Publicado por: Amauri Nolasco Sanches Junior e Marley Cristina Felix Rodrigues | 13 de junho de 2013

As Entidades contra atacam

quem será Darth Vader?

Por Amauri Nolasco Sanches Junior

Nesses tempos que o filme “Stars Wars – O Império Contra Ataca” faz 30 anos, nada melhor de dizer o que são e para que sirvam as entidades asilares. Se entende  como entidade asilar aquelas que impõem uma visão assistencialista e hipócrita com as pessoas com deficiência e recebem para isso, são como asilos hospitalares que fazem do ser humano algo como um “animalzinho”. Essas entidades foram uteis – muitos deixaram seus filhos deficientes físicos e mentais nelas por terem uma visão social de desprezo ou que não tinham condições de criar uma criança assim – junto as igrejas, por serem um “quartinho dos fundos” para esconder esse tipo de pessoas. Hoje  esse tipo de entidade, tem como papel de reabilitação (embora veja isso como um jogo de marketing) que se possa viver em sociedade. Mas eles têm uma postura imperialista e o governo ainda alimenta essa visão como um mal necessário, mas que em matéria de reabilitação, é uma obrigação estatal dos muitos impostos que pagamos.

Esse tipo de entidade foi formado com base de um discurso que veio lá na idade media onde se originou a discussão quem era são e quem não era são, como uma forma mesmo de perfeição ou não. O discurso do poder começa quando você já impõe uma condição ao outro como resposta ao que lhe convém e o que julgamos dentro da nossa própria moral, porque fomos ensinados que certas palavras vem com certo estereótipos. Segundo Otto Marques da Silva no livro A Epopeia Ignorada, na idade media começa instituições dentro da própria igreja para tratar esse tipo  de pessoas que eram levadas para lá, isso não quer dizer que muitos não fossem executados na fogueira, por causa da sua deficiência causada por forças demoníacas.  Dai o discurso do poder como algo que instrui e você dependam dele como um salvador de sua alma e de seu corpo, visando sempre, a filosofia platônica que só quem adquiri o conhecimento tem a porta para a perfeição.  A igreja se apropria desse discurso de Platão e faz dele um “divisor de águas” entre quem está são (com a mente perfeita e raciocinando como deve) e quem não é são (como quem não raciocina direito como se deve). Esse meio discursivo feito em cima da filosofia platônica – na verdade nós ocidentais, somos moldados segundo a moral platônica do bem e do mal, porque se você segue a sociedade e toda a gama moral cristã e dos “bons” costumes, é considerado racional e pode viver nessa sociedade, mas se não, era excluído dessa sociedade. O corpo imperfeito era sinal da imperfeição da alma, e eram trancados em igrejas e mosteiros a tratamentos totalmente sem o menor critério (já que eram considerados como animais).

Com isso, a parcela de pessoas com deficiência, eram trancadas com os que eles consideravam como loucos – alguns seguiam um tipo de sacerdócio como monge (no caso de ser corcunda) ou focando como coroinha desses mosteiros na hora da missa – porque havia imperfeição no corpo e não poderiam pensar ou tomar as decisões. Esse discurso tomou conta da época e até meados do século XIX, esse discurso era muito usado entre as doenças. De pessoas demoníacas, passamos a pessoas enfermas que não poderiam tomar certas decisões. Passamos até a ter CID (código internacional de doenças).

Quando houve uma revolução na ciência, junto com a industrial, todos passaram a aceitar só pesquisas provadas e que fossem comprovadas com provas reais. Após a Revolução Francesa de 1789, muitos Estados ficaram laicos e começaram a abolir definições religiosas tanto em suas constituições, como na maneira de defender uma só religião e se passou a aceitar e defender o direito a religiosidade. Mesmo com isso, o discurso do poder não mudou muita coisa, porque é moldado ainda na moralidade religiosa. Porque quando fomos declarados como doentes, nenhuma pesquisa foi conclusiva – mesmo com medico famosos como Dr Freud sobre a paralisia cerebral – que não passavam de crenças infundadas, e em muitos casos, ainda acontece assim. Nesses moldes foram fundadas as maiores instituições aqui no Brasil em tratamento a pessoas com deficiências, cuja a metas desse meio, não era reabilitar as pessoas para conviver em sociedade, era aliviar o suposto sofrimento que tínhamos. As políticas dessas instituições não mudaram muito dês de então – mesmo que houve uma mudança de termos como tratamento para reabilitação que é um mascaramento ao assistencialismo – porque foram moldadas dentro dessas pesquisas e sendo cobaias as próprias pessoas. Com o advento do nazismo, que institucionou  a eutanásia no caso da deficiência, houve pequenas mudanças nesses tratamentos e teve uma leve humanização. Dai que essas instituições ganham corpo.

Em falar de corpo temos que abrir um parênteses e dizer que varias discriminações são sexuais, mesmo a visão de Platão, é uma visão sexual da coisa. Porque quando vimos um corpo imperfeito, não somos atraídos pelas pessoas – talvez seja essa sensação que anos atrás, a então juíza Frossard, a dizer que pessoas com alguma doença ou com alguma deformidade, daria asco. Embora não defenda essa posição, sinto que há certa verdade nessa afirmação, muitas  pessoas visam a estética na hora da escolha, ou em certos casos, afirmações indiferentes – isso nos faz pessoas estéreis (a pouco tempo atrás se pensavam que éramos mesmo) e improdutivas como trabalhadores (motivos para não formarmos família e ter filhos, mesmo entre nós). Aqui no Brasil, com o atraso por falta de escolaridade e educação quase religiosa, nós so conseguimos constituir família, nas ultimas décadas do século XX. Nesse contexto de uma construção moral dentro da sociedade, vai se formando as inúmeras entidades de reabilitação que temos, sendo presente ou não no desenvolvimento físico (não há nessas entidades um apoio psico-educacional do próprio corpo e se cria vários tabus), após a década de 1950 as entidades começam a aparecer e a se apresentar como uma solução necessária.

Nesse período a maioria das instituições e entidades asilares foram fundadas, então, surge umas das maiores entidades asilares já conhecida na America latina. O seu fundador estudou lá fora e viu o tratamento de pessoas que contem qualquer tipo de deficiência, Dr Renato Bonfim funda a AACD (Associação a Assistência as Crianças Defeituosas e depois de tantos protestos, mudaram recentemente para Deficiente). Por isso que eu escrevi tudo isso acima, nessa pilar moral se fez a política da entidade filantrópica, pois houve um banho de assistencialismo que nós não podíamos nem tomar um copo d´água sozinho. Até que naquele tempo, que ainda havia uma visão social que o deficiente era tido como incapaz, poderia ser razoável esse tipo de política, mas hoje em dia, se torna desnecessário.

Mas também houve um crescimento muito grande de conscientização tanto na parte social, quanto na parte do próprio deficiente saindo nas ruas. Chega, nos anos 70 do século vinte, os movimentos que fazem a diferença e sabem o que as pessoas com deficiência necessitam. Nunca entidades asilares lutaram para uma inclusão efetiva – tirando algumas mães de rapazes e moças com síndrome de down – porque para eles, é muito mais interessante o deficiente está preso em seu meio do que fazer ele ser incluído e isso digo com propriedade. Fiquei na AACD entre 1983 até 2000 se de  nenhum trabalho pedagógico de inclusão de nenhuma maneira, tanto, que na entidade não existe ginecologista para orientação e exame para as mulheres com deficiência. Por quê? Dai cai um pouco com o conservadorismo que a entidade foi fundada e em sua ideologia marcada como algo ruim, se não temos autonomia física, não temos sexualidade e isso é muito ruim para se sentimos homem ou mulher. Mas a tradição, como eles mesmos dizem, não é mudar a sua filosofia. Não muda o que interessa.

Tudo isso é para dizer que ano passado eu fiz o pedido da cadeira de rodas na UBS da V. Nova Iorque e fui contemplado em Março de 2012. Menos de um ano a cadeira ULK – AF da Ortobras esta toda desmontando e apresentando varias partes caídas, literalmente, a cadeira de rodas está desmontando. Onde essa entidade asilar é um exemplo de honestidade? Por que o governo tem que fazer acordos com entidades particulares para esse fim? E por fim, por que a Ortobras? Se eles ganharam a licitação, por que não ter assistência técnica em todas as regiões do Brasil?

Perguntas que talvez um dia, teremos respostas.

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