Publicado por: Amauri Nolasco Sanches Junior e Marley Cristina Felix Rodrigues | 13 de fevereiro de 2013

Carnaval e PCDs

Um rapaz com cabelos encaracolados olhando no espelhos uma imagem distorcida do seu muitos EUS

Nem iria abrir pauta sobre o assunto porque não vale nem apena escrever e expressar minha considerações sobre o Carnaval e o motivo é bem simples, as pessoas que desfilam no carnaval pensam fazer grande coisa. Houve algum tempo que eu desfilava e até gostava de desfilar, foi nos meus 16 anos onde ainda militava e frequentava a FCD (fraternidade cristã de doentes e deficientes). Mas houve uma ruptura dentro do real proposito de mostrar que as pessoas com deficiência também podem ficar no meio de uma sociedade e podem manter suas vontades, ver pessoas bonitas e porque não, ter sua sexualidade. A pioneira de ter esse tipo de ala foi a Leandro de Itaquera aqui de São Paulo, e por muito tempo fomos desfilar. Por que parei? Parei porque não vi mais proposito de continuar e como estava sendo tratado como empregado da escola de samba – até hoje não sei porque chamam de escola de samba – e muitas pessoas pensam ser muito coisa só porque desfilam, achei melhor não desfilar mais e curtir o que sempre curtir.

Eu tenho algumas opiniões contrarias ao carnaval que são muitas vezes radicais, como os passistas com deficiência serem idiotas necessários. Sem esse povo que pula, que canta, que toca os instrumentos musicais, não tem o ritmo que se deve seguir dentro de um desfile, não tem o tal desfile. Tem uma figura (meme) muito conhecida dentro da net, mais especificamente no facebook, que mostra o aluno dizendo para a professora que vai estudar em escola de samba que tem mais recurso (mais ou menos isso). É mostrada um fato dentro da nossa sociedade que ainda perpetua dês dos tempos romanos onde sua republica faziam a politica de pão e divertimento. Não é diferente, vamos dar ao povo divertimento para ele não se amotinar, porque aprenderam com a revolução francesa que não se pode deixar o povo insatisfeito para não se revoltarem levados por pessoas da oposição. Só enxergar os campeonatos de futebol, os desfiles de carnaval, as corridas de F1 e etc.

O problema é que não vejo nada engraçado e com graça, coisas que são feitas por outras pessoas e você colaborar e essas coisas serem ações que beneficiará a esses “outros”. No começo do mês numa plenária do CMPD (Conselho Municipal das Pessoas com Deficiência), ao invés de ser destribadas informações ou até um lanche para quem não trouxe, distribuíram camisinhas. Não é uma critica moralista – mesmo o porque nós temos uma sexualidade e devemos sim exerce-la como outra pessoa qualquer – mas há coisas muito mais importante do que essas patifarias sociais. O Zé povinho é enganado porque quer e não porque é ignorante, porque como disse um dia, é muito mais “vantajoso” ser “coitado” do que lutar por aquilo que se quer. As pessoas com deficiência não são diferentes das demais, tem o senso comum na sua construção moral dês da sua infância.

Como disse o filosofo francês Sartre somos condenados a sermos livres porque nossas próprias escolhas nos condenam a prisão de nosso caminho, porque nem sempre faz parte da nossa vontade essas mesmas escolhas. Amamos e temos varias noções sobre o amor, mas nem sempre somos sinceros com a quem amamos, somos livres de escolher nossa opção amorosa, mas ficamos presos em convenções morais da sociedade e seu código moral. As minorias na verdade, não querem sair dessas condições graças a “vitimização” que ocorre em vários níveis dentro do governo e dentro do justiciario, que é vantajoso para esses membros desses segmentos e as pessoas com deficiência não são diferentes.

Muito me assustou quando um colega perguntou se era melhor fingir que está tudo bem do que lutar pelos seus ideais e umas das respostas ser que não é vantajoso – não vou colocar os nomes porque não é relevante – mas ai vimos o que a maioria pensa. Como algo que com toda certeza, te beneficiará, pode não ser vantajoso? E essa vantagem está enraizado dentro da nossa cultura faz muito tempo e os políticos – que tanto reclamamos e alguns invocam a lei maior da politica a “vantagem” – fazem jus dessa lei moral tipica brasileira. É claro que respondi a pergunta assim, que as pessoas com deficiência são acomodados e querem ficar em suas casas sonhando do que ir atras e usei a minha metáfora do beijo na boca. Todo mundo adora beijo na boca e só pensa nisso, as pessoas com deficiência, mas ninguém luta para esse beijo na boca seja realidade. Mas esse beijo só acontecera se fizemos de nossas escolhas em atos e atos são feitos de vontade, a vontade é a potencia que desmistifica o sonho da realidade, então somos levados ao desejo dessa vontade. Um beijo na boca é um ato que transcende o ato sexual, porque o ato em si é animal/reprodutivo, quando há o beijo é racional/afetivo que impulsiona ao nível intimo. Mas só alcançamos tal ato, atuando e indo em direção ao outro ente que comunga desse ato e transcende essa vontade em ação. Não existe vantagem ou desvantagem, a vontade e a não vontade, o desejo e não desejo e sim, uma única FORÇA que impulsiona uma coisa só, que é o impulso de ir e nesse ato, abrir caminho aos outros.

Se só pensarmos em diversão, se só pensarmos em esporte, se só pensarmos em coisas pequenas, não vamos sair dessa pequenez (sim a mesma pequenez de Kant). Ora, eu penso igual Kant quando ele fala que os seres humanos não querem sair de sua pequenez, insistem em ficarem em suas casas vendo programas que nada trazem de bom do que ler um livro. Livros lhe dão conhecimento superiores para ver o mundo em outra ótica, ver o mundo em outra dimensão; não estou pondo em termos metafísicos espirituais, estou pondo em sair das ilusões que a mídia, ideologias politicas e as religiões institucionalizadas nos remetem. Não foi para atacar a religião que houve a renascença, foi para quebrar varias correntes que o senso comum se aprisionou pelas suas próprias lendas. Os padres não botaram isso ou aquilo na cabeça de ninguém, só se aproveitaram dessas crenças e dos mesmos medos que povoavam a idade media, para dominarem tanto a população como os próprios nobres que tinham atos abomináveis. Hoje temos a mídia que faz o mesmo papel, só mostra o que o povo quer, ela não coloca nada na cabeça de ninguém, isso vem de inúmeros atos dentro da história do senso comum. O povo continua escravizado pela suas próprias crenças e sendo refém de religiões que só querem dominar e ter poder e dinheiro, não estão nem ai se o povo está tomando drogas, ou tendo atos de risco a mídia é a mesma coisa.

Quando as pessoas dizem que o carnaval se pega HIV no ar, não é exagero, as pessoas acham (porque estão perdidas) que liberdade é querer fazer tudo com qualquer um, isso está enraizado dentro do senso comum a seculos. O problemas não é os outros quererem nos alienar, o problema é nós nos deixarmos nos alienar e acreditar que estamos sendo racionais. Liberdade é olhar para isso e se perguntar: será que isso trará melhoria em minha vida? Será que se eu fizer igual doido por ai, isso trará minha felicidade? No meu entender, a felicidade é muito mais profundo, é muito mais do que desfilar, é muito mais do que beijar, é muito mais do que fazer sexo; se sentir bem e sentir que se ama, essa é a felicidade. Olhar para sua cadeira de rodas e dizer que se ama, não se sentir culpado, mas se sentir bem e lutar por aquilo que se queira, transformar o seu desejo em ato e sair em sua pequenez.

Uma das mais bonitas passagens que estão dentro de qualquer ato moral e qualquer ato espiritual é sempre não fazer aquilo que não queiramos que fizesse conosco, ou seja, isso é até uma forma de cidadania. A liberdade só existe se não invadirmos a liberdade do outro, e isso é categórico, porque segundo o imperativo categórico de Kant, fala sempre algo de bom para esse algo servir como exemplo por toda a vida. Se mexemos como a mulher alheia? Isso seria um exemplo e viraria contra você e isso traria dentro de seu próprio convívio como a aquilo que vai volta, a roda da vida como uma cobra comendo sua própria calda. O desejo gera o sofrimento se esse não se realiza e gera o o medo e o medo gera o ódio de não entender e se defender, num modo pratica para entender é, o desejo é a porta para a ansiedade e se ansiamos algo isso gera uma espera interminável se não acontecer.

Isso fará você feliz? Momentaneamente, mas e depois quando acordar desse “sonho” e ver que sua vida não ficou nem boa e nem pior? Perceber que toda aquela alegria era uma coisa momentânea, aquilo não é você, é um personagem. Essa palavra (personalidade) vem do latim “persona” que eram mascaras que eram usadas nos teatros – já que eram apenas homens que atuavam – que hoje a psicologia e a psicanalise, fez um diagnostico mais ou menos, desse ponto. Somos personagens sociais e não podemos ser nós mesmos, temos que ser heróis, temos que pegar nossas cadeirinhas de rodas e correr na São Silvestre (ai que saudade da minha cadeira motorizada!). Arquétipos sociais rodam dentro do segmento e isso não é novidade, o herói não existe, existe pessoas que querem ser pessoas e não personagens.

Amauri Nolasco Sanches Junior

Pessoa com deficiência física, cadeirante, tenho sequelas de paralisia cerebral, sou formado em publicidade, técnico de informática, auto-didata em filosofia e escrito

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