Publicado por: Amauri Nolasco Sanches Junior e Marley Cristina Felix Rodrigues | 5 de junho de 2014

Politica e Inclusão

Legenda: duas fotos de Adolf Hitler e Josef Stalin, mostrando a face da mesma ideologia que não agrega e sim, exclui e mostra que esses dois são apenas mais dois seres humanos filhos da mesma ignorância que ainda impera.

Aristóteles que viveu no terceiro século da era comum, disse que todo ser humano é um ser politico, na verdade somos animais políticos (zoo politikon). Por conseguimos nos expressar e dizer o que pensamos – descobertas recentes, dizem que os golfinhos e as orcas, que não são baleias e sim golfinhos também, também tem organizações sociais por causa de comunicação e linguagem – assim, podemos convencer o outro sobre nossa visão social e os benefícios que isso iria acarretar se esta ideia fosse escolhida e implementada. Isso seria a ideologia politica, onde uma ideia se torna algo que pode ser implementado e posto em pratica, tem seus seguidores e seus opositores. Se opor a um regime não necessariamente seria apoiador do outro e muitas vezes, milhares de vezes, as pessoas pensam que só porque nos opomos a uma ideologia, seguimos a outra. Por exemplo, se apoiamos medidas de prevenção e punição da corrupção, já somos a oposição como se isso fosse regra. Se falo mal do PT (Partido dos Trabalhadores) ou de algumas medidas cunhadas de seus políticos, estou indo para a ideologia de direita, se falo mal ou me oponho a algumas medidas do PSDB (Partido da Social Democracia Brasileira) somos taxados de esquerda, que muitas vezes, atrapalha a discussão politica. Não sou nem um e nem o outro e muito menos “coxinha” – termo usado aos que se fecham numa ideia e conservam aquela ideia como se não houvesse outras ideias, porque a coxinha só tem o recheio de frango – para apoiar esses partidos que não irão e não vão ajudar na matéria de acessibilidade que tanto precisamos.

Não estou falando de politica a toa, estou fazendo esse texto sobre politica para esclarecer alguns pontos, que parece que o segmento não compreendeu ainda, sobre a inclusão e sobre a acessibilidade nas grandes e pequenas cidades. Para começar devemos lembrar que não somos o publico alvo de nenhum evento ligado ao governo e não só na Copa do Mundo – como disse o secretário do turismo do Rio de Janeiro – mas não somos bem vinto em muitos outros eventos. Pode reparar, pelo menos nas secretarias aqui de São Paulo, que são feitas e produzidas sessões que são exclusivas para pessoas com deficiência e se investe muito pouco nos deficientes que querem investir em algum ato cultural. As secretarias já moldam um trabalho já fabricado e não toma conhecimento o que as pessoas com deficiência necessitam, o caso do Memorial da Inclusão é um fato que deveria ser repensado, porque há uma grande parcela de pessoas com deficiência que gostaria de visitar, mas o transporte dos movimentos feito pelo ATENDE (Atendimento Especial de Transporte de Vans ligado ao município de São Paulo) nos finais de semana que se chama “Eventos”, não atendem de semana para lazer. Isso poderia ser feito em feriados, mas o Memorial da Inclusão não abre de feriados impossibilitando nossa visitação. Fora que não temos acessibilidade em calçadas, não temos acessibilidade em locais publicos que deveriam ter essa acessibilidade e não temos acesso ao minimo que precisamos. Se vamos em médicos em UBSs (Unidade Basica de Saúde) não querem nos tratar porque alguns de nós somos deficientes e muito médicos em hospitais, tem receio de atender porque muitos de nós somos pacientes da entidade da AACD (Associação a Assistência a Criança Deficiente), onde sua politica de exclusão das crianças a sociedade, é bem clara.

Eu já escrevi muitos textos sobre a AACD, no Ser um Deficiente são inúmeros mas nenhum tem hoje minha ideia madura que como estamos falando de politica e inclusão, pode ser esclarecedor para abrir muitos olhos. A entidade não avançou em sua politica junto a sua tecnologia, muitos entre eles minha noiva, fazem ainda tratamento lá, porque médicos se recusam a atender porque muitos fazem tratamento lá. Não sei qual é o critério dos médicos públicos que não querem nos atender porque muito de nós somos pacientes da entidade, mas algumas pessoas dizem que ao adaptar a cadeira de rodas, muitas terapeutas ocupacionais dizem que a mães deveriam tomar as decisões das adaptações da cadeiras de rodas. Essa politica não é de hoje, pois os médicos não perguntam para nós, não dão a respostas a nós e não olham sequer para nós. Vivi entre não poder falar, não ganhei nada, não tive progresso nenhum, não tive o direito nem de dizer o que queria lá dentro, não pudermos nem namorar, nem se olhar. Como uma entidade assim poderia e pode cuidar de pessoas com deficiência? Como entidade como essa pode falar e ter o direito de tratar algum paciente desse meio? Não nos representa e não vai fazer falta se fechar, assim teremos força e garra para pedir um tratamento publico de reabilitação que não é de terceira categoria. Porque o tratamento – muito embora eles estejam fazendo testes em exoesqueleto e tal, não temos lá nem genecologista para as mulheres com deficiência e não temos o direito de tirar um raio X ou descer na porta principal se ir até lá de ATENDE, só quem paga tem esse direito – não é muito bom e porque entre a educação de alguns fucionários e a nossa paciência, há um abismo do tamanho do “Grand Kenio”.

Temos que nos habituar a criticar, mas fazer uma critica fundamentada em fatos que são relevantes ou assuntos que acreditamos que iriam ajudar a melhorar a visão de inclusão e como podemos melhorar até a nós mesmos. Politica também consiste em sermos críticos a nós mesmos, pois não adianta reclamar da corrupção e sermos corruptos, não adianta reclamar do cara que mexe com nossas esposas, se fica enchendo o saco buzinando para qualquer menina bonita na rua, não adianta achar ruim ser traído, se você trai, não adianta reclamar da acessibilidade se não sai na rua; temos que ter uma visão ética antes de cobrar dos outros, porque senão, vai se tornar um discurso vazio e pobre. Por que aceitar pessoas que te fazem mal, que não querem saber se estão bem, não merece nossa consideração. Onde foi que disse que temos que ficar em nossas casas trancados? Quem disse que devemos aceitar religiões que tratam nossas deficiências como doenças? Devemos ou não ter no minimo de amor próprio e não aceitar situações que não concordamos? Não somos obrigados em acreditar em políticos porque nossa família manda votar, ou não somos obrigado porque amigos manipulam nossa opinião, que aliás, a manipulação faz parte da fraqueza de opinião e a fraqueza de nossas visões criticas. Não quero votar mais em partidos que não me dão chance de fazer algum curso, porque não acessibilizam o transporte publico e quando esse transporte existe como o ATENDE, ele é corroído pela burocracia e a má gestão de seus gerentes e superentendentes que nada ajudam para o andamento do serviço. Não temos chance de trabalho, porque por mais que você se qualifique e faça inumeros cursos, nada farão os donos de empresas adaptarem suas empresas e nada farão eles contratar cadeirantes. Não temos a menor duvida que nós somos taxados de desqualificados, porque uma funcionaria do governo diz que as escolas e cursos técnicos nos dão diplomas porque eles tem “pena” de nós, ainda menos as agencias de publicidade que nem olham seu curriculo. Não temos direito a saúde porque estamos amarrado a mafia das entidades de reabilitação que tem tratamento de quinta categoria e assim, nos tiram nossa livre escolha de escolher onde nos tratar.

Então, diante de tal quandro, o que fazer para fazemos a diferença? Será que nunca as pessoas com deficiência irão refletir por elas mesmas deixando de lado religiões que manipulam, ideologias que só querem nos manipular para ter nosso voto? Estou querendo que reflita e diz para si mesmo o porque você se deixa manipular por coisas que não farão sua vida melhor ou pior, mas nós com esforço e perseverança, deixará de ser só mais um nesse mar de opiniões do segmento de PCDs. Como dizem, nossas limitações não são prisões reais e sim, prisões psicologicas que o ser humano inventam para não encararem o real, encararem que podem fazer e não é ninguém fazendo promessas vazias, que isso vai mudar. Estamos num país democrático – mesmo alguns querendo impor as suas ideologias que só iludem – e temos o direito de votar e apoiarmos quem quisermos e fazendo isso, mostramos que existe muito mais além do que nosso próprio mundinho. Aliás, Aristóteles diz que se deve manter a prática e nada pode ficar só na teoria, mas no segmento de PCDs, só a teoria imperam e partidos que querem barrar até a nossa união.

Ao ver uma van no ATENDE sendo usada por uma deputada federal que se diz defensora da inclusão, pensei: “Por que isto acontece numa cidade que tem esse serviço para atender pessoas com deficiência e não atendem porque dizem que não tem vans para tal?”. Há interesses diversos que estamos cansados de ver, estamos cansados de enxergar, mas a Copa é mais importante, porque não somos o foco de politicas de nenhum governo e de nenhum meio cultural, de nenhum meio que mostre que somos capazes de muitas coisas. Por que não temos que exigir que isso seja também refletido e posto em prática com uma politica mais voltada as pessoas com deficiência? Por que um transporte voltado as pessoas com deficiência devem manter prioridade a entidades particulares, showzinhos de pão e circo esportivos e não para levar em coisas culturais e aberturas mais para saúde, educação, trabalho? Por que não ter um partido politico voltado as bases da inclusão e respeito pela causa? Isso para mim é a democracia, criar grupos e partidos que convençamos sobre a luta que estamos engajados e se estamos engajados temos que ir a luta. Isso é politica, isso é a base de tudo que lutei dês de hoje até onde pude. Os grupos que apoio, estão dentro da legitimidade democrática que todo partido ou grupo tem que estar.

Eu acredito em uma luta politica que pode ser sim, travada com um partido com uma proposta nova e que é a nossa cara – com algumas falhas em apoios que não concordo, mas teremos que seguir certas metas e tolerar certas coisas para chegar onde queremos chegar – sendo legitimo em um país democrático e num país onde as pessoas com deficiência tem sido maltratada e tem sido expostas a vexatórios em serem humilhadas por causa do básico, da violência doméstica e social, da discriminação e abandono. O PAIS (Partido da Acessibilidade e Inclusão Social) é ainda um projeto que não saiu por causa da burocracia no Brasil, sendo que grandes partidos que nasceram após a tomada da democracia, tenha nascido somente com apoio de grandes nomes, precida de 500.000 assinaturas para nascer e lutar para ter o direito de lutar pelo nosso direito de termos acessibilidade e termos o minimo possível de respeito. Não é um partido que exclui, como alguns dizem por ai, porque existe pessoas com ou sem deficiência trabalhando nesse projeto e se nascer e vai nascer, vamos lutar por uma nação justa de uma causa social. Não só de acessibilidade, mas toda causa social que tenhamos base naquilo que vimos todo dia, todo dia alguém é desrespeitado nesse país por causa do dinheiro e por causa de interesses muito além da causa social.

Cadê os partidos que tentam barrar esse projeto quando mostramos tantas pessoas e crianças sendo barradas no atendimento do ATENDE? Cadê aqueles que são contra esse projeto quando mostramos que entidades como a AACD, não atendem adequadamente e doam com o dinheiro do SUS, cadeiras de rodas e outros aparelhos de péssima qualidade? Cadê movimentos que não respeitam o direito democrático legitimo de cada um seguir com seu pensamento sem dar explicações como se eles fossem os lideres da inclusão? Não vi ninguém lutar por uma ação efetiva e essa ação deve ser feita seriamente, dentro dos transmites políticos, porque “loucos se combatem com loucos” e vamos em frente.

Amauri Nolasco Sanches Junior

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Responses

  1. olá tbm sou cadeirante e adorei o blog !

    • muito obrigado João

    • obrigado João


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