Publicado por: Amauri Nolasco Sanches Junior e Marley Cristina Felix Rodrigues | 6 de fevereiro de 2013

Do Amor

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No momento de realizar o casamento, deve-se fazer esta pergunta: julgas poder dialogar com essa mulher até a velhice? Todo o resto do casamento é transitório, enquanto a maior parte da vida comum é destinada à conversa.” (Nietzsche)

A pergunta inicial poderia ser: o que é o amor? Sensação muito estranha que nos envolve com seu suave véu, mas que nos faz refletir sobre as inúmeras sensações que nos envolvem. No dicionário está que o amor é um sentimento que induz a aproximação a aquele que sentimos atração, ou um sentimento que faz nós protegermos quem nós temos atração ou afinidade. Eu descordo com essa definição do dicionário na matéria da atração – muito embora temos essa atração por quem amamos – mas parece que o amor só há a libido e não há só, também há afetividade e deve haver afinidade. Onde começa essa afinidade? Na comunicação um com o outro, no dialogo.

Comunicação é comigo que sou publicitário – as vezes do porte de um Don Drapear da série Mad Men – que encara as muitas linguagens. Quando falamos de linguagem, falamos de palavras e gestos que podem comunicar algo ou dizer nossos sentimentos e pensamentos. O engraçado que só entendi a linguagem quando aprendi programação computacional, porque se o programador erra um algoritmo, o software não funciona. O computador, se você erra um algoritmo, não vai saber o que o usuário quer acessar e não vai ligar aquele software especifico porque não há comunicação para isso. O mesmo é sem duvida com a nossa comunicação, se você não souber se expressar, nada vai adiantar. É o que o mestre Nietzsche diz com sua frase.

Num relacionamento os dois devem conversar, expressar seus sentimentos, expressar suas agonias e tudo mais que te incomoda e trás milhares de coisas ruins muitas vezes. O filosofo Wittgenstein dizia que o mundo é feito de fatos e não de coisas, porque quando expressamos temos que expressar fatos para fazermos sentido diante de um momento, não de coisas e objetos, como um momento isolado. Por exemplo, se você disser “acender abajur” está expressando uma coisa, porque isso não é uma frase dentro de um fator lógico. Mas se você disser “eu acendi o abajur” daí vimos uma ação de acender o abajur como um fato que se expressa como sujeito e predicado.

Platão na forma de seu mestre Sócrates nos diz que o amor se sente por corpos belos e a beleza faz parte da dinâmica de “eros” – o amor entre duas pessoas – que corpos belos tem maior tendência para esse tipo de amor. Será que o grande filósofo estava certo? Pelo que observo algumas tendências são de ordem moral e isso de amar só o belo também é de ordem moral, porque mesmo meio das pessoas com deficiência, há pessoas que não conseguem ser atraídas por outra pessoa com deficiência e isso é um pouco grave. Tem a ver com a linguagem visual onde há outra dinâmica que transmite outra linguagem. As pessoas com deficiência, tendem, a ter essa dinâmica visual e transmitir sua afeição com gestos e com o toque. Mesmo num simples olhar.

No filme “Papermam” da Disney, há uma expressão de gestos e olhares num encontro mostrando que há uma dinâmica muito além das palavres e há encontros destinados. Então podemos acreditar que o ser humano cria linguagens inúmeras e sempre transmite o que sente com ela, criando gestos e plataformas de comunicação, para melhor se expressar sempre que possível. Eu e minha noiva Marley, estamos juntos a 4 anos e 7 meses onde houve esse sistema e dinâmica visual, houve uma comunicação em palavras e há muito em gestos. Talvez nossa história seja a mesma de filme, ou não, mas envolve olhares que é muito significativo.

Mas o que envolve essa dinâmica? Esse pensamente do mestre Nietzsche eu comungo, acredito que deva ter dialogo e uma pitada de outras coisas que devem assegurar o casamento. O casamento ficou banal porque as pessoas puseram outras coisas acima do amor e da amizade – do dialogar – e já acreditam que não vai dar certo. Como você vai fazer uma coisa se acredita dês do começo que não vai dar certo? Eu já vi artistas dizerem na TV, que num belo dia acordaram e não estavam amando mais aquela pessoa que estava ao seu lado, como se exatamente não houvesse dialogo. Não é uma questão moralista religiosa que você tem que aguentar até o fim – não é o aguentar que fara você feliz – é o querer olhar para a pessoa e dizer para si mesmo que nós convencemos ela e ela aceitou estar ao nosso lado e isso deve ser pensado como “brincar com o sentimento do outro”. Se não estava com vontade de estar com aquela pessoa, por que convenceu ela a lhe amar e ficar com você?

Na maioria das vezes, muitas pessoas nem sabem o que sentem e envolvem todo um processo de ilusão. A comunicação e assumir o que se pensa e sempre amar sinceramente, vale a pena.

Amauri Nolasco Sanches Junior

Pessoa com deficiência física, cadeirante, tenho sequelas de paralisia cerebral, sou formado em publicidade, técnico de informática, auto-didata em filosofia e escritor.

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Responses

  1. […] no meu texto Do Amor do meu blog Ser um Deficiente, eu digo sobre o amor de forma das mais inúmeras linguagens que […]


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