Publicado por: Amauri Nolasco Sanches Junior e Marley Cristina Felix Rodrigues | 19 de julho de 2015

Anarco-cadeirante – uma outra historia do segmento.

pictograma-acessibilidade-cadeirante

“Por vezes as pessoas não querem saber a verdade porque não desejam que suas ilusões sejam destruídas”.

(Nietzsche)

Umas das coisas que eu concordo com o filósofo grego Sócrates, que viveu a uns dois mil e quatrocentos anos atrás, é que as pessoas não são boas porque são em sua essência,  demonstram uma virtude elevada, mas que são boas porque querem algo em troca. Claro que existem as pessoas que são sinceras e fazem as coisas com o intuito do bem maior, mas a grande maioria não fazem pelo bem maior e sempre visa alguma coisa em troca. O que acontece dentro do segmento das pessoas deficientes é a mesma coisa, fotos “bonitinhas”, trajes típicos do lugar aonde mora, mas no fundo só é um bando de “bunda mole” querendo ser uma coisa que não são e ainda pior, apoiam órgãos que também não fazem nada para efetivar uma real inclusão social.

Qual o papel dos conselhos que deveriam cuidar e zelar pelos direitos das pessoas deficientes? Qual o papel dos movimentos dentro da luta efetiva dentro de um segmento de plástico? Digo segmento das pessoas deficientes é de “plástico” porque não emite verdade e não condiz com a realidade aonde vivemos, só uma realidade aparente e falsa, como se quiséssemos não olhar o que esta evidente e isso é muito claro. Por que está claro? As pessoas emitem opiniões completamente como elas ouvem e não param para pensar, para fazerem uma simples reflexão. Por que devo ouvir musicas que todo mundo gosta, se esse “todo mundo” não aceita a nossa condição? Por que tenho que assistir aquilo que todo mundo assiste, só por que quero uma “migalha” de aceitação que nunca terão? Aliás, o que temos para comemorar numa lei que não emprega e a 24 anos, tentam “estuprar” nossas inteligencia, querendo convencer que emprega? Qual é o intuito da Secretaria do Estado dos (Direitos?) das pessoas com deficiência de São Paulo? Acredito que se temos um cérebro – muitos adormece ele por causa de “analgésicos” culturais e dependência de drogas ideológicas – para usar e questionar as coisas que já são poucas e não são eficazes, porque não somos nós mesmos que planejamos, não são nós mesmos que dirigimos, não são nós mesmos que idealizamos. Sentiu o problema que emperra a inclusão?

Talvez não percebemos que ao fundarmos milhares de movimentos para defesa dessa inclusão, que não foi ruim, nós mesmos construímos nossa própria rede que nos aprisionou em uma ideologia engessada em milhares de núcleos e nenhuma centralidade. Porque tudo que o Estado (o poder estatal do governo) paga e financia, não é para garantir nenhum direito e sim, confundir as mentes ignorantes e dispersar a luta inclusiva. Ou você pensam que os conselhos e secretarias são para realmente, defender uma centralidade dentro da luta da inclusão social? Se fosse assim, as bases desses conselhos e essas secretarias, eram fortes e teriam muito mais autonomia politica que não temos. Ainda temos uma neutralidade porque as pessoas deficientes ainda acreditam que não podem fazer esse tipo de politica, mas como seres humanos que somos, somos por natureza, um animal politico. Mas também somos animais que percebemos além da realidade que vivemos – foi isso que resolvemos questões e resolvemos algumas dificuldades com instrumentos tecnológicos – e vamos a cerne do problema para, de repente, entender o que acontece e chegamos a conclusão que temos uma inclusão de plástico, sintético, artificial que precisamos nos firmar com fotos e palavras de ordem. Mas pessoas que são escravas de uma cultura ignorante, musicalmente pobre, que não abre um livro nem para tirar o pó, vai falar palavras de ordem da onde? Tirar de onde não tem?

Dês de 1992 estou dentro dos movimentos em prol das pessoas deficientes – sim, dês dos meus 16 anos – dentro desses movimentos aprendi que não sabemos articular, não sabemos ter malicia politica, não sabemos onde começar. Então, num movimento que se diz fraterno, tive a maior das visões sobre os movimentos e ONGs que acreditaram e ainda acreditam nesses conselhos, são apenas massa de manobra. É isso mesmo amiguinho, você é apenas uma massa de manobra do Estado que coloca na tua cabeça que precisa de você para resoluções que vai tomar, mas muito antes, eles já pensaram nas resoluções. O Estado amiguinhos, disse para nós que há uma lei dentro da juridição que “obriga” as empresas a contratarem deficientes, mas ao mesmo tempo, deu ao empresario uma brecha na lei não especificando qual deficiência deveria contratar e advinha qual que ele vai contratar. Você acha que as empresas vão gastar rios de dinheiro adaptando banheiros, adequando salas em estudos ergométricos, abrindo espaços em salas e corredores só para contratar cadeirantes? Imagine o gasto exorbitante e muito mais caro do que a própria multa, mas o Estado nos faz crer que temos uma proteção diante da garantia de uma empregabilidade que não temos. Não temos uma reabilitação de verdade publica, porque sempre vamos ter nos conselhos e nos congressos nacionais da vida, pessoas defendendo as entidades e instituições que ainda carregam uma imagem arcaica que não faz jus a real visão da inclusão de pessoas deficientes mundial. E outra coisa, se existem conselhos, por que o próprio Estado escolhe as gerencias de serviços essenciais a nós, se em teoria, os conselhos deveriam escolher? Se existe conselhos por que serviços essenciais para nós, não são regularizados por nós mesmos?

Quem é próximo a mim sabe da minha tendencia anarquista que me torna, não uma pessoa de querer o caos como pensam que a anarquia seja, me faz sempre raciocinar aquilo que se deve haver. O poder do Estado enquanto manipulador por 5 mil anos aproximadamente – alguns dizem 10 mil – tornaram o ser humano escravo de suas resoluções mais factuais (aquilo que ocorre) sempre a favor do que eles determinam. Ou pensam que eles iriam instituir conselhos e secretarias pela bondade de seus corações? O homem por natureza sempre vai atrás do poder, a sua vaidade sempre encontra na gloria de seu próprio nome, motivos de sobre para alienar e dominar os mais fracos para melhor atender ao seus asseios dentro do seu sustento. Quem acredita que o Estado iria dar ao trabalho de fazer um Conselho que aceitaria tudo que esse conselho determinar? Isso se dá porque as pessoas daqui, principalmente aqueles que acreditam em uma esquerda de ação e não de teoria, não estudam as leis, não estudam as varias filosofias politicas e sociais e ainda mais as pessoas deficientes que nada querem. Isso mesmo, nada querem. Querem que os outros lutem por si mesmo, lutem pelo dever que devem ter, lutem pela incapacidade mental que muitos tem de não se unirem por causa de ideologias e religiões que nada ajudam a inclusão social. Então, como ajudar aqueles que se acomodaram suas bundas na poltrona e ficam chorando?

Amauri Nolasco Sanches Júnior, 39, publicitário, técnico de informática e filósofo.

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