Publicado por: Amauri Nolasco Sanches Junior e Marley Cristina Felix Rodrigues | 6 de junho de 2015

A menina do quarto.

“A fim de alcançar a perfeição espiritual, é preciso que antes de mais nada cuide da pureza de sua alma, Isso pode ser conseguido quando o coração busca a verdade, e luta por sua integridade, e depende do verdadeiro conhecimento” Confucio (Kung-fu-Tsé) e o fundo da figura é branco

Todas as vezes que vou fazer fisioterapia, vejo uma menina com uma deficiência severa dentro de um quarto da instituição. Na ultima sexta, pela distancia e pela maneira que eu fiquei esperando, olhando no seu rosto eu fico imaginando o que ela pensa ou que ela sente sem poder se expressar. Talvez sua deficiência severa tem muito mais além do que mero aprisionamento corporal que somos submetidos, tem a ver com coisas muito além do que pensamos entender e explicar. Existem perguntas muito profundas que sempre fiz, porque existem muitas coisas além do céu e a terra que vai além da nossa vã filosofia, como diria Shakespeare. Mas nós teimamos a responder essas mesmas perguntas. Eu só gosto de imaginar qual o motivo levou para uma pessoa nascer assim, num país de terceiro mundo e cheios de falhas que não deixam nem viver com dignidade. Lógico, que avançamos muito em desenvolvimentos tecnológicos para temos uma vida mais ou menos, confortável, mas não podemos ignorar os sentimentos de cada pessoa com deficiência.

Eu gosto muito de tecnologias e quanto mais nova melhor, mas não podemos esquecer das pessoas, do nosso lado voltados para o espiritual e pelo ser humano. Por que sera que uma pessoa nasce com esse tipo de deficiência? O que ela deve sentir durante sua vida? São questões que muitos colocam como questões que não fazem parte da ciência e por isso, devem ficar a cargo da fé das pessoas. Mas como disse um versículo bíblico, a fé remove montanhas e se ela remove montanhas, são questões importantes que as vezes, ou muitas vezes, podemos pensar. Porque dês de muitos seculos o ser humano colocou tais questões dentro da sua origem e talvez, não colocou esses questões num patamar muito mais desenvolvido para casos muito particulares como este. Por que muitos estão inertes espiritualmente? Por que muitos estão presos em algumas deficiências? Essas questões que as vezes, nos torna e nos tornaram, alvo de muitas teorias e mistérios que nos fizeram sermos mortos e até sermos feitos sacerdotes para as divindades.

Não podemos negar que temos um ar de mistério que já até estudaram nossa condição num campo mais metafisico, isso se deveu ao mistério de nascemos assim e não como qualquer pessoa. Talvez erramos nesse estudo quando colocamos neles crenças pessoas e não caminhos lógicos nessas ideias metafisicas que estão muito além do que possamos seguir em qualquer religião, pois a religião (por vem do latim “religare” que quer dizer religação) religa o ser humano até o que é a divindade, até a energia vital para o surgimento do universo que sem ela, não estaríamos aqui. Mas não é qualquer energia que passa por certa agitação molecular, mas uma energia que tem consciência e está ciente de todo o universo que criou a partir dessa sua consciência que é onisciente. Mas alguns vão perguntar: ora, mas se tudo que essa energia consciente faz é perfeito, então por que existem algumas pessoas que nascem assim, essa consciência não tem bondade? Em primeiro não podemos colocar a “bondade” na medida humana, pois nem sempre e muito raramente os seres humanos são “bons” por natureza. Porque as vezes o que esse ser passa pode ser algo bom para ele, pois nem sempre essa deficiência tem a ver com o sofrimento e sim, um progresso espiritual. Ai que está o problema, nem todas as pessoas enxergam dessa maneira porque exigem provas e exigem coisas muito mais materiais do que ver o obvio, o lógico. Por que seria que um espirito ficasse uma vida inteira aprisionado em um corpo sem expressão, sem poder entender ou sem poder andar? Por que temos quer ter provas muito mais profundas sobre tal pensamento?

Ora, um aprisionamento espiritual não seria também o termo certo – porque fica um ar de prisão e inercia espiritual – mas podemos chamar de progresso conceitual. Um progresso que tem a ver com os sentimentos, com o orgulho e tirar do espirito as outras maneiras de se comunicar para não despertar a ira ou algumas reminiscencias fortes que ficaram, mesmo se estas estarão em um subconsciente guardadas. São só observações e não crenças como muitas pessoas me dizem, porque as pessoas dizem que sou espirita por ter tais conclusões, mas não sou e mesmo o porque, o espiritismo brasileiro tem tudo, menos o estudo espirita genuíno. Essas visões são observações para fazer testes de tudo que li a respeito e não soou ao contrario, e sim, só confirmou. A evolução biológica tem a ver com a evolução espiritual, pois afinal, sem a evolução espiritual – como tudo no universo – não pode ser unilateral e sim, em áreas que ela pode acontecer. Sera que as extinções em massa não seriam provas desse progresso do universo? Sera que as guerras não são meios de repensarmos nossas atitudes diante a sociedade materialista que até contaminam as religiões com esse materialismo? Sera que o importante é o bem material e não o caráter de cada um? Esse que é o problema dessa sociedade hoje, as pessoas não sabem mais ver as coisas como progressos espirituais e não só progressos materiais, pois a verdadeira espiritualidade não visa só o corpo e sim, o todo.

Caráter tem a ver com ética e vai muito além da moral, porque a ética tem a ver com o coletivo. Não dá para tratar um progresso universal – que o universo progride com sua expansão e desenvolvimento com as informações que recebe – como mero acaso e formulas matemáticas sem se aprofundar mesmo nessas formulas e qual consciência formulou essa fórmula. Pois sem duvida que tudo contem uma fórmula matemática e todas as teorias físicas tem um “porque”, tem um viés progressista que a cada fórmula matemática, um numero ou uma operação é acrescentada. Isso que se chama de informação, assim o universo progride e evolui dentro de um cosmo onde pode ter fronteiras ou não pode ter. São regras básicas de um universo complexo que constrói o tempo e os movimentos graças a explosão que iniciou tudo e tudo se movimenta. Então, voltando ao caráter, tudo tem a ver com o caráter e que se liga a ética. A ética vai muito além do que o que nós devemos se portar ou não a sociedade, mas o que devemos colocar como base como agir com o outro sem feri sua dignidade e seu direito de ter uma vida. Talvez esses espíritos, ou até nós, não entendemos por vaidade e orgulho corrompendo os outros para fazerem o que bem quisermos ou nossas vontades. Como não ficar com a “consciência pesada” por ter feito guerras e muitas pessoas morreram por causa da nossa vaidade? Como não ficar pensativo, quando por orgulho maltratamos alguém por pura vaidade de sempre querer estar certo? Talvez, o espirito dessa menina e de muitos outros – eu me incluo nessa – tenha tanta culpa que para sair dessa culpa tenha que nascer assim, depender das pessoas, aprender a pedir e não exigir com guerras e destruições.

Talvez muitos de nós que estamos nesses corpos contem sabedorias e até quisermos dar a humanidade o direito de ter o conhecimento e com esse o esclarecimento, mas que não soubemos dosar nossa liberdade e nossos sentimentos e levamos a muito sofrimento. Não aguentamos ver que pessoas de alto estima tenha sofrido e até se mataram, muitos desses espíritos, podem escolher esse tipo de corpo para ficarem inertes ou escolhem para conseguirem desenvolver a capacidade do sentimento e conseguirem sentir através dos acontecimentos. Mas cada caso é um caso, há milhares de situações que podem por ventura, terem culminados em alguma deficiência ou Jesus não teria dito ao paralitico tivesse pecado se ele não fez nada naquela vida. Que pecado tem uma pessoa que nasce assim? Que pecado tem uma criança que naquele momento não fez nada? Usamos nosso lado lógico e refletimos a base certa para uma que pode ser pensada e posta em analise profunda, pois há crenças que muitas vezes porque as pessoas não questionam, colocam pensamentos e objetivos, que não visava o intuito original. Como aconteceu em muitas religiões que não respondem certos enigmas e só dão formulas prontas que nada ajudam ao progresso humano.

Mas o progresso humano é o progresso espiritual e ético – a moral depende muito da ética porque é desenvolvida a partir da sociedade que é desenvolvida essa mesma ética – porque o ser humano é a “imagem e semelhança” do que se chama Deus. Eu não ponho essa consciência nesse termo, porque esse termo já levou sofrimento, mortes e destruições pela ganancia humana e por outro lado, não sabemos o nome dessa consciência. Tanto é assim que ele diz a Moisés “sou o que sou” por causa da sua onisciência (na verdade sempre fiquei imaginando se não seria o espirito de algum anjo ou de Jesus mesmo guiando o povo hebreu), de sempre saber o que vai acontecer, segundo algumas teologias, mas no meu pensamento não há lei que possa saber que escolhas fizemos e sim, as possibilidades que podemos escolher. O livre arbítrio é uma delas. A consciência que construiu o universo não iria construir leis para quebrar essas leis por vaidade? Ele não precisa mostrar a sua “gloria”, porque ela já está contida na sua obra e caminha segundo a suas próprias leis e seu intuito, progressista e justa que faz do universo algo como uma grande escola e nada pode ser tão bonito quanto a isso. Nós não somos sofredores ou pecadores, somos pessoas no progresso espiritual no mesmo molde de que tudo que se encontra dentro do universo. Não somos isentos de não perfeição de corpo e nem de caráter, pois tem muito deficiente mal caráter e se aproveita da deficiência para ganhar dinheiro ou coisas – alguns até cargos políticos – como tem deficientes que não tem consciência do que está acontecendo ao seu redor.

Então, a menina do quarto vai continuar sua vida e talvez nem perceber que ao seu redor o mundo continua e a vida evolui.

Amauri Nolasco Sanches Júnior – publicitário, técnico de informática e estudante de filosofia

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