Publicado por: Amauri Nolasco Sanches Junior e Marley Cristina Felix Rodrigues | 25 de setembro de 2013

Bondade e Superação

Descrição no texto

Descrição no texto

Por Amauri Nolasco Sanches Junior

Vi uma figura muito interessante que mostrava uma mesa de jantar e um casal comento, segundo a plaquinha na parede, pernas de rãs. Ao mesmo tempo, uma rã de muleta com uma perna só, abre a porta e outras rãs de cadeiras de rodas entram para fazer um protesto sobre essa atitude de comer suas pernas. Um amigo disse que poderíamos chamar de rãs com necessidades especiais e que era uma imagem perfeita para mostrar como tem pessoas que usam esse discurso – falas de superação que nada ajudam o meio e que aumentam o paternalismo não só das instituições, como esse paternalismo governamental hipócrita e sujo – em suas palestras e textos, para alimentar seus próprios “egos” já destruídos com o fato de ficarem deficientes e que insistem em sonhar com uma cura. Eu desconfio de pessoas que postam fotos com sorrisos, com pessoas e mais ainda, com a imagem de superação que não tem. Não me venham querer que apoio esportistas, que apoio “heróis” da inclusão, pois não irei apoiar e não gosto, não mesmo, de imagens de superação heroica como se fossemos obrigados a apenas superar no meio esportivo.

Essa é a ética do segmento das pessoas com deficiência, cada qual, enxerga suas próprias necessidades como sendo únicas e não é. Porque quando se luta por uma causa, ou se juntamos com outros movimentos, ou damos murros em ponta de faca. Lembramos a determinação de pessoas e reis que juntaram maiores números de pessoas e lutaram até o fim por causa da sua liberdade, por exemplo, o rei Leônidas I de Esparta e seus 300 espartanos que reuniu 7 mil homens contra 20 mil persas do rei Xerxes. Mas o segmento sabe o que é inclusão e sabe os meios para se chegar uma verdadeira inclusão? Não sabe nada de inclusão e muito menos de união, senão, não brigariam por coisas completamente, desnecessárias.

Bondade vem de bom que tem a raiz do termo bonnus que eram guerreiros tipo da cavalheiresca das legiões romanas – essa definição que damos para ser bom, é uma interpretação da igreja apostólica romana que jogou como um ser humilde, mas nada era do que um meio de se fazer  a doutrinação necessário – um titulo que davam para aquele que se destaca-se. Ser bom era para os romanos, eram serem homens e mulheres gentis e tinham um sentimento nobre (como ser justo e que não fizesse nada que prejudicasse o outro, um cavalheiro medieval mais ou menos) e o bonnus era o máximo que um guerreiro poderia alcançar. Segundo o filosofo e filólogo Nietzsche (1844-1900), o bom começa na Grécia antiga com o poeta Teógnis de Megara que fala em um “bom” que contem a realidade, ser real e posteriormente se começa a atribuir ao ser que tem um “espírito nobre” e que esse conceito de “bom” e “mal” veio da aristocracia que só quer dominar pondo o espírito de rebanho dentro dos corações da massa. Isso certamente foi no período medieval quando os nobres cristãos defrontam com uma massa desprotegida e crédula, e incrivelmente, ignorante. Essa bondade que está em nossa cultura é adquirida e posta pelos donos do poder, então surge um monte de homens e mulheres bons para mostrarem o que não são para mostrarem suas hipocrisias. Parece meio contraditório você ter um sentimento que não condiz com sua natureza e nem o que você não quer sentir, a vontade é um sentimento muito mais poderoso do que muitas demonstrações de força.

A palavra superação vem do termo latim superation que quer dizer “ato de eleva-se, de passar por cima” e vem de super que é “acima”. O ato de se elevar acima de todos, passar por cima de todos que pudessem ter uma suposta cultura inferior ou que tivesse uma fraqueza espiritual. Ou seja, você ser um “marco” da superação é colocar seu intuito e sua deficiência – caso o cara seja cadeirante, podemos dizer que ele está se colocando “acima” das outras deficiências e é, em sua maioria, pessoas que ficaram deficientes depois e que são frustradas com não poder andar – acima de qualquer outra que possa ter. Em seu intimo, pode se dizer, é uma pessoa pobre de espírito e que não tem muito a oferecer ao outros. O espírito de Bondade e Superioridade, não é no contexto da essência de cada palavra, mas é num gesto cristão da humildade falsa e do contexto outro como uma máxima sua e não universal. Essa bondade é o conceito do fraco, do nada, de se sentir inóspito para o outro, e não fazer para si mesmo. O que adianta ter esse conceito e não ter para si? Tanto bondade, quanto superação, são conceitos do ethos (não a ética de hoje que faz uma confusão com a moral[mores]) que tem a ver com seu espírito de ser guerreiro e de superar a si mesmo, conhecer a si mesmo e não essa humildade que lhe põem fraco e você quer mostrar o que não é. Os “exemplos de superação” são pessoas que não estão contentes consigo mesmo, não são seguras consigo mesmo, “acham” (porque não tem a menor certeza) que sendo menor vão ser humildes, mas são apenas ovelhas dóceis em um rebanho mundial. O ethos não é se anular por causa do outro, é se descobri e nessa descoberta corporal e espiritual, ver sua capacidade e levar para o outro o que descobriu, cada um tem sua natureza, cada um tem sua crença.

A imagem mostra o quanto as rãzinhas se uniram num protesto quanto a venda de suas pernas e quanto a união faz tudo, não essa união de humildade humilhatória que só serve para te colocar para baixo, mas a humildade de ouvi sua própria alma e sua vontade, porque o que move o mundo é sua vontade e nada mais.

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Responses

  1. A época do palanque e discurso vazio já passou. Ele não nos ajudou em nada e está convencendo cada vez menos com o passar do tempo.
    Excelente texto.

    • obrigado brother


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