Publicado por: Amauri Nolasco Sanches Junior e Marley Cristina Felix Rodrigues | 23 de agosto de 2014

Richard Dawkins e a verdadeira face do preconceito.

 

Descrição: uma figura com a evolução humana e a pintura entre o dedo do ser humano e o dedo de Deus e as figuras dos grandes filósofos e gênios da ciência.

 

Quando ingressei a universidade em meados de 2006 – na UNIP (Universidade Paulista) onde fiquei entre 2006 a 2007 no curso publicidade e propaganda, pois meu pai não pôde pagar o curso e a universidade não deu uma bolsa de estudo nem comigo trabalhando para eles, tive que terminar online no Instituto IPED – tinha uma visão que o ambiente universitário era um ambiente que cheirava cultura e que tinha aquele ar de discussões mais “elevada”. Eis que me desiludi e eu comecei a ver a verdadeira face do ambiente universitário não muito diferente do ambiente do senso comum. Escutavam funk carioca, era uma pegação só, barracos diversos, ainda tinha preconceitos velados contra religiões e contra pessoas com mobilidade reduzida (por causa de algumas excursões). Em cinco ou seis grupos que faziam parte dos trabalhos de minha classe, somente 1 me chamava espontaneamente sem que o coordenador me aponta-se. Isso mostra que o ambiente universitário – que se dizem cientifico – não é um ambiente onde as pessoas respiram cultura (verdadeira), não respeitam as crenças alheiras e trata a mulher como se fosse mera criatura para o prazer e nada, nada mesmo, muda com as pessoas com deficiência. Então, como as pessoas cultuam tanto o pensamento cientifico, se o pensamento cientifico vive com os mesmos preconceitos que o senso comum?

 

O pensamento do cientista e biólogo Richard Dawkins não me surpreende, porque sempre ele cria essas polemicas para se promover e promover seus trabalhos que numa opinião pessoal, ataca as religiões sem ao menos, estudá-las. Dizer que “é imoral” uma mulher ter uma criança com síndrome de down é de uma incapacidade lacônica de raciocínio muito grande, porque o que determina o que é moral ou imoral é o que os valores dentro da cultura predominante, determina. E isso mostra como o ser humano mesmo estudando e tendo uma boa educação, se desconhece uma situação ou deficiência, tem a determinada atitudes e opiniões preconceituosas. O senhor biólogo se esquece que somos animais racionais – como disse Aristóteles que é tido como o “pai” do método cientifico – então não deveríamos tomar decisões sobre a moral, acionando nosso lado reptiliano (segundo o pensamento da psicologia moderna, somos racional que a parte humana e a parte animal, reptiliana, por questões obvias na evolução humana).

 

Quando lemos certas coisas, essas certas coisas não podem ser analisadas com o senso comum de xingamento – apesar que xinguei muito – porque será melhor assim. Quando pensamos em nascimento e aborto, levamos muito para nosso lado emocional e pouco para nosso lado racional, e muito desse lado emocional é nosso lado espiritual que vai ao encontro de opiniões religiosas. Claro que o biólogo tem todo o direito de ter sua opinião, mas certas opiniões se tornam totalmente perigosas quando são ditas por homens publicos igual o renomado cientista. Talvez, levado a acreditar na velha opinião que somos sofredores eternos – não muito diferente da de Hitler – possa ter levado o cientista a declarar que seja imoral uma mãe levar uma gravides de síndrome de down. Quando nos dizemos que algo é imoral ou não, confundimos – graças a uma tradução errada do “ethos” grego por “mores” em latim – com ética e não é bem assim que deveríamos enxergar. Moral vem do latim “mores” que era relativo a costumes e é uma tradução mais ou menos, do “ethos” grego. Por que? Segundo consta, esse “ethos” grego ia muito além do que dizemos hoje seja a ética, porque para o grego o cidadão era parte da “polis” e o “ethos” era a alma dessa mesma “polis”. Não era só um convívio entre seu semelhante – dizem alguns historiadores que mesmo com os escravos e mulheres – era viver esse “ethos” como se aquilo fosse sua vida e que aquilo era de melhor que ele poderia fazer para melhorar a vida da “polis”. O que acontece que os romanos traduziram como “costumes” que seriam veiculado como um lado da virtude (moral particular) que leva o ser humano ao lado de enxergar seu semelhante como algo importante, como a filosofia socrática (Sócrates de Atenas) que ser virtuoso é ser bom. Mas os romanos sempre levavam essa virtude – graças a filosofia estoica de Zenão de Citio – em algo além das emoções e algo que muitas vezes, na historia do império veremos isso, hipócrita e de cunho pessoal. Cada pessoa levava dentro de seu intimo a sua moral e levava isso aos “costumes” da sua própria família – podemos ver que herdamos muito isso dos romanos – ou seja, se tomamos como base a virtude e os costume da sua própria família, estava fora do significado do “ethos” grego que era um todo, que cada cidadão era a alma do TODO. Então é errado dizer que temos que lutar por uma “moral social”, pois moral é algo fechado dentro dos costumes da sua família, mas há uma ética muito além dentro da sociedade.

 

Daí vamos refletir se é imoral algo ou não a partir disso – não a guerra argumentativa entre religiosos que adjetivam o cientista no Twitter – que coloquei que é a base do pensamento ocidental. A posição particular sobre o aborto fica restringida muito além da religião e da espiritualidade – que acredito haver uma transcendência até muito além do que as religiões pregam – e sim, somente da parte ética e moral. Quando digo que eu sou contra, não me baseio nem num modo humanista (que seres humanos são iguais) e nem religiosa (que existe um criador e esse criador determina quem vive e quem morri), me refiro na parte ética no moldes do “ethos” grego. Porque a ética determina o “caráter” de cada pessoa e dentro desse caráter, seu modo de ser e suas devidas ações dentro dos moldes gregos. Se o sujeito mata, ele tem o caráter assassino que pode ou não continuar conforme os valores que ele recebeu, mas ele deve sofrer punição conforme o grau de periculosidade que ele pode oferecer. Então, quando digo que sou contra o aborto, eu analiso muito mais além do que se naquele zigoto tem vida ou não, mas qual a necessidade da interrupção de uma gravides ou por causa de uma doença ou por causa de outros motivos. Por exemplo, sou a favor no caso de estupro, porque dentro do ato sexual, houve uma violência e cada vez que a mulher olhar a criança, ela verá a violência que sofreu. A ética vai muito além do que mero respeito, tem a ver com o caráter que cada pessoa pode desenvolver a partir dos vários signos que vai ler conforme vai observar as mais “valores morais” que se possa conviver. Se houve o ato sexual – que há por natureza um consentimento entre as duas parte – deve ter o principio ético de assumir o fruto desse ato que é a fecundação, porque há uma responsabilidade adquirida dentro desse ato e é lógico, que temos consciência desse ato. Se temos consciência desse ato – seja que idade for e condição financeira que for por causa da conhecimento de se evitar – temos consciência que a consequência desse ato é a criança. Se começar a fazer aborto por causa da pobreza, por causa de doença, por causa disso, por causa daquilo, o ser humano não pode mais exercer a verdadeira ética e nunca vai ser responsável pelo seu ato. Isso vale para o ato criminoso, o ato social que tem que haver uma leitura da ética e o porque deve ser feito aquele ato, porque se há exceções, pode não haver uma consciência das consequências do ato em si mesmo.

 

Ora, com isso, podemos ir até a eugenia e nos perguntar se esse ato é mesmo ético. A eugenia é um nome de um estudo que Francis Galton colocou e significa “bem nascido”, pois a natureza do estudo nada mais é do que conter agentes que fariam estudos sobre o controle social que poderiam melhorar o ou empobrecer as qualidades raciais de possíveis futuras gerações física e mentalmente. Seria um estudo para avaliar qual o caminho para levar o ser humano a uma raça mais forte e que não tenham problemas futuros nem fisicamente (como doenças e algumas más formações) e mentalmente (traumas ou doenças psicológicas). A velha ideia de temos uma humanidade perfeita para gozar de toda a felicidade, porque o ser humano sempre quer o modo preguiçoso e não quer ir ao foco do problema, quer arranjar um jeito de eliminar o intermediário e não o foco. Qual é o foco? O foco é as más condições que o seres humanos de muitos países ainda vivem, as guerras para venderem armas e muito mais, o preconceito e a intolerância para viver com a diferença. Única coisa que conseguiram com a eugenia e criarem desculpas diversas que consolidaram o nazismo entre 1933 a 1945 e até os anos 1970, pessoas com deficiência não poderem sair nos EUA, por causa de leis para esses deficientes, não saíssem para não agredirem os cidadão visualmente. Na verdade – muitos irão até me dar pedradas virtuais – muitas igrejas cristãs tem um comportamento de rechaçar pessoas com deficiência que não se curam por falta de fé. Num ato quase criminoso do mesmo porte da eugenia, pois só os mais abeis tem autorização de ir nos cultos ou ir nas celebrações.

 

A frase do biólogo Richard Dawkins é uma frase que reabre uma discussão de anos, pois a eugenia ficou como cultura e é um pensamento encravado dentro da sociedade que ainda não evoluiu para uma sociedade saudável. Como disse em um outro texto, a humanidade evoluiu na parte tecnológica em uma assombrosa rapidez, mas não acompanhamos essa evolução num modo moral, porque num modo moral estamos lá no impérios antigos que ainda cultuam dinheiro e gloria e porque não, excluem o diferente. Quantas pessoas com síndrome de down são bem sucedidos e tem uma vida saudável como qualquer ser humano? O fato de temos pessoas que não querem lutar e fazem num modo preguiçoso largar deficientes em instituições, não pode ser parâmetro de medida de qualquer discussão de aborto de crianças com síndrome de down. Ninguém sofre por nascer com uma limitação, se ensina a ser adaptarem a viverem nessa condição. O biólogo, está atrasado 50 anos, igual seus diversos livros.

 

 

Amauri Nolasco Sanches Júnior – cadeirante com paralisia cerebral, formado em técnico de informática e publicidade. Coordenador da Irmandade da Pessoa com Deficiência.

 

 

O Tratado da Filosofia Teletoniana – entre balde e gelo

 

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Responses

  1. Cara, que texto maravilhosamente bem escrito!

    Sobre o ambiente universitário foi muito muito muito foda a sua crítica!

    [Não sou deficiente e sou ateu, ISSO NÃO É DEFENDER A PRÓPRIA CAUSA]

    Vc tem extrema razão em todos os seus pontos, foram muito bem colocados! Eu sou a favor de que todos tenham uma formação crítica e científica e que saibam aquilo que acreditam… independente do que for.

    Parabens pelo texto… espalharei com prazer.


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