Publicado por: Amauri Nolasco Sanches Junior e Marley Cristina Felix Rodrigues | 24 de junho de 2014

O que é incluir?

Descrição na imagem: um globo metálico que é feito de peças de quebra-cabeça e uma mão segura o globo e a outra segura a peça que estava faltando e precisa ser incluída

Por Amauri Nolasco Sanches Junior

Muitas instituições tentaram responder essa pergunta, mas nunca conseguiram porque, talvez, não tenham o esclarecimento necessário para tal. Há um grande erro ainda em confundir instituições, entidades e movimentos, que geram uma certa confusão. Instituições são organizações que são geradas em um objetivo com pessoas trabalhando para esse objetivo ou, um conjunto social que é regrado e coloca ordem nesse objetivo. Pode ser em ordem do casamento e família, que faz parte da sociologia da família, ou seja, o estudo das regras e comportamento. Religiosa que faz parte da sociologia religiosa e a religião civil que estuda a religião na sociedade. As politicas que são os órgão e partidos políticos que cuidam do executivo do país. E existe as culturais, educacionais, universidades, que cuidam da cultura dentro de uma sociedade que pode ou não, ser de grande maioria, mas leva ao conhecimento. Entidades são, muitas vezes, entidades administrativas que são destinadas a algum fim, por isso, por exemplo, que chamamos a AACD de entidade porque é uma administração indireta sem fins lucrativos que visa a reabilitação e não é publica e sim, privada. Já as APAEs são instituições porque são um conjunto de indivíduos com o mesmo objetivo, seja os pais, sejam os mestres que idealizaram. Os movimentos sociais é uma expressão técnica para designar uma ala da sociedade que exige seus direitos e vigia esses direitos, por exemplo, a Irmandade da Pessoa com Deficiência, FCD (Fraternidade Cristã de Deficientes), Inclusão Já, Superação etc, são movimentos e não instituições.

Explicando as diferenças deste três itens vamos a pergunta inicial, que como disse, muitos tentaram responder, mas não conseguiram. Incluir vem do latim “includere” que quer dizer conter em, compreender, fazer parte de ou participar de. Quando dissemos que se deve incluir as pessoas com deficiência, estamos querendo dizer que queremos participar da sociedade como seres humanos que somos e isso só pode acontecer, quando se pode acessibilizar a maior parte da cidade onde vivemos para essa participação. Li em algum lugar que incluir é aceitar, entender e aprender, porque se aprende sobre certas situações e quando há essa aceitação, começamos a entender ela, ter o entendimento que a criança, jovem ou adulto com deficiência, são seres humanos e começa a se aprender com aquilo e aprender as dificuldades e há um esclarecimento sobre. Muitas coisas são esclarecidas e compreendidas só com a pratica – como na discussão da inclusão escolar que muitas mães dizem que as escolas não estão preparadas – pois só se são preparadas as inúmeras maneiras de se incluir, praticando aquilo que se aprendeu. O mundo não estava preparado para sairmos das cavernas, mas saímos e somos milhares de sociedades hoje. A pratica é muito mais eficiente a evolução de uma causa do que ficar teorizando, ficar desejando que um dia aconteça, o que não vai acontecer.

Como sempre dissemos, incluir é muito mais do uma rampa, um piso tátil, um interprete de libras, é aceitar as diferenças. O que acontece, que todo mundo não sabe, que incluir acaba sendo muito mais barato para a União, do que pagar uma aposentadoria ou pagar outro tipo de transporte publico. O filosofo Aristóteles, que viveu a dois mil e trezentos anos atrás, disse que é muito mais barato para o governo ensinar a um deficiente uma profissão, do que pagar uma taxa a ele. Nossa cultura não entende, e isso fica claro em muitos momentos, que incluir não é empregar porque lei exige, não é matricular porque a lei exige, não é dizer porque alguém falou, exige muito mais do que isso e arrisco sem errar, tem que transcender o significado do termo incluir. Quando olhamos além dos limites do conhecimento do que é incluir, compreendemos o que é a verdadeira inclusão e a vontade verdadeira o que realmente é incluir.

Mas para definir o que na verdade é incluir, devemos analisar algumas considerações sobre a liberdade. Todos dizem estarmos livres, mas na verdade não estamos livres. Quando nascemos os médicos dizem; essa criança dependerá de você a vida inteira. Quando criança a entidade dizem; não vai poder ficar com as outras crianças e vai ter que operar. Quando somos adolescentes dizem; não pode namorar, namorar trás sofrimento e você não é aceitável. Quando adulto dizem; não pode trabalhar porque não podemos adaptar as firmas para vocês. Nas religiões nos dizem; vocês irão andar se tiverem fé. Se não andamos somos pessoas sem nenhuma fé. Sempre temos que ser o que a sociedade espera que sejamos ser, sem ninguém perguntar qual nossa própria vontade, qual é o motivo que nós movamos nossas cadeiras de rodas – coloco cadeira de rodas porque uso, mas pode ser qualquer aparelho – as pessoas acham sempre que sabem o que é melhor e o que é pior. O mundo demorará muito para aceitar que incluir, em sua essência, é muito mais que adaptar. 

O Livro Liberdade e Deficiência 

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