Publicado por: Amauri Nolasco Sanches Junior e Marley Cristina Felix Rodrigues | 26 de agosto de 2012

Por que a Inclusão?

O filosofo Immanuel Kant com a frase que está no texto

Dias desses eu li no meu Facebook um depoimento do meu colega de São Caetano do Sul, Amilcar Fernandes e também membro do Movimento Incluase. O dizeres dele dizia:

 

Sabe, em 1984 fui designado a lecionar para uma “sala especial”, em uma escola do Estado, aqui em SCS. Pelo simples fato de ter uma deficiência. Entrei na sala, haviam exatamente 14 crianças com as mais variadas diferenças. Dia seguinte, fui à Diretoria e disse: “eu me recuso a trabalhar com essas crianças de forma segregada. Trabalho com elas DENTRO das salas regulares, com as demais crianças. Posso fazê-lo”. Sabe o que a Diretora me disse? “Você não me cause problemas: as mães não querem essas crianças na mesma sala que os filhos delas. E as outras professoras também não”. Entreguei as aulas e fui à Delegacia de Ensino denunciar. Como tinha aulas atribuídas em outras escolas, ainda lecionei para o Estado por mais quatro anos. Depois, não conseguia nem aulas de substituição; eventual. Tornei-me “persona non grata” nas escolas de São Caetano. Públicas e privadas. E até hoje há a alegação de que os “professores não estão preparados”.

Não há novidade nenhuma nesse depoimento quando diz que na maioria das vezes, a questão de exclusão das pessoas com deficiência é um fato familiar, pois a anos venho dizendo isso. Essa visão começou quando eu frequentava uma espécie de depósito de pessoas com deficiência, chamada de Oficina Abrigada de Trabalho na unidade da AACD Mooca – onde até hoje seus diretores negam ter existido, mas que custou no bolso do meu pai R$80.00 mensais durante 8 anos – que vira e mexe, ouviamos dizer que não existia outro lugar para frequantarmos. Será que não? Pessoas totalmente inteligentes o bastante para aprender, são trancafiadas dentro de lugares como esse para a familia ficar “sossegada”, mas essa mesma familia é capaz de ser hipócrita o bastante para levantar a bandeira da inclusão.

Fica uma pergunta: para que a Irmandade, a FCD, a Superação, a Baroesi, a Inclusão Já entre outros, lutam tanto para incluir se o povo não quer se incluir? As pessoas preferem ficar culpando os outros e não lutam para nada, nem para aprender, nem para ter ou ser alguma coisa. Ora, o governo é o poder execultivo que colocamos para administrar o pais e sua infraestrutura, nós temos que “correr” atrás do que queremos. Tanto se diz da Lei de Cotas, onde empresas com mais de 1000 fucionários, tem que reservar 5% de vagas para pessoas com deficiência, e no entanto muitos nem desejam estudar porque não encontraram meios ou que é confortavel para a familia. Conheço pessoas com deficiência que estudaram 3 cursos técnicos e agora estão trancafiadas na Estação Especial da Lapa, onde nada mais é, do que um lugar seguro para a familia e não o melhor para a pessoa com deficiência. O trágico disso tudo é saber que a própria pessoa com deficiência, se sujeita a isso.

Comodismo? Talvez. Mas estamos mais ou menos, em um paradoxo, porque ao mesmo tempo que essas pessoas querem ser aceitas, elas ao mesmo tempo, não querem abrir mão de alguns confortos. Mas isso é valido para todos? Claro que não podemos generalizar, existem pessoas que realmente lutam e realmente, fazem seu trabalho dentro da sociedade. Existe pessoas que mesmo tendo alguma deficiência, lutam e batalham dentro da sociedade, tendo muita força de vontade. Quem quer, corre atrás.

É trágico ver que isso é fruto de uma politica onde não se teve nenhum investimento na educação, e por outro lado, da futilidade que estamos sujeitos dentro de uma cultura amordaçada na ignorancia. Uma frase muito boa do filósofo Kant disse um dia: “Você é livre no momento em que não busca fora de si mesmo alguém para resolver os seus problemas.”, ou seja, ninguém vai resolver seus problemas se você não se puser na condição de ser humano, porque não é digno de merecimento, ninguém que culpa os outros pelo seus próprios erros. Então é culpa só da sociedade que não adapta os prédios, não coloca rampas ou não tem aceitação por nós? Não vivemos em um outro mundo, não somos extraterrestres e viemos de outro mundo, viemos do mesmo DNA que todos os seres humanos vieram, temos a mesma alma que todos seres humanos tem, só falta descobrirmos isso dentro de nós.

Sinceramente, temos uma virtualização cultural onde pensamos que entendemos de muita coisa, mas aquilo só é algo projetado dentro de algo. Pensamos viver a realidade, mas qual é a realidade mesmo? Na verdade estamos em uma realidade virtualizada, temos uma realidade maior que aparece superposta em cima de uma verdadeira realidade. Sabe o que é virtualizar? Quando fazemos infomática, que é meu caso, vivenciamos uma coisa mais ou menos mágica; podemos em um sistema operacional – Windows por exemplo – projetar com um software especifico o Linux dentro mesmo do Windows. Você opera o Linux dentro do Windows sem mesmo desligar ou mudar seu sistema operacional, a internet é outro exemplo de virtualização, você projetar uma paisagem em uma parede também é um meio de virtualizar essa paisagem. Então podemos definir que nossa cultura é uma “virtualização” da cultura que domina, que entra na ética judaica-cristã – onde a pena e a intolerancia com as religiões que não fazem parte do escopo do pensamento cristão, ou o prédominio da cultura do “coitadismo” – que domina ainda o pensamento ocidental, se virtualizou uma liberdade forjada dentro dessa predominancia. Não somos levados a verdadeira liberdade, mas uma liberdade forjada pelos homens e mulheres, que detem o poder, nós aceitamos também essa realidade.

A Lei de Cotas – a lei 8213/91 – apenas é uma virtualização em cima de algo que a sociedade nunca vai ver, porque é projetada para uma visualização bonita, mas que não condiz a realidade de fato. Existe empresas que contrata seu porcentual de pessoas com deficiencia menos visiveis, ou seja, o cara manca ou não tem um dedo do pé é contratado e é um deficiente. Não existe empresas que obedeçam com rigor essa lei, não adianta me mostrar números, pois numeros não me convencem e são manipulaveis. E também alguns sabem disso, mas preferem não enxergar ou não querer enxergar. Fica igual o Cypher do filme Matrix, sabe que aquilo é errado e escravizador, mas mesmo assim prefere isso do que lutar. O problema que somos iludidos por situações que não fazem parte da realidade onde vivemos, é muito lindo em inumeros documentos que são mostrados, porem, a realidade é outra. A familia das pessoas com deficiência são amostras dessa realidade, elas refletem muito mais a cultura vigente (o Sistema Operacional plataforma), e vivem na outra cultura que virtualizaram que é mostrada em uma camada superior.

Infelizmente, a nossa liberdade depende muito de resoluções pequenas que podem ser facilmente detectadas graças a uma visão fora dessa realidade virtualizada. Não adianda criar leis para trabalharmos, estudarmos e temos um relativo momento de lazer, se as calçadas não estão totalmente adaptadas, se as vias não estão com rampas nos cruzamentos. Ou pisos tateis, sinais sonoros e enfim, todas as adaptações possiveis.

Acima, disse sobre a AACD, e afirmo que a maioria dos casos de deficiência por nascença, não são tratadas ali. Isso é expor menores de idade, crianças que nem sabem o que estão fazendo, por causa que iludem essas crianças com atrações e essas mesmas atrações, pedem dinheiro por uma entidade que não faz nenhuma diferença hoje em dia. Por que não? Se não usarmos a rede publica e não exigir da rede publica, nunca vamos melhorar a rede publica enquanto pessoa com deficiência. Então para que doar para uma entidade privada – mesmo ela recebendo milhões do SUS por mês – se podemos exigir do poder politico investir mais no inumeros Centros de Reabilitação Públicos?

Quem quiser ver mais um texto do Amilcar acesse o  Texto

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