Publicado por: Amauri Nolasco Sanches Junior e Marley Cristina Felix Rodrigues | 15 de agosto de 2015

Juntos somos fortes – será?

Tenho um certo ceticismo ainda com esse tipo de frase. Primeiro, que esse tipo de frase faz a inclusão algo tomado como se fosse uma luta junta e ninguém pode questionar. Segundo, que estar junto não é necessariamente, não ter seu ponto de vista que não limita a luta, mas agrega muito ela. Já ouvi e li muitas pessoas dizendo que não concorda com o que digo ou escrevo, só por causa do meu olhar critico dentro da inclusão que sabemos não ser fácil. Mas como ser critico em uma sociedade que infelizmente, tem um modo passivo de pensar? Críticos passam a ser demônios – não é a toa, que criaram um conceito que o diabo era um grande critico de Deus – porque eles querem pensar por si mesmos, querem desmantelar por si mesmos esquemas que não passam de vícios, querem dinamitar o pensamento do senso comum que nada ajuda, mas não querem destruir esperanças. As coisas não são tão radicais assim.

Umas das coisas que o critico tem e é muito valiosa é a sua própria opinião. Essa opinião não tem a ver com opiniões alheias, tem a ver com opiniões com convicção e a certeza que essa opinião é sua. Quando dou minha opinião sobre a escola inclusiva, não me interessa se a esquerda fez e a direita não, para mim é indiferente os pontos de vista das pessoas que querem fazer uma banalização com aquilo que não deveria ser banalizado. Se a esquerda discutiu mais, isso não quer dizer que fez, muito menos, eles são melhores que a direita. Como disse em vários textos, na inclusão das pessoas deficientes não existem ideologização e não deveria ter, não deveríamos escolher um lado, afinal, nenhum lado se importa com esse assunto. Mas a convicção de um assunto, ter ele em sua cerne, a importância dele, fará a diferença na hora de discuti e na hora de dar a sua opinião. Mas o que é critica da inclusão? Um olhar mais a fundo da coisa e não um olhar simplista de pessoas que querem construir um nome, pessoas que querem dar uma visão muito rasa em coisas que não são tão fáceis de serem discutidas.

Primeiro. Temos que saber todo o histórico psicossocial das pessoas deficientes para saber começar a uma analise, sem isso nós não podemos nem começar a discuti. Porque fica igual aquele cara que viu uma frase de determinado filósofo e se acha estudioso do filósofo. A inclusão deve ter um estudo de prevenção – pois muitas deficiências são erros médicos e erros óbvios que podem prevenir deficiências graves – porque por mais que se avance na tecnologia, as pessoas ainda nascem deficientes por causa de coisas banais e irresponsabilidade social (a própria família por não ter estudo). Depois, pensar em centro de reabilitação que possam ser eficientes e não movidos por marketing barato, pois para mim não adianta ter os melhores médicos, os melhores equipamentos, os melhores funcionários – a maioria não tem, isso são fatos meramente ilustrativos – e ter filas enormes para aquele deficiente ser atendido. Aliás, há uma preferencia estranha – não muito porque sabemos os motivos – de tratar muito mais uma pessoa que ficou deficiente e tem uma grana do que quem nasce com a deficiência, e quem nega isso, não esta sendo honesto intelectualmente. Pois bem, quem nasce com deficiência precisa de reabilitação e escola, porque se queremos incluir as pessoas deficientes na sociedade, a melhor coisa é fazer uma escola que abrigue todas as crianças e incluindo as com deficiência. Claro, que se deve trabalhar a família desses deficientes para não ficarem inseguros – jornais que deveriam informar, mas colocam medo do que informam, porque se quero a “verdade” eu saiu para o meio da rua – dando segurança e materiais que precisam para um desempenho bom. Felizmente, muitas das escolas que estudei tinham acesso, mas muitas não tinham preparo dos professores e nem dos funcionários para abrigarem pessoas como nós no ensino. Antes mesmo da reabilitação e educação escolar, existe o transporte dessas crianças que não pode ser qualquer porcaria que se ponha uma rampa ou ponha um acento inclusivo – que aliás nunca são respeitados – tem que ser um transporte exemplar e especifico para deficientes. A gerencia deve entender desse assunto, inclusive, seus engenheiros que adaptam esse transporte e quem testa, deve usar esse tipo de transporte.

Depois temos que pensar que nós deficientes temos a capacidade de trabalhar e produzir aquilo que escolhemos para trabalhar e isso não é criando uma “leizinha mequetrefe” que vai fazer, isso deve ser inserido em uma obrigação social. Embora goste da filosofia econômica libertária e a filosofia social onde as pessoas devam pensar por si mesmas, a empresa tem um papel social e nada tem a ver com o comunismo ou outra filosofia socialista. Sem que as pessoas trabalhem e as pessoas produzam, não há economia que se sustente por si mesmas e se não for assim, a comunidade não prospera, não há mais dinheiro porque não há estudo e não há aprimoramento da mão de obra. O Brasil vive a falta dessa educação, a falta de trabalho que fali o Estado e não gira a economia. Já Aristóteles a uns dois mil e quinhentos anos atrás, dizia que era mais barato dar um emprego as pessoas deficientes do que sustentá-las, pois sempre quis entender o porque se nós estudamos tanto os empresários ainda acham que não podemos trabalhar e ajudar a economia. Também a melhora do transporte gera mais oportunidade para o trabalho.

Segundo, não somos assexuados e não somos providos de se apaixonarmos. Talvez um dos mais odiosos tabus que temos que quebrar é que somos seres humanos como qualquer um e podemos sim ter uma vida sexual, mas como todo exagero faz mal, não estou me referindo a “putaria”. Existe uma grande diferença em querer ter um ato sexual com quem está apaixonado e “putaria”, pois quem tem afeto sempre é humano, “putaria” você transforma um ato importante em um ato banal. Depois, não é saindo pelado em foto que isso vai mudar, porque nossa sociedade ainda está presa em uma religiosidade muito grande que tem o sexo como errado, mas se fosse errado, as pessoas não faziam e não tinham tantos filhos assim. O que se deve combater é o exagero – em tudo na nossa vida o exagero nos coloca em encrenca – que sempre faz mal ao nosso corpo e a nossa alma, pois contamina o mais puro intimo. Essa visão religiosa sempre nos colocou como “crianças eternas” que não somos felizes, mas a felicidade é algo relativo, mas ao mesmo tempo, a felicidade tem a ver com o afeto e a sexualidade.

Ora, o que vejo é muito as pessoas pousarem de “lingerie”, pousarem sem camisa para mostrar que as pessoas deficientes tem um viés social. Quem tem um pouquinho de “QI”, não precisa ter muito, sabe que nossa sociedade tem a mania de generalizar tudo e todo mundo. Qualquer mulher bonita, por exemplo, vira uma “panicat” e qualquer homem vira “pegador”. Então, se uma mulher quer sair de lingerie numa foto, estou pouco me linchando, acontece que aquela mulher que sai de lingerie pagando de fatal, coloca outras mulheres num patamar que não querem estar. Ou, aquele cara que nem conseguir andar consegue, nem sai sozinho sai, nem mesmo limpar a sua bunda consegue, ainda quer pagar uma de “pegador” fatal pousando sem camisa, que acaba colocando em um patamar outros homens que não querem estar ali. Eu, por exemplo, acho execrável um homem se rebaixar a um animal e pagar para ter um momento sexual, rebaixar a um misero primata para só mostrar para os outros que é o “macho” da especie. Tenho náuseas irritantes quando vem um cara cobrando acessibilidade em casa de prostituição, porque o “machinho” quer copular um pouco, para mim, o problema é dele e ele deve se virar. Enfim, estava falando sobre a engenharia social que diz que menos informação demos, menos as pessoas vão invadir a sua vida e isso tem muito a ver com a sexualidade de cada um.

Já soube de muitos assédios sexuais que aconteceram porque a mulher foi simpática ou brincou, talvez dando parecer que estava “afim”. Mas as vezes, sim, tem a ver com a educação que temos por aqui que as mães educam seus filhos como se fossem “reizinhos” e não impõem respeito. Sinceramente, é muito chato as pessoas ficarem achando que uma REATECH, por exemplo, é um grande cubículo de acasalamento e não existe outra coisa na vida além de ficar enchendo o saco dos outros, afinal, acredito que ninguém mais é adolescente. Ou será que estou errado? Será que os homens brasileiros são acometidos da síndrome da adolescência tardia? A verdade é que só mostraremos que somos sexualmente ativos, quando pusermos na cabeça que não somos obrigados a sermos iguais as outras pessoas e sim, podemos mostrar um “pingo” de civilização.

Terceiro, quando montamos um movimento ou somos eleitos coordenadores de ONGs e de movimentos, temos pelo menos, saber de leis que nos beneficie. Essa historia de que as pessoas deficientes “leigas” tem o direito a concorrer e não precisam estudar é um incentivo a “burrice” generalizada, não vão poder ajudar o movimento e nem a ONG e vai ficar como um “boneco” para as pessoas mal intencionadas poderem lhe dominar. Depois não adianta achar que você ou seu movimento é único no mundo, isso é querer ser o “paladino” da inclusão e não precisamos de paladinos, precisamos de união e a certeza daquilo que queremos. Isso mesmo, ter convicção e foco daquilo que se acredita ser certo e não ficar achando que vai salvar todo mundo sozinho. Por isso a expressão, fé, foco e força não é de todo errada – lógico que não estou contextuando num patamar religioso – porque coloca a pessoas naquilo que almeja alcançar.

Foco não necessita ficar repetindo toda hora o que se quer ou o que é como um papagaio alucinado, temos exemplos inúmeros de pessoas que foram lá e fizeram. Fazer não é ficar dando lição de moral a ninguém, fazer é respeitar o passo do outro e isso também não quer dizer incentivar “burrices” inúmeras. Estudar é uma das coisas mais dignas que o ser humano pode fazer consigo mesmo, porque quanto mais se lê ou estuda determinada área, se pensa com convicção e se pode questionar aquilo sem ficar achando “gurus” que te levam ao caminho, pois o caminho você mesmo pode achar. Também não acredito que pessoas surdas, por exemplo, não possam melhorar a escrita – me parece que alguns surdo que não tem IC, não tem senso critico de achar que as pessoas vão entender o que eles escrevem nas redes sociais, não entendo bulufas e não sou “tia da instituição” para passar a mão na cabeça – não acredito que pessoas cadeirantes não possam ser algo além de esportista ou não possam melhorar a vida, não acredito que as pessoas cegas ao invés de usar a língua para responder estupidamente, leve algo de bom as pessoas. Mas o pilar disso é a convicção, sem isso, não há luta nenhuma e a inclusão vai continuar esse lixo que sempre foi aqui no Brasil.

Quarto, quando melhorarmos o transporte, quando melhorarmos a saúde e reabilitação, quando melhorarmos a educação, quando melhorarmos o emprego e o trabalho que os deficientes poderão ganhar dinheiro e ter uma vida digna, poderemos pensar em adaptar uma praia, adaptar um aeroporto (mesmo que alguns deficientes usem para trabalho, ainda são muito poucos que usam), adaptar toda a gama de coisas secundarias. A lógica é bem simples, se você adapta uma praia, por exemplo, as pessoas sempre vão achar que os deficientes são seres inúteis e não podem trabalhar. O cara não está na praia? Para que ele quer trabalhar se está com a vida “mansa”? Mas sempre quando alguém diz isso, a nossa cultura vai ficando rasa e insignificante, porque não temos uma vida “ganha” ou “mansa” nem por esse insignificante ser que não sabe da nossa vida. Aliás, milhares de pessoas deficientes estão com uma vida deplorável que nem sabem o que é uma praia, não sabem nem o que é avião, não sabem nem o que é vida. Então, não me venham “estuprar” minha inteligencia achando que vou acreditar que existe inclusão, se existe, muito poucos usufruem dessa inclusão. Muito poucos sabem o que é ter uma deficiência sem dores, sem se sentirem rejeitados e por sermos um povo religioso e ignorante, alguns não podem sair porque o transporte administrado por pessoas doentes da sua gama de sede de poder, insistem em regras imbecis. No nordeste, um lugar pobre e miserável que nem mesmo a esquerda deu jeito, as pessoas deficientes são trancadas dentro de suas casas como um castigo divino de uma religiosidade muito perigosa.

Ora, para que adaptar coisas também tão longe se podemos adaptar coisas tão perto? Se ao menos nem conseguimos adaptar totalmente um parque, muitas vezes patrimonio da cidade, para que se querer adaptar uma praia ou outro local? O que falta aqui, urgentemente, é um estudo logístico de estudo de prioridades e não de populismo, porque é degradante não ter nem centros verdadeiros de reabilitação e adaptarem praias e trilhas. Tudo bem, temos livre escolha e tem pessoas que trabalham ou tem condições de usufruírem, mas existe e tem que existir prioridade senão a luta fica vazia. Se eu não posso ir em um lugar – como acontece no museu da inclusão que só abre de semana – então não me sinto frustrado, só fico insatisfeito por causa de não visitar um museu que conta nossa historia. É o que precisamos, um estudo profundo sobre nossa historia para entender o rumo que ela tomou, ou não rumo que alguns idiotas tomaram por nós. Porem uma praia pode ser usado para sermos idiotas uteis, pessoas que reclamam e recebem um doce por causa do seu choro, pior de tudo, são crianças hienas (comem carniça e dão risada). São pessoas presas em ideologias que não fazem uma reflexão de verdade, não fazem um estudo aprofundado e fica postando imagens “do bem”, imagens positivas (ou que acham positivas) e nem ao menos, entendem as frases que postam. Que para mim, nada fazem e nada são a não ser, ficam atrapalhando a verdadeira luta da inclusão que eu e todos, construímos ao longo dos anos. Um pensamento de Sartre que gosto muito é que somos metade vitima, metade cúmplice, como são todos. Não adianta ser patife e pular fora, se a luta está desse jeito a culpa também é sua, também é minha e também é de todos nós.

E quinto, os conselhos e as secretarias não vão nos ajudar, são representações fantasmas de uma parcela que acredita ter voz e vez. Pensa comigo – não estou sendo pessimista, porque não sou contra seu surgimento, mas o rumo que tomou tais instituições – por que o Estado que está pouco ligando para você, planeja e implanta secretarias que defendam os nossos direitos exatamente cobrando o próprio Estado? Por que os conselhos abrem uma pauta e não conseguem fechar? A democracia brasileira se equivocou em colocar dentro das suas entranhas, conselhos que nada representam e lá dentro pessoas do mesmo pensamento ideológico dominante e pior, o conselho estadual de São Paulo, por exemplo, é um conselho de entidades e não de pessoas como o CONADE que também é. Claro, que um conselho nacional não pode ter uma representação popular por motivos óbvios, mas não dá para delirar que pode representar todos porque nem todos elegeram tal conselho. As secretarias não tem nenhuma representação nossa – a única secretaria com deficiência foi a Mara Gabrilli que mais as instituições mandavam nela do que o contrario que até hoje perdura (vide o Teleton e a instituição no caso que evidente que ela representa) – não sabe das nossas necessidades, não tem representação alguma, não tem um poder politico, não é nada. Posso dizer que as secretarias que deveriam assegurar nossos direitos não passam de gastos extras publico, não agilizam os transportes, não agilizam os centros de reabilitações, não agilizam a compra de órtese e prótese, não tem condições nenhuma de nos representar.

Cabe uma pergunta pertinente para a reflexão: por que temos que acatar conselhos e secretarias que não fazem nada? Por que tenho que ficar bajulado coisas que realmente não nos representam? Se fizeram alguma coisa, o fizeram depois de muita pressão e algumas delas, nos bloqueiam no Facebook por ter opiniões contrarias. Foda-se realmente se você discute com ideologia e como se o mundo fosse cor de rosa, mas não acho necessário secretarias e conselhos que não tem autonomia politica dentro da meta estabelecida. Se o conselho é de pessoas deficientes, necessariamente, tem que representar as pessoas deficientes e não instituições como vimos muitas vezes em São Paulo. Então, qual utilidade?

Portanto, minhas criticas não são criticas vazias de uma pessoa “burra” que só quer fazer birra ou lutar para obter algo para si, mas uma pessoa que está efetivamente dentro dos movimentos e dentro das instituições que mais nos prejudicam do que ajudam dês de 1992 e tem muita carga de conhecimento para ser um mero idiota. Isso mesmo, a maioria só é mais alguns idiotas uteis que nada são para o Estado do que mera massa de manobra, mero nada.

Amauri Nolasco Sanches Júnior, 39, publicitário, técnico de informática e filósofo. Idealizador da palestra: “Inclusão e Ética”, leve para sua empresa. Contato: amauri.njunior@gmail.com ou o whatt: 11984124939.

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