Publicado por: Amauri Nolasco Sanches Junior e Marley Cristina Felix Rodrigues | 4 de fevereiro de 2011

Perpectiva do Amor

Hoje não vou falar de coisas acessiveis, não vou falar mal de ninguém, apenas vou escrever o que Paulo disse a carta aos corintios, ainda que nós falassemos a lingua dos homens, falassemos a lingua dos anjos, sem amor, nós não seriamos nada. Seja qual for o amor que tenhamos, quando amamos nos sentimos muito completos, muito mais quando no ódio nos abrigamos. O Criador, o nosso pai celestial, tem me dado muito esse amor e me deu o maior presente do que um homem pode ter, um amor que passa as barreiras mundana e só pode ser explicado com a alma, o espirito que nos une, nos faz mais forte e sim, Paulo estava certo, podemos dizer qualquer lingua, pode ser o sábio mais versatil e conhecer muitas coisas, mas sem o amor nada seremos. A Marley é o sonho realizado, é a porta que se abriu em minha vida para olhar em outro mundo, ela criou em mim uma outra visão do mundo, uma outra perpectiva que não estava vendo.

 

Leio todas as poesias que me escreve e quando fez um Soneto (praticamente, um livro de poesia), muita coisa linda, muito gostoso você ser amado e respeitado dentro da perpectiva do amor. A frase que ela escreveu: “O amor é um segredo revelado a poucos, mas que quando revelado, ele é a porta para descobri o inexplicável”, nos diz algo que é revelado só quando descobrimos o que é o amor. O amor é algo que só poucos sabem o que é e as vezes, talvez, ninguém entendeu o que muitos pensadores nos revelaram, pois quando nos é mostrado a perfeição numa perpectiva humana, diante do amor, se pensa que estamos dizendo a perfeição do corpo e não da alma. De repente é isso que Platão quando escreveu sobre o amor disse diante da perfeição, ou até mesmo, é uma analogia da visão daquele que está enamorado pela outra pessoa. Não vimos muito mais a perfeição dela? Talvez as mais variadas mitologias humanas religiosas, falam isso, precisamos ter esse amor para ver o outro ou até mesmo, a si mesmo e encontrar nesse amor, algo não revelado em nada e aceitamos muitas coisas que não aceitamos. A perfeição revelada é da alma, é muito mais que uma sobre corporal que nada mais é, um amontoado de celula que foi feita para abrigar nossa alma para aprender algo, aprender que existe só um motivo, só um pensamento nos é revelado, tudo isso não é nada sem o amor, sem carinho, sem dedicação. Com amor, qual a barreira que temos com nossa deficiência?

 

Como disse um dia, quando estamos juntos até mesmo nossas cadeiras de rodas namoram e se amam, se unem em uma perfeita comunhão. Esse segredo que a Marley diz, muitos poucos sabem amar e respeitar o outro, sabe dar amor as pessoas e por isso, é revelado a muitos poucos, e descobrimos o inexplicavel. Será que devemos crer, que é um canal direto ao mundo superior, é o que os cabalistas dizem ser a Vontade de Doar que nos mostra o Mundo Superior do Criador? Talvez, esse mundo só é revelado por aqueles que descobrem o eter que faz trazer o bem estar e leva esse bem estar lá, um fio condutor que só é ligado se somos contaminados com o amor, com o respeito, com a satisfação de estar juntos. Mais ainda, quando nos encontramos em uma cadeira de rodas, enfrentando dificuldades e barreiras, onde a sociedade nos vê como eternas crianças e na maioria das vezes, nem é culpa dessa sociedade e sim, sucessivas educações equivocadas. Quantas crianças poderiam ser escritores, musicos, poetas ou trazer algum beneficio a humanidade e foram julgadas pelo seu corpo com deformidade? Helen Keller foi um exemplo muito grande por ter nascido cega, surda e muda e ser uma autora muito talentosa, Kristian Bronw conhecido pelo livro Meu Pé Esquerdo e até mesmo a Marley que tem tanto talento, mas infelizmente, somos julgados pelo nosso corpo e não pelo que somos.

 

Mas também temos nossa filosofia que é: “A felicidade não está no ter muito ou não ter nada, mas a felicidade está no ser alguém que tem a capacidade em transformar o que possui em plena felicidade, bonança e como na solidão, tirar um momento alegre”. Ficamos alegres quando temos, nosso amor ao nosso lado, temos respeito ao próximo e façamos tudo que gostariamos que fizessem para nós. Isso não soa meio obvio? As sombras do egoismo povoam as pessoas que pensam que o mundo tem que ser, muitas vezes não é, como eles querem ou desejariam que fosse. Prendem em seu coração um rancor que muitas vezes, não deixam ouvi os cantares dos passaros, nem os barulhos mais sutis, a flor mais bela, o luar mais brilhante. O unico erro de Descartes foi achar que o ser humano só pensa, mas o ser humano sente e deve haver um equilibrio entre ambos. O pensar nos faz perceber o ambiente e percebemos que existimos, penso para perceber, sinto para ser, nunca poderei ser um ser se não sentir ligado ao outro e assim, estar ligado no mundo.

 

Muitas pessoas até dizem que o amor é meio de ficarmos presos em alguém, negar nossa individualidade, mas daí podemos até analisar esse pensamento dizendo se realmente quando pensamos ser libertos, somos realmente e quando pensamos ser presos, somos realmente. O que é está preso e liberto pra você, caro leitor? Será que um cara largado, que todo final de semana “tem” a obrigação de ser um sugeito “moderninho”, presos em modinhas, presos em conceitos das pessoas é liberto? Não digo isso somente aos homens, mas as pessoas que a vida é um grande seriado de TV e isso pega muito quando vimos que nossas vidas são vazias e não vimos isso. O amor não prende, eu garanto, só liberta o homem do sombrio estado de alienação perante a vida. Daí erra aqueles que pensam que o amor é uma prisão.

 

Como posso me considerar preso se meu pensamento voa? Mas deixo mais umas letras do meu amorzinho para vocês verem:

 

” Ju

quero te dizer que te amo. Sei que parece repetitivo eu dizer que te amo. Mas é esse te amo, que define o amor que por ti sinto. É o que me move e me faz viver. Obrigado por esse 2 anos e meio de dedicação, amor, carinho, companherismo. Desculpe muitas vezes pelas minhas grosserias, mas quero dizer que por trás dessa pessoa glosseira – pode não parecer- existe uma pessoa sensivel, que é louca por você e que te ama.

Mas sei que as vezes mostro esse amor de uma maneira glosseira, mas que te ama de verdade, que já não existe, e se imagina sem você, e que reconhece que muitas vezes tem dificuldade para demonstrar o que quer e o que sente. E por esse motivo se sente acuada, e acaba metendo os pés pelas mãos. Mas um dia ela aprende (risos). Não há nada a se fazer (como diz a banda Matanza). Em outra frase, Nietzsche define essa metamorfose que estou vivedo: “Não existem fatos eternos, nem verdades absolutas”. Eu só abro uma excessão para esse pensamento na questão do nosso amor e o meu amor por ti.

Ele que para todo o sempre será eterno e verdade absoluta em minha vida, em minha existência. Eu sei que nos ultimos dias não foram faceis, mas você permaneceu do meu lado em todas situações

riu comigo;

chorou comigo;

me deu aconchego;

chaqüalhão;

você é companheiro de verdade;

amigo;

sincero;

carinhoso;

definindo: você é tudo

 

Tudo que preciso. Sei que me desculpa e muito obrigado é pouco para demonstrar minha gratidão, admiração. respeito. Então eu definirei com uma pequena e grande palavra que tem poder de mover o ser humano: Te Amo!”

 

Vocês acham que isso foi escrito por uma pessoa presa pelo amor? Eu não sei de onde tiraram esse conceito, porque muitos escreveram sobre a liberdade do amor, sobre o mundo entre rodas. Onde está a prisão nisso? Talvez esteja nos homens duvidosos de sua própria sexualidade, duvidosos que podem amar e ser amados e eu, como conhecedor de muitas coisas, não tenho duvida nenhuma do que sou. Ser não é ter, ser é estar em um estado glorioso, só poucos sabem disso, só os escolhidos na graça de YHVH e não sou tão religioso, sou centrado somente a verdade. O que somos a não ser um amontoado de moléculas querendo ser algo? As mesmas moléculas que são feitas minha cadeira de rodas, essas nos fazem também, pois o que evolui não é o corpo e sim a mente e o espirito e nada, nada existe, a não ser a essência que está muito além da compreensão. Como explicar um amor tão grande, que passaram 4 anos sendo amigos, a 2 anos e 7 meses passaram a se amarem como se amassem a séculos?

 

Pouco me importa os insensiveis, o amor é para os fortes e decididos e não tem jeito, nada podemos fazer enquanto a isso. A Marley me deu um rumo e sim, eu desculpo toda a irritação dela, todo o nervoso dela, porque o amor é assim, se ama na hora da doença e na hora da alegria, senão, não é amor, é apenas tesão. E não me interessa caro leito, ter a mentalidade de um homem do senso comum, um homem que não sabe ser homem e é macho, só que macho é cachorro. Desprezo homem assim, nem sou tão amigo, não sou colega, enfim, acredito se você não concorda, não vai se misturar. Pode me chamar de radical, não vou ficar com depressão por isso.

 

A Marley está doente e nem por isso vou larga-la, nem a implicância da familia que hoje, não é tão grande, faz eu me afastar dela. Porque isso é uma conquista e não é facil ter parentes ou até, amigos com deficiência, sem ter olhos como o senso comum tem; pois são humanos, e como humanos, tem suas limitações. Conheço pessoas que largaram seus amores por causa que se limitaram, que se acham menos e dependentes quando podemos não ser, podemos superar sempre, mas viram muito mais as suas deficiencias do que, sua força de vontade. Viram a implicância da familia e a doença do seu companheiro, uma limitação para viver o seu grande amor. Outras pessoas só veêm o outro (o companheiro), como uma “valvula de escape”, onde se ele dá prazer, tudo bem, ele é maravilhoso, mas se não, vai pra larta do lixo. Seria o companheiro chiclete, enquanto tem gosto você masca, quando não, gospe fora. Eu fui por um bom tempo dependente, até no banheiro eu precisava de ajuda, e hoje, não preciso mais da minha mãe, porque me esforcei para se virar e ter uma vida independente. Tem dia que a minha mãe nem vê eu tomar banho, nem vê ir ao banheiro, nem vê que faço muitas coisas relativas ao meu desempenho que conquistei. A familia da Marley bigava, se esperneava, faziam coisas que eram apenas medo, medo de nós se desapontar com a vida e hoje, conquistei isso também mostrando que era isso que quero, quero ficar com ela e assumir uma vida com ela. Sei que não é facil, mas conheço muitos casais que venceram e hoje estão juntos.

 

Viu como falo com causa? Vivi muito isso, vivi tudo que uma pessoa com deficiência vive e por isso sou duro, porque venci como um “guerreiro”. Lembro da famosa frase de Julio Cesar “Veni, vici,vidi” (que seria vim, vi, venci), que resume toda nossa luta. Vim para essa vida, vi como é dura ela e venci minhas limitações. Quer definição melhor? É o que em 2 anos e 7 meses ensinei a Marley e tento, juro que tento, ensinar para outros deficientes a terem esse tipo de atitude, sendo em vão ou não, o negócio é não desistir. Mas eu amo essa garota, mais o que poderia amar outra, porque ela aceitou o que nenhuma outra aceitou, ao invés de dizer um não como muitas disseram, eu ouvi um sim e para fechar esse texto e resumir o que sinto nesse momento uma bela frase do tio Freud: “Como fica forte uma pessoa quando está segura de ser amada!”

 

 

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