Publicado por: Amauri Nolasco Sanches Junior e Marley Cristina Felix Rodrigues | 14 de julho de 2015

Cadeirantes sendo xingados, nova moda do povo “Joselito” sem noção.


Quem assistiu a MTV lá em 2005 por ai, deve ter assistido o programa Hermes e Renato – aliás, a pouco tempo o ator que interpretava Hermes e Renato se suicidou – que existia um personagem que se chamava Joselito. Era um tipico cara que não tinha nenhuma noção das brincadeiras, era um sujeito tipico classe media alta que não tem noção que o mundo não é dele. Muito provavelmente, é o tipico do sujeito que nunca levou um “não” da mãe e sempre brincava com os “amiguinhos” com luva e mascara para não ser contaminado pelas doenças e lógico, o mertiolate parou de arder graças a essas mães que ficavam com dó do choro do machucado. Eu passo álcool com barbatimão, porque não sinto meu machucado arder e se não arde, para mim que fui criando dentro do tempo que o mertiolate ardia, não sara e se não sara não posso fazer o que gosto.

Acontece que no ultimo dia 11 de julho, eu e minha noiva mais umas das nossas sobrinhas, resolvemos ir comemorar no Shopping como todo casal que se presa, porque ainda penso que somos humanos e temos o total direito de fazer isso. Ora, umas das coisas que minha mãe me ensinou – fui educado por uma mãe que eu não pedia benção, não chamava de senhora, mas que até a morte dela nós respeitamos muito ela – que não devemos fazer com os outros o que não gostaríamos que fizessem conosco e isso no meu modo de pensar, é quase ou é mesmo, um imperativo categórico que eu levo da educação que tive. Mas parece que existem mães que só porque o filho nasceu homem, podem xingar, podem desprezar, podem agredir, podem até estuprar e se aproveitar das meninas por ai, afinal, quem mandou ficar no caminho do “príncipe da mamãe”. Mas agora os “príncipes da mamãe”, que tem tudo a ver com o Joselito, ficam xingando as pessoas deficientes cadeirantes com um sonoro “ai credo”. Esse “ai credo” veio de um cara com as pernas abertas – deveria estar com assaduras – como se fosse o cara mais perfeito do mundo, mas não era, era um cara que andava de pernas abertas. Imagina um cara feio com a perna aberta? Pernas abertas demostram calos nos testículos, ou irritação do mesmo por não enxugar direito, ou até mesmo, os caras de perna aberta, devem ter defecado e não podem fechar as pernas para não grudar nos testículos. Mas a questão é, não era um cara perfeito, era um cara que andava de pernas abertas e isso não é normal e muito pouco, bonito. Mas o que fazer se estamos numa sociedade que tem como o homem “vaqueiro” como simbolo do “sexy man” brasileiro? Sem moral nenhuma essa gente, as vezes tenho vergonha alheias em algumas atitudes desse povo.

Antigamente, a muitos seculos atrás, eramos mortos pelos gregos ou abandonado pelos romanos, porque eramos um “estorvo” para a sociedade (ainda somos, mas existem formas veladas de demonstrar isso), e não poderíamos viver em seu núcleo. Eramos maldição dos deuses e não poderíamos dar nada em troca ao Estado, não poderíamos dar nada a ninguém, porque as famílias que tivessem esse tipo de criança, era mal vista porque esse sempre foi o discurso do poder, a normalidade deveria ser preservada. Na Asia, no lado Oriental, não era diferente e era muito pior, porque existiam povos que enterravam vivos os seus deficientes – até hoje fazem isso mesmo com a inútil da ONU – porque sempre eramos vistos como uma maldição dos deuses e esses deuses eram emplacáveis com quem desobedeciam seus desígnios (até mesmo desaparecer com os deficientes). Mas tínhamos também um mistério que ninguém achava ou acha explicação, porque não temos voz (mesmo que insistam que temos), não temos espaço dentro da sociedade, não temos uma real importância dentro de tudo que relativamente, fossemos seres da mesma especie. Mas tínhamos o silencio e esse silencio era mortal – como se fossemos um mistério e esse mistério sempre assustou a humanidade porque alguns de nós, ficava em silencio por desprezo mesmo ou porque não interessava para ninguém – porque todo mistério assusta aqueles que não tem um esclarecimento sobre o fato, não tem um esclarecimento sobre como o mundo e toda a natureza das coisas, funcionam. O universo se criou a partir de uma força e essa força nunca modificou ou desapareceu. Somos parte dela e tudo que somos formados emanou dela, então, a perfeição que temos como regra, nem sempre é regra para essa força. Por que deuses deveriam se importar com reles humanos que evoluíram a partir de um ancestral comum do primata? Por que seres em processo de evolução – mesmo que tenhamos atingido o ápice da evolução biológica estamos num processo de evolução moral e social – já estão em perfeição se existe tantas coisas para melhorarmos moralmente? Moralmente que digo, não é o que a “turminha” diz moralismo, porque o moralismo é sim hipócrita, moralmente, é o que se faz dentro de uma sociedade sem respeitar o outro. Aliás, um exemplo dessa evolução moral é assumir de uma vez por todas que quase todas as pessoas com paralisia cerebral – há um erro em pensar que paralisia cerebral seja sinônimo de cérebro paralisado, pois não existe cérebro paralisado e sim lesões na parte da racionalidade do indivíduo. Mas nem sempre isso acontece e as pessoas se expressam muito bem, como eu, minha noiva e muitos amigos que podem não falar perfeitamente, mas pensam como todo mundo – são acometidos disso por erro medico e porque não tem pediatras especializados dentro da sala de parto e dentro do pré-natal. Então, veio o cristianismo – mesmo lendo que Jesus curou os paralisados e os cegos – achou em uma parte de Aristóteles e Platão, meios para dizer que as pessoas deficientes não eram perfeitas porque não tinham almas, porque se não se tem a essência divina da perfeição, a única explicação teológica para isso era que somos animais, não temos o “sopro divino”.

Talvez, o que motiva as pessoas a nos xingarem é o mesmo motivo que eramos jogados em abismos pelos espartanos ou eramos largados a própria sorte pelos romanos e pelo mesmo motivo, que o cristianismo vai nos classificar, como animais sem o “sopro divino”. De repente saímos de casa e um novo mundo se descobre, um mundo que quando estávamos em instituições trancafiados eramos seres que precisavam de misericórdia divina, mas quando saímos, somos “monstros” que não são humanos. Da onde acham, que saem lendas de monstros na antiguidade ou em cidades do interior do mundo inteiro? Aqui mesmo temos a lenda do Saci Pererê (um garoto negro que aparece em uma perna só e assobio estridente como se quisesse se vingar) o Curupira (um garoto com os pés ao contrario), que mostra como somos seres ainda mistificados pelo senso comum, como um mistério a ser desvendado. Antigamente pessoas cegas eram sacerdotes dos oráculos – porque se achavam que a visão ocultava a verdadeira realidade – em alguns casos, pessoas deficientes físicas, eram druidas (sacerdotes celtas) por ter um mistério, por serem caladas e por causa da sua aparência, amedrontava os aldeões impondo respeito. O medo foi sempre uma artimanha favorita do Estado para controlar o que ele criou como senso de normalidade – aquilo que acham que podem controlar – que se criou para estabelecer o que era bom e o que é agradável de se ver. Repararam como as ordens religiosas fazem?

As pessoas criaram um senso ideológico onde a luta das pessoas deficientes são privilégios, são coisas de pessoas de esquerda e que se ganhamos certos direitos, ganhamos privilégios e estamos “esquerdando”. Eu não errei no termo, na verdade o termo usado hoje é que você está “esquerdando” como se não fossemos cidadão e não fossemos algo muito além de esquerda ou direita, de religioso ou ateu, de conservador ou subversivo. A diversidade que construímos ao longo de muitos seculos, estamos perdendo por ideologias idiotas, “palhaços” que fazem você aplaudir, mas não tem graça nenhuma. Eu asseguro meu direito de ir e vir, eu asseguro meu direito de ser preferencial na fila, eu asseguro meu direito a transporte e eu asseguro o meu direito de defesa, pois eu não estou “esquerdando” porque peço educação para esse povo ignorante, mas assegurando algo que está na Constituição. O resto é resto, pois o verdadeiro ser humano pensa e respeita.

Amauri Nolasco Sanches Júnior, 39, publicitário, técnico de informática e filósofo

Para Matar a Saudade

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