Publicado por: Amauri Nolasco Sanches Junior e Marley Cristina Felix Rodrigues | 14 de abril de 2015

Prefeitura com deficiência

por Amauri Nolasco Sanches Junior.

Quando eu vejo alguém elogiar o prefeito da cidade de São Paulo, eu lembro daquela conversa que sempre olhamos o nosso lado, sempre achamos que o que acreditamos é o certo. Infelizmente o debate politico virou “palanque” de pessoas partidárias que não querem resolver os problemas da coletividade – que pelo que vi no protesto desse domingo, muitas pessoas ainda querem o terceiro turno e não a cassação dos responsáveis da corrupção – e sim, quer resolver algum problema da sua calçada, ou melhor, do seu problema. As pessoas com deficiência não estão isentos desse partidarismo – por motivos óbvios de um homem que nunca ajudou a educação inclusiva quando secretario de educação, ser eleito prefeito – que por vezes é mais latente quando se trata de uma crença enraizada da falsa promessa de melhoria. Aonde a cidade melhorou a inclusão? Aonde o transporte ficou mais acessível como nos promete o prefeito com as “mudanças”?

Para dizer que estou sendo partidário e não vejo as coisas que o governo do Estado também faz, o metro de São Paulo é muito ruim no caso de acessibilidade. Elevadores que não funcionam. Fiscais que não ajudam os cadeirantes a subirem nos trens e enfim, todo tipo de coisa acontece dentro do metro que não está isento de critica. Mas hoje, nesse momento, quero falar da degradação do ATENDE ao longo desses anos, já foi exemplo de transporte para outras cidades, já foi exemplo de transporte para outros países também. Mas confundiram direito com bagunça, porque no primeiro momento, o transporte de vans porta-a-porta era destinada a quem realmente não poderia tomar um ônibus, quem realmente não tinha mobilidade o bastante para sair a rua, quem realmente, não poderia sair. O problema, como disse acima, foi confundi direitos com o “eu quero também” e dai, o partido do atual prefeito adora um populismo, enfiou até quem não precisa desse tipo de transporte. Essa é a verdade. Quiseram trancar as pessoas com deficiência num transporte exclusivo para não ver a cara dessas pessoas, porque passageiros reclamam de ficar parados para pegar os cadeirantes e isso é verdade. Mas não é só cadeirante, pessoas autistas, pessoas com síndrome de down, pessoas com deficiência auditiva, visual que tem cão guia (que nos Estados Unidos, podem circular a vontade), entre outras modalidades, que as vezes, atrapalha quem realmente precisa do serviço. A demanda aumentou, aumenta a precisão do serviço, aumenta rapidez que esse serviço deve ter manutenção e tudo mais, fora que os motoristas devem ser treinados mais rapidamente. Ai que mora o perigo, aonde e como esses motoristas são treinados e como essas vans são montadas e postas a serviço da comunidade, pois o que nos dizem é que os motoristas passam por um treinamento da própria SPTrans e as vans são compradas “baus” (aquela fechada que é para carregar carga por ser mais barata), depois é transformada em vans que são aptas ao transporte de pessoas. Só que as molas não são trocadas para molas de transporte de pessoas e sim, continuam como molas de carregar carga. As vezes penso que carregam mesmo, mas vou chegar lá.

Lógico, que as prefeituras ao longo dos anos, como já disse, foram degradando o serviço e foram transformando o serviço num “curral eleitoral”. Não sei qual foi o intuito do atual prefeito, mas o que era ruim, ficou pior porque as novas regras e a nova gerencia deram ao serviço, uma cara de degradação e decadência. Os movimentos sociais em prol as pessoas com deficiência e as instituições, fizeram a parte do “eventos” algo peculiar, porque alguns até exigem as 160 vans só para seu próprio evento e não é só isso, o fim do ano, esse serviço passa a ser um inferno. Nosso movimento, Irmandade da Pessoa com Deficiência, usa apenas uma só van e essa uma só van é negada sempre quando acontece o Teleton do SBT e isso é a verdade absoluta. Só que não é só nessa gestão que isso acontece, aconteceu também na gestão passada e acontece sempre. Os motivos que levaram o atual prefeito a mudar a gerencia – segundo uma palestra que eu estava presente no Conselho Municipal das Pessoas com Deficiência – foi a mudança, mudar a cara da cidade para transformá-la em uma cidade mais jovial. Acontece que as coisas não são simples e o senhor prefeito deveria de saber disso, pois troca uma gerencia que realmente cuida do serviço e mais ou menos, nos proporciona uma melhor autuação dentro das demandas que devem ser atendidas, para uma gestão que pensa que as vans são deles, que o serviço só pode ser prestado para quem agradam eles e não pode ser assim. Afinal, o serviço é pago com nossos impostos, com os impostos de familiares das pessoas com deficiência, com os impostos que são gerados recursos para esse tipo de serviço. Se a demanda é grande, isso não é nossa culpa e nem nossa competência, porque isso é gerado graças a falta de estrutura arquitetônicas urbanas, falta de trabalho, falta de educação e treinamento dos motoristas de ônibus, falta de uma maior conscientização da sociedade e dos órgão que fazem esse trabalho.

Um exemplo claro disso é que estou com a cadeira de rodas quebrada – já estava quebrada e piorou com esse evento – e a minha noiva ficou de cama num evento no dia 5 de abril, Pascoa, porque o motorista passou muito rapidamente nos buracos, falava muito e reclamava além da conta. Se isso é um exemplar exemplo de treinamento, então, somos obrigados a admitir que o serviço ATENDE está se decaindo a cada momento e isso é um reflexo da banalização da inclusão de pessoas com deficiência. E não me façam rir dizendo que o motorista tem 6 anos de ATENDE e foi contratado na gestão anterior a está, pois pelo menos as reclamações que levei a cabo, todas foram resolvidas e respondidas, coisa que não acontece nessa gestão. Até mesmo tiraram o e-mail do gabinete do prefeito e jogaram as reclamações as secretarias que demoram 2 ou 3 meses para responder a essas mesmas reclamações. Como disse antes, o serviço anda decaindo a cada gestão e isso só vai parar quando acabarem com o serviço de vez e o dinheiro seja colocado em outro lugar. Mas a pergunta é: quem vai pagar meu prejuízo de acabar de quebrar a minha cadeira de rodas? Quem vai pagar os remédios da dor que a minha noiva está sentindo na cama? O trágico é que a gerencia passada teríamos uma resposta – se era mentira ou não eu não sei – mas pelo menos nos respondíamos e o prefeito fazia algo a respeito.

Aliás, não só no transporte o tema inclusão nessa gestão está sendo bastante ineficiente, na questão da saúde os postos estão muito a desejar com médicos que não sabem tratar a deficiência em si. Quando fazemos pedidos de cadeira de rodas ou outro aparelho, além da imensa burocracia que é conseguir uma cadeira de rodas, a maioria dos postos de saúde não sabem dessa lei ou fingem não saber. Pedidos de cadeira motorizada ficam mais difíceis com essa burocracia, porque a lei para o SUS liberar a compra de cadeira motorizadas já saiu, então, por que esses mesmos postos (comandados pela AMA) não sabem dessa mesma lei? Por que esses mesmos postos não tem medico para um atendimento de verdade e não um atendimento de fachada? E tudo isso acontece com a gestão de um partido que se diz protetor da minorias, que essas mudanças são mudanças para melhor, só que as promessas só ficam nas promessas e não se cumprem, porque o próprio segmento das pessoas com deficiência, banalizaram a inclusão e nem sabem o que é inclusão. Muitos acham que a solução são guetos, muitos sabem que esse partido fez pouco para as pessoas com deficiência, então, por que continuam a votar e apoiar esse tipo de partido que não fortalece o transporte acessível, não fortalece a saúde e a reabilitação, não aumenta o números de carros e médicos treinados, não abrem vagas inclusivas de emprego mais acessíveis e menos burocráticas as pessoas com deficiência? Como as pessoas com deficiência podem apoiar esses partidos, se esses mesmos partidos nem ao menos, tem uma agenda sobre a inclusão?

São coisas que eu não entendo e juro que quero entender, porque não me entra na minha cabeça esse tipo de discussão não ser uma discussão relevante, uma discussão que vai muito além do partidarismo. É lógico que o serviço ATENDE está lotado porque não temos trabalho para comprar um carro – que demora 2 anos para sair da fabrica adaptado com todas a documentações e a liberações do DETRAN – dai as pessoas precisam usar a van, porque também, ou os táxis não vão ou é muito dinheiro a pagar. O salario da pessoa com deficiência é baixo e não pode pagar nem um plano medico e nem um transporte próprio, causando uma maior demanda desses serviços e um maior erro que eles cometem. A não demissão a funcionários públicos que não cumprem o seu serviço. Não ter uma agenda para tratar assuntos sobre acessibilidade e um maior empenho de gerar renda e não dar renda como se esses polos, não precisassem gerar essa renda. Isso é básico em qualquer país que tenha uma politica séria. E o mais importante – coisa que estou fazendo a muito tempo e voto nulo – temos que ter consciência que somos eleitores e somos cidadãos como todos os demais, não somos mais (não, não somos especiais), nem menos (não, não somos pecadores ou algo do gênero). Então, podemos ter essa arma, ou se usa, ou vamos patinar até virarmos pó. Ou vou precisar desenhar?

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