Publicado por: Amauri Nolasco Sanches Junior e Marley Cristina Felix Rodrigues | 3 de abril de 2016

Vamos falar do Autismo?

Muitas pessoas se incomodam com minhas críticas, meus tratados de ética, meus “textões”, mas não falam sobre o autismo que é também uma deficiência. Não quero saber de pessoas atraídas por cadeiras de rodas, não quero saber de paraolimpíadas (que para mim é a parte secundaria do segmento de PCSs), não quero saber de nada disso. É por isso que aqui no blog Ser um Deficiente tem como foco, amor, cultura e inclusão, pois inclusão não é só um termo referido da essência de incluir, mas um ato de incluir todos e não uma parte das pessoas com deficiência. Infelizmente, eu não posso desenhar aqui para os “paladinos da inclusão” que incluir é muito mais do que fazer “academia”, tirar foto pelado, fazer uma exposição erótica (que vai ter um textão também em breve).

Duas coisas que todo mundo tem que perceber e aprender, incluir é introduzir algo em algo, ou alguém na perspectiva social e é por isso, que tanto insistimos em inclusão das pessoas com deficiência. Ai que está, incluir pessoas é inserir algumas pessoas dentro de uma sociedade que exclui em direitos, em deveres e como ate, em ser humano. Por exemplo, existem os deficientes cadeirantes que estão excluídos por causa da falta de acessibilidade nas calçadas, acessibilidade nas repartições públicas ou não, acessibilidade dentro das moradias e não é um luxo, é um direito adquirido dentro da Constituição que está que qualquer cidadão tem o direito de ir e vir. Mas não existem só nós cadeirantes, existem os surdos, existem os cegos, existem os deficientes mentais, os amputados, existem as pessoas com síndrome de down e existem os autistas que é sim, uma deficiência. Porque deficiência é uma disfunção de alguma parte do corpo, por causa do sufixo DE mais eficiência que é o poder de fazer e ser eficiente em algumas tarefas ou no intuito de poder ser eficiente em se mexer em determinada situação. O sufixo DE é um sufixo de negação e se estar em um adjetivo (que dá qualidade), então não se tem a qualidade que é referido. Eficiente vem de eficaz que quer dizer segundo o Michaellis online: “que produz o efeito desejado, eficiente, que produz muito, útil”, assim sendo, quando você diz que uma pessoa é deficiente (de+eficiente), se diz que ela não é útil, não produz o efeito desejado ou não produz muito.

Ora, acontece que as instituições de reabilitação, e a AACD está sim nessa, não entenderam que a reabilitação não é um milagre para faz as pessoas com deficiência andarem, não é para as pessoas com deficiência terem uma vida comum e sim, terem uma vida para produzir o efeito desejado ou serem mais uteis, ponto. Temos uma cultura tão arreigada na “superstição” que essas instituições vendem esse tipo de “sonho” de seu filho vai ter uma vida comum, vai andar como todo mundo, vai enxergar como todo mundo, vai ouvir como todo mundo, vai poder ser como todo mundo e não vai ser, vai ser uma pessoa adaptada a sua deficiência e vai ter a vida mais confortável possível. Não que não acredite que a força de vontade não faça as pessoas terem uma melhora muito além da meta, mas temos que as vezes, muitas vezes, aliás, em enxergar a realidade dos fatos que vivemos. E neste contexto que devemos focar nossas considerações, ou para informar (porque atitude sem informação, vulgo textão, é uma atitude inútil), sobre algumas deficiências que não são comentadas ou não são informadas corretamente.

Muitas deficiências são deficiências adquiridas ao longo da vida ou por acidentes ou por doenças: como a pólio (paralisia infantil), meningite, AVC, paraplegia e tetraplegia (conforma a lesão da coluna vertebral), Alzheimer, etc. E tem as deficiências que são de nascença, ou após o parto, ou por fatores genéticos, ou até fatores de remédios pouco testados que deram efeitos colaterais, como o remédio de enjoou Talidomida. No meu caso, só para dar um exemplo, tive sequelas de uma falta de oxigenação do cérebro (que pelo que eu pesquisei, não há uma comprovação cientifica se é mesmo isso), que deram o nome de paralisia cerebral por causa da morte de células cerebrais (neurônios). Mas meu cérebro não é paralisado, e sim, só a parte que comanda os movimentos e a noção de espaço que resulta a falta de equilíbrio. Assim existem muito mais deficiência e existem muito mais a consciência – graças a Deus – que se deve pesquisar ainda mais e o autismo é uma delas.

Na verdade, não se chama uma pessoa mais de autista apenas (que veio do alemão AUTISMUS, cunhada por Bleuler em 1912 a partir do grego AUTÒ que quer dizer “referente a si mesmo” mais o sufixo ISMOS indicando ação ou estado), mas como Transtorno do Espectro Autista (TEA) que dá um ar pomposo ao transtorno que não tem número estimado, não tem origem e que tem causas hipotéticas como origem dessa deficiência.  Por que coloco como deficiência? Porque são características de perda da eficiência da comunicação e a percepção do ambiente no qual vivemos. Mas existem 3 principais características dentro do autismo (estado de si mesmo), o autismo severo (pessoas que giram em torno de si mesmo, fazem movimentos estereotipados), os autistas clássicos (falam, mas não se comunicam, por exemplo, podem falar frases fora do contexto que ouviram na TV na noite anterior. Mas se perguntar quantos anos ele tem, eles não respondem) e o já meio conhecido, Síndrome de Apender (tem esse nome porque foi diagnosticas, descoberto, pelo psiquiatra e pesquisador austríaco Hans Apenger em 1944. É o aspecto mais brando que existe, mas ainda tem seria deficiência social, não tem muitos amigos, não tem muita facilidade de comunicação). Nesse aspecto as pessoas com esse transtorno não podem receber qualquer tratamento, podem apresentar em certos comportamentos, uma ameaça e pode desencadear uma agressão que não é culpa da pessoa com autismo. Meu primeiro contato foi quando eu tinha meus doze anos no filme Rain Man que tem o aspecto clássico da síndrome.

Na minha opinião é muito simples, o autismo não faz de a pessoa não ser um ser humano e nos faz pensar quem está ou não focada dentro de uma interação social sobre qualquer assunto. Um autista não perde o foco, ele fica num assunto e resolve ou simplesmente se sente bem com aquilo, isso é realmente uma meta a seguir. Mas não acho que ter um transporte exclusivo (como aqui em São Paulo querem implantar no ATENDE que não sabe nem tratar um cadeirante como deve, imagina um autista), porque o problema é outro, o problema é criarmos condições para sim, termos um bom convívio social. Já pensou que se não houvesse condições para um Bill Gates trabalhar? Eu não estaria escrevendo esse texto na Microsoft Word. Já pensou se não houvesse meio de Einstein ter descoberto a teoria da relatividade e a geral? Issac Newton ter descoberto a teoria da gravidade? A síndrome de Apenger é um aspecto quase normal nos grandes gênios, porque mesmo com grandes dificuldades de convívio social, nada pode tirar ele do foco daquilo que ele está fazendo.

Portanto, vamos respeitar as diferenças. Dia 2 de abril, dia da consciência autista.

Amauri Nolasco Sanches Jr, 40, escritor

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O CAMINHO

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Responses

  1. Na verdade o Atende ajuda… Em um momento de estresse, quanto menos pessoas você colocar ao redor de um autista, melhor ele vai se recuperar sem ter uma crise, em um momento de crise, ele vai se bater e pode se machucar…

    Então o Atende resolve, expondo a pessoa com esta síndrome ao mínimo de pessoas necessário, porque o acumulo de pessoas, um ônibus lotado, uma sala de aula cheia, um escritório barulhento são problemas que podem causar estresse e eventualmente uma crise.

    E o nome da síndrome é Asperger.

    • Muito obrigado pola informação Cristiano.

      • De nada.


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