Publicado por: Amauri Nolasco Sanches Junior e Marley Cristina Felix Rodrigues | 4 de janeiro de 2013

Campos de Concentração e Torturadores Modernos Golpistas

Discurso de Hitler para mostrar que não existe diferença nenhuma do politicamente correto das instituições

 

Amauri Nolasco Sanches Junior

Escritor/Filósofo/Membro e Coordenador da Irmandade da Pessoa com Deficiência/ Técnico de Informática/Publicitário

“A solução, talvez, seria fazer grandes campos de concentração, deixando todos os ditos normais (sem deficiência) livres da convivência com as pessoas com autismo ou com outras deficiências (anormais). Livres do fardo e do perigo! As pessoas com deficiência também estariam bem mais protegidas e aceitas lá, sem nenhum tipo de aflição, pois nada desafiaria seus limites, não é dona Lya?” (Alexandre Mapurunga Presidente da Abraça)

Fiquei pensando o que escrever diante desse pedacinho de texto que meu colega Alexandre escreveu e se realmente se precisa ter esses campos de concentração ou já temos eles. Isso no texto “Caso Lya Lulf” foi exaustivamente analisado por mim e que reflete a nova visão politica do país, e sinceramente, li muitas opiniões que nada tinham a ver com o assunto. Esse o problema do segmento, ficam explanando assunto que nada tem a ver com o mérito da questão. O que tem a ver, se a escritora é a favor ou contra armas ou se a escritora é de partido Y ou Z? Esse nível de cometário dentro ou não das redes sociais são mais ou menos iguais os “garotinhos” do You Tube, como se faz alguma diferença ela ter tal partido ou ser a favor ou contra armas de fogo. O que nos interessa é a discussão muito mais profunda e que o nosso colega trouxe, que se você não expandir a mente, irá acontecer muito em breve.

O interessante disso tudo é que parece que houve um levante dos movimentos diante de tal comentário, não só da Veja, mas também da psicologa que foi no programa do Faustão. Outro colega do segmento disse que esses campos de concentração existem que são as salas especiais das AACDs e APAEs da vida, que tem uma politica muito clara de segregação. Mas o que é mesmo campos de concentração que tanto o pessoal está dizendo? Para matar os judeus, ciganos, eslavos, entre outras etnias, os nazistas formavam verdadeiras prisões onde se lavava essas pessoas para fazerem experiencias ou simplesmente, fazerem trabalhos forçados até a morte. As pessoas com deficiência eram mortas no hospital mesmo por causa de uma ordem direta mesmo de Hitler, pois achava que essas pessoas tinham o sofrimento eterno e não poderiam mais sofrer. Pelo que entendi – com todas essas falas – o pessoal não está preocupado com o nosso sofrimento, eles estão preocupados com o sofrimento das pessoas ditas “normais” e isso é grave, pois beiramos a raia do radicalismo conservador dessas pessoas.

Só que temos que ter cuidado com o termos conservadorismo, porque virou uma especie de cartão de identidade de quem é da direita e de quem é da esquerda. Ser conservador não tem muito a ver – pelo menos hoje – quem está em alguma ideologia. Os partidários do PT adoram adjetivar as pessoas com coisas incríveis como “fascista”, como “golpista” ou a mais nova arma “Torturador moderno”. Será que a Lya Lulf é uma torturadora moderna? Mas não quero entrar no escopo partidário, mesmo o porque, a educação inclusiva foi barrada nos dois lados. E para defender os homossexuais, a Sra Marta Suplicy disse que não vivemos a mesma violência.

Isso não é um tipo de violência dizer que as crianças e nós pessoas com deficiência incomodamos os “normais”? Não é um “estupro a minha inteligencia” a diretora do museu do Ipiranga dizer que a USP está estudando meios de adaptar o museu e que vários museus e outros lugares, não estão adaptados adequadamente? Não é que queremos ou não, é lei, é lei adaptar qualquer estabelecimento para podermos obedecer a primeira emenda da constituição que é o direito de ir e vir e melhor ainda, o nosso direito a vida. Mas como temos o direito a vida se não podemos viver? Ter a vida não é de maneira nenhuma viver, porque uma pessoa para viver tem que ter o minimo para se manter e para ser feliz.

Numa discussão do termo “cadeirante” um colega, o Amilcar lá de São Caetano do Sul, me explicou da onde vem esses terríveis termos que seguramente, a informação foi dada por pessoas que realmente sabem. Esse termo foi cunhado pela instituição AACD para designar como seria chamado as pessoas com deficiência que usavam cadeira de rodas, sendo para muletas “muletante” e por ai vai, como se fossemos objetos e precisaríamos de termos pomposos para designações. Mesmo o porque, o termo “chumbado” já estava muito na cara e era desagradável incitando as pessoas a dizerem que eles estavam discriminando – como se não o fazem, sendo explicito a campanha de segregação da instituição. O que ocorre é que pessoas famosas como a Mara Gabrilli gostaram do termo e usaram, elas espalharam e essa designação ficou muito bem engajada como um termo “politicamente correto” do governo e dos meios de comunicações. Mas que pelo que entendi, nos jogam em guetos verbais, como se precisássemos de termos para nos chamar e para designar uma condição.

Semanticamente, não existe o verbo “cadeirar” e sim o substantivo “cadeira” que nos fazem refletir. Pois um um verbo é uma ação que fazemos, por exemplo, comer é uma ação e é verbo, um substantivo é designado a objetos como inúmeros que usamos, como mesa, cadeira, porta e etc. Então, estamos sendo chamados de coisas, nós não somos as pessoas que estamos em cima das cadeiras de rodas e sim, somos a cadeira e não temos nome ou somos indivíduo. A discussão é muito mais profunda do que termos verbais ou substantivos, a discussão após o artigo da Lya Lulf é que estamos sendo “coisificados” e devemos obedecer e ficar no nosso cantinho, comendo, aprendendo só que lá nas classes especiais. Somos misteriosos e enigmáticos e as pessoas tem medo, o medo do diferente atormenta a humanidade por seculos a fio.

Com tudo isso sabemos que o politicamente correto não existe e sim, fazer media com termos e etnias numa imensa demagogia. Todo mundo tem os mesmos preconceitos dos nazistas, mas é politicamente incorreto dizer alto e bom som que não gosta de determinado segmento. Por que não se assume que as pessoas com deficiência não podem ser chamadas pelo nome? Por que as pessoas com deficiência não podem tratar de seus próprios problemas? Por que não podemos estudar em escola regular como todo mundo? Não cometemos bulling, não vamos roubar o lanches dos outros alunos, isso quem anda faz muito bem, só vamos ser pessoas como nós sempre fomos e sempre seremos. 

 

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