Publicado por: Amauri Nolasco Sanches Junior e Marley Cristina Felix Rodrigues | 24 de agosto de 2013

Violência com as pessoas com deficiência e a liberdade que somos privados

Um quadrado azul escuro, escrito a frase “Diga não ao Preconceito”

Por Amauri Nolasco Sanches Junior

Lendo um texto da minha amiga surda e pessoa com deficiência física, Diéfani Favaretto Piovazan chamado “O preconceito que a envolve causa uma morte social que precede a morte física” que diz muito bem o fato de alguns quererem justificar um ato de violência desmerecendo outro ato de violência e outro segmento oprimido. Já escrevia isso em 2011 no texto Violência Silenciosa quando então senadora Marta Suplicy ao defender a posição dos homossexuais na comissão disse aos evangélicos – esses jogaram o argumento que as pessoas com deficiência também vive violência e ninguém diz nada – que não sofremos a mesma violência que os homossexuais e que não sai no jornal. Até mostrei esse texto a minha amiga, porque achei que tinha a ver com o assunto, mas lendo ele (eu estava no meio do meu curso) estavam meio sem conexão nas ideias e vou trabalhar melhor elas agora.

O termo violência vem do latim violentia “veemência, impetuosidade”, de violentus “o que age pela força”, e muito provavelmente sua origem vem de violare “tratar com brutalidade, desonra, ultrajar”. O interessante que esse termo parece muito com violar, mas violar é uma violência porque violamos algo de alguém, porque mexemos com a desonra de alguém. Por que será que uma violência de uma pessoa é diferente da violência de outra pessoa? Um estupro de uma mulher é horrível em qualquer circunstância, mas não tentem dizer que as mulheres com deficiência não vivem isso que é mentira. É muito provável que violência e violar – o termo violar já é latim – vem do termo latino vis que o seu significado é “força”, então, tanto violar como violência, é forçar uma situação onde está contra a vontade do violado ou violentado. Para as pessoas com deficiência, isso é muito pior e tem um viés dentro da sociedade muito grave, somos tratados como incapazes e como crianças que não tomamos nossas decisões. Por um lado podemos dizer que somos vitimas, porque a violência em nós é muito pior, porque não podemos nos defender e muitas vezes, como mostrou a minha amiga em seu texto, é silenciosa porque não temos voz nem vez. Mas também somos cumprisses por enxergar essas coisas e não fazer nada se fechando em nosso mundo e não ampliamos nossas fronteiras.

Para não depender de tutores morais – tutor é um apoio e moral é uma regra de convívio social onde devemos seguir o que a maioria segue, que pode ser manipulável conforme o governo que se estalem e a ordem religiosa que se professe – deve se ater em procurar sempre o esclarecimento de tudo e todas as leis que podem, por ventura, serem usadas ao nosso favor. No caso de qualquer violência, se pode mover ação contra maus tratos de incapaz, que na maioria das vezes, é causa ganha. Mas também tem a violência psicológicas que é muito pior – forçar uma situação por causa de uma ordem moral ou forçar uma situação de ordem da não vontade da mesma, pode ser um tormento para essa pessoa. No caso de namoro, isso acontece com frequência, no caso de assedio, isso acontece sempre porque a pessoa não pode se defender e na maioria das vezes, depende dessa pessoa – porque essa é silenciosa e não pode ser flagrada por ninguém, porque quer fazer da pessoa algo que ela não é. Isso acontece muito nas religiões que as pessoas seguem, muitas vezes, eles querem curar as pessoas e quando não conseguem, ainda “acham” que a pessoa não teve fé.

As pessoas com deficiência vivem uma violência silenciosa porque muitas vezes essa violência se dá pelo dia a dia. Uma coisa que me fez pensar no texto é quem disse que nós não vivemos o mesmo? Quantas mulheres surdas, cadeirantes, com deficiência mental, não foram abusadas dentro ou fora de casa? É uma lastima que as pessoas ainda ficam pensando que o mundo delas entra em conflito mais do que o nosso, mas ninguém enxerga a luta dos movimentos para termos só o direito a sair porque querem privar o transporte que é um direito do cidadão. Todos somos humilhados pelas nossas diferenças, tanto corporais, como escolha ideológica e comportamental e no caso do homossexuais, sexual/afetivo. Então não podemos diminuir os sofrimentos alheios por causa de uma luta de todos nós e não só das partes envolvidas.

Immanuel Kant (1724-1804) falava em seu texto “Resposta a pergunta: o que é o esclarecimento?”, que a maioria das pessoas preferem ficar na “minoridade” por ser mais cômodo terem tutores morais para assegurarem respostas seguras. Isso mesmo, ninguém quer pensar por si mesmo e não querem lutar por algo mais digno , a dignidade do ser humano acaba com sua conformidade cômoda e pouco distinta dos outros animais. Mas nós…nós somos racionais e deveríamos trazer para si um esclarecimento para depois não se arrependermos e não ficarmos frustrados e nessa mesma frustração não trazer doenças, doenças que muitas vezes, nos consome. Por que isso se podemos refletir sobre as coisas? Jesus mesmo disse que quem largar pai e mãe era seu seguidor, ou seja, ele se referia a comodidade de estar sempre “debaixo da saia da mãe” como se isso pudesse viver. Então, não tem desculpa nem na religião que renega o ensinamento do seu próprio mestre e joga e ilude seus fieis a serem intolerantes e vis. Qual o intuito de uma religião iludir seus próprio fieis a seguirem um mestre que não existe (sim, porque esse Jesus não é o Jesus dos evangelhos, do Pr Marco Feliciano então, é o Rambo Celestial)? Claro que é criar todo um tutor moral para o povo ser passivo – o termo passivo vem do latim passivus que é “capaz de sentir ou sofrer”, de pass- da raiz de pati e é “sofrer, aguentar, sentir”. O sentido de “não ativo” vem do século XV e o termo pacifico, vem do latim pacificus que é aqueles que aspira a paz (pax), assim, é diferente uma pessoa passiva e uma pessoa pacifica – para o sistema (forma de governo) melhor manipular seus habitantes sobre suas ideias ideológicas ou de intuito de transforma-los em “massa de manobra”.

Além, é claro, de querem nos trancafiarem em guetos e acharem que isso vai evitar que seu filho não tenha contato com o preconceito. A muito anos foi escrito um texto que fala que as pessoas com deficiência viviam uma espécie de Apartheid – o artigo se chama Apartheid Contra as Pessoas com Deficiência escrita por Ana Paula Crosara de Rezende que era advogada e membro do Centro de Vida Independente Araci Nallin, professora de acessibilidade e inclusão social da Universidade de Uberaba já falecida em 2012 por complicações numa pneumonia. Foi muito bom ter lido esse texto porque me fez procurar e ater na palavra apartheid que quer dizer “separação” e é muito significativo no nosso meio e nessa discussão sobre educação inclusiva – que temos uma vida separada e não uma vida sociável, porque nosso lugar é em instituições. Já vi que existe algumas cidades que os próprio moradores mandam o ônibus ir embora para não pegar o cadeirante, por isso bato na tecla, temos que ter alem da Convenção das Pessoas com Deficiências da ONU um código penal severo para esse tipo de coisa e é sim uma violência. Não vejo nenhuma diferença dessas medidas, quanto os campos de concentração nazistas ou a própria política do Apartheid na Africa do Sul anos atrás.

Temos sempre que duvida, ousar e submeter aos critérios racionais.

Meu Texto O que é ser uma pessoa com deficiência?

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Responses

  1. Amauri, excelente texto. Porque é como minha prima que é T.O. me disse, propagar a informação é importante, mas as pessoas são mais importância e seriedade quando a informação repassada vem de pessoas que sentem aquilo na pele. Graças a Deus hoje existe a internet e essas informações podem ir ainda mais longe.


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