Publicado por: Amauri Nolasco Sanches Junior e Marley Cristina Felix Rodrigues | 19 de fevereiro de 2014

Exoesqueleto- eugenia robótica?

Uma foto mostrando um cadeirante levantando com o exoesqueleto apoiado em duas muletas canadenses. Ainda o aparelho não garante 100% de equilíbrio.

O que faz as pessoas acharem – porque não tem certeza – que poderiam resolver o problema das pessoas com deficiência com um exoesqueleto? O que faz as pessoas pensarem que poderíamos usar essas estruturas robóticas para nos locomovermos em um ponto ao outro? Para iniciar essa discussão tive que reler o livro Cibernética e Sociedade de Nobert Weiner que tem muito a ver com a discussão, embora, esse livro tenha sido escrito a uns 60 anos. Também tem um pouco a ver com ergonomia que estuda o comportamento do homem (ser humano) e a maquina em condições do trabalho e o aumento da produtividade, também tem a ver com a interação do homem ao seu ambiente onde podemos relacionar nosso bem-estar.

Cibernética vem do termo grego kybermétike que quer dizer “pilotar”, na verdade esse termo os gregos usavam como techné kybermetiké para se referir a técnica de pilotar. Weiner cunhou esse termo para desenvolver um estudo para criar uma linguagem entre o ser humano e a máquina, até mesmo ser humano com ser humano e maquina com maquina. No tempo que Weiner escreveu o livro, a informática ainda estava engatinhando e a maioria dos computadores eram usados em empresas e eram usadas taping que eram fitas perfuradas. Era a Geração I (1), sendo que, estamos na Geração IV (4) e rumando a Geração V (5) que a computação quântica. Por que estou dizendo isso do exoesqueleto? A anos vem desenvolvendo essa tecnologia em Israel e não é novidade, só que está em desenvolvimento e não se pode dizer que já está pronto, isso é questão de muitos estudos exaustivos e claro, tanto a cibernética, quanto a ergonomia. Cibernética por causa da linguagem usada entre a maquina (exoesqueleto) e o ser humano (deficiente), e o bem – estar que ele pode exercer do aumento de produtividade entre o deficiente e a maquina em questão. Nada tem de errado querer ajudar e o progresso tenha soluções mais viáveis, mas temos que enxergar vários fatores para festejarmos esses aparelhos e devem ser respondidas várias questões. Como iremos andar com esse aparelho ao tomar um onibus? Como iremos andar nessas calçadas? Como iremos usar esse exoesqueleto ao dirigir? Como irá ser a alimentação mecanica dos motores? Como vai ser o treinamento? São perguntas interessantes que antes de tudo, devem ser feitas.

A discussão tem que ser levada até no âmbito da física – pois muitas coisas ali são de ordem da entropia e do fator do seu resultado efetivo e não o esperado, já que essas maquinas serão manejada pelo ser humano – porque no intuito de um “tutor” ligado ao cérebro por fios que captam as ondas cerebrais, serão manejadas e efetuadas conforma o impulso. Tem também o fato de Entrada (input) e Saída (output), porque ao captar as ondas do cérebro o aparelho recebera essa “ordem” e entrará no sistema, esse mesmo sistema responderá com a resposta do que o cérebro mandou e mexer uma das articulação que resultará em um movimento e sairá essa ordem. Mas se ele capta ondas cerebrais, o que faria com pessoas com paralisia cerebral que tem espasmos severos? Será que esses espamos não resultará em ferimentos ou descompensações no equipamento?

Em todo o universo a energia se conserva, a entropia é a energia que não se torna nada, porque é uma energia que se conserva em si mesmo. Um exemplo é o gelo num copo que se derrete por causa do calor, o calor em volta do gelo é a energia que não vira movimento e só se torna a energia parada e transforma o sólido em liquido. O calor que nos faz suar é uma entropia. Outro exemplo é quando movimentamos a cadeira de rodas, se não movimentamos a cadeira de rodas estamos em repouso, ou seja, a cadeira de rodas não obtêm energia o bastante para se locomover porque não rodo ela no aro e não movimento ela para frente. O exoesqueleto, pelo que li sobre o assunto, usará apenas as ondas cerebrais e não o impulso corporal – pelo menos os israelenses são assim, em pesquisas ainda, vale salientar – sendo assim, ter que condicionar o cérebro para movimentar o aparelho que pode levar muito tempo. Nesse caso, não podemos fazer que o aparelho tenha o movimento que nós queiramos, porque depende do funcionamento efetivo e não o movimento esperado.

Mas no caso, e nos outros casos de aparerelhos atomáticos ou não, a informação e organização tem que ser mantida como meta de funcionamento primordial. Se isso não acontecer, o aparelho entra em entropia que nada mais é nesse caso, uma desorganização dessa informação. Voltamos ao exemplo do gelo no copo, ele derrete porque a energia estaguinada desorganiza as moleculas do gelo que fazem nessas moleculas se morfosearem em liquido para se auto-organizarem e voltarem ao estado agua. Da harmonia ao caos, porque o gelo a moléculas estão em harmonia, em liquido, elas se desorganizaram e o gelo se desfez. No caso, se não houver organização na mensagem que as ondas cerebrais vão mandar no equipamento, não terá um bom funcionamento por causa do logaritmo negativo dessa mensagem. Quando o fio do teclado ou sua entrada não está muito bem colocada, o teclado não envia a mensagem ao computador e ele não escreve porque o programa não recebe o comando, então, há uma desorganização da mensagem e o teclado entra em entropia. No caso do exoesqueleto, se não houver organização na mensagem recebida, pode causar uma series de complicações e até o ferimento do usuário do equipamento, pois ele pode fazer movimentos absolutamente, bruscos.

Mas há em outros aspectos que devem ser explorados como a estética, porque nossa sociedade enxerga na perfeição a felicidade. Se você andar, se você ser bonito (nos padrões aceitos), se você manter palavras, se você ler, se você fizer o que a sociedade diz para fazer, ai sim, você pode ser feliz. A felicidade não é um produto de supermercado que você adquire e pronto, ela estará lá, é muito mais complexo do míseros aparelhos e coisas que podemos ter, é a alma humana e sua própria natureza. Eu gosto de rock e não ligo muito para outro tipo de musica, mesmo que as pessoas queiram dar palpite, eu continuo a gostar porque é um ritmo que me agrada. O mesmo digo com minha deficiência, quem é extremamente a favor desse tipo de aparelho, não aceita a condição e quer achar meios, num tanto analgesicos, para os “outros” aceitarem a deficiência. Um caso ressente foi do cadeirante dar mil reais a um pastor curar sua deficiência por não aceitar ela, procurou meios analgésicos para os “outros” lhe aceitarem. Na maioria das vezes, as pessoas não aceitam sua condição porque os outros querem impor condições e aparencias que muitas vezes, não são nossas e tem também o mito da superação. Porque um “bom” deficiente tem que superar para virar “herói” e não somos heróis e nem santos.

Nos tratam como cobaias – pesquisas são feitas dentro desta mesma entidade e ninguém diz nada – e ainda as pessoas com deficiência aplaudem ao invés de terem cautela. Esperança de ficar “boa” para quê? Somos tão pequenos diante de um universo infinito, mas muito arrogante de não aceitar o que temos, o que precisamos nesse momento onde vivemos grandes distúrbios sociais. Não é um exoesqueleto ou um outro aparelho que vão fazer nós mais humanos, apenas nós mesmos em nossa grande força em sempre seguir a diante. Não tem nada errado acreditar na nova tecnologia, mas levar a sério um aparelho que vai apenas promover uma Copa de mentira e de mentirosos, só vai trazer ilusões para quem já é iludido, apenas será umas das mil mentiras que viram verdades. Bem vindo a Matrix!

Amauri Nolasco Sanches Junior → Publicitário, técnico de informática e filosofo da inclusão

http://www.youtube.com/watch?v=INmtQXUXez8

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