Publicado por: Amauri Nolasco Sanches Junior e Marley Cristina Felix Rodrigues | 9 de julho de 2015

Lei de Inclusão – Bem vindo ao mundo de Matrix.

Quem não assistiu o filme Matrix? Um mundo virtual que faz o ser humano sonhar para as maquinas, em capsulas, usarem a energia do ser humano para alimentar essas mesmas maquinas. Esse enorme aparelho se chama Matrix que quer dizer matriz, onde tudo começa e onde tudo acaba, então, nada melhor do que fazer essa analogia com o Estado. O que é o Estado? O Estado é todo um aparelhamento para regular cada setor da sociedade conforme os interesses econômicos, sociais, políticos e religiosos – muitas das religiões materialistas são do comando do Estado – são meios para se fazer regular aquilo que vários sistemas da economia e de giro capital, desejam. Não é muito difícil perceber que sempre sai uma matéria que isso faz mais ou aquilo faz bem, que aquele carro é top e o outro não presta nem para ser puxado por burros. É o Estado dizendo para o cidadão aonde se deve ir, o que se deve comprar e até o que se deve usar no seu dia a dia, para regular o meio econômico e a mídia também faz parte disso.

Umas das teses que defendo (existem milhares), que o meio econômico não concorda com a Lei de Cotas para deficientes nas empresas e essa imagem de “exemplo de superação” só é uma artimanha politica, para espalhar essa imagem que o deficiente não pode trabalhar. Muito raramente, as pessoas deficientes tem uma carreira e podem seguir aquilo que estudaram, porque ainda existem a imagem do deficiente como um “exemplo” daquilo que o fulano não é e não é bem assim. Também não é a toa que filmes como “Cordas” faz tanto sucesso na nossa cultura latina, somos dramáticos em demasia, somos uma cultura que trata algo cotidiano e único, como algo “espetacular” e fora do normal e dá até a sensação de não pertencer a humanidade, temos. Estamos num meio onde o Estado cria um mundo para tirar de nós o seu sustento, existem instituições muito mais poderosas que ditam as regras e essas regras devem ser obedecidas. As empresas não querem obedecer a lei de cotas, como não querem fazer um centro de reabilitação publico, como não querem ter uma educação inclusiva, porque existem grandes entidades que não deixam isso acontecer. Mas não é só isso, como não há um plano de tirar os impostos dos aparelhos (como cadeira de rodas, próteses, etc), por causa da necessidade da pessoas, se você não comprar uma cadeira de rodas, por exemplo, vai andar sempre no chão. Só para explicar que nada tem da alienação marxista, pois Marx foi simplista demais para achar que essa alienação era feita pelos próprios industriais, existem instituições muito além e que existem muito antes até, do capitalismo burgues.

Então, sempre vão “reprogramar o sistema” para você se sentir seguro, para sempre você se sentir amparado pelo governo que desce uma luz divina e eles são iluminados. Até gostaria que isso acontecesse, mas a verdade é que essa “aparente” iluminação nada mais é do que um cinismo politico para você ficar nessa ilusão e não perceber que todo o Estado está te enganando. Por exemplo, crimes entre menores infratores vão continuar acontecendo sem ou com esses menores na prisão ou em algum abrigo, como deficientes não vão ser contratados por causa de uma multa ilusória que não é nada para grandes empresas ou bancos. As leis só são ilusões para nos sentimos amparados, como disse, dentro do que o povo gosta de ouvi ou de enxergar. São determinações que não fazem muito sentido se você analisa de uma forma lógica – como se as pessoas deficientes não tivessem que primeiro estudar e ter saúde – como se antes de trabalhar não podemos estudar e antes de estudar a ter uma reabilitação digna. Aliás, na verdade, muito antes disso tudo ainda tem as vias acessíveis, que sem elas não poderemos chegar a nenhum destino, tem o transporte acessível e que ainda está muito em falta. Para quem, por exemplo, vamos ligar se o táxis acessível não vier nos pegar? Quem nós vamos chamar na hora (no momento do ocorrido), quando um ônibus não funcionar o elevador, ou que a van do ATENDE tiver vazando óleo, ou até mesmo, o banco não quiser abrir a porta acessível e a empresa não contratar por que o cara é cadeirante? Ora, isso é um exercício lógico e é o único caminho para se chegar até a Lei de Inclusão, ou se um táxis – que aconteceu milhares de vezes não só comigo, mas com milhares de pessoas – não vier pegar ou a van do ATENDE tiver vazando óleo poderemos ligar para a deputada Mara Gabrilli ou o senador Romário Farias? Além de ter crianças deficientes sendo discriminadas dentro das escolas, não temos centros de reabilitação e não temos postos de saúde que nos trate com médicos e nem fisioterapeutas especializados.

Temos que sempre, antes de chorar ou antes de comemorar, enxergar sempre o que vem atrás de uma lei ou um decreto, porque poderemos sempre sermos idiotas uteis e sempre o Estado vai nos dar a “pilula vermelha” para ficarmos na ilusão. Mas o por que disso se a sociedade sempre nos colocou de lado e sempre nos prometeram nos incluir dentro dessa mesma sociedade? Por que agora decretaram um estatuto com um nome “pomposo”, para fazer o que em 30 anos de democracia não se conseguiu? Isso, como aprendi nesses anos dentro da militância dentro do segmento, está muito além de ideologias, de ser esquerda ou direita, ou de achar que partido tal defende muito mais os deficientes do que outros. Nenhum governo que se presa defenderá direitos do cidadãos muito mais do que direitos das instituições financeiras e comerciais, isso é fato, o que podemos fazer e tentar no máximo boicotar e não aceitar essa imposição de escutar o que eles querem, usar o que eles querem, assistir o que eles querem e fazer todo esse jogo que a industria cultural sempre fez, explorar o lado emocional da sociedade. Sempre o povo quer um “herói”, porque nunca sabem tomar suas próprias decisões, nunca sabem tomar suas próprias iniciativas. Então, o que fazer se o próprio deficiente se aliena?

Não adianta nos colocarmos como exemplo de alguma coisa que não somos e ainda ter cadeirante que acredita que é, temos que ter obrigatoriamente, uma visão critica daquilo que nos impõem senão somos mais uma vez enganados. Pior de tudo, somos “estuprados” dentro da nossa inteligencia – alguns que pensam ser jogadores de alguma coisa ou sei lá o que, pode ser que não pareçam com seu conceito de “macho alfa”, mas eu sei que dentro daquele cranio existe um cérebro adormecido – e as pessoas ainda tem o conceito que tudo é um beneficio civil, mas não é mesmo. O Estado sempre vai te iludi porque suas escolas sempre vão te ensinar a não ler, a não entender o que está lendo e vai te convencer que aquilo ainda que alguém descobriu sobre seus planos, é mentira. As religiões materialistas vão dizer que o “pai da mentira” é Satanás, mas se repararmos bem, tudo que o diabo é e faz é o que o Estado acha errado. Aliás, quem assistiu o filme Matrix, vai identificar fácil que existem agentes Smiths para regular o funcionamento do programa e não deixar que ordem seja alterada.

O que nosso povo ainda não entendeu é que leis não se fazem com moralidade, leis devem ser construídas com a ética. A ética vem do grego “ethos” que era a regra mais essencial do cidadãos (politikon) seguir dentro das resoluções dos problemas da polis, não a toa, Aristóteles que viveu a dois mil e quinhentos anos, disse “zoon politikon”, que seria, todo ser humano livre era um animal politico, um animal que por natureza eramos cidadãos e deveríamos exercer nosso direito de opinar e até dar resoluções para a polis. Nós, pessoas deficientes que por seculos somos escondidos ou mortos, hoje podemos exercer essa cidadania graças a varias descobertas cientificas e graças a alguns tratamentos que temos – ainda que poucos – mas que dá alguma expectativa mais longínqua. Por que não devemos também ter ética e por que não devemos ter deveres também além dos direitos? Por que não assumimos o dever em também mostrar o que está errado além de bater palmas para uma lei que não muda nada? Desculpe os otimistas, mas uma lei que não criminaliza não é uma lei, uma lei que faz com que uma multa ilusória seja aplicada ao invés de punições mais severas, não é uma lei. Assim, como disse, não se faz leis com códigos morais e sim códigos éticos e dentro dessa ética – ricos, pobres, empregados ou empregadores – são cidadãos que devem obedecer as regras senão nunca haverá uma harmonia democrática. Se isso é certo ou errado, nesse exato momento, não tem outro jeito de dar aos deficientes oportunidade de trabalhar.

Mas o esporte é muito mais importante do que o trabalho dos deficientes, a praia acessível é muito mais importante do que uma escola acessível, colocar embarques de avião é muito mais importante do que transporte urbano. A maioria não é esportista, a maioria não pode ir para praia e a maioria não tem como nem ir a esquina, muito menos, ter grana para andar de avião. Sem saúde e uma reabilitação de verdade, não conseguimos estudar e nem trabalhar e sem trabalho, não vamos a praia ou andamos de avião, simples assim. Ou não é assim? Ou estou errado em querer as coisas ordenadas e logicamente, no seu lugar? Não sei, posso estar errado, mas é assim que se procede.

Bem vindo ao mundo de Matrix!

Amauri Nolasco Sanches Júnior 39, publicitário, técnico de informática e filósofo.

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