Publicado por: Amauri Nolasco Sanches Junior e Marley Cristina Felix Rodrigues | 5 de fevereiro de 2014

União e segregação das pessoas com deficiencia

Um desenho com um politico segurando uma mascara de anjo mostrando sua verdadeira face de demônio

Muito bom o texto do blog “Assim como você” do jornalista cadeirante Jairo Marques com participação do meu brother Dudé Vocalista cuja o nome é “Rolezinho do Malacabado” que fala da segregação que alguns querem. Ter BBB de deficientes? Ter jornais de deficientes? Ter “porra” de fabricas só para deficientes? Shows só para deficientes? Isso me lembra a luta insessante de deficientes que querem o fechamento das classes especiais e o governo, por motivos que já disse aqui no blog milhares de vezes, insiste em manter essas classes por motivo de “democracia” da família querer ou não separar o seu filho da sociedade e isso é fato. Diz as mães dos “especiais” – adjetivo que acho nojento e que não ajuda nada as pessoas deficientes a superarem – que o mundo é violento e que os professores não estão preparados para “cuidar” de seus filhos, mas não vão cuidar dos seus filhos mesmos, vão ensinar como o mundo e a cultura processa e se comporta, valores você aprende em casa. O deficiente fica com essas “baboseiras” na cabeça e fica destilando esses valores inculturais e tem mais, numa classe especial não está isento de funcionários baterem na criança, de um estuprador estuprar sua filha ou filho, que as pessoas podem trancar, privar seu filho de algo. Então é uma mera “fantasia” pensarem que as pessoas deficientes estão seguras, porque presenciei muito motoristas drogados, motoristas mal educados e motoristas e funcionários estupido quando fazia tratamento na AACD. Médicos que viram para seus pacientes e dizem que nunca irão andar, mesmo que isso seja verdade, quem é esse médico – mero funcionário de ums instituição medíocre que só que tem o Teleton, graças a Hebe Camargo e não da competência dos diretores, pensa ser alguma instituição a mando de Deus – para tirar da criança um mero pensamento que pode fazer ela superar? Nada! Mas deixamos os deuses do olimpo por hora e descemos a Terra para falar em união.

O Manifesto Comunista de Karl Marx, que li em um folego só, acaba com um grito de ordem interessante que diz: “Proletariado, uni-vos!” e era um chamativo para a união. Não tivemos nenhum governo marxista, mesmo que você tente talvez colocar stalinismo ou o castrismo (o maoismo não é mesmo marxismo, é um confucionismo radical), não se teve o ideal marxista de união do proletariado e sim, um capitalismo burocrata interno como diz Ken Knapp no seu livro “A Alegria da Revolução”. Concordo com Knapp que não haverá um governo justo, isso tem até como base, sem a união efetiva não só do segmento, mas de toda a sociedade. Se fizemos um exame de DNA teremos o mesmo de toda a humanidade, não teremos um DNA da deficiência. Sem a deficiência alguns só restam desmembrar a ideia do que fazemos de nossas vidas, porque não nos restam muita coisas. Mas voltamos ao exemplos dos conselhos que Knapp dá em seu livro que pode muito bem, caber o que vamos entrar no assunto.

Knapp disse no livro que os “conselhos” do tempo stalinista eram caricaturas do modelo marxista, os “soviétes” nada mais era do que um modelo representativo não muito diferente do modelo czarista. Então não é muito libertário ter representantes e não é democrático, eleger representantes para fins de nos representar e lutar por nós em direitos e buscar efetivar esses direitos, mas atrás disso tudo, tem a burocracia estatal, os transmites legais (dizem ser), existe por trás também vontade e vantagens inúmeras que podemos ter ou não. Ora, não muito longe, podemos olhar para os conselhos que dizem representar as pessoas deficientes e dizer que nos representa. Do município de São Paulo, é um conselho de pessoas e não de instituições, então vai pessoas que discutem – discutem o sexo dos anjos e só dão palestras essa é a verdade – que chegam do senso comum (será?) e se vota naquela medida e os representantes levarão ao governo municipal. Primeiro temos que analisar o nome que é Conselho municipal das pessoas com deficiência e mobilidade reduzida, ou seja, passaram um vernis em uma coisa que não tem muito a dizer porque dentro (…) das pessoas com deficiência (…) já está a (…) mobilidade reduzida (…). Ou essa (…) mobilidade reduzida (…) quer dizer para idosos, gestantes, obesos e etc? Não sei e muitas pessoas não pararam para analisar, porque a analise de um nome é chato, é muito stressante, muito banal, o importante ir lá passear e conversar, rever os amigos, esses conselheiros são muito chatos e não deixam as “crianças” ficar na “azaração”. Mas voltamos a nossa analise, o processo que cabe cada conselheiro representante de cada deficiência é defender o que é lei e o que foi discutido em assembléia, que muitas vezes, esbarra nos interesses ou burocracias do governo municipal e suas secretarias. Isso seria o modelo ideal de democracia? Isso seria o modelo ideal que de repente, Karl Marx colocou em suas obras e o mundo cultua regimes que nada tinham a ver com seus escritos? Temos a democracia que votamos diretamente no candidato, mas mesmo assim, escolhemos alguém porque não nos sentimos capazes de nos representar e nos impor como cidadãos. O mesmo acontece nesse conselho em questão, fica uma “coisa” injusta pensando ser uma coisa justa, uma igualdade que não existe porque quem não concorda é isolado, é retirado da assembleia porque na visão do poder, tem que ter uma concordância com a Secretaria das pessoas com deficiência e mobilidade reduzida.

Enquanto a estancias Estaduais e federais, são conselhos que as entidades são nossos representantes. Por exemplo, O Conselho Estadual dos Direitos das Pessoas com Deficiência daqui de São Paulo, que não sei onde está esses “direitos”, mas tudo bem, é um conselho onde quem nos representa são entidades e essas entidades escolhem os conselheiros. De uma forma que não é democrática, porque quem escolhe do município de SP é a entidade Conselho Municipal das Pessoas com Deficiência e Mobilidade Reduzida, representantes da APAE (Amigos, Pais e Mestres dos Excepcionais) e não poderia faltar a AACD (Associação a Assistência a Criança “Deficiente”). Mas quem elegeu eles como nossos representantes? Quem elegeu eles como representantes legais dentro do segmento? Eu não vi – pelo menos não onde frequento – nenhum deficiente se sentir representado por esse tipo de entidade e não vi ainda ninguém dessas entidades ao invés de buscar nos representar, dar melhores tratamentos aos pacientes que não importa a classe social, também paga de alguma forma. Agora, para fechar a comédia da “causa”, existe o CONADE (Conselho Nacional dos Deficientes) que não sabemos quem está lá, não sabemos quem elege e nem sabemos o que eles fazem, apenas falam em representação que ao meu parecer não acontece. É uma incógnita esse tipo de conselho – que pensando bem e com muita analise – não faz jus ao Estado democrático, muito embora, que o Estado democrático ele é injusto porque votado pela maioria, essa maioria pode ser manipulada, ou não há uma maioria, mas números apenas. Os conselhos e secretarias não são democráticas, não são representativas e não são eleitas pelo segmento liberando una representação antilibertária.

Se essas secretarias e conselhos são antilibertários ao ponto de incluir e dar as pessoas deficientes uma melhor forma de viver nessa sociedade, porque temos que seguir esse tipo de instituição que é regido pela ideologia do partido que está no poder naquele momento? Porque sempre vamos pensar que no futuro isso vai mudar e a luta sempre ficará para depois, a união sempre vai ficar para depois, as minhas mudanças e a minha independência sempre ficarão para depois, porque temos aversão o agora que nos mostra a verdade, temos medo de nos olhar no silêncio. Então, em nome desse medo, inventamos um suposto conselho que supostamente defenderá nossos direitos e que supostamente nos libertará da opressão, tanto psicológica, quanto física da exclusão. Exclusão essa que muitas vezes é nossa mesmo e isso vimos no texto do Dudé, que tenho que ter shows para deficientes, casas noturnas para deficientes, escolas para deficientes, temos que ficar com a turminha “malacabada” porque assim alguns de nós querem. Não precisamos ir longe, só olharmos a comunidade surda que se dividiram em dois porque os que se comunicam com LIBRAS, condenam de traidor quem faz Implante Coclear (IC) e com isso, o segmento segue com a eterna divisão, uma divisão muito mais ideológica, do que consensual. Qual a solução? Qual é a representação necessaria? Ora, os movimentos que movimentam as pessoas ao rumo libertário – alguns movimentos tem o conceitos e ideais que são partidário e que são de cunho religioso e só vamos sair dessa “amarra” quando sairmos desses ideais que nada liberta – mostram que podem e devem tomar as decisões sempre com o intuito da inclusão.

Mesmo que os movimentos tenham hierarquia – como ainda não somos maduros o bastante para temos noção que caminho seguir – é o caminho lógico de um momento libertário e esse momento não é de cima para baixo, é de baixo para cima. As revoluções são o momento de quebrarmos tabus que não se sustentam, quebrar conselhos que não nos representa, é quebrar o circulo vicioso.

Amauri Nolasco Sanches Junior → publicitário, técnico de informática, filosofo, deficiente físico e coordenador da Irmandade das Pessoas Deficientes

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Responses

  1. É um argumento interessante pois eu mesmo nunca fui perguntado sobre quem deveria ser meu representante. Afinal, que elegeu esse pessoal líder de alguma coisa?

    • Pelo que esfregam na nossa cara foram nós, mas não me lembro de eleger esse pessoal para ser representante de nada


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