Publicado por: Amauri Nolasco Sanches Junior e Marley Cristina Felix Rodrigues | 30 de abril de 2013

Capitalismo e inclusão

piramide capitalista

por Amauri Nolasco Sanches Junior

Nosso modelo de economia é o capitalismo neoliberal – isso estamos cansados de ouvir e ler – que reflete em torno de todas as camadas da sociedade. Liberalismo, idealizados por John Lucke (Wrington29 de agosto de 1632 — Harlow28 de outubro de 1704), é um conceito que faz com que o governo não tenha nenhuma obrigação com o cidadão enquanto cidadão. Ou seja, o rapaz trabalha, paga seus impostos, faz seus deveres (aqui no Brasil existe isso?) e tem direitos (supostos) que fazem dele um cidadão com certa autonomia. Isso é mais ou menos idealizado junto com o capitalismo que estava emergindo em meados do seculo dezoito. Depois com o capitalismo instalado e com a economia girando e as grandes corporações ditando regras – como aqui foi regido o golpe de 64 pelos norte-americanos – se criou um neoliberalismo que foi muito mais a fundo nessa questão e não é detectado pelas pessoas mais desavisadas.

Por que escrevi tudo isso? Porque não podemos negar o capitalismo da inclusão que se gerou com as politicas de acessibilidade e as politicas dos direitos humanos radicada graças a Convenção da ONU dos Direitos as Pessoas com Deficiência. Há um mercado que se abriu graças a necessidade de nós termos que adquirir o meios para se locomover em eventos, trabalho, lazer e etc. Vou falar de cadeiras de rodas porque eu e a Marley somos cadeirantes e necessitamos desse acessório para sairmos e se locomovermos, mas sabemos que em todos os aparelhos existe um preço não acessível e pedimos para abaixar esses preços. Nos EUA, uma cadeira motorizada moderna, ultimo modelo, são subsidiadas pelo próprio governo para serem adquirida pela própria pessoa que vai escolher. Aqui as peças nos custam metade com impostos e isso é regra, infelizmente. Então por que fazer tanta propaganda e nada vai adiantar para esses preços abaixarem?

Uma cadeira de rodas boa (sem colocar marca nenhuma) custa mais ou menos uns R$3.339,00 por auto (manual) que fica impossibilitado de alguém que não tenha condições tenha um produto bom. Mesmo se o governo der cadeiras de rodas, eles irão dar cadeiras de preços e qualidade, totalmente inferiores. Como sabemos disso? Eu tenho uma Ortobrás que me foi dada com dinheiro do governo, mas encomendada pela entidade AACD que nem com um ano, essa cadeira já está com jogo (cambaleando) e com os pedais arriados (os pedais de plastico não dão segurança e nem estabilidade a pessoas que tem paralisia cerebral). A Marley foi na tal entidade e não deixaram ela escolher as cadeiras melhores do catalogo, como se fossemos obrigados a escolher os modelos mais baratos, e por isso, ela teve que escolher de modelo e de marca inferior. Agora, dizem algumas lideranças do segmento, que o Estado vai doar motorizadas que com toda certeza, vai ser de ordem inferior.

Mas nesse mercado lucrativo que não mais tem limite, há revistas especializadas no assunto da inclusão que define o que esse mercado quer, fatias imensas de propaganda desnecessária. Neste mês de maio, eu e a Marley, demos uma entrevista para a revista Incluir com o jornalista Hevlyn Celso onde falamos um pouco sobre nossa agencia de publicidade virtual, a Ekron Epicurieus, e um pouco o que seria o projeto dentro da Irmandade da Pessoa com Deficiência. Não sei o que aconteceu que links do blog que foram mandados, não apareceram, que ao que parece, foram cortados por causa das propagandas que são um exagero. Aliás, como publicitário que sou, há um “puta” exagero nesse tipo de marketing hoje porque se torna algo cansativo e ninguém lê essas revistas. Se torna algo “babaca” e parece que nos tratam como crianças, porque são 3 paginas de reportagem e duas de propaganda. Desse jeito essas revistas deveriam ser distribuídas de graça da quantidade de propaganda que elas (revistas) contem. Nesse exemplo é mostrada esse exagero no capitalismo de sempre renovar uma imagem e um desejo, coisas que as vezes ao invés de atrair, afasta o leitor.

As pessoas que usam esse tipo de aparelho tem que perceber que o importante não é o equipamento, mas o quanto vai custar no seu bolso. O mesmo para quem compra um carro, adaptado, que pagara com o financiamento lá na frente pode fazer falta ou ficar pesado. Mesmo se for 1%, esse 1% vai acumular e torno de cada mês e lá no fim desse período, são 60% a mais do produto. Praticamente, você paga mais para o banco que financiou do que se tivesse o IPI ou IPVA. Numa cadeira motorizada, o banco recebe muito mais do que o valor que você paga na cadeira, que seria um prejuízo para seu própria bolso. Isso mostra o quanto somos “explorados”, e o que é mais triste, nos deixamos ser “explorados” por esse mercado porque não aguentamos esperar.

O que vi na Reatech? Filas enormes para pegar até sacolinhas promocionais de brindes e nem vão usar aquilo, não vão ler, não vão analisar, não vão crescer. Só vejo nessas feiras, imensas gamas de pessoas que querem alimentar seus próprios “egos” com atitudes “infantis” – como passar rápido com a cadeira como se fossemos obrigados a parar para o sujeito passar – que nada acrescenta a discussão e ao convívio.Como vamos conviver com o outro se não respeitamos a liberdade do outro? Fora que estamos falando de uma “regra de ouro” da convivência que é não fazer com os outros o que não gostaríamos que fosse feito conosco.

Li uma frase num livro que estou lendo do André Comte-Sponville que se chama Tratado do Desespero e Beatitude que diz assim: “Todo poder é opressor, mas toda opressão é finita” que me remeteu a esse texto, porque nos sentimos as vezes, oprimidos pela deficiência no qual somos submetidos. O capitalismo nos descobriu não como pessoas, mas como números que poderiam vender os aparelhos necessarios para nos locomover. O se sentir oprimido pode ser um fator temporário quando você estuda a possibilidades ai “toda opressão é finita”. Por que? Porque descobrirmos que toda regra tem livre escolha, tem como escolher e lutar por essa escolha. Que escolha vamos fazer?

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Responses

  1. Eu acho que isso é um reflexo da cultura econômica, ou falta dela, do brasileiro no seu geral.
    Por exemplo, quando trabalhei num banco por quase 2 anos, por incrível que pareça, em pleno século XXI, ainda haviam pessoas que acreditavam que uma linha de crédito era um dinheiro “dado” pelo banco pra que elas o devolvessem quando pudessem. Em outros casos, houve relatos de pessoas que nem sequer sabiam que qualquer financiamento feito à prestação gerava acréscimo de juros. O brasileiro tem uma dificuldade grande de entender essas questões ainda nos dias de hoje.
    Acredito eu que no caso das pessoas com deficiência, tais questões acabam por ser tornar mais sensíveis pois uma cadeira de rodas é um gênero de primeira necessidade, não um mero artigo de luxo. Mas muito do que ocorre com a nossa galera se deve ao fato de ser algo cultural dentro da nossa sociedade, infelizmente.

    • ótimo, obrigado brother pelo comentário


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