Publicado por: Amauri Nolasco Sanches Junior e Marley Cristina Felix Rodrigues | 25 de fevereiro de 2014

Felicidade e deficiencia

Foto de um cachorrinho descendo com suas rodinhas a montanha como um rally

Todo mundo fala tanto do amor, sexo e acessibilidade que raramente falamos de felicidade, porque nossa felicidade é regida pela realização dos nossos próprios desejos. Não adianta negar e nem explorar a humildade cristã, quando temos um desejo realizado, somos felizes naquele momento, quando não, a infelicidade é inevitável. Para sermos felizes somos levados a termos desejos e realizar esses desejos, pois se não realizar seus desejos não seremos felizes, segundo a maioria. O interessante que várias doutrinas – como a cristã que diz que o desejo demasiado é pecado e o budismo que vê o desejo como o “mal” humano e a causa da sua infelicidade – levam o ser humano a eliminação dos desejos que ele não poderá realizar, um Stephen Hawking tem uma cadeira de rodas toda equipada com computadores e sensores, um brasileiro da periferia de São Paulo tem uma cadeira de rodas “male male” adaptada feita com o dinheiro da Previdência Social (SUS). Por que? Segundo essas doutrinas o Hawking teve a “sorte” ou a “graça” de poder realizar esse desejo, mas o brasileiro não pode realizar porque não teve a mesma “sorte” e nem a mesma “graça”. O problema é o “desejo” que não se realizará e você ficara frustrado diante da cadeira de rodas e Stephen Hawking porque você não alcançara a meta, nem de ser um cientista famoso, nem de ter esse tipo de equipamento.

Para temos certos desejos temos que capta-los com nossos olhos e queremos para nós, como a cadeira de rodas de Hawking, como uma muleta ultima geração, uma cadeira motorizada nova, tudo é uma questão de ótica. Ou seja, captamos o objeto com nossos olhos e sempre vamos deseja-lo; mas espera ai, e um cego, como ele deseja algo? Será que o som também estimula o desejo? Os sentidos estimulam qualquer desejo que queiramos ter, até mesmo no tato e na pele, teremos vontades garantidas (como no caso a sexualidade ou quando a criança deseja sentir a mãe). Como realizar nossas vontades que vem do desejo, sem ao menos, ter liberdade? Segundo meu entendimento, não temos nenhuma liberdade e liberdade nem é um substantivo e sim, um adjetivo porque não passa de uma qualidade e não em uma condição – como acontece com o termo qualificação que não passa de de uma qualidade e não uma condição, é um termo muito errado no meio empresarial para descrever o deficiente da suposta falta de estudo de certas profissões, porque qualificar é dar uma qualidade e não uma condição. O que importa não é ser livre e sim buscar a qualidade de ser livre para a condição de buscar a liberdade em ação, o que importa não é ter liberdade e sim buscar a realização dos desejos. Mas quais os desejos reais e os ilusórios? Posso estar satisfeito com minha cadeira de rodas simples, comendo rosquinhas de chocolate e bebendo um suco, ouvindo musica e vendo meu Facebook que é uma coisa que me dá prazer. Outra hora, o meu prazer se torna ir passear com minha noiva em algum lugar, mas para isso terei que ter uma cadeira de rodas de qualidade e um transporte até o local escolhido. Tenho que fazer a ficha para chamar o serviço de transporte ou ir até o ponto de ônibus para ir até o local, para ser livre e ir onde quisermos, dependemos da ação. Não podemos ser livres se não irmos ao encontro dela, a liberdade, assim, depende da ação.

De repente dentro de nossas escolhas, somos obrigados a essas escolhas e não outras, porque no meio do caminho pode ter uma mudança de ideia. Somos sempre condenados a sermos livres, mas diferente de Sartre, penso que nós somos condenados a nossa liberdade pela ilusão que somos libertos e a ilusão de que somos seres que podemos fazer o que quisermos. Isso depende de vários fatores que fogem do nosso controle, pois para sair, nós cadeirantes, temos que ter calçadas acessíveis, boa educação no transito, transporte adaptado entre outras coisas, que o poder publico teria que providenciar. Então, mesmo que a Constituição nos mostre que somos IGUAIS perante a lei e que temos o DIREITO de ir e vir, não é assim que funciona, nem todos são iguais perante a lei e não temos o menor direito de ir onde quisermos. Pronto, chegamos onde queríamos chegar, pois para nós termos o DIREITO (aquilo que é justo e certo) temos que ter várias ações dentro de um contexto enorme onde nenhum regime resolve, então podemos concluir que a democracia em si mesma é uma farsa. Mas todos dizem que é um regime libertário que o cidadão pode fazer o que bem pretende? Nós sabemos que a democracia é, como diria o poeta Cazuza, “uma mentira que a minha vaidade quer…”, somos tão vaidosos que não assumimos que nos enganaram e que estamos vagando em uma ilusão. Na verdade, a democracia em si seria, no significado etimológico, um governo do povo e como um governo do povo, deveria fazer o que o povo necessita e escolhemos, pelo menos em tese, nossos governantes. Os impostos são nada mais do que um tributo e um pagamento pelo adiministração, então pelo menos em tese, os políticos não são nossos chefes e sim, nossos empregados. A grande massa, pela falta de educação, pensa que eles estão fazendo caridade, mas são recursos que arrecadam e devolvem em beneficio para o povo e leis que garantam o bem-estar social. Se alguém roubar, matar, estuprar, ou outro crime, se deve punir a rigor do ato que aquilo foi feito (que é uma longa discussão), assim, garantindo a harmonia dentro da sociedade. Então, rampas, calçadas acessiveis e toda gama de adaptações são provenientes da administração dos três poderes, porque o dever em seguir a lei e a harmonia, a maioria dos cidadãos com deficiência, segue.

Descobrirmos que de repente não somos libertos porque temos uma escolha e que não temos um “governo que garanta” nosso DIREITO e sim, vivemos em uma plutocracia que o governo é regido pelas famílias mais, economicamente, favorecidas. Estamos sem saída? Em tese sim, mas vamos analisar mais um “pouquinho” para encontrarmos um meio para encontrar a felicidade. De repente deveríamos mudar o regime e nos dedicar em lutar para a esquerda, mas os países que adotaram uma politica socialista sempre trancou as pessoas com deficiência em clinicas e não teriamos nenhuma liberdade. Outros regimes também não trataram muito bem as pessoas deficientes e seriamos, “acorrentados” pelas politicas que fazem parte desses regimes. Só nos resta o regime democrático com seu cinismo governamental e o sua ilusão que nos faz repensar, de repente, em saber escolher os que nos governa para não cairmos dentro da plutocracia. Mas o que fazer se em dado momento, nós com ou sem deficiência, podemos ser manipulados? A milhões de anos somos manipulados pela a cultura que nós mesmos inventamos, e também, os mais “sábios” sempre souberam como fazer isso por reter percepção daquilo que a grande maioria não percebia. De repente o ser humano se viu dominado por ele mesmo, pois como disse o filosofo Rousseau, o primeiro homem que cercou uma propriedade e disse ser aquilo seu, era um impostor. Na verdade aquele ser humano era o primeiro que percebeu que aquilo era perfeitamente necessário por falta de alimentos, por falta de proteção, e captou uma coisa, se outros trabalhassem para ele, seria muito melhor do que trabalhar ele mesmo. E ele, como forma de convencimento, usou o medo e a crença para convencer os outros que ele era o seu protetor e deveria mostrar como poderiam sair dali. Daí, como milênios afora, precisamos de lideres para nos mostrar a saída dessa prisão que é o mundo onde vivemos.

Mas onde será que está a felicidade? Pois a milênios pretéritos, nós deficientes nem sobreviveríamos e eramos largados nas selvas para sermos comidos pelos animais, ou éramos mortos ao nascer. Os espartanos, descendentes diretos de uma etnia ariana dórios, levaram a cabo essa eliminação até a conquista de Roma. Na verdade, nós sobrevivemos a morte muito recentemente com o avanço tecnológico, pois em outros tempos, nós morreríamos ou seriamos mortos. Não temos muita liberdade, nem fisicamente, nem psicologicamente, graça a cultura e seus valores que prendem o ser humano incerto do seu futuro; a econômica leva-o a gastar para satisfazer seus desejos que são estimulados pelas propagandas e pelas campanhas áudio-visuais, leva-o a TER muito mais do que SER, porque ter a felicidade é muito mais lucrativo, do que ser feliz. Nós pessoas deficientes, compramos a ideia da felicidade pela superação da sua deficiência, porque somos levados ao medo de não sermos aceitos e sempre acabamos tendo desejos que não são e não terão nada a ver com a nossa felicidade. Desejos esses que vem de ideias românticas que nossa cultura tem de monte, como sempre “estampar” que para ser feliz devemos fazer o que é necessário, mas o que é necessário, as vezes não é a vontade naquele momento. Muitos também confundem felicidade com momentos felizes, que muitas vezes acontece que nos faz pensar que somos felizes e me faz duvidar das fotos felizes do Facebook.

Talvez essa duvida é a certeza que ninguém, ninguém mesmo, pode ter uma real felicidade, mas momentos alegres. Se não existe uma plena felicidade e sim, momentos alegres, por que queremos tanto encontra-la? Tudo que procuramos é porque não temos e se não temos é porque nos falta, mas nos falta porque temos carência da sensação da ausência da dor e que causará o prazer. Então, a sensação de felicidade é, mais ou menos, a ausência da dor e da capacidade de sentimos prazer, hora em fazer o bem, hora fazendo aquilo que nos interessa. Aliás, o filósofo Sócrates (o de Atenas não o futebolista que virou “deus” da sabedoria), disse que todo mundo faz o bem visando um interesse por trás daquele bem e que temos que visar o bem sem ver ou sem enxergar nada com isso, a felicidade é a harmonia de espirito. Mas como ter harmonia de espirito se o mundo não lhe dá o direito de fazer o que se quer nem ir onde se quer? Lembramos que para irmos onde queremos temos que ter calçadas acessíveis, transporte adaptado, boa cadeira de rodas ou outros meios de locomoção, consciência onde se vai, local adequado, uma sociedade com informação e tal. Mesmo aqueles que pensam ser livres são presos nas ideias de “superação”, de mostrar que são felizes e fazem questão de submeter aos conceitos humanos, mostrar que são auto resolvidos, mostrar que lutam pela causa e morrem por movimentos com histórias infinitas, mostrar que ser feliz não é SER e sim TER. De repente ficamos presos em estudos científicos patifes, em religiões mentirosas, de conceitos que pouco ajudam, times de futebol que pouco ou nada ajudarão sua vida, ídolos que não vão fazer a diferença, porque buscamos a felicidade fora de nós e não dentro de nós. Não vai adiantar tirar fotos sorrindo com a legenda “quer ser meu amigo” e não ser amigo de você mesmo, primeiro temos que aceitar o fato de sermos assim e ser nosso próprio amigo.

Conhecer nossa própria natureza é o intuito de qualquer sabedoria, porque temos tês sabedorias a cientifica, a espiritual e a filosofia que marca o ser humano na tripice da procura de seu próprio EU. Como digo, se queremos ser felizes o processo começa conosco, saindo do senso comum, saindo que as pessoas “acham”, sendo amigo de nós mesmos. A liberdade começa quando começamos entender nossa própria natureza, afinal, quando entendermos que “deus” é um conjunto de consequências que geram uma meta ultuma, como a realidade, como o único momento que nos encontramos e nos unimos ao universo. A felicidade é um momento, é a meta única e verdadeira do ser humano de ser único, de ser ele mesmo, reflitam se felicidade é SER ou a felicidade é TER.

Amauri Nolasco Sanches Junior → filosofo da inclusão, formado em publicidade e técnico de informatica e palestrante. 

 

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