Publicado por: Amauri Nolasco Sanches Junior e Marley Cristina Felix Rodrigues | 2 de junho de 2015

Alice’s e seu país das maravilhas.

Alice no país das maravilhas

Quem nunca leu a obra de Lewis Corroll, “Alice no país das maravilhas”? Confesso que o livro não li, mas tive uma noção do que está escrito graças ao desenho dos estúdios Wall Disney. O que ocorre é que muitas pessoas acham que estão em algum pais das maravilhas e que a esquerda brasileira – com suas particularidades – se exautam como se o único governo dito de esquerda da sua historia, pelo menos o governo federal porque de outras instancias teve, resolveram questões dos chamados “marginalizados” e que está tudo bem. Não, não está tudo bem e quando o assunto é inclusão de pessoas com deficiência, ainda fica um pouco pior por causa da regressão que se teve na matéria da inclusão de pessoas deficientes e os chavões e termos que algumas instancias ainda debatem com nenhuma autoridade ou senso moral para isso. As secretarias que deveriam cuidar dos nossos direitos, não respeitam esses mesmos direitos.

Algumas coisas andam estranhas e alguns debates andam na contramão das reais necessidades que as pessoas deficientes tem a partir da coerência de alguns órgãos que deveriam lutar pelo nossos direitos, ficam com debates desnecessários e que pouco ajudam para o empobrecimento de um debate de temas realmente necessários. Podemos começar sobre o termo usado que vi em um post “facebookiano” que a Secretaria dos (Direitos?) das Pessoas com Deficiência do Estado de São Paulo que falava, que o termo certo é pessoas com deficiência e não pessoas com necessidades especiais ou pessoas portadoras com deficiência que eu particularmente, vejo como um ponto desnecessário no debate que não tem mais que debater coisas assim. Aliás, essa historia de portador de deficiência, quem começou foi o próprio Estado na sua incompetência estatal que sempre rodeia nessas burocráticas maneiras de nos chamar que realmente nada interessa. Eu sou chamado de deficiente e na minha vida inteira fui chamado assim e não tive maiores consequências psicológicas sobre isso, de repente até me trouxe mais compreensão no que se refere a deficiência. Não são termos o importante, são as atitudes que importa que trazem realmente, o respeito e dignidade das pessoas deficientes. O que adianta essas Secretarias postarem esse tipo de coisa e ao mesmo tempo, ficaram bloqueando pessoas com deficiência que só dão seu parecer nos assuntos postados? Quer tamanho retrocesso quando o Ministério Publico do Estado de São Paulo e a própria Secretaria do (Direitos?) das Pessoas com Deficiência do Estado de São Paulo, efetuarem um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) que dará um prazo de mais de 15 anos as adaptações e adequações de escolas? Quer violência maior que as pessoas com deficiência ficarem doentes e os postos de saúde não estarem preparados para cuidar dessas pessoas e o transporte publico além de não funcionar direito, ainda quebram nossos aparelhos, dão desculpas esfarrapadas, vão encaminhando inverdade e ainda, não sabem dirigir? Sofremos varias violências de abuso, varias violências de mal tratos, sofremos violências de mega campanhas que as tais instituições dizem que atendem e não atendem – além de fretarem todo o transporte publico para um evento particular – e as secretarias nada resolvem porque não tem poder nenhum de resolver, não tem poder nenhum de tomar decisões sobre a defesa e a não defesa das pessoas deficientes. São secretarias “bijuterias” que se parecem com joias de valor, mas não tem valor nenhum.

Esse tipo de debate é um debate pobre que vai ficando cada vez mais pobre na medida que reduz isso a só colocar termos “politicamente corretos” e os demais problemas ficam “debaixo do tapete”. De repente é isso mesmo, o mundo “encantado” que querem nos vender – aliás, eles sempre impõem certos tipos de debate que chego a dizer que eles literalmente, nos “estupram” com seus conceitos e termos apropriados – não existe ou se existe, não é o mundo verdadeira que as pessoas deficientes vivem a cada dia. Outro termo bastante usado que me causa arrepios e me assusta bastante é o termo “especial”, pois me causa sempre a impressão que somos além do que somos e que não temos defeitos, não somos seres humanos e sim, somos algo além do que somos, quase deuses. Eu fico assustado com esse tipo de debate e fico lembrando do SOMA do Admirável Mundo Novo huxleyniano ou o Grande Irmão do 1984 de Orwell, que padronizavam os seres humanos para associá-los e adestrá-los por causa das guerras e outras coisas, que eram identificadas como a grande causa dos males humanos. Os males humanos vão além do que termos falados, o preconceito vai muito além do que as pessoas falarem, tem a ver com atitudes e não termos. Não adianta usar o termo “especial” e na hora de dar ao filho ou ver alguém na rua com alguma deficiência, ser indiferente ou achar que aquilo que seu filho precisa seja “frescura”, ou não adianta as secretarias dizerem pessoas com deficiência e depois, ficam bloqueando as pessoas que não tem a mesma opinião de acordos bilaterais, sistemas que não abrangem uma inclusão necessária (como transporte que não gera conforto e só usa de violência para causar danos as pessoas deficiente e ainda uma saúde péssima que não abrange o que as pessoas deficientes precisam), não colocam temas necessários em conferencias e não retomam discussões que não tiveram resoluções verdadeiras e objetivas. O “politicamente correto” empobrece o debate porque acaba padronizando o ser humano na sua pura essência de ser humano, de errar, de ser ele mesmo sem ficar com essa conversa de gente mimada e que não sabe ouvir criticas. O mesmo podemos dizer com o termo “azul” para o autista que são ainda muito menos aceitos, do que a maioria dos deficientes e me dá uma impressão de que estão falando de Smurfs e não são Smurfs – mesmo que os smurfs sejam “bonitinhos” – são também humanos, são parte do plano de inclusão de deficientes na vida do dia a dia e ponto. Quando começa esse tipo de termo e esse tipo de debate eu tenho a impressão que mais uma vez, vão nos colocar no roll dos infantilizados e não vamos ser tratados com dignidade.

Quer um exemplo que isso ainda acontece dentro do Brasil que ainda somos tratados com um certo de endeusamento (sem ser dos devottes)? O compartilhamento do curta “Cordas”. Não vi nesse video nada que possamos achar que vai ajudar na inclusão, pois só há discriminação nesse video. Primeiro há uma discriminação dos próprios pais que internam o menino porque não querem ter trabalho, a instituição discrimina o menino jogando ele no canto porque acham que não aprende nada, a menina brinca com o menino na sua inocência de achar que um dia ele pode melhorar. Mas no final o menino morre e vira um “exemplo de superação” que faz com que a menina se torna professora. Por que o menino não pode viver? Porque não. Porque é imoral ter filhos com deficiência e não é só o senso comum acha isso, os catedráticos também acham isso, o próprio Richard Dawkins disse que seria imoral ter um filho com síndrome de down. Por que as próprias pessoas deficientes aceitam esse tipo de discurso e esse tipo de filme que deveria ser denunciado e rejeitado no nosso meio? Porque os deficientes aceitam o discurso do poder, eles se acham um bando de “nada”, aceitam o que as pessoas lhe impõem e ao mesmo tempo, lhe rejeita como se não somos nada. Acho que até a musica antiga “A menina da cadeira de rodas” deveria ser denunciada e multada.

Enquanto tiver esse tipo de discussão ainda – porque a uns dez anos teve esse tipo de discussão – não vamos avançar e nem eu vou em nenhuma conferencia. Porque não adianta nada, existir inúmeros debates e no entanto, não existir avanço e sempre repetir debates. Isso cansa e não tenho “síndrome de Alice”.

Amauri Nolasco Sanches Júnior – publicitário, técnico de informática e estudante de filosofia.

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