Publicado por: Amauri Nolasco Sanches Junior e Marley Cristina Felix Rodrigues | 14 de maio de 2015

Como escapar do humanismo neurótico.

       neurose humanista

Há um ar de “ultra-humanismo” que chega as raias da neurose. São pessoas nostálgicas que não vê que o “show terminou” e os carrinhos de rolemã, os piões de madeira, os carrinhos de caixa de fósforos e tudo mais, não servem. Foi bom? Foi, mas agora terminou. O ser humano, pelo menos daqui, tem a frase quase como um mantra “no meu tempo”, como se o tempo fosse alguma propriedade do ser humano. E não, não tínhamos diálogos melhores antes do celular ou smarthphone, isso é desculpa de pessoas que querem uma humanidade mais atrasada. Quem em sua sã consciência vai preferir muito mais um “Aquaplay” ou um Atari, do que um jogo de um X-Box ou outro console? Quem não vai admitir que o celular e a facilidade de obter um telefone e uma linha, facilitou a comunicação entre as pessoas? Lembrando que isso é uma ferramenta, não pode ser culpada pela ação humana.

As pessoas não olham que graças essas tecnologias pessoas cegas podem ler um livro digitalizado, ou pessoas surdas podem ver TV com legendas, isso se chama progresso. Cadeira de rodas estão melhores – se a qualidade aqui no Brasil é baixa, temos o dever de reclamar – porque estão sendo feitas de alumínio ou fibra de carbono que as tonam muito mais leves e que podem arrumar as posturas. Claro que não é todos que podem adquirir – porque nos países subdesenvolvidos não há um investimento serio em adaptações nas escolas e não há acessibilidade nas estruturas urbanas, que não deixam a maioria dos deficientes estudarem ou terem um trabalho que as empresas não nos contratam – mas esse desenvolvimento foi muito importante para o desenvolvimento de outros fatores que ajudaram muitas pessoas, nem sempre o desenvolvimento cientifico ou o capitalismo econômico, contem exploração e manipulação. Acontece que temos que olhar com mais ceticismo a ideologias que querem o atraso, afinal, um povo ignorante é um povo melhor manipulável.

Talvez as pessoas aqui no Brasil sejam nostálgicas porque não querem dar o braço a torcer que os tempos mudaram, porque em nossa essência cultural, somos apegados aquilo que nos é confortável. O ser humano só muda quando algo o incomoda e isso tem que ser muito forte em nossas vidas, como um meio que nos impeça de chegar a um fim e esse fim pode ser importante ou não. Na maioria das vezes, esse fim é uma ilusão. Nos iludimos que antigamente era melhor, pois tínhamos que ligar em orelhões, hoje se liga com seu próprio celular, liga da própria linha da sua casa, se tem muito mais informações e as pessoas não são menos humanas por causa disso, isso tem outro fator, mas não o fato tecnológico. Você pode até dizer: “Ah Amauri! Mas você diz isso porque é formado em informática!”. Dai eu respondo com muita tranquilidade: mesmo eu sendo formado técnico de informática, não é uma coisa que tenho um amor imenso, mas reconheço os avanços que esse tipo de tecnologia trouxe para a humanidade.

Talvez o problema é que o povo aqui em sua maioria não está acostumado com a democracia ou não sabem ser libertos de modas ou clichês que leram em algum manual de boas maneiras de algumas revista “positiva”. Mas a vida é feita de escolhas e essas escolhas nem sempre são agradáveis, nem por isso, somos condenados ao inferno eterno. Quer um exemplo? Observamos um texto critico e um texto informativo de muitas palavras “bonitinhas”. É o mesmo assunto, são os mesmos argumentos, mas a imagem que fazem do escritor é uma imagem estereotipada pela razão que o ser humano padroniza para ter certeza, para ter uma referencia da realidade onde vive, mas na maioria das vezes, não é uma realidade e sim, uma fantasia. Nem mesmo a liberdade que tanto prezamos, não existe de fato, pelo mesmo motivo que a maioria não tolera aquilo que é diferente a nossas opiniões. Critica nem sempre é sinônimo de pessoas chatas, pessoas que não sabem dar o devido valor a vida, critica é raciocinalizar aquilo que nos jogam como sendo informação. Por isso resolvi escrever esse texto quando li “como se livra do smarthphone” porque o problema não é os smarthphones e sim, as pessoas e essa “ladainha” já existia com a televisão. E dai se quero ficar o dia inteiro no meu smarthphone lendo algum livro ou falando no whattsapp? E daí se quero ficar esperando algum transporte vendo o meu Facebook no meu smarthphone? Garanto que não vou encontrar ninguém que saiba o que se passa no processo de corrupção Lava Jato numa analise cultural, ou quem leu Aristóteles em sua analise sobre a ética e o que é “penso, logo existo” cartesiano. Nosso povo mal lê Machado de Assis no ensino médio, quem dirá Discurso do Método de Renê Descartes.

Por falar em coisa antiga, por que os nostálgicos não abrem o bau empoeirado de seus cérebros cheio de teias de aranha, e diz que ninguém aprende francês nas escolas ou as missas não são mais em latim? Por que as aulas de filosofia, ao invés de ser aquela cartilha ridícula que não ensina nada, não são sobre os livros dos grandes filósofos, lidos e comentados? Porque sempre lembramos aquilo que nos interessa, aquilo que Freud disse estar em nosso inconsciente, a saudade de uma infância que ficou retida nas lembranças e só. O mundo evolui, ou nós aprendemos isso, ou o Brasil vai ficar para trás sempre.

Amauri Nolasco Sanches Júnior – publicitário e estudante de filosofia

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Categorias

%d blogueiros gostam disto: