Publicado por: Amauri Nolasco Sanches Junior e Marley Cristina Felix Rodrigues | 13 de fevereiro de 2014

As rodas santas andam de avião

 

Esse manute deveria está nos aeroportos

 

Vou postar um paragrafo do texto de meu colega Jairo Marques e depois volto para comentar ele:

Na semana passada, duas deputadas federais que são cadeirantes, Mara Gabrilli (PSDB-SP) e Rosinha da Adefal (PTdoB-AL), receberam uma vaia retumbante ao conseguirem, após uma hora de atraso, embarcar em um avião em Brasília.

Os passageiros estavam possessos com aquela demora que ocasionaria transtornos diversos em suas vidas. Tudo por causa de duas políticas que, provavelmente, estavam tendo algum tipo de regalia como poderiam pensar alguns, os que puxaram a reprovação coletiva.

Não era nada disso. As duas, como qualquer pessoa com deficiência deste país, passaram maus bocados para que a empresa aérea e a Infraero conseguissem o equipamento que garante o embarque —com alguma dignidade, e não como um saco de batatas— para quem usa cadeira de rodas ou tem movimentos restritos.”

Não nego que nesse país as pessoas com deficiência sejam tratadas assim, pois houve uma vez que fui descer no onibus e também os passageiros reclamaram e os carros que vinham atrás buzinaram, mas estamos falando de duas deputadas federais que tinham por obrigação fiscalizar esse tipo de serviço. Todos na pagina do Jairo ficaram indignados por eu não ficar indignado e não se solidarizar com as nobres deputadas, não me solidarizo e explico o porque. Uma ficou seu mandato inteirinho preocupada com uma aposentadoria especial – que diminui o tempo de trabalho de uma pessoa com deficiência – sendo que não temos uma regularização na Lei de Cotas que faz as pessoas com deficiência comecem a trabalhar muito tarde (talvez nem vejam essa aposentadoria). A outra não toma as providencias necessárias nem nas politicas de São Paulo e não está aberta para dialogo, postei varias vezes no Facebook dela que o serviço especial ATENDE não atendia nem eu e nem minha noiva e a resposta dada era que havia regras. No mais, a cidadã só posta fotos pedindo acessibilidade na Av. Paulista como se só lá trafega-se pessoas com deficiência, foto na praia, foto de todo tipo e fazendo campanha descaradamente, da AACD que é uma instituição privada que não atende como deve as pessoas com deficiência. Muitas pessoas vem reclamando que a instituição não atende e tenho um exemplo, onde minha noiva está sentindo forte dores nas pernas e nas costas, porque a medica não atendeu ela direito.

Pois bem, há uma cultura muito enraizada do “coitadismo” que ainda assombra até nosso segmento, porque reclamamos tanto de nossos políticos, que ainda temos “pena” deles quando são vaiados. Como disse, isso era uma obrigação do executivo fazer para exatamente, não passarem vergonha de ter vaias inúmeras. Em 2008 eu fui para Brasília e não se teve dificuldade nenhuma de me colocar no avião, ainda mais, que embarquei no corredor e a cadeira de rodas foi colocada dentro do avião e eu sentei no banco, simples assim. Fica evidente que quando há muitas regras e muitos aparelhos essas coisas se tornam muito bagunçadas, muito burocrático e não resolve o problema e não deveria por hora, ser a prioridade do segmento das pessoas com deficiência.

Vamos refletir um pouco sobre as prioridades que nos regem. Primeiro a acessibilidade de transporte e locomoção, porque sem a locomoção não podemos estudar (educação) e nem trabalhar, onde começa olhando as calçadas que rodeiam nosso Brasil a fora. Na verdade, existe muitas comunidades pobres que as ruas não são asfaltadas e não se tem o básico, nem uma cadeira de rodas ou outro aparelho, alguns de nós temos e isso é prioritário; porque temos que ter acompanhamento médico e de saúde para aguentar ter uma vida mais ou menos, digna. Depois temos que ver o transporte adaptado que dês de 2008 está prometido que ônibus seriam 100% acessíveis e não teríamos problemas com o serviço especial ATENDE aqui de São Paulo – que a ideia é muito boa copiada em outros países e em outras cidades, mas sucateada pelo atual prefeito – porque sem esses tipos de transporte não podemos se locomover e não podemos ter uma vida social. Para não dizerem que sou parcial, há no meio escolar o serviço do Estado chamado Ligado que não é muito competente, pois via e regra, atende só que não é atendido pelo serviço especial ATENDE que é um absurdo, parecendo acordo de “compadre” e não podemos optar. Na área da saúde não temos medicos adequados a demanda de pessoas com deficiência, então, ficamos a mercê de entidades que lucram com operações, experiencias e estão errando as operações que fazem, não tem estrutura, não tem funcionários treinados adequadamente e não tem educação. Aliás, essa mesma entidade tem uma baita campanha e não faz jus a essa campanha, usando nela o transporte publico (ATENDE) e fechando os movimentos a participarem. Bom, se poderia apliar esses serviços no meio publico para não precisar dessas entidades, pois as UBS´s não sabem nem pedir no SUS cadeiras de rodas e aparelhos, o Centro de Reabilitação Lucy Montoro só atende quem não é atendido pela outra entidade, gerando um defist muito grande na hora do atendimento, gerando milhares de pessoas na fila e uma fila interminável. As escolas precisam de material, mesas adequadas para cadeirantes, interpretes de libras, descrição e texto em braille e treinamento para os professores, fora que tem que colocar elevadores adequados para escolas com mais andares e transporte acessível e adequado aos alunos com deficiência (geral, até mesmo os autistas). Depois precisa do cumprimento e adequação da Lei de Cotas, esses 5% deveria ser especificado porcentagens para cada deficiência e não apresentar laudo médico, nenhum negro apresenta o exame de DNA para provar que é descendente de negro para cotas em universidades. Treinamento do RH para entrevistas e adequação, acessibilidade em uma empresa mesmo que ela não tenha funcionários com deficiência, pois pela lei, TODO prédio publico ou privado, deve ser acessível e estabilidade no emprego, porque daí, o “molecão” contrata o deficiente por um mês e depois manda ele embora porque “aporrinhou” as paciência do cara e o cara não conseguiu fazer o serviço. Com trabalho estabilizado e uma boa educação para conseguir esse trabalho, daí podemos planejar a acessibilidade em aeroportos e praias, porque o deficiente tem uma educação e tem dinheiro para viajar e ter dinheiro para ir a praia. Os advogados, empresários e executivos com deficiência, são minoria e não devem ter problemas para viajar.

As pessoas não cansaram ainda de serem alienadas e começarem a pensar, porque o discurso é bonito, mas não faz jus as prioridades que tanto queremos. Para que temos praias acessíveis se ninguém pode ir? Para que temos aeroportos acessíveis se não podemos trabalhar para ter dinheiro e viajar? Por que temos que ter aposentadoria se nem trabalhar podemos? São essas perguntas que devem ser feitas antes de mandarem solidariedade a duas executivas que deveriam fiscalizar e não dar prioridades a coisas que não precisamos.

Amauri Nolasco Sanches Junior – um publicitário, um técnico de informática e um filosofo, não sou cabo eleitoral de ninguém.

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