Publicado por: Amauri Nolasco Sanches Junior e Marley Cristina Felix Rodrigues | 23/03/2015

Publicitário cadeirante sem medo.

Essa imagem resume o caso

Essa imagem resume o caso

Por Amauri Nolasco Sanches Júnior.

Sou publicitário de formação. Na verdade nem sei o que vi na publicidade que me atraiu esse tipo de profissão meio que “clube dos bons” de levar ao publico o que eles mais desejam. Nós – os publicitários é claro – temos aquele viés de atrair as pessoas aquilo que elas mesmas desejam, seja na vaidade, seja no paladar, seja na libido, seja no que for. Mas também somos levados a mexer com a psicologia das pessoas – como se elas fossem algo a serem conduzidas – então, também fazemos das capas de revistas algo rendável num país que muito poucos tem o desejo de ler alguma coisa. Nosso povo – as redações do ENEN não nos deixam mentir – não tem aquela vontade de ler e nem tem capacidade, pelo ensino médio fraco que temos, de interpretar aquilo que está escrito como uma opinião de quem escreveu ou de quem o jornalista reescreveu como uma fala da pessoa em si mesmo. Nosso povo tem o desejo, na verdade, de ser conduzido e não tem o menor desejo de “ousar saber”, por isso a publicidade é uns dos meios mais usados até nas campanhas partidárias e horários políticos. O marketing – meios para obter o fim da venda de produtos e serviços – vence o olhar critico das pessoas, porque usa os estereótipos (imagens) de algo popular ou lendas urbanas para propagar ideias que não fazem parte da verdade, a realidade dos fatos. Foucault diria que estamos vivendo no meio de uma prisão e esse discurso que vem do poder – porque o poder joga nos dois lados, pois ao mesmo tempo ele incluem as pessoas com deficiência, algumas instituições dentro da mesma politica, joga que somos sofredores eternos – vem como um Pan-óptico (centro das prisões) que vigiam o estado psicológico da própria sociedade.

Ao mesmo tempo que sou publicitário, também sou técnico de informática e tenho certas habilidades dentro da informática. Embora as pessoas “achem” que são profissões diferentes, não são tão diferentes assim, porque informática vem do termo informação mais o termo automática. Diria que seria “informação automática”. Não é isso que concluímos dentro de qualquer meio de informação? Na realidade, esse termo surgiu pelo fato de darmos a informação ao computador (ou qualquer maquina automática), e ele responde com outra informação daquilo que foi intruido a fazer por causa da programação (linguagens que se transformam em números binários que o computador entende). Nós chamamos de entrada (programação) saída (informação do computador). Tanto a publicidade, quanto a informática, usa a imagem e a linguagem para propagar algo ou alguma informação, então, o Facebook e os meios de interação social (como revistas, jornais e uma gama de meios), usam a linguagem como meio a chegar até a maioria do publico. Dai chegamos ao ponto chave da questão que quero abordar dentro do debate dos estereótipos que as pessoas dão a certas deficiências, porque vale lembrar, a informação entra e sai em forma de interpretação que algumas vezes, não existe.

Temos que confessar que somos um povo conservador. Quem nega isso não sabe de historia do Brasil. Só que nosso conservadorismo é o que nos interessa, pois há de se confessar que nossa cultura sempre viu o que nos é “vantagem”. Na verdade, deveríamos escrever “vantagem e progresso” em nossa bandeira, porque até antes dos nossos sentimentos, vem a “vantagem” de expressar ou não, esses sentimentos. Tenho muito em mim essa coisa de não enxergar isso como uma coisa vantajosa – parece sarcasmo, mas não é – porque as pessoas sinceras são as que conseguem maiores adeptos, daí o vulgo “puxa saco”, só é mais um inseto dentro de um enorme esgoto. A obra majestosa de Franz Kafka, A Metamorfose, mostra esse tipo de pessoa que não tem uma personalidade dele mesmo, não tem uma atitude com ele mesmo, então, vira um inseto. Não chamaria esse tipo de pessoas de “baratas”, porque se descobriu que elas tem alguma personalidade. Continuamos. Nesse poço cultural que nos encontramos – mesmo tendo o pior ensino, somos um povo que aceitamos outras culturas e outras demonstrações culturais – visões muito enraiadas sobre certas coisas que são alimentadas por seculos, uma delas é a visão das pessoas com deficiência e seus meios para se locomover, meios esses que não são objetos de tortura medievais. Mas tenho a certeza que certas visões são de tempos longínquos que como disse, não nos deixa. Essa semana uma certa apresentadora que fez a “besteira” de injetar produtos químicos duvidosos em seu corpo, tendo perigo de perder a perna, disse que tinha medo de ficar numa cadeira de rodas e que tinha um filho para criar e tudo mais que uma boa lamentação pode trazer. Nem vou comentar o veiculo que isso foi a tona, porque não quero fazer publicidade para revistas de 4º categoria.

Mas vamos falar do medo. Medo é aquilo que não conhecemos, ou nunca nos deparamos com aquilo. Tenho alguns medos, vocês também tem outros medos, cada um faz a leitura daquilo que acha ser um perigo. Para Freud, o medo era algo muito além da consciência e remontava a subconsciência – que depois seu discípulo e aluno, Jung, vai chamar de inconsciente – que era uma especie de “deposito” daquilo que aprendemos com o convívio da cultura. Depois Jung diria – abrangendo ainda mais – que existiria um inconsciente coletivo que uma ideia se espalharia para as pessoas numa especie de ligação coletiva, ou seja, temos uma linha wi-fi do subconsciente. Mas, você deve estar me perguntando, o que isso tem a ver com o medo da cadeira de rodas? Qual o simbolismo mor da cadeira de rodas? Uma prisão. Mas se analisarmos bem, também tem o simbolismo estético de algo que não demonstra uma vida saudável por causa da ideia de doença por seculos, como se isso fosse uma doença, então, a tal apresentadora, sabe que se ela ficar numa cadeira de rodas, ela não será mais apresentadora. Por mais que a mídia faça campanhas contra o preconceito, o conservadorismo do nosso povo é tão latente – e a imagem do cadeirante como “coitado” – que nunca teremos apresentadores cadeirantes, cantores cadeirantes, escritores cadeirantes, toda gama de oficio cadeirante. Para se ter uma ideia, nem mesmo publicitários com deficiência cadeirantes, temos. Qual agencia de publicidade quer ver veiculada uma pessoa cadeirante no seu corpo de funcionários? Qual canal de TV vai querer uma apresentador cadeirante? Mas para mim é um ato muito mais de vaidade – porque uma mulher desejada, copiada e invejada – porque envolve essas imagens todas. Esse pensamente é valido do direito dela dizê-lo, mas isso alimenta certos paradigmas.

Somos uma imagem arquetípica, porque somos o mistério que nunca e nem ninguém nos decifrou. Somos uma especie de enigma da esfinge que ninguém conseguiu responder, porque se o homem na manha tem quatro patas (infância), tem duas a tarde (adulto) e três a noite (velhice), onde fica as pessoas que não andam, não enxergam ou não escutam nessa historia toda? Onde ficaremos escondido se sair uma guerra? O que acontece conosco quando há crise financeiras e politicas? E outra, sempre tem outra quando se trata dessas beldades que se tornam “cristãs”, ela não vai se tornar paraplégica, ela vai se tornar uma amputada, sem a perna e talvez, sem as nádegas. Ela não fraturará a coluna. Infelizmente, como todos daqui, há paradigmas que não somem e muito menos mudam. O que dizer de pessoas que nem sabem a diferença de paraplégica e amputado? O que dizer das pessoas que postam fotos de cadeirantes pedindo “amém”? Aliás, como estudante das religiões, esse “amém” é muito sagrado para ser publicado em rede sociais, além de alimentar a imagem de doença e um ser depressivo e amargurado. Como a apresentadora disse. Como a revista publicou. Como todo mundo diz. Somo seres humanos tristes, porque não temos autonomia, mas nossa autonomia, vem muito mais do que uma autonomia vaidosa. Ainda o nosso segmento além de ter a Síndrome de Estocolmo (são pessoas que acabam amando seus sequestradores), ainda dão o direito as pessoas terem o medo das nossas cadeiras de rodas, alimentando esse paradigma, fazendo dessas “lendas” algo democrático.

Temos que lembrar que o medo em si mesmo é legitimo, mas medos e declarações que podem ofender um determinado segmento ou quem é cadeirante, já não é mais um medo. Eu particularmente, acho esse tipo de fala com um “querer se aparecer na mídia” como se fosse alguma “melancia no pescoço” porque a pessoa quer o foco nela. Ainda mais quando ela se torna adepta a uma seita que virou “moda”, não segue Jesus, não segue seus preceitos, ainda querem arrotar moral para a sociedade. Quando digo preceitos cristãos, estou falando no Sermão da Montanha, nos quatro evangelhos onde Jesus ensinou. Não digo outros. Não digo ensinamentos teológicos, digo a essência do cristianismo e o ensinamento do sei suposto idealizador (porque você pode ler que Jesus não queria diferenciar do judaísmo, mas reformá-lo). Mas ainda sim, hoje em dia, as pessoas ficam muito mais em formas de pensar que tragam vaidade, muita vaidade. O resto é historinha para velhinha chorar.

Publicado por: Amauri Nolasco Sanches Junior e Marley Cristina Felix Rodrigues | 09/03/2015

Estética e ética – o novo prisma da inclusão

o que o segmento das pessoas com deficiência pensam da inclusão? Nada. Porque não passaram ainda da sua adolescência e pessoas que não passam da adolescência merecem sem sombra de duvida, serem tratados como criancinhas mimadas que querem sempre um colo. Querem sempre duas coisas, sexo como se fosse essencial, mas só é um ponto e só ter lazer. A base da inclusão é acessibilidade, sem a acessibilidade as outras coisas caem por terra. Ponto. O resto é coisa de teórico que quer justificar esse tipo de coisa como sendo saudável, pois não é saudável.

Quando falamos de estética (o belo e o não belo) falamos de estereótipos que as pessoas colocam cada grupo como se fosse uma prateleira que devêssemos arrumar a cada uma. Para o filósofo alemão Hegel, tudo que sai da alma humana é muito mais perfeito, porque achava ele, que tudo que saia da alma humana era belo e perfeito do que na natureza. Ele via nas obras de arte algo que tornasse uma folha, por exemplo, diferente das outras e enquanto, as obras de arte, não haveria essa diferenciação. Então, podemos concluir, que o belo e o que achamos belo é uma constatação daquilo que dou o valor do que é belo ou não e o que a beleza implica em ser ou não subjetiva. Só para explicar, subjetivo é tudo aquilo que achamos de um objeto ou alguém dentro dos valores que essas analises são submetidos e esses valores tomados como fenômeno da consciência. Se eu acho um gato bonito, esse “bonito” está dentro do reflexo daquilo que eu creio ser “bonito” dentro dos valores que recebo, porque ele pode não ser preto, por exemplo, por causa das crenças que estão embutidas naquele gato preto. Toda crença é virtual ou não, porque ela tem uma potencialização de ser um ato, ou só é uma potencialização da consciência desse ato em si mesmo. Todo valor subjetivo é a historia construída das convivências que façamos dentro da vida social, então, se achamos belo é porque se apegamos naquilo que é por natureza dos nossos valores e necessidades. Como disse o próprio Hegel, tudo que temos a ideia de beleza achamos a ideia da beleza bela e não o objeto necessariamente.

Ainda somos muito platônicos e sempre gostamos daquilo que nos faltam e não aquilo que nos dão prazer, porque somos uma sociedade que a nossa cultura foi construída dentro dos ideais das ideias da igreja medievalista, onde o prazer era só a luxuria e não havia outro tipo de prazer. Posso ter prazer em ouvi uma musica, não que eu necessita ouvi uma musica, eu ouço uma musica por gostar e me sentir bem com aquela musica. Não necessariamente – como a psicanalise freudiana ainda insiste em afirmar – ter um prazer sexualmente falando, mas um prazer das imagens que aquela determinada musica pode me trazer para auxiliar a minha calma, de repente. Mas é claro, em alguns aspectos, somos literalmente reprimidos. Se os que não tem deficiência, ou não aparenta ter, são reprimidos, imagine as pessoas com deficiência. Só que há o fator da escolha, ou escolhemos ficar oprimidos (por ser comodo), ou escolhemos sair do nosso “mudinho” de faz de conta e é isso que ainda nos atrasa quanto ao debate real sobre a inclusão.

A maioria das pessoas com deficiência e seus responsáveis são na verdade, “Alices” que ainda não saíram do país das maravilhas. Não somos seres humanos porque não somos e não podemos nos defender, não podemos colocar coisas no lugar, mas todo mundo tem uma limitação. Nem todo mundo pode fazer pão, precisa do padeiro. Todo mundo não pode fazer um pneu ou arrumar a câmera de ar de um pneu, precisa do borracheiro. Mas isso não quer dizer que a pessoa seja inútil por não poder fazer o pão e nem arrumar a câmera de ar de um pneu, apenas tem varias limitações de não fazer isso. Nem a própria pessoa acha isso. Ao contrario das pessoas com deficiência que pensam que tudo vai ser resolvido se acomodando no mundo virtual, pois não vai, não vamos resolver a vida olhando o perfil do outro ou postando fotos que de repente, nada tem a ver com a inclusão dos PCDs. Dai entramos na estética, no vulgar e não vulgar e as regras para saberem o que é vulgar e o que não é vulgar. Pois podemos fazer uma campanha de conscientização da sexualidade das pessoas com deficiência sem expor o lado vulgar e sim, mostrar o lado humano, um lado que o homem com deficiência é um ser humano como outro qualquer (com seus valores e suas visões do mundo lá fora segundo sua vivencia) e a mulher com deficiência é também um ser humano como qualquer mulher na sociedade (com seus valores e sua visão do mundo, mas claro, sendo sempre muito mais reprimida do que o homem). Para quê vamos limitar essa visão por causa de uma liberdade forjada como essa? Postar fotos de homens cadeirantes sem camisa ou mulheres cadeirantes com olhares provocadores vão mudar a visão das pessoas com deficiência? Não. Não é impondo que vamos mudar a visão das pessoas com deficiência, mas educando com informações e estudos e dizer que somos pessoas e merecemos sermos tratados como pessoas. Não é fotos de poses provocativas que isso vai mudar e outras coisas que não vem ao caso, mas que é um ponto e não a regra.

Somos uma sociedade hegeliana que achamos belo não por causa do belo na essência, achamos belo porque a ideia do belo como uma coisa angelical ou uma coisa “superadora” (como se uma foto superassem a deficiência), nos agrada e porque ainda ficamos no mundo da fantasia. O país das maravilhas de Carrol é isso, o mundo que Alice constrói para de repente, fugi da realidade que o cerca e por sermos muito mais centrados nos mitos. Ao se tornar paraplégico um sujeito pode muito bem, colocar na cabeça o mito de Hércules ou o mito de Aquiles, que ainda está na nossa cultura quando queremos modelar corpos ou fazer o papel de heróis. Mas não somos heróis. Somos seres vaidosos. Somos seres que desejamos e esse desejo, ruim ou bom, se torna um sofrimento porque graças a ele somos levados a acreditar na imagem que fabricamos. Aliás, a maioria que vejo e conheço não faz fisioterapia, ginasticas esportivas porque gostam, porque querem ser heróis e querem superar sempre o que não pode ser superado e é regra geral isso. Você não supera uma perda de um braço, você não supera uma cadeira de rodas, você não supera uma dificuldade sensorial, você convive e aceita que aquilo não vai mudar. Pode ter tratamento com a célula tronco, pode ter exoesqueleto, mas a realidade que somos a deficiência e a deficiência está em nós. Ponto. A prótese, a cadeira de rodas, o IC, entre outras coisas, são aparelhos para ajudar a ter de repente, um maior conforto. Mas não vai fazer você superar, não vai fazer você ser diferente. Você não é isento de deficiência e você não vai tirar a deficiência em você. Então se acostuma-se e não ache que a deficiência é feia, porque superamos a visão popular da deficiência, superamos o que as pessoas fazem de nós. Não é se enfeitando, não tendo uma visão “positiva” que isso vai se torna regra de uma exceção e nem sempre a realidade é pessimista, pois aceitar o que é é muito otimista e faz você viver muito melhor.

Publicado por: Amauri Nolasco Sanches Junior e Marley Cristina Felix Rodrigues | 24/02/2015

Marginalizados iludidos – eu sou cadeirante.

Um monge toca para uma criança com deficiência.

Um monge toca para uma criança com deficiência.

Nunca me vi além da minha deficiência, sempre tive conflitos, mas nunca me vi além daquilo que sou. Essa é a entrave de muito cadeirante, muito muletante, muito surdo ou cego, sempre se acham fora de suas deficiências, mas somos a deficiência em si mesmo. Outro problema é que as pessoas acham que tem que provar algo para os outros, tem que homenagear os outro para “parecerem” bons, porque assim que é a nossa sociedade e é assim que se deve ser. Por isso que aparece correntes que nada ajudam a pessoa, mas um gesto sim, um gesto é muito melhor do que mil palavras. Palavras são signos para expressar sentimentos e pensamentos, que podem existir ou não podem existir, mas que não é o que somos. Podemos até usar jogos de linguagem para satisfazer nosso próprio ego, mas nunca serão o que você é de verdade.

O encontro consigo mesmo é um exercício que deve fazer para entender quem você realmente é. Por exemplo, quando eu me encontrei como cadeirante e comecei a enxergar a cadeira de rodas como parte do meu corpo – ou extensão – comecei a resolver vários conflitos dentro de mim. Porque nesse momento eu sou um cadeirante, nasci são, mas por falta de oxigenação cerebral, eu tenho paralisia cerebral. Sou a paralisia cerebral, eu sou cadeirante, eu sou o momento agora e nesse instante sou escritor e não é o fato de eu ser cadeirante ou eu ser a paralisia cerebral – não quer dizer que meu cérebro esteja paralisado – que não posso ser um escritor ou escrever este texto. Porque a sociedade sempre construiu uma imagem – ou estereótipo – que as pessoas com deficiência devem superar sempre no âmbito físico e nunca intelectual. Não vimos a mídia falar de repórteres com deficiência, escritores com deficiência, atrizes com deficiência e sim sempre, esportista com deficiência. Eu não sou esportista, muitos ao meu redor não são esportistas, então, não podemos aparecer na mídia, não somos rendável dentro das premissas de uma boa venda de jornal ou revista. Afinal, quem é esse “deficiente” que quer sair do lugar que fazemos para ele ficar? O esporte rende jornal, o esporte rende a ideia de “exemplos de superação”, o esporte as pessoas querem mentir para si mesmos que são aquilo que não são, aquilo que não aceitam e ficam inventando ilusões e essas ilusões se tornam verdade. O fato que o para-esportista é uma pessoa com deficiência, uma pessoa não é um “deus” apesar de carregar o fogo da deusa grega Niké (vitoria), que é o mesmo fogo de Prometheus.

Uma pessoa marginalizada é uma pessoa que esta a margem de algo, se estamos a margem de algo é porque nos colocamos como tal. Não existe condição que as pessoas estão que a própria não se colocou, porque sempre vai pensar que as outras pessoas devem a aceitar, mas você mesmo deve se aceitar porque nesse momento você é isso, você esta numa cadeira de rodas (ou outro aparelho, como sou cadeirante eu uso cadeira de rodas), mas nós sempre aceitamos o que a mente trás como verdade, essa verdade é “se eu fosse”. Esse “se eu fosse” é uma grande entrave para aceitação de uma deficiência e com isso superar suas limitações como se fossem algo natural. Agora nós somos um cadeirante, agora estamos numa cadeira de rodas, agora somos nós e nossas cadeiras de rodas e isso não vai mudar nesses momento. Nada que estudou, nada que aprendeu, nada que faz no seu cotidiano vai mudar isso, pois podemos ser esportistas, jornalistas, publicitários, poetas, escritores e etc, não vai mudar a nossa condição de cadeirante. Não existe “se eu fosse” porque não somos, não estamos em uma outra dimensão que podemos não ser um cadeirante, estamos nessa, estamos nessa vida, estamos nesse momento. Muitos não se aceitam porque ficam nesse “se eu fosse” e esquecem o “eu sou assim”, porque sempre estamos presos no tempo, porque sempre estamos presos o que eramos e o que podemos ser. Outra coisa que vejo é em relação ao casal – pode ser que estou errado, afinal não sou senhor da verdade e nem existe verdades absolutas – muitas pessoas arrumam pessoas que não tem deficiência para satisfazer o seu próprio ego, porque ainda estão no “se eu fosse” e não estão no “eu sou assim”. Esse tipo de relacionamento é – como diria Renato Russo – “mentir para si mesmo é sempre a pior mentira”, ou seja, vamos sempre nos marginalizar sempre aceitando a ideia social, sempre não aceitando nossa condição.

Dai mora a ilusão. A ilusão é definida como confusão da nossa percepção, ou mais ainda, iludir é enganar-se e burlar ao outro e a si mesmo. Burlar aquilo que é por natureza e não podemos ver graças a confusão da nossa percepção a imagens que aprendemos por si mesmo. Aquela pessoa que se ilude é aquela pessoa que escapa daquilo que é realidade – seja social ou intima – pois se pusermos na nossa mente que tudo é tragedia, o mundo passa a ser tragedia, se pusermos na mente que o mundo não existe e sim nossas próprias escolhas, o mundo perde o sentido que todos impõem a nós ou nos deixamos impor. No caso da deficiência é se iludir com falsas promessas de cura, tanto no âmbito religioso, quanto no âmbito cientifico, porque nos iludimos ainda com a perfeição. A perfeição que nós sempre buscamos não passa de uma lógica somente humana, não existe perfeição na natureza, nada é igual a outra coisa. Aliás, no latim se derivou o termo iludir veio do sufixo “in” e ludo que é brincar, ficaria “eu brinco” e assim, brincamos com nosso desejo de ser algo, uma esperança enganosa para construir uma realidade que não existe. Iludir a si mesmo é causar uma impressão enganosa, é ter uma esperança de algo desejável. Por isso que várias filosofias – principalmente as orientais principalmente o budismo – vai dizer que todo desejo é uma satisfação do seu ego (eu), mas esse ego, não é nossa verdadeira identidade e sim, a falsa que o meio social nos ilude. Voltamos ao iludir, porque a ilusão sempre é algo que fazemos para burlar a realidade, o que somos, o que poderíamos ser, mas não somos. O falso eu (ego ilusório) sempre é algo que a mente transforma em realidade, sempre se transforma em algo concreto e não é, é uma ilusão. Então pouco me importa tratamentos que ainda não existem, dinheiro que ainda não existe, cadeiras de rodas que eu poderia ter, mas eu não tenho nesse exato momento, porque o agora que você vive e não o depois, ou o que você foi. Focar não é trazer a realidade, focar é direcionar sua atenção a um objetivo que é a consciência de um ato que ainda é um virtualização daquilo que não é em ato. O preconceito começa consigo mesmo que quer ser o que a sociedade deseja que somos, mas não somos o que o outro deseja, mas o que desejamos para si mesmo. Aceitar não é a conformação da situação e sim, a transcendência de algo mal resolvido dentro de nós mesmos, dai, podemos superar mais tranquilamente sem mesmo, agredir ou precisar de alguém para aceitar aquilo que você próprio aceita.

As pessoas com deficiência devem ter dentro de si mesmo que são pessoas que tem certas limitações, mas que são pessoas e não vai mudar nada se iludir daquilo que não são, daquilo que não vão ter e a sua força sera infinita. Por que? Porque acionamos nossa verdadeira identidade, nosso verdadeiro eu, e não precisamos nos agarrar em ídolos que querem ser bajulados para satisfazer suas próprias frustrações. Como o negro é negro, como o gay é gay, como tudo que cada um nasce caracterizando uma individualidade, ou seja, a verdadeira identidade é a aceitação do que somos realmente. Não nascemos marginalizados, nos tornamos marginalizados porque são imagens sociais de uma realidade que não existe, talvez, nunca irá realizar essa realidade, mas nunca deixaremos de ser o que somos. Mesmo se irmos nos lugares que nos prometam cura, mesmo se acreditarmos em ideologias e até mesmo na ciência, mas não deixaremos de ter uma deficiência. Não deixamos de ser o que somos, não deixamos o que vivemos agora, a deficiência.

Amauri Nolasco Sanches Júnior

Publicitário, técnico de informática e estudante de filosofia ←

Publicado por: Amauri Nolasco Sanches Junior e Marley Cristina Felix Rodrigues | 20/02/2015

A Teoria de Tudo – uma historia com deficiência.

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Platão – provavelmente esse é um apelido e seu nome era Arístocles de Atenas – dizia que o amor se consistia entre corpos que para ele era o “eros”, ou seja, o amor é algo que lhe falta, algo que deve ser nutrido. Eros para o grego e para Platão, é o amor nutrido pela beleza do corpo, a beleza que dar uma impressão de harmonia entre os seres e entre a sociedade. Um amor platônico, é um amor que nunca poderá ser alcançado, porque a beleza harmoniosa não esta no ser humano e sim, no ser idealizado nas mais profundas “catacumbas” do nosso inconsciente que aprendeu isso. Então o filósofo usa a fabula que os homens eram andróginos (não tinham gênero) com duas cabeças, quatro braços e quatro pernas, mas quis subir no monte Olimpo para ver os deuses e Zeus – o rei e o deus do trovão – não gostou nada disso e castigou o ser humano separando eles e eles ficam vagando pela terra a procura da sua metade. Esse mito fala que o ser humano não mais é completo, não mais é forte e sim um ser melancólico a procura do ser que nos completara. Isso dará ao ser humano ocidental – não é a toa que o filósofo alemão Nietzsche que viveu no século dezenove, vai culpar a decadência do ser humano ocidental graças a filosofia platônica – que não somos completos, não temos nada inteiros e temos que sempre procurar no outro algo que nos falta, algo que não existe no nosso próprio conceito. Nem mesmo, possamos ser felizes, não podemos amar sem ver o outro como alguém que nos traga algo, nutre em nós aquilo que não nutrimos em via de regra.

Em temporadas de carnaval vimos isso, a erotização do ser humano se deve em esconder sua cara em uma fantasia e ser o que você não é para buscar aquilo que te falta, que não buscamos em nossa própria identidade por faltar algo na sua realidade que não enxerga. Não é a toa que todo louco é caracterizado como Napoleão Bonaparte – um imperador francês com sangue italiano – porque ele quis ser o que não era, um general que foi coroado imperador a moda romana e pensou ser o que não era e acabou isolado. A ideia do “louco” é a ideia platônica da busca harmônica de todo o universo através da racionalidade e na beleza física, como vimos que gênios são aqueles que tem argumentos lógicos e podem dar ao ser humano o caminho para essa racionalidade, ou, aqueles modelos “bombados” que ficam fazendo academia como aqueles Fitness. Nesse contexto, temos nossas convicções que não somos pessoas completas porque sofremos uma especie de castigo, hora por ter excedido (a lenda do andrógino), hora por ter desobedecido Deus e ter comido o fruto do conhecimento (Gêneses) e ter pretendido ser o que não somos, degenerando a completude do nosso espirito enquanto seres evolucionários. Nesse contexto as vidas tomam rumo graças as nossas crenças e as nossas morais que são modos de perpetuar um costume ou, continuar esse costume. E assim, com toda essa amostra da onde vem a cultura que não somos seres completos e que precisamos de “muletas” culturais, sociais e até não ousamos sair dessa cultura para não ser aceito, podemos analisar o filme homônimo do livro de Jane Hawking “A Teoria de Tudo” que tem como contexto a vida do físico Stephen Hawking que tem ELA (esclerose lateral amiotrófica), no qual se vê no próprio filme, o medico deu dois anos a ele, isso foi aos 21 anos, hoje ele tem 73 anos e a cadeira do físico e teólogo, Issac Newton.

Talvez o debate ficasse mais interessante se analisarmos o filme a partir da nossa cultura platônica cristã da perfeição e da harmonia dos corpos e não tem nada a ver, de repente, com o corpo e sim a ideia que fazemos do corpo e do sentimento que chamamos amor e nem sempre é o amor. Iludimos muito sobre o amor e confundimos muito o amor com a paixão, porque nossa cultura não diferenciou por causa da não aceitação que somos seres gregários e fazedores de cultura. Então, para aqueles que desprezam esse tipo de analise social e preza muito mais a liberdade do que o sentimento, o amor fica como uma prisão nos moldes platônicos que sempre buscamos o belo para satisfazer o nosso prazer e não suprir aquilo que faz bem com o outro que me acompanha. Sempre vimos no amor um lado hedonista que não é no amor em sim, de nós mesmos. Mas isso é algo que só existe no nosso inconsciente que são as coisas que não temos consciência e ficam vagando na nossa mente, porque são imagens de associação daquilo que acreditamos e não aquilo que é, porque estamos preocupados com o tempo do amanhã ou no tempo de ontem. No filme ao escolher ficar com Hawking o pai dele disse que seria algo duro, algo que não era uma simples brincadeira e sim, algo que precisaria dedicação e amor por causa da sua limitação. Algo limitado é algo restrito em um momento ou algo restrito a um conceito que na maioria das vezes, restringe até o movimento e a postura. Liberdade. A ilusória noção que temos da liberdade.

Liberdade é sentir nossa consciência moldar nossa vontade segundo um objeto ou um objetivo (vontade em si mesma), que faz com que desejamos algo ou sentimos algo por alguém ou algum objeto. Mas também, liberdade tem a ver com algo subjetivo quase metafisico, porque há uma diferença em ter liberdade e se sentir liberto. Se sentir liberto tem mais a ver com a liberdade do que ter o direito a liberdade, porque a liberdade não é um objeto ou um objetivo (mesmo que somos levados a acreditar que temos a vontade de sermos libertos), mas um estado muito mais dentro da alma do que só do nosso corpo. Então, não adianta ter a sua opinião (livre expressão), se somos prisioneiros de conceitos dentro de um determinado período histórico que aquilo era preciso, ou opiniões que não são nossas e sim, de outrem, não somos levados a sentir a liberdade. No filme já detectamos o amor e a liberdade, porque o amor verdadeiro não aprisiona e sim, liberta. Se você se propôs a algo, a proposta e resistir a esse algo ou nem começa com o objetivo, isso não é um julgamento, é um fato concreto por causa da noção equivocada que temos da liberdade. Nesse contexto podemos analisar que a Jane se iludiu com que chamamos de liberdade, porque ela cuidava de Hawking não com o sentimento do amor, mas com o sentimento que era uma obrigação, não sentiu que poderia estar ajudando ele. Ele não a colocou como uma “enfermeira”, mas ela se colocou como tal, ela se iludiu e foi tragada pela ilusão. Isso é muito comum na Europa, o racionalismo coloca como uma meta ou uma lógica, como se uma pessoa estudada não pudesse sentir. Ela não sentiu a liberdade de fato, ela se libertou das amarras de uma vida “dura”, mas não se libertou do conceito social, onde o belo e o perfeito ainda predomina.

O mais engraçado – se lemos biografia do Hawking ou no próprio filme – o próprio Hawking nunca se limitou por causa da sua deficiência como se fosse algo extraordinário e sim, algo que ele teria que conviver e ainda faz questão de entrar nas polemicas discussões sobre a física. Então, não aprendeu com ele, ainda decidiu ficar com a ilusão de se sentir uma “enfermeira”. Decidiu se render as faces de uma cultura que faz do belo uma escravidão, leva o outro para dentro da casa (o intimo de um casal) e começa a se sentir completa porque por mais não queremos, não queremos o outro imperfeito, porque o imperfeito é impuro, é o caos. Embora os historiadores ainda insistem em afirmar o lado guerreiro espartano ou a cidadania ateniense, mas os “defeituosos” eram eliminados por causa da crença da impureza, do ser desarmonioso, do caos entre seus átomos e a maldição dele por causa desse corpo “defeituoso”. Mesmo se os espartanos ficassem com o bebe deficiente na cidade, havia uma crença da má sorte, da maldição dos deuses e do processo de acreditar na vitoria e a crença do corpo perfeito. Platão não fugiu de sua própria cultura e ainda, os ocidentais tem isso dentro de si. O nazismo só é um reflexo sobre isso. No filme nós podemos ver que ela não deixou Hawking não porque ela o amava – isso ele percebe há algum tempo – mas por “pena” ou compaixão. A deficiência ainda se define como um castigo ou um fardo que temos que carregar, um sofrimento eterno, um ser que não tem no seu corpo a harmonia da criação. No conceito ocidental – não achei no conceito oriental sobre – a deficiência é um erro da natureza que um dia o ser humano conseguira curar, como o câncer ou outras doenças do gênero, como a modificação genética e a modificação robótica cibernética. Somos um vírus que não poderíamos estar num corpo (sociedade) saudável, porque somos algo que levamos a doença, na Europa, por exemplo, é legal o aborto de mães que terão crianças com síndrome de down. Que biólogos famosos como o Sr Richard Dawkins, diz que uma mãe que tem um filho com síndrome de down é uma pessoa imoral. Aliás, a moral entra na nossa discussão porque é vista no filme, moral é o modo do costume, então, é imoral ter um marido com deficiência, porque não passa segurança, não passa a capacidade de interagir, mas calma aos apressados, estou dizendo a maioria dos casos onde a deficiência é algo grave.

Se fomos pensar na vida de Stephen Hawking após a deficiência se instalar, ele transcendeu a deficiência como algo que vai além do corpo, ele se apegou muito mais a vida e a humanidade. As suas afirmações sobre a extinções da raca humana ou o desenfreado processo robótico que acabara com a raça humana, são de total amor pela humanidade e não ao desprezo dela. Mas claro, suas amarguras estão dentro do seu espirito e não deixou de procurar a resposta sobre o universo e o porque da humanidade e o proposito de tudo. Porque não se abateu e não se abate, já entrou em orbita, vai fazer filme, então, o que dizer dele se ele não quer ser um “exemplo” de nada? Aliás, há também um mistério dentro da deficiência, algo que mete medo, algo que nos espelha ao acaso e que não faz parte do bojo da perfeição social. O filme fala da essência cultural humana onde o perfeito (ilusão) é muito mais valorizado do que o imperfeito (realidade) que acaba ficando nas amarras de um mundo ilusório igual o filme Matrix. Lá dentro é o lado perfeito, o lado que não se deve ter nenhuma anomalia para não atrapalhar o andamento do sistema, mas muitas vezes, o sistema mesmo cria anomalias e insere como algo preciso. A liberdade que pensamos ter não é bem a liberdade verdadeira porque estar interligada aos conceitos humanos, conceitos esses instalados para o processo do sistema, a própria liberdade – que não passa de uma ilusão – não passa de uma artimanha do sistema para renovar esses conceitos para o andamento do sistema. No conceito computacional, essa liberdade especifica é um tipo de looping (a reiniciamento do sistema perpetuamente) porque é algo racional, você não deve ter a liberdade e sim, se sentir com a liberdade. Hawking e outros deficientes, incluindo eu próprio, somos anomalias do sistema que o próprio sistema cria, o próprio sistema tenta eliminar, mas é algo inevitável. O sistema ilusório (o maya hindu) criado pelo próprio homem escraviza ele próprio, porque não enxerga além daquilo que vê, nós por sermos uma anomalia, vimos porque somos aparte desse sistema. Alguns sabem disse e se iludem aos conceitos sociais.

Isso depende muito do discurso do poder, algo que elimina as possibilidades de algo muito além de um simples viver, mas cria regras para esse viver. O filme fala muito mais de ética do que de moral, porque talvez não é um modo de costume que se muda de ideia sobre o amor por uma pessoa, mas tem a ver de repente, do caráter desse pessoa se aquilo era amor mesmo ou apenas uma paixão passageira. Colocar a pessoa na periferia dos sentimentos, não é algo ético, porque a ética tem a ver com os valores que nutrimos dentro de nós – que hoje em dia nada tem a ver com os valores familiares muitas vezes – e esse valor é aquilo que o outro lhe parece para você, algo que se fica uma amizade é apenas um premio de consolação. Mas devemos sempre olhar além do tempo e dos conceitos humanos, meramente, humanos e se enveredar dentro das amarras da vida plena. Stephen é esse exemplo, encarou a morte de frente e hoje celebra a vida, sempre.

Lais ser lésbica, tudo bem, mas cadê meus 4 mil na minha conta?

Publicado por: Amauri Nolasco Sanches Junior e Marley Cristina Felix Rodrigues | 15/12/2014

ARTISTAS COM DEFICIÊNCIA E A DEMOCRACIA.

Imagem: Viktoria Modesta sentada num cubo branco num local todo branco e mostrando sua prótese que faz imagem steampunk que mistura componentes do século XIX

Por Amauri Nolasco Sanches Junior

Pronto. Finalmente temos uma cantora que colocou a deficiência em voga e não como um “modo de superação”. Viktoria Modesta é uma cantora e modelo britânica, em 2007 por problemas da perna que ela caia muito, teve que amputá-la e dês de então, está mesmo assim no meio e ao que parece, agora investiu a carreira de cantora. Não gosto muito do tipo de musica que a Viktoria canta, pois sou adepto ao rock e ao metal, mas algo que eu vi que me fez refletir que de repente falta dentro da visão da deficiência, a discriminação. Em um blog, que peguei a sua biografia, o escritor postou o que ela disse ao amputar a perna e achei fantástico essa coisa dela mesma dizer que estava tirando algo errado dela e que agora se sentia completa, não lamentou a vida por ter perdido a perna, mas foi em frente e disse que era completa. Aonde uma pessoa amputada se sentiria completa na posição dela? Aonde os meios de comunicação poderiam mostrar que uma pessoa amputada faz um video mostrando a sua prótese, assim, explicitamente?

Há uma extensa discussão como poderíamos divulgar a deficiência e como poderíamos colocar essa deficiência como uma coisa normal, não tão dramática e não tão substanciada no “vitimismo” que muitas pessoas com deficiência promovem dentro das próprias palestras e do modo de contar sobre a sua deficiência. Alguns anos atrás, uma cantora chamada Katia foi lançada e ela era cega, não emplacou por razões que desconheço, mas ficava vendo o modo que as pessoas tratavam ela só porque ela era cega. O maior problema das pessoas com deficiência e renegar a sua deficiência por causa de uma sociedade que nos rejeita, que nos humilha, que nos transforma em meros seres humanos sofredores e que de alguma maneira, que não podem se prover sozinhos. Mas o que ninguém sabe, ou a grande maioria é que o cantor Roberto Carlos tem uma prótese e perdeu a perna quando era criança. Em minha opinião pessoal, mesmo com os inúmeros preconceito na época, a sua atitude foi de extrema canalhice de não assumir sua deficiência e de extrema canalhice em não mostrar sua prótese. Mas temos que reconhecer que mesmo com isso ele foi atrás do que quis e conquistou, de uma forma que não concordo, seu espaço como cantor. Aqui no Brasil, queiram vocês ou não, somos acometidos de um vitimismo muito grande que eu chamo de Filosofia Teletoniana. Joga você no vitimismo, faz de você o mais baixo dos seres humanos para depender de secretarias, entidades e outras coisas do tipo e enriquecem com isso, porque vai muito dinheiro e por esse dinheiro, se aliena a sociedade sobre isso. Fora que empresas preferem pagar multas do que contratar pessoas com alguma deficiência e consultorias que exigem critérios estranhos, igual aconteceu comigo em outubro envolvendo a AME e o SESC (aqui). Isso é a industria da caridade, onde aproveitam das pessoas que querem ajudar e não encontram meios de ajudar e essas entidades forçam uma imagem degradante da deficiência e uma imagem degradante dos meios que essas pessoas podem ajudar. Por outro lado, não adianta os meios de comunicação ajudar e ao mesmo tempo, não obedecer a Lei de Cotas de pessoas com deficiência nas empresas.

A Filosofia Teletoniana tem origem na antiguidade onde não existiam nenhum meio de tratamento, não existiam nenhum modo cientifico que comprovasse que nós, meros seres humanos com suas limitações, não eramos castigo dos deuses. Aliás, somos produto do meio onde vivemos e quanto mais progresso, mas meios químicos e processos difíceis podemos encontrar e nascer com alguma deficiência, ainda mais a pobreza que agrava ainda mais. Μas é lógico que isso não é dito porque eles revertem para a sociedade o que certamente, uma parte dessa culpa, pelo menos da miséria, do descaso e da realidade onde vivemos, são dos mesmos que jogam a culpa na sociedade. Montam uma rede de pensamentos para amenizar os partos sem pediatra ou obstetra, no caso da paralisia cerebral, para amenizar os acidentes automobilísticos ou violências diversas, de remédios que podem deformar o feto em gestação, que não há meios de se tratar algumas deficiências para enriquecer e armar um esquema de doação, ajudar quem não precisa. Dai ficam dizendo que somos dependentes de tal entidade e que não precisamos de mais nada, apenas de amor e carinho como se não comecemos ou quiséssemos ter uma vida como todo ser humano. A culpa das nossas deficiências é do ESTADO que não dá assistência adequada, não dá uma maior atenção as mulheres no pré-natal, não fazem prevenção de remédios que sabem ser proibidos e não há outras pesquisas e resoluções que poderiam acabar ou diminuir as deficiências, dai coloca entidades para dizer que ele tem uma solução, mas não tem e o sujeito ficará com ela a vida inteira. Ainda pior, com o descaso desse mesmo ESTADO que dá a sua deficiência e não quer assumir, com as filosofias teletonianas de caridade que nada tem a ver com a nossa inclusão dentro da sociedade, e ainda, ficar ouvindo e lendo que não somos qualificados por empregos que somos, assim, inventam inverdades para encobrir a verdade. Então o problema é muito mais profundo do que meios acessíveis e secretarias que só são meios para despistar um fim. Um Estado que é ineficaz até no meio de dar ao ser humano o bem estar que ele precisa para tratar e viver com sua deficiência, um Estado ineficaz que só joga heróis da superação para dar esperança de um dia que não vai chegar e só lhe mostra um caminho. Os meios de comunicação só valorizam o esporte, nada mais, pois não existe deficiente que escreve, não existe o deficiente que canta, não há o deficiente que é qualificado no meio publicitário, deficiente artista plástico, tem que ser esportista.

Vejo no clipe da Viktoria uma nova visão que ela mostra, como uma deficiente que consegue inverter o que a sociedade tem como visão e como a sociedade vê quem quer mudar essa visão transformando em um vilão, um ser desprezível que quer mostrar que é um ser humano. De repente até ser corruptor de crianças, como mostra a cena da menina, ou uma dominadora que domina os meios para mostrar que a sociedade está errada em desprezar esse tipo de ser. Viktoria pouco importa com a visão da boa mocinha, pacata, que tem como prioridade apenas chorar pelo seu futuro desprezível sem uma perna, ela tem a postura austera, que despreza aquelas palavras de ordem. A policia representa o Estado e como autoridade dita regras, mas a atitude dela é de desprezo, de reinado, de segurança de si mesmo e de todos que a seguem. Muito diferente daqui que os personagens que aparecem de cadeira de rodas como exemplos de superação, que são bons mocinhos e que nutrem aquele sorriso de quem superou ou a mocinha de cadeira de rodas que tem a necessidade de se autoafirmar com atitudes que mostram a sua fraqueza no seu ego, Viktoria tem um estilo de mulher, um estilo de quebra do bonzinho com deficiência, do estilo de não tão santo e nem tão pouco demônio, mas com os seus desejos. A mulher que mesmo com deficiência é desejada, mesmo com deficiência é má, mesmo com deficiência quer dominar, mesmo com deficiência que desprezar uma sociedade que o a despreza e no entanto, ela tem que conviver. Diferente do fraco curta metragem Cordas, Viktoria mostra que não precisamos morrer para mostrar alguma coisa, que podemos estar vivos e mostrar o quanto essa sociedade nos restringe ao nada.

Até quando nós vamos aguentar tudo isso por migalhas? Será mesmo que somos libertos? A democracia não é tão democrática como muitos pensam, mas um meio para a dominação alienando o ser humano fazendo acreditar que é liberto, mas não somos, porque somos dominados por ideias e condicionamentos, que não são tão fáceis de se enxergar. Mas é um ponto para se começar, só querer.

esse é o clipe:

http://www.youtube.com/watch?v=jA8inmHhx8c

Publicado por: Amauri Nolasco Sanches Junior e Marley Cristina Felix Rodrigues | 08/12/2014

O extremo da deficiência.

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Os extremos, o bem e o mal numa visão extrema de duas faces de uma mesma pessoa.

Nesses últimos tempos ando lendo coisas que as vezes nos fazem refletir sobre vários aspectos dentro da vida social e psicológica das pessoas com deficiência. Ou as pessoas não tem um alicerce dentro do seu amago que possa assegurar o momento que estão vivendo dentro das suas devidas deficiências – claro que cada deficiência é uma deficiência apesar da generalização – ou ser para baixo ou ser para cima. Nesses anos que militei no segmento de PCDs – dei um tempo – pude observar que tem muito “picareta” se promovendo dentro da deficiência, assim como tem muitas instituições que ficam se promovendo na deficiência para arrecadar fundo ou, para dizer a as pessoas que sem eles nós não viveríamos e isso é uma inverdade. Mesmo o porque, essas instituições nos “expulsam” do tratamento ao completarmos 14 anos ou mais, então, vivemos sem elas muito bem e obrigado.

As pessoas, não só com deficiência, andam indo muito ao extremo como se quisessem se libertar de algo que está só em suas mentes e isso não é bom. Estamos vivendo uma era dos extremos e os extremos não são bons para nenhuma pessoa sensata, porque sempre atinge o que não se deve atingir e não chega a um objetivo claro. Eu sempre vi que as pessoas adoram mentir para si mesmo como se tivessem medo de sentir algum medo, porque enfiaram na cabeça do sujeito que sentir medo é uma coisa de covarde, uma coisa de cretino que não sabe nem o que está dizendo. Sentir medo é algo natural de preservar a vida, na verdade, como disse o tio Freud, o medo é a vontade de fugir da morte que todos os seres tem. Não adianta muito, mas é um mecanismo que a evolução terráquea nos deu, pois o planeta nos moldou assim. Agora, mentir para si mesmo é sempre achar mascaras para usar quando queremos nos confortar em uma situação, como seguir alguma religião que vai te curar, seguir um avanço tecnológico que vende a ideia que vai fazer nós andarmos ou até, placebos científicos dizendo que são curáveis. No caso dos avanços tecnológicos, isso é evidente que lá fora está muito mais avançado do que aqui no Brasil, o exoesqueleto daqui custou caro e nem andar andou. Por que? Porque o pesquisador que está trabalhando no projeto é um neurocientista e só estudou a parte neurológica da pesquisa, esqueceu da parte cibernética que estuda a parte do controle do ser humano a maquina e o ergonomia, que seria uma disciplina que estuda a interação do ser humano com outros elementos que aliás, nem fabricantes de cadeiras de rodas fazem isso. E na parte da biologia há pesquisas de célula-tronco que não estão concluídas e nem sabemos que serão, porque antes dessas pesquisas, se deveria pesquisar a nanotecnologia. E na parte da religião, fica evidente – isso não é todas as religiões como não são todos os sacerdotes – usam o inconformismo da deficiência para trazer alivio aqueles que não se aceitam dando ao deficiente, uma esperança. Não sou ateu e muito menos contra qualquer tipo de religião – que é necessário e é uma etapa para o crescimento pessoal – mas devemos seguir também para aprendemos a nos gostar do jeito que somos, não gostar do jeito que as pessoas querem que sejamos.

Esse “gostar” que as pessoas querem e não o que realmente queremos ser, muitas vezes atrapalha o crescimento pessoal das pessoas e em especial, as pessoas com deficiência. Porque ela varia do extremo oposto, ou elas são submetidas ao que a sociedade coloca – meios culturais e morais – ou querem quebrar tabus que nada vão ajudar o meio acessível. Não querer processar uma empresa de aviação por não ter o “carrinho elevador” (não sei escrever o nome) é um direito de cada um, mas não processar e querer obrigar as pessoas a “acharem” que não podemos ter privilégios, ai é um caso para discuti. Lá fora o meio acessível não é encarado como um privilegio e sim, um direito do cidadão que somos e temos esse direito que lógico, também temos nossos deveres a cumprir. E é esse dever que se deve processar a empresa ou até mesmo o governo, senão isso vai se repetir, isso não vai melhorar e tudo que nós lutamos vai para o ralo. É muito fácil pensar só no seu umbigo e achar que está tudo bem, o momento certo é agora, ou cobramos certo o que é de lei ou nos calamos, ficar no meio fio não dá. Outra coisa é querer quebrar tabus querendo holofotes para si como ser modelo ou ser algo do tipo, necessariamente, tivesse que sair pelado numa revista ou fazer topless numa praia, pois existe milhares de exemplos que não precisaram desse tipo de iniciativa para arranjarem trabalho. O que deve realmente quebra o tabu ou os tabus, é uma iniciativa muito mais direcionada e falar o que se pensa sem medo se isso vai ou não agradar as pessoas. Ou, não é mostrar ou querer ensinar os outros deficientes a serem deficientes – como acontece em alguns casos – mas ter a humildade de aprender com quem já nasceu com alguma deficiência. E vamos ser sinceros, com um país machista onde o meio e eventos inclusivos de PCDs que existe inúmeros “machos alfas entre rodas”, esse tipo de iniciativa poderá acarretar uma generalização e uma falta de senso perante a maioria. Quebrar tabus assim só acarreta outro tipo de tabu, aqueles que não fazem se cria um conceito de “escravas”, de “conformistas” e por ai vai. Mesmo o porque a criminalidade está a solta e esse tipo de coisa fomenta a violência da mulher com deficiência. Mas isso nada tem a ver com autoestima.

Ter autoestima não é ter a melhor cadeira de rodas ou ter fotos em revistas e grupos – que acho também uma maneira excludente que a própria pessoa com deficiência faz como miss cadeirante, miss surda entre outas coisas – mas aceitar a deficiência em sua mais real essência e fazer dela a sua própria realidade. Para que realizar um concurso ou um grupo desse se ele se torna gueto? Não precisamos de guetos, não precisamos nos rastejar para conseguir um emprego, ou nos rastejar para ganhar um “oi” sequer por causa de uma misera necessidade de ser reparado.. Mas sim se reparar.

Publicado por: Amauri Nolasco Sanches Junior e Marley Cristina Felix Rodrigues | 17/11/2014

Qual o papel da mídia para a inclusão?

Descrição: uma televisão beijando a mão de uma figura da elite governante (sem IDEOLOGIA)

Descrição: uma televisão beijando a mão de uma figura da elite governante (sem IDEOLOGIA)

Por Amauri Nolasco Sanches Junior.

Duas coisas me fizeram escrever esse artigo sobre o segmento das pessoas com deficiência, um é que o Ministério Publico deu mais 15 anos para o governo adaptar as escolas para as pessoas com deficiência, que lógico, tem um “dedinho” das entidades “filantrópicas”. E outra, uma reportagem da revista Incluir que uma moça surda – não vou falar o nome para não constrangê-la – disse que há muita atenção aos cadeirantes e aos cegos. Não vou comentar porque esse tipo de pessoa que faz um comentário desses, ou é mal informado porque há inúmeros casos de desrespeito e há sim um trabalho muito divulgador sobre as pessoas surdas, ou são pessoas que não pensam que ser uma pessoa com deficiência não se deve olhar as características dessa deficiência. Por outro lado, ela é empregada por justamente ter uma surdes e não ter uma locomoção restrita como o cadeirante tem ou que ainda a cegueira carrega de preconceito. Que mesmo uma publicação em uma revista voltada ao segmento – pelo que percebi e percebo em outras publicações – há uma especie de trava ou fronteira que não se deve passar e há muita, muita mesmo, restrição sobre isso.

Qual o papel da mídia sobre vários aspectos de uma inclusão efetiva e real, sem teorias, no meio das pessoas com deficiência? Não vejo o porque ser uma luta separada, afinal, somos uma parcela da sociedade e mesmo que essa sociedade nos rejeite por causa da nossa aparência, somos seres humanos. Ou não somos e não estou sabendo? De certo que algumas pessoas ainda pensem que somos “exemplos de superação” porque há em nossa sociedade o pensamento ainda que as pessoas com deficiência são passivas e dependentes e acabamos “alimentando” essa ideia mesmo sem querer. A passividade á a parte que toda a pessoa com deficiência deve ser agradecida ou deve ser “boazinha” sem ao menos ter uma opinião própria, a passividade se mostra aquelas pessoas que não fazem nada, postam suas fotos em seu Facebook sem muito acrescentar, sem lutar por nada, sem fazer nada por suas próprias ideias e ainda reclama que os movimentos não lutam pela sua luta pessoal. Qual empresa vai contratar uma pessoa dessas? Sera que uma pessoa passiva e dependente é digna de ser um bom profissional? Não creio que um empresario queira uma pessoa dessas e nem que não lute por aquilo que queira e fique só em suas casas, na internet, ou enfiado dentro de uma igreja e não fazendo nada por você. Também prejudicam aqueles que querem e precisam lhe dar com o publico, porque assim alimentando essas coisas, as pessoas vão cada vez mais ter essa visão.

É perigoso demais tratar questões tão importantes com generalizações que podem por ventura, acabar com muito mais preconceito. Como o que a mocinha surda disse, não procede e esse tipo de informação não vai acabar com o preconceito, porque já é uma afirmação preconceituosa achar que todo cadeirante tem atenção necessária e o cego tem toda essa atenção também. E a imprensa deveria zelar – e não colocar como destaque – para se ter uma informação muito mais centrada em dar conhecimento e não fazer essa distinção perigosa. Essa distinção mais separa do que une, porque nem as deficiências e pessoas são iguais, isso depende muito da visão de cada um. Em nenhum momento estou vendo matérias serias que deveriam defender nossos direitos como esse retrocesso que tivermos dentro do Ministério Publico que deu mais 15 anos para adaptar as escolas publicas, em nenhum momento matérias que tratassem a mal adaptações em transporte publico. Por que só temos que superar dentro de uma determinada maneira? Por que não podemos também ser artistas como escritores, pintores, escultores ou algo do gênero?

Eu sou uma prova viva disso, eu sou publicitário formado e pessoa com deficiência por nascença, nenhuma agencia de publicidade me deu uma chance. Dai eles fazem duas coisas: uma é ir até lá na subsecretaria do Ministério do Trabalho dizer que não existe pessoas qualificadas, se o governo quiser que a lei seja comprida, terá que qualificar essas pessoas (no caso, nós). Há nisso uma visão que as pessoas com deficiência são dependentes e não podem ir a escolas por depender de outrem (alguns casos pode ser, mas nada que uma adaptação não faça), assim, essa visão se reflete no modo de tratar quando há uma contratação. Segundo, faz junto com emissoras campanhas para arrecadar dinheiro para entidades que não fazem nada pela inclusão, no entanto ou por uma consciência pesada ou por abater no imposto da empresa, dão dinheiro para promover a mesma inclusão que não ajudam a fazer. A mídia – e as agencias de publicidade são um tipo de mídia – se mostram muito pouco quando é ela que tem que cumprir essa lei, porque existe o mesmo discurso, existe o mesmo pensamento e existe a mesma linha cultural, só muda a maneira de mostrar isso. Então, qual é o papel dessa mídia dentro da inclusão? Sera que a mídia é o reflexo social que nos enxerga assim?

A mídia tem que agradar muitas pessoas e essas pessoas dão a essas mídia o que precisa para sobreviver e não é culpar as pessoas que isso vai mudar, é saber o que é certo e o que é errado para si mesmo. Mesmo sabendo que tudo isso não nos aceita, ainda sim, se submetemos a essa cultura e as mesmas falas e as mesmas atitudes. Então, como mudar isso? Como queremos que o mundo nos enxergue diferente se enxergamos igual o mundo? São pontos que devemos muito repensar.

Publicado por: Amauri Nolasco Sanches Junior e Marley Cristina Felix Rodrigues | 22/10/2014

Democracia – o que é isto?

O filosofo Immanuel Kant com a frase que está no texto

O filosofo Immanuel Kant com a frase: “Voce é livre no momento em que não busca fora de si mesmo alguém para resolver os seus problemas”

Por Amauri Nolasco Sanches Junior.

Recebi esse e-mail da gerente de eventos do serviço especial ATENDE que é vans porta a porta que temos aqui no município de São Paulo e depois volto para comentar:

atende

Bom dia! Conseguimos fechar a quantidade de vans destinadas ao atendimento dos eventos descritos abaixo e temos a informar que não será possível recebermos mais solicitações oriundas das instituições nos dias 08 e 09/11/14 por falta de disponibilidade. Contamos com o entendimento e cooperação de todos, Sds, Fabiana

As vezes me dá um tedio muito grande ter que voltar ao assunto tantas vezes e nada entrar nas “cabecinhas” das pessoas com deficiência que ainda, pasmem, acha certo esse tipo de atitude. Mas como sou um cara teimoso e acho que me tornarei um “Buda” de cadeira de rodas por tamanha paciência e convicção que isso mude, vou mais uma vez entoar meu mantra que “o transporte é para todos”. Sim! É uma lei federal assinada pela até então, “presidenta” Dilma Roussseff, assinou em 2012 uma lei que regulamenta e faz menção que o Estado teria extrema obrigação de adaptar e dar a todas as pessoas com deficiência transporte para exercer a primeira emenda da constituição, o direito de ir e vir e a vida. Ironicamente, o prefeito de São Paulo Fernando Haddad (que é do mesmo partido da presidenta), não consegue garantir esse tipo de transporte e nenhum tipo, porque os ônibus adaptados estão um “lixo” ambulante. Para mim não interessa gestões passadas, me interessa o que acontece hoje, então, hoje acontece o que o partido dos trabalhadores sempre criticou, não tem transporte para exercemos nem trabalho, nem educação e nem saúde.

Não sou filiado e não sigo partido nenhum porque sei muito bem que muito poucos defendem a bandeira da inclusão, tanto o governo municipal, quanto o governo estadual, muito pouco se fez de efetivo para amenizar essa falta que temos. Æ falta de vontade politica enquanto as pessoas com deficiência já começa com a lei de cotas de emprego das pessoas com deficiência, uma lei branda, fraca e cheia de brechas como um queijo suíço. Ou a lei é objetiva, ou ela não se faz necessária, porque toda lei deve ser objetiva e não subjetiva que cada juiz se ache do direito de dar ou não a sentenças ao seu bel prazer. A lei deveria, ou deve, ser para todo mundo e não para alguns e só vejo que só são para uns e não para todos. É o caso das eleições, do TELETON e a F1, só há transporte de vans para esses eventos e não é só isso, não há uma alma vive em todo o universo conhecido que faça cumprir a lei de transporte e a lei de cotas porque as secretarias são ineficientes.

Exato! Chegamos a “singularidade solida” do buraco negro da inclusão das pessoas com deficiência – que para mim é uma farsa – as secretarias não tem poder nenhum e nunca terão porque não somos votos validos para os políticos. Duvida disso, caro leitor? Então me mostre um partido que até hoje efetivou de verdade, sem discursos demagogos e acionou o CONADE, para cumprir a lei de cotas e fez uma lei de verdade, não esse serviço mal feito, mal elaborado, uma porcaria que dá até nojo. Mostre um partido que teve “peito” de colaborar de verdade a uma educação inclusiva, com treinamento de verdade de professores e escolas totalmente acessíveis sem sorteio qual é a escola da vez. Mostre também qual partido fez a reabilitação a sua bandeira e não nos jogar no “colo” de instituições que fazem isso, ao invés de promoverem a inclusão, o evento deles pode ter transporte, os outros movimentos não podem. Isso é inclusão ou exclusão? É nesses partidos que as pessoas com deficiência querem votar? Para mim deveriam votar nulo, votar em ninguém.

Mas a “cabecinha” é experta e só apoia ações dos “famosos”, só apoia ação daqueles que querem pegar avião, quem quer pegar van, tem nenhum apoio.

Publicado por: Amauri Nolasco Sanches Junior e Marley Cristina Felix Rodrigues | 20/10/2014

Curta “Cordas” e a inclusão.

Maria escrevendo “Cuerdas” num quadro negro e sorrindo. O Cartaz do filme.

Ler mais…

Publicado por: Amauri Nolasco Sanches Junior e Marley Cristina Felix Rodrigues | 11/10/2014

Paradoxo do Nada – as cadeiras de rodas e o “eu”.

Descrição: na direita uma imagem preta e na esquerda uma imagem branca, a branca está escrito “nada” e a preta está escrito “tudo”.

Por Amauri Nolasco Sanches Junior.

Quem já não ficou diante do “nada” e se sentiu com um tedio mortal? Isso me faz lembrar quando eu era mais novo – até os 18 anos – morria de medo de ficar sozinho e não me via sozinho dentro do mundo. Depois que comecei a me dedicar a leitura de filósofos quase solitários, conhecer pessoas que viveram sempre solitárias, aprendi a resolver meu medo quase freudiano. Freud – o homem de barba que sempre aparece com um charuto na mão ou fumando um cachimbo, teve um grande papel além de desenvolver a psicanalise, desenvolver um trabalho sobre paralisia cerebral quando era medico – dizia que todos nós temos medo da morte (tanatus) e fugimos dela sempre que confrontamos com ela. Esse mesmo desejo de fugir é o que nos fazem viver e nos fazem ter o instinto de sobrevivência – mesmo que este extinto esteja aparentemente passivo – ele está lá e vai, de uma maneira ou de outra, acionar sua defesa ou com violência ou com atitudes de ataque. Talvez quando você compete por algo é, no seu entender, uma maneira de sobreviver que muito a publicidade aciona esse lado do ser humano primordial. Ao mesmo tempo que você enxerga isso como uma das mais reais situações do mundo, porque um dia vai te ocorrer mesmo que não queira, nós nunca paramos para pensar que inútil para nós lutar contra isso e é um fato irreversível de toda a natureza universal. Essa impotência diante desse fato – porque o medo só é a causa da falta de entendimento disso – faz o ser humano não falar ou não estudar essas coisas e até não parar para se conhecer, criar uma consciência do “nada” para tirar sentimentos que não tem a ver conosco. De repente, era isso que eu via com a solidão, eu tinha medo de ficar comigo e de sentir mais de perto que o mundo – como eu imaginava – não era como eu desejava que fosse.

Me deparei com minha solidão quando meus irmãos casaram e depois minha mãe foi diagnosticada com câncer e me deparei com a morte. A solidão foi anos a fio sem ninguém antes de conhecer a Marley (minha noiva e melhor amiga), além como disse, dos meus irmão casarem e terem suas próprias famílias. No caso da solidão foi muito mais fácil e muito mais resolvido do que a morte, pois a solidão eu tinha a Marley que me dá muita força (as vezes eu acho que eu encho muito o saco dela por causa dessa minha solidão igual a musica Ainda é Cedo do Legião Urbana). Mas no caso da morte foi mais difícil, pois o “nada” da solidão se resolve até com um Facebook, um video engraçado, uma musica no ultimo volume. O “nada” da morte você se depara com aquilo que desconhece, aquilo que é inevitável e não vai consegui evitar, entes queridos começam a ir embora a partir do momento que você envelhece. Mas esses dois “nadas” são inevitáveis, pois te dará algo profundo do que pensar e viver de maneira diferente e entender que o mundo é o que é e nenhum ser humano pode mudar isso. Quando a minha mãe se foi, descobri que ela me treinou e que não estava sozinho – mesmo enchendo o saco da Marley – tinha a mim mesmo e toda a minha natureza e meus valores para construir o que queria construir. Do “nada” que me encontrava, diante de tudo que a perca me fez ver, fiz o que eu acredito ser o “eu” verdadeiro da minha existência e essa existência é a prova que existo. Pronto! Eu comecei ver que pensava e se eu pensava, logo, eu existia e poderia ter minhas próprias vontades. Mas não me sentia satisfeito e nem estou, porque está longe de resolver alguns processos.

Longe de ser uma biografia – acredito que nunca conseguirei escrever uma, um dia, quem sabe consiga – isso só foi para mostrar que não há meios de se fugir de algo real, ou, que existe muitas situações que são inevitáveis e vão te fazer pensar um dia. O caso de nossa deficiência é uma que não pode ser ignorada, porque como a morte, nascemos com ela e vamos ter que encarar na melhor maneira possível. A deficiência é inerente a realidade porque ela se torna em si nós como pessoas com deficiência, a deficiência se torna até, nossa natureza. Ao mesmo tempo temos a certeza que o “nada” não existe – porque a sociedade ainda insiste em dizer que o importante é viver para consumir e se perpetuar – nós nos deparamos com ele quando paramos e colocamos prioridades dentro da vida que não são prioridades. Quer um exemplo? Podemos pegar nomes de grupo que expressam nosso inconsciente que não aceita nossa deficiência, como “Cadeirantes também amam”, “pcd e simpatizantes” e etc…e enxergar que não estamos agregando, estamos desagregando. No falecido Orkut era assim, no Facebook continua assim, porque nos deparamos com a não aceitação do que a vida nos trás e ela vai nos trazer até nós aceitamos. E quando olharmos nossas limitações e os aparelhos que usamos, nos deparamos com a realidade e a realidade pode ou não ser limitante, pode ou não ser aceita, pode ser amarga ou doce, mas é inevitável e não vai ter células-tronco, não vai ter exoesqueleto, não vai ter nada – aliás, tema do texto – que vai fazer você sair disso. Se for pelas células-tronco você sempre vai lembrar que foi por causa delas que você andou, se for pelo exoesqueleto, sempre vai lembrar que você está andando por causa de um aparelho e por ai vai. A deficiência vai te perseguir e cabe a cada um aceitar ou não, fazer da vida importante ou não, mas não adiante fugir ou chorar, o importante é de alguma maneira, ter atitude. O “nada” existencial um dia chega para todos, você se depara que a vida de baladas, a vida de esportes, a vida de tudo que você faz e se importa, você faz porque foi condicionado a fazer. A maioria ouve aquele determinado ritmo musical porque todo mundo ouve, a maioria segue aquela religião, porque a família segue e a maioria da comunidade também, a maioria já vive no “nada” a muito tempo porque não passa de massa de manobra e é o que vi e vejo no segmento das pessoas com deficiência. Alguém viu já um cantor famoso com deficiência? Alguém já viu um padre ou um pastor com deficiência? Você já viu algum partido ter boa vontade e ter uma politica verdadeira para as pessoas com deficiência? Por que continuamos a não ser pauta em nenhuma dessas coisas? Porque nos tratam como “coitadinhos” ou “coisinhas fofinhas” que só servem para votar, orar e ouvi o que o pessoal canta, só isso.

Você ai defendendo tudo isso e simplesmente, não ligam para sua deficiência, eles só querem lhe vender algum sonho. Eles querem te vender uma musica que não vai consegui te colocar na vida, eles vão te fazer acreditar na cura no culto ou na missa, eles vão fazer você acreditar que eles irão fazer pelas pessoas com deficiência, mas que não vai acontecer. Não adianta ficarem chorando por uma coisa que só você vai ter que fazer, existe uma diferença em fazer e acreditar, porque temos a consciência daquilo que vimos e ouvimos no mundo. Então, quando vimos que nenhuma dessas coisas não vão ajudar você e que vai ser inevitável viver, aí começamos a enxergar o “nada” e a máxima socrática (Sócrates filósofo grego e não o jogador), que sei que “nada” sei, o saber que o “nada” existe e que sempre estamos a aprender alguma coisa. Primeiramente você passa a perceber a si mesmo e perceber que não é uma “coisa”, com seus sentimentos, com suas vontades e passa a enxergar ao seu redor algo alienante, algo que não vai fazer melhor ou pior, e sim, vai te fazer acreditar que isso vai melhorar você. Ai, você vota em deputados que não fazem nada por você, vão fazer para atletas de jogos para classe media alta, vai fazer para o que é melhor para o dono da empresa de ônibus, vai fazer para aqueles que lhe interessar. Ai mais uma vez você vai no Facebook e posta um monte de “nhenhe” e “mimimi” dizendo lutar por uma causa justa, então, por que votou no distinto? Enche um monte de grupelho o Fecebook, mas por que esta lá no Fecebook no distinto repassando o que ele posta? Entende caro leitor, que você mesmo dá o machado para o carrasco cortar sua própria cabeça?

Nossas cadeiras de rodas são reais, nossas deficiências são reais e longe de sermos “coisas” somos seres humanos. Nós não temos a menor obrigação de aceitar a sociedade que não nos aceita e nem levá-la a serio, pois no momento que ela tirou a obrigação de se sentir isenta de nós, não podemos também colocar em nossos ombros a obrigação de se sentir parte dela. Existe pessoas conscientes? Sim, existe. Existe pessoas que respeitam? Sim, existe. Mas a grande maioria o faz – num modo bem profundo – para vestir um personagem e nem sempre esse personagem “cola”. Enquanto não aceitarmos o fato que somos pessoas com deficiência e vamos viver com essa deficiência o resto da vida, vai ser difícil entender que o mundo não te quer, não te aceita, não acha você importante e não vai deixar você viver ou trabalhar. Enquanto não entendemos que a moral só segrega o ser humano e não vai fazer você melhor, que os “sonhos de amor” não vai fazer você amar, que os políticos não vão fazer por você e nem as baladas vão fazer você enxergar o verdadeiro você. Nesse dia! Nesse exato dia! Você vai perceber que você pode, que você encontrou você e que vai trazer a tona o que é de mais importante, seus sentimentos e suas vontades. Que você realmente existe e quer viver por si mesmo, sem amarras existenciais, sem amarras religiosas falsas, sem nada que nos aliene de um mundo palpável. Encontraremos dentro de nós a verdadeira alma, o verdadeiro intuito de se brigar o que é justo e o que é importante, do que é necessário não só para nós, mas ao nosso semelhante.

Vamos enxergar que a solidão não existe, pois temos a nós encontrados junto ao eu verdadeiro. Vamos enxergar que a morte é inevitável e que não é o fim numa verdadeira espiritualidade – não ficaremos suspensos no limbo esperando o Apocalipse – mas a espiritualidade intima do verdadeiro ser na sua mais intima essência. Tudo se renova, pois como disse o cientista Lavoisier, nada na natureza se perde ou cria,mas tudo se transforma. Transformamos a dor em força para lutar, transformamos a saudade em esperança, transformamos nossas cadeiras de rodas em nossas pernas. E uma das mil frases que gosto do filósofo Nietzsche cabe a esse texto e fará refletir:

“Quem quer que haja construído um novo céu, só no seu próprio inferno encontrou energia para fazê-lo!”

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