Publicado por: Amauri Nolasco Sanches Junior e Marley Cristina Felix Rodrigues | 21 de junho de 2014

Ética e direitos na inclusão

Será que a moça é ou não é PCD?

Será que a moça é ou não é PCD?

por Amauri Nolasco Sanches Junior

Quando falamos em direitos, estamos falando também em deveres e deveres devem ser cumpridos para uma sociedade ser harmoniosa. Se uma determinada ala da sociedade não concorda com esse dever, como toda a democracia que se preza, deve se iniciar uma discussão sobre esse dever e porque essa necessidade desse dever. Há deveres que nem sabemos para que servem, mas se estudarmos qual determinada situação levou esse dever, ficaremos esclarecidos o porque desses deveres. Esse esclarecimento é o conhecimento que nos tira da ignorância que o filosofo Immanuel Kant (1724-1804), chamou de “menoridade”, ser menor não em idade, mas ser menor em não saber o que aquilo significa. O filósofo diz também que muitos dos seres humanos, tem preguiça de sair dessa menoridade e não querem crescer em conceitos e ainda ficam em seus preconceitos, ou melhor, pós-conceitos. Como bem dizem, a geração “twitter” quer os textos rápidos e curtos, como se o tempo fosse ser pago por linha lida. Isso também acontece com as pessoas com deficiência e muito dentro do segmento de PCDs.

Semana passada se tornou viral um video que Leonel Messi, jogador da argentina, comprimenta o juiz e não comprimenta o garoto que nitidamente, ele não viu. Mas o video foi desmentido quando mostra uma foto do mesmo jogador conversando com os garotos e brincando, e talvez por ignorancia, as pessoas não saibam que ele é autista e tem Sindrome de Apenger, que o inlustre Albert Einstein também tinha. Acontece que há uma lentidão na percepção e não percebeu o menino estendendo a mão, porque foi programado para isso. Muitos julgamentos são errados e podem ser devastadores no modo de pensar e porque não, muitas vezes, começam julgamentos errados e que não fazem o menor sentido diante da informação. Mesmo se o jogador não tivesse essa condição cognitiva, pode acontecer que ele não ter percebido o menino, pode se distrair e não perceber o que está em sua volta.

 

Muitas coisas fogem do alcance de nosso conhecimento, não sabemos tudo e não podemos alimentar o falsas informações porque isso alimenta falsas visões e generalizações que fomentam o preconceito. A bola da vez é uma foto de uma moça em pé que atrás dela existe uma cadeira de rodas, no seu lado, um rapaz que assiste o jogo com a moça. Existe deficiências que as pessoas usam cadeiras de rodas como suporte (apoio) de locais que exigem e tem grandes distancias, e as pessoas julgam sem saber o que realmente o que a moça e o rapaz estavam fazendo ali. Lógico, que existem muitos que se aproveitam dos preços baixos e fraudam laudos – isso mostra para os defensores dos laudos médicos em empregos e em concursos públicos, que sim eles podem ser fraudados – para comprarem ingressos muito mais baratos e com vantagem de acompanhante. Porem também, não podemos alimentar mais especulações inúmeras, sendo que aconteceu o que alguns alertavam dês da novela da “moça superação”, se padronizou o cadeirante. Graças a “Emaculada Luciana” – na época não se podia tecer nenhuma critica a personagem sem antes não ganhar pauladas virtuais – se padronizou o cadeirante (usuários de cadeira de rodas), como se só os paraplégicos fossem pessoas com deficiência que usassem cadeiras de rodas e não é bem assim, muitas pessoas, como disse acima, tem a cadeira como uma opção para grandes distancias. A Globo padronizou as pessoas com deficiência porque o paraplégico e o tetraplégico – lesados medulares – são esteticamente mais aceitáveis e são mais maleáveis nas tramas. Porque a mocinha ou o mocinho fica numa cadeira de rodas e pode por causa de um acidente – isso daria uma romantização da trama – superar com a determinação ou um amor verdadeiro, coisa que muitas vezes, não acontece.

Mas não vamos só malhar o “Judas” da Globo e só malhar escritores e diretores brasileiros, há no mundo vários equivocos que dá até vergonha alheira. No curta metragem Cordas (Cuedas), há uma menina e um menino cadeirante que tem uma amizade e ele fica doente e morre e a menina, vive e se torna professora. Já cria uma imagem que as crianças deficientes devem ser “exemplos” e desaparecer como seres divinos que só devem ser inspirações para alguém ser algo. Ficamos sempre com o premio de consolação que empurramos alguém, que colocamos nas pessoas algum ideal que muitas vezes, ou milhares de vezes, é uma visão distorcida de uma sociedade que colocou uma visão da deficiencia como se existisse só aquela visão. Curta por curta, o Circo de Borboletas é mil vezes melhor e muito menos dramatico e patetico, e não pondo a pessoa com deficiência lá no orfanato, internada, doente.

Quando falamos em ter ética pensamos que é algo que desempenhamos como certo, como um caminho reto sem se desviar. Mas não, ética vem do grego “ethikos”e significa aquilo que pertence ao “ethos” que por sua vez, quer dizer “bom costume”, “costume superior” ou “portador de caráter”. Muito diferente que muitos dizem é diferente de moral, pois a moral esta fundamentada na obediência ao costume e habito recebido, a ética, ao contrario, busca fundamentar as ações morais exclusivamente pela razão. Enquanto a moral é a obediência cega sem uma analise daquilo que está fundamentada nas origens, a ética pergunta o porque daquela ação moral. Porque devo deixar um idoso sentar em seu acento preferencial? Por que se deve dar emprego para pessoas com deficiência? Por que tenho que cuidar do meu bicho e não abandona-lo? Por que devo abrir mão do meu egoismo e não fraudar coisas que podem fazer falta para outras pessoas? Isso é civismo e isso deveria ser aprendido por todas as pessoas nessa sociedade, não analisar por fora, mas analisar por dentro e enxergar que poderíamos estar naquele lugar, poderíamos querer estar ali, poderíamos ser aquela pessoa se divertindo e uma pessoa num pré-julgamento, nos expõem. Isso é ético? 

Mas textos meus:

Mundial do Preconceito

 

Cordas (filme)

 

Avanço cientifico brasileiro?

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Responses

  1. É querer perto,colocar proximo,é sentir parte de algo,é participar,é ser livre.


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