Publicado por: Amauri Nolasco Sanches Junior e Marley Cristina Felix Rodrigues | 9 de outubro de 2015

Direito de todos

uma grande diferença em defender o direito que cabe aos outros – como principio democrático – e os direitos que me cabem como cidadão da nação onde nasci e sou um ente que tem os mesmos direitos. Isso é conquistado com a ética (ethos) que nos julga dentro do que a lei cabe ou não, nesse caso e em outros casos possíveis. O que vimos aqui no nosso país que não temos uma escolaridade boa para formar cidadãos esclarecidos – inclusivo o ensino médio é péssimo por dar matérias desnecessárias que o cidadão não sabe nem ao menos, interpretar um texto se é verdadeiro ou é falso – e nem cidadão que entendam que não só ele vive no território, outras pessoas e outras crenças e ideologias. Para mim, ideologias são crenças no mesmo modo, mas sigamos.

As duras criticas da filosofia maquiavélica, não tiram uma verdade nela, pois os governantes sempre vão justificar os meios para um fim, isso a milênios perpetua. Resta uma analise aprofundada da falta de ética que nos assolam em grande parte, numa maneira cultural e de uma maneira analítica (a priori) o que deveria ser feito diante do caso de igualdade em direitos. Não é nenhuma novidade, infelizmente, as discriminações dentro das escolas e dentro do trabalho com as pessoas com deficiência. Por que não é? Não um plano verdadeiro dentro da nossa nação em modernizar os meios de ensino e os meios de trabalho, nossa cultura por si só é conservadora ao ponto de ainda ter a cultura do coronelismo. As grandes famílias feudais do Brasil ainda resistem ao mundo que elas não mais pertencem que é um mundo separado em desigualdade para fazerem o que quiserem. Nas próprias escolas não existem uma cultura democrática, pois ainda se tem a cultura do aluno receber (ele é o receptor da matéria) e não o futuro cidadão, e sim, um futuro ser que sera mão de obra para as empresas. Não mais do que isso. Nas matérias que se ensinam, não se ensina o aluno a fazer uma analise profunda da matéria e nem desenvolvem no aluno a parte criativa, se desenvolve só a parte do crl+c e o crl+v (copia e cola). Prova disso é o desenvolvimento de trabalhos acadêmicos que não se pode, pasmem, dar nossa própria visão sobre o assunto referente. Como querem tirar os “preconceitos” se o próprio ensino tem seus próprios preconceitos diante da cultura? Como podem defender a igualdade se a própria maneira pedagógica, não é nem um pouco democrática?

São duvidas pertinentes que devemos questionar até mesmo como base de uma educação inclusiva onde o professor deveria ser professor por gostar da matéria e não diferenciar, como acontece na sociedade do senso comum, um aluno do outro. Ora, todas as pessoas que matriculam seus filhos dentro da escola não tem o direito de ter seus filhos tratados por igual? Será que dentro da ética não vamos ter a base de humanização pelo conhecimento? O esclarecimento, como diria o filósofo Kant, é a base do ser humano sair da minoridade onde se encontra em sempre querer um tutor para dizer o que deve ou não fazer. Se um professor diz que não se tem recurso para isso (a inclusão) e não procura adaptar-se para tal, então ele não saiu de um ser menor (dependente de um tutor) que precisa de um outro agente para dizer e fazer o que ele, como pedagogo e magistrado, deveria saber pelo estudo que recebeu. Se o mesmo professor (sendo dos dois gêneros), diz não ganhar para isso – como se seu salario saísse do bolso de algum politico, mas realmente sai da maquina publica – ele está mal informado ou age de má-fé diante dos seus clientes, que devem ser tratados como iguais. Aliás, o que tem uma criança e jovem com deficiência que não tem uma criança e jovem que não tem deficiência? A 30 anos eu estou dentro da sociedade e dentro das escolas e cursos e sempre vem esse discurso que vão adaptar as escolas, vão construir áreas acessíveis, sempre vão treinar os profissionais e sempre vão garantir a inclusão social. Mas esse dia nunca chega.

Não é de estranhar que isso reflita dentro da área administrativas das empresas, porque se a base cientifica existe vários preconceitos, imagina na área social que as empresas se encontram. Não existem cargos dentro de uma perspectiva acadêmica para pessoa com deficiência e se essa pessoa é cadeirante, muito menos ainda, pois eles preferem pessoas de ensino médio para baixo e que não são cadeirantes. O que dizer disso se a mesma pessoa que fez a escola que rejeitou a criança com deficiência, que a universidade tratou com indiferença essas pessoas, estão lá no RH ou são os próprios donos dessas empresas? Muito nobre doar para instituições – até porque uma abatimento no imposto – de tratamento e reabilitação de pessoas com deficiência, mas na hora que tem a oportunidade de inserir essas pessoas na sociedade, nem olham duas vezes e descartam de vez. Tanto os mesmos professores que dizem não ter treinamento, quanto os empresários que doam para o Teleton ou outras instituições, por acharem que ai está a bondade, mas isso é uma bondade de parecer bom e não a verdadeira bondade. Universidades nem ao menos abrem bolsa de estudos para nós – não que não queremos pagar, mas não nos querem dar nem ao menos um emprego ou oportunidade de mostrar nosso trabalho de palestrante – porque a ganancia aqui de direcionar o ensino para ganhar dinheiro, para a produção e não ao ser.

Os professores se esquecerem que o termo educação tem a sua base ducere que era conduzir e aquele que conduz, não pode conduzir quem acha merecedor de ser conduzido, mas aquele que está para ser conduzido. Ainda existe o educare que tem o eduzir, aquela que extrai algo de alguém, aquele que vai colocar para fora aquilo que o aluno tem, o potencial. Quantos alunos com deficiência se destacam no mesmo modo que os demais? Não adianta achar que não ganha para isso, pois ganha, ganha em experiencia e de capacidade de ensinar, fora isso, estará escolhendo a quem dar aula e dar aula é conduzir para uma extração, uma ruptura com o que a criança é e transformá-la em um ser novo e mais consciente. Já os empresários, queiram ou não, tem um papel social e não trabalha sozinho, tem que se adaptar e averiguar os conceitos e preconceitos para ser um empresario arrojado e um bom empreendedor. Se não contrata pessoas com deficiência ou pagam menos por causa das suas deficiências deveria rever esse conceito, afinal o mundo e a visão que temos dele se renova e renovar é um diagnostico que tudo estará sendo aperfeiçoado. Então por que não se renovar para ter mais desempenho? Os empresários que contrataram e se disponibilizaram contratar, não se arrependeram e até contrataram muito mais do que a cota manda. Só ter consciência.

Amauri Nolasco Sanches Junior, 39, publicitário, técnico de informática e filósofo.

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Responses

  1. Amaury, sou deficiente tb , moro em Campinas. Estou te seguindo e gostei muito do seu blog. A matéria sobre a dificuldade para concertar uma cadeira, tá top….precisamos divulgar pra que caiba essa exploração,. Abraço

    • obrigado

    • Obrigado


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