Publicado por: Amauri Nolasco Sanches Junior e Marley Cristina Felix Rodrigues | 19 de maio de 2014

Cadeirante “machos alfas” e ignorância no segmento de PCDs

O print onde o rapaz diz que namorar cadeirante tem uma vantagens como não pagar ônibus e cinema .

O print onde o rapaz diz que namorar cadeirante tem uma vantagens como não pagar ônibus e cinema .

Para falarmos de ética – que vem do grego ethos e nada tem a ver com virtude e sim a parte espiritual de uma cultura – temos que analisar o fato que em toda a história humana, as culturas se evoluiram para cada situação que determinada etnia teria que passar e isso é de praxi. Não é a toa que o grande legislador e que fez as melhores leis que um ser humano poderia seguir foi Moisés, quando no monte Sinai, teve inspiração divina (espiritual) para escrever o Decálogo. Não, não se trata de uma ação religiosa e sim, o despertar de uma ação de conter alguns instintos que guardamos como animais, símios por definição. Nesse Decálogo, e no Código de Hamurabi que também, foram feitas as legislações e as normas éticas.

Ética não é só o modo teorico que pessoas “deveriam” se comportar dentro de uma determinada sociedade, mas é o modo espiritual como tal etnia se comporta. O lado da etnia que pode buscar dentro de si mesmo – entende-se neste caso uma procura da etica (ethos) para encontrarmos a felicidade (eudaimonia) e para encontrarmos um ponto em comum entre todos – para ir adiante progredir e evoluir em progresso espiritual (cultural/social) e biológico (social/politico) onde o ser humano é o topo da cadeia animal como seres guardiões do planeta. Isso não é egocentrismo, como animais que temos a capacidade de olhar e entender o ambiente onde vivemos, devemos zelar por esse ambiente e achar maneiras éticas – entende-se ética como base de uma sociabilidade entre seres humanos – de conviver e até em trabalhar e lutar juntos numa mesma causa.

As pessoas com deficiência não fogem a regra, porque devemos sermos éticos até na maneira que entramos na luta daquilo que acreditamos. Essa semana um cara que se diz do meio inclusivo e até tem um grupo chamado “Acessibilidade Direito de todos”, disse que o melhor de namorar uma mulher cadeirante é não pagar cinema e nem ônibus, expondo o machismo e o sexismo muito nocivo em nosso meio. Não podemos tirar os preconceitos criando outro preconceito, não podemos achar donos da razão porque somos idealizadores e formadores de algum grupo ou de algum movimento. Sermos éticos é aprender viver na diversidade postando nossas opiniões, expondo o que pensamos sem estereotipar as pessoas por causa do sua opinião, como aconteceu comigo em varias discussões por eu ser contra essa unanimidade de opiniões. Mas como pessoas que passam pelo preconceito tem esses mesmos preconceitos? Como podemos acabar com esses preconceitos se somos amarrados dentro dos mesmos e de uma forma cinica e ridícula, posta que luta por uma inclusão justa? Estranho essa postura! Isso até, nas piores das hipóteses, é uma postura anti-ética e não há nada que faça o “cabra” enxergar diferente.

O filósofo Aristóteles dizia que somos animais políticos e essa politização do homem era o fato de sermos sociais, sermos capazes de convencer o outro daquilo que as vezes, nem sempre, é importante para uma sociedade. Mas isso, diz o filósofo, tem que ser feito na prática e não só na teoria, então assim, alcançaremos o “prazer” e a felicidade de fato sem muito “blá blá blá”. Como disse no outro texto, não adianta dizer muito e fazer pouco, criticar a exclusão se excluirmos, fazer trabalho de tirar a estética “perfeita” se temos dentro de nós, que as pessoas deficientes devem ser assim ou assado. Tirar foto não é um teatro, tocar uma musica se dá para tocar até com panela, escrever não precisa agradar entidades e movimentos, precisamos de um ato ético dentro de segmento de não se vender pelo mais barato. Seja de partidos políticos, seja de entidades que se “acham” a “bolacha mais gostosa do pacote” ou movimentos que nada fazem para o meio e só fazem criticas. Aliás, essa mesma entidade deveria aprender a conviver com a oposição, pois toda a unanimidade é burra, como dizia o escritor Nelson Rodriguês.

Como termos nossa opinião se o segmento de PCDs tem opiniões já engessadas? O problema que sempre colocamos parametros para medir a uma certa realidade, uma certa colocação que não cabe dentro da ideologia que seguimos. Sempre pensamos e a discussão começa quando certas coisas começam a interferir com o discurso, tem a ver com o discurso dominante, com o discurso alarmante de esquerda e direta, religião A, B, C, o que é e o que não é. Um discurso pobre que nada vai te trazer, nada vai se mostrar, apenas só mais um pobre ser humano dominado…sigamos!

Amauri Nolasco Sanches Junior – filosofo da inclusão, formado em publicidade e técnico de informatica.

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