Publicado por: Amauri Nolasco Sanches Junior e Marley Cristina Felix Rodrigues | 9 de dezembro de 2011

Do Contrato Social e Educação Inclusiva

 

Jean Jacques Rousseau em pintura

Fiquem com um texto do filosofo Rousseau depois volto:

“Sob os maus governos essa igualdade é somente aparente e ilusória; serve só para manter o pobre na sua miséria e o rico na sua usurpação. Na realidade, as leis são sempre úteis aos que possuem e prejudiciais aos que nada têm, donde se segue que o estado social só é vantajoso aos homens quando todos eles têm alguma coisa e nenhum tem demais”(Do Contrato Social, Jean Jaques Rousseau)

O filosofo genovês, disse isso a mais ou menos duzentos anos e nunca esteve tão atual. Num paragrafo bem sugestivo ele diz: “Sob os maus governos essa igualdade é somente aparente e ilusória; serve só para manter o pobre na sua miséria e o rico na sua usurpação.” Que esta claríssima a alegação, em qualquer governo democrático ou não, monárquico ou não, ditador ou não, as leis são feitas para os ricos continuarem com sua usurpação (roubo) e o pobre será sempre levado a sua total miséria. Não importa se você é negro, se você é branco, se você é deficiente, novo ou velho. As leis sempre vão beneficiar aqueles que as possuem e prejudiciais a aqueles que não possuem, pois não importa em que regime estivermos a realidade só vai ser mudada, quando a maioria descobrir que é a maioria. Ai cabe-nos uma pergunta: existe mesmo liberdade ou é uma coisa ilusória dentro da suposta democracia, onde somos obrigados a votar, somos obrigados a assistir propaganda eleitoral?

Será que Rousseau disse isso com a palavra “ilusão”? A liberdade em si é uma insuportável ilusão? O problema não é a alienação que os “outros” nos fazem ter, mas, a nossa auto alienação de querer ver um mundo melhor e não ve o que o filosofo indica, meras ilusões, ou seja, a democracia é mera ilusão. Na verdade –Jesus mesmo disse que a verdade nos libertaria –acredito que o ser humano está sendo usurpado não só em sua condição digna, mas usurparam até a verdade dos fatos. Como disse outro filosofo Thomas Hobbes, o homem é sempre o lobo do próprio homem, pois ele quer sempre alimentar seu próprio “gozo”. Isso se dará muitas vezes dentro do convívio social, não deixando brechas nem para a “livre expressão”, nem para “fazer o que bem desejar”. Seria muito bom se as pessoas não se negassem para serem aceitas, mas não podemos exigir isso da maioria.

Tem mais um fato muito importante que a maioria não sabe, nós seres humanos somos “animais” políticos segundo Aristóteles, mesmo quando estamos conquistando alguém ou opiniões, estamos fazendo politica. Essas pessoas que acreditam que falar de politica é uma coisa “chata” está onde Rousseau disse, em uma ilusão, um holograma que pensamento ser verdade absoluta. Como diria uma colega, isso se chama um relativismo positivo, pois ao enxergar que a sua verdade não é absoluta, pois ela não existe. Mas para qualquer governo no mundo que faz jus a teoria de Maquiavel, todo meio destina-se a um fim, se tomo uma decisão, aquela decisão tem que se destinar a um fim. Ou trocando em miúdos, se um decreto sai alguma coisa tem que se ganhar com isso, pois tanto trabalho não pode não ter uma recompensa.

Todos nós sabemos que as pessoas com deficiência – nem todo o segmento, mas  maior parte – tem uma ingenuidade politica muito significante. Não é possível que essa luta que começou em meados de 1970 se acomodou de um jeito que todos não mais lutem, que todos não mais digam ou não se vendem, se vendem e muito barato. As portas foram abertas por um “paternalismo” que algus surdos querem, um gueto que a “cultura surda” vai constuir dentro da inclusão, com a falsa promessa da escola bilingui. Por que falsa? Ora amigos, Rousseau já dizia no seculo dezessete, que a liberdade é uma ilusão; qualquer governo faz leis para o pobre ser mais pobre – assim explorar seu trabalho – e o rico continuar com sua usurpação, nunca haverá escolas bilinguis, porque não interessa aqui nesse país feudal, um povo educado. Não interessa nesse país uma cultura que valorize o ser humano, que valorize as pessoas com deficiência como deve ser, pois somos considerados não cidadãos do Brasil e querem nos trancar em instituições que só querem o dinheiro.

Como sempre digo, passei quinze anos numa entidade que nada fazia e nada faz pela inclusão, não me venham justificar o que não dá para justificar. Não tínhamos nenhuma liberdade e nenhuma autonomia, tudo era feito por voluntarias que não nos deixava fazer nada. Nada mesmo! Como querem me convencer – estuprando minha inteligência é claro – que nós pessoas com deficiência, temos liberdade de escolha? Mas estamos mesmo podendo ter o direito de escolha? Acredito que nós pessoas com deficiência, não estamos sendo respeitados em nossas escolhas, graças aquele estereótipo que somos dependentes ou não devemos ter as mesmas matérias ou o mesmo conteúdo do que os demais. Mas não é só isso, existe um pensamento psicossocial, que colocaram dentro de nossa condição há séculos. O pensamento do sofrimento eterno, somos – segundo o senso comum – sofredores do martírio eterno de carregar uma deficiência e não podemos ser felizes. Mas, felicidade não é sinônimo de liberdade?

Liberdade politica tem a ver com a democracia e anarquia. Democracia é uma palavra que veio do grego democratia que quer dizer “o poder do povo” e é um processo histórico muito longo para debatemos nesse texto, mas a definição moderna de democracia é, ou  deveria ser, com a participação popular. A maioria que elege o governo executivo e escolhe a proposta de seu candidato, ou como aqui no Brasil, a proposta partidária. É um grande erro confundir democracia com libertinagem, a democracia é construída nos pilares da “maioria” –pelo menos é assim na teoria – escolher como melhor para toda a sociedade. Mas ai que está o erro, essa maioria precisa ser ouvida, mas não é ouvida; a liberdade só é dada, quando não mexe com o executivo, ou seja, voltamos a fala de Rousseau que as leis são para o ricos tomarem o que é da maioria. Anarquia é, ao contrario do que a maioria pensa, não é a ausência de ordem e sim ausência de coerção, pois não há nenhuma resolução que obrigue o cidadão a fazer o que não quer. O salario não é renda, todos os cidadãos poderiam dar suas opiniões e poderiam fazer sob sua vontade. Ai que está a confusão, não podemos fazer tudo que queremos se esse “tudo” foge do bom senso de cidadão, até mesmo no anarquismo.

Então cheguei ao que interessa. Existem dois polos principais dentro da suposta democracia brasileira: o coronelismo do norte e nordeste e o tradicionalismo nacionalista, quase, beirando uma espécie de nazismo do sul. Ou seja, o coronelismo norte-nordestino faz com que a “seca” e a pobreza na região não acabe e todos os recursos sejam destinados aos mesmos. Por isso existe prostituição, existem crimes e existe a ignorância, porque não “interessa” ter um povo educado. No sul beira o preconceito e a discriminação por causa do tradicionalismo exagerado de não tolerar o diferente e vou explicar.

Do nordeste e norte, nós pessoas com deficiência, estamos sofrendo pressão para a diminuição da lei de cotas a PL 8213/91. O Senhor Senador Jose Sarney, quer diminuir de 5% a 3% por uma “desculpinha” que não existe pessoas com deficiência qualificadas. Então, os diplomas que eu e muitos amigos temos, são de “mentira”? O Senador deveria defender a população, que pensa viver em uma democracia, pois o que vejo é uma grande farsa. Por que uma grande farsa? Eis a questão! No mesmo livro de Rousseau ele diz bem no começo: “O homem nasceu livre, e por toda a parte geme agrilhoado; o que julga ser senhor dos demais é, de todos, o maior escravo”. Resumiu tudo. Mesmo aqueles que “acham” ser os “senhores” de tudo são os maiores escravos.

Por falar em escravos, o Sul que tem a politica segregaria, está levantando a bandeira da “escola especial”. Enquanto outros países estão evoluindo nessa parte, o Brasil quer retroceder, até mesmo Israel existe escolas que abrigam pessoas com deficiência (se eu não me engano). Por que isso? As classes especiais recebem incentivo do governo, na verdade, essas entidades não vivem de “cartões de Natal” ou programas de TV, são milhões repassados para manter essas escolas especiais. No Sul, há uma tradição governamental, de fazer esse tipo de escola; não se admite pessoas com deficiência estudando junto com os “outros”. Como relatei acima, não me agregou nada estudar em escolas especiais, fiquei mais dependente, fiquei mais “alienado”. Imagine caro leitor, se acabarem com a escola especial? Onde eles iriam arranjar dinheiro? Essa é a nossa politica.

Como fica a inclusão de pessoas com deficiência? Fica em poeiras de um preconceito idiota e nada faz para integrar pessoas como eu, cadeirantes, os surdo, os cegos, as pessoas com deficiência metal. No Rio de Janeiro esse tipo de politica ganha voto, cada vez que o Brasil quer tomar um rumo ao progresso, existe a tradição preconceituosa que não deixa isso acontecer. Como querem uma politica seria de inclusão e os próprios deputados que se dizem defensores da causa, tiram fotos com as mesmas entidades que querem nos apunhalar? Muitos me dizem que o ministério publico federal nos apoia e se manifestaram em repúdio, mas não fizeram nada para barrar essa PL que é contra até a constituição do Brasil. Nenhum promotor com um “pingo” de bom senso, deveria abrir processo contra e até tomar providencias ao que se refere a nós. Cadê a democracia? Essa democracia de oligarquia, não é por mim nada mais, do que herança medievalista portuguesa, só isso.

Para finalizar esse texto, quero expor minha opinião sobre inclusão. Quando dissemos a palavra inclusão não é só uma misera palavra, é um ato, é um gesto simples de incluir pessoas que tem alguma limitação. Não é um favor, é um dever. Nós pessoas com deficiência votamos, compramos, consumimos como outra pessoa qualquer. Não adianta vim com argumentos que a pessoa com deficiência não pode aprender por ter uma deficiência severa, que esse argumento não “cola”, pois já vi muito pessoas com deficiência mental aprender ler e a escrever. Digamos NÃO ao retrocesso e SIM ao progresso. Afinal em nossa linda bandeira está “Ordem e Progresso”.

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Responses

  1. Claro e preciso. Apenas um quentionamento, antes uma reflexão: existem “cadeirantes” e deficientes “mentais”?

    • errei de termos, vicio de linguagem…rs
      Obrigado Amilcar…(o termo cadeirante é usado por grande maioria)


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