Publicado por: Amauri Nolasco Sanches Junior e Marley Cristina Felix Rodrigues | 26 de maio de 2015

Meu imperativo categórico.

Existe… só um imperativo categórico, que é este: Aja apenas segundo a máxima que você gostaria de ver transformada em lei universal.”
Immanuel Kant, A Metafísica da Moral (1797).

Immanuel Kant (1724-1804), escreveu que todo ser humano deve ter um imperativo categórico como norma social dentro de qualquer determinação dentro da sociedade. Então disse em um dos seus escritos: “Faça para o outros o que gostaria que fizessem a você”, ou seja, não vamos fazer ao outro o que não queremos que façam conosco e isso é uma regra básica, muito básica, dentro da moral humana. Temos que entender que imperativo é porque um dever moral e categórico, porque atinge a todos sem exceção. Por exemplo, não devo roubar nada que é do outro, porque não gostaria que roubassem o que é meu, seria um dever de todo ser humano respeitar o bem do outro adquirido pelo esforço do seu trabalho, não importando o que o outro fez, mas seu dever moral pede que sigamos dentro dessa linha. Um corrupto não segue esse imperativo categórico, porque ele tira de um bem de todos aquilo que a maioria precisa, como por exemplo, num hospital publico ou outro serviço social.

No afeto humano, além de termos a capacidade de ter ligações afetivas dentro do nosso convívio, porque somos seres sociais, temos construções éticas e morais, para administrar essa convivência. Um filho que mata os pais, por exemplo, pode ter perdido alguma base dentro da moral dos valores recebidos ou, uma deficiência cognitiva que não deixa enxergar esses valores. Mas mesmo assim, o ato em si mesmo, é uma quebra dentro do convívio afetivo e o convívio social, que o cidadão ético (vulgo “direito”), agi conforme o dever lhe chama. E Kant ao dizer que aquilo “se torna universal”, ele se refere aos exemplos que temos que dar com nossa conduta, pois não adianta dizer alguma coisa e depois, fazer outra. Como por exemplo, ser revoltado por causa das enchentes e jogar papel no meio da rua que causa as mesmas enchentes. A coerência entre o discurso e a pratica, deve acontecer na medida da educação (educare) e disciplina (scholé) que recebemos ao longo da nossa existência. Então, podemos ver que durante todo o processo de aprendizado e convivência, há um momento entre a razão e o que queremos e nem sempre o que queremos, pode ser o verdadeiro, porque podemos estar envolvidos em ilusões imensas.

Para Kant, a liberdade tinha a ver com nossas escolhas e o que escolhemos como nosso ponto moral. Dai chegamos ao que se refere a traição e a não traição, pois podemos amar sem se sentir presos e ao mesmo tempo, não trair um acordo que fizemos no começo do relacionamento. Quando há um acordo entre as partes de serem abertos – existem esse tipo de relacionamento – há um concedimento que as partes tenham relacionamentos extraconjugais, mas quando não há esse acordo, há uma quebra de confiança que uma das partes, causou. Dai temos que enveredar, para entender meu raciocínio, a ideia de amor de Espinosa que eu simpatizo e concordo junto com o meu imperativo categórico.

Para mim e para Espinosa, o amor não é procurar no outro o que te falta igual Platão disse na antiguidade – lembramos que a antiguidade a moral era outra e os pontos éticos se baseavam em outro sentido que cabem em outro texto – mas ver o outro como uma felicidade que não te completa, porque o amor que sente e toda a sua felicidade, já são completos por natureza. Então não tem o que te falta, não tem o que completar, porque esse amor em si já é completo. Então, por que temos que ter a pessoa ao nosso lado? Para dividir nossa felicidade e dividir tudo que se refere a vontade de agir, a vontade que nos fazem ir aonde queremos ir e aonde queremos chegar. É um meio de se alcançar algo supremo que as vezes, estamos atrás e não encontramos. Em muitas filosofias orientais – que ocidentais chamam de religião, mas há diferenças sutis que cabem em outro texto – só alcançamos o nosso lado espiritual, com nosso encontro entre o eu e o divino, atrás da energia sexual do encontro entre dois seres que se amam e se compactuam dentro do que chamam de egrégora (campo de energia criado dentro do aspecto de dois ou mais pensamentos que se combinam). Mas há outro aspecto do amor que ninguém percebe, o amor não sofre quando as coisas estão bem, porque o amor tem aspectos calmos e não tempestivos, isso é paixão. Paixão vem da mesma família gramatical que paciente, ou seja, paixão é sofrimento, amor não, se sofre, é porque não é amor.

Pronto. Depois de todas essas explicações finalmente vou explicar o meu imperativo categórico. Como Kant, penso que devemos sempre olhar o nosso dever sempre dentro da moral dos valores realmente, humanos e não nossos instintos reptilianos. Não podemos confundir vontade com o desejo, pois a vontade é aquilo que nossa consciência realmente sente para fazer a nós ir até onde o que queremos estar ou quem gostamos esteja. O desejo é só nosso instinto querendo aquilo para saciar nosso desejo e nada mais. Os animais tem instintos, como somos racionais, somos levados ao desejo. A vontade nos faz estar com aqueles que amamos e o amor não é só um desejo, precisa estar com vontade de alguém ao seu lado e isso em todas as esferas. Muitas pessoas insistem em querer me convencer, que todo amor há um desejo, mas o desejo só vem quando as consequências do amor acontece. O amor acontece puro, sem intenções, leve e sem amarras cognitivas. O desejo sexual só vem em consequência do amor, se não for assim, vira instinto apenas e um desejo que logo saciado, vira apenas lembrança. Mas quando vem dentro do amor, podemos dizer que tem outro viés e ainda não entendermos, assim, temos os códigos morais dentro do desejo. Quando entendermos isso, podemos olhar as outras pessoas, mas a nossa vontade de estar é aquela pessoa que escolhemos.

Como escolhemos as pessoas? Escolhemos quando algo nos encanta ou, algo serve como referencia daquilo que nos faz atrair. A vontade é a arte de atrair o outro, é misterioso, mas não é uma coisa banal. Então, se nós temos isso, se nós se sentimos atraídos pelo outro, assim, para nós somos lavados a se completar com o outro ao passar da convivência. A fidelidade não é uma prisão e sim, uma base ética de não querer fazer aquilo que não queremos que os outros façam conosco. Pois se trairmos, damos o aval que podemos ser traído, se podemos sair para beber com os amigos, a nossa companheira pode também. Tudo tem a ver com o caráter de cada pessoa, tudo tem a ver com valores e os meus valores é de que temos que fazer o que queremos e não o que querem nos impor, porque ser “machinho” é algo imposto, algo para aparecer como o poderoso e para mim não é. A fidelidade dentro de um relacionamento é um meio de respeitar a si mesmo e o outro, porque não podemos nos deixar ser manipulados por ilusões e outra, amigos passam, bebidas saem pela urina, mas nem sempre uma dor de uma traição passa tão fácil. Pense nisso.

Amauri Nolasco Sanches Júnior – publicitário, técnico de informática e estudante de filosofia. Em breve palestras sobre ética da inclusão.

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