Publicado por: Amauri Nolasco Sanches Junior e Marley Cristina Felix Rodrigues | 31 de janeiro de 2013

Consciência e Liberdade

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Duas manifestações essa semana me motivaram a se manifestar sobre, uma é o novo Centro Esportivo Paraolímpico e outro é a manifestação contra a flexibilidade da Lei de Cotas que exaustivamente venho escrevendo nesses anos. Se fomos pensar sobre, vamos chegar no mesmo ponto de sempre, vamos chegar ao inevitável processo politico nesse país de um fascismo moldado com a cultura coronelistica (palavra minha). Sobre o Centro, olha minha manifestação:

Trezentos milhões dariam varias adaptações e acessibilizar muitas coisas que deveriam ser acessibilizadas e não foram como as ETECs que são cuidadas pelo Centro Paula Souza, acessibilizar e melhorar a saúde e a qualidade das cadeiras de rodas que pedimos para o SUS ou ao governo do Estado. Aliás, o governo do Estado em matéria das pessoas com deficiência anda pecando muito, como fazer eventos de semana, abrir o museu da história politica das pessoas com deficiência só de semana e por ai vai. O Museu do Ipiranga – grande marco da nossa cidade – não tem acessibilidade nenhuma em nada, nem ao menos no banheiro, e é competência do Estado e a Secretaria do Estado proceder já que é a USP que cuida do local. Quem quer um emprego como faz? Eu sou publicitário e no entanto, nenhuma agência de publicidade me contrata, nem obedece a Lei de Cotas…e ae como fica aqueles que querem trabalhar? É lindo, mas tem milhões de prioridades que deveriam ser analisadas.

(Amauri, 29/01/2013)

O texto acima mostra quantas coisas deveriam ser feitas e não são feitas por causa de politicas que só escondem o que é certo. Não estou contra o Centro, eu sei que muitas pessoas vão ser beneficiadas com esse centro, mas – sempre existe um “mas” – não deveria ser a prioridade dentro da cidade de São Paulo. Aliás como mostra minha manifestação, existe erros graves dentro de qualquer nível de inclusão, dês da educação inclusiva até na área da saúde. Nós (eu e minha noiva Marley) estudamos um ano e meio um curso técnico de informática na ETEC Parque Santo Antônio na zona leste de SP. Bom, quando fizemos a prova vimos que era acessível – muito diferente do que adaptável – e tivemos a “ilusão” que tudo era perfeitamente feito dentro de uma politica de educação inclusiva. Começou já na hora da nota da prova que a minha noiva por ser descente de negros, deveria constar os pontos de acréscimo desse item que é lei e não foi acrescentado e fizeram maior “aue” para fazer a matricula. Parecia que eles não queriam dois usuários de cadeira de rodas dentro do curso. No decorrer do curso, a Marley começou a ter fortes dores nas costas por causa da escoliose dela e pediu mesas adequadas, mesmo o porque, eu também estava sendo prejudicado e sentia dores nas costas e não dava para acompanhar a matéria  O Centro Paula Souza ficou de mandar as mesas adequadas, mas acabou o curso e não tivemos nunca essas mesas e tem mais, o elevador toda hora quebrava porque era de segunda categoria.

No item elevador, a Etec em questão, ficou três meses sem ele e os alunos nos culpando que ele não funcionava e precisavam ter aulas praticas, acabou que nós tivemos que ficar em baixo, e eles que tiveram sempre razão, ficaram em cima. As pessoas confundem, pensam que acessibilidade só se faz com rampas e acessórios que melhoram nossa locomoção, mas também é feita de respeito. Os banheiros eram fechados e só eram abertos os banheiros lá de baixo e outras coisas que dariam um livro imenso e iria ser muito esclarecedor como o governo do Estado – para você verem como não tenho partido nenhum – trata a politica da inclusão das pessoas com deficiência.

A saúde é péssima  nos tratam como se fossemos qualquer coisinha, e quando vamos pedir cadeiras de rodas ou outro aparelhos, são de segunda categoria que até o freio sai da sua mão. E como falo no texto, muitos querem visitar lugares e não podem porque não estão adequados dentro da lei de acessibilidade, dentro até das normas da ABNT. Muitos querem ir em eventos, mas são durante a semana e não podem, ou até no museu da história politica das pessoas com deficiência  Tudo isso teria que ter uma certa prioridade nesses trezentos milhões de reais, não só investir no esporte, temos que investir também em outras áreas de igual importância dentro da matéria inclusão. Meu amigo virtual e companheiro de luta Amilcar Zanelatto Fernandes, lá de São Caetano no Sul-SP, disse sobre o Centro Esportivo:

Criar Centros é como criar guetos: ali se reunem tais e quais pessoas. Na questão do esporte, por exemplo, uma coisa é Incluir; outra, Integrar. Inclue-se quando TODAS os locais de práticas desportivas, com CLUBES, ESTÁDIOS, GINÁSIOS, PISCINAS, são acessíveis EM TODAS as dimensões.E TODAS as pessoas praticam desportos; inclusive as do que são denominadas de “alto rendimento”. Integrar é quando ALGUMAS pessoa participam; pessoas algumas porque suas diferenças são contempladas minimamente e conforme sua limitação funcional, pelo meio e, consequentemente, são os chamados “exemplos de superação”. A Mara Gabrilli (PSDB-SP) representa instituições asilares; não reconheço nela representatividade alguma à causa da deficiência. Nada de Centros: e nada por nós, sem nós. De fato.

(Amilcar Zanelatto Fernandes 29/01/2013)

Ele está certo ou esta errado? Não era melhor usar esse dinheiro para acessibilizar outros locais para essa pratica? Interessante quando ele diz instituições asilares porque a maioria parece apoiar essas instituições e fazer delas grandes centros de referencia, não é o problema as apaes e as aacds da vida, também existe os centros especiais que aqui, fica na Estação da Lapa. Fora que há cantinhos da esperanças  entre outros asilos, que mereciam atenção maior das autoridades para as politicas que esses asilos contem. Mais escondem essas pessoas do que mostram que são capazes e isso é uma politica ainda muito comum em nosso meio, a da discriminação velada, porque a declarada é crime.

Reafirmo que nada tenho contra essa resolução, apenas estamos refletindo sobre questões prioritárias que abrange um público maior. Vale apena só fazer para tal publico e não a outro? Vale apena só fazer para os esportistas e não para quem trabalha de sol a sol? Ora, e tem outra coisa, existe aqui em São Paulo o Centro Esportivo dos Paraplégicos – acho que é esse nome – que faz esse tipo de trabalho e muitos amigos dizem ser ótimo. Por que não usar o dinheiro para melhorar esse espaço?

Continuando nossa manifestação  vamos falar da flexibilização da Lei de Cotas para pessoas com deficiência. Segundo essa lei empresas com 100 funcionários devem contratar 2% desses em pessoas com deficiência e mais de 1000 funcionários  5% de pessoas com deficiência. Como tudo as pessoas ficam fazendo “corpo mole” e nesse país um culpa o outro, os empresários alegam não ter pessoas com deficiência qualificadas para tal serviço, se não tem, eles não podem contratar. Se tivéssemos um STF sério, tal afirmação já era motivo de processo porque fica caracterizado discriminação. Por que? Porque todo e qualquer pessoa que trabalha só é qualificado quando o que aprendeu e o que se aprende entra em pratica. Ou seja, se tenho diploma de publicitário, só irei aprender quando eu exercer meu oficio de publicitário, e isso caros amigos, só as empresas podem fazer e não existe curso nenhum que vai provar o contrario. Então o que estão alegando é ilógico.

A Secretária dos direitos da pessoa com deficiência do Estado assim se manifestou sobre o assunto:

A SECRETARIA DE ESTADO DOS DIREITOS DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA DE SÃO PAULO RECOMENDA QUE TODOS SE MANIFESTEM JUNTO A CÂMARA FEDERAL E DIGAM ***NÃO*** A ESTE PROJETO: VAMOS GARANTIR DIREITOS JÁ CONQUISTADOS.

Projeto flexibiliza cota para pessoas com deficiência em empresas
A Câmara analisa o Projeto de Lei 4773/12, do ex-deputado Thiago Peixoto, que flexibiliza a obrigação de empresas com pelo menos cem funcionários destinarem parte dos postos de trabalho a pessoas com deficiência. Atualmente, a Lei 8.213/91 determina que essas companhias reservem de 2% a 5% de suas vagas a quem tem alguma deficiência.

Tramitação
O projeto, que tramita em caráter conclusivo, será analisado pelas comissões de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio; de Trabalho, de Administração e Serviço Público; de Seguridade Social e Família; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

(via Isabell Bell 30/01/2013)

como assim? Será que vai funcionar ou é mais uma artimanha para fugir da obrigação de contratação das pessoas com deficiência que a FIESP a anos vem militando? Não me venham dizer que isso [e uma medida melhor porque essas medidas melhores são muitas vezes, paliativas e nada contém de beneficio a nós. A Secretária deveria atuar a FIESP por discriminação faz tempo, porque o centro cultural Ruth Cardoso que é lá em seu QG – isso mesmo – até estão barrando cegos a irem com seus cão guias dentro de seu teatro. Isso não caracteriza discriminação e vai contra as leis que regem esse país e até a Constituição?

Temos que ter consciência de nossa liberdade, não essa liberdade que querem nos vender, mas a real liberdade. Por isso temos que exigir um juiz com deficiência dentro do STF (Superior Tribunal Federal) para garantir que não ocorram essas medidas esdruxulas que aparecem por ai.

Amauri Nolasco Sanches Junior

Pessoa com deficiência física, cadeirante, tenho sequelas de paralisia cerebral, sou formado em publicidade, técnico de informática, auto-didata em filosofia e escritor.

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