Publicado por: Amauri Nolasco Sanches Junior e Marley Cristina Felix Rodrigues | 24 de março de 2013

Regulamentar, menos a lei de cotas

Fico horrivelmente de mal humor quando os acadêmicos dão ataques que nazi-fascismo a beira de aiatolás lá do oriente médio. Como assim as pessoas não podem ser designer se elas podem desenhar, como assim ninguém pode escrever uma coluna de uma revista ou de um jornal sem ser jornalista? Eu sei escrever, sei expor meu lado critico, mas se eu mando meus artigos em um jornal ou revista, ou vai para a parte do leitor ou não entra nem na pauta. Só por que não sou jornalista – eu sou formado em publicidade e técnico em informática – não posso escrever um artigo jornalistico sobre um assunto e mandar para uma revista como muitos escritores faziam antigamente?

Essa historia que tenho que ser formado para ser alguma coisa ou trabalhar nessa coisa, é pura faxada, conheci muito funcionário publico que nem tem o diploma onde trabalham e exercem seus cargos, até mesmo na politica isso acontece. O argumento furado sempre é que o cara passa tantos anos estudando e o outro que aprendeu sozinho vai e toma a vaga dele…dai só me resta a pergunta: por que que raio você não pegou a vaga? Será que estudou mesmo e mostrou competência para tal vaga ou profissão?

Lendo um livro chamado Freakeconomics do economista que ganhou vários prêmios, Steven D. Levitt e seu companheiro E. Stephe, que o ser humano deve ter uma motivação para fazer alguma coisa. O que deu para entender que a economia e outros fatores giram em torno de uma certa motivação, porque tudo tem que ter uma troca, tudo no universo tem que ter uma troca. O que acontece é a experiencia vale mais do que um diploma, tenho certeza – isso nas milhares de vivencias que eu tive dentro dos milhares de lugares e experiencia em andar em transporte coletivo adaptado e repartições publicas com erros grotescos de adaptação – que se chamarem um cadeirante que realmente use o transporte coletivo, vão saber muito mais adaptar e o que precisa do que um cara que tem diploma e vive aquilo. No mais, um cadeirante sabe o quanto sua cadeira aguenta nas calçadas e o que as outras pessoas com deficiência precisa, quanto ao milhares de buracos que povoam nossas calçadas na rua da minha querida cidade São Paulo.

Para quem não sabe, antigamente peças publicitarias eram feitas por poetas, por escritores que ganhavam uma graninha com isso, muitos escritores faziam seu nome em revistas sem serem jornalistas. Isso foi inventado pelo mundo contemporâneo, onde tem essa desculpazinha esfarrapada para regularizar uma profissão. Só nos resta perguntar: e a Lei 8213/91 (Lei de Cotas) não se vai regulamentar? Claro que não, não somos economicamente viáveis nem economicamente uma mão de obra confiáveis.

Mas isso faz parte da cultura global, onde o diferente sempre acaba na marginalidade e nunca tem chances reais de se expor, quando isso acontece é por causa de muito esforço e teimosia. Isso em qualquer área como podemos ver, e estamos beirando a catástrofe de temos um Admirável Mundo Novo. 

Amauri Nolasco Sanches Junior

Pessoa com deficiência física, cadeirante, tenho sequelas de paralisia cerebral, sou formado em publicidade, técnico de informática, auto-didata em filosofia e escrito

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