Publicado por: Amauri Nolasco Sanches Junior e Marley Cristina Felix Rodrigues | 11 de janeiro de 2013

O senhor do seu anel

backer-anel

descrição: o anel do poder com uma descrição em língua elfica envolto em lavaredas.

Amauri Nolasco Sanches Junior

Membro e coordenador da IPCD/TI/publicitário/escritor/filósofo

 

 

Eu fico pensando no poema do começo do livro “O Senhor dos Aneis” de J.R.R. Tolkien:

“Três Anéis para os Reis – Elfos sob manto celeste,

Sete para os Senhores – Anões em seus corredores rupestres,

Nove para Homens Mortais, fadados ao eterno sono,

Um para o Senhor do Escuro em seu sombrio trono

Na Terra de Mordor onde as Sombras se deitam.

Um Anel para a todos governar, Um Anel para encontrá-los,

Um Anel para a todos trazer e na escuridão aprisioná-los

Na Terra de Mordor onde as Sombras se deitam.”

 

 

A figura do anel nas culturas antigas era muito difundida e de certa maneira ainda o é, tanto assim, que quando casamos ou ficamos noivos, colocamos o anel de compromisso. Esse poema como outros – que se tem por ai – foram baseados do poema Anel de Nibelungos que são contos da mitologia germânica. Tanto foi importante esse lado do anel, que reis e imperadores carimbavam seu selo nos pergaminhos com o anel que usavam, com seu escudo. Mas vimos que a Saga do Anel – com os livros que descrevem a historia toda de Tolkien – retrata um mundo a parte e a partir do livro The Hobbit, mostra o Anel UM que estava em poderio da criatura Gollum na caverna, que o hobbit Bilbo Bolseiro o encontrou e o tomou, mas era o Anel de Sauron e mostra o lado sombrio que temos dentro de cada um.

Quem não tem seu lado sombrio desperto por causa de uma raiva ou de algo oculto que até então, não reparamos em nós? Esse lado oculto Freud – pai da psicanalise – disse que está lá em seu inconsciente onde tudo que é e está oculto se armazena. Então o anel único que mostra a saga, é o lado obscuro de qualquer pessoa, com tendencias más ou boas, mas que refletem o que mais somos. Alguns estudiosos do assunto, nos diria que tudo que lá armazenamos, nada mais é do que nossos mais secretos desejos e vontades que muitas vezes, como o próprio Freud comprovou em pesquisas, essas vontades são reprimidas graças os conceitos morais de uma sociedade. O guru Mestre Yoda – ó eu misturando as histórias e os filmes – diria que tudo é gerado pelo medo, esse medo gera o ódio e o ódio gera o lado negro da força. A criatura Gollum mostra o lado negro – que tenta todo tempo matar quem rouba o anel ou algo que lhe pertença – e o lado claro – que se recusa a fazer o que o lado negro quer fazer, sempre assustado e inseguro. Não é de se esperar, porque na própria historia, se tem uma pequena biografia dessa criatura (não vou colocar aqui porque vai ficar muito extensa minha colocação e vou me perder).

Como disse, todos nós temos um lado obscuro dentro de nosso inconsciente e temos a tendencia a nos deparar com as sombras, o lado negro da força. Uns dirão que é por medo, outros dirão que é por necessidade de sobreviver – a velha historia do mais forte vence que não é verdade ou existe certas exceções – mas que as pessoas ainda se apegam a conceitos do chamado “coitadismo”. Mas é lógico que quem tem mais poderio tecnológico e força corporal é o mais forte – isso é visto nas historia do Conan o Bárbaro com o enigma da lamina que a carne é mais forte do que o aço por causa da vontade (Nietzsche?) – porque o conhecimento faz a estrategia, mas a vontade faz a ação. É muito diferente uma pessoa ter uma “fantasia” ou um pensamento e ela realizar esse pensamente, existe o fator vontade para se fazer. Para mim – mesmo que qualquer psicologo conteste – não existe contra vontade e isso é mostrado em obras de ficção e não ficção, porque se não tiver vontade, não se faz. O mesmo podemos falar de qualquer maniaco, qualquer pessoa que rouba, que estupra ou espalha o ódio, nada mais é do que o medo do diferente que faz dela escrava de fazer algo pelo seu prazer. Com o preconceito, conceito ou pós-conceito é a mesma coisa, não se faz nada se não tiver envolto da vontade e essa vontade irá potenciar o ato.

O caso da psicologa que foi no Faustão e disse que o problema são crianças com deficiência mental que são incluídas forçadamente e sofrem bulling – por causa do atentado da escola nos Estados Unidos da América – teria desencadeado esse ato dele matar membros da sua família e matado as crianças e se matado, teria gerado um trauma que gerou isso tudo. Mas e a vontade do ato em si? O medo levou-o ao ódio? Será que esse comentário dessa psicologa não mostra o medo coletivo, que crianças, adolescentes e adultos “diferentes” não pode despertar nas pessoas? Não vamos esconder essa tendencia tao humana quanto nossa historia nesse planeta, o medo faz a nós criaturas que odiamos o que tememos e criamos conceitos.

Um pré-conceito é uma pré-ideia de determinada coisa ou situação, como por exemplo, a maçã ser vermelha. Se nunca vi uma maçã vermelha, eu nunca criarei um conceito que a maçã é vermelha, mas criarei outro conceito que as pessoas dizem que as maçãs são vermelhas por pura invenção e isso não existe. O pré-conceito ai é eu imaginar que existiria uma maçã vermelha, como eu não vi essa maçã vermelha no qual todos dizem, criei um conceito que não existe e o pós-conceito é que é uma tremenda idiotice que exista maçãs vermelhas. A sociedade e as pessoas que tem algum tipo de deficiência vivem algo mais ou menos que isso, a sociedade assisti um Teleton ou ficam tocadas com a superação das paraolimpíadas, e ficam com essa imagem e ainda é muito pior, há uma imagem bastante antiga criada nas margens da igreja cristã que todas as pessoas com deficiência sofrem. Você pega um rapaz como meu brother Dudé, ele não tem os membros, mas porem tem duas bandas e faz um belo trabalho como professor de musica e estúdio, coloca ele no palco e põem ele pra cantar. Não vai haver nenhuma alma viva que não vai chorar por causa da imagem coletiva do eterno sofredor, alguém que sofreu e superou e venceu.

Não é bem assim, a visão da psicologa Betty – aquela do Faustão – e até a visão da Lya Lulf nos dá o patamar que isso pode chegar e que nunca, em 20 anos de luta, nunca tinha visto. É a visão do nosso lado oculto que faz comandar e é um conceito, não mais um preconceito, que impera em nossa sociedade. Seu maior expoente vem em forma de informação igual que foi veiculada no jornal Estado de São Paulo no dia 9/01/2013, que uma pessoa com deficiência deveria ser esterilizada por causa de se tratar de pessoa incapaz, como se isso fosse constitucional. A visão conceituada da sociedade, se manifesta em todos os níveis possíveis. Isso não é uma marca forte sendo mostrada no Teleton ou em outro meio, que ao invés de explicar que existe níveis relativos de deficiência, espalham a generalização? Ou nós deixamos isso se espalhar com nossas atitudes de se esconder? Na própria história a criatura Gollum se esconde numa caverna para ninguém roubar seu “precioso”, todos nos temos nossos “preciosos” para esconder e temer sua perca por razões diversas.

A mulher com deficiência intelectual é uma vitima dessa visão que as próprias pessoas com deficiência espalham com palestras e discursos dentro da mídia. Somos merecedores, não porque lutamos por um mundo sem essa visão, mas porque vencemos e estamos aqui dizendo isso aos demais. Vencemos o que? Somos incluídos nas empresas ou na sociedade efetivamente? A questão é mais ou menos controversa, porque efetiva uma forma de discriminação e a própria pessoa irá receber, dão a bomba atômica para o inimigo explodir na sua própria cidade. É muito comum dentro do nosso próprio meio. A própria pessoa com deficiência dá uma de herói e diz: “Somos capazes de vencer nossas barreiras e de vencer sempre, eu e minha cadeira de rodas temos um caso de amor, amo a vida!”. Dai eu digo: “Aham! Senta lá Cláudia!” que o buraco é um pouco mais embaixo.

O “precioso” de muitas pessoas é o conforto, a vida de paz e sossego, que supostamente, pensamos ter. Temos tanta liberdade o quanto existem unicórnios, não há tanta liberdade assim, senão vai acontecer o que sempre dissemos nos outros textos, vamos ser adjetivados por causa das visões morais que as pessoas tem. O “precioso” das pessoas é a moral que aprendemos dês de muito novos – com base da cultura cristã – que para sermos humildes temos que nos sentir não capazes. Como diria o herói grego Aquiles quando o menino disse que iria lutar com um homem mais alto que tinha visto e se fosse o herói – Aquiles – não lutaria com esse homem. Eis que o herói respondeu ao menino, que seu nome nunca será lembrado. O herói trágico não pensa se carne dá colesterol, que o leão sangra como nós, que as vacas “defecam” no pasto para adubar; ele luta para ganhar e existe o reconhecimento dessa luta, ele livrou de si e dos outros aqueles inimigos e deve ser lembrado com honra. Quantas vezes fui expulso de um grupo por que não me acostumava com alguns do segmento dizendo “Lindinha”, “Fofinha”, “Tudo bem Maravilhosa?”?

Eu desconfio de pessoas muito boazinhas que tendem a dizer essas coisas, dar um ar de arrogância que me mete medo, porque no filme a criatura Gollum também tem seu momento bonzinho e sempre quer matar o Frodo. Talvez – porque não tenho certeza – isso seja herança da minha estadia na instituição da AACD, onde na frente das pessoas são uma coisa, lá dentro da entidade é outra. Será que o anel desperta em mim o lado oculto de não acreditar nas pessoas? Será que o intuito do ser humano, como disse o filosofo Epicuro, é fazer de tudo para sentir prazer? O prazer é a porta da felicidade sempre, tanto é que quando você sai para uma balada, você nunca vai num lugar que tenha pessoas mau vestidas ou que não seja de aparência que você acredita ser belo. O esteriótipo que se cria dentro do que falávamos, é o que você acredita o que seja certo, mas ao mesmo tempo, isso é uma sistemática maneira de te doutrinar, não por causa da publicidade, e sim da maneira que isso se processa. Como se processa? Com o conceito de seculos a fio.

O problema da cultura ocidental – isso vem forte com o advento da filosofia cartesiana no final do seculo dezesseis – é que pegamos uma mania chata de separar as coisas sem antes analisar tal coisa. Um bem se separa de um mal, o perfeito se separa do imperfeito e por ai vai, mas que não há um questionamento o que é perfeito e o que é imperfeito. Para mim um macaco prego é feio e esquisito, para outra pessoa é lindo e maravilhoso, não se tem uma regra de perfeição e isso cabe a nós e a própria pessoa com deficiência, acaba se deixando levar pela própria cultura que é inserido. Então devemos – como a historia mesmo nos diz – destruir o anel e descobrir que você é um ser livre e que não há ninguém que possa garantir seu bem estar a não ser você mesmo.

Quem quiser fazer perguntas aqui

O Livro Liberdade e Deficiência do Clube dos Autores está a venda aqui

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