Publicado por: Amauri Nolasco Sanches Junior e Marley Cristina Felix Rodrigues | 20 de novembro de 2015

Devotismo e assédio

Há uma grande confusão entre o devotismo e o assédio com pessoas deficientes que devemos desmistificar para não deixar duvidas e para muitas mulheres com deficiência, não caírem no conto do devotee que quer amor e carinho, porque nem sempre eles querem amor e carinho. Mas por outro lado – adoro meu papel de advogado do capeta – existem muitas pessoas deficientes que adoram tomar uns tapas na hora H (conheci um monte que até defendia o devotismo como o único meio que as pessoas deficientes poderiam transar), e até acham que merecem por causa da culpa de ter ficado deficiente ou de ter nascido deficiente ao longo da vida. O devotismo em si mesmo – como todo devotismo – vão usar o medo e a insegurança das pessoas para tentar assegurar o que mais eles querem, que as pessoas tenham eles como os únicos que podem sanar o que mais precisam. E as pessoas deficientes, tem uma grande dificuldade de trabalhar essa sua carência dentro do cenário da realidade e acabam aceitando esse tipo de humilhação, ou uma transa e nada mais. Ou seja, a grosso modo, o devotee ele usa a carência dessas pessoas para conseguir essas transas e nada mais, a pessoa fica apaixonada, fica dando o que não tem e o cara ou a mulher, fazem dele de “gato e sapato”. Agora, não me envolvo (mesmo o porque sou noivo) e nem me envolvi com nenhuma devotee por motivos óbvios, pelo que me contaram, e também, pouco me importa o que as pessoas acham de eu ser ou não homem.

Devotee na verdade é um termo francês que quer dizer “devoto”, ou seja, existem “devotos” de pessoas deficientes e ainda mais, pelas pessoas amputadas. O cotoco dessas pessoas é, como todo fetiche que é uma fascinação por certas partes do corpo como partes mágicas ou eróticas, um objeto de desejo sexual ou desejo de só devotar aquilo. Os “devotos” são em sua maioria, pessoas muito bem e existem aqueles que são até casados, tem filhos, e na sua maioria também, tem que ficar no anonimato para não arruinar sua vida normal de “cidadão modelo” que a nossa sociedade exigi. Então, existe os devotos bons que só querem ficar presentes com as pessoas deficientes e de repente, ter até relacionamentos com as pessoas deficientes (cada qual com sua linha de desejo) e os malvados (não concordo com o bonzinho e malzinho, mas é só para simplificar), são os que pensar ser devotos e sim, são sádicos ao ponto de humilhar as mulheres com deficiência ao ponto de se rastejarem. Para mim pelo menos, não estamos lhe dando com devotos e sim, pessoas que usam o termo devoto ou devotee para suas maldades sádicas em humilhar pessoas que pensam ser menos do que você como um objeto. Mas isso é alimentado por quem mesmo? Será que essa carência desmedida faz com que atraia esse tipo de pessoa? Sim, porque nem todo mundo é totalmente vitima e digo isso não só as mulheres com deficiência – como estamos num país putamente, machista – mas aos homens com deficiência que tem toda hora de provar que é homem e que tem virilidade, virilidade tem que mostrar dentro da capacidade de assumir responsabilidades que a maioria, não tem.

A pauta da discussão sempre cai no requisito “vitima” como se fossemos pessoas que não podemos nos defender desses “monstros” que querem abusar dos “coitados” que só querem carinho, ou que usam isso só para se aproveitarem das pessoas deficientes. Ao longo das minhas aventuras dentro do segmento das pessoas deficientes, não existem vitimas nem nessa historia toda e nem em outras, que afinal, somos humanos como qualquer outro humano. Essa imagem de vitima, à meu ver, é um subproduto da cultura onde estamos inseridos e podemos até dizer, que é uma tática quase pior do que do devoto de convencimento das pessoas. Não é que sou deficiente que vou deixar de dizer a verdade, existem sim pessoas que usam suas deficiências para conseguirem o que querem e até enganar aqueles que querem algo mesmo. Claro que existem muitas pessoas sádicas, como existem pedófilos sádicos, existem estupradores sádicos ou outras modalidades, que saem daquilo que o termo designa e começam a bagunçar o coreto. Mas não podemos esquecer que as próprias pessoas deficientes alimentam isso com seu machismo, com sua carência, com seu vitimismo arreigado de coitadismo ao ponto da filosofia teletoniana que sozinhos não vivem. Existem pessoas deficientes sozinhas que vivem muito bem obrigado.

Não somos crianças para não sabemos que as pessoas podem sim, fazerem conosco e até aproveitarem da ingenuidade de alguns (por ignorância). Então, vamos ler mais, vamos se inteirar mais para não cairmos nos malvados (pessoas maliciosas) e separar quem realmente tem milicia e quem realmente, gosta de nós.

Amauri Nolasco Sanches Junior, 39, escritor/filosofo e escreveu Liberdade e Deficiência e recentemente, O Caminho pela Amazon

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