Publicado por: Amauri Nolasco Sanches Junior e Marley Cristina Felix Rodrigues | 27 de agosto de 2014

Você gostaria de nascer assim? – Critica a moral subjetiva.

 

 

 

 

 

Descrição: um fundo escuro e um feto na mesma posição quando está em um útero

Quando discutimos algo que foge da nossa compreensão – pode ser moral em conjunto a nossa subjetividade – ficamos a apelar pelo lado emocional da questão e fazer perguntas básicas ou nas melhores das hipóteses, adjetivar ou o assunto, ou o oponente da discussão. Na discussão moral do aborto de pessoas com síndrome de down, nos trouxe a tona nosso lado símio e não o humano “homo sapiens” de decisão e optamos em deixar viver um ser perfeito em todos os aspectos, do que aquele diferente que será sempre um sofredor. Se pararmos de ser acomodados e refletimos um pouco – as pessoas ainda insistem em querer ficar na sua mediocridade mental e dividir tudo em dois – todos os momentos, fatos, períodos, são construídos por sofrimentos ou alegrias. As pessoas podem andar, podem ter tudo e não estão satisfeitas consigo mesmas, uma prova disso é vários artistas terem cometido suicídio ou serem acometidos por uma depressão, pois o sentimento humano é construído graças a aquilo que se acredita ser a realidade (subjetividade), então, quando nos deparamos que aquilo nos foi ensinado para nos manipular, ficamos frustrados. Dai resta-nos ou aceitar e viver a vida da melhor maneira possível ou ficar nessa inconformação sempre alimentando a tristeza e beirando a depressão – lógico que a depressão também pode ser clinica graças a não produção de uma enzima no cérebro – e caindo em um desespero avassalador ao ponto de terminar com tudo isso de uma vez.

Para responder a pergunta “ você gostaria de nascer assim? “, temos que refletir muito além do que isso, porque tem haver com a lei moral que nos prende em subjetivar o sofrimento como verdadeiro ou não. Ora, a verdade é a a realidade que acreditamos existir, para nós é a única realidade possível, mas a uma “verdade” que ainda não enxergamos que está em todas as filosofias, religiões e pensamentos, a “verdade” de conhecer a si mesmo e saber das suas limitações. Quando jesus disse: “conheceis a verdade, ela vos libertarás” foi mais ou menos, a verdade única que nós somos a única coisa que não podemos duvidar e se nos esforçarmos um pouco, cairmos na armadilha que é conhecer a nós mesmos. Então, juntamos três pensamentos de três filósofos diferentes: Sócrates (conheça te a ti mesmo), Descartes (eu penso, logo eu existo) e Nietzsche (não há fatos eternos e nem verdades absolutas). Por que? Porque a critica – no sentido filosófico e vamos analisar num sentido moral – deve ser feita não em apenas julgar em si, mas ela deve ser feita para analisarmos as ordens morais, ou seja, condutas. Quando conhecemos a nós mesmos (Sócrates) nós chegamos ao nossos limites e chegamos a conclusão de nossa existência pela nossa analise (Descartes), assim acabamos analisando que a realidade não é imutável e que as verdades não são absolutas (Nietzsche). Nós impactamos com verdades que mudam conforme o momento – o momentum – e pode mudar ou não, porque todas as verdades não são absolutas porque as realidades fluem. Nietzsche ao construir seu pensamento, que não há fatos eternos e nem verdades absolutas, o fez dentro da filosofia de Heráclito – o pré-socrático – que afirmou “tudo flui!”. Então, se o tempo e fatos fluem conforme nossas ações e conceitos, não existem verdades (realidades) únicas e essas podem mudar. As ordens morais (costumes, modo de agir) são construídos pela cultura (educação [ensinamento de valores]) que praticamente, tem dois pilares sólidos: o pensamento religioso que o Estado (polis) sustenta e incentiva, o pensamento politico ideológico que sustenta conceitos da vida e como acreditar em quê conduta será melhor a administração do país. E outras tradições de seculos que tiveram como base mor, as condutas religiosas.

Tão logo devemos dizer e analisar o que é uma vida e como essa moral é construída. A construção de uma vida é a partir da junção de dois polos genéticos, a celular masculina (espermatozoide) e a célula feminina (ovulo), assim, se tem o zigoto que é um conjunto de células independente. A vida existe porque já é uma célula independente e sendo uma célula independente – como foi a primeira célula – ela já existe como uma singularidade e como uma singularidade é uma vida. Num modo moral religioso há um terceiro elemento que é o espirito, que passa a habitar o corpo como alma, cientificamente dentro da psicologia, se diz que só há uma vida por causa do desenvolvimento cerebral e nesse desenvolvimento, se cria a consciência e nessa consciência há uma vida. Dentro da filosofia, a alma é o conjunto de sensações cognitivas que temos diante da realidade que vivemos, e essa realidade, são sensações sobre os símbolos que fazemos daquilo que aprendemos.

Se somos seres que viemos de uma fecundação de duas células independente que geraram uma única que resultou em um único ser, então somos um amontoado de células que tem consciência. Essa consciência faz uma leitura dos vários símbolos que povoam nossa realidade – segundo a filosofia aristotélica, somos animais racionais porque podemos falar e nesse falar, podemos expressar o que pensamos e assim, existimos e coabitamos com os demais – e essa realidade é algo que construímos com os conceitos e nomes. Ora, se somos animais que construímos nossa realidade conforme os valores que recebemos, e então desses valores escolhemos, poderemos responder de outro modo que não, eu escolheria não usar cadeira de rodas? Mas se eu escolhesse não ser uma pessoa com deficiência física, e pudesse andar e fazer tudo que uma pessoa faz, mudaria o fato de nascer vários outros pelo mundo afora? A questão poderia ser analisada assim: eu poderia não ter nascido com deficiência física, mas poderia ter nascido com genes que entortam a unha do dedo do pé e encrava, porque as pessoas, os animais e todos os objetos possíveis, somos singulares. Mesmo se a física quântica estiver certa que exista copias nossas em muitas dimensões, ainda sim a singularidade existe. E diante das nossas escolhas, cada uma delas tem as consequências que lhe cabem. Mas cada um tem a sua moral, cada um sabe as condutas tomar e as consequências que isso implica dentro da ética, que é algo muito mais amplo. Então ao responde a pergunta inicial, devemos consultar a nós mesmos.

Para começar o nível de inteligencia não é argumento para se ter o nível de felicidade, como disse acima, existe inúmeros exemplos de pessoas sem nenhuma deficiência que cometeram suicídio. O argumento que andar um uma cadeira de rodas trás o sofrimento, também não é argumento, uma por não ser detectado no pré- natal e outra que muitos que tem essa condição são felizes. Por que? O grau de felicidade é gerado pelo critério da satisfação, se comemos vamos diminuir a fome, se bebemos vamos diminuir a cede, porque isso é um critério que estabelecermos para uma vida saudável. Isso é platônico, tudo tem que ter uma medida de referencia para ser o que vamos chamar de felicidade e ele não está errado, pois sempre temos um ideal dentro de nossa ideia. Se responder agora, tenho essa vida como referencia, como o Dawkins tem a vida dele como referencia de querer ser sem limitações e pode ser que há deficientes que queriam não ser, mas porque tem como referencia daquilo que lhe ensinaram. Mas sempre vamos ter referencia de algo para colocar como a consciência simbólica para servir de contraponto de algo para algo. Portanto, vivendo em uma cadeira de rodas, sim eu nasceria novamente deficiente.

Amauri Nolasco Sanches Júnior – cadeirante com paralisia cerebral, formado em técnico de informática e publicidade. Coordenador da Irmandade da Pessoa com Deficiência.

 

Dialética da inclusão – O Fantástico Mundo de Mara

Fonte: http://pt.shvoong.com/humanities/philosophy/2430334-dial%C3%A9tica-da-inclus%C3%A3o-fant%C3%A1stico-mundo/#ixzz3BcE4zFO2

 

Dialética da inclusão 2 – A lei de Cotas “idealista”

Fonte: http://pt.shvoong.com/humanities/philosophy/2430499-dial%C3%A9tica-da-inclus%C3%A3o-lei-cotas/#ixzz3BcFJjN2r

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