Publicado por: Amauri Nolasco Sanches Junior e Marley Cristina Felix Rodrigues | 4 de junho de 2013

Direitos e Deveres

 

Uma imagem com três cidadãos como uma deficiência, um cadeirante batendo cartão logo atrás um cego e sua bengala e o deficiente mental por ultimo

por   Amauri Nolasco Sanches Junior

 

Eu vou deixar o senhor Jose Carlos do serviço ATENDE falar  depois eu volto:

Senhor Amauri, boa tarde !

A implantação do sistema de rendições é uma realidade e deu-se por obrigatoriedade à legislação trabalhista em vigor;

Sobre a ocorrência que nos relata, lamentamos o contratempo, mas entendemos que este tipo de situação possa ocorrer, no caso específico, por questões de segurança da instituição;

Assim, solicitamos a Vossa Senhoria que em outros atendimentos com esta característica (informe do número de identidade do primeiro motorista), que seja informada à instituição sobre o processo de rendição, onde o motorista do retorno não será o mesmo da viagem de ida;

Quanto a ultima reclamação que envolve o motorista da volta, processaremos as devidas verificações e orientações.

Obrigado,

Voltei. Vendo o e-mail do senhor Jose Carlos, tenho quase certeza que todo governo que o PT e seus aliados entram vira baderna. Para quem não mora em Sampa eu vou explicar o que seria o serviço ATENDE. Ele foi inaugurado na prefeitura do então prefeito Paulo Maluf, inicialmente, o projeto das vans adaptadas era para quem realmente tivesse mobilidade reduzida e que não pudesse pegar um ônibus ou qualquer transporte publico. Era a época que não tinha aqui ainda tanto ônibus adaptado dentro da cidade e o Caos se estabelecia porque os deficientes começaram a sair para trabalhar com a lei de cotas (que também era fraquinha como hoje não mudou muita coisa). Com a abertura das matriculas na prefeitura da então prefeita Marta Suplicy, as inscrições estão sempre abertas e não tem mais prazo e as demandas foram se tornando maiores.  Nos finais de semana foram abertas para eventos nos movimentos onde há um trabalho de tirar a pessoa com deficiência de casa, como vimos em inúmeras ocasiões e fotos nas redes sociais. Vale lembrar que os eventos só acontecem de finais de semana e feriado. E agora tem também o eventual que pode ser pedido uma vez por mês e não pode ser duas ou mais, se tivermos duas consultas no mesmo mês, temos que escolher uma  para pedir esse eventual.

Não estou dizendo que trabalhadores não têm os direitos, mas se todo mundo só pensar em seus direitos e não nos seus deveres, esse país vai ficar o caos perpetuo.  Fica fácil perceber que esses “direitos” são concedidos mais a favor do patrão do que para o empregado que não recebera as horas extras e vai atrapalhar o andamento dos trabalhos dos movimentos que luta pelas pessoas com deficiência. Mas algumas pessoas podem perguntar: “Amauri, onde isso  terá problema?”. Dai eu respondo que além de atrapalhar o andamento, como disse, dos trabalhos dos movimentos terá um trabalho extra em pegar lugares onde a segurança é rigorosa, como no caso do Museu AfroBrasil no Parque do Ibirapuera, teremos que pegar o RG do motorista da ida e o RG do motorista da volta, como está especificando no e-mail que o diretor do serviço nos enviou. Para mim isso é um absurdo.

Por que seria absurdo? Quando todos visam o seus direitos mais do que seus deveres, além de acabar com a democracia, o país vira um caos porque o cidadão começa a “achar” que ele tem mais direitos do que o outro. Para sermos cidadãos, temos que ter consciência do papel que temos dentro da sociedade – no nosso caso devemos ter mais ainda para mostrar que não somos bobos em revindicar coisas absurdas que o Estado não tem a mínima obrigação de fazer, mas sempre mostrar que os deficientes são pessoas como outra qualquer e quer esse lugar nessa sociedade – e assim, cada pessoa prestar mais atenção o que está fazendo para a sociedade ser melhor para todos. Agora, se cada pessoa cuidar da vida do outro, que o outro tem e eu não, vamos ter uma eterna luta em que eu também quero, só que você nunca sabe como e nem o porquê está tendo aquela resolução e o que aconteceu para ter aquela resolução. Não podemos julgar.

No Brasil, temos a cultura de sempre levar alguma vantagem, se reinvidica os direitos não porque é bom para a classe, mas o que é bom para mim. Governos populares se alimentam desse tipo de pensamento e fica esse tal de mimi que não posso viver trabalhando, não posso viver estudando, não posso viver amando. Não vamos ser hipócritas, ninguém na face da Terra gosta de estudar ou trabalhar, se muito, uns 10% no Maximo gosta e eu acho, não tenho certeza, que é muito. Então sejamos sinceros e assumimos como um povo com uma cultura que leva esse “brasão” e vamos parar de mentir, a mentira é ruim, é desigual e não afeta somente seu ambiente, mas um todo. Nós deveríamos de lutar para uma melhoria das condições de trabalho e não as facetas de nosso próprios interesses. Como disse dias desses o apresentador Marcelo Rezende – não gosto muito, mas dessa vez tenho que concordar – esse é um país de canalhas, só isso.

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