Publicado por: Amauri Nolasco Sanches Junior e Marley Cristina Felix Rodrigues | 13 de fevereiro de 2014

Mea Culpa

Deusa Palas Athenas com vestes brancas um elmo grego e uma lança

Quando escrevo textos a minha intenção não é em nenhum momento criar desavenças dentro do segmento e o meu intuito, é sim, fazer os deficientes refletirem sobre quem defender e quem deve ser mostrado as prioridades dos deficientes. Mas as pessoas ainda acham que eu tenho que “achar” coelhos felpudos branquinhos no meio que não tem nenhum coelho. Quando montei o blog Ser um Deficiente minha intenção era e é defender direitos e não priorizar fulano e priorizar ciclano, porque há em muitas instituições deficientes largados pelas famílias, há deficientes que a mãe ainda tem que carregar, ou é carregado em carrinhos de pedreiros, porque não tem uma cadeira de rodas descente, sem demagogia e sem nenhuma bajulação sequer. Fiz vários textos a favor na deputada Mara Gabrilli que me renderam criticas diversas dos esquerdistas até virou um mantra de um amigo, que disse que era um paradoxo ter um deficiente na direita.

Por eu ser anarco-deficiente (eu que inventei), nunca liguei muito qual era o lado que eu teria que tomar, porque sempre achei uma tremenda babaquice. Sempre defendi o que é certo, se é lei tem que cumprir, se é direito temos que esbravejar para que ele seja cumprido e se é dever tem que ser feito. Mas não posso fechar meus olhos o que as pessoas dentro do segmento defendem, só porque é deficiente deveria ser defendido, só porque é pobre deve ser defendido, não é e no meu blog não será defendido não. Falando nisso, falamos de ética e quando falamos de ética falamos de direitos que os outros também tem, se uns tem o direito de andar de avião, os outros tem todo direito de andar de ônibus que não é regalia nenhuma. Mas concordo que eu exagero as vezes e não me faço entender graças aos meus exageros, então vou explicar como podemos, como seres humanos que somos com deficiência, sermos cidadãos e lutar por um Brasil muito melhor.

O filósofo Aristóteles que viveu mais ou menos, no segundo século antes de Cristo na Grécia, dizia que somos animais políticos por causa de nossa linguagem e também, pelas nossas ações somos levados a coisas boas (respeito ao outro) e as coisas ruins (desrespeito aos outros). A ética aparece nesse nível, são regras básicas que temos que ter por causa da convivência e nada tem a ver de opinião burguesa ou opinião “companheiro”(uma tradução muito chifrin do “kamarada” soviético), tem a ver com respeito mutuo que um tem que ter com o outro. Quando os romanos criaram o termo educare, eles colocaram nesse termo uma definição em mostrar a realidade ao aluno, ou, mostrar os verdadeiros princípios e valores que um jovem deveria ter dentro da sociedade do império. Mas prefiro a definição grega que era paideia onde havia uma coisa além politica e além da realidade para passar ao jovem. Na verdade, o grego passava ao seu jovem a alma de ser um homem grego e ir muito além a uma realidade que é muito mais espiritual do que material, pois o jovem tem que se sentir grego, tem que sentir atrelado ao mundo e saber que o outro é um semelhante como nós, como qualquer cidadão grego. Arrisco dizer que era uma visão muito essencial da deusa da sabedoria e da guerra Palas Athenas, onde havia em seu simbolo a coruja mecânica que Hefesto (o deus coxo) fabricou de presente a ela. Da sabedoria (sophia), porque ela nasceu da cabeça de Zeus e era a deusa ponderada que só declarava guerra graças quando era realmente preciso. Palas Athenas era o simbolo da guerra intima humana em guerrear consigo mesmo para conseguir a sabedoria tão buscada pelo ser humano. Além da realidade existe a realidade, porque o que pensamos ser real é mera ilusão. Há uma realidade além da realidade que estamos acostumados e só acharemos quando chegarmos muito além dela, porque há pessoas que estão muito acima disso tudo, há pessoas que são acostumadas a ver o que os “outros” dizem e o que os “outros” ditam. Era o que o grego abominava, tanto é, que a filosofia (amizade a sabedoria) floresceu lá, pelo senso critico, pelo senso pensante, pelo pensar pelas próprias ideias.

Nosso pensar não é mais do que perceber o mundo a nossa volta, o mundo a nossa volta é parte de uma realidade muito maior e muito mais além. A intolerância vai muito além do que um mero ato de não educação ou o mero ato de não respeitar o outro, mas uma visão unilateral que temos do direito e não olhamos para os deveres porque perdemos a essência da paideia que não ensinava a ética de hoje (que é herdeira da virtu latina/romana), mas o ethos que era o EU no OUTRO, eu respeitar o direito do outro de fazer o que deve ser feito, ter o que conquistar e ser o que se é, sem criar ilusões inúteis. Aquelas vaias na verdade, não foram para humilhar as deputadas, mas um direito do outro de manifestação do atraso do voou, o direito do cidadão de chegar no horário no seu compromisso. O “menino” só foi amarrado por causa de sua escolha de ir no caminho do crime e não estudar, não conquistar e sim, prejudicar o outro. Isso se chama democracia e isso se chama harmonia, porque não podemos viver numa sociedade no qual o preconceito e a “intolerância” foi quase nos dois lados. O que falta aqui é essa compreensão, o que falta aqui é a tolerância de opiniões adversas e que não cai no “coitadismo” dominante, porque é deficiente não pode ser vaiado, porque é pobre não pode ser preso e porque é gay não se pode olhar feio, é uma visão muito da unilateral e é isso que temos que analisar, criamos uma cultura da ditadura do politicamente correto. Como eu disse no outro texto que ninguém entendeu, eu já fui vaiado, já tiraram uma da minha cara e já fizeram tudo que estão desses textos por ai…morri por acaso? Costumo dizer que tive meu agoge (educação espartana) para ficar com “dózinha” do outro só porque o outro quer ser mais, ninguém é mais do que ninguém e tem as mesmas coisas que todo mundo tem. Quem defende os deficientes nas clinicas largados pelos pais? Alguém vai visitar esse tipo de pessoa do que ficar discutindo o pobre menino que foi amarrado no poste? Alguém bateu de frente a INFRAERO por causa do MAMUTE que não tem nos aeroportos? Alguém bateu de frente com a SPTrans por causa do transporte acessível e na EMTU por causa do metrô? Alguém escreveu sobre o estado das ETECs e das escolas e bateu de frente com a Secretária da Educação? Porque viver na teoria é muito fácil e como dizia Aristóteles, a filosofia só é valida enquanto ela se torna algo muito mais prático e assim Kant concorda, porque quem quer faz e se quer um mundo melhor comece contigo, visite uma clinica, adote um menor abandonado, comece ser gentil com as pessoas e não critique com argumentos de intelectuais imbecis.

Há ainda hoje uma dominação popular de não aceitar que o outro quer aposentadoria, o outro precisa de emprego, o outro precisa de cadeira ou de aparelho, o outro precisa de respeito. Mas respeito começa contigo, no seu intimo, no seu movimento, no seu conceito, no seu pensar, porque tudo que recebemos nada mais é tudo que damos e não é ficar “solidarizado” que isso vai mudar, mas tendo ética. Viva a paideia verdadeira.

Amauri Nolasco Sanches Junior

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