Publicado por: Amauri Nolasco Sanches Junior e Marley Cristina Felix Rodrigues | 28 de fevereiro de 2014

Ideologia da deficiência

O Cartaz mostrando a foto de uma cena do filme e com letras brancas escrito “Die Welle” (A Onda em alemão)

Será que estamos rumando para coordenações autocráticas dentro do segmento e não nos demos conta disso? Quando vi o filme “A Onda” – filme alemão de 2008 que é baseado no livro homônimo do escritor norte americano Todd Strasser, fala de um professor que daria aula de anarquismo, mas seu colega não quer trocar e ele acaba dando aula de autocracia e faz um experimento, porque os alunos (terceira geração após o advento do nazismo) duvidam que a Alemanha moderna, possa haver uma ditadura. Com um experimento comportamental, prova que sim, mas tudo foge do controle e ao acabar com tudo, um aluno atira num colega e se mata, o professor é preso provando assim como é possível – enxerguei que muitos coordenadores e lideranças, levam a exclusão em querer somente o poder e não a verdadeira essência da coisa. Em alguns movimentos e em alguns “guetos” de deficientes, está virando moda chamar de “cultura”, sendo que cultura são um conjunto de atitudes e costumes que não seriam o caso. Mas, será que estamos fazendo uma ideologia dentro da deficiência?

As ideologias são um conjunto de ideias sobre um assunto que um ou vários membros podem seguir. Por exemplo, o comunismo é uma conjunto de ideias baseadas nos trabalhos do filósofo Karl Marx que visam a igualdade e um nivelamento salarial que colocaria a sociedade em igualdade, existe o nazismo criada por Adolf Hitler que visa a igualdade e superioridade da raça ariana (vem dos Arias que viveram entre a Europa central até o que hoje era a Persia) que deveria procurar a pureza e o ser humano fraco e defeituoso, assim como homossexual, negro, mestiço, judeu, cigano, eslavo e etc, teriam que ser eliminados. Outras ideologias politicas poderiam ser citadas, como as liberais que acreditam no livre comércio, como os neoliberais que acreditam num livre comercio e na livre concorrência, como a anarquia que acredita que o ser humano seja bom, mas a sociedade e o meio capitalista selvagem, o faz maldoso. Assim também há ideologias religiosas como certos rituais, certas maneiras de seguir que muitas vezes, ou na maioria das vezes, são transformadas em cultura e podem sim se tornar costume. Mas com a deficiência a coisa é diferente, pois a deficiência é uma dificuldade e não um costume, ou virar um conceito, porque daí vira uma ditadura da deficxiência.

Muitas pessoas fazem alguns deficientes que tem a oportunidade de estar na mídia, um padrão de superação que muitas vezes, acaba sendo pergoso. Como no filme, o deficiente que tem sérios problemas com sua auto-estima ou com sua afirmação como pessoa, enxerga aquela pessoa como uma especie de líder e o poder é tentador. Quem não quer ser um lider e ter todas as “regalias” e o respeito de lider? Quem disser que não, não está sendo honesto consigo mesmo, ou ainda não se afirmou e superou alguns conceitos humanos. Segundo o filósofo Hegel, o objetivo do oprimido sempre é oprimir porque há um conceito a se apegar, seja pela supremacia da esquerda, seja pela supremacia da direita, seja pela supremacia de uma religião, seja por algo no qual sempre vamos nos deparar com “verdades absolutas”. Ora, quando construímos uma verdade única e absoluta em todo o universo, essa verdade se torna opressora e nunca uma verdade que libertará. Por exemplo, quando um evangélico (protestante) quer que você aceite Jesus, ele diz que o seu “Jesus” é o verdadeiro que só vai olhar para aqiele que aprendeu e sabe. Mas existe muitos conceitos dentro da visão de Jesus que as pessoas constroem em cima da mesma essência que são os evangelhos canonicos e os apócrifos, que são as ideias morais e misticas que ele ensinou (se é ou não reais, é outra discussão). De repente estamos num processo perigoso de ideologização da deficiência e a supremacia da ideia da “superação”, assim sendo, só vamos ser pessoas deficiente naquele grupo ou naquele ambiente, se realmente seguirmos esse pensamento.

Esse processo começou quando houve um “boom” naquela novela do personagem da Luciana (esqueci o nome da novela) virou um incone da luta da inclusão, onde não retratou a tetraplegia direito, não tratou a mulher com defriciência com respeito (mendigando amor e afeto), não retratou nem os problemas que a maioria dos cadeirantes passam. Por que ser um incone? Porque passou em um canal poderoso de TV e teve muito marketing, como o blog da personagem como se ela existisse de verdade. Mas podemos recuar um pouco mais e verificar que esse processo foi construído diante da necessidade, talvez pela falta de inicitiva, ou pela falta de se firmar como ser humano, se forjou termos e resoluções que colaboram com esse processo. No grupo de surdos que iam num encontro no shopping se forjou o termo “eficiente”, onde se camuflou uma imagem que é uma realidade, há uma surdez que caracteriza uma deficiência. Daí a moda foi forjar termos para deixar pomposo o deficiente deixando assim, talvez, mais confortavel. Apareceram termos como “pessoas com deficiência”, “pessoas com necessidades especiais”, “pessoas portadoras de deficiência”, que desvirtuaram a realidade e o mundo onde vivemos, onde o deficiente não pode ser um simples deficiente, tem que ser do segmento das “pessoas + com + deficiência” perdendo sua identidade. Depois se forjaram imagens de pessoas atléticas deficientes, pessoas famosas tetraplégicas saindo na revista seminuas, pessoas que sem querer, ajudaram a criar mitos dentro do mundo “marginalizado” das pessoas deficientes. As coisas foram tão fortes que esse blog “Ser um Deficiente” pelo nome foi criticado, o movimento “Irmandade das Pessoas Deficientes” foi quase obrigado a mudar o nome de “deficientes” para “pessoas com deficiência” porque na Convenção dos Direitos das Pessoas com Deficiência da ONU está que o termo “certo” é pessoa com deficiência pelo histórico mundial de ridicularização do termo “deficiente” e sua estereótipos derivados. Mas nunca vimos pessoas deficientes com paralisia cerebral, com espinha pifida, com amputação – tirando a nadadora paraolímpica que virou musa – em fotos e imagens. Salientando a culpa não é das pessoas que apareceram, mas como no filme a culpa não é do professor e ele foi preso, ajudaram a dar uma idelogia massifica onde não deveria ter.

As entidades “filantrópicas” não são diferentes dos governos autocráticos, algumas usam uniformes, usam musicas com apelativos sentimentais e sempre dão uma solução, aliás, sempre a soluções são eles. Num modo geral, eles se sentem as vezes, donos das resoluções que abrangem a inclusão e representantes da causa como se fossem os maiores entendedores do assunto. Clinicamente deixam a desejar com sua psicologia de “botequim” e dizer a uma criança que ela não vai andar numa forma totalmente delicada, ou ter regras baseadas em mães que no seu surto psicótico, dizem chamar a policia se algo acontecer com sua filha. Campanhas milionárias levam milhões para os cofres da mais conhecida, com hinos apelativos, testemunhas de crianças e tudo mais que não é muito diferente desses governos. Aliás, algumas diretorias dessas entidades, reforçam a ideia que sem eles não seriamos livres, sem eles não existiriam aparelhos, sem eles não existiriam inclusão. Mas será que eles estão mesmo preocupados com a inclusão?

Como disse há uma movimento perigoso de queremos shows exclusivos, nós queremos partidos exclusivos, queremos uma bandeira exclusiva, só falta ter alguém a seguir. Mas há movimentos que são quase uma religião, são vorazes e não sabem trabalhar com outros movimentos, outros que podem contribuir com o trabalho de inclusão. Mas ainda colocamos acima do trabalho, a amizade, só que atrás de certas amizades estão os aspectos de um partido e seu interesses, esses interesses independem das amizades.

A “ascensão do mal” está só começando.

Amauri Nolasco Sanches Junior → Filósofo da inclusão, publicitário e técinco de infomática

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