Publicado por: Amauri Nolasco Sanches Junior e Marley Cristina Felix Rodrigues | 26 de março de 2013

Haddad e o PT não gosta de PCDs

Hino Anarquista-socialista que o PT esqueceu

Começo meu texto com a declaração do vereador Andreas Matarazzo (PSDB-SP) e depois volto para comentar:

Estamos nos aproximando dos 100 dias de governo do prefeito Fernando Haddad. Faremos um balanço mais detalhado, mas ate agora o que podemos dizer? A meu ver, fora o corte de 50% do orçamento da secretaria da pessoa com deficiência, o congelamento de 98% na habitação, a doação de uma área de 68mil metros quadrados para o governo Federal, e o desaparecimento do prefeito nos dias de chuva, nada de positivo a comentar desta nova gestão com idéias velhas.

Para começar todo mundo conhece a figura do nosso prefeito Fernando Haddad (PT-SP), que começou sua carreira politica como liderança da UNE (União Nacional dos Estudantes) e agora é um nome forte no PT. Antes de ser prefeito Haddad foi ministro da educação e tivermos um retrocesso na questão da educação inclusiva. As pessoas com deficiência tiveram pela declaração, 50% de diminuição de sua secretaria da pessoa com deficiência é uma afronta a politicas de inclusão na cidade de São Paulo. O PT tem uma politica muito estranha sobre inclusão – o PSDB também não fica atrás depois que pude ver a politica do Centro Paula Souza de inclusão sem mesas adaptadas, sem elevadores e sem nenhuma estrutura de treinamento dos professores nas ETECs e outras coisas que acontecem dentro do metrô – porque eles não acham necessário fortalecer essa área e não acham que nós somos um colégio bom eleitoral.

O problema persiste porque as pessoas aqui no Brasil não tem a convicção de cobrar, eles até perdoam seus algozes – o rapaz que foi atropelado e perdeu o braço e vai ser um de nós, não me conquistou com seu ato de perdoar o cara que atropelou – assim na politica é um erro atrás do outro. Como ministro Haddad errou em deixar as classes especiais ganharem força e na prefeitura erra de novo com a politica de tirar dinheiro da secretaria dos PCDs. Seu erro não é da sua politica, o erro é colocar em pleno seculo XXI, a dialética materialista de Marx em atividade onde não cabe mais nesse mundo. As maneiras politicas mudaram, os conceitos mudaram e nós pessoas com deficiência – mesmo que não queira – somos obrigados a votar e se somos obrigados a votar somos eleitores. Mas se tivermos essa baixa dentro do ministério do Haddad, o que as pessoas com deficiência apoiaram ele?

Para entender a politica, duas coisas movem o poder, a economia e a sexualidade. A economia entra na teoria do materialismo histórico dialético de Karl Marx e a sexualidade como forma de poder entra na teoria de Michel Foucault. Para Marx a humanidade sempre se moveu diante dos interesses econômicos, cada sociedade e cada reino possibilitou uma maneira de enxergar essa economia. Por exemplo, no Império Romano existia a classe dominante que era os patrícios, depois os plebeus e os escravos. Basicamente, o império vivia de matéria agrícola porque era uma sociedade que a economia girava em torno das fazendas e esses interesses se conflitavam entre si. Cada sociedade faz sua cultura dentro dos interesses econômicos e é isso que o PT faz, ele enxerga o interesse econômico social e faz como modo politico de administrar. Mas há um terrível engano nisso, nunca esse interesse econômico é do mais necessitado e sim, o que detém mais dinheiro no giro econômico dos países.

A teoria da sexualidade tem a ver conosco muito mais do que a teoria do materialismo histórico dialético, porque mostra a moralidade e dentro dessa moralidade existe o modo de enxergar o prazer e a felicidade. Para Foucault há dentro da sociedade um discurso predominante que forma o poder graças a visão de cada um tem da sexualidade, como se o discurso pudesse construir um intuito de moralizar a sociedade. Nas periferias daqui do Brasil, pelo menos em São Paulo de onde vivo, a cultura é impregnada de um certo liberalismo e não cabe um discurso de ser “recatado”. O funk veio como uma forma de afrontar – com uma teoria as avessas da dominante – que a liberdade é o fruto de romper o que é errado e repreensor. Mas cabe a pergunta: o que é repreensor numa cultura e o que é liberdade? Liberdade não pode ser confundida com libertinagem, pois a libertinagem é uma forma de obter liberdade de qualquer maneira e até de forma agressiva. Liberdade respeita o limite que a liberdade do outro, porque a liberdade não pode ferir o limite entre o EU – manifesto em minhas crenças e minha educação moral – e do outro – com as crenças e a educação moral dele – não se choquem e não possam provocar conflitos. A sexualidade reprimida, dará lugar aos diversos conflitos entre diversos segmentos da minorias que são escondidas em guetos, como se ouve-se um eterno Apartheid (segregação).

Onde entramos? Na parte sexual por causada nossa aparência, não somos atraentes fisicamente e não somos viáveis como mão de obra. Só ler Foucault para entender que a partir do controle do discurso sexual, o ser humano colocou em pauta o que é perfeito e o que é imperfeito como padrão social, como até, em forma de loucura. Então o que fica como perfeito (mão de obra qualificada) e o imperfeito (mão de obra desqualificada)? Quem diz para o prefeito se ele pode ou não tirar 50% da verba da secretária das pessoas com deficiência?

A politica para pessoas com alguma deficiência é muito escassa porque não cobramos e acreditamos que algumas soluções são “bonitinhas”, mas não são para serem “bonitinhas” e sim, eficazes. Não adianta fazerem aposentadorias por menos tempo se não temos empregos, não adianta fazerem Lei de Cotas e não ajustar mais nitidamente os concursos, porque está inadequado no que necessitamos. Mas o PT gosta de politicas paliativas e não politicas de verdade, que resolvem, que são amargas, mas lá para frente tem algum resultado. Eles querem o poder a todo custo, eles querem seu momento de glória, eles são a glória (ele acham). Talvez esse é o grande problema dos partidos socialistas – comunismo é algo muito mais complexo que mereceria um texto a parte – eles se “acham” a solução dos problema, eles se acham a solução da pobreza.

Eu sempre escrevi aqui que inclusão para PCDs se faz além das politicas de acessibilidade, das politicas de construir acessos e acessórios para um bem comum, isso é um discurso padrão e ultrapassado. Hoje temos que pensar num conjunto de meios para as pessoas com deficiência possam viver mais dignamente. O que pode ser mais dignamente do que estudo, trabalho, saúde, esporte, comida e saneamento básico? Até em Roma antiga, tinham banheiros coletivos e tinham esgotos muito bem construídos e hoje, com tantas maquinas e tecnologias, ainda não fizeram.

Termino minha opinião com a pergunta que não se quer calar: por que as pessoas com deficiência apoia um cara que retrocedeu a educação inclusiva dando enfase a classes especiais e entrando na onde de mães sub-protetoras que não concordam? Esse tema voltarei com outro texto em outro momento. 

Amauri Nolasco Sanches Junior

Pessoa com deficiência física, cadeirante, tenho sequelas de paralisia cerebral, sou formado em publicidade, técnico de informática, auto-didata em filosofia e escritor 

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