Publicado por: Amauri Nolasco Sanches Junior e Marley Cristina Felix Rodrigues | 9 de agosto de 2013

OMNES EDUCATIONE*

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“Detesto as vítimas quando elas respeitam os seus carrascos.”Jean-Paul Sartre

Por Amauri Nolasco Sanches Junior

 

 

O pensador Paulo Freire (1921-1997) dizia que ninguém educa ninguém, ninguém se educa e ninguém educa o outro, mas os homens educam entre si mediando pelo mundo. Esse é um pensamento muito peculiar sobre a educação escolar – a falta de educação é muito mais ir a escola, pois não adianta nada a professora educar e os pais deseducar com outras condutas. A educação deve ser dada principalmente como princípios éticos e humanos – e mais principalmente, a educação inclusiva que tanto está sendo discutida. Num lado há pessoas que atestam que seu filho não pode estudar em escolas regulares porque elas não estão preparadas e no outro lado, as pessoas que não concordam porque isso vai gerar uma segregação e vai fazer que o Estado se acomode diante o fato da inclusão. Essa frase de Paulo Freire, mostra que a criança só vai enfrentar as dificuldades saindo ao mundo e projetando dentro de si uma ideia que ela pode superar aquilo. As mães só estão jogando o problema para as instituições – como boas brasileiras que se prezam – que não passa de um refugio para não encarar o problema e enfrentar o problema, não existe nenhuma inclusão radical, existe a evolução social que vai acabar com essas instituições cedo ou tarde e nada poderão fazer a respeito.

Talvez o problema é a falta de reflexão adequada sobre o caso, porque como sempre, o foco é a deficiência. Não se mudou muito esse foco dês de quando começamos a discuti esse tipo de educação e até, tirar as pessoas com deficiência dentro de casa e dar a ela uma vida digna. As pessoas ainda não entenderam que se pode exigir do Estado uma inclusão inclusiva, mas como sempre, é mais cômodo deixar o filho dentro de uma instituição sendo tratado com o estereotipo de “incapaz”. Essas mães na verdade, não querem aprender a ajudar seus filhos a superarem e sim, querem o que é mais fácil. Isso também é um aprendizado e ninguém disse que será fácil, mas é necessário para o desenvolvimento do seu próprio filho e fazer dele um ser humano digno e respeitado. Mas o que seria “ser respeitado” para uma pessoa com deficiência se a própria família quer tranca-los em APAEs? Minha mãe – que infelizmente é falecida, vitima de câncer – sempre cuidou do meu bem estar sem depender de instituições onde davam essas receitas, porque aprendeu sozinha a cuidar de mim. Cresci tendo total apoio dela que não deixou desistir de nada – mesmo as pessoas ficarem dando palpites sem nexo – foi uma mulher até o final da vida, muito guerreira e me ensinou tudo que sei hoje, porque hoje sei fazer as coisas não por causa das instituições e sim, da força que ela me dava. Suas ultimas palavras foi “se cuida!”, não disse para meu pai e sim, para me cuidar. Essa é a diferença em depender de entidades institucionais, onde só querem o dinheiro, e saber com amor a criar um filho assim.

Bom, a questão vai muito além de reabilitação, tem a ver com o processo psicológico que essas crianças são expostas e as condições profissionais que eles podem passar para a criança. É um absurdo querer que uma AACD – Associação a Assistência a Criança Deficiente – tenha classes especiais se nem ginecologista tem dentro do hospital, porque segundo a medica que trabalha lá, disse que não é reabilitação. Se uma adolescente que faz tratamento lá tiver que fazer exame, terá que fazer aonde? Será que o homem também não tem fisiologista? Não há diferença nenhuma entre essas entidades e um hospital publico, porque o tratamento é o mesmo e sempre será e isso é um pouco nossa culpa que nos deixamos envolver num sentimentalismo inútil.

O filosofo Immanuel Kant (1724-1804) tem vários pensamentos interessantes sobre a educação e o conhecimento, podemos usar nessa questão sem medo de errar nada. Uma é que educação vem do colo da mãe, do berço que cria laços morais, outro pensamento é que a minoridade é uma situação que o ser humano não quer sair. Para Kant, o ser humano é capacitado de racionalidade para sempre procurar o saber, pois a minoridade para ele é a ignorância do conhecimento. Mas o que seria o conhecimento? O conhecimento é o que o ser humano pode fazer para se esclarecer, é o esclarecimento de algumas atitudes e pode cada vez mais, levar o ser humano a evoluir. Como podemos nos declarar esclarecidos? Quando não mais precisamos de tutores morais que digam o que fazer e é isso que essas instituições fazem e é o que a maioria quer, um tutor que dê a eles um caminho e não deixa ter um aprendizado próprio, já que necessita desse tipo de tutor. Essa manifestação tem um objetivo claro de desmoralizar a luta da inclusão em todas as camadas. Aliás, o termo conhecimento é o esclarecimento e uma pessoa esclarecida é segura de si, temos que ter claro que as crianças (paidós), com ou sem deficiência, devem ter dentro de si uma condução (agogé) dentro da sociedade e se instruindo mutuamente. Onde acham (porque não tem certeza) que o preconceito irá acabar? Enfiando as crianças dentro de uma classe especial?

Esse esclarecimento fará que o ser humano saia da minoridade e faz com que ele veja pessoas diferentes como se tivesse vendo um ser humano, não excluindo e não afetando sua dignidade moral. Isso já era claro na Grécia Antiga quando Aristóteles, a mais de dois mil anos, disse que o ser humano é levado ao conhecer, a saber. O saber faz do ser humano “animais” racionais, se somos levados ao saber, é natural que possamos ter dentro de nosso intimo o desejo do saber. Se somos providos de saber e esse saber dará a substancia necessária para ter o conhecimento e com esse conhecimento o esclarecimento, devemos nos perguntar: o que posso fazer para me esclarecer sobre educação inclusiva sem ter essa ideia de que, a escola regular não tem recurso para receber um aluno com deficiência? Será mesmo que essas instituições estão mesmo visando a inclusão social das pessoas com deficiência? Eu duvido e a minha duvida é valida porque o ceticismo é a “mãe” do esclarecimento, porque uma pessoa esclarecida sabe que nunca um ferroviário (dono de fabricas de trens) vai ser a favor das linhas aéreas. O mesmo se encaixa nesse caso, quem seria idiota em ser a favor da inclusão, se ganha dinheiro com a exclusão? Uns dos pensamentos mais usados por mim nesses últimos tempos é o pensamento cartesiano – vem do filosofo Rene Descartes (1596-1650) que foi o pai do pensamento moderno e a metodologia cientifica e graças a isso, temos grandes avanços tecnológicos, na verdade, seu nome em latim é Renatus Cartesius – que diz assim: “Eu duvido, logo penso, logo existo” (Debito, ergo cogito, ergo sum). A duvida transforma o conformar com informações prontas com o entender a informação, transformando essa informação em conhecimento e esse conhecimento em esclarecimento. Falta ainda muito esclarecimento na questão.

Na verdade a sociedade não quer ser esclarecida, porque a informação vem com o intuito moral da sociedade, então ela já quer um consolo optativo dentro do conforto de uma situação. As instituições não são as grandes vilãs nisso tudo e sim a sociedade como um todo – com sua ordem moral – porque as instituições jogam informações errôneas e a sociedade aceita. Dai concordo com o filosofo Jean Paul Sartre (1905-1980), detesto as vitimas que respeitam seus carrascos, ou seja, sabe muito bem que essas escolas são verdadeiros “campos de concentração” que nada fazem e apoiam essa iniciativa. O mesmo filosofo vai dizer que o inferno sempre é do outro, a culpa sempre é do outro e nunca é nossa, o preconceito sempre é social e nunca é nosso.

Vamos incluir? Inclusão não é defender quem exclui e sim defender quem inclui…

*”Educação para todos”

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