Publicado por: Amauri Nolasco Sanches Junior e Marley Cristina Felix Rodrigues | 29 de janeiro de 2014

Amor e rolezinho cadeirante

Um amor sem obstáculo é o verdadeiro amor

Um amor sem obstáculo é o verdadeiro amor

Lendo uma reportagem sobre relacionamentos na revista Sentidos – que está meu amigo de luta o rapper Billy Saga – intitulado “A vida a dois não depende de Cadeira” fala como é ser um homem cadeirante e ter um relacionamento. É difícil definir o momento certo de ter ou não um relacionamento, isso acontece naturalmente e não podemos olhar só na maneira material. Gosto da maneira no qual o filosofo Espinosa – que foi descomungado da comunidade judaica por acreditar em outro tipo de visão de Deus – explicava o amor, pois segundo ele, o amor seria uma maneira do ser humano enxergar no outro a felicidade. Assim, a felicidade era a maior meta no ser apaixonado em reflexo no outro e assim, naturalmente, o amor se concretiza. Muitos moralistas e pais de pessoas com deficiência, irão dizer que uma pessoa sem deficiência irá lhe trancar em casa e sair por ai, ou, se ele tiver deficiência nunca serão felizes porque os dois não vão poder se virar. A luta é efetiva e não podem ser olhada com esmero de luta de classes, porque estamos falando em sentimentos pessoas.

O que sempre me incomodou foi o fato de alguns “movimentos” quererem dizer que esses assuntos eram de cunho pessoal, mas não são de cunho pessoal e pode afetar até a maneira que as pessoas tratam da luta de todos nós. No amor não é diferente, devemos sempre trabalhar em prol de uma vida melhor para as pessoas com deficiência e não querer manipular seus desejos e aquilo que o a afligem e além do que, uma pessoa pode reclamar uma situação que mais de uma pessoa pode estar sentindo. Fica difícil padronizar as lutas e que pode ser batalhado ou não, todas as batalhas são validas com o proposito da inclusão.

Mas vamos falar do amor que nos fazem humanos (seres racionais que tem sentimentos), nos fazem seres que com palavras podem demostrar afeto e ser muito unido com outro ser. Podemos demonstrar amor ´familiar, podemos demonstrar amor ao bichos de estimação, podemos demonstrar amor a algum objeto e podemos sentir amor por outra pessoa, única em seu estado de união, única em seus olhos se encanta e se une em uma só voz. Não, não é poético, é isso que nos fazem humanos e é isso o objetivo de uma união, conviver com a diferença, porque cada ser humano é único em todo o universo e nesse universo tudo é único. Dois seres humanos podem se parecer, mas nunca serão semelhante, nunca serão idênticos. Mas por que colocaram tantos obstáculos dentro dos relacionamentos que são apenas compactuabilidades espirituais? Porque o ser humano complicou por demais as relações humanas em culturas e determinações que algumas coorporações assim o querem e no meio das pessoas com deficiência, isso não é diferente. A diferença é a maneira que a sociedade nos enxerga e como a sociedade nos tratam como se fossemos “coitados” e “assexuado”, pois não temos o direito de “fazer amor” com quem gostamos e nem termos uma vida digna, com saúde, com escola e convivendo numa sociedade hipócrita e que não enxerga o obvio. Esse obvio é a mudança que nos atinge, uma mudança que as pessoas com deficiencia já não aceitam serem tratadas como “coitadinhas” e seres inocentes, não somos inocentes e temos muito a viver e acrescentar dentro de uma sociedade que ainda não enxergou. Ainda bem que na maioria dos casos, as pessoas acham “bonitinho” dois cadeirantes abraçados num shopping (pelo menos no meu caso), mas também há quem condena “essa pouca vergonha” dentro de um shopping onde a família passeia e não quer que seus filhos vejam essas coisas, porque também o “deus” que o pastor prega (vaidoso, vingativo e ciumento) não tolera beijos e o amor livre, o amor entre duas almas. Como disse o mago Alester Clowley: “amor sob vontade”.

O amor entre dois cadeirantes ou dois deficientes, são raros em revistas, talvez por causa da necessidade de quebrar alguns tabus, mas também, ao quebrar tabus se cria outros. As pessoas agora “acham” que os deficientes deveriam namorar e casar com pessoas sem deficiência por causa do “cuidar”. Mas esse “cuidar” é muito mais uma maneira maternal do que numa maneira companheira, porque duas pessoas com deficiência pode cuidar uma da outra, por que não? O ser humano se adapta e se desenvolve em ambientes hostis, não em ambientes confortáveis.

Nossa união deve ser vista como outras tantas uniões, sem preconceitos, sem distinções. Isso foi visto nos comentários do texto do jornalista e cadeirante Jairo Marques “O Namorado da Miss Bumbum” que mesmo em nosso meio, há uma preferencia ao paternalismo e ao desejo incontrolável de tutela de outrem. Quantas vezes não disse para minha noiva que seu príncipe (sou eu), estava num cavalo prateado? Nossas cadeiras de rodas são chamadas como nós desejamos e não é diferente que define seu nariz, sua boca, seus olhos e outras partes de seu corpo. Como sempre digo, quando eu e a Marley estamos juntos até nossas cadeiras de rodas namoram, porque não há obstaculo para o amor, não há obstáculos para a união a dois.

Amauri Nolasco Sanches Junior → Publicitário, técnico de informática, filosofo e coordenador da Irmandade da Pessoa com Deficiência 

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