Publicado por: Amauri Nolasco Sanches Junior e Marley Cristina Felix Rodrigues | 1 de abril de 2015

REATECH – o sonho acabou?

somos todos “palhaços”

Por Amauri Nolasco Sanches Junior.

Eu não vou esse ano para a REATECH, porque não acho mais graça em uma fera de tecnologia que virou “point” de encontro de amigos. Pior de tudo, não tem mais tecnologia. Não sou muito habituado em seguir o que os outros seguem, fazer o que os outros fazem ou ler o que os outros leem. Seguir uma sugestão é uma coisa, fazer obrigatoriamente como se fosse um “ritual sagrado” é outra bem diferente. Mesmo o porque, as coisas perdem muito a graça, fazem eu perder o interesse e a vontade de entrar só de imaginar todo aquele povo achar que aquilo é uma praça de recreação. Não. Não é. É exposição de tecnologias acessíveis, fora isso, vira parque temático de cadeiras de rodas e outra deficiências.

O que vi entre 2013 e 2014 é uma banalização do evento em si mesmo, porque virou banal você ir a REATECH como se fosse uma balada e não é, não é uma baladinha qualquer. Na verdade a REATECH é uma feira de tecnologia para pessoas com deficiência, tendo novidades entre tecnologia que podem ajudar. Acontece que como todo ato que fica popular, ele fica banal porque a essência daquilo não existe mais, porque aqueles que realmente iam para a feira de exposições não vão mais, porque não é hoje uma feira de exposições, mas um comercio muito mais do que exposições. A comida cara, a falta de estrutura acessível, a falta de postura de certos cadeirantes com o companheiro que de repente, tem uma mobilidade lenta, a falta de banheiros e os banheiros químicos são apenas o reflexo dessa banalização. Além dos “machos alfas de rodas” que se acham celebridades, se acham pessoas acima de qualquer um e fica “azarando” todas as mulheres de lá. Só que não estamos em uma “balada”, não estamos em uma feira no meio da rua, estamos num centro de exposições Imigrantes tentando aprender e observar tecnologias que podem nos ajudar, mas há milhões de coisas que nos impedem, a falta de educação é uma delas. Então, toda aquela vontade de fazer se perdeu por causa de gente mal educada e que realmente, não sabe o seu lugar.

O segmento das pessoas com deficiência não entenderam que uma coisa é ter uma deficiência, outra coisa é achar que são eternos adolescentes sem a menor responsabilidade para consigo ou para os outros. Não que eu tenha a ver com a vida de cada um, para mim eu vou viver feliz e contente com meus pensamentos e principalmente sem saber de detalhes da vida dessa gente (me estressei demais com o meu antigo movimento onde participava), mas quando se está em sociedade e dentro de um evento importante, no mínimo se espera civilidade e educação. Nossos eternos adolescentes, ao que parece, só querem saber da “dança do acasalamento”, comer e usar o banheiro (que aliás, no Reatech é uma porquice sem tamanho). Não quer lutar, não quer entrar em nenhum movimento social ou ONG, não quer ir em reunião politica, não quer lutar pelos seus direitos e ainda, critica quando conseguimos algo serio através do nosso movimento social. Não quer nem ao menos saber de lutar pelo direito de ter preferencial em uma fila, ter um lugar acessível para se divertir e o pior, alguns reclamam da adaptação que a outra deficiência precisa, como certos cadeirantes “cabeças ocas” reclamaram do piso tátil para pessoas com deficiência visual.

Isso tem uma lógica e uma regra, ou melhor, a não colaboração a regra. O que acontece que temos uma regra ética (social que usamos quando sairmos e convivemos socialmente) e uma regra moral (que são valores recebidos dentro da família ou do convívio de alguém ou religião, ou ideologicamente), que as pessoas com deficiência não estão isentos de receberem essas duas regras. Muitos nascem com essa deficiência e outros adquiri a deficiência ao longo da vida, então, existe uma regra ética e uma regra moral para nós também. Muitos que nascem com deficiência – existem exceções, mas é uma regra nacional – são muito sub protegido pela família pelo nosso velho estereótipo que não podemos se defender. No caso de uma deficiência mais severa, sim é verdade, mas no caso de uma deficiência menos severa, já é sem-vergonhice. Por que? Porque a maioria gosta de ser protegida. Acomodação dentro do segmento das pessoas com deficiência é quase um pleonasmo, porque somos já um povo acomodado, ainda mais se somos deficientes. Mas como disse acima, temos a regra moral e como fomos criados com essa regra moral, então como eu e alguns colegas dizem, deficiência não é régua para medir caráter de ninguém. Tem deficiente que rouba. Tem deficiente que estupra (sim, existe). Tem deficiente que faz filho e num assume. Tem deficiente que aproveita da deficiência. Tem deficiente fanático religioso e ideológico. E tem deficiente “macho alfa” como todo país machista que se presa, tem ao monte. Esses machos alfas são a maioria desse eventos e acham que arrasam porque jogam basquete, ou porque são atletas, ou porque simplesmente, são paraplégicos. Aliás, na minha opinião de pessoa com deficiência dês do meu nascimento, uma pessoa que adquire uma limitação por causa de um acidente ou por causa de alguma coisa dessas, não deveria ser considerado uma pessoa com deficiência, porque a deficiência é algo como a perda de uma eficiência de movimento. Há uma certa mobilidade com as pessoas paraplégicas. Mas é uma questão para outro texto.

Voltando, essas pessoas (na maioria homens) enchem o saco porque sempre temos que ficar olhando os cruzamentos do evento para não ser atropelado, ou ouvir da nossa companheira que o cara ficou enchendo o saco dela e o que é pior, com você no lado. Aonde está o respeito nesses casos? Aonde podemos ir para ter tranquilidade? Nesse caso é uma falta de ética e quando um povo não tem ética, ele acaba não tendo moral nenhuma, porque todos os valores sociais foram jogados no lixo. Então, com raras exceções, a REATECH nada me agrada e pra mim não passa de tampa de vaso sanitário para esconder a sujeira que é a acessibilidade no Brasil, que não tem nada de bom e que funciona. O simbolo do evento é um coração com o símbolos diversos das inúmeras deficiências mostrando, talvez, que só podemos incluir com amor e o respeito. Assim? Impossível. Não acho que esse tipo de feira tecnológica vai resolver algo da inclusão, porque os problemas persistem mesmo acontecendo ela. A visão que todos tem é a mesma, o próprio deficiente se trata como lixo, a acessibilidade é a mesma em todas as cidades e ainda é pior, para temos acesso a essa tecnologia, temos que ter emprego e emprego não tem aqui, ainda mais, cadeirante. A lei de cotas é uma grande enganação, porque números são fraudados, estatísticas podem ser manipuladas, mas para aqueles que conseguiram, conseguiram por fatores muito mínimos. Concursos são impossíveis de se fazer, pois há uma exigência ridícula de laudo medico até mesmo para a empresas. Então, imagino que um evento desses seja só uma ilusão que venderam para causar impactos desnecessários. E também não acho que é um modo “cruel” do grande monstro do capitalismo para explorar os “coitadinhos” dos deficientes, pois há problemas muito além disso que vai além de uma feira de tecnologia que tem a ver com a incompetência estatal.

Enfim, não vou.

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