Publicado por: Amauri Nolasco Sanches Junior e Marley Cristina Felix Rodrigues | 20 de outubro de 2014

Curta “Cordas” e a inclusão.

Maria escrevendo “Cuerdas” num quadro negro e sorrindo. O Cartaz do filme.

Por Amauri Nolasco Sanches Junior.
Todos nós nos deparamos com esse curta espanhol, “Cordas” é um dos mais canalhas exemplos de inclusão da historia concisa da inclusão das pessoas com deficiência. A historia é rodada dentro de um orfanato que cuida de crianças e os pais abandona Pablo, que já nesse abandono se faz a ideia do abandono do imperfeito, e ele passa a assisti aulas no seu carrinho quieto porque sua paralisia cerebral é severa ou não se teve um trabalho de estimulo. Ele faz amizade com Maria que tenta de todas as formas, trazer Pablo para junto de suas brincadeiras e essas brincadeiras faziam ele, dar um sorriso. Até que ele fica doente e eles tem a ultima dança e a noite ele falece e Maria ao crescer, se torna professora e trás consigo a mesma corda que ela fazia Pablo chutar a bola. O que é “lindo” ser abandonado, ser discriminado e morrer no final? Parece que nunca vamos deixar de ser seres transcendentes que o único intuito é mostrar alguma coisa para as vidas das pessoas, que com um imenso drama, encara a vida como uma “novela mexicana”.
Isso me lembra o “Corcunda de Notre-Dame” – que por sinal Vitor Hugo não tinha nem em mente falar da pobreza e do corcunda, mas defender a catedral – onde o corcunda se apaixona pela cigana Esmeralda, mas não fica com ela sendo, que fica com outro rapaz e o corcunda morre no final. Há muitas historias dês da antiguidade que mostra como o ser humano sempre tratou e trata as pessoas com deficiência, deuses coxos sendo rejeitados e traído, pessoas cegas sendo sacerdotes para não morrer e os inúmeros pedintes na antiguidade e na idade media, que eram na verdade, pessoas com deficiência trabalhando para terceiros e até sendo maltratados. Não vamos muito longe, o nosso tempo contemporâneo é cheio de contrastes que as pessoas ainda não se deram conta, porque não sabem que estão apoiando uma pratica de milhões de anos e que ainda não deixamos. Não somos mais aqueles seres humanos que ficavam dentro das cavernas e quando tinha escarces de comida se praticava o infanticídio, quando o ser humano era nômade, deixava os velhos e doentes para trás por atrasar o clã. Mas não estamos mais em clãs ou dentro de populações nômades, estamos num século onde há informações e essas informações, pelo menos na teoria, eram para o mundo ficar globalizado e muito mais informado. Mas ao que parece, que quanto mais informação o sujeito recebe, muito mais ele “emburrece”.
Esse “emburrecer” é uma maneira que as pessoas não querem deixar sua zona de conforto, seus conceitos e suas atitudes antigas ou não, mas que estão em sua zona de conforto. Sabe o por que? Tentamos imaginar uma pessoa que tem tudo, que tem uma vida mais ou menos, tranquila e não sei que “cargas d’água” resolve defender uma causa, ou porque viu, ou porque achou que fazia e faz alguma diferença no universo. Então, ele esta assistindo TV e passa o Teleton e fica encantado com aquelas criancinhas, meio que não sabem falar direito, meio que andam de cadeira de rodas ou andam de outro jeito e passam a defender – a ponto de pegar um AK-44 ou uma AR-15 – a causa das pessoas com deficiência como se fosse um guerrilheiro Zapatista no deserto do México. Só que há um problema, o guerrilheiro Zapatista da inclusão não sabe que existe inúmeras deficiências, não sabe que existe aqueles que tem uma deficiência grave ou não, não sabem que existe aqueles que são porque nascem com a deficiência e aqueles que adquirem ao longe da vida. Se houver alguma critica quanto ao programa ou outro sistema de inclusão, lá vai a alvejada de palavras feias, chamando de mentiroso, chamando de hipócrita, chamando de “mal-agradecido” e não sai disso. Ainda é pior, fica em guetos virtuais onde todos devem concordar com sua “loucura” assistencialista e “ai” quem não concordar. Ou o que chamamos de “paladinos da inclusão” – aquele que defende ardorosamente – que nós não o elegemos a esse cargo, fica ou dando palestras pouco positiva para a luta da inclusão explorando o lado da deficiência, enfatizando um discurso vitimista, ou dizendo que luta e na verdade quer seu marketing pessoal. É o que acontece dentro do curta, o diretor dramatizou para levar o premio e as pessoas ainda “batem palmas”, como ser discriminado e ser morto para virar exemplo – como se quiséssemos ser exemplo de alguma coisa – fosse bonito. Não é! É o mesmo caso do candidato Levy Fidelix, é um discurso do mesmo patamar do discurso contra os homossexuais, dos negros, dos índios, dos judeus e etc. Não há diferença, sermos discriminados e mortos é “normal”.
Eu sou sim cético em relação a esse tipo de discurso, esse julgamento “torpe” que ainda não sai da nossa sociedade, onde há ainda uma relação estética. Ora, por que Pablo, um menino com paralisia cerebral, um menino no seu carrinho, um menino que não falava, não poderia crescer e se tornar algo a mais do que um mero “menino com deficiência”? Vamos um pouco mais afundo: primeiro, se nós analisarmos melhor e muito mais a fundo, o menino foi abandonado num orfanado que é pago. Pelas vestes dos pais do menino, eles tinham dinheiro. Se o autor queria denunciar, errou o caminho das denuncias, porque colocou em um modo que os pais argumentam que ele é doente e não podem cuidar dele. Por que? O pai, pelo jeito, trabalha e a mãe não quer parar de trabalhar, o que fez que Pablo tivesse o sentimento de rejeição e ai sim, ficar doente. Segundo, na escola a professora apresenta o Pablo e que foi uma maneira automática, pois não houve nenhuma inclusão ou tentativa da inclusão nesse caso. Porque não há maneira nenhuma para Pablo estudar, se isso é uma denuncia, o autor do video errou (embora acho que não), porque mostra que o orfanato não tem recursos para tal e é, aparentemente pelo menos, um orfanato religioso e pelo patamar das vestes das “tias”, católico. A religião católica – e depois descobri que a cristã tanto católica ou protestante – tem um modo muito peculiar para tratar as pessoas com deficiência, eles tratam como se somos eternos sofredores e dignos de piedade. Então, Pablo está no meio dos demais, não é um ato de inclusão e sim, um ato de piedade. Vocês já viram um padre cadeirante ou um pastor? Até mesmo, medium eu nunca vi, mas que nos faz repensar muita coisa, ou pelo menos, deveria. Depois a amizade dele com a Maria trás grandes esperanças a menina que ele volte a andar, porque na cabeça ingenua da menina, a felicidade é a liberdade de ir onde quisermos. Ora, se o autor queria denunciar algo, ele errou de novo porque colocou como uma amizade infantil e não destacou que mesmo com essa amizade, não há um trabalho de inclusão, não há um trabalho de mostrar a Pablo que ele não está só. Ninguém mostra a Maria, que o Pablo pode ser feliz mesmo sem andar, mesmo que esteja em seu carrinho e não queira liberdade, mas um pouco de afeto e carinho. A ultima dança que Maria tem com Pablo coloca s dois em um mundo deles e não tem ninguém e nenhum ser que impeça isso. Dai da mesma noite, Pablo morre dormindo e Maria ouve as “tias” disserem que ainda bem que foi assim, ele não sofreu. Como assim? No mínimo os pais deveriam ser presos e o orfanato deveria ser desativado, mas temos o conceito que a pessoa com deficiência pode passar por isso, pode relevar, pode ser morto em abandono que está tudo bem. Nós temos que entender sempre.
Se repararmos no final há uma coisa que muitos não reparam e deveriam reparar, a transcendência da deficiência, como se a deficiência fosse algo para mostrar ao ser humano alguma coisa que ele não entende. Ou, fosse algo para ensinar o próprio ser algo que se não tivesse essa limitação – se isso fosse um impedimento de ser um “porra loka” por exemplo – e aprender a ser um espirito compreensivo, um espirito que fosse transcender os limites da bondade. Temos a obrigação se sermos bons, temos obrigação de sermos além, até mesmo seres que superamos e não é isso que está dentro do intuito da inclusão. Veja que não estou dizendo que não existe, sou espiritualista, mas colocar só nesse viés se torna algo alienante e não é argumento para nenhuma ação de inclusão efetiva. O autor só disse que somos seres que mostramos a humanidade a tolerância e respeito ao próximo, mas que essa amizade entre Maria e Pablo deveria ficar somente ali, naquele momento que a Maria levasse dentro da lembrança de uma simples “corda” no braço enquanto era professora. Ora, por que ele transcendeu e não cresceu como as outras pessoas? O problema ai é o destaque que damos a coisas desnecessárias. O que um curta como esse pode ajudar a inclusão? Nada! Porque não fara diferença mostrar um menino com deficiência tendo uma amizade e morrendo no final, só mostra o que a sociedade faz e o autor perde a oportunidade de fazer algo, mas prefere levar a mensagem que somos “santos”, que somos “seres angelicais” como todo pai neuropsicótico que vê a deficiência como um castigo.
Mais uma vez somos mostrados como seres que não somos desse mundo, não somos nem seres humanos para vivermos e amarmos. Porque é a realidade, a sociedade não nos quer por perto porque lembramos que pode acontecer com você, com um dos seus filhos, com um dos seus parentes e não tem jeito. Sempre encontramos nomenclaturas, sempre encontramos planos, mas nada efetivamente, concreto que possamos dizer que efetivamente somos incluídos. Temos o direito a liberdade e a vida, mas não temos como exercer essa mesma liberdade e temos que viver assim, sem o menor direito a uma vida comum. E não é um simples curta que vai mudar isso – ainda mais esse que mostra que devemos morrer para mostrar algo a humanidade – mas inclusão é bem mais além do que isso. Muitos que estão na mídia, muitos que estão no meio artístico, só mostra quando acontece com ele e isso é ruim (mostrarei em um outro momento), porque a mídia é um tipo de propagação de informação e deve se comportar como tal. Vamos incluir ou ficar com conversa fiada?
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Responses

  1. kkkkk
    Sabe que eu tinha pensado nisso na primeira vez que o assisti?
    mas como eu sou muito crica, penso muito fora da caixa e só arrumo encrenca, resolvi ficar na minha….


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