Publicado por: Amauri Nolasco Sanches Junior e Marley Cristina Felix Rodrigues | 19 de setembro de 2013

Partidos com buracos

Dep. Mara Gabrilli na beirada do buraco com cara de espanto com a boca aberta e no lado sua enfermeira apoiada e sorrindo

Dep. Mara Gabrilli na beirada do buraco com cara de espanto com a boca aberta e no lado sua enfermeira apoiada e sorrindo

Por Amauri Nolasco Sanches Junior

 

Estou, coincidentemente, discutindo a democracia em grupos ligados a assuntos de filosofia e num belo dia, vem a deputada Mara Gabrilli (PSDB-SP) postar uma foto, na beira de um buraco com o rosto de espanto e indignação que se vê que é teatral. Ainda a dona deputada encontra um buraco da Avenida Angélica, centro de São Paulo que reabre a discussão sobre quais rumos e deve ter a democracia aqui no Brasil, porque a população está muito despreparada para votar e é uma obrigação e não um dever. Imagina as pessoas com deficiência que só dá um “docinho” já vota no cara, tem que ver o conjunto da obra, senão, a obra cai.

Democracia começa da Grécia antiga muito antes de Cristo, mais ou menos, uns quinhentos anos e quer dizer “governo do povo” e é muito engraçado, essa democracia que vimos por ai afora. As pessoas estão preocupadas em salvar as baleias, salvar o boto cor de rosa, poucos querem salvar o ser humano que o sujeito acha egoísta e cruel, mas que vota em políticos da mesma estirpe. É engraçado que as pessoas matam por causa de “games”, mas elas não engravidam por causa de novelas, não estupram por causa de revistas masculinas, não assaltam por causa de anúncios e por ai vai. Não se tem uma opinião própria porque o brasileiro é manipulável e desonesto consigo mesmo por causa de ganância, por causa de suas opiniões toscas e manipuladas até mesmo em discussões simples de filosofia ou arte. Há uma grande “deficiência” de interpretação própria, há um grande erro de tomar tudo ao pé da letra, há o erro de tentar ser o que não é de verdade. Daí chegamos a um engodo interessante: somos democráticos? Não impomos as questões ao invés de debatê-las? Ainda criam termos completamente hilários que nada tem a ver a respeito de nossa política muito tosca e pobre em argumento, porque não se tem o habito do argumento.

O que seria democracia no seu grau de liberdade? Segundo a etimologia (estudo de palavras e suas origens), democracia vem do grego demos  com a conjunção de kratos  que é povo. Foi juntado pela primeira vez, segundo a obra do Frei Beto A Mosca Azul, de uma obra de Esquilo que se chama Suplicantes, onde a população (demo) de Argos deveria decidir (kratos= o poder de decidir) asilo as Danaides, que mataram seus maridos na noite de núpcias. Daí se teve o termo e que hoje não tem a mesma concepção que se teve na Grécia da antiguidade, porque hoje os direitos políticos são representativos e muito poucos podem decidir e a população mais pobre – que existe casos de não querer ter uma educação escolar ou não pode ter – faz o que sejam iludidos com promessas e imagens que pode mexer com a emoção e da indignação (que Aristóteles vai dizer que a retórica dará uma cartase =kárthasis  que era a purificação da alma com o discurso poético), e essa indignação ainda á manipulada diante do bojo da situação. Na Grécia antiga, só os mais preparados eram determinados para discutir a direção que a polis iria trilhar, hoje com a republica representativa –  republica vem do latim res = coisa e publica = coletivo, o povo, então um res publica é uma “administração publica” com representantes que elegemos e que deveriam cuidar de nossos bens públicos – onde elegemos cada um dos representantes.

Chegamos a questão da foto e as expressão caricaturada de uma “representante” do segmento se mostra com um rosto espantado e com nosso dinheiro – não somos isentos de pagar impostos nas compras de mercado e outras compras – é paga para não fazer nada. Isso é a democracia mundial ou é a democracia somente do Brasil? Pegaram essa democracia meio a francesa – com “temperos” brasileiros de deturbar liberdade com bagunça – e colocam no meio um diagnostico muito esquisito que não cabe hoje, porque o segmento das pessoas com deficiência é outro e tem outra dinâmica. Como falar de democracia se o próprio segmento não é democrático? Infelizmente, existem ainda seres humanos que não sabem viver em sociedade e só sabem enxergar a si mesmo. Isso se da pela forma ética que se concebe o mundo e a politica brasileira assim como nossa cultura, tem sérios conceitos de ética e que tem a ver com a concepção do ser social.

Aristóteles (384-322 a.c.), escreveu muito sobre a ética (ethos) e politica, porque a visão dele de ética era uma visão grega da época, onde o ser ético era o ser feliz. A felicidade (eudaimonia) era para o grego, pelo menos nessa época, exercer o poder de cidadania e ver a essência de poder opinar sobre os fatos ocorridos e os problemas decorrentes. É mais que evidente que o grego por causa do comercio, ouviram falar da filosofia oriental e sua essência. Tanto é assim, que não há nenhuma diferença entre o Bhagavad Gita e a Ilíada na questão ética, nem mesmo, no budismo. A ética (ethos) grega não difere com a ética do budismo ou hinduísmo – até mesmo tem estrema relação com a ética do oriente médio como a persa, a egípcia e etc – porque o ethos grego nada mais é do que o caminho reto para chegar a eudaimonia, então, se hoje a ética é uma regra moral por causa de uma má interpretação  dos romanos que só pegaram as regras sociais – moral vem de mores que nada mais é, do que uma tradução do ethos grego e muito mal feita – para o grego o ethos nada mais é do que um bem intimo para se chegar a felicidade e por isso é um bem comum, um universal, estar junto com a politica (politikós). Aristóteles vai dizer que o homem por natureza é um animal politico (anthropos physei politikon zoon), porque para ele, toda comunidade visa o bem comum (teria que ser regra) para visar a perfeição e sumo bem (bem maior). Mas qual o sumo bem de uma sociedade ética? Para Aristóteles, esse bem só ia ser chegado se visasse a essência dessa ética (ethos) que é a chegada de um equilíbrio sem excessos para se chegar a felicidade, mas tanto essa ética, como a felicidade, eram universais, ou seja, algo que cada um carrega com todo seu aprendizado e a educação – que para o grego que começa a discutir o problema de educar, concebia a educação como mostrar a realidade e preparar os meninos (as meninas não eram educadas) para a cidadania e a nobreza, tanto é, que paideia (de paidos= criança) que dizer “criação de meninos” – mas que esse intimo é respeitado por todos para um bem da polis e chegar a perfeição. A moral perfeita, diz o filosofo de Estagia, não é só intima, mas que não tenha nenhum excesso e não tenha nenhum egoísmo, na verdade, essa era a essência da democracia da época e Aristóteles, deixou grande legado sobre ética politica. Para os gregos, exercer a politica era ser ético por natureza.

Nisso podemos chegar às fotos da deputada Mara Gabrilli quando mostra buracos na cidade de São Paulo, ou melhor, no centro de São Paulo onde nada tem além de comercio. A classe politica como o cidadão brasileiro, esqueceu do seu intuito de exercer a ética em sua essência e começa a deliberar coisas que os intelectuais jogam como filosofias de botequim, nada ajudam a polis a desenvolver a real politica do coletivo. Só conseguiremos exercer a inclusão e acessibilidade nos unindo em uma só voz, num conceito próprio e que tenha nossa identidade, nossa marca. Lindas fotos não fazem éticas, lindas fotos fazem um mundo que não existe e se tem alguma pessoa com deficiência que acredita, isso é ingenuidade, é se auto alienar. O demagogo faz parte da democracia, porque era considerado o líder do povo, mas ao mesmo tempo, ilude e só enxerga seus próprios interesses. Somos uma cultura demagoga, somos em essência animais demagogos por causa de nosso egoísmo ideológico e hipócrita. Somos encurralados e promessas, promessas e nada mais.

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