Publicado por: Amauri Nolasco Sanches Junior e Marley Cristina Felix Rodrigues | 27 de dezembro de 2011

Violência silenciosa

O discurso da senadora Marta Suplicy me assustou em relação, o que ela mesma disse, no caso dos “deficientes”. Como assim que as pessoas com deficiência, não vive as mesmas violências que os homossexuais? Primeiro que está na Convenção dos Direitos das pessoas com deficiência, que não é mais “deficiente” que é uma forma pejorativa, uma forma de mostrar nossa incapacidade e sim, pessoa com deficiência. Todo ser humano tem a capacidade de se adaptar sobre as dificuldades da vida e muito bem. Mas nesse discurso para defender um argumento da bancada evangélica, a senadora disse que não sofremos nenhuma violência que sai na primeira pagina do jornal. Agora pergunto: temos culpa que a grande mídia não se interessa por esse tipo de noticia? Agora só vai se defender minorias que saem em grandes jornais, isso é um argumento pobre e sem a menor consistência.

Logico que vivemos violências muito piores, pois saiu em grandes jornais sim, que garotas de síndrome de down são estupradas, que um menino com paralisia cerebral grave, foi morto a pancada e ninguém disse nada. Como não sofremos violência? Esse é o menor das violências, tem a violência silenciosa que não aparece em noticiários, que não aparece em mídias por não dá IBOPE. Quero deixar bem claro que o discurso final dela eu apoio completamente que temos que viver em harmonia, mas defender uma classe da minoria em cima de outra, é feio no mínimo.

A senadora não sabe que existe pessoas com deficiência no nordeste que são acorrentadas, que existe pessoas com deficiência que sofrem pressão psicológica, recebemos muito bullying institucional do próprio governo e as entidades que ele insiste em sustentar. A senadora deve ter esquecido do caso da Pestalozzi do Rio de Janeiro, que seu diretor com problemas mentais, torturava crianças com deficiência graves e sem o menor meios de se defender. Fiquei indignado com o discurso da senadora que para neutralizar o discurso da bancada evangélica, que mais uma vez nos usa como se fossem nossos defensores, diz um disparate desses, como se nós não fossemos nada. Não tem um dia que nós não ficamos a mercê de preconceito, de violência verbal e de gestos de pressão, não tem um dia que temos que “matar um leão”. Se começamos a namorar, não temos paz um dia, pois a pressão e o preconceito são enormes, fora que as pessoas não abrem mão de seus compromissos para ajudar. Não abrem mão do que é mais cômodo para cada família, não podemos nos locomover, não podemos passar as datas festivas juntos, não podemos trabalhar porque os empresários ainda batem o pé dizendo que não temos qualificação. Como não sofremos violência?

Nada tenho contra os homossexuais, mas eles trabalham, podem se locomover, podem ter a escolha de seus companheiros, nós não podemos. É triste ver que eles sofrem o preconceito a mesma coisa que nós, mas nós é ainda muito pior do que isso, o preconceito silencioso, esse é o mais perigoso. Nós somos taxados de sofredores eternos a muito tempo, somos taxados de inúteis, somos taxados de sobreviventes da má sorte humana. Um dia os gregos praticavam o homossexualismo, as pessoas deficientes eram mortas das piores maneiras possíveis. Acabamos, como sempre, fazendo argumentos em cima de besteiras e mazelas que não correspondem com a verdade e fica a duvida se somos seres humanos ou não. Afinal, somos intocáveis no ver da senadora, que nem ninguém reparou que ela disse. Não é o bastante leis ridículas que dão ingressos para pessoas com deficiência irem a Copa, coisas como dar coisas, não estão incluindo, estamos sendo excluídos de toda a sociedade dando “esmolas”.

Quer maior violência? A indiferença , essa é a maior violência.

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Responses

  1. Ora Amauri e Marley,
    Não vi nada no discurso da senadora que justificasse a observação de vocês.
    Entendi que os deficientes estavam sendo usados pela bancada evangélica para justificar o voto deles. Os evangélicos se pautam pela idéia de que homossexualidade é pecado e que todo pecador deve ser punido. Acho perigoso que defensores dos direitos de deficientes se alinhem a eles e acusem a senadora.
    Isso pode até dar visibilidade, mas, planta uma ponte muito perigosa. Uma intolerância leva sempre a outras e outras.
    Imagino que cobrar a postura farisáica dos evangélicos seria uma política mais eficiente e mais eficaz, mesmo sendo menos “vistosa”, menos palatável ao senso comum, menos alinhado às idéias da revista Veja e outras que tais.

    • está no vídeo, obrigado pelo comentário.

  2. […] desmerecendo outro ato de violência e outro segmento oprimido. Já escrevia isso em 2011 no texto Violência Silenciosa quando então senadora Marta Suplicy ao defender a posição dos homossexuais na comissão disse aos […]


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