosos e deficientes, nem quem divulga essa informação, mas se valoriza aquelas pessoas que olham para as pessoas de igual para igual e entendem o que ela sofre. Enquanto temos talentos ótimos que a anos escrevem textos excelentes, se divulga blogs que não tem nada a ver com a temática da inclusão dentro de uma revista sobre a inclusão. Como faz então? Qual é esse critério de escolher pessoas que escrevem textos que não tem muito a ver com a temática? Porque tem a ver com o “mundinho encantado” que se criou dentro da área de inclusão, porque começaram a olhar dentro da rede social ao invés de olhar para o mundo real. Eu, realmente, duvido que fotos de sorrisos mostram pessoas felizes e contentes e sim, mostram pessoas que querem vender um personagem de um mundo que nunca vai existir.

A existência desse mundo é muito importante para os “paladinos da inclusão”, porque eles têm um talento incrível de distorcer a realidade ao seu favor, pois não existe talento sem estudo. Não existe emprego sem se esforçar e mostrar aquilo que é capaz, a escrita é para poucos e esses poucos não são valorizados por falar sem fazer “média”. O Ser um Deficiente não faz média e nunca esteve nessas revistas, porque mostra a realidade do cadeirante com o calo na mão, com o diploma e não é contratado, mostra o descaso dentro da saúde, dentro da educação e dentro do emprego. Mostra que sem transporte e uma boa cadeira de rodas ou outro aparelho, nunca vamos a consulta medica, nunca vamos aos estudos, ao trabalho e que sem isso, não vamos nem nos aeroportos. Eu sou crítico e todo crítico não acredita em crenças, não acredita em fé cega de uma inclusão de fachada, não acredita que todos podem ter o que poucos tem. Ótimo que alguns venceram, mas outros ainda exigem o direito de sorri, de se expressar e de viver, que é o maior bem que Deus permitiu que tivéssemos e o homem, demasiado humano, nos restringe. Como diz o Cazuza, o tempo não para e não vou parar, podem ter certeza disso.

Amauri Nolasco Sanches Junior, 39, escritor, publicitário, técnico de informático e escreveu o livro Liberdade e Deficiência e O Caminho.

Publicado por: Amauri Nolasco Sanches Junior e Marley Cristina Felix Rodrigues | 19 de dezembro de 2015

Inclusão de pelados – sexualidade de modo errado

Vicki e Thomas, um casal com paralisia cerebral. o projeto dinamarquês LigeLyst promove a educação sexual de jovens com paralisia cerebral, amputados, cadeirantes e outras condições.

 

Gosto de nudez na arte e não acho que isso ofende a espiritualidade, mas a nudez em fotos deveria ser muito bem pensadas antes mesmo de serem expostas. Mulheres com deficiência são mulheres acima de tudo e devem ser respeitadas como tal, devem ser amadas e devem ser mostradas como seres humanos que são, claro, com todos os significados que todas as mulheres merecem. O que acho meio perigoso é achar que a mulher com deficiência deve ser exposta como “objeto” e não como seres humanos, pois a nudez no caso de uma mulher que contem deficiência – mesmo que queiramos incluir essas mulheres no cenário mundial – acabam vendendo a imagem de mulheres vulgares a procura apenas de prazer, a intenção é positiva, mas nem todo homem assimila uma intenção diante de um corpo nu ou um decote. Não são ingredientes para um assedio sexual ou um estupro? Alguns dizem que não, que mulheres com deficiência devem se expor como qualquer mulher, outros dizem que sim, as deficientes podem se defender e não é bem assim que a coisa anda. Existem deficiências que não podem se defender, existem deficiências que não se pode nem expressar o que esta sentindo. Quantas mulheres com deficiência mental são estupradas todos os dias? Quantas mulheres com deficiência são assediadas todos os dias? Enquanto as pessoas não colocarem o afeto no debate sobre sexualidade, o debate sempre vai cair na vulgaridade e nunca vai evoluir como um debate maduro e sempre, acharão, que somos um bando de adolescentes eternos.

Hegel – filósofo alemão do século dezenove – pensava que a arte era muito mais que do a imitação da natureza, porque vem do espirito humano. Não estamos falando de arte como tal, porque o nu artístico é um nu estético enquanto corpo que vive e existe. Para definir um nu tem que se definir a objetividade do ato do nu, pois o nu enquanto mostrar o corpo enquanto esteticamente viável ou não – dai entramos no belo enquanto o que está inserido na cultura vigente – tem varias situações. Nesse caso o nu como sexualidade é uma estética que mostra o lado corporal da existência – que nesse caso podemos colocar como uma identidade do sujeito – enquanto o sujeito como o ente que existe e percebe a sua existência, porem, esse é o aspecto comum da arte do nu que podemos colocar como um lado positivo. Mas existe o lado animalesco – quando o homem que coloca toda a sua bestialidade e só vê o lado sexual – porque ele não vai desenvolver e enxergar o outro como uma existência, mas o outro como um objeto do prazer mais bestial que se pode conter dentro da nossa especie, a sexualidade como um modo não do espirito do belo, e sim, a sexualidade como reprodução e prazer. Hegel defini a estética como um produto do espirito e é dai que se transforma em um fenômeno completamente do espirito e não apenas corporal, quando esse espirito recebe o tratamento para definir o ponto crucial entre a beleza enquanto o despertar de uma afetividade. A afetividade vai se caracterizar com a empatia ou simpatia do outro que atinge esse afeto, talvez, isso defini nós como animais humanos com um espirito muito mais definido e muito mais social do que se parece ser. Mas entre o espirito sublime e a bestialidade existe a educação que nos definirá como seres que respeitamos o outro como ser humano, ou apenas, vimos o outro como um objeto de mero prazer estético.

Se essas fotos quebram o estereotipo do corpo perfeito, ao mesmo tempo, dará enfase a outros problemas como a violência da mulher como um problema grave graças a educação e a ignorância popular. O que é melhor, assediar mulheres que podem se defender ou aqueles que não podem se defender e ainda dependem do agressor, muitas vezes? Essas fotos vão ou não atiçar os “devotos” com má intenção de ter sexo fácil? A arte como representação – como acontece na pintura ou em outras manifestações de imagem e som – é construída com a representação espiritual dentro do estereótipo do mundo onde enxerga o esplendor e em alguns casos, criam outros mundos dentro dessa representação. Se a foto ou a pintura só há um indivíduo, então a representação da solidão egoística aflora dentro da arte, pois o espirito está apegado ao nada e o sentimento se apaga na liquides do que é humano. Não adianta quebrar tabus colocando o ser humano não como um animal que sente, um animal que vê o outro como um ser que além de uma sexualidade há um afeto, foi o afeto que muito provavelmente, tirou o homem das cavernas. Porque graças a afetividade houve a construção familiar e havendo a construção familiar – não é uma analise religiosa – houve grande parte da construção social e tecnológica, pois não mais haveria necessidade de procurar uma fêmea. O argumento que o núcleo familiar é uma imposição social é debatido com base da moral cristã construída por uma moral judaica e que não cabe mais no debate, porque se colocarmos num âmbito cientifico, as orcas são animais monogâmicos e não existem imposição social, mas uma escolha, já que se descobriu que os cetáceo tem consciência do mundo onde vivem. A exposição do nu não pode ferir o direito do outro de não querer ser comparado a essa exposição, não ser um ser que só tem uma sexualidade, mas o que é verdadeiramente no espirito humano.

Por outro lado, esteticamente, não vejo mulheres com deficiência com estereótipo fora dos padrões que são estabelecidos, só pessoas com deficiência com aparências relativamente, esteticamente aceitáveis. De todas as fotos que podemos olhar – dentro da exposição – todas que vamos ver são mulheres com deficiência esteticamente sem condições de mostrar o que realmente consiste a deficiência, sempre mostra a afetividade entre uma mulher com deficiência e um homem sem deficiência ou vice e versa, não há deficientes como um casal. Vi uma exposição lindíssima que mostra a afetividade na nudez entre casais com deficiência (paralisia cerebral) – diferente daqui que coloca o casal como sempre um ser sem deficiência – ou o politico norueguês que pousou nu não tendo o estereótipo aceito socialmente. O debate sexualidade, pelo menos numa analise mais apurada, deve passar pela afetividade se não, não terá nunca um apoio necessário para quebrarmos verdadeiramente os tabus.

Amauri Nolasco Sanches Junior, 39, escritor e filósofos.

Exposição da Kika de Castro (aqui)

Publicado por: Amauri Nolasco Sanches Junior e Marley Cristina Felix Rodrigues | 3 de dezembro de 2015

O que temos que comemorar?

Já coloquei a pergunta no titulo como forma reflexiva e não como uma forma negativa ou de agressão: o que nós podemos comemorar dentro do nosso cenário, o dia internacional do deficiente? O dia 3 de dezembro é o dia do deficiente dês de 1998 quando a Organização das Nações Unidas (ONU) promulgou neste dia o dia do deficiente para se lembrar da importância do fato de termos politicas inclusivas para os deficientes terem uma vida mais ou menos, em sociedade. Existem nações mais acessíveis, outras menos acessíveis, mas existem politicas e pasmem, o Brasil é o único país em todo mundo que ratificou como lei a Convenção dos Direitos das Pessoas com Deficiência da ONU e recentemente, votaram a favor pelo Estatuto das Pessoas com Deficiência que a partir de janeiro de 2016, virará lei vigorando. Mas como somos um país que a educação não é uma prioridade – pois faltou dinheiro, o primeiro ministério a ser cortado é da educação – como a saúde e os tratamentos de reabilitação são precários, nosso direito de ir e vir são negados por falta de transporte adaptado em grande escala, nosso direito em ter preferencia em ter casas ou nosso direito de ter aparelhos pelo SUS é negado, então, temos grande dificuldade que as pessoas respeitem o pouco que conseguimos e nem o porque de comemorar tal dia.

Leis politicas são realizadas por sistemas éticos, ou seja, a sociedade não pode ter ética na politica se não tem ética dentro da sociedade. Lembro que um cara num video – que era uma experiência social – se fingiu de cego e pegou uma Telesena falsa e mostrava as pessoas para saber se ele tinha ganhado, só que estava marcado 60 mil reais que, supostamente, tinha ganhado. Só duas mulheres foram honestas e o resto, bem, o resto fugiu com a Telesena premiada. Como se vê, o ditado que cada povo tem o governo que merece, não é tão mentira assim. A honestidade de comportamento ou a honestidade intelectual, não pode ser adquirida somente nas escolas, porque a escola dará a instrução social e as ciências humanas, a honestidade tem que ser aprendida dentro de casa com a família. Umas das coisas que não concordo dentro das filosofias anarquistas – sendo eu um anarco-libertário – é acusar a família da opressão social que ela está inserida e não existem maneiras de liberdade, sem se libertar do amor familiar que seria algo imposto pela moral religiosa ou a moral social. Talvez, vejamos a liberdade restrita dentro da sociedade, algo restrito porque a tradição vem de cima para baixo e isso, quem ler historia evidentemente, fica muito claro. Se hoje temos uma politica de inclusão precária e de pouco exito dentro de um prisma, mais ou menos, fraco e inócuo, temos que agradecer ao Estado. A família tradicional ou não, só é um reflexo da religião que o Estado oficializa – não venha com essa historia patife que o Estado é laico, pois nem os países socialistas o são – a cultura é precária porque o próprio Estado oficializa, o mundo perde muito no avanço moral, quando o Estado determina até em que escola o seu filho vai estudar e aplaudimos como se fosse uma grande coisa. A família não é opressora, mas a cultura é opressora ao ponto de determinar como você se comporta, que musica você deve ouvir para ser um cara legal, como se deve vestir para ter o estereotipo do cara daquela tribo (se fossemos homens da caverna ainda), até mesmo, a cultura te diz os livros que você deve ler. Somos oprimidos pela mesma cultura que nós inventamos.

Se somos oprimidos por um padrão de beleza estabelecido dentro da sociedade, apoiamos esse mesmo padrão quando tiramos fotos com as mesmas posições dessa padrão. Sorrisos de pasta de dente, roupas que só serão usadas no dia da foto, os ídolos são pessoas que nem tocam o assunto da deficiência e num ato de extrema hipocrisia, apoiam o Teleton. Quem constrói essa cultura anti-inclusão? Eu que tenho como ídolo o Bruce Dickinson (vocalista do Iron Maiden) que montou uma escola de aviação própria para alunos com paraplegia, ou o cara ou a mina que tem como ídolo esses caras que não fazem nada para resolver a inclusão no mundo? Eu que voto em candidatos novos com deficiência ou vocês que votam sempre nos mesmos por causa do nome, por causa das ideologias politicas, ou porque é bonitinho? Claro que a liberdade – que dizem ser opressora – te fazem ter o poder de escolher até o papel que nos limpamos e pode, por ventura, nos colocar em situações que nós mesmos vamos ser prejudicados. Como, por exemplo, inventar multas morais como se isso fosse resolver algo dentro do respeito das vagas, ou campanhas duvidosas, que mais estressaram do que resolveram algo do tipo. As regras da ética são claras dentro do cenário da ótica da inclusão, ou você faz, ou você não faz, tentar não existe como o mestre Yoda disse a Luke Skywaker no filme Guerras nas Estrelas.

O que o mestre Yoda quer dizer? Não existe o tentar quando se quer fazer aquilo que se tem vontade e essa vontade, que Nietzsche vai dizer que é a Vontade da Potencia, tem que vir com a potencialidade do ato que faz algo virtual ser algo real. O encontro de duas pessoas, por exemplo, foi realizado graças a potencialização de um ato de encontro entre duas pessoas que estão lá nesse instante, naquele lugar, com infinitos propósitos. Mas se uniram num ato de querer e se interessar em falar um com o outro dentro de uma consciência, que de repente, tenha despertado uma potencialização de se conhecerem e ficarem um com o outro graças a essa vontade. Não temos a vontade que o segmento seja incluso dentro do cenário social? Não queremos que a virtualização dessa ideia seja realizada de fato? Se queremos que a ideia da inclusão seja um ato e não só a virtualização do ato, devemos começar por nós mesmo essa iniciativa procurando nos instruir e instruir o segmento em mostrar um caminho, não adianta querer casar se nem casa tem, não adianta querer ser um ser social se nem sentir dentro da sociedade se sente, não adianta querer que as pessoas nos aceite, se nem ao menos, nos aceitamos. A inclusão começa com o ato de aceitação da potencialização de que somos (do verbo ser) deficientes e nada vai mudar renegando isso. Então, por que não fazer a diferença tendo um ato de mudar seu jeito de ser? Repensar o por que apoiamos uma cultura que nos rejeita e não, de maneira nenhuma, mudamos nossa conduta o que gostamos e o ouvimos, assistimos ou apoiamos?

Inclusão é um ato e não um termo, só.

Amauri Nolasco Sanches Junior, 39, escritor/filosofo.

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O Caminho e-book (aqui)
O Caminho livro físico (aqui) 

 

Publicado por: Amauri Nolasco Sanches Junior e Marley Cristina Felix Rodrigues | 1 de dezembro de 2015

Direitos ou privilégios

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Publicado por: Amauri Nolasco Sanches Junior e Marley Cristina Felix Rodrigues | 24 de novembro de 2015

Nos porões do segmento

 

Quem nunca chegou a ficar um dia inteiro no chat de pessoas com deficiência num grande portal (não vou fazer propaganda)? Quem nunca teve a ideia de dar uma paquerada virtual para ver que rola? Eu sei de casais que sim, deram certo e até casaram dentro do mundo virtual e também, sei de casos de pessoas que tiveram suas vidas completamente arruinadas ou pessoas que simplesmente, sumiram e nunca mais apareceram. Como somos pessoas sub protegidas não só pela família, por motivos óbvios, somos protegidos também por entidades e por outros fatores, nossa maturidade vem muito tardiamente e ainda temos uma ideia romântica dos relacionamentos, até ver, que o importante é ser feliz. Muitos de nós, por culpas diversas colocadas dentro de nossas cabeças pela religião vigente, que nos coloca como “obra do diabo” ou coisa parecida.

Uma grande ilusão invade dentro desse segmento e isso é muito perigo, porque se cria um mundo que não se pode negar o que acontece mundo afora. Nada contra o mundo virtual, pois conheci amigos, conquistei certo destaque dentro da luta no mundo virtual, mas um grande vicio dentro desse mundo virtual igualzinho o filme Matrix. Mas existe ainda o porão que ninguém tem coragem de ir, onde tem os “devotos”, onde tem deficientes sem nenhuma razão de ser, existem até pessoas deficientes que fazem questão de destruir as conquistas dos outros. O que ganham com isso não sei, mas tudo isso vem de pensamentos que dominam essas pessoas e elas começam com animalidades sem fim porque o mundo (dentro de sua cabeça), não te respeitou e nunca vai respeitar. É errado ou certo esse tipo de pensamento? Não gosto muito de dizer que comportamentos e sentimentos são certos ou errados, mesmo o porque, até mesmo as pessoas deficientes tem todo o direito de escolher o seu caminho. O problema é quando essas escolhas prejudicam outras pessoas, num modo psicológico e até, num modo social. Porque envolve muita coisa e envolve muito sentimento, que a maioria das pessoas deficientes, são imaturas demais. Um “devoto”, por exemplo, pode usar o sentimento que as pessoas deficientes tem por ele para dominá-lo e colocar ela, em suas mãos ou pode descartar essa pessoa fazendo ter sofrimentos depressivos. Ou até mesmo as pessoas deficientes usarem outras para terem o que querem, depois largar ela a própria sorte. Quantos cadeirantes homens, que vi e presenciei os fatos, engravidaram outras pessoa deficiente e não quis assumir? Inúmeros deficientes fazem isso e é quase um tabu falar disso em blogs do tema.

As mulheres deficientes são assediadas muito mais do que mulheres sem deficiência, por serem imaturas ou ser mais fácil enganar e até, tocar por terem dificuldades de se defender. Alguém já tocou no assunto em algum blog de inclusão? Eu sempre gosto de tocar porque são coisa que me incomodam – pelo que vi e vivi e parece que ninguém viveu – porque o segmento se conforma com tão pouco e tão acomodados são. Mas por que acontece o assedio com pessoas que nem ao menos, a mulher deficiente deu trela? Será que foi a outra mulher que deu e o cara, generalizou a coisa? Estamos num país machista, estamos em uma realidade que um tem dó do outro, e muitas vezes, nem denuncia quem o fez ou quem abusou literalmente, as mulheres deficientes e por isso eu mexo nesse tema dentro do meu livro O Caminho. O assédio deixa marcas psicológicas profundas dentro do amago da mulher e é muito pior com a mulher com deficiência, porque são coisas que nunca se esquecem.

São coisas que acontecem no mundo de hoje que as pessoas ficaram sem sentimentos, ficaram sem moral, ficaram sem ética e não mais tem sentimentos verdadeiros e duradouros. Como disse Baumam, todos nossos valores ficaram líquidos porque não conseguimos superar esses valores e para superá-los, temos que nos encontrar, acontece que a maioria não se encontrou. A liberdade não é só beijar quem queira, é ir em qualquer lugar, liberdade é ter coragem de se descobrir enquanto ser humano. O problema não é a internet, o problema é que não descobrimos o porquê de se usar a internet, não se descobriu quem é o indivíduo que está atrás do computador usando, e a grosso modo, criamos sempre um personagem para nos espelhar. O “devoto” é um personagem, a mulher fatal é um personagem e o homem que cria um universo de “galo num galinheiro” que faz o assédio, é um personagem. Aliás, o homem que assedia sempre é um homem mal resolvido tanto na parte sexual, quanto na parte de se ver não mais em seus anos de ouro e por outro lado, existem mulheres deficientes que sim, dão bola para esse tipo de “macho alfa” e depois cai no ostracismo de dizer que todo homem é igual. Esse tipo de mulher é a mulher personagem, é a mulher que se veste de uma mulher que não existe, mulheres assim sempre nunca encontraram maneiras de se fazer valer na vida com trabalho ou realizar no amor. São as Alice`s num país das maravilhas que não existe. A pergunta é: quem é você? Quais suas perspectivas? Porque o mundo não vai parar para reencontrarmos nosso “eu” verdadeiro, nossa natureza mais intima.

Quando vamos crescer quanto pessoas e quando vamos parar de achar que o mundo é cor-de-rosa? Claro que o mundo não é só podridão, que não existem só pessoas maliciosas como uma depp web, mas existem períodos que temos que cair na real e não se fechar em crenças que mais nos humilham do que nos salvam, pensamentos ideológicos que mais nos escondem do que nos libertam, uma TV que não tem nada de útil, sentimentos e coisas que só te fazem sofrer. Por que tudo isso? Porque não se assumi a deficiência, se tem medo daquilo que não devemos ter medo, não devemos seguir coisas que não vão acrescentar nada, mas quando assumimos verdadeiramente como somos – não tirar foto pelado para todo mundo ver que somos resolvidos – mas ter a certeza que mesmo sendo deficientes, podemos sim ser feliz. Os porões do segmento das pessoas deficientes, só existe, porque não somos capazes de assumir verdadeiramente quem somos, verdadeiramente o que e quem gostamos, ter na essência a certeza que não somos um produto de um demônio, mas o amor infinito do Criador.

Amauri Nolasco Sanches Junior. 39, escritor/filosofo, escreveu Liberdade e Deficiência e O Caminho pela Amazon.

O Caminho e-book (aqui)
O Caminho livro físico (aqui) 

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