Publicado por: Amauri Nolasco Sanches Junior e Marley Cristina Felix Rodrigues | 20 de janeiro de 2013

Inclusão mesmo ou “pão e circo”?

carnaval salvador

Amauri Nolasco Sanches Junior

Publicitario/Filosofo/TI/Coordenador e membro da Irmandade da Pessoa com Deficiência

Li duas noticias que me fizeram refletir sobre os caminhos da inclusão de verdade, uma é que as pessoas com deficiência teria 50% de desconto nos desfiles de carnaval e outra, do blog da colega Vera Garcia Gente Ciente, sobre pré-carnaval inclusivo. O Carnaval é uma festa que vem sendo comemorada dês de Roma antiga onde se fazia orgias – não é muito diferente – e de maneira nenhuma é uma festa brasileira. O que ainda não se percebeu é que todas essas manifestações de festas populares – não cultural – é apenas uma clara demostração da politica de “pão e circo” que era a politica da republica e o império romano, onde nas lutas de gladiadores (futebol?) era distribuídas porções de pão onde o povo assistia a luta e eram alimentados (bolsa alguma coisa?).

Bom, paralelamente, estava lendo um paragrafo de um livro de filosofia de Immanuel Kant (1724-1804) que dizia que a liberdade só existe quando essa liberdade é feita na pratica. Sem pratica nunca haverá liberdade e então podemos subir um degrau da discussão do “pão e circo” dos romanos e é muito difundido ao longo dos seculos posteriores a eles. Porque a liberdade nada pode fazer se você não tem consciência de fatores que te dominam, isso fica muito claro dentro do segmento das pessoas com deficiência, quando cai numa aparente liberdade que estão lhe dando. Para começar temos que entender que estamos passando por inúmeras declarações discriminatórias de todos os lados e medidas inconstitucionais como vimos o governador do Rio de Janeiro, botar no diário official que fará exames para aceitar ou não crianças com deficiência nas escolas regulares e as pessoas querem “brincar carnaval”. Ora, não é a politica do tira lá e dá cá? Mas como a emenda iria sair pior que o soneto, como diria o poeta português Bocage, as pessoas nem emendam e nem discutem essas barbaridades.

É estranho que ninguém tenha percebido que virou um grande negocio a inclusão – dês de aparelhos ortopédicos até entidades milionárias e até mesmo no esporte – onde a imprensa faz o papel de divulgador das ideias dominantes. Para uma superação devemos fazer esporte e correr nas paraolimpíadas, ou superar escalando o Everest com sua cadeirinha dizendo “I Love Brasil” lá no alto. Não tenho nenhuma vontade de subir no Everest, primeiro tenho medo de altura, segundo porque não gosto muito do frio e por ultimo e mais importante, não vou dizer “I Love Brasil” sem mostrar o dedo do palavrão. É um tédio ouvi essas pessoas dizerem isso e achar que devemos engolir essas asneiras como se fossem verdades.

Eu gosto muito do pensamento do filosofo Nietzsche que dizia que não há fatos eternos e nem verdades absolutas, pois tudo se transforma porque o fatos são mutáveis todo o tempo e as verdades mudam conforme recebemos informações. A maioria dentro do segmento que tem um pouco de cultura, sabe que isso são formas paliativas e simples de se tampar a verdadeira intenção de tudo isso. Mas que são perigosos meios para um retrocesso dentro da luta de todos nós com deficiência, que infelizmente, não enxergamos com devida atenção. Não vamos nos incluir no carnaval – que para mim só espalha doenças sexualmente transmissíveis junto com bailes funks e a industria da camisinha ganhar algum – nem se adaptarmos as praias, mesmo o porque, se não fomos contratados não vamos ter grana para ir a praia e nem ir ao carnaval. Eu passei cinco anos desfilando na ala Roda Viva e o que vi é que virou uma industria, virou que quem desfila era mais do que os outros e quem é mais do que os outros dominam. Realmente não quero ser dominado e quero uma reflexão sobre isso….

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Responses

  1. O que me entristece é que ainda existe pessoas que acreditam nessa falta inclusão, e acham que tudo ta indo bem enquanto nada disso é verdade leis de cotas não funcionam, deficiencias não são aceitas em mercados de trabalho só se for aquelas bem leves. Eu cheguei a um ponto que cansei de brincar de faz de conta.

    • não desista da luta nunca Claudia


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