Publicado por: Amauri Nolasco Sanches Junior e Marley Cristina Felix Rodrigues | 5 de julho de 2015

Resistência Def – prefeito que não gosta de deficiente.

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Resistência Def só com o Hulk cadeirante

Vimos nesses últimos tempos varias manifestações sobre direitos e nenhuma sobre nossos direitos. Talvez se pense que com a Lei da Inclusão (nome patético) se resolva alguma coisa, mas não vai resolver coisa nenhuma e você não vai ficar feliz quando essa lei começar a vigorar. Mas pouco me importa essa lei e pouco me importa o que os políticos tentam fazer por nós – sempre sai “merda” – e não se consegue coisas simples e que vai ser de grande valia. Mas quem do governo esta afim de fazer algumas facilidades para os deficientes? Quem do governo quer achar meios necessários que nos coloquem no patamar dos cidadãos de um Estado? Lógico, que o Estado faz esse discurso de que todos tem liberdade e igualdade, porque não quer que percebemos que não existe liberdade e igualdade e ingenuamente, discursamos sobre liberdade e igualdade. Pelo menos, como pessoas individuais e autônomas, não temos nenhuma liberdade e igualdade e só temos o discurso. Sim. Toda nossa vida é construída conforme o discurso que o Estado constrói dependendo da onde quer chegar e isso é evidente nessas eras longínquas dentro da historia humana.

As pessoas deficientes não são diferentes de todo mundo, pois gostam da mesma cultura que aliena – dentro de uma ótica social, as pessoas deficientes são envolvidas dentro dessa cultura por serem transformadas em eternas crianças e que terão que se envolver dentro de uma atividade que não desperte vontades – então, por sermos vistos por uma visão que não podemos raciocinar, não se escolhe musica e nem qualquer coisa cultural que queiramos. Mas temos vontades e além dessa vontade, temos sentimentos, temos percepção, temos inteligencia, temos a possibilidade de aprender. Não somos de outra especie “homo”, somos da especie “homo sapiens” e merecemos ser olhados como tal, senão vamos achar, que não estão muito longe do que foram os nazistas que matavam os deficientes por um motivo cínico, que era a imagem que somos “sofredores eternos”. Claro que é um argumento safado e como disse, cínico, que a seculos tem levado a nós como pessoas que não podem viver dentro da sociedade e está longe de ter uma solução. Porque dentro do discurso do Estado (o poder vigente) sempre haverá um discurso de quem acha que não produzimos, porque temos uma limitação e não podemos dar capital. Não pensem que os governos socialistas são diferentes, somos jogados em instituições iguais a do Teleton.

Aqui em São Paulo como em muitas capitais desse Brasil afora há uma prefeitura que não respeita os direitos das pessoas deficientes, pois se gasta milhões em “viradas culturais”, “paradas gays”, “ciclovias” e etc e não se investe nem na ampliação e nem na manutenção do transporte acessível e nem em outras melhorias – como postos de saúde que funcionam muito precariamente e não atendem as pessoas deficientes – que dês de 2012, o prefeito Fernando Haddad (PT-SP), vem prometendo e não se cumprem. Não queremos poder andar e circular dentro das ciclofaixas, queremos calçadas acessíveis que tenham no mínimo de estrutura para circular cadeiras de rodas, pessoas cegas não caiam, que pessoas surdas tenham sinalização para não se ferirem ou morrerem, que a cidade seja para todos e não para alguns poucos que só usam aquilo que lhe interessa. Uma prefeitura não pode fica a merce de certos interesses e esses interesses sejam prioridade de instituições que nada tenham a ver com o povo – quanto mais instituições que nada agregam a população – e isso que intriga a maioria, porque um partido que se diz ser do trabalhador, ser escravo de instituições que não são do trabalhador e que explora esse mesmo trabalhador. Então o que fazer quando nosso dinheiro é gasto para outros fins a não ser aquele fim destinado? Cobrar que esse dinheiro seja destinado ao fim que ele teve votação e ao fim que ele tem que ser – sendo que existem leis que devem ser respeitadas e não podem ser dadas a rivélia – senão eu poderia fazer um oficio e querer uma verba para uma festa junina na rua da minha casa. Pode? Pode. Mas para que vou tirar um dinheiro que pode ser destinado para outra coisa mais prioritária? Com isso, o senhor prefeito sucateou serviços que são essenciais dentro da cidade de São Paulo e no mais, nomeou gerentes que não tem experiência e não podem ou não poderiam, exercer o cargo que eles exercem.

Nesse rolo todo em financiar gerencias estupidas, financiar festas que nada beneficiam a cidade, financiar reuniões que nada vão ajudar, estamos abandonados e não temos um monte de coisas não respeitadas dentro da cidade. Nós, pessoas deficientes, não temos acessos a uma calçada decente, não temos acesso a uma reabilitação de verdade e saúde que os médicos dos postos de saúde, não estão preparados para lhe dar com a deficiência – e não é só em São Paulo e sim no Brasil todo, muitos amigos morreram pelo descaso desses postos de saúde e essa gestão piorou por causa dos gerentes estúpidos – e muito menos temos transporte que foi sucateado nessa gestão Haddad. A anos estamos cobrando ônibus adequado para se adaptar, a anos estamos cobrando o aumento da frota do ATENDE que não se amplia e só inventam lorota para boi dormir para dificultar o andamento do serviço, entre outras coisas. Mas esse gestão bateu todos os recordes possíveis de inadequação do ocorrido onde a maioria dos ônibus adaptados são muitos velhos e que não tem segurança para rodar, lotações que não tem elevadores, e carros do ATENDE que estão até caindo as portas no meio da rua e só o secretario dos transporte, o senhor Jamil Tatoo, que não enxerga isso. Fora que táxis adaptados vão aonde querem, pegam quando e quem querem e a secretaria dos transporte não resolve nada, pelo menos nessa gestão. Então, numa forma lógica, como dar credito em uma gestão que não exige serviços adequados em nome de coisas que não beneficiam o povo em geral? Como dar credito em uma gestão que defendem tantos interesses, mas os nossos não defendem e ainda nos expõem a riscos magnânimos em nome de cargos de gerentes estúpidos? O problema é que gerentes dessa “estirpe” colocam pessoas deficientes sob risco de vida e por ser funcionário publico, acabam saindo impunes e nada podemos fazer, porque não podem ser mandados embora – pessoalmente sou a favor da terceirização – com sua estabilidade e assim, corremos risco de vida. Parece que o senhor Haddad negligenciou a historia do ATENDE e tirou toda a magnitude que esse transporte se impunha como um exemplo a ser seguido, transformando em um monte de “carroça” desmontando, sem segurança nenhuma e com condutores (motoristas) que muito dirigem, mas não tem o treinamento devido.

O serviço ATENDE começa em 1996 com a gestão do senhor Paulo Maluf (PP-SP) – claro que botou esse projeto para conseguir verba do estrangeiro, mas a ideia era da Luíza Erundina que não conseguiu decoro o suficiente – e em seu começo era um transporte complementar para as pessoas que não conseguiam realmente a pegar transporte publico. É um serviço especial com motoristas treinados e com vans devidamente aptas a rodagem. Com o passar do tempo e com discussões inúteis do Conselho Municipal das Pessoas com Deficiência, se criou com conceito que teria que ter uma abertura para abrigar muito mais pessoas. Até ai, tudo bem, mas a principio esse transporte era destinado a quem tivesse mobilidade reduzida ao ponto de não poder pegar um ônibus ou andar na calçadas, como é meu caso. Mas existiam aqueles que não usavam cadeira de rodas, usavam muletas, usavam próteses, andavam que exigiam também o transporte e também mães que não queriam pegar ônibus – na época era muito pouco que tinha plataforma (vulgo elevador) – e que tinham que levar seus filhos em tratamentos de reabilitação. Essa abertura veio na gestão Marta Suplicy (na época PT hoje PSB), que abriu para todos usarem e as filas terminarem, mas as filas são enormes até hoje. Na época a gerencia ficava a cargo do senhor José Carlos Biagioni, que levava a gerencia de forma a garantir igualdade e que nada acontece-se dentro das vans. Nessa época, nós sempre eramos atendidos e nossas reclamações eram respeitadas porque as coisas eram para andar direito, pois eramos e somos, pessoas limitadas para sairmos sozinho dentro de uma via publica e já sofríamos com o descaso e discriminação. Não tinha razão de acontecer isso dentro de uma van do ATENDE – acontecer acontecia, mas logo era devidamente solucionado – porque era um serviço que deveria ter respeito e dignidade dentro da legalidade e dentro do respeito. Tinha excessos dentro de entidades – que não eram pouco entre mães e motoristas – mas eram coibidos se alguém tivesse coragem de denunciar e mostrar que as coisas não deveriam ser assim. Em 2000 as vans, algumas pelo menos, foram destinadas nos finais de semana a levarem movimentos a reuniões, passeios e outras coisas mais e aproximadamente, em 2009 com a gerente de eventos Fabiana Cristina Isaho.

Como disse, o senhor Haddad não levou em conta a historia do serviço especial ATENDE e colocou um gerente – por motivos ocultos, mas sabemos que acontece – colocou um superintendente, que impõem as regras e a Secretaria das Pessoas com Deficiência e mobilidade reduzida e o Conselho Municipal das Pessoas com Deficiência tem que acatar. Teria que ser ao contrario, mas ao que parece, a politica é um submundo muito estranho e as vezes e muitas vezes, inverte-se as hierarquias e muitas das pessoas que não dizem “amém”, são perseguidas e acuadas sendo até mesmo, não atendidas em suas reclamações. Mas o que fazer se o Governo Militar deu ao funcionalismo publico estabilidade e eles podem mandar e desmandar e nada acontece com eles? Eis o paradoxo que nos deram por herança uma politica arcaica e só atende interesses muito além do que imaginamos e nesse meio, nós pessoas deficientes, temos que aguentar pessoas nos perseguindo e achando que o transporte ATENDE é deles e eles dão para os “amiguinhos” que dizem “amem” e assim funciona. E com essa mudança, podemos ter perdido milhares de ganhos que conquistamos durante muito tempo e que, dês do tempo que o senhor prefeito era o ministro da educação onde não quis manter as classes especiais fechadas, nós poderemos perder o serviço. Então em 2013 o senhor superintendente queria acabar com o eventual – serviço dentro do ATENDE que leva o usuário uma vez por mês em consultas medicas – porque se avaliava que não tinha van, sendo que a prefeitura a anos vem prometendo o ampliamento do serviço sem exito e que dificulta o serviço. Claro que fui contra, como fui contra varias outras coisas, mas dês dai muitas coisas mudaram e eu não consigo andar no serviço sem que motoristas comecem a frear de repente, vans em mal estado e em 2013 quando eu e minha noiva estávamos fazendo Pronatec – que paramos por causa dessas coisas todas – havia até troca de turno no meio do caminho, até como disse, vans que vazavam diesel.

Entendem o que estou dizendo em dizer “amém”? Como podemos votar em uma pessoa que coloca gerentes em um serviço de pessoas deficientes, que ficam perseguindo ideologicamente colocando essas pessoas em perigo? Como colocar em um governo que segue a cartilha das nomeações arbitrarias? Minha noiva, por exemplo, está doente e tem fortes dores na coluna porque esses motoristas ficam correndo, passando em buracos e freando de repente. Além que a anos nós venhamos relatando que como são vans furgão – as vans furgão são mais baratas – eles não trocam as molas para carros de passageiros. Fora que outras coisas, como assedio moral e outros assédios, existem varias sequelas psicológicas que o ATENDE vem causando a quase 3 anos sem parar. O ultimo caso foi dia 5 de abril onde o motorista passava no buraco rápido, corria muito, não parava de falar e ainda ria da minha cara. Além de chamar minha noiva e a sua irmã de “coelhas”, ainda quebrou a minha cadeira e dês de então, estou com a cadeira de rodas quebrada e andando com medo de cair. A minha noiva ficou com pneumonia, com dores das costas por causa da sua escoliose que agravou, a pressão oscila por causa do nervoso que passa toda vez que embarca em uma van e ainda, andam batendo nos veículos da porta da minha noiva. Como podemos usar um serviço desse porte? Como podemos usar um serviço que a Prefeitura não tem controle nenhum? Desse jeito o prefeito não poderá ser reeleito, porque as coisas vão ficar piores, ônibus poderão nos atingir e se um motorista do ATENDE não vai buscar e poderá alegar que o usuário não estava lá e ninguém vai fazer nada. Aliás, essa gestão os táxis fazem isso e não se fazem nada e nem a secretaria que deveria nos defender, não nos defende e ainda, joga para um conselho que não serve para nada.

Se isso for inclusão os senhores deveriam repensar as coisas, porque ou se muda a gerencia, ou mudamos o prefeito.

Amauri Nolasco Sanches Júnior, 39, publicitário, técnico de informática e filósofo.

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