Publicado por: Amauri Nolasco Sanches Junior e Marley Cristina Felix Rodrigues | 18 de abril de 2015

Respeito e dignidade – estupraram mais uma.

Descrição: uma imagem de proibido e está amarrando um cadeirante caracterizando que os cadeirantes estão amarrados,

Por Amauri Nolasco Sanches Junior.

Ainda o pessoal que gosta de estar em algum lado que eu chamo de “guerra fria tardia”, ainda não entendeu que as vitimas sempre estão no lado de quem paga a conta e todos sabem que paga. Não adianta você ficar do lado do governo, porque você não vai deixar de pagar, não adianta ser contra e berrar aos quatro ventos, que você não vai tirar ninguém. Mas isso é uma regra democrática deve ser levada sim a cabo, mas o que se deve também é antes de tomar uma decisão que lado ficar, estudar e ler mais sobre o assunto e não ser um “idiota útil” de ambos os lados. Via de regra – isso está também acontecendo com a direita – o pessoal vai muito nas opiniões dos outros, vai muito nas ações dos outros, vai muito nas ideias dos outros e vai muito na grande mídia porque tem preguiça de pesquisar, tem preguiça de ler sobre aquilo e fica uma discussão pobre que não tem argumento. O “modo preguiçoso” está na nossa cultura a muito tempo e isso não é de agora, mas se agravou com a geração twitter e com a geração whattsapp, onde frases curtas e de fácil leitura, além, de musicas pobres de conteúdo. Talvez precisamos mais fortalecer nosso ensino médio a fazer mais interpretação de texto, porque muitas pessoas não sabem interpretar nada, como aconteceu com o Ed Motta e agora com o Jô Soares. Mas, não somos isentos dessa mesma ignorância, pois muito de nós, pessoas com deficiência, nem poder ir a escola e não tem uma educação de qualidade e que tenha dignidade.

No site da UOL, vi uma reportagem que na cidade de Cabo de Santo Agostinho, região metropolitana de Recife, um homem de 50 anos estuprou a enteada com paralisia cerebral severa, que não fala, não se comunica e se alimenta por sonda. Ainda tirava fotos com o celular fazendo com a vitima que não pode se defender e o mais grave, diz o próprio meliante, que foi por causa da bebida. O que mais me assusta é o jeito que essas noticias repercutem, porque não repercutem, fica no limbo porque não interessam e nunca vão interessar. Porque me assusta? Porque parece não comum, mas é realidade dentro dos movimentos de pessoas com deficiência, e sim, é mais comum do que a sociedade imagina e não é denunciado, por causa do medo. Mulheres com deficiência são assediadas, são estupradas, são bolinadas e não só as mulheres, as vezes, muitos homens o são por não poder se defender e sabemos disso dentro dos muitos movimentos de pessoas com deficiência. Temos noticia de casos de pessoas com deficiência que são acorrentadas por serem desse jeito, principalmente, em regiões que a ignorância é muito gritante e não tem informação que nós somos seres humanos como qualquer um. Isso é triste, mas uma realidade de fato, vivemos violências múltiplas e muito pior que muitos que se dizem “vitimas” da sociedade, porque é uma violência silenciosa.

O filósofo francês Foucault, dizia que nosso período que estamos vivemos é um período da “normalidade”, pois nas raízes sociais ficaram uma ideia errada do que é “normal” e o que não é “normal”. Mas o que é “normal” é uma crença do mesmo estilo de um “achismo” onde as pessoas se acham “conhecedoras” dessa “normalidade”, que muitas vezes, não é verdade e não pode ser um tabu, pois não é um tabu e não é “normal”. Pela lei e pela via da ordem em si, o Estado deveria de garantir a integridade física e mental de todos os cidadãos do país, nós pessoas com deficiência, somos cidadãos e a nossa integridade está sendo ameaçada também. Pior de tudo, muitas vezes essa violência vem das repartições jurídicas e repartições estatais que deveriam nos respeitas e não nos respeitam. Os principais fatos são no transporte e na acessibilidade que as pessoas nos agridem, nos humilham e nos chamam de mentirosos e mais, ficamos nos prejuízo e humilhados dentro da nossa integridade moral. Isso é fato. Porque não estamos exigindo nada mais do que não seja nosso direito de ir e vir, direito de não sermos agredidos, direito de não sermos violados no nosso direito de sermos seres humanos. Mas o que dizer de uma sociedade onde o senso comum tem milhares de opiniões preconceituosas e que nada sabem da realidade? O que esperar de uma sociedade que ajuda no Teleton e a mesmo tempo, xinga uma cadeirante porque a mesma exigiu seus direitos dentro de um ônibus? Vários depoimentos de video mostra que pessoas com deficiência foram agredidas verbalmente por motoristas ou pelos próprios populares que num ato de egoismo e de desrespeito, mandou a cadeirante ficar quieta ou mandou a outra cadeirante sair da frente do ônibus dizendo que tinha que trabalhar. Muito de nós não trabalham? Muitos de nós não pegamos o ônibus para ir em consultas medicas? Isso também é uma violência e não é diferente do estupro da mulher PC, somos alvejados por pessoas egoístas e canalhas que usam argumentos de “achismo” e preconceito conosco.

A sociedade que se dizem cristãs, amantes da moral (um moralismo hipócrita), que fazem as maiores atrocidades e não se iludam, as pessoas que acreditam nas ideias da esquerda (defensora das minorias), também o fazem. Então, isso é uma coisa cultural? Podemos afirmar que essas mesmas pessoas que defendem o Teleton e outras campanhas, nos xingam quando interessa? O problema é que muitos não percebem que não são diferentes do cara que foi o estuprador, só que estupraram nossa dignidade.

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Vídeo da moça humilhada no ônibus (aqui)

Vídeo da reportagem da mulher com paralisia cerebral estuprada (aqui)

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