Publicado por: Amauri Nolasco Sanches Junior e Marley Cristina Felix Rodrigues | 20 de fevereiro de 2011

Cadeirante e o Zen

Estou lendo o livro de Allan Watts “O Espirito do Zen” e estou achando muio interessante descobrir coisas tão naturais, que me surpreendo como o ser humano ainda não descobriu. Para nós os cadeirantes ansiosos, nervosos, e talvez de repente até, desanimados da vida, podemos ler e tirar algo de bom por isso, recomendo esse livro para quem gosta de ler (alguns não gostam e é uma pena).

 

O Zen nos ensina a doutrina de Gautama Sindharta O Buda, pois o Zem é uma doutrina chinesa de muitos séculos. Ele foi fundado pelo missionário hindu (onde o budismo se criou originalmente), Bodhidharma. Ele lovou o budismo para a China onde teve contato com o taoismo e o confucionismo. É muito instença a explicação dessa prática e quem se interessar é muito bom o livro, pois trás pensamentos muito interessantes como lhe dar com a vida e as situações, que pode nos ajudar a superar vários fatores que cruzamos nessa vida. Na loja virtual Submarino esta R$ 9, 00, vale a pena.

 

O ensinamento zen nos diz que tudo é uma coisa só, quando pegamos uma caneta naquele momento somos a caneta, ela faz parte de nossa vida. Estou aqui escrevendo esse texto, então esse texto é minha imagem mental no texto, e ela sou eu. Para saber se você alcançou ou não o espirito zen, temos que saber se tivemos um satori ou que o mestre nos fez um koan, isso é muito natural. A vida (ou o Tao) está sempre nos mostrando e em nosso exemplo, como andar de cadeira ou ter que ter muita paciência de algo que eu queira ou de situações que fogem de nosso controle. Isso é um Satori e é equivalente ao Nirvana. A percepção que a vida é você e o você é a vida, nos faz ver que é como o rio fluindo para o mar, ele vai sem que nada possa deter ele e isso, poderiamos entender um pouco quando vimos nossa vida. Lendo isso parei por um instante de ler e fiquei olhando para minha cadeira de rodas, para minha nova almofada de água, e percebi que eramos um só, pois a cadeira me faz locomover e a almofada me faz sentir confortavel. Mas esse locomover e esse “confortável” está em nossa mente, ela é uma projeção de nossa mente, o homem que deita em uma cama de pregos que nos diga (risos). Pegando o exemplo do Fakir (o homem que coloca objetos cortantes no corpo), ele projeta de alguma maneira, que aquilo é apenas um momento, a dor não existe de fato como algo completamente, concreto. É estranho para nós ocidentais, acostumados em separar nós de tudo, mas na realidade, fazemos parte de tudo isso.

 

O que vimos na exclusão das coisas e nos “outros”, é a dualidade que nós ocidentais insistimos em ensinar nas escolas e educações religiosas equivocadas, onde se romanizou o cristianismo que em sua origem era oriental do Oriente Médio. Jesus disse muito bem isso quando em Mateus 7 versiculo 7 diz: “Pedi, e dar-vos-á; buscai, e encontrareis; batei, e abrir-se-vos-á.” e isso nada diferencia das palavras e ensinamentos orientais. O que sempre pedimos para nossa vida? O caminho até a divindade, a paz de espirito que tanto buscamos nossa vida inteira e não encontramos como algo concreto, como algo de nossa vida. O que buscamos na nossa vida? Buscamos a compreensão o porque e como tudo isso se processa, porque a vida se inicia e só encontramos isso se meditamos dentro de nós mesmos. E onde batemos para abrir a porta? O verdadeiro templo de YHVH que é o nosso corpo, nossa alma que projeta a verdadeira natureza da divindade e isso, mesmo com intensóes más ou boas, nenhum sacerdote pode nos dá isso. Nós temos que declarar para nós mesmos nossa própria natureza, assumi verdadeiramente o que somos, o que cada aparelho que usamos representa. Nós somos deficientes do corpo e não da mente, ou até melhor, como os passaros que contem várias cores, o ser humano contem vários estados corpoarais. Nosso corpo só não pode se locomover, ou pode de maneira diferente, depende da maneira que nós enxergamos.

 

Compreender isso é nos aceitarmos como somos. Talvez isso nos faça pessoas mais compreensíveis e que não ficamos presos em nossas ilusões, nossos medos que não existem, não contem formas. Pensando isso, talvez num momento revelador (não estou sendo irônico), enxerguei minha cadeira como se ela fosse minhas pernas, como se ela esteve o tempo todo em mim, pois as mesmas particulas do minério metalico que ela é feita, por inclivel que pareça, também nos fez e é nossa origem. Qual nossa origem? Aonde isso ocorre? A única e verdadeira sensação que podemos nos apegar, como uma unica não-ilusão, é que nascemos para a morte e tudo que levamos para lá, conosco eternamente, está em nossa mente, está em nossa consciência. Portanto, o filósofo francês Descartes, errou ao afirmar que o Cogito (pensar) é separado do res extensa (corpo), porque ao mesmo tempo que pensamos podemos existir, mas o existir é sentir e não só pensar. Essas coisas (res) são interligadas porque são uma só, tem uma certa ligação, porque nos faz um só.

 

Nós aceitamos a deficiência quando esquecemos dela, quando botamos na “cabeça”, que nos locomovemos diferente. Todo ser vivo tem sua peculiaridade e temos a nossa. Mas isso não impede de sermos nós mesmos, gostamos o que todos gostam, ter o que todos tem, é a vacuidade que faz nós aceitarmos o que somos. Esquecer em sermos perfeitos, mas ser e aceitar na melhor maneira possivel nossa deficiência, aceitar que somos assim e pronto! O zen nos mostra, que o sofrimento vem do desejo, e esse desejo, é a maneira de chegar aos outros estados menos confortavel. O medo de não alcançarmos o que as pessoas almenjam para nós, o que se diz como perfeito, nos fazem ser seres ansiosos, de caráter de sempre procurarmos algo externamente e não, internamente. Como diz uma frase muito famosa de uma peça romana atribuida ao escritos Juvenal: “Mente sã no corpo são”. Se temos uma mente sã, desprovida de qualquer coisa que traga alguma coisa que te deixa magoado ou com raiva, terá sempre um corpo totalmente são e saudavél. Ter em mente que a deficiência não é doença e sim, um estado alterado de nosso lado motor, intelectual, sensorial ou até mesmo, imunológico; é um estado, uma maneira de realgir ou de vivermos, com nossa limitação.

 

Esse é o Satori (entender), pois após ele, após esse entendimento, simplesmente, encontramos nossa essência que é o Tao (TODO). Esse (TODO) não é algo externo e sim, algo interno. Portanto, quando vimos isso dentro de nós, vamos esquecer o que somos, vamos sempre lutar para ser o que sempre vamos ser, seres em total evolução e aprendizado. O resto é apenas ilusões de uma humanidade cega por valores inuteis. Para terminar o Código de Honra do Samurai:

 

Eu não tenho pais, faço do céu e da terra meus pais.

Eu não tenho casa, faço do mundo minha casa.

Eu não tenho poder divino, faço da honestidade meu poder divino.

Eu não tenho pretensões, faço da minha disciplina minha pretensão.

Eu não tenho poderes mágicos, faço da personalidade meus poderes mágicos.

Eu não tenho vida ou morte, faço das duas uma, tenho vida e morte.

Eu não tenho visão, faço da luz do trovão a minha visão.

Eu não tenho audição, faço da sensibilidade meus ouvidos.

Eu não tenho língua, faço da prontidão minha língua.

Eu não tenho leis, faço da auto-defesa minha lei.

Eu não tenho estratégia, faço do direito de matar e do direito de salvar vidas minha estratégia.

Eu não tenho projetos, faço do apego às oportunidades meus projetos.

Eu não tenho princípios, faço da adaptação a todas as circunstâncias meu princípio.

Eu não tenho táticas, faço da escassez e da abundância minha tática.

Eu não tenho talentos, faço da minha imaginação meus talentos.

Eu não tenho amigos, faço da minha mente minha única amiga.

Eu não tenho inimigos, faço do descuido meu inimigo.

Eu não tenho armadura, faço da benevolência minha armadura.

Eu não tenho castelo, faço do caráter meu castelo.

Eu não tenho espada, faço da perseverança minha espada.

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